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A BENÇÃO DAS CHUVAS
Depois de uma seca severa e muitas queimadas, enfim, chega a temporada das chuvas
Neste ano de 2024, o clima seco, os incêndios e os crimes causados pela ação humana contra as florestas chegaram ao ápice: a estatística do crime dos incêndios foi terrível, pois 99% das queimadas são causadas por ação humana. Segundo a secretária de Desenvolvimento Econômico Sustentável do Ministério da Fazenda, Cristina Fróes, a área total queimadas este ano, foi de mais 224 mil quilômetros quadrados, dos quais mais de dois terços no Cerrado e na Amazônia. Levantamento da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) confirmou esses dados assustadores 99% das queimadas são causadas por ação humana, sendo grande parte criminosa. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o número de focos de incêndio no Cerrado cresceu 88%, na Amazônia 95%, na Mata Atlântica 127%, Pantanal 1720%, um aumento vertiginoso.

Ideologia e nem saliva apagam os incêndios florestais.
Além da fumaça, dos transtornos nas rodovias e da destruição de fazendas e florestas, o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Clezio Marcos de Nardin, disse mais. “As previsões do instituto são de temperaturas de 1ºC a 2ºC acima da média no país inteiro – com exceção do litoral – até o fim do ano. Pior: as chuvas devem ficar abaixo da média”.
POR QUE O TEMPO SECO FOI TÃO INTENSO?
A natureza é complexa e para responder a essa pergunta não há, também, uma resposta tão simples. Conversando com vários meteorologistas e buscando entender suas teorias pode-se chegar a algumas conclusões. Os especialistas levam em consideração alguns aspectos. Vale destacar:
- El Niño: o fenômeno, que aqueceu o Oceano Pacífico, contribuiu para a elevação das temperaturas no país e mudou os padrões de chuva. O El Niño ainda gerou uma seca intensa ao Norte do país, que bateu recordes.
- Bloqueios atmosféricos: A expectativa era que o El Niño acabasse e a seca terminasse em abril deste ano, o que não aconteceu. Isso porque bloqueios atmosféricos impediram que as frentes frias avançassem pelo país, deixando a chuva abaixo da média em quase todo o mapa, com exceção do Rio Grande do Sul.
- Aquecimento do Atlântico Tropical Norte: Nos últimos meses, o Oceano Atlântico Tropical Norte está mais quente do que o normal, o que tem contribuído para as mudanças nos padrões de chuva pelo país, prolongando a seca iniciada em 2023.
Com isso, o Brasil enfrentou neste período a pior seca de sua história recente. Segundo o INMET, de julho a outubro deste ano, mais de um terço do território nacional enfrentou a estiagem na sua pior versão. Foram cerca de 3 milhões de km² de estiagem. Algumas áreas mais e outras áreas um pouco menos. O fenômeno da falta de chuva deixou cidades isoladas na Amazônia, baixou os reservatórios com uma ameaça à oferta de energia e piorou em muito o cenário de queimadas e incêndios florestais.
O QUE É O EL NIÑO
O engenheiro e professor Raymundo Garrido, da UFBA e ex-Secretário de Recursos Hídricos do Ministerio do Meio Ambiente explica que o fenômeno do El Niño Oscilação Sul ocorre na época do Natal. Daí seu nome. Ele resulta do aquecimento acima do normal da superfície das águas do Pacífico oriental, sobretudo no litoral do Equador e Peru. A expressão Oscilação Sul é indicativa da alteração na pressão do ar na superfície entre a Austrália e a Polinésia Francesa.
Quando a pressão está alta nessa distante região, está baixa no Pacífico oriental e vice-versa. Há a constatação de que os dois comportamentos são partes de um mesmo fenômeno, pois durante o El Niño, ou seja, quando as águas da superfície do Pacífico ao lado da costa sulamericana se aquecem, as pressões nessa mesma região se tornam mais baixas, e as pressões sobre a Indonésia e norte australiano se tornam mais elevadas, justamente onde a temperatura da água superficial se reduz. Fora da ocorrência do El Niño, a temperatura das águas superficiais na costa peruana é mais baixa, refletindo sua condição normal, e a temperatura das águas superficiais na Polinésia, e daí até a Austrália, são mais altas, refletindo também a sua condição normal.
EFEITOS DEVASTADORES
São muitos os efeitos quando o fenômeno se manifesta, continua Raymundo Garrido: “Aparecem muitas vezes seus efeitos devastadores: secas na Indonésia, no leste australiano, na Nova Guiné e no Nordeste do Brasil. Ao mesmo tempo, a ocorrência do El Niño faz com que as chuvas sejam torrenciais e acima da média na região Sul-Sudeste do Brasil, durante o verão e o outono, aumentem as tempestades tropicais no Golfo do México, ocorram invernos menos frios no norte dos Estados Unidos e oeste canadense, e se reduza o número de furacões que se formam no Atlântico”.
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Brasília terá título de Capital Ibero-Americana de Patrimônio Cultural
Homenagem será prestada em encontro que começa hoje na cidade
Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil
Tratar de estratégias conjuntas para proteção dos patrimônios material e imaterial, e para inovação em políticas públicas está entre os objetivos centrais de um evento internacional em Brasília, desta quarta (11) até sexta-feira (13). Na ocasião, a cidade será homenageada com o título de Capital Ibero-Americana de Patrimônio Cultural.

O evento é a reunião do Comitê Setorial de Patrimônio Cultural da União de Cidades Capitais Ibero-Americanas (UCCI) e será realizado no Salão Nobre do Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, a partir das 14h Nesses dias, estão previstos também o intercâmbio de boas práticas de gestão dessas cidades e o fortalecimento da identidade histórica urbana.
Na avaliação do secretário de Relações Internacionais do DF, Paco Britto, o novo título amplia a projeção internacional de Brasília como capital do diálogo, da diplomacia e da preservação do patrimônio. A cidade é Patrimônio Cultural da Humanidade desde 1987 quando recebeu esse título da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
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Compromisso
O encontro vai abordar eixos temáticos para seguir com as discussões iniciadas em Lima (Peru), em 2025. O grupo de discussão pretende apresentar, até o final do evento, uma Carta de Compromisso comum com a preservação, valorização e gestão sustentável do patrimônio cultural.
Fazem parte da Ucci 29 cidades de 24 países ibero-americanos. A ideia da rede é permitir que as cidades compartilhem experiências e trabalhem em conjunto para enfrentar desafios comuns. Do Brasil, além de Brasília, o grupo é representado por São Paulo (SP) e o Rio de Janeiro (RJ).
Somadas, essas regiões têm 76 milhões de habitantes que falam espanhol e português. A UCCI atua como plataforma para a cooperação urbana, o intercâmbio de conhecimentos e a disseminação de boas práticas entre seus membros.
Cidade única
Segundo a pesquisadora em arquitetura Angelina Nardelli Quaglia, que estuda temas ligados à capital e periferia na Universidade de Brasília (UnB), a capital brasileira proporciona culturalmente valores únicos.
“Brasília é uma capital reconhecida internacionalmente pela arquitetura e pelos processos culturais que aqui acontecem”, afirma.
A pesquisadora entende que Brasília tem características únicas e a diversidade cultural como marca fundamental, incluindo as misturas de influências que chegam do país inteiro. A diversidade perpassa gerações, na avaliação dela. “Há uma paisagem cultural muito rica, que é a grande beleza de Brasília”.
A cidade também simboliza a democracia brasileira em diferentes momentos, como na luta pela liberdade, a Constituição de 1988 e a resistência após os ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. “Eu entendo que é uma cidade à frente do tempo”.
Desafios
No entanto, Angelina Nardelli observa que a cidade, quatro anos depois de inaugurada, particularmente durante a ditadura militar (1964 – 1985), não teve legislação para manutenção do patrimônio.
“Tivemos um hiato muito grande de uma legislação que também começa a se transformar mundialmente (mas não no Brasil)”.
O cenário começaria a se alterar com o título expedido pela Unesco em 1987. “A memória foi reconhecida como patrimônio”. A pesquisadora compreende que a manutenção do patrimônio em Brasília não é simples.
A capital aprovou, por exemplo, há dois anos, o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB). Mas a pesquisadora entende que são necessários mais recursos e políticas públicas de proteção para que tanto o tombamento quanto a manutenção estejam em ordem. “Em Brasília, isso devia ser um exemplo, mas ainda não é. A capital é uma cidade muito nova”, diz.
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NÃO É MAIS TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
O crime organizado plantou-se no ESTADO. Os Tres Poderes viraram quatro…
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MINISTÉRIO PÚBLICO ABRE INVESTIGAÇÃO SOBRE COBRANÇA DE PEDÁGIO NA SERRA DA CAPIVARA
Prefeitura de Coronel José Dias vai precisar explicar bloqueio de rodovias
O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), abriu procedimento investigatório para analisar o bloqueio de rodovias no município de Coronel José Dias, com objetivo de cobrança de uma espécie de pedágio (veja detalhes em: https://folhadomeio.com/2026/02/pedagio-aos-visitantes/.), para acessar o Parque Nacional Serra da Capivara, uma unidade de conservação federal que não cobra nenhuma taxa para ingresso nos seus circuitos turísticos.
A polêmica começou após a câmara de vereadores do município aprovar uma lei que estabelece um novo imposto denominado de Taxa de Preservação Ambiental e Turística (TPAT), que começa com o valor diário de R$ 20,00, para os visitantes que desejam conhecer o parque nacional através do seu território. Para isso, a Prefeitura fechou acessos alternativos e instalou barreiras físicas controladas por funcionários para cobrança do valor.
A decisão causou uma grande repercussão no trade turístico local que pressupõe um impacto negativo no fluxo de visitantes que chegam nessa região do Piauí para conhecer a Serra da Capivara, e seus sítios arqueológicos declarados como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Segundo dados da Secretaria Estadual de Turismo do Piauí, a maior parte dos visitantes é composta por grupos de estudantes da própria região que alegam não dispor desses valores para visitar o parque nacional.
Agora, o município de Coronel José Dias vai precisar esclarecer ao Ministério Público quem autorizou o bloqueio de rodovias nos acessos ao parque. Para piorar, pipocam denuncias dos próprios turistas sobre as condições insalubres que os funcionários da Prefeitura enfrentam no dia-a-dia dos bloqueios. Abrigados numa tenda improvisada, sem acesso a internet ou rede móvel de comunicação, esses agentes não dispõem das mínimas condições de trabalho, nem mesmo um banheiro químico para as suas necessidades fisiológicas.
Ao serem parados nos bloqueios, os turistas precisam mostrar o comprovante do pagamento da TPAT para continuar o trajeto em direção ao parque nacional num claro desrespeito ao direito fundamental garantido pelo Artigo 5*, inciso XV, da Constituição Federal de 1988 (liberdade de locomoção). Se, por acaso, o visitante não tiver pago a taxa, ao chegar no bloqueio, são orientados a voltar até uma área com rede de wi-fi nos povoados próximos, para o pagamento do pedágio e, só assim, seguir viagem.
A cobrança, apesar de amparada por uma Lei Municipal, induz o visitante a erro, pois o bloqueio acontece nas proximidades do principal acesso ao parque nacional, levando o turista a acreditar que está pagando um imposto obrigatório para entrar na reserva federal. A chefia do parque, por seu lado, não tomou nenhuma medida prática e efetiva para alertar aos visitantes sobre a gratuidade do acesso ao parque nacional.
Ao contrário, os funcionários do ICMBio, que é órgão responsável pela gerencia do parque nacional, não se fazem presentes no bloqueio para alertar os visitantes que o pagamento não é obrigatório nem impeditivo para o seu acesso à unidade de conservação. “Uma espécie de dobradinha entre a atual gestão do parque e o Poder Público Municipal”, desabafa o proprietário de uma pousada no povoado do Sítio do Mocó, que não concorda com a cobrança da taxa.
Inclusive, existem denúncias que vários parentes da atual chefe, Marian Rodrigues – que não é funcionária concursada do ICMBio, mas sim ocupante de cargo de indicação politica -, entre eles, o seu cônjuge, como ela, todos residentes no município de Coronel José Dias, são condutores de visitantes credenciados pelo órgão federal para trabalhar no parque nacional, ou ocupam cargos de confiança na Prefeitura do município, fazendo uma espécie de “vista grossa”, induzindo os visitante à pagar o pedágio municipal para entrar no parque.
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