Reportagens
Senado se prepara para avaliar projeto que regulamenta a reforma tributária
Rodrigo Pacheco (D) escolheu Eduardo Braga para relatar o projeto
Jonas Pereira/Agência Senado
O Senado começa a analisar em agosto o primeiro projeto de regulamentação da reforma tributária, aprovado na Câmara dos Deputados na quarta-feira da semana passada (10). O Projeto de Lei Complementar (PLP) 68/2024 estabelece as regras de como vai ficar a unificação dos tributos sobre o consumo, os casos de diminuição da incidência tributária e normas para a devolução do valor pago, conhecido como cashback.
A regulamentação é uma exigência da Emenda Constitucional 132, promulgada em dezembro, que estipulou a substituição de cinco tributos (ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins) por três: o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo. O objetivo é simplificar e modernizar o sistema tributário brasileiro, após décadas de tentativas no Congresso sem êxito.
O primeiro entrave para o texto ser analisado pelo Senado é o regime de urgência solicitado pelo governo que abrevia o tempo para examinar o projeto a 45 dias. Esse regime, previsto na Constituição Federal, tranca a pauta de votações no Plenário se não houver aprovação dentro do prazo. Os líderes da Casa já se mobilizaram para pedir a retirada da restrição durante reunião com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, no dia 11 de julho, um dia após a aprovação do projeto pelos deputados.
O líder do governo no Congresso Nacional, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que vai conversar com o presidente Lula e a sua coordenação política sobre uma possível retirada do pedido de urgência. Além da pressão dos líderes, o próprio relator designado por Pacheco para avaliar o projeto de lei complementar, senador Eduardo Braga (MDB-AM), afirmou em suas redes sociais que é necessário mais tempo para discutir os quase 500 artigos do projeto.
Segundo Braga, há vários questionamentos sobre o projeto aprovado pela Câmara. Um deles é o descumprimento da alíquota média da tributação sobre o consumo que não ultrapassaria 26,5%, assegurada pelo Senado na tramitação da PEC 132/2015, da reforma tributária, da qual Braga foi o relator. Algumas estimativas já divulgadas projetam a alíquota para algo próximo de 27,3%. Essa trava acertada com o Ministério da Fazenda foi alterada na Câmara. O relator já disse ser contrário a isso, no Plenário do Senado.
— Buscamos garantir a neutralidade tributária. Ou seja, que o povo brasileiro com a nova reforma tributária não tenha aumento de carga tributária. Acho que esse foi um dos maiores legados que o Senado da República estabeleceu quando da aprovação da emenda — afirmou Braga
Outros senadores também começaram a manifestar, em pronunciamentos no Plenário, as suas divergências em relação ao texto aprovado pelos deputados. Um deles, o senador Izalci Lucas (PL-DF), apontou o aumento da tributação sobre a venda de imóveis, que deverá atingir 18,9%, “mais do dobro do cenário atual”. Acrescentou que a carga tributária dessas transações poderá subir mais de 50% em casos específicos. O senador considerou que será “o fim do sonho da casa própria” para muitos brasileiros.
Izalci foi escolhido na terça-feira (16), pelo presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), para coordenar o grupo de trabalho que vai debater o PLP 68/2024 e apresentar sugestões ao texto da Câmara. Integrantes da CAE reivindicam que o projeto de lei complementar não tramite apenas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), como foi anunciado por Pacheco, e passe também pelo crivo do colegiado.
Diante de questionamentos como esses, o relator do PLP 68 disse, em suas redes sociais, ser contrário à urgência do projeto.
“Fiz um apelo para que não tramite em urgência, para que possamos estabelecer um calendário que viabilize a realização de audiências públicas, ouvindo os diversos segmentos. Trabalharemos na construção de um texto consensual. Temos questionamentos, seja em relação à Zona Franca de Manaus, questões do Nordeste e diversos segmentos da política brasileira, inclusive, em relação ao comitê gestor”, aponta.
Além disso, ele lembrou que será um desafio votar a regulamentação em 2024 em razão do envolvimento de diversos senadores com as eleições municipais. No entanto, Pacheco comprometeu-se, em abril, a entregar ainda neste ano a regulamentação da reforma, apesar do calendário eleitoral.
O relator se reuniu com a Consultoria Legislativa do Senado (Conleg) para encomendar uma análise técnica do PLP 68/2024, com todas as mudanças introduzidas pelos deputados ao projeto original, apesar de a redação final não ter sido ainda encaminhada ao Senado. Só depois desse estudo que Braga pretende apresentar o seu cronograma de trabalho, com os pedidos de audiências públicas na CCJ.
O PLP 68 é apenas o primeiro projeto de regulamentação da reforma tributária. Estão previstos outros, como o que vai regulamentar a tributação sobre a renda. O Executivo já entregou à Câmara dos Deputados um segundo projeto de lei complementar (PLP) 108/2024, que institui o comitê gestor. O texto vai começar a ser analisado pelos deputados.
Menos tributos
O projeto estipula com mais detalhes quais produtos ou serviços terão uma cobrança menor dos novos tributos ou que sequer serão taxados — chamados de regimes diferenciados. Ao todo, são mais de 700 hipóteses de isenção, imunidade, redução e benefícios fiscais.
Teto
A regulamentação prevê que se a soma das alíquotas estimadas de CBS e IBS forem maiores que 26,5% em 2033 — ano em que os novos tributos estarão totalmente implementados — o Poder Executivo deverá enviar projeto de lei ao Congresso Nacional propondo sua diminuição.
Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a alíquota total para bens e serviços que se enquadram na regra geral será de 27,03%, na forma do que foi aprovado na Câmara dos Deputados no dia 10 de julho. Na sua avaliação, a razão é a inclusão de novos itens pelos deputados — como a carne e o sal na cesta básica nacional (CBN) — nas exceções à regra geral.
As alíquotas só serão definidas em futuras leis ordinárias. No caso da CBS, que já poderá ser cobrada em 2027, deve ser lei federal. Para o IBS, que terá transição de 2029 a 2033, uma parte será definida por lei estadual e outra por lei municipal.
Créditos
O projeto prevê aos contribuintes que participam da cadeia de produção o direito de recuperar parte dos novos tributos pagos (salvo o Imposto Seletivo), desde que haja a comprovação da operação com documento fiscal eletrônico.
Isso ocorrerá por meio de um sistema de crédito em que o fornecedor abate, dos tributos devidos no momento da venda, o tributo que o produtor já pagou quando vendeu o insumo a ele. O sistema será desenvolvido pelo comitê gestor do IBS e deverá permitir aos contribuintes a consulta dos pagamentos já realizados.
Formas de utilizar
Os créditos poderão ser usados para pagar os tributos devidos na operação. Mas, isso só ocorrerá se não houver saldo devedor de IBS ou CBS ainda não inscritos em dívida ativa. Nesse caso, a prioridade na utilização dos créditos será na compensação do saldo devedor.
Se houver crédito e o contribuinte não se encontrar em nenhuma dessas duas situações, poderá solicitar ressarcimento ou utilizar os créditos para quitar futuras cobranças dos tributos. Após cinco anos sem uso, extingue-se o direito.
Vedações
Os créditos não poderão ser transferidos, exceto em alguns casos, como fusão de empresas. Também não será possível utilizar o crédito relativo à CBS para arcar com a cobrança do IBS, nem o oposto será permitido.
Não haverá crédito para operações comerciais consideradas de consumo pessoal nem para os seguintes itens — salvo se utilizados exclusivamente na atividade econômica do estabelecimento:
- joias, pedras e metais preciosos;
- obras de arte e antiguidades;
- bebidas alcoólicas;
- derivados do tabaco;
- armas e munições;
- bens ou serviços recreativos, esportivos e estéticos.
Restrições
Quando o contribuinte não precisar arcar com CBS ou IBS, haverá restrições quanto ao uso dos créditos. As normas são diferentes para cada tipo de benefício:
- Imunidade e isenção: não poderá utilizar os créditos das operações anteriores nem posteriores;
- Alíquota zero: poderá utilizar crédito apenas das operações anteriores;
- Suspensão de cobrança: creditamento será admitido somente no momento do efetivo pagamento.
IVA
O direito ao crédito só é possível porque a CBS e o IBS são tributos sobre valor agregado (IVA), que observam o princípio da não cumulatividade. Isso resulta em uma arrecadação do governo que coincide com a alíquota aplicada ao preço pago pelo consumidor final. Sem esse mecanismo, um mesmo tributo é aplicado várias vezes durante toda a circulação de um bem, “em cascata”, como ocorre hoje com vários tributos.
Cashback
Outra forma de devolução de tributos ocorrerá para as famílias com renda de até meio salário mínimo por membro — o que corresponde a R$ 706 por integrante, atualmente. O chamado cashback devolverá no mínimo 20% de IBS e CBS para qualquer gasto dessas famílias. A devolução será em até 25 dias da apuração.
A exceção ocorre na compra de botijão de gás de 13 quilos e em serviços de energia elétrica, água, esgoto e gás natural, com relação à CBS. Nessas situações, a devolução será de todo o valor que a família pagar de tributo federal.
Os produtos taxados com o Imposto Seletivo, que incide sobre itens prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, não terão cashback.
As porcentagens podem aumentar por meio de nova lei da União (no caso da CBS) ou dos estados e municípios (para o IBS).
Requisitos
Será automaticamente incluída no sistema de cashback a família de baixa renda que possuir:
- inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico)
- residência no Brasil;
- inscrição ativa no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF).
Outro caso de devolução será para o turista estrangeiro, sobre a CBS e o IBS de produtos comprados no Brasil e embarcados na bagagem. Para isso, deverá haver ato conjunto do Ministério da Fazenda e do comitê gestor do IBS.
Sustentabilidade
Elaborado para preservar o meio ambiente e a saúde da população, o Imposto Seletivo possui regras próprias para cada categoria taxada. Ele poderá ser cobrado a partir de 2027.
Com relação aos veículos, por exemplo, as alíquotas serão maiores ou menores em relação a cada tipo de automóvel, conforme critérios de sustentabilidade, de desenvolvimento nacional e de inclusão social.
Não serão taxados os caminhões e haverá alíquota zero para os automóveis adquiridos por pessoas com deficiência ou taxistas.
As alíquotas do Imposto Seletivo, que serão cobradas apenas uma vez no processo produtivo, serão estabelecidas em futura lei federal para todos os casos.
Cigarros e álcool
Os fumígenos também terão Imposto Seletivo, que será agravado para os cigarros e charutos que contenham tabaco. Nesses casos, a alíquota será acrescida de um valor extra, que deve variar de acordo com as características do produto. O mesmo valerá para as bebidas alcoólicas.
Bens minerais
Já o Imposto Seletivo para minério de ferro, petróleo, gás natural e carvão mineral terá o percentual máximo de 0,25%. Há exceções, como o uso do gás natural em processo industrial, que permitem o imposto zerado.
Ao todo, serão 25 itens taxados com o Imposto Seletivo, incluindo:
- bebidas açucaradas;
- aeronaves, ressalvados os satélites e veículos espaciais;
- embarcações, como iate e barco à vela ou à motor;
- loteria;
- e jogos on-line do tipo fantasy sport.
Outros tratamentos vantajosos
A regulamentação estipula outras situações em que haverá diminuição ou suspensão de CBS e IBS. É o caso dos regimes favorecidos da Zona Franca de Manaus e das áreas de livre comércio na região Norte, que manterão seu diferencial competitivo atual.
O texto livra indústrias incentivadas dessas regiões, por exemplo, do pagamento de CBS e IBS em casos de importação de bens materiais (suspensão de cobrança). O mesmo vale para bens industrializados em outras partes do país que entrarem nessas áreas para seu processo produtivo.
Também haverá a suspensão para os seguintes regimes aduaneiros especiais ou de bens de capitais já existentes, entre outros:
- Setor de Petróleo e Gás (Repetro), até 2040, em alguns casos de aquisição e importação de produtos para exploração, transporte ou armazenamento;
- Incentivo para Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), por exemplo, em materiais de construção, equipamentos e serviços utilizados em obras de infraestrutura;
- Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (Reporto), para compras de máquinas e materiais de construção, entre outros, feitas até 2028;
Com informações da Agência Câmara e Agência Brasil
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Reportagens
Comissão de Saúde avalia resultados do Iges-DF no primeiro quadrimestre de 2026
Durante audiência pública, instituto apresentou balanço financeiro e administrativo e ouviu apontamentos do Ministério Público, CLDF e do Conselho de Saúde do DF
Foto: João Pedro Carvalho/Agência CLDF
Diretora-presidente do Iges-DF, Eliane Souza de Abreu apresentou dados referentes ao cumprimento de metas de gestão da entidade à Comissão de Saúde
Representantes do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) compareceram à Câmara Legislativa nesta segunda-feira (28) para apresentar a prestação de contas referente ao primeiro quadrimestre de 2026. A audiência pública ocorreu no âmbito da Comissão de Saúde (CSA), presidida pela deputada Dayse Amarilio (PSB), e teve a colaboração do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), do Conselho de Saúde e da sociedade civil.
No primeiro período da audiência, a diretora-presidente do Iges-DF, Eliane Souza de Abreu, apresentou dados referentes ao cumprimento de metas de gestão, à utilização das emendas parlamentares e ao gerenciamento e logística de recursos e insumos. A gestora iniciou a apresentação destacando que o instituto cumpriu, no período avaliado, 100% das metas de gestão pactuadas.
A deputada Dayse Amarilio, o promotor de Justiça do MPDFT Jairo Bisol e o presidente do Conselho de Saúde do DF, Domingos de Brito Filho, fizeram considerações sobre os dados apresentados. Amarilio avaliou que alguns indicadores apresentados pelo Iges-DF não correspondem ao que é percebido “na ponta” dos serviços de saúde prestados à população.
Segundo a parlamentar, chegam ao seu gabinete constantes relatos de dificuldades de acesso aos serviços de saúde, especialmente por parte da população em situação de vulnerabilidade. Ela também questionou o direcionamento de pacientes psiquiátricos para as UPAs, avaliando que essas unidades não são as mais adequadas para esse tipo de assistência.
A escassez de profissionais em quantidade suficiente para atender o quantitativo de pacientes, a falta de medicamentos básicos, como dipirona, e a violência praticada contra profissionais de saúde nas unidades também foram alvo de críticas da parlamentar. “Vai demorar a arrumar a saúde de Brasília porque ela não foi prioridade. Nós temos um problema que é orçamentário e que se reflete no colapso geral de todos os hospitais e sistemas”, afirmou.
O promotor de justiça Jairo Bisol criticou a ausência do secretário de Saúde na audiência. Para ele, parte dos problemas da saúde pública tem origem no modelo de “gestão dividida” entre o ente público (Secretaria de Saúde) e o ente privado (Iges-DF). “Não é o secretário de saúde que deveria estar aqui prestando contas? Me parece que o Iges deveria prestar contas ao secretário e ele prestar à população”, questionou.
Para Domingos Filho, os índices apresentados pelo relatório não correspondem às demandas levadas pela população ao Conselho de Saúde. “Os números apresentados no RVQA não correspondem ao que acontece no Iges. Os índices pactuados entre o Iges e a SES não estão sendo cumpridos”, avaliou.
Eliane de Abreu destacou que o Poder Executivo tem feito “esforço hercúleo” para viabilizar as entregas realizadas pelo Iges. Entre as conquistas obtidas no período, a gestora mencionou uma economia superior a R$ 200 mil por mês com a revisão da estrutura organizacional estabelecida no instituto.
Ela destacou ainda que tem trabalhado na recomposição da força de trabalho. Até o momento, 530 profissionais de saúde já foram realocados nas UPAs para suprir a demanda. Além disso, o instituto tem fortalecido o serviço de telessaúde, o que tem melhorado a gestão no atendimento de forma geral. “Essa também tem sido uma prioridade para nós”, pontuou.

Dados de gestão
Desempenho institucional e metas de gestão: o instituto informou o cumprimento de 100% das metas pactuadas na área de ensino e pesquisa, incluindo a oferta de vagas para residência médica, residência multiprofissional e estágios curriculares. Os indicadores de rotatividade de pessoal também permaneceram dentro dos limites estabelecidos para os hospitais e unidades de pronto atendimento administrados pelo Iges-DF.
Por outro lado, o indicador de sustentabilidade financeira (Fator K) fechou o período em 1,92, abaixo da faixa contratual prevista entre 2,26 e 2,5. Segundo o relatório, o resultado evidencia a necessidade de recomposição financeira da instituição.
Reestruturação administrativa e governança: os gestores apresentaram também medidas adotadas para reorganização administrativa e fortalecimento da governança institucional. Entre as ações destacadas estão a revisão da estrutura organizacional, a redução de cargos administrativos e a realocação de servidores para áreas assistenciais, iniciativa que gerou economia superior a R$ 200 mil por mês. Também foram promovidas mudanças em setores estratégicos da administração do instituto.
O relatório apontou avanços na área de gestão de riscos e segurança do paciente, com a elaboração da Política de Gestão de Crises do Iges-DF, revisão de protocolos assistenciais e fortalecimento dos mecanismos de apuração institucional. Houve ainda ampliação do diálogo com órgãos de controle, entre eles a Comissão de Saúde da CLDF, o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) e o MPDFT.
Recursos para ampliação da capacidade assistencial
Outro destaque da prestação de contas foi a captação de recursos por meio de emendas parlamentares e convênios federais. Segundo os dados apresentados, foram garantidos R$ 17 milhões em 23 novos convênios firmados com o Ministério da Saúde, destinados à aquisição de equipamentos e ao fortalecimento da estrutura assistencial do Hospital de Base, do Hospital Regional de Santa Maria e das unidades de pronto atendimento.
O Instituto informou também a aquisição e formalização de centenas de equipamentos médico-hospitalares, incluindo aparelhos de anestesia, mesas cirúrgicas, equipamentos de imagem e monitores multiparamétricos, ampliando a capacidade de atendimento da rede sob sua gestão.
Administração e logística
Na área de administração e logística, o Iges-DF destacou avanços na gestão de compras, estoques e abastecimento das unidades de saúde. Entre as medidas adotadas está a migração gradual de contratos para atas de registro de preços, processo que já alcançou 64% de execução e busca reduzir custos, ampliar a previsibilidade das aquisições e preparar a rede para a incorporação de novas UPAs.
De acordo com o relatório, 1.075 itens foram adquiridos no período, permitindo atendimento de 84% das demandas de compras registradas. O instituto atribuiu o resultado à maior agilidade nos processos de negociação e reposição de estoques, reduzindo o risco de desabastecimento de insumos e medicamentos essenciais.
Também foram apresentados os resultados da verticalização do Centro de Distribuição, que proporcionou redução de R$ 7,78 milhões nos estoques em comparação com o ano anterior, além da ampliação da capacidade de armazenamento e do aprimoramento dos mecanismos de rastreabilidade de medicamentos e materiais utilizados nas unidades.
Entre os projetos em andamento, os gestores destacaram a implantação do dispensário eletrônico na UPA de Ceilândia, em fase piloto, com o objetivo de aumentar a segurança na dispensação de medicamentos, melhorar o controle dos estoques e ampliar a rastreabilidade dos insumos utilizados na assistência aos pacientes.

Balanço financeiro
De acordo com a apresentação do superintendente de Contabilidade, Finanças, Custos e Orçamentos do Iges-DF, Fabiano Batista, a receita total nos três primeiros meses de 2026 foi de R$ 784 milhões e a despesa executada somou R$ 788 milhões, dos quais R$ 26,7 milhões em investimentos. O Instituto iniciou o ano com R$ 46 milhões, remanescentes de 2025.
Embora a disponibilidade financeira tenha sido de R$ 43,7 milhões, esses recursos são vinculados. De acordo com o relatório, a dívida do Iges-DF caiu de R$ 171,7 milhões, no primeiro trimestre de 2022, para R$ 33,4 milhões em 2026. No entanto, técnicos do Iges apontaram defasagem financeira do Instituto.
A deputada Dayse Amarilio questionou sobre o risco de não pagamento dos terceirizados. A presidente do Iges, Eliane de Abreu, disse que protocolou pedido de reequilíbrio financeiro à Secretaria de Saúde e que, no momento, não há atraso no pagamento dos terceirizados. Ela também salientou que a gestão prioriza os contratos com provimento de mão de obra.
O presidente da Comissão de Acompanhamento e Avaliação do Contrato de Gestão do Iges-DF, Luiz Roberto Domingues, no entanto, defendeu a atualização dos repasses, pois o orçamento atual, segundo ele, é baseado nos cálculos de 2024. “O fluxo de recursos e obrigações assumidas do Iges está chegando ao ponto de o Iges correr o risco de não honrar as obrigações contratualizadas sem fazer repactuação, sem fazer reequilíbrio e sem ajustar os contratos com os fornecedores.”
Contratos
De acordo com a superintendente de Contratos do Iges-DF, Luana Fonseca, havia 1.450 instrumento contratuais vigentes em 30 de abril, sendo 1.316 de aquisições, 116 de serviços e 18 de locação. No primeiro trimestre, foram formalizados 793 novos instrumentos, dos quais 518 tinham como objetivo a seleção de fornecedores regulares.
Os contratos celebrados no período somaram R$ 830 milhões, referentes a serviços prestados de três a 24 meses. Desses contratos, 562 foram de aquisição de materiais, 12 de serviços. Houve ainda 84 rescisões e sete apostilamentos. Segundo Fonseca, houve uma redução de 66,6% do total de contratos regulares assinados.
Após a apresentação, Dayse Amarilio questionou a vigência por longos períodos de contratos pagos com verbas indenizatórias. Sobre um determinado contrato, ela criticou: “A gente demorou praticamente três anos para abrir a licitação”.
Os técnicos do Iges-DF se comprometeram a aprimorar a gestão de contratos. “Desde que essa diretoria assumiu o Iges, eu e meus pares temos trabalhado com muito afinco para tratar e entregar respostas. Há questões que não vamos conseguir resolver de pronto, mas isso não significa que não estão no nosso radar, já foram mapeadas”, afirmou a presidente.
O promotor Jairo Bisol parabenizou a condução da audiência pública: “Encantado por ver com que garra e com que competência hoje, na figura da deputada Dayse, vemos esse exercício do controle por parte do Legislativo que eu nunca vi”.
A avaliação das metas do Iges-DF será realizada em uma nova audiência da Comissão de Saúde da Câmara Legislativa.
Confira a cobertura fotográfica da audiência no Flickr da CLDF
Christopher Gama e Mario Espinheira – Agência CLDF
Reportagens
Após empate frustrante, Brasil reencontra Austrália em novo amistoso
Ancelotti deve fazer sete mudanças em relação à equipe de sexta (25)
Lincoln Chaves – Repórter da EBC
Quatro dias após empatarem por 1 a 1, Brasil e Austrália se reencontram nesta terça-feira (29) para novo amistoso no país da Oceania. Desta vez, no Suncorp Stadium, em Brisbane, a partir das 7h (horário de Brasília).

O técnico Carlo Ancelotti deve realizar pelo menos sete mudanças no time que foi a campo na última sexta-feira (25), no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville. Autor do gol brasileiro, já nos acréscimos, o atacante Rayan é um dos que devem iniciar o duelo como titular.
O sistema defensivo será totalmente diferente, com o goleiro Otávio, os laterais Vanderson (direita) e Mauro Júnior (esquerda) e os zagueiros Jair e Gabriel Magalhães. Os volantes Danilo e Bruno Guimarães terão a companhia do meia Gabriel Bontempo. Na frente, Rayan forma o trio de ataque com Raphinha e Vinícius Júnior.
Dos 26 convocados por Ancelotti, oito nunca haviam sido chamados à seleção principal. Deles, dois estrearão com a Amarelinha nesta terça: Otávio e Gabriel Bontempo.
O lateral Matheuzinho foi titular no jogo passado, enquanto Jair e Mauro Júnior entraram na etapa final no lugar de Vitor Reis e Douglas Santos, respectivamente. O goleiro Pedro Morisco, o zagueiro Arthur Dias e os volantes Breno Bidon aguardam uma oportunidade.
“O Breno [Bidon] é um jogador que tem muita qualidade, que está jogando muito bem no Campeonato Brasileiro [pelo Corinthians]. Gostei muito de Arthur Dias e dos goleiros, que eu não conhecia. A verdade é que são todas surpresas positivas. Gostei muito do Gabriel Bontempo, Jair… Quero ser objetivo: temos futuro, apesar das críticas”, disse Ancelotti, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (28).
“Eu acho que a geração que jogou a Copa do Mundo de 2018, 2022 e 2026 acabou. Temos que construir uma nova geração levando em consideração alguns jogadores da geração anterior com idade para a próxima Copa do Mundo. É um momento muito interessante para novos e jovens jogadores, de 17, 18, 19 anos. Esperamos ter a possibilidade e a oportunidade de ajudá-los a crescer mais rápido”, concluiu o treinador.
Do lado australiano, a meta é repetir o nível de atuação da partida anterior. Segundo o técnico Tony Popovic, que também atendeu à imprensa nesta segunda, a seleção do país não está acostumada a enfrentar adversários “de nível top” a cada quatro dias, ao contrário dos brasileiros, que atuam regularmente em grandes competições e na Liga dos Campeões da Europa, principal torneio de clubes do mundo.
“Será um grande teste para observarmos: podemos nos recompor fisicamente? Mentalmente? Podemos apresentar novamente a qualidade que mostramos com e sem a bola? É por isso que estamos encarando o Brasil e estamos satisfeitos de eles terem vindo aqui nos proporcionar esse grande teste”, analisou o treinador.
Se repetir a formação do último amistoso, Popovic deve escalar a Austrália com Patrick Beach; Alessandro Circati, Harry Souttare e Lucas Herrington; Jacob Italiano, Jackson Irvine, Paul Okon-Engstler e Connor Metcalfe; Aziz Behich, Kusini Yengi e Nestory Irankunda. Este último marcou, de falta, o gol que abriu o marcador em Townsville.
Após os jogos na Austrália, o Brasil viaja para a Índia. O amistoso contra a seleção da casa será no próximo sábado (3), às 11h, no Salt Lake Stadium, em Calcutá.
Reportagens
Eleições 2026: eleitores de todo o país irão às urnas em horário unificado, seguindo fuso de Brasília
Medida permite a divulgação dos primeiros votos apurados para todos os cargos logo após as 17 horas
Em 2026, os eleitores de todo o Brasil irão às urnas em um horário unificado: entre 8 e 17 horas, no horário de Brasília. Assim que acabar o horário de votação, os primeiros votos apurados para qualquer cargo em disputa já poderão ser divulgados.
A divulgação de todos os resultados ao mesmo tempo não era possível antes de 2022 (quando a unificação passou a valer), por conta dos fusos horários diferentes.
Confira página especial da Câmara sobre as Eleições 2026
“Não podia divulgar os resultados para presidente da República, porque isso poderia, de alguma forma, influenciar o eleitor que ainda estava na fila. A gente divulgava o resultado de governadores e do Parlamento (deputados e senadores), mas não divulgava de presidente até dar 19 horas, pois eram 17 horas no Acre e no Amazonas”, explica o especialista em direito eleitoral Bruno Andrade.
Caminho do voto
Depois que todos os eleitores que estavam na fila terminam de votar, o presidente da mesa encerra a votação na urna eletrônica. A partir daí, a urna não recebe novos votos e são gerados os arquivos necessários para a apuração.
O caminho do voto: da seção eleitoral ao resultado
Para enviar os dados de totalização dos votos no sistema da Justiça Eleitoral, é usada a mídia de resultado. É como um pen drive protegido por travas eletrônicas de segurança que cada urna tem.
Próximas etapas
Depois da eleição, candidatos e partidos precisam apresentar à Justiça Eleitoral a prestação final das contas de campanha. Em 2026, o prazo termina em 3 de novembro para quem concorreu apenas no primeiro turno. Para os candidatos que disputarem o segundo turno, a prestação de contas referente aos dois turnos deverá ser apresentada até 14 de novembro.
Na diplomação, a pessoa eleita recebe o diploma, documento da Justiça Eleitoral que registra seu nome, o partido, federação ou coligação pela qual concorreu e o cargo para o qual foi eleita. No caso dos suplentes, o documento também informa a classificação.
Esse último dado é importante para os deputados porque os parlamentares não se elegem só pela maioria dos votos. São os partidos e as federações que ganham cadeiras na medida em que recebem mais votos dos eleitores em relação ao total de votos válidos.
Saiba como funciona a eleição para deputados
“Essas cadeiras vão para os melhores colocados dentro do partido ou federação. Se os concorrentes identificarem algum problema nesse cálculo, podem entrar com um recurso depois da diplomação”, acrescenta.
Segundo o especialista, o diploma tem duas funções. A primeira é simbólica: formaliza o reconhecimento de que a pessoa foi eleita. A segunda é jurídica: a diplomação também serve como marco para prazos de questionamento do resultado eleitoral.
Candidaturas indeferidas
Segundo Bruno Andrade, quando o registro de uma candidatura está sub judice, há outro fator complicador. O candidato pode continuar na disputa enquanto essa situação permanecer. Se o eleito estiver com o registro indeferido, mesmo que a decisão ainda esteja sob recurso, ele não poderá ser diplomado.
“Nesse caso, assume o presidente da Câmara, no caso do presidente da República, e ou o presidente da Assembleia Legislativa Estadual, no caso de governador. Ele fica interinamente enquanto não resolve o problema. Se foi confirmado o indeferimento do processo, tem que ter nova eleição”, explica.
Posse
Se a diplomação acontecer com sucesso, a pessoa eleita pode tomar posse. A cerimônia é um rito obrigatório, que marca o início da atividade no cargo, embora eventuais processos eleitorais ainda possam continuar em tramitação.
“A partir desse exercício de mandato é que a pessoa vai poder tomar medidas como parlamentar. Pode participar de votações, ser escolhido representante da Maioria, da Minoria, compor bancada”, afirma Bruno Andrade.
“Com a posse é que a gente começa a ter esses atos de parlamentar efetivamente. Antes disso, ele tem a proteção enquanto parlamentar, porque já está diplomado, mas ainda não exerce efetivamente as tarefas de um parlamentar”, conclui.
Fonte: Agência Câmara de Notícias
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