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Brasília

30 anos como Patrimônio Cultural da Humanidade

Brasília, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e pelo urbanista Lúcio Costa, foi reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 1987. A cidade, planejada para simbolizar a modernidade e a inovação urbanística do Brasil, é um marco da arquitetura modernista. No entanto, desde então, o traçado original e as características que motivaram esse título têm sofrido alterações significativas, colocando em debate a preservação do status de patrimônio.

O perímetro protegido pela UNESCO

A área reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural abrange o Plano Piloto, delimitado pelas Asas Sul e Norte, com o Lago Paranoá a leste e a Estrada Parque Indústria e Abastecimento (EPIA) a oeste. Esse perímetro inclui marcos importantes do desenho original da cidade, como o eixo monumental, as superquadras e os espaços públicos caracterizados pela monumentalidade e pela abertura ao horizonte. A concepção de Brasília é baseada na simbiose entre urbanismo e arquitetura, preservando áreas verdes e a visibilidade de grandes edificações.

Alterações que dilapidam o patrimônio

Desde o reconhecimento pela UNESCO, várias intervenções urbanas e arquitetônicas têm comprometido as características que garantiram a Brasília o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Entre os problemas mais evidentes está a adição de coberturas em edifícios residenciais das superquadras, criando o que alguns chamam de “sétimo andar”. Embora o projeto original de Lúcio Costa preveja edifícios de seis andares, a prática de acrescentar pavimentos e coberturas impacta a paisagem arquitetônica homogênea e a volumetria das quadras.

Além disso, soluções improvisadas para o crescente problema do trânsito, como a construção de viadutos e mudanças no fluxo viário, alteram o projeto viário original, que priorizava a fluidez e a integração dos espaços. As áreas de convivência e o contato com a natureza, antes centrais no planejamento de Brasília, também têm sido impactados pela expansão do uso comercial e pela verticalização descontrolada em regiões próximas ao perímetro protegido.

Uma cidade “desengessada” compromete o título?

A flexibilização das regras para acomodar o crescimento populacional e a demanda por novas construções é frequentemente citada como necessária para que Brasília não se torne uma cidade “engessada”. No entanto, o grande dilema é como equilibrar a modernização da infraestrutura e o crescimento urbano sem comprometer os atributos que fazem da cidade um patrimônio.

Modificar as diretrizes arquitetônicas e urbanísticas de forma desordenada compromete não apenas a integridade física, mas o espírito da cidade planejada. O título de Patrimônio Cultural da Humanidade exige que as características originais sejam preservadas, tanto do ponto de vista estético quanto funcional. Alterações que não respeitem esse equilíbrio colocam em risco o status conferido pela UNESCO.

Por isso, é fundamental que as transformações ocorram de maneira planejada, respeitando os princípios fundadores de Brasília. Uma cidade que se desengessa sem planejamento pode comprometer seriamente sua identidade cultural e urbanística. A perda do título, embora não imediata, se torna uma possibilidade real quando as intervenções afetam o valor universal excepcional da cidade.

Preservar sem engessar: o desafio

Brasília enfrenta o desafio de adaptar-se às necessidades contemporâneas sem perder suas características distintivas. A preservação do título de Patrimônio da Humanidade depende diretamente de uma gestão urbana que concilie crescimento com respeito ao plano original. A cidade precisa encontrar formas criativas e eficazes de resolver seus problemas urbanos sem comprometer sua essência arquitetônica e cultural.

Portanto, o debate sobre as mudanças em Brasília deve estar no centro das decisões políticas e urbanísticas, lembrando que a preservação do patrimônio não é apenas uma questão de orgulho nacional, mas de respeito à herança arquitetônica que tem valor mundial.

 

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Curso Internacional de Verão da Escola de Música abre temporada musical

Em sua 47ª edição, evento reúne estudantes do Brasil e do exterior e teve concerto de abertura com presença de autoridades

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Agência Brasília* | Edição: Vinicius Nader

A Escola de Música de Brasília (EMB) inaugurou oficialmente a 47ª edição do Curso Internacional de Verão de Brasília (Civebrea), que segue até 24 de janeiro, com uma ampla programação de cursos, oficinas e apresentações musicais voltada para estudantes, professores e público em geral.

Realizado desde 1977, o curso é referência no ensino e na difusão musical no país, reunindo alunos e professores de diversas partes do Brasil e do exterior para aulas presenciais, virtuais e apresentações ao vivo. A proposta é promover um intercâmbio de experiências, aperfeiçoamento técnico e diálogo entre diferentes gerações e estilos musicais.

A abertura oficial ocorreu na noite de domingo (11), com um concerto no Teatro Levino de Alcântara. A secretária de Educação do Distrito Federal, Hélvia Paranaguá, destacou a importância do Civebra como espaço de formação, convivência e acesso à cultura: “A Escola de Música de Brasília é um lugar que transforma vidas. Aqui, a gente vê talento, dedicação e muitos sonhos caminhando juntos. O Civebra é esse encontro bonito entre quem ensina, quem aprende e quem ama a música. É uma alegria enorme ver esse teatro cheio e perceber o quanto a arte toca as pessoas e fortalece a nossa educação.”

A Escola de Música de Brasília inaugurou oficialmente a 47ª edição do Curso Internacional de Verão de Brasília, que segue até 24 de janeiro | Foto: Jotta Casttro/SEEDF

Recém-chegado ao Brasil, o embaixador da Áustria, Andreas Stadler, destacou a importância da música e da formação cultural como instrumentos de fortalecimento da sociedade. Para ele, a experiência foi marcante e reforça o valor do intercâmbio cultural promovido pela Escola de Música de Brasília. “Em apenas quatro meses no Brasil, fiquei encantado ao conhecer a Orquestra JK. Foi um privilégio desfrutar dessa apresentação com a minha família. Apoiar esta escola é apoiar o amanhã; cultura e democracia são indissociáveis e é uma honra para nós colaborar com esse fortalecimento”, afirmou.

Embaixador Andreas Stadler: “Apoiar esta escola é apoiar o amanhã; cultura e democracia são indissociáveis e é uma honra para nós colaborar com esse fortalecimento”

Troca de conhecimento

Nesta 47ª edição, o Civebra reúne 53 professores convidados, vindos de diversos estados brasileiros, do Distrito Federal e de oito países: Estados Unidos, Argentina, Cuba, Canadá, Alemanha, França, Espanha e Bélgica. Dos artistas e docentes convidados, 80% são egressos da própria Escola de Música de Brasília ou de edições anteriores do curso, que retornam agora para compartilhar sua expertise com os atuais alunos.

 

A procura pelo curso foi expressiva, contabilizando quase três mil inscritos, todos com acesso às atividades de forma intensiva ao longo dos 12 dias do evento. Até 24 de janeiro, os participantes terão a oportunidade de aprender, interagir e atualizar-se com alguns dos melhores músicos em suas áreas específicas.

O Civebra é totalmente gratuito e aberto à comunidade, oferecendo workshops, aulas, masterclasses e apresentações artísticas de alto nível. A iniciativa reforça o compromisso da Escola de Música de Brasília em democratizar o acesso à cultura e ao ensino musical de qualidade.

*Com informações da Secretaria de Educação

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Exposição revisita origens visuais de Brasília

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Niemeyer no Palácio do Alvorada, uma das fotos em exposição | Foto: Acervo

O Museu de Arte de Brasília (MAB) apresenta a exposição “Diálogos da Liberdade na Coleção Brasília”, que reúne obras de arte, fotografias históricas, documentos e objetos relacionados à construção e à inauguração da capital federal. A mostra é composta por trabalhos do acervo do próprio MAB e da Coleção Brasília, com Acervo Izolete e Domício Pereira, e propõe ao público um panorama sobre os primeiros anos de Brasília a partir de diferentes linguagens visuais e registros históricos.

O eixo central da exposição é o álbum “Brasília 1960: O Mais Arrojado Plano Arquitetônico do Mundo”, de autoria do fotógrafo Mário Fontenelle, responsável pelos registros oficiais do governo de Juscelino Kubitschek.

O conjunto reúne 24 fotografias em preto e branco produzidas entre 1958 e 1960, que documentam etapas da construção da cidade, bem como os eventos e cerimônias de sua inauguração, em 21 de abril de 1960. As imagens apresentam registros do canteiro de obras, da arquitetura emergente e do contexto político e simbólico da criação da nova capital.

A partir desse núcleo documental, a exposição estabelece diálogos com obras de artistas que participaram da consolidação do imaginário visual de Brasília. Estão presentes trabalhos de Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Roberto Burle Marx, Athos Bulcão, Marianne Peretti, Alfredo Ceschiatti, Bruno Giorgi, Zeno Zani, Ake Borglund, entre outros.

As obras evidenciam a integração entre arte, arquitetura e paisagem urbana que marcou o projeto da capital federal desde seus primeiros anos.

O percurso expositivo também inclui produções de artistas de gerações posteriores, como Honório Peçanha, Ziraldo, Danilo Barbosa e Carlos Bracher.

Essas obras estabelecem relações com o conjunto histórico ao abordar temas ligados à memória, à cidade e à permanência dos símbolos de Brasília no imaginário cultural brasileiro. A proposta curatorial coloca em diálogo produções de diferentes períodos, buscando aproximar registros do passado e interpretações contemporâneas.

Ítens históricos

Além das artes visuais, a mostra reúne objetos e itens históricos relacionados ao período de formação da capital. Entre eles, estão a maquete de lançamento do automóvel Romi-Isetta, peças utilizadas no serviço do Palácio da Alvorada e a primeira fotografia de satélite do Plano Piloto. Esses elementos ampliam o contexto histórico apresentado pelas obras e ajudam a situar o visitante no ambiente político, social e tecnológico da época.

No segmento documental, dois itens recebem destaque especial. Um deles é a carta-depoimento escrita por Juscelino Kubitschek em 1961, ao final de seu mandato presidencial, na qual o ex-presidente registra reflexões sobre seu governo e sobre a construção de Brasília. O outro é a homenagem da Igreja Católica a Dom Bosco, padroeiro da capital, composta por fragmentos de suas vestes, que remete à dimensão simbólica e religiosa associada à fundação da cidade.

“Museu Imaginado”

A exposição inclui ainda a obra “Museu Imaginado”, do artista mineiro Carlos Bracher, doada ao Museu de Arte de Brasília pelo próprio artista em parceria com o curador Cláudio Pereira. A obra propõe uma reflexão sobre o papel das instituições museológicas, da memória e da imaginação na construção de narrativas históricas e culturais, dialogando com o conjunto da exposição.

Como parte dos recursos expográficos, o público tem acesso à gravação em áudio da carta-depoimento de Juscelino Kubitschek, a um minidocumentário dedicado ao álbum “Brasília 1960: O Mais Arrojado Plano Arquitetônico do Mundo” e a uma versão colorizada das fotografias históricas, realizada por meio de processos de inteligência artificial. Esses recursos ampliam as possibilidades de leitura e interpretação do material apresentado.

A proposta curatorial busca evidenciar relações entre diferentes gerações de artistas, linguagens e formas de expressão, estimulando leituras cruzadas entre obras, documentos e objetos. Ao reunir registros históricos e produções artísticas, a exposição convida o público a refletir sobre a construção da identidade cultural brasileira e sobre o papel da arte na formação simbólica da capital federal.

Pioneiros

“Diálogos da Liberdade na Coleção Brasília” também destaca a atuação do casal Izolete e Domício Pereira, pioneiro da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), responsável pela formação de um acervo dedicado à preservação da memória artística de Brasília.

A exposição reafirma o compromisso da coleção com a preservação histórica e com a promoção do debate cultural, apresentando a arte como instrumento de reflexão e diálogo entre passado, presente e futuras gerações.

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BRASÍLIA, A CIDADE AURIVERDE

COM CORES E FLORES DURANTE O ANO INTEIRO

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FOLHA DO MEIO AMBIENTE – JANEIRO DE 2026

 

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