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ÁGUA SUBTERRÂNEA
O acelerado declínio dos aquíferos no mundo
A constatação é grave e merece a atenção dos organismos internacionais: nos últimos 40 anos houve um acelerado declínio dos aquíferos na Espanha, Irã, China e Estados Unidos. Os motivos são mais do que conhecidos: a implantação de sistemas de irrigação não compatíveis com a sustentabilidade por retirada excessiva de água e devido as mudanças climáticas. Segundo pesquisas do professor Scott Jasechko, da Universidade de Santa Bárbara, na Califórnia, mais de um terço dos 1.693 aquíferos existentes monitorados pelo estudo caíram pelo menos 0,1 metro por ano entre os anos 2000 e 2022, com 12% deles passando por declínios anuais superiores a 0,5 metro.
ÁGUAS SUBTERRÂNEAS
UM RECURSO MUITO NOBRE
Para falar sobre o tema, convidamos o engenheiro Raymundo Garrido, professor da Universidade Federal da Bahia e ex-Secretário Nacional de Recursos Hídricos.
Silvestre Gorgulho

RAYMUNDO GARRIDO – ENTREVISTA
FMA – Recente análise feita pelo jornal New York Times dá conta de que os aquíferos estão deplecionando rapidamente à escala mundial. O que está havendo?
Raymundo Garrido – Numa primeira abordagem, é fato amplamente conhecido que a irrigação é a atividade campeã quando se avalia a repartição das vazões de demanda pelos usos múltiplos da água. Isso ocorre, evidentemente, onde essa atividade econômica é praticada, isto é, nas bacias ou regiões onde se fizer presente, a irrigação estará sempre entre as que exercem a maior demanda. Ocorre também que, mesmo quando há irrigação, mas a atividade industrial é, também significativa, principalmente se os ramos de produção fabril forem intensivos no uso da água, o quinhão que cabe à irrigação diminui proporcionalmente. Os demais usos da água somente em alguns exemplos afrontam a irrigação. A referida pesquisa do NYT parece confirmar esse balanço entre os dois mencionados usos dos recursos hídricos e, considerando que a irrigação, sendo uma atividade notadamente rural, está naturalmente inclinada a usar águas subterrâneas, contribuindo para o deplecionamento dos aqüíferos. Mas é importante comentar que não é somente pelo comportamento da demanda por água que muitos aqüíferos estão tendo seus níveis rebaixados. As disponibilidades de água (oferta da natureza) também têm se reduzido em algumas regiões. De fato, a pesquisa indicou que em regiões secas e com vastas áreas dedicadas à agricultura tiveram seus aqüíferos deplecionados, caracterizando a influência da baixa oferta de água pelo meio natural.
FMA – Como fica esse balanço geral de acordo com a pesquisa do NYT?
RG – Foram pesquisados 1700 aquíferos em mais de 40 países e o resultado encontrado indicou que cerca de 50% dos aqüíferos estão deplecionando. Nos Estados Unidos, no Vale Central da Califórnia, juntamente com as Planícies Altas verificaram-se baixas acentuadas do nível dos aquíferos. Em várias outras regiões do mundo o cenário é mais ou menos o mesmo. No Irã, a redução dos níveis de águas das formações hidrogeológicas foi também notável. Verificou-se, ainda, que 16% dos aqüíferos tiveram seu nível de água aumentado, e em 20% a situação não pendeu nem para a depleção acentuada nem para a subida expressiva do nível da água. Nas regiões onde os aqüíferos estão experimentando uma subida de nível, os governos estão adotando medidas de regulamentação e/ou, como no caso da Espanha, estão executando a técnica de recarregar seus aqüíferos.
FMA – Qual a contribuição das águas subterrâneas para o abastecimento humano no Brasil?
RG – São extraídos cerca de 560m3/s de poços tubulares no Brasil, vazão suficiente para abastecer todo o País durante um ano. Cerca de 20% da população são atendidos por água de origem subterrânea que é distribuída por 52% de todos os 5570 municípios do País. As águas de sub-superfície representam um recurso nobre que deve ser preservado, tanto quanto possível, para usos igualmente nobres. Em conjunto com as águas de rios e lagos, elas propiciam soluções combinadas dependendo da demanda em cada local ou região e das disponibildades de cada fonte.
FMA – Sendo invisíveis as águas subterrâneas, como se dá o controle de seu uso no Brasil?
RG – Preliminarmente, vale lembrar que as águas subterrâneas pertencem ao domínio dos estados. Isso significa afirmar que, um mesmo aquífero que subjaza a dois estados vizinhos, A e B, por exemplo, tem dois domínios, um domínio de cada um desses dois estados federados. Portanto, todos os corpos d’água subterrâneos no Brasil são patrimônio dos estados por onde suas águas percolam ou se acumulam. Nesse caso, o controle rigoroso do uso dessas águas é da alçada dos estados. Entretanto um aqüífero pode interagir com as águas superficiais que escoam ou se acumulam no solo que se lhe sobrepõe. Sucede que as águas superficiais podem ser de domínio de um dado estado ou de domínio da União. Consequentemente, é prudente que os estados e a União (neste caso por meio da ANA) mantenham uma atividade de monitoramento do uso das águas subterrâneas. Convém mencionar, entretanto, que mesmo havendo a referida dominialidade, há casos de aqüíferos sobreexplotados em diversas partes do Brasil, indicativo que, no campo da gestão do uso das águas aubterrâneas, ainda há muito por se fazer.
FMA – Pode dar exemplos dessa superexplotação?
RG – Sim. São inúmeros, mas vou comentar apenas dois. Veja a situação de Itabira – MG. A indústria faz uso de 1.100 l/s da água do aqüífero Cauê, muito acima da capacidade de recarga desse corpo d’água que é de 140 l/s, e o SAAE extrai 110 l/s do aqüífero Piracicaba cuja capacidade de recarga é de 86 l/s[1]. Isso significa que esses dois corpos d’água estão sendo levados à exaustão caso não sejam adotadas medidas simultâneas de redução da demanda, o que é sempre possível, acompanhadas da eventual importação de águas por transposição, esta última muitas vezes de difícil colocação em prática. Um outro exemplo é o da cidade de Recife que está em uma planície costeira arrodeada de pequenas colinas e do oceano Atlântico, contendo um certo número de rios que cortam a Cidade. O bombeio excessivo de água subterrânea que vem ocorrendo nos últimos 50 anos já produziu um impacto significativo com o deplecionamento dessas águas.
FMA – E, afinal, como fugir preventivamente da superexplotação das águas subterrâneas?
RG – Eu aposto no compromisso que os agentes integrantes do Sistema Nacional de Recursos Hídricos (SNRH) e, por extensão, os agentes que participam dos Sistemas Estaduais, devem manter com os princípios, aplicação dos instrumentos e adoção e manutenção do arcabouço legal-institucional voltado para a gestão das águas para que novos episódios de sobrexplotação das águas subterrâneas não surjam, e que práticas já existentes vão desaparecendo pouco a pouco. A confiança que tenho no SNRH procede da constatação de experiências vitoriosas, brasileiras e de outros países que avançaram na gestão de suas bacias hidrográficas simplesmente pela aderência a tais princípios, instrumentos e estruturas de planejamento e gestão. Aqui estou me referindo a algo já bastante difundido no Brasil que são a bacia como unidade de gestão, o respeito aos usos múltiplos da água, a gestão descentralizada e participativa, os instrumentos da outorga e da cobrança pelo uso da água, o papel dos comitês de bacia e agências de água. Todos esses elementos não precisam mais ser discutidos tal é o reconhecimento da eficácia de sua aplicação.
FMA – Em que tipo de abastecimento as águas subterrâneas podem dar uma contribuição mais efetiva para a economia dos recursos hídricos?
RG – A resposta a essa indagação está no conjunto de funções que têm os aqüíferos em geral. Em entrevista anterior sobre este mesmo tema das águas subterrâneas (FMA – março de 2022 – link < https://folhadomeio.com/2022/03/aguas-subterraneas/ > ), tive a oportunidade de comentar que os aqüíferos cumprem, primordialmente, a função de proteger e melhorar a qualidade da água (função filtro), transportar água, entre outras. Adicionalmente a essas funções, observa-se que o uso de águas subterrâneas presentemente no País tem dado uma expressiva contribuição ao meio rural como solução para o abastecimento doméstico e de alguns setores usuários que estejam presentes fora das zonas urbanas. Essa contribuição está chegando na medida em que as sedes municipais vão aumentando a sua cobertura dos serviços, especialmente o abastecimento de água e o esgotamento sanitário, fazendo com que o Setor Público volte seu olhar para as zonas censitárias de menor significado demográfico. Apesar de a cobertura desses serviços ainda não ter alcançado os níveis ideais à escala nacional, é forçoso reconhecer que o Saneamento Básico experimentou uma evolução não desprezivel no curso das últimas décadas e, nessa trajetória, as sedes municipais foram atendidas em primeiro lugar pela massa crítica populacional que reuniam.
FMA – Explique melhor as circunstâncias dessa trajetória do Saneamento Básico. O que são as zonas censitárias?
RG – Sobre a trajetória, de modo bem sucinto, o marco histórico contemporâneo foi o Plano Nacional de Saneamento (Planasa), de 1971, cujo centro nervoso esteve nas empresas estaduais de saneamento, então criadas, que atacaram de frente o déficit dos serviços, atuando primeiramente nas sedes municipais. A legislação avançou ao longo das décadas e vários programas se sucederam dotando as sedes municipais de um determinado nível, não ideal como disse, mas aceitável, de cobertura dos principais serviços de saneamento. Presentemente, o IBGE considera a classificação demográfica do País em oito setores censitários. A Figura seguinte apresenta esse conjunto de setores censitários que estão presentes em cada municipalidade. Os pontos fracos em termos de saneamento básico estão inscritos nos setores censitários 5, 6, 7 e 8, que abrangem os aglomerados rurais isolados dos tipos povoados (Setor Censitário 5) e núcleos (Setor Censitário 6); outros aglomerados rurais (Setor Censitário 7) e zona rural exclusive os aglomerados rurais (Setor Censitário 8). Esses setores censitários contam com populações muito pequenas e é justamente aí que reside a dificuldade devido aos elevados custos resultante da dispersão dos povoados, tanto de implantação quanto de operação. Resolver o problema de levar o saneamento a esses setores do meio rural constitui uma das metas da busca da universalização do saneamento no Brasil atualmente e essa tarefa pode ser solucionada por meio do uso de águas subterrâneas.
[1] saaeitabira.com.br/etas (acesso em 23fev2024).

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Casa da Cultura da América Latina obtém renovação do registro como museu
Procedimento consolida a CAL como equipamento cultural qualificado e permite acesso a editais, programas de fomento e cooperação técnica específica
A Casa de Cultura da América Latina (CAL/DEX) teve seu registro como museu renovado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), com validade até 2031. A certificação, resultado da aplicação da Lei 11.904/2009, do Decreto nº8.124/2013 e da Resolução Normativa do Ibram nº 17 de 2022, representa o compromisso da Universidade de Brasília com a cultura.
Com a renovação, a CAL garante seu patamar institucional e sua visibilidade no cenário museológico nacional. O status possibilita o acesso a editais específicos, programas de fomento, cooperação técnica e formação de redes institucionais. “Além de permitir maior articulação com políticas públicas voltadas à preservação, pesquisa, difusão e educação museal”, complementa o professor Gregório Soares (IdA), diretor de Difusão Cultural do Decanato de Extensão (DDC/DEX).
Ao renovar o registro, a CAL adere ao Sistema Brasileiro de Museus, o que mantém a Casa de Cultura da América Latina conectada com outros museus nacionais e internacionais do campo cultural.
A valorização do patrimônio cultural da UnB é materializada por meio de investimentos, como as reformas das galerias e a revitalização da fachada do prédio da CAL, no Setor Comercial Sul, e o estabelecimento de parcerias com outras instituições, no intuito de superar os desafios de preservação e difusão cultural.
CASAS UNIVERSITÁRIAS DE CULTURA – A Universidade de Brasília conta com quatro Casas Universitárias de Cultura, cada uma com características específicas. Além da CAL, há a Casa Niemeyer; o Espaço da Memória da UnB e o Memorial Darcy Ribeiro, conhecido como Beijódromo.
>> Faça um tour virtual pelas Casas Universitárias de Cultura
Localizada no Setor Comercial Sul, a CAL tem três andares com salas dedicadas a atividades culturais, artísticas e formativas. O espaço abriga um auditório, três galerias expositivas (Galeria de Bolso, Galeria CAL e Galeria Acervo), além de um acervo de arte com mais de 2.700 obras, guardado em sua reserva técnica e gerido por uma equipe de museólogos.

Abrigando acervos de Darcy Ribeiro e Berta Ribeiro, além de biblioteca de 30 mil volumes, o Memorial Darcy Ribeiro, também conhecido por Beijódromo, fica no campus Darcy Ribeiro, Asa Norte. É gerenciado pela Fundação Darcy Ribeiro e ligada Diretoria de Difusão Cultural (DDC) do DEX. Além do acervo próprio, sedia eventos de extensão, contando com auditório e salas de aula.
Projetada por Oscar Niemeyer, a Casa Niemeyer está localizada no Setor de Mansões Park Way. Declarada sítio de interesse histórico, abriga exposições e residências artísticas nacionais e internacionais, além de atividades culturais.
A mais recente Casa Universitária de Cultura da UnB é o Espaço da Memória da UnB, o MemoUnB. Localizado no SG-10 (campus Darcy Ribeiro, Asa Norte), edifício projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer que serviu como sede do Centro de Planejamento (Ceplan) da UnB. Dedica-se à preservação da memória material e imaterial da UnB.
MUSA – Pensando na integração desses espaços, a UnB trabalha na implementação da Rede de Museus e Acervos da UnB, a Rede Musa. “A rede pretende articular os museus e espaços de acervo e memória da UnB”, explica Gregório Soares. A iniciativa visa promover uma atuação integrada e cooperativa do patrimônio cultural e científico da Universidade.
Dentre os feitos da Rede Musa, destacam-se a criação de instâncias de diálogo entre as equipes, o compartilhamento de diagnósticos e a construção de diretrizes comuns, com possibilidades de financiamento para infraestrutura, preservação e pesquisa.
SERVIÇO – A CAL funciona de segunda a sexta, das 8h às 19h, e sábados, das 8h às 12h, exceto feriados. O Memorial Darcy Ribeiro funciona de segunda a sexta, das 8h às 19h, e sábados, das 8h às 12h. A Casa Niemeyer funciona de terça a domingo, das 9h às 19h, exceto feriados. A MemoUnB funciona segunda a sexta, das 8h às 19h, e sábados, das 8h às 12h.
ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: nome do repórter/Secom UnB ou Secom UnB. Crédito para fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.
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O papel do brincar na regulação emocional das crianças
Como as brincadeiras ajudam a desenvolver autocontrole, empatia e equilíbrio emocional desde a infância
Por Alcie Simão
Brincar é muito mais do que passar o tempo ou gastar energia. Para a criança, a brincadeira é uma linguagem essencial — uma forma de compreender o mundo, expressar sentimentos e aprender a lidar com frustrações, medos, alegrias e desafios. Em um cotidiano cada vez mais acelerado, reconhecer o valor do brincar livre e guiado é fundamental para o desenvolvimento emocional saudável.
Brincar é sentir, experimentar e elaborar
Durante as brincadeiras, as crianças simulam situações da vida real: cuidam de bonecos, encenam conflitos, inventam aventuras, criam regras e negociam papéis. Tudo isso funciona como um “laboratório emocional”, onde elas podem experimentar sentimentos em um ambiente seguro.
Quando uma criança finge ser médica, super-heroína ou professora, por exemplo, está também elaborando experiências vividas, tentando compreender o que sentiu e ensaiando novas respostas para o futuro. Esse processo ajuda a organizar emoções internas que, muitas vezes, ainda não conseguem ser expressas em palavras.
Regulação emocional começa no corpo
Correr, pular, dançar, construir, desmontar, desenhar e modelar massinha são atividades que envolvem o corpo e os sentidos. Esse movimento é essencial para liberar tensões, reduzir ansiedade e ajudar a criança a se acalmar depois de momentos intensos.
Brincadeiras físicas contribuem para:
- descarregar estresse acumulado;
- aumentar a consciência corporal;
- favorecer o autocontrole;
- melhorar a capacidade de foco após a atividade.
Já as brincadeiras mais tranquilas, como quebra-cabeças, jogos de encaixe ou leitura compartilhada, ajudam a desacelerar e encontrar estados de calma e concentração.
Aprender a lidar com frustrações e conflitos
Nem toda brincadeira é fácil — e isso é ótimo. Perder um jogo, esperar a vez, seguir regras ou negociar com amigos são experiências que desafiam emocionalmente a criança. Com apoio adulto, esses momentos se tornam oportunidades valiosas de aprendizado.
Ao vivenciar pequenas frustrações no brincar, a criança desenvolve:
- tolerância ao erro;
- persistência;
- flexibilidade;
- capacidade de resolver problemas;
- empatia.
Essas competências formam a base da autorregulação emocional, habilidade que será usada por toda a vida.
O papel dos adultos: presença sem controle excessivo
Pais, cuidadores e educadores têm um papel importante nesse processo. Não é necessário dirigir cada brincadeira — muitas vezes, observar e estar disponível já é suficiente. Quando a criança convida o adulto para participar, entrar no jogo com curiosidade e respeito fortalece o vínculo e amplia a segurança emocional.
Algumas atitudes que ajudam:
- validar sentimentos (“parece que você ficou frustrado, quer tentar de novo?”);
- evitar resolver tudo imediatamente;
- estimular a nomeação das emoções;
- oferecer tempo e espaço para brincar livremente;
- reduzir distrações como telas durante esses momentos.
Brincar também é construir vínculo
Quando adultos brincam com crianças, criam-se conexões afetivas profundas. Esse tempo compartilhado transmite a mensagem: “você é importante”, “eu estou aqui”, “seus sentimentos importam”. A segurança emocional gerada nessas interações fortalece a autoestima e facilita que a criança procure ajuda quando estiver sobrecarregada.
Um direito e uma necessidade
Mais do que lazer, o brincar é uma necessidade básica da infância. Ele sustenta o desenvolvimento emocional, social e cognitivo, ajudando a criança a crescer mais confiante, resiliente e preparada para lidar com as próprias emoções.
Em meio a agendas cheias e estímulos digitais constantes, reservar tempo diário para brincar — dentro ou fora de casa, com ou sem brinquedos estruturados — é investir diretamente na saúde emocional das crianças.
Porque, no fundo, toda grande aprendizagem emocional começa em algo simples: uma brincadeira.
“Lutei dia e noite para dar nova dimensão ao nosso País.
Quis que, da minha administração, não se pudesse dizer,
sem pecar contra a verdade, que o Brasil crescia nas horas noturnas,
enquanto o Governo dormia. Não!
O Governo não dormiu, em minhas mãos.”
Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira
Em 526 anos de Brasil, há datas a celebrar e há datas para esquecer. Felizmente, as datas para celebrar são maioria. Duas delas, por exemplo, moldaram este País por serem mais significativas e funcionarem como um divisor de águas do Brasil como Nação. Ambas as datas, separadas por 148 anos, aconteceram no mês de janeiro. A chegada da família real ao Brasil, em 22 de janeiro de 1808 e a posse do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, em 31 de janeiro de 1956.
A vinda da corte para o Brasil foi uma manobra do príncipe regente, D. João, para garantir que Portugal continuasse independente, quando foi ameaçado de invasão por Napoleão Bonaparte. A principal consequência foi a declaração do Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarves. O Brasil deixou de ser colônia, o que provocou uma série de transformações geopolíticas.
A permanência da família real foi decisiva para manter a unificação e grandiosidade do território nacional, a possibilidade de o país inteiro falar a Língua Portuguesa, além de outros ganhos concretos como a abertura dos portos para as nações amigas e a criação de entidades essenciais: Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Real Fábrica de Pólvora, Imprensa Oficial e Banco do Brasil.
Em 31 de janeiro de 1956, 134 anos depois da Independência, vem a segunda data que transformou o Brasil em todas as dimensões: cultural, industrial, econômica e politica: a posse do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.
Não foi fácil a chegada de JK ao Palácio do Catete. Ainda governador de Minas, Juscelino deixou claro sua intenção de disputar a Presidência da República pelo PSD.
Houve muitas tratativas de lideranças nacionais e até de militares para demover JK de sua intenção. O próprio presidente da República, Café Filho (vice de Getúlio Vargas) e o governador de Pernambuco, Etelvino Lins, se articularam para evitar a candidatura de JK.
Pior: até seu padrinho político, o ex-governador de Minas, Benedito Valadares, temeroso de que o crescimento de JK lhe roubasse influência no Estado, não mediu esforços, nos bastidores, contra a candidatura.
Em dezembro de 1954, militares de alta patente levaram ao então presidente Café Filho um documento em defesa da candidatura única à Presidência. Sem JK, evidentemente.
O presidente Café Filho – que tomou a iniciativa de ler o texto no programa ‘A Voz do Brasil’, ainda procurou demover JK, com o argumento de que as Forças Armadas não aprovavam a sua pretensão.
JK começou a ganhar a eleição ali. Não se deixando intimidar, confirmou sua candidatura e mandou um recado curto e grosso para o presidente Café Filho. Sua frase virou seu lema de vida: “DEUS POUPOU-ME O SENTIMENTO DO MEDO”.
E foi com este sentimento que JK plantou sua candidatura em 10 de fevereiro de 1955, para colher nas urnas, em 3 de outubro, 3.077.411 votos, ou 36% do total.
Não foi fácil. No dia primeiro de novembro, o coronel Jurandir de Bizarria Mamede, discursando no enterro do general Canrobert Pereira da Costa, sugere golpe militar para impedir a posse de JK e do vice João Goulart.
Em 11 de novembro de 1955, para garantir a posse de JK, antes de deixar o Ministério da Guerra, o Marechal Lott põe os tanques nas ruas e dá o “Golpe da Legalidade”. Carlos Luz, então presidente da República – com o afastamento de Café Filho – é deposto e nove dias depois, em 20 de novembro, o Congresso Nacional aprova o impedimento de Café Filho e elege Nereu Ramos presidente. O senador catarinense assume o governo até a posse de JK.
Há 70 anos, em 31 de janeiro de 1956, JK toma posse e pede ao Congresso a abolição do estado de sítio. No dia seguinte, põe fim à censura à imprensa.
JK, a seu modo, sacudiu a vida administrativa, política e cultural do Brasil. Seu governo plantou hidroelétricas, plantou estradas, plantou bom humor e plantou compromissos: cumpriu todas as 31 metas prometidas durante sua campanha à Presidência. JK plantou indústria automobilística e plantou magnanimidade, perdoando revoltosos e inimigos políticos. JK plantou Brasília.
Ao interiorizar o desenvolvimento com a construção da nova Capital, o Centro-Oeste foi ocupado de todas as formas. Onde não se produzia um grão de soja em 1960, ficou responsável por 49,3% da produção nacional. A soja avançou sobre novas fronteiras e levou junto a cultura do milho. A produção de milho na região – antes de Brasília – era inferior a 9%. Atualmente representa 54,36% da safra nacional. Essas duas culturas levaram uma promissora cultura empreendedora em outros setores: pecuária, frutas, café, arroz, feijão, trigo. Centenas de pequenos povoados nasceram no vazio do Cerrado e transformaram-se, nestes últimos 70 anos, em cidades de pequeno, médio e grande porte com excelentes índices de IDH.
Na Era JK, o Brasil colheu efervescência cultural. O Brasil colheu a primeira Copa do Mundo, colheu Bossa Nova, Cinema Novo. Colheu alegria! O povo brasileiro colheu o sentimento de que é capaz de construir o que parece impossível.
JK plantou Democracia. E o Brasil colheu Paz!
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