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Jean de Léry explica a nudez das índias
O naturalista que entrou de gaiato no navio observa e faz anotações que permanecerão por séculos como documento raro do reencontro de seres humanos, separados há 40 mil anos, desde que deixaram a África para dominar o Planeta. O modo de viver dos indígenas impressiona nosso magoado cronista, recém egresso de um ambiente em litígio filosófico.
A verdade é que Jean de Léry viu coisas que não têm preço, porque era a primeira vez que eram vistas e porque foi há mais de 400 anos. As histórias que o artesão e futuro pastor calvinista deixou aos brasileiros deveria ser leitura obrigatória em todas as escolas. Jean de Léry (1536-1613) faz narrativas preciosas do comportamento, dos costumes e das preferências estéticas dos nativos. Jean de Léry entrou de gaiato no navio do poderoso Nicolas Durand de Villegaignon (1510-1571) e, para nossa sorte, passou a fazer relatos importantes sobre o Brasil recém-descoberto. Quem sabe o incômodo que as mulheres nativas demonstram em cobrir o corpo talvez seja a gênese da tendência moderna dos exíguos acessórios indumentários femininos praticados no Rio de Janeiro. Escreve Jean de Léry: “Mas o que mais nos maravilha nessas brasileiras era o fato de que, não obstante não pintarem o corpo, braços, coxas e pernas como os homens, nem as cobrirem de penas, nunca pudemos conseguir que se vestissem, embora muitas vezes lhes déssemos vestidos de chita e camisas”.

Depois de explicar o incômodo das mulheres nativas em cobrir o corpo e exibirem braços, coxas e pernas sem as pinturas dos homens, Jean de Léry acrescenta: “Os homens, como já dissemos, ainda se vestiam por vezes, mas as índias não queriam nada sobre o corpo e creio que não mudaram de ideia. Em verdade, alegavam, para justificar sua nudez, que não podiam dispensar os banhos e lhes era difícil despir-se tão amiúde, pois em quanta fonte ou rio encontravam, metiam-se n’água, molhavam a cabeça e mergulhavam o corpo todo como caniços, não raro mais de doze vezes por dia. (…) Tinha eu grande prazer em ver os meninos acima de três ou quatro anos, a que chamam curumi-mirim, gorduchos e mais bem fornidos do que os meninos europeus e já enfeitados com suas arrecadas de osso nos beiços furados e com os cabelos tosquiados a seu modo. Tinham não raro o corpo pintado e nunca deixavam de vir dançar diante de nós, em grupos, quando nos viam chegar às suas aldeias. Rodeavam-nos na esperança de uma recompensa, afagando-nos e pedindo repetidamente na sua gíria: ‘cutuassá, amabé pindá’ (meu amigo, dá-me anzóis para pescar). (…) quero responder aos que dizem que a convivência com esses selvagens nus, principalmente entre as mulheres, incita à lascívia e à luxúria. (…) Os atavios, arrebiques postiços, cabelos encrespados, golas de rendas, anquinhas, sobre-saias e outras bagatelas com que as mulheres de França se enfeitam e de que jamais se fartam, são causas de males incomparavelmente maiores do que a nudez habitual das índias, as quais, entretanto, nada devem às outras quanto à formosura”.

“Não há nação, por mais bárbara que seja, que não tenha procurado, em dado momento, cobrir o corpo com vestimentas ou enfeites, a fim de esconder a nudez. Pois os tupinambás, por mais estranho que pareça, andam sempre nus como ao saírem do ventre materno; e não demonstram em absoluto a menor vergonha ou pudor”. Claude d’Abeville em “História da Missão dos Padres Capuchinhos”.
A COMIDA E A BEBIDA DOS INDÍGENAS
“Os americanos têm duas espécies de raízes, a que chamam ‘aypi’ (aipim) ‘‘maniot’ (mandioca) que crescem dentro da terra em três ou quatro meses, tornando-se tão grossas como a coxa de um homem e longas de pé e meio mais ou menos. Depois de arrancá-las, as mulheres (os homens não se ocupam disso) secam-nas ao fogo (…) ou então as ralam ainda frescas sobre uma prancha de madeira, cravejada de pedrinhas pontudas e as reduzem a uma farinha alva como a neve. Essa farinha ainda crua bem como o farelo branco que dela sai apresenta um cheiro de amido diluído durante muito tempo na água, a ponto de por ocasião de meu regresso, ao encontrar-me certo dia em lugar onde se preparava o amido, o cheiro da preparação me fez recordar logo o das choças quando os indígenas lidavam com a farinha de mandioca.
Para preparar essa farinha usam as mulheres brasileiras grandes e amplas frigideiras de barro, com capacidade de mais de um alqueire e que elas mesmas fabricam com muito jeito, põem-na ao fogo com certa porção de farinha dentro e não cessam de mexê-la com cabaças de que se servem como nos servimos das escudelas, até que a farinha assim cozida tome a forma de granizos ou confeitos.
Fazem farinha de duas espécies: uma muito cozida e dura, a que os selvagens chamam ‘uhi-antan’, usada nas expedições guerreiras por se conservar melhor; outra menos cozida e mais tenra a que chamam ‘uhi-pon’, muito mais agradável do que a primeira porque dá à boca a sensação do miolo de pão branco ainda quente”.
FARINHA PARA PÃO E MINGAU

Jean Léry tenta fazer pão com a farinha de mandioca e diz verificar ser impossível. “A massa incha como a do trigo levedado e, como essa é branca e macia; ao assar, porém, a crosta superior queima e a parte interna se resseca, permanecendo farinhosa. Creio, pois, que quem afirmou que os índios dentre os graus 22 e 23 além da linha equinocial, e que certamente são os nossos tupinambás, viviam de pão feito de pau ralado observou mal e se equivocou”, alfineta.
“Todavia essas farinhas prestam-se para papas a que os selvagens dão o nome de ‘mingau’ e quando dissolvidas em caldo gordo tornam-se granuladas como o arroz e são de ótimo paladar. Os tupinambás, tantos os homens como as mulheres, acostumados desde a infância a comê-la seca em lugar do pão, tomam-na com os quatro dedos na vasilha de barro ou em qualquer outro recipiente e a atiram de longe, com tal destreza na boca que não perdem um só farelo. E se nós franceses os quiséssemos imitar, não estando como eles acostumados, sujaríamos todo o rosto, ventas, bochechas e barbas. Por isso só a comíamos com colher. Algumas vezes as mulheres, depois de raladas essas raízes de aipim e de mandioca, e enquanto ainda se acham frescas, fazem com elas grandes bolas que espremem entre as mãos; o caldo cor de leite que sai é recolhido em pratos ou em vasilhas de barro e exposto ao sol, cujo calor o condensa e coagula como coalhada. Quando querem comer, derramam-no em outros alguidares de barro e o cozinham ao fogo como fazemos com as fritadas de ovos; assim preparado torna-se excelente manjar. (…) As mulheres também plantam duas espécies de milho, branco e vermelho, fincando no chão um bastão pontudo e enterrando o grão no buraco. O nome indígena do milho, a quem em França se chama trigo sarraceno, é ‘avati’, com ele fazem farinha, que se coze e se come como as outras”.

A descrição do cauim, a bebida dos indígenas, é assim registrada: “Cumpre, desde logo, notar que os homens não se envolvem de maneira nenhuma na preparação da bebida, a qual, como a farinha, está a cargo das mulheres. As raízes de aipim e mandioca são também utilizadas no preparo de sua bebida usual. Depois de cortarem em rodelas finas, como fazemos com os rabanetes, as mulheres as fervem em grandes vasilhas de barro cheias de água, até que amoleçam; tiram-nas então do fogo e as deixam esfriar. Feito isso, acocoram-se em torno das vasilhas e mastigam as rodelas jogando-as depois em outra vasilha, em vez de engoli-las, para uma nova fervura, mexendo-as com um pau até que tudo esteja bem cozido. Feito isso, tiram do fogo a pasta e a põem a fermentar em vasos de barro de capacidade igual a uma meia pipa de vinho de Borgonha. Quanto tudo fermenta e espuma, cobrem os vasos e fica a bebida pronta para o uso. Esses vasos têm o feitio das grandes cubas de barro nas quais vi fazer-se a lixívia em alguns lugares do Bourbonais; são, entretanto, mais estreitos no alto que no bojo.
PRÓXIMA EDIÇÃO 364 – julho de 2024 – JEAN DE LÉRY – Parte 5
Jean de Léry explica como os índios fazem o avati, a bebida do milho. São as mulheres, como já disse, que tudo fazem nessa preparação, tendo os homens a firme opinião de que se eles mastigarem as raízes ou o milho a bebida não sairá boa. (…) Os selvagens chamam essa bebida cauim; é turva e espessa como borra e tem como o gosto de leite azedo. Há cauim branco e tinto tal qual o vinho. (…) Quando querem divertir-se e principalmente quando matam com solenidade um prisioneiro de guerra para comer, é seu costume beber o cauim amornado e a primeira coisa que fazem as mulheres é um pequeno fogo em torno dos potes de barro para aquecer a bebida.
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Rolê Cultural promove “Dia de Rolê” especial no CCBB Brasília
Em clima de férias, o Rolê Cultural – CCBB Educativo amplia a experiência do público com o Dia de Rolê: Grafite no CCBB, que convida o grafiteiro surdo Odrus para criar, junto com o público, um mural coletivo em três encontros performáticos. A entrada é gratuita e os ingressos podem ser retirados pelo site ingressos.ccbb.com.br ou presencialmente na bilheteria do CCBB Brasília.
O evento acontece em 12, 13 e 14/12 sempre das 15h30 às 18h30 e leva a linguagem da arte urbana para a área externa do centro cultural. Em uma oficina performática conduzida por Odrus, o público acompanha e participa da criação de um mural coletivo e interativo. Ao longo de três dias, crianças, jovens e adultos podem experimentar técnicas de grafite com tinta spray atóxica à base de água, aprender truques diretamente com o artista e vivenciar o grafite como expressão de presença, escuta e ocupação poética do espaço público.
O Dia de Rolê integra a programação gratuita de férias do Rolê Cultural – CCBB Educativo, com atividades pensadas para famílias, grupos de amigos e visitantes de diferentes idades, sujeitas à lotação dos espaços. O projeto é patrocinado pelo Banco do Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).
Sobre o CCBB Brasília
O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília) foi inaugurado em 12 de outubro de 2000. Sediado no Edifício Tancredo Neves, uma obra arquitetônica de Oscar Niemeyer, tem o objetivo de reunir, em um só lugar, todas as formas de arte e criatividade possíveis.
Com projeto paisagístico assinado por Alda Rabello Cunha, dispõe de amplos espaços de convivência, galerias de artes, sala de cinema, teatro, praça central e jardins, onde são realizados exposições, shows musicais, espetáculos, exibições de filmes e performances.
Além disso, oferece o Programa Educativo CCBB Brasília, projeto contínuo de arte-educação, que desenvolve ações educativas e culturais para aproximar o visitante da programação em cartaz, acolhendo o público espontâneo e, especialmente, estudantes de escolas públicas e particulares, universitários e instituições, por meio de visitas mediadas agendadas.
Em 2022, o CCBB Brasília se tornou o terceiro prédio do Banco do Brasil a receber a certificação ISO 14001, cuja renovação anual ratifica o compromisso da instituição com a gestão ambiental e a sustentabilidade.
Acessibilidade
A ação “Vem pro CCBB” conta com uma van que leva o público, gratuitamente, para o CCBB Brasília, de quinta-feira a domingo. A iniciativa reforça o compromisso com a democratização do acesso e a experiência cultural dos visitantes. A van fica estacionada próxima ao ponto de ônibus da Biblioteca Nacional. O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso no site, na bilheteria do CCBB ou ainda pelo QR Code da van. Lembrando que o ingresso garante o lugar na van, que está sujeita à lotação, mas a ausência de ingresso não impede sua utilização. Uma pesquisa de satisfação do usuário pode ser respondida pelo QR Code que consta do vídeo de divulgação exibido no interior do veículo.
Horários da van – De quinta a domingo: Biblioteca Nacional – CCBB: 13h, 14h, 15h, 16h, 17h, 18h, 19h e 20h | CCBB – Biblioteca Nacional: 13h30, 14h30, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h30.
Programação:
Dia de Rolê: Grafite no CCBB
O Rolê Cultural recebe o grafiteiro surdo Odrus para uma oficina performática de grafite. Nessa ação que mistura diferentes linguagens artísticas, o público é convidado a assistir e participar da criação de um mural coletivo e interativo. Ao longo de três dias, os participantes poderão experimentar técnicas e truques da arte urbana com tinta spray atóxica à base de água, aprendendo diretamente com o artista enquanto contribuem para a composição da obra.
Data: 12, 13 e 14/12 sempre das 15h30 às 18h30
Duração: 3h
Classificação: A partir de 6 anos
Ponto de encontro: Área externa
Serviço:
Rolê Cultural – Educativo do Centro Cultural Banco do Brasil
Centro Cultural Banco do Brasil – Distrito Federal
Endereço: SCES Trecho 2 – Brasília/DF Tel.: 61 3108-7600
Programação completa em ccbb.com.br/brasilia/programacao/ccbb-educativo
Ingressos: ingressos.ccbb.com.br
Agendamento para grupos e escolas: conecta.mediato.art.br
Acesso: gratuito
Classificação Indicativa: livre
CCBB Brasília
Aberto de terça a domingo, das 9h às 21h.
SCES Trecho 2 – Brasília/DF
Tel: (61) 3108-7600
E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Site/ bb.com.br/cultura
Tiktok/@ccbbcultura
Youtube/ Bancodobrasil
Fonte: Camila Maxi
Foto: Tati Reis.
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Os protagonistas de Brasília são homenageados no Prêmio JK
Evento do Correio Braziliense celebra talentos de várias áreas e eterniza o legado cultural de Guilherme Reis.
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Os vencedores da primeira edição do Prêmio JK, promovido pelo Correio Braziliense, serão anunciados amanhã. A premiação destaca personalidades que contribuem para o desenvolvimento da capital em áreas como esporte, direito e justiça, saúde e gestão pública. Na categoria In Memoriam, o homenageado é o ator, diretor, produtor e ex-secretário de Cultura Guilherme Reis, que morreu em setembro, aos 70 anos.
A cerimônia será realizada nesta terça-feira (9/12), às 19h, no auditório do Tribunal de Contas da União (TCU). Os premiados foram escolhidos por uma comissão formada por jornalistas do Correio, profissionais que acompanham de perto o cotidiano da cidade e identificam, com olhar crítico, quem realmente ajuda a construir Brasília.
Uma homenagem ao fundador da capital
O nome do prêmio celebra o legado do ex-presidente Juscelino Kubitschek, idealizador de Brasília e responsável por transformar em realidade o sonho da nova capital. Assim como JK fez o país olhar para o futuro, o Correio Braziliense também faz parte dessa história: ambos completaram 65 anos em abril. Em 2024, os Diários Associados comemoraram ainda o centenário do grupo criado por Assis Chateaubriand.
Movido por paixão e dedicação ao teatro
Homenageado na categoria In Memoriam, Guilherme Reis deixou uma marca profunda no cenário cultural do Distrito Federal. Diretor do Teatro Dulcina de Moraes, atuou tanto na vanguarda teatral quanto no desenvolvimento de eventos culturais que se tornaram referência para Brasília.
Sua esposa por 20 anos, Carmem Moretzsohn, 63, emociona-se ao recordar o companheiro:
“Generoso, afetuoso, com uma empatia rara e um humor inabalável.”
Ela lembra que Guilherme era movido por uma paixão incondicional pelo teatro e dominava todas as funções da cena.
“Se faltasse alguém, ele mesmo resolvia. Era ator, diretor, iluminador, cenógrafo, figurinista e, sobretudo, um grande produtor. Estar presente neste prêmio o deixaria profundamente feliz.”
Melina Sales dos Santos, 46, atriz e arte-educadora, casada com o filho de Guilherme, também guarda lembranças afetivas.
“Era um avô muito generoso para a Zilah, sempre presente com carinho, brincadeiras e memórias inesquecíveis. Somos muito gratos por essa convivência.”
Uma tradição que nasce
A primeira edição do Prêmio JK marca o início de uma nova tradição do Correio Braziliense, que pretende transformar o evento em parte fixa do calendário cultural e institucional do Distrito Federal — assim como outras iniciativas históricas do jornal.
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AS ÁRVORES LUNARES
As sementes que orbitaram a Lua são hoje árvores em Brasília e outras cidades. O plantio das mudas ocorreu há 45 anos e as arvores já estão na segunda geração.
A Apollo 14, operada pelos astronautas Alan Shepard, Edgar Mitchell e Stuart Roosa, fez a terceira missão lunar da NASA. A nave espacial decolou no final da tarde de 31 de janeiro de 1971 e retornou em 9 de fevereiro. A missão foi tão especial que rende frutos até hoje por um experimento científico inédito: a expedição levou para o espaço 500 sementes de árvores de várias espécies, que deram 14 voltas na lua. No retorno à Terra, as sementes foram plantadas, germinadas e renderam mudas que foram distribuídas nos Estados Unidos e em alguns países amigos. O objetivo era estudar a ação da microgravidade sobre as plantas. No Brasil, quatro cidades receberam mudas: Brasília, Rio de Janeiro e, no Rio Grande do Sul, Santa Rosa e Cambará do Sul.
Na volta à Terra, as sementes foram plantadas e germinaram em uma unidade do Serviço Florestal no estado do Mississippi. Renderam 450 mudas. Como parte das comemorações do bicentenário dos Estados Unidos, as mudas foram distribuídas por vários locais, entre 1975 e 1976. Para a NASA, a árvore representa a ligação da cidade com a história da exploração espacial e a união entre ciência, meio ambiente e inovação.
No Brasil, segundo a Agência Espacial norte-americana, quatro localidades receberam mudas da Árvore da Lua:
1) Brasília, na sede do Ibama, onde existe um bosque, foi plantado um carvalho canadense ‘Liquidambar styraciflua’, conhecido popularmente como liquidâmbar), em 14 de dezembro de 1980.
2) Outra, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
3) No Parque de Exposições de Santa Rosa, noroeste do Rio Grande do Sul, foi plantada uma muda de plátano (Platanus occidentalis) como atração pela 5ª Feira Nacional da Soja em agosto de 1981. O evento foi celebrado para comemorar os 50 anos de Santa Rosa.
4) Outra sequoia foi plantada em Cambará do Sul, nos Campos de Cima da Serra, em 26 de setembro de 1982, na Praça Central São José.

Apollo 14: as árvores da lua e os cosmonautas Suart Roosa, Alan Shepard e Edgar Mitchel (foto: NASA)
A HISTÓRIA
O experimento científico foi realizado em conjunto entre o Serviço Florestal dos Estados Unidos e a NASA, com o objetivo de estudar a ação da microgravidade sobre as plantas. O Serviço Florestal dos EUA indicou Stuart Roosa para comandar o projeto e selecionou as sementes de cinco espécies para o experimento. Stuart Roosa levou as sementes em seu kit pessoal e ficou com ele enquanto orbitou a Lua.
As sementes que orbitaram o satélite natural da Terra durante o voo tripulado foram germinadas e plantadas em solo terrestre. O experimento recebeu o nome de árvores lunares ou árvores-da-lua, mas ficou claro que não houve germinação ou plantio na superfície lunar.
Na volta à Terra, as sementes germinaram em uma unidade do Serviço Florestal no estado do Mississippi. Elas renderam 450 mudas.
Além de uma árvore plantada no jardim da Casa Branca, em Washington-DC, a maioria das mudas seguiu para capitais estaduais dos Estados Unidos, para instituições de pesquisas espaciais e, até onde se sabe, para alguns países amigos, como o Brasil, Inglaterra, Suíça e Japão.

BRASÍLIA – Há 45 anos, em 14 de dezembro de 1980, autoridades da Embaixada dos Estados Unidos, do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente plantaram a ‘Liquidambar styraciflua’, conhecida como Árvore da Lua.

Placa que lembra o plantio do carvalho canadense – liquidâmbar – em 14 de dezembro de 1980. (foto: Silvestre Gorgulho)

BRASÍLIA – A muda de um carvalho canadense – liquidâmbar – é hoje uma árvore frondosa. Foto de Silvestre Gorgulho em 04 de novembro de 2025.
A ARVORE DA LUA EM SANTA ROSA-RS
A árvore lunar de Santa Rosa serve não apenas como um marco de curiosidade científica, mas também como um símbolo de esperança, perseverança e inovação, associando a cidade a uma parte da história da humanidade. Além disso, ela se tornou um ponto de interesse para moradores e visitantes que se fascinam com o legado da exploração espacial dos Estados Unidos e seu impacto no mundo inteiro.

Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, foi uma das cidades brasileiras agraciadas com uma dessas árvores lunares. A espécie plantada na cidade é um *plátano* (Platanus occidentalis), que é uma das cinco variedades levadas ao espaço. Essa árvore foi plantada em um local público, e sua presença simboliza a ligação de Santa Rosa com um evento histórico significativo: a exploração espacial.

Placa que lembra o plantio da Árvore da Lua, em Santa Rosa (RS) em 13 de agosto de 1981, com a presença do presidente João Baptista Figueiredo.
A árvore lunar de Santa Rosa serve não apenas como um marco de curiosidade científica, mas também como um símbolo de esperança, perseverança e inovação, associando a cidade a uma parte da história da humanidade. Além disso, ela se tornou um ponto de interesse para moradores e visitantes que se fascinam com o legado da exploração espacial dos Estados Unidos e seu impacto no mundo inteiro.

A sequoia plantada em Cambará do Sul, em 1982, entre dois cambarás, na Praça São José, consta na lista da NASA.
SEGUNDA GERAÇÃO DA ÁRVORE DA LUA
Detalhe interessante é que uma segunda geração da sequoia lunar foi doada à Prefeitura de Caxias do Sul. Essa muda é derivada de árvore cultivada em Santa Rosa na década de 1980 e passou por um período de adaptação antes de ser plantada no Jardim Botânico Armando Alexandre Biazus, de Caxias do Sul-RS.
Segundo engenheiro agrônomo Ramon Sirtoli, da SEMMA, a muda com cerca de 30cm de altura foi obtida por meio do processo de multiplicação a partir da planta-mãe. “Antes de ir para o Jardim Botânico, a muda foi levada para o Horto Municipal, em Ana Rech, onde passou por um período de adaptação, em estufa, para ter condições favoráveis para o desenvolvimento ser mais rápido”.
FUNDAÇÃO MOON TREE
Natural de Durango, Colorado, o norte-americano Stuart Roosa nasceu em 16 de agosto de 1933. Ele trabalhou para o Serviço Florestal dos EUA no início dos anos 1950, combatendo incêndios e, mais tarde, juntou-se à Força Aérea dos EEUU e se tornou um piloto de teste. A Nasa selecionou Roosa para o curso de formação de astronauta de 1966. Ele começou a carreira na Nasa como integrante da equipe de apoio da Apollo 9. Após a missão em que ele levou as sementes à órbita da Lua, Roosa foi piloto reserva de comando das Apollos 16 e 17.
Hoje existe uma entidade, a Fundação Moon Tree, que é dirigida pela filha de Roosa, Rosemary, com o objetivo de mapear e plantar mais árvores da Lua em regiões ao redor do mundo. A fundação patrocina e realiza cerimônias para plantar novas árvores, com sementes produzidas pela geração original de árvores que cresceram a partir das sementes carregadas pelo seu pai Stuart Roosa.
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