Ian Ferraz e Josiane Borges, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto
Um dos principais palcos esportivos do Distrito Federal, o Estádio Valmir Campelo Bezerra, o Bezerrão, no Gama, foi devolvido à população nesta terça-feira (19). O local, que salvou inúmeras vidas durante a pandemia ao abrigar um hospital de campanha, volta à sua vocação natural.
Na cerimônia de reabertura do estádio, o governador Ibaneis declarou: “Conseguimos fazer uma belíssima reforma aqui, e só temos que agradecer a toda a população, desejar que ela possa usufruir do estádio e assistir inúmeros jogos aqui” | Foto: Renato Alves/Agência Brasília
Inaugurado em 1977, o Bezerrão passou pela sua maior reforma desde 2008, quando foi totalmente remodelado, ficando agora pronto para uso. Foram feitos reparos estruturais, recuperação das arquibancadas e do gramado, além da modernização da rede elétrica e do sistema de combate a incêndios. O investimento soma mais de R$ 3,9 milhões.
Compromisso cumprido
Durante a reabertura do palco de futebol, o governador Ibaneis Rocha lembrou a urgência de fechar o local para tratar pacientes com covid-19. Falou também da alegria de ver tantas crianças e a comunidade presentes à cerimônia.
“Tivemos um período de pandemia e fomos acolhidos aqui para abrir o hospital de campanha que salvou milhares de vidas”, ressaltou o governador. “Precisamos fechar o estádio para abrir o hospital. Depois, conseguimos fazer uma belíssima reforma aqui, e só temos que agradecer a toda a população, desejar que ela possa usufruir do estádio e assistir inúmeros jogos aqui. Queremos nossas crianças praticando esporte e se desenvolvendo aqui.”
“O estádio está pronto para receber o Candangão 2024”Julio Cesar Ribeiro, secretário de Esporte e Lazer
A fala foi endossada pela vice-governadora Celina Leão: “Essa reforma foi um compromisso assumido pelo governador Ibaneis desde a época em que o hospital de campanha foi instalado. Houve uma comoção, e a cidade entendeu a necessidade. Hoje é um grande dia”.
Estrutura recuperada
As obras foram conduzidas por empresas contratadas pela Secretaria de Esporte e Lazer (SEL-DF) e pela Companhia Urbanizadora Nova Capital (Novacap). Todas as intervenções foram realizadas de acordo com as normas do Estatuto do Torcedor e acompanhadas de perto por órgãos de fiscalização do DF.
“Mudou muito, não é?”, observou o secretário de Esporte e Lazer, Julio Cesar Ribeiro. “O gramado estava totalmente destruído – por uma boa causa, que foi salvar vidas -, as arquibancadas estavam quebradas, nós reformamos tudo e pintamos, arrumamos o elevador, atendemos todas as exigências do Ministério Público. O estádio está pronto para receber o Candangão 2024.”
As condições do estádio também foram relembradas pelo diretor-presidente da Novacap, Fernando Leite: “Recuperamos todo o gramado, que está melhor do que antes, e recuperamos o sistema de irrigação. Devolvemos à comunidade o estádio em melhores condições do que o encontramos na época da pandemia”.
Os trabalhos
Nos equipamentos contra incêndio, as caixas-d’água e o Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) passaram por revisões e atualizações. Os banheiros e vestiários também receberam intervenções, desde a substituição das cerâmicas, que estavam com problemas estruturais, até a instalação de dispensers de sabonete e suportes de papéis higiênicos.
Houve ainda a readequação da sinalização de segurança, além da renovação de toda a identidade visual do estádio. Na área externa do Bezerrão, a pintura foi renovada e vidros foram instalados na tribuna de honra.
“Trocamos o gramado, com uma nova parte de hidráulica e irrigação, manutenção do alambrado com solda dos gradis, alteração na fixação de tubos e a aplicação de braceletes em trechos danificados”, detalhou a engenheira Kamila Félix, da SEL-DF. “Os 20 mil assentos foram recuperados. Foi refeita também toda a parte de segurança para o público, como sistema de incêndio, banheiros e vestiários.”
Torcedores agradecidos
Elielson Queiroz não vê a hora de assistir a uma partida: “Estive aqui quando começaram a reforma, e o estádio estava bem deteriorado. Ficou melhor do que imaginávamos”
Torcedor apaixonado pela Sociedade Esportiva do Gama, o empresário Elielson Queiroz, 41, se disse ansioso para acompanhar a primeira partida de futebol na casa do time mais vezes campeão brasiliense – são 13 títulos –, que tradicionalmente realiza seus jogos no estádio. “Ver o Bezerrão de volta é uma alegria imensa”, comemora. “Estive aqui quando começaram a reforma, e o estádio estava bem deteriorado. Ficou melhor do que imaginávamos. Agradecemos ao GDF, à Secretaria de Esportes, por ter olhado para o Bezerrão, que é uma praça pública que atende toda a comunidade do Gama”.
Gabriel Caetano é um dos moradores que comemoram a reabertura do estádio: “O Bezerrão é o grande símbolo do esporte e da cidade do Gama”
Gabriel Caetano, 27, é morador do Gama e disse ter se tornado um fiscal assíduo da obra: “Indo para o trabalho, passava aqui na frente todos os dias e tinha dias que entrava também. Vi pintando, colocando o gramado. O Bezerrão é como uma segunda casa pra mim; frequentava desde pequeno, jogava na escolinha de futebol, caminhava com a minha mãe quando ele ficava aberto para a comunidade. Entrar aqui me traz boas lembranças”.
Para Gabriel, a reabertura do Bezerrão é importante no âmbito de toda a comunidade, razão que o faz esperar com boa expectativa para 2024. “Será um ano especial”, antevê. “É a volta do time para perto da comunidade. O Bezerrão é o grande símbolo do esporte e da cidade do Gama”.
Pela primeira vez em Brasília, o Centro Cultural TCU apresenta a exposição “Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral”, mostra inédita que convida o público a revisitar a trajetória de uma das figuras centrais do modernismo brasileiro. A exposição será aberta para visitação no dia 11 de fevereiro e permanecerá em cartaz até 10 de maio, com entrada gratuita.
A mostra reúne mais de 60 obras originais, entre elas Operários, além de uma sala imersiva com projeções de pinturas icônicas da artista, como Abaporu, A Cuca e Antropofagia. O espaço evoca os chamados “jardins tarsilianos” – paisagens exuberantes e imaginárias que marcaram o universo visual de Tarsila do Amaral, criando uma atmosfera envolvente e sensorial para o visitante.
O percurso curatorial tensiona as relações entre modernidade, identidade e pertencimento cultural, destacando a forma singular como a artista formulou uma linguagem modernista profundamente enraizada na realidade brasileira.
Curadoria da exposição e da sala imersiva
Com curadoria de Karina Santiago, Rachel Vallego e Renata Rocco, a exposição apresenta Tarsila como um “corpo-em-obra“, cuja produção artística e intelectual se constrói em permanente elaboração, atravessando as principais inquietações estéticas, sociais e políticas do século 20.
Licenciado pela Tarsila do Amaral Licenciamento e Empreendimentos S.A. e desenvolvido pela empresa Live Idea, o espaço imersivo tem curadoria de Paola Montenegro, sobrinha-bisneta de Tarsila do Amaral e diretora da Tarsila S.A., em parceria com Juliana Miraldi. A atuação das profissionais articula novas linguagens artísticas, pesquisa, tecnologia e mediação contemporânea da obra da artista.
Detalhes da exposição
Organizada em quatro núcleos curatoriais, a mostra acompanha os deslocamentos do olhar de Tarsila ao longo de sua trajetória: dos primeiros anos da produção como pintora até chegar à fase social, marcada por uma abordagem mais direta das desigualdades e transformações estruturais do país.
Além disso, outros dois núcleos abordam a fase de descoberta do espaço ao seu redor, conciliando a velocidade das metrópoles ao tempo dilatado da vida no interior, e do mundo da imaginação, com cores e formas fantásticas.
Entre os destaques está a tela Operários, uma das obras mais emblemáticas da artista e da história da arte brasileira, que sintetiza o olhar crítico de Tarsila sobre o processo de industrialização e o mundo do trabalho. O público também poderá conferir trabalhos como São Paulo, Estrada de ferro Central do Brasil, Autorretrato I, Palmeiras, Floresta e o retrato de Mário de Andrade, entre outros.
Pela primeira vez em Brasília, este conjunto expressivo de obras – provenientes de importantes acervos públicos e privados – oferece uma visão panorâmica e, ao mesmo tempo, aprofundada da produção de Tarsila do Amaral, evidenciando sua relevância estética e intelectual e a atualidade de seu pensamento artístico.
Mais do que uma retrospectiva, “Transbordar o mundo” se afirma como gesto de atualização crítica da obra de Tarsila e evidencia sua capacidade de dialogar com temas contemporâneos como identidade, alteridade, território e memória.
A exposição conta com patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), instituição pertencente ao estado brasileiro, do Banco de Brasília (BRB) e apoio do Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo (Sindilegis).
Arte-educação
Além da exposição, o Centro Cultural TCU oferecerá programação educativa complementar, com visitas mediadas e ações voltadas a estudantes, professores e público em geral. Também serão realizadas oficinas de arte-educação aos finais de semana, em diálogo com a temática da exposição.
Serviço
Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral
Data: 11 de fevereiro a 10 de maio de 2026
Local: Centro Cultural TCU – Brasília/DF – Setor de Clubes Sul, Trecho 3
Ação Carnaval Sem Assédio é lançada pelo quarto ano consecutivo no DF
Iniciativa da Secretaria da Mulher (SMDF) reforça a prevenção à violência de gênero durante a folia, amplia a conscientização e fortalece os canais de denúncia em todas as regiões administrativas
A Secretaria da Mulher (SMDF) lança, nesta sexta-feira (6), às 14h, o calendário de atuação da ação Carnaval Sem Assédio, iniciativa que chega ao seu quarto ano consecutivo com o objetivo de prevenir e combater situações de assédio e violência contra as mulheres durante o período carnavalesco.
A ação leva equipes da SMDF a estabelecimentos comerciais e blocos de carnaval em regiões administrativas do DF, promovendo conscientização, orientação e acolhimento. A estratégia busca alertar foliões, comerciantes e trabalhadores do setor de entretenimento sobre a importância do respeito e reforçar os canais de denúncia disponíveis para vítimas e testemunhas de violência de gênero, prática que tende a se intensificar nesta época do ano.
Com o slogan “Não acabe com a minha festa”, cerca de 3 mil cartazes e adesivos começaram a ser entregues desde o dia 2 de fevereiro por cerca de 90 servidores da pasta. Os materiais são fixados em locais de grande circulação, como banheiros e entradas de bares e restaurantes, garantindo que o maior número possível de foliões tenha acesso às informações.
“O Carnaval é um momento de alegria e celebração e nenhuma mulher pode ter esse direito violado por atitudes de desrespeito ou violência”
Celina Leão, vice-governadora
“O Carnaval é um momento de alegria e celebração e nenhuma mulher pode ter esse direito violado por atitudes de desrespeito ou violência”, destaca a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão. “Com o trabalho de todo o GDF, vamos buscar ter um carnaval sem casos de assédio e garantir segurança, orientação e o acolhimento das mulheres”.
Os cartazes trazem um QR Code que direciona para o site da Secretaria da Mulher, além dos principais canais de denúncia: 190 (Polícia Militar), 156 – opção 6 (Central do GDF), 180 (Central de Atendimento à Mulher).
Carnaval sem assédio
De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF), não houve registro de ocorrências de assédio durante o período de Carnaval nos últimos dois anos, resultado atribuído às ações preventivas, à presença do poder público nos territórios e ao fortalecimento das políticas públicas voltadas às mulheres.
“Estar nos blocos, nos bares e nos espaços onde as pessoas estão é fundamental”, enfatiza a secretária da Mulher, Giselle Ferreira. “O Carnaval Sem Assédio é uma ação que salva vidas, porque informa, orienta e mostra às mulheres que elas não estão sozinhas. Respeito também faz parte da festa”.
A iniciativa também coloca em prática o Protocolo Por Todas Elas, instituído pelo Decreto nº 45.772/2024, que regulamenta a Lei nº 7.241/2023. O protocolo prevê que espaços públicos e privados adotem medidas para garantir segurança, proteção e apoio às mulheres vítimas de violência, assédio ou importunação sexual, bem como àquelas que estejam sob risco de sofrer esse tipo de violência, reforçando a atuação integrada da rede de proteção durante grandes eventos.
Serviço
Dia: 06/02
Hora: 14h
Local: New Mercaditto – 201 Sul
A sessão ordinária da Câmara Legislativa desta quarta-feira (4) foi reservada a debates parlamentares. Os parlamentares presentes concentraram suas falas sobre a crise envolvendo o processo de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) e o repasse de recursos para a educação pelo Governo do Distrito Federal (GDF).
O líder da minoria, deputado Gabriel Magno (PT), pediu a presença de representantes do GDF no plenário da Casa para prestar esclarecimentos sobre as investigações envolvendo o BRB. “É inaceitável que, diante da maior crise, não tenham coragem de vir aqui, de dar respostas ao que nós estamos vivendo”, afirmou o parlamentar, que ainda pediu a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para analisar a questão.
Durante a sessão, distritais demonstraram preocupação com o impacto da crise sobre a educação do Distrito Federal. Uma das medidas de contenção de despesas foi a não impressão do nome das escolas nos uniformes dos estudantes.
De acordo com o deputado Ricardo Vale (PT), a falta de identificação da unidade de ensino “pode trazer uma insegurança muito grande para as famílias, para os professores, para os diretores, porque qualquer um agora com a camisa ‘Regional de Ensino’ da cidade entrará na escola”.
A deputada Paula Belmonte (PSDB), por sua vez, relatou que o GDF cancelou emendas da sua autoria destinadas a escolas públicas que somavam cerca de R$ 11 milhões. “Esse dinheiro, que é de todos nós, era para dar dignidade para as nossas crianças. São 129 escolas que não foram atendidas e o governo pegou [o recurso] para pagar dívida. Pagar dívida porque gastou mais do que podia, gastou sem responsabilidade”, apontou.
De acordo com Gabriel Magno, somando todos os distritais, o GDF cancelou R$ 49 milhões em emendas parlamentares destinadas ao Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF), responsável por transferir recursos financeiros diretamente às escolas públicas e coordenações regionais de ensino.