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Reforma do Teatro Nacional Claudio Santoro avança com foco em segurança e preservação patrimonial
Novo design das cadeiras da Sala Martins Pena segue a estética original de Sérgio Rodrigues, enquanto intervenções garantem acessibilidade e modernização do sistema de climatização.
Por Thaís Miranda, da Agência Brasília* | Edição: Carolina Caraballo
As obras no maior equipamento público cultural do país, o Teatro Nacional Claudio Santoro, vão além das intervenções de segurança e acessibilidade: trata-se de um trabalho de preservação patrimonial. Em sua etapa final de acabamento, o espaço acaba de receber as 488 novas cadeiras que irão compor a área destinada à plateia da Sala Martins Pena. Os assentos foram desenhados exclusivamente para o local seguindo o padrão e a estética originais esboçados pelo arquiteto Sérgio Rodrigues, falecido em 2014 e considerado o maior nome do design de mobiliário nacional.

As obras na Sala Martins Pena estão na etapa final de acabamento; o espaço terá 488 novas cadeiras, desenhadas de acordo com a estética original esboçada pelo arquiteto Sérgio Rodrigues | Fotos: Paulo H. Carvalho/ Agência Brasília
Em visita técnica ao teatro nesta terça-feira (10), o secretário de Cultura e Economia Criativa, Claudio Abrantes, afirmou que as poltronas precisaram ser trocadas devido ao material inflamável na composição do estofado: “Embora fossem do Sérgio Rodrigues, as cadeiras da Sala Martins Pena foram substituídas porque o material usado naquela época era tóxico e fácil de pegar fogo. Seguindo as recomendações do Corpo de Bombeiros do DF, nós fizemos a troca”.
As poltronas desenhadas foram inspiradas nas de Sérgio Rodrigues e passaram por uma aprovação prévia do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Foram feitos vários protótipos até que se chegasse ao modelo ideal, seguro e confortável para espectadores.
“As cores escolhidas por Athos Bulcão vão permanecer. No caso da Martins Pena, será um tom de laranja. A nova cadeira é mais ergonômica, em veludo e tem um material mais adequado com a estrutura em madeira, que ajuda na acústica da sala”, detalhou Claudio Abrantes. “Outra novidade é que elas serão alocadas de uma forma que não impeça a visão de quem está atrás. Elas ficarão intercaladas para que todos consigam enxergar o palco”, anunciou o secretário.
Sistema de água gelada
Com investimento de R$ 70 milhões, a primeira etapa da obra do Teatro Nacional tem como foco a Sala Martins Pena e as alterações relativas à segurança
Durante a visita técnica, foi apresentado a rede de climatização do Teatro Nacional Claudio Santoro. Uma central de água gelada precisou ser criada para armazenar os equipamentos de refrigeração do espaço.
“Essa central vai atender não só a Martins Pena, mas todo o teatro. Ela vai trazer mais conforto térmico para os usuários e promover uma melhora na qualidade do ar que circula aqui dentro”, completou Claudio Abrantes.
Evolução do trabalho
Com investimento de R$ 70 milhões, a primeira etapa da obra do Teatro Nacional tem como foco a Sala Martins Pena e as alterações relativas à segurança. As duas novas saídas de emergência estão prontas, bem como os novos banheiros, o reservatório externo de incêndio com capacidade para 350 mil litros de água e as salas onde serão armazenados os cinco geradores de energia.
Todos os serviços de demolição, alvenaria e estrutura na Sala Martins Pena também foram concluídos. O trabalho agora consiste na conclusão da obra, com serviços de acabamento.
As obras do Teatro Nacional Claudio Santoro serão feitas em quatro etapas. A Sala Martins Pena e seu respectivo foyer foram escolhidos para a primeira fase. A reforma completa compreenderá ainda toda a Sala Villa-Lobos, o Espaço Dercy Gonçalves, a Sala Alberto Nepomuceno e o anexo.

Além da reforma da Sala Martins Pena e de seu respectivo foyer, a obra completa no teatro Nacional Claudio Santoro compreenderá toda a Sala Villa-Lobos, o Espaço Dercy Gonçalves, a Sala Alberto Nepomuceno e o anexo
Preservação artística
Os dois painéis de Athos Bulcão instalados no foyer e na Sala Martins Pena voltaram a ser vistos. As obras de arte estavam protegidas para que fossem preservadas durante as intervenções mais pesadas no complexo cultural. Agora, as peças passam por um processo de restauração.
“A nossa parceria com a Fundação Athos Bulcão vai permitir que seja feita uma manutenção dos painéis. Mas a gente observa que, depois desse tempo todo, as peças têm um bom grau de conservação porque não sofreram tanto com os danos das obras”, revelou Claudio Abrantes.
Manter a originalidade das obras de arte é, segundo a arquiteta responsável pelo projeto de restauro, Antonela Sole, um dos maiores desafios encontrados durante o processo: “A nossa missão era realizar todos os caminhos de acessibilidade e saídas de emergência sem intervir no projeto de Oscar Niemeyer. Buscamos fazer um projeto que fluísse sem mexer no original”.

“A nossa missão era realizar todos os caminhos de acessibilidade e saídas de emergência sem intervir no projeto de Oscar Niemeyer”, revelou a arquiteta responsável pelo projeto de restauro, Antonela Sole
Preservação da memória
O equipamento público terá um novo espaço: um memorial em homenagem a Claudio Santoro e também a todas as outras personalidades que dão nome às salas do complexo cultural, como os compositores Heitor Villa-Lobos e Alberto Nepomuceno, o dramaturgo Martins Pena e a atriz Dercy Gonçalves.
*Colaborou Adriana Izel
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NASCIMENTO DO LAGO PARANOÁ
O Lago Paranoá foi idealizado muito antes da construção de Brasília, tendo sua primeira proposta formalizada pelo botânico e paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, paricipante da segunda Missão Cruls, em 1894.
No seu relatório, Glaziou identificou uma depressão topográfica na região e sugeriu o represamento do rio Paranoá para criar uma bacia de água indispensável ao abastecimento da futura capital.
Glaziou escreveu: “Entre dois grandes chapadões na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe imensa planície em parte sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa (…) É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte – barragem (…) formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”
O projeto do paisagista visava amenizar o clima seco do Planalto Central, garantir o fornecimento hídrico, gerar energia e proporcionar um elemento ornamental e de lazer para a população.
Em 1956, o plano de Glaziou foi incorporado e adaptado pela Novacap para compor o Edital do Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil.
Em março de 1957, quando da abertura do Concurso, todos os 26 projetos constavam a construção do Lago Paranoá, como aconteceu com o projeto vencedor, do urbanista Lucio Costa.

O idealizador do Lago Paranoá foi o paisagista francês Auguste Glaziou, membro integrante da 2ª Missão Cruls. A construção da barragem se inicia em 1957, sob responsabilidade da empresa norte-americana Raymond Concrete Pile of Americas. O constante atraso nas obras fez com que JK mandasse rescindir o contrato com a Raymond e transferisse o comando da construção da barragem para as construtoras Camargo Corrêa, Rabelo, Rodobras, Geotec e Engenharia Civil e Portuária.
DESCRIÇÃO COMPLETA
Essa é a descrição completa feita por Auguste Glaziou, no relatório da Segunda Missão Cruls, em 1894, apontando a solução técnica para a construção do Lago Paranoá:
“Entre os dois grandes chapadões conhecidos na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe uma imensa planície sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa: outrora era um lago devido à junção de diferentes cursos de água formando o Paranoá; o excedente desse lago, atravessando uma depressão do chapadão, acabou com o carrear dos saibros e mesmo das pedras grossas, por abrir nesse ponto uma brecha funda, de paredes quase verticais pela qual se precipitam hoje todas as águas dessas alturas. É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte (barragem) forçosamente a água tomará ao seu lugar primitivo e formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”
Nos anos 1970, ao entrar pela primeira vez na Catedral Metropolitana Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória, em Maringá, fiquei muito impressionado. Trata-se de uma das mais altas e belas basílicas da América Latina. Depois, caminhando pelas ruas da cidade, a música “Maringá, Maringá” logo me veio à memória. Cidade e canção parecem feitas uma para a outra, unidas por melodia, harmonia e ritmo. Embora separadas por 15 anos de história, a obra musical do mineiro Joubert de Carvalho e o terceiro maior município do Paraná compartilham a mesma beleza e a mesma alma. Conheça a seguir como essa bonita sintonia moldou o destino urbano e social da cidade e da região.
MARINGÁ: A CIDADE E A CANÇÃO
“Maringá… Maringá”, a melodia, nasceu primeiro, em 1932. Quinze anos depois, em 10 de maio de 1947, era fundado o município paranaense. A obra-prima de Joubert Gontijo de Carvalho (1907–1977) surgiu após um diálogo marcante com o ex-governador da Paraíba, José Américo de Almeida, então ministro da Viação e Obras Públicas de Getúlio Vargas e autor do clássico literário “A Bagaceira” (1928). Quem fez a aproximação de José Américo de Almeida com o compositor foi Rui Carneiro (1906-1977), então oficial do gabinete do Ministério da Aviação, natural de Pombal, uma cidade centenária ao norte da Paraíba.
Rui Carneiro era jornalista e advogado, mais tarde foi deputado federal e senador pela Paraíba. Carneiro e José Américo relataram ao compositor o sofrimento do povo nordestino com a seca severa. E deram, como exemplo, a cidade de Ingá, no agreste da Paraíba, a 100km de João Pessoa. Inspirado pelo relato, Joubert de Carvalho (mineiro de Uberaba) que já colecionava sucessos na voz de Carmen Miranda, como “Taí – Eu fiz tudo prá você gostar de mim”, criou uma personagem retirante fictícia chamada Maria. Da junção de “Maria de Ingá” surgiu o neologismo que batizou a música romântica e nostálgica. Mal sabia o compositor que aquele sucesso estrondoso seria o nome, 15 anos mais tarde, de uma das cidades mais prósperas do Sul do país e, ainda, lhe daria o nome de uma importante rua.

MARINGÁ: MODELO DE GESTÃO
Visão de presente e de futuro. Maringá saiu na frente, no Brasil, trazendo a sociedade civil organizada para participar no planejamento econômico sustentável da administração da cidade. Com o objetivo de propor ações efetivas para garantir o desenvolvimento sustentável de toda a região geoeconômica, proporcionando qualidade de vida e condições dignas aos cidadãos, em gestão compartilhada com o poder público, Maringá criou em 1996, o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá – CODEM. O órgão nasceu com o Movimento Repensando Maringá. No cinquentenário de Maringá, em 1997, houve a posse dos primeiros conselheiro.
Ao longo dos anos, o CODEM não só se consolidou como referência em planejamento socioeconômico sustentável, sempre com a participação ativa da sociedade civil, entidades e lideranças locais, como serviu de exemplo para a criação de órgão similar em muitas cidades brasileiras.
Hoje, mais de 20 cidades brasileiras, inclusive Brasília, usam esse modelo de governança inspirado no modelo pioneiro do CODEM/CODESE de Maringá (PR), com o objetivo de planejar o crescimento urbano e socioeconômico sustentável da região para as próximas décadas.
SAIBA MAIS
Veja duas outras matérias:
1) O batismo e a
cronologia da criação e urbanização.
2) Como o modelo de gestão participativa levou
o município de Maringá a bater recordes
de competitividade e de sustentabilidade.

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