Reportagens
Ipês Colorem o Distrito Federal com Floração Sincronizada
Mudanças Climáticas Antecipam o Desabrochar de Mais de 270 Mil Árvores em Diversas Cores na Capital
Os ipês, protagonistas nas ruas do Distrito Federal, embelezam ainda mais o Cerrado, o segundo maior bioma do Brasil. Este ano, as diferentes cores dos ipês floresceram quase ao mesmo tempo, com tons de roxo, amarelo, branco e rosa aparecendo em vários pontos da cidade, resultado das mudanças climáticas e condições meteorológicas registradas em 2024.
Com suas cores vibrantes, os ipês se destacam durante a seca, compondo um verdadeiro cartão-postal de Brasília.
Segundo Maria Cristina de Oliveira, bióloga e professora da Universidade de Brasília (UnB), é comum que os ipês apresentem uma floração fora do cronograma habitual devido às condições climáticas. “Eles seguem um padrão, mas não é uma regra rígida, pois há outros fatores que podem influenciar. A ordem costuma ser roxo, amarelo, rosa, branco e, por último, verde. No entanto, a floração quase simultânea dessas cores pode ser resultado de influências climáticas, incidência de chuvas e temperaturas”, explica ela.
No Distrito Federal, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) é responsável pela coleta, beneficiamento — que envolve técnicas para remover materiais indesejáveis, como sementes vazias, imaturas ou quebradas — e o semeio dos ipês. Atualmente, cerca de 270 mil ipês de diversas cores estão espalhados por toda a cidade, com a previsão de introduzir mais 40 mil mudas no DF ainda este ano.
Para garantir a diversidade dos ipês plantados, equipes da Novacap percorrem outros estados em busca de novas sementes. “Cinco vezes por ano, vamos a Minas Gerais e Goiás para coletar sementes e diversificar nosso banco, garantindo a variedade das espécies plantadas aqui”, afirma Janaína Gonzales, chefe da Divisão de Agronomia do Departamento de Parques e Jardins (DPJ) da Novacap.
Estratégia para Polinização
Durante a seca, as árvores perdem suas folhas enquanto a floração transforma a paisagem. Os ipês, que resistem bem à seca, apresentam flores de cores vibrantes que desabrocham justamente nesse período, quando muitas outras plantas estão sem folhas. Para sobreviver aos seis meses de estiagem, essas árvores perdem suas folhas na estação seca, reduzindo a perda de água por evapotranspiração.
Com raízes profundas que acessam fontes de água subterrâneas, os ipês conseguem sobreviver mesmo em condições de seca prolongada. Suas cores, que variam entre amarelo, roxo, verde, rosa e branco, são cruciais para atrair polinizadores como as abelhas. A floração durante a seca torna os ipês ainda mais chamativos, maximizando as chances de reprodução da planta.
“Os frutos formados começam a cair com o início das chuvas, dispersando as sementes e favorecendo a germinação de novos indivíduos”, explica Maria Cristina. “No período chuvoso, essas plantas crescem, e na próxima seca, estarão estabelecidas no solo, absorvendo água e sais.”
Os ipês são considerados Patrimônio Ecológico do Distrito Federal, e seu cultivo continua a todo vapor. Das 100 mil árvores que a Novacap plantará até o final deste ano, 40 mil serão ipês — 20 mil amarelos e os demais divididos entre outras variedades da espécie. A meta do Governo do Distrito Federal (GDF) é alcançar um milhão de árvores plantadas.
Reportagens
Usuários da Farmácia de Alto Custo já podem agendar atendimento online
A implantação do novo sistema ocorrerá de forma gradual nas farmácias de alto custo do DF
Agência Brasília* | Edição: Paulo Soares
Os usuários da Farmácia de Alto Custo do Distrito Federal já podem realizar agendamentos online para retirada de medicamentos e renovação de documentos pelo portal Agenda DF, sem necessidade de aguardar a renovação cadastral no novo sistema Ceaf Digital.
A medida começa a valer nesta sexta-feira (15) e foi adotada como solução imediata para ampliar o acesso da população aos serviços da assistência farmacêutica, garantindo mais comodidade, organização e redução das filas presenciais.
A implantação do novo sistema Ceaf Digital ocorrerá de forma gradual nas Farmácias de Alto Custo do DF, conforme os pacientes forem renovando os cadastros. No entanto, durante esse período de transição, os usuários já poderão utilizar normalmente o Agenda DF para realizar os agendamentos, sem precisar esperar o prazo de renovação cadastral, que pode chegar a até seis meses.
Os agendamentos estarão disponíveis para as unidades da Asa Sul, Ceilândia e Gama. As vagas serão liberadas para atendimento nos sete dias subsequentes à data da marcação, e o paciente deverá realizar o atendimento na unidade em que já possui cadastro ativo.
O agendamento pelo Agenda DF ficará disponível de segunda a sexta-feira. Já as unidades da Farmácia de Alto Custo continuarão funcionando normalmente de forma híbrida e aos sábados, das 7h às 12h, garantindo a continuidade da assistência aos usuários do SUS no Distrito Federal.
*Com informações da SES-DF
Reportagens
CLDF debate reintegração social de pessoas privadas de liberdade
Sessão solene representou a abertura da 4ª Semana da Reintegração Social, iniciativa que promove ciclo de palestras dentro de unidades prisionais
Foto: João Pedro Carvalho / Agência CLDF
A ressocialização de egressos do sistema prisional foi tema de sessão solene nesta sexta-feira (15), na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). O deputado Jorge Vianna (Democrata) mediou a debate, que teve a participação de profissionais e voluntários dedicados à reintegração de pessoas privadas de liberdade.
“Ressocializar é enfrentar o crime, é sufocar a oferta de mão de obra para a delinquência, não ser complacente com o criminoso. Se o Estado, se a política pública não der oportunidade de levar uma vida correta, o crime vai oferecer uma vida errada”, comentou o deputado. Ele considera que a reintegração deve ser fundamentada em quatro pilares: educação, trabalho, família e fé.
Durante a solenidade, foram apresentadas diversas medidas na área, entre elas:
• As ações da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, que, em 2025, realizou 15 projetos com as detentas, levando atendimentos de saúde, acesso à cultura e à qualificação profissional, além de momentos de ressocialização, como eventos especiais de Dia das Mães, Dia da Crianças e Natal, entre outras medidas. Os projetos foram realizados em parceria com organizações sociais e entidades religiosas.
• O trabalho do Centro Educacional 01 de Brasília, escola pública responsável pela Educação de Jovens e Adultos (EJA) dentro das unidades prisionais;
• A atuação do Conselho da Comunidade, órgão com servidores voluntários que promove assistência aos presos ou internados, entre outras atribuições;
A sessão solene completa está disponível no YouTube da TV Câmara Distrital. E as fotos podem ser acessadas no banco de imagens da Agência CLDF (clique aqui).
Semana da Reintegração Social
A solenidade representou a abertura da 4ª Semana da Reintegração Social, iniciativa da organização filantrópica Instituto Começar de Novo. Entre os dias 18 e 22 de maio, pessoas privadas de liberdade vão ter acesso, dentro das unidades prisionais, a palestras sobre educação, trabalho, espiritualidade e vínculos familiares.

Os temas vão ser abordados por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Defensoria Pública, da Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN) e instituições privadas de qualificação profissional.
Ana Teresa Malta – Agência CLDF
Reportagens
Vladimir Sacchetta, jornalista e pesquisador, morre aos 75 anos
Dedicou-se a projetos da memória cultural e política brasileiras
Guilherme Jeronymo – Repórter da Agência Brasil
Morreu nesta sexta-feira (15) o jornalista, produtor cultural, pesquisador e escritor Vladimir Sacchetta, aos 75 anos.

Sacchetta registrou as greves operárias do ABC, a memória do movimento operário e de revolucionários brasileiros, como Olga Benário. Colaborou em duas obras premiadas com o Jabuti: a obra póstuma de Florestan Fernandes e Monteiro Lobato: Furacão na Botocúndia, que escreveu em coautoria com Carmen Lúcia Azevedo e Márcia Camargos.
Sacchetta dedicou seus últimos anos a projetos de documentação e memória, como o Memorial da Democracia, do Instituto Lula; registros da Imprensa Alternativa, junto ao Instituto Vladimir Herzog, além de trabalhos sobre cultura brasileira.
“Vladimir Sacchetta dedicou sua trajetória à preservação da memória cultural e política brasileira, construindo um trabalho fundamental para o registro das lutas democráticas, da resistência à ditadura militar e da defesa intransigente da liberdade de expressão”, diz, em nota, o Instituto Vladimir Herzog.
Foi um dos fundadores da Sociedade dos Observadores de Saci, dedicada a valorização da cultura nacional. Também foi conselheiro do Centro de Documentação do Movimento Operário Mario Pedrosa (Cemap), no qual participou ativamente até poucos dias atrás.
“O Cemap perde um conselheiro brilhante; o Brasil perde um de seus maiores guardiões da memória”, diz o Cemap, em nota.
Sacchetta deixa dois filhos e neto.
O velório será realizado neste sábado (16) na Barra Funda, na capital paulista.
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