Artigos

Hoje é Dia: 20 anos de tsunami e Guerra do Paraguai são os destaques

Confira as principais datas da semana entre 22 e 28 de dezembro.

 

O mês está acabando, mas ainda reserva diversos fatos históricos para relembrarmos. Neste 26 de dezembro faz 20 anos que um tsunami de grandes proporções no oceano Índico causou 230 mil mortes. A Tailândia foi o país mais atingido. Passados dez anos do desastre, em 2014, os veículos da EBC noticiaram as homenagens feitas aos mortos na tragédia, nesta reportagem da Agência Brasil, também nesta outra e ainda no Repórter Brasil. O assunto foi revisitado em 2019, quando a TV Brasil informou que os tailandeses ainda tentavam identificar vítimas do maremoto. 

A Guerra do Paraguai, o maior conflito ocorrido na América do Sul, teve início há 160 anos, no dia 27 de dezembro de 1864. O país vizinho, sem conexão com o mar, queria controlar os rios da Bacia do Prata para ganhar uma saída para o Oceano Atlântico. Suas tropas passaram pela Argentina, invadiram o Brasil e sequestraram o barco a vapor brasileiro Marquês de Olinda. Estava declarada a guerra. Brasil, Argentina e Uruguai formaram uma aliança, que lutou contra o Paraguai por cinco anos, deixando mais de 370 mil mortos. Este episódio do Caminhos da Reportagem de 2014, da TV Brasil, abordou a guerra, quando o conflito completou 150 anos.

Neste mês comemoramos o aniversário da cidade que foi fundada em 25 de dezembro de 1599 e que, justamente por isso, recebeu o nome de Natal. A capital do estado do Rio Grande do Norte completa 425 anos agora. Esta edição do Brasil em Rede, da TV Brasil, exibido em 2022, traz curiosidades sobre a cidade tão querida pelos potiguares e demais pessoas que a visitam.

Quem nasceu nesta semana

O mês de dezembro nos deu a cantora baiana Simone Bittencourt de Oliveira, a Simone, que nasceu no dia 25 e agora completa 75 anos. Sabia que, antes de ser uma das maiores cantoras da música popular brasileira, Simone foi jogadora profissional e representou o país na Seleção Brasileira de Basquetebol Feminino? E que, quando ela cursou a faculdade de Educação Física, em Santos, dividiu os tempos de universidade com ninguém menos que o rei do futebol, Pelé? Os 50 anos de carreira da artista e essa história tão rica foram homenageados nesta edição deste ano do Sem Censura, da TV Brasil.

Também no dia 25 de dezembro nasceu o ex-jogador de futebol Jair Ventura Filho, o Jairzinho, hoje com 80 anos. Estrela da Copa do Mundo de 1970, no México, Jairzinho marcou gols em todas as partidas da mundial, fazendo história junto com Pelé e conquistando a Taça Jules Rimet. Também foi o orgulho da torcida do Botafogo, time onde vestiu a camisa 10. Ele era conhecido pela agilidade para superar os seus marcadores, entre outras características destacadas nos dois capítulos do especial Jairzinho, o Rei do Rio, exibido pela TV Brasil em 2020.

O xadrez é um esporte que não tem tanta tradição no Brasil. Mas o país tem seus destaques na modalidade. O enxadrista maranhense Rafael Leitão nasceu em 28 de dezembro. Além de heptacampeão brasileiro, aos 18 anos ele recebeu o título de Grande Mestre Internacional de Xadrez. Os destaques de sua carreira foram mostrados no extinto Repórter Maranhão, da TV Brasil. Como a conquista do heptacampeonato, nesta reportagem de 2015, e sua participação na Olimpíada Mundial de Xadrez, nesta outra, de 2018. Sua história, desde que começou a jogar aos seis anos de idade, foi contada nesta edição, de 2016.

O maestro paulista Isaac Karabtchevsky, diretor artístico e regente principal da Orquestra Petrobras Sinfônica, faz aniversário no dia 27 deste mês. Descendente de uma família judaica de imigrantes russos, Karabtchevsky é um dos mais renomados maestros brasileiros, reconhecido tanto aqui como internacionalmente por sua vasta contribuição ao mundo da música clássica. Ele ficou afastado dos palcos durante a pandemia de covid 19, e seu retorno em 2021 foi celebrado no programa Antena Mec, da Rádio Nacional, que entrevistou o músico, e nesta edição do Repórter Brasil, da TV Brasil. Já em 2024, Karabtchevsky participou desta edição do Sem Censura, também da TV Brasil.

Vamos passar agora para as personalidades internacionais. O músico de jazz Chet Baker nasceu no dia 23 de dezembro de 1929, em Oklahoma, nos Estados Unidos. Ele teve forte influência musical na infância por seu pai, guitarrista, e por sua mãe, pianista. Escolheu o trompete como instrumento, e seu estilo marcou a memória de milhões de fãs no mundo todo. O programa Jazz Livre, da Rádio Nacional, prestou um tributo ao gênio nesta edição, de 2020.

Pulando do jazz para o rock, no dia 23 também nasceu o músico estadunidense Eddie Vedder, conhecido por ser o vocalista e um dos guitarristas da banda Pearl Jam. O grupo popularizou o estilo grunge na década de 90 e entrou no Hall da Fama dos Estados Unidos, como mostra esta edição de 2022 do História Hoje, da Rádio Nacional.

Falecimentos 

Já ouviu falar do Teatro do Absurdo? Esse movimento começou na França, na década de 50, e seu principal representante foi o dramaturgo e escritor irlandês Samuel Beckett, falecido em 22 de dezembro de 1989. O gênero é marcado por enredos absurdos e fora da realidade, com personagens de comportamentos estranhos e bizarros. Os 63 anos de estreia da peça “Esperando Godot”, considerada um dos clássicos de Beckett, foram lembrados nesta edição de 2017 do programa História Hoje, da Rádio Nacional.

A italiana Teresa Cristina Maria de Bourbon foi esposa do imperador Don Pedro II e, portanto, imperatriz consorte do Brasil. Ela faleceu no dia 28 de dezembro de 1889. Tereza Cristina foi apelidada de “Mãe dos Brasileiros”, uma alcunha dada pela própria população por sua preocupação com o bem estar do povo, apoiando obras de caridade, hospitais e outras iniciativas sociais. O bicentenário da imperatriz foi lembrado nesta edição de 2022 do programa Antena Mec, da Rádio Nacional. Já sua paixão pela arqueologia e sua contribuição ao acervo do Museu Nacional no Rio de Janeiro foi tema desta reportagem da Agência Brasil, de 2016.

Confira a relação de datas do Hoje é Dia de 22 a 28 de dezembro de 2024:

Dezembro de 2024
22

Morte do dramaturgo e escritor irlandês Samuel Beckett (35 anos)

23

Nascimento do músico de jazz estadunidense Chet Baker (95 anos)

Nascimento do músico estadunidense Eddie Vedder (60 anos) – conhecido por ser o vocalista e um dos guitarristas da banda de rock Pearl Jam

Morte do economista britânico Thomas Robert Malthus (190 anos) – considerado o pai da demografia por sua teoria para o controle do aumento populacional, conhecida como malthusianismo

24

Morte do militar fluminense e ex-presidente da República, João Baptista de Oliveira Figueiredo (25 anos)

25

Nascimento do advogado, professor, político e ensaísta mineiro Afonso Pena Júnior (145 anos)

Nascimento da cantora e ex-jogadora de basquete baiana Simone Bittencourt de Oliveira, a Simone (75 anos)

Nascimento do ex-futebolista fluminense Jair Ventura Filho, o Jairzinho (80 anos)

Natal

Aniversário da cidade de Natal (Rio Grande do Norte) (425 anos) – data da demarcação do sítio, realizada por Jerônimo de Albuquerque

26

Nascimento do novelista, ensaísta e músico cubano Alejo Carpentier (120 anos)

Ocorrência de sismo e tsunami do Oceano Índico, conhecido pela comunidade científica como terremoto de Sumatra-Andaman (20 anos) – maremoto foi causado por uma subducção que desencadeou uma série de tsunamis devastadores ao longo das costas da maioria dos continentes banhados pelo Oceano Índico, o que causou a morte de mais de 230 mil pessoas em 14 países diferentes e inundou comunidades costeiras com ondas de até 30 metros de altura; foi um dos mais mortais desastres naturais da história, em número de vítimas, a Indonésia foi o país mais atingido, seguida por Sri Lanka, Índia e Tailândia

27

Nascimento do maestro paulista Isaac Karabtchevsky (90 anos) – diretor artístico e regente principal da Orquestra Petrobras Sinfônica

Início da Guerra do Paraguai (160 anos) – maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul

Fundação do jornal “Tribuna da Imprensa”, por Carlos Lacerda (75 anos)

Criação do Departamento de Imprensa e Propaganda – DIP (85 anos) – órgão responsável pela censura durante parte do governo Vargas, gestor da Agência Nacional e da radiodifusão governamental até 1945

União Soviética invade o Afeganistão (45 anos)

Inauguração do Viaduto do Gasômetro (75 anos)

28

Morte do cineasta estadunidense Sam Peckinpah (40 anos) – conhecido por seu cinema brutal e por ter redefinido o imaginário do western, chamando a atenção para a violência do gênero

Morte da italiana imperatriz do Brasil Teresa Cristina (135 anos) – apelidada de “Mãe dos Brasileiros”, foi esposa do imperador D. Pedro II e imperatriz consorte do Império do Brasil

Nascimento do enxadrista maranhense Rafael Leitão (45 anos) – heptacampeão brasileiro, 5º brasileiro a receber o título de Grande Mestre Internacional de Xadrez. Em 1998, aos 18 anos, tornou-se o mais jovem brasileiro a conquistar o título de Grande Mestre (GM)

Morte da professora, filóloga e escritora maranhense Elza Fernandes Paxeco Machado (35 anos) – foi a primeira mulher doutorada pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Estados Unidos e a OTAN comunicam encerramento de suas operações militares no Afeganistão (10 anos) – porém, o governo norte-americano anuncia em 2015 a manutenção dos soldados no território afegão em missão antiterrorismo

 

Artigos

BRASÍLIA NA ROTA 66

E A FALTA
DE UM PARABÉNS PRÁ VOCÊ

Publicado

em

Por

 

Silvestre Gorgulho – Jornalista. Foi Secretário de Estado de Comunicação e Secretário de Estado da Cultura de Brasília.

 

Há 70 anos, em 18 de abril de 1956, Brasília começou a vencer a burocracia para sair do papel e entrar na fase do concreto, com a Mensagem de Anápolis.

Em 21 de abril de 1960, a capital era inaugurada com pompa e circunstância pelo presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Lá se vão 66 anos. Nos 65 aniversários anteriores, os brasilienses assistiram a comemorações variadas: algumas simples, mas eufóricas. Outras apoteóticas. Todas sempre regadas a danças e festanças. Mas, nunca, o aniversário de Brasília foi comemorado com tanta displicência, apatia e baixo astral, como agora. A festa dos 66 anos de Brasília ficou restringida à bela edição do irmão gêmeo de Brasília, o Correio Braziliense, inclusive com a tradicional e empolgante Maratona.

Parece que Brasília está em depressão.

Lembro-me que, em 21 de abril de 2010, no Cinquentenário da Cidade, depois da capital ter passado pela crise de ter quatro governadores, a Câmara Legislativa elegeu, indiretamente, dois dias antes, um novo ocupante do Buriti. Mesmo com tantas cicatrizes, a cidade lavou a alma com uma ‘Festa dos 50 Anos’, que levou mais de um milhão de pessoas à Esplanada dos Ministérios.

Não havia nem um político no palco. A festa foi totalmente paga pela iniciativa privada com apoio logístico da Secretaria de Cultura. Deram às mãos o Sinduscon, Associação Comercial, Ademi, Asbraco e Fecomércio. Brasília cantou e dançou com Daniela Mercury – que foi âncora de um show histórico na Esplanada, onde se apresentaram com ela nada menos de 39 artistas da cidade.

À meia noite. Uma grande surpresa estava guardada a sete chaves. Apenas cinco pessoas sabiam.  Além da Daniela Mercury, eu como Secretário de Cultura e mais duas pessoas de minha equipe. E, também, o próprio gênio da MPB que iria se apresentar, cantando apenas uma canção.

Apagaram-se as luzes. Estava anunciado o início da queima de fogos. Antes, um canhão de luz focou diretamente o palco e uma voz límpida e forte, a capela, ecoou pela escuridão. Aos poucos, sob o holofote, surge Milton Nascimento.

– ” Como pode o peixe-vivo / viver fora da água fria? Como poderei viver sem a tua, sem a tua companhia…”

Foi uma apoteose!

A voz de Milton Nascimento reverberou pelos quatro cantos do Brasil. Sim, a TV Globo transmitiu tudo ao vivo. Um misto de euforia e de emoção tomou conta da multidão.

Na segunda estrofe, entra Daniela Mercury que faz dueto com Milton. Aos poucos, começam a entrar cada um dos 39 artistas brasilienses que tinham se apresentado.

E a Esplanada, num coral de um milhão de vozes, sacudiu o Cerrado:

– “Como pode o peixe-vivo /viver fora da água fria? Como poderei viver sem a tua, sem a tua companhia…”

Vi muita gente chorando. A energia de tantos candangos celebrando os 50 anos de Brasília contagiou a cidade e ajudou a levantar o astral de um tempo triste e sombrio que a cidade vivia.

Agora, nos 66 anos da Capital, faltou ao atual governo sensibilidade e criatividade para tirar Brasília de uma depressão que a cidade está mergulhada.

BRASÍLIA ANO 1 – Para não dizer que falei apenas dos 50 anos da cidade, vou lembrar a comemoração de quando Brasília fez um ano, em 21 de abril de 1961. O presidente da República era Jânio Quadros. Ele estava de costas para a cidade. Falava até em voltar a Capital para o Rio de Janeiro. O prefeito, Paulo de Tarso, assoberbado com finalizações de infraestrutura e questões administrativas, nem pensou no assunto.

Na semana anterior, o então Secretário da Cultura (na época presidente da Fundação Cultural) o poeta maior José Ribamar Ferreira ou, simplesmente, Ferreira Gullar, organizou as comemorações do primeiro aniversário. Evidente, com todas as dificuldades de uma cidade ainda na placenta da História. O que ficou da festa – além de um singelo coquetel no gabinete do prefeito Paulo de Tarso, foi a poesia que nasceu da pena de Ferreira Gullar.

A verdade é que, com seus pouco mais de 100 mil habitantes (hoje são mais 3 milhões), Brasília teve mais poesia do que festança.

Sem nenhum tipo de condução e sem nenhum apoio logístico para celebrar o Ano 1 da nova Capital, Ferreira Gullar buscou solução no Exército Nacional. Marcou audiência.

Um major o recebeu educadamente. Depois de muita conversa, o oficial se saiu com essa:

– Dr. Gullar, tudo bem, mas o problema é viatura e gasolina.

– Eu sei, mas qual a solução?

– Dr. Gullar, não tem solução!

Sem solução, sem apoio, com bastante poeira e muita inspiração, Ferreira Gullar aproveitou o vinho comemorativo no final de tarde do dia 21, na sala do prefeito Paulo de Tarso, sacou do bolso um poema em forma de embolada e discursou aos convivas:

Não adianta, seu prefeito, abrir estrada.

Não adianta Carnaval na Esplanada.

Não adianta Catedral de perna fina

Não adianta rebolado de menina

Que o problema é viatura e gasolina.

Todo mundo riu muito, mas ninguém perdeu o ritmo:

– O problema é viatura e gasolina.

Bons tempos aqueles, quando o astral era altíssimo e o problema era só viatura e gasolina.

 

Continue Lendo

Artigos

Inhotim celebra 20 anos com inauguração de três novas obras

Instituto articula natureza, arte e educação em Brumadinho

Publicado

em

Por

 

Ana Cristina Campos – repórter da Agência Brasil

 

O Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais, abriu neste sábado (25) as comemorações dos seus 20 anos com a inauguração de três obras: Contraplano, de Lais Myrrha, Dupla Cura, de Dalton Paula, e Tororama, de Davi de Jesus Nascimento. Considerado o maior museu a céu aberto da América Latina, o Inhotim reúne trabalhos de artistas nacionais e internacionais e uma rica flora. 

Para a diretora artística, Júlia Rebouças, as três obras se conectam em algo que é também a vocação do instituto: articular arte, natureza e educação.

“Cada um ao seu modo, vão repercutir o que é esse território, qual a relação do visitante com esse espaço, questões contemporâneas importantes. Elas vão revisitar momentos que muitas vezes estão ocultos na nossa história mais recente”,  disse.

Júlia destaca que os novos trabalhos conversam com o acervo reunido ao longo da história do instituto.

“São trabalhos que se articulam com esse enorme texto que está sendo posto aqui há 20 anos. Cada obra é uma ideia nova que a gente adiciona a esse texto que vai escrever a narrativa do Inhotim”, completa a diretora artística.

Brumadinho, (MG), 24/04/2026 – A diretora artística do Inhotim, Júlia Rebouças durante abertura de exposições em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A diretora artística do Inhotim, Júlia Rebouças, durante abertura de exposições em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Contraplano

Sobre um dos pontos mais altos de Inhotim, a escultura monumental Contraplano faz referência ao prédio projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer na Praça da Liberdade, na capital mineira. Feita de lâminas de concreto armado e colunas de aço inoxidável, materiais usados na arquitetura moderna, a obra se descortina sobre áreas do jardim do museu e da mata no entorno e sobre fragmentos de cavas de mineração nas regiões próximas.

 

Brumadinho, (MG), 24/04/2026 – A instalação Contraplano, de Lais Myrrha em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A instalação Contraplano, de Lais Myrrha, em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O título da obra remete a um espelhamento dessa paisagem modificada pela mineração. A artista mineira Lais Myrrha conta que gostaria de propor uma reflexão em torno da relação da arquitetura com a paisagem, o tempo, a natureza, a montanha e a mineração.

“Até que ponto as tecnologias modernas também influenciaram nessas formas de construção? A topografia, as cavas de mineração, como isso aparece nesse desenho da obra? Vai depender muito do repertório de cada visitante”, afirmou a artista à Agência Brasil.

 

Brumadinho, (MG), 24/04/2026 – A artista Lais Myrrha durante abertura de sua instalação, Contraplano, em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A artista Lais Myrrha durante abertura de sua instalação, Contraplano, em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A psicóloga belo-horizontina Paola Prates, de 29 anos, estava em sua quarta visita ao Inhotim e entrou em contato pela primeira vez com o trabalho de Lais.

“Achei uma obra muito interessante, porque está posicionada próximo à mineração e eu acho que ela dialoga muito com isso. É uma obra que causa conforto porque, quando se está aqui dentro, você sente o frescor e o acolhimento, mas, ao mesmo tempo, você também olha para a mineração e lembra o que ela é capaz de fazer”, ponderou a visitante.

Dupla Cura

Abrigada na Galeria Mata, uma das primeiras edificações do Inhotim, a exposição de longa duração Dupla Cura, de Dalton de Paula, inclui cerca de 120 obras do artista brasiliense que mora e trabalha em Goiânia.

A mostra reúne o mais amplo conjunto de suas obras já exibido no Brasil, com pinturas, fotografias, vídeos e instalações que remetem à ancestralidade, à memória e à valorização da cultura afro-brasileira. 

 

Brumadinho, (MG), 24/04/2026 – A instalação, Dupla Cura de Dalton Paula, em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
 A instalação Dupla Cura, de Dalton Paula, em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A curadora Beatriz Lemos explica que o título da exposição é uma referência “ao pacto espiritual que a permeia”. Segundo ela, o aspecto dual, ligado à devoção a São Cosme e São Damião, “manifesta-se no entendimento de que o fortalecimento individual é indissociável do bem-estar comunitário”.

Dalton de Paula conta que umas das questões que mais lhe atrai é a reflexão sobre a memória.

“Aqui a gente vai se deparar com obras de 1999, com questões iniciais, e obras feitas no decorrer do tempo que têm um aprofundamento. Eu vejo como uma espécie de oráculo que fiz desse passado e aponta possibilidades de presente e de futuro. Quando a gente mostra ao público, principalmente, as futuras gerações, é algo muito importante”, disse à Agência Brasil.

 

Brumadinho, (MG), 24/04/2026 – O artista Dalton Paula durante abertura de sua instalação, Dupla Cura, em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O artista Dalton Paula durante abertura de sua instalação, Dupla Cura, em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto:Tomaz Silva/Agência Brasil

Morador da capital mineira, o engenheiro de som Marcos Soares, de 40 anos, já esteve seis vezes no Inhotim e foi conhecer o trabalho de Dalton.

“Curti muito os desenhos, as pinturas, a expressão gráfica dele é bem rica. O processo de construção da arte dele é bem interessante de acompanhar. Abre uma nova forma de vida que eu nunca teria a chance de vivenciar se não fosse vendo uma exposição como essa do Dalton”.

Tororama

A poucos passos do Contraplano, está a Galeria Nascente, que abriga a instalação Tororama, de Davi de Jesus Nascimento, que nasceu e mora em Pirapora, no norte mineiro.

O espaço reúne três pinturas e um vídeo gravado nas Cavernas do Peruaçu, também em Minas Gerais. A instalação conta ainda com carrancas feitas pelo Mestre Expedito, importante figura da arte popular, que não produzia peças novas há dez anos.

 

Brumadinho, (MG), 24/04/2026 – A instalação Tororoma do artista davi de jesus do nascimento durante abertura comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG).Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A instalação Tororoma, do artista Davi de Jesus do Nascimento, durante abertura comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG).Foto:Tomaz Silva/Agência Brasil

Segundo o curador Deri Andrade, o nome da instalação aparece como uma expressão no conto A Terceira Margem do Rio, de João Guimarães Rosa, “que aborda a relação do protagonista com um curso d’água”.

“O trabalho de Davi está totalmente relacionado ao Rio São Francisco, a partir de uma pesquisa voltada para sua família que mergulha nesse rio. É um projeto completamente imersivo, que traz vídeo performance e uma paisagem sonora”, destacou o curador.

Davi conta que vem de uma família de lavadeiras, pescadores, marceneiros e mestres carranqueiros.

“A permissão do que eu faço vem por meio desse curso d’água que é o Rio São Francisco e da energia da minha mãe que morreu afogada em 2013”, disse o artista. “Esse ambiente que criei é de onde eu venho, da comunidade à beira do rio, do meu pai pescador”.

 

Brumadinho, (MG), 24/04/2026 – O artista davi de jesus do nascimento durante abertura de sua instalação, Tororoma, em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG).Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O artista Davi de Jesus do Nascimento durante abertura de sua instalação, Tororoma, em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG).Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Irmã de Davi, Ana Paula Vieira do Nascimento, de 36 anos, visitou a obra que lhe remeteu a tudo o que a família vivenciou desde a infância.

“Nossa infância foi sempre dentro do rio. Somos barranqueiros e me remeteu muito à memória da nossa mãe que está presente nessa exposição”.

Instituto Inhotim

O museu do Inhotim fica no município de Brumadinho, a 60 quilômetros de Belo Horizonte. É uma organização sem fins lucrativos, mantida com recursos de doações de pessoas físicas e jurídicas – diretas ou por meio das leis federal e estadual de Incentivo à Cultura – , pela bilheteria e realização de eventos.

Foi idealizado desde a década de 1980 pelo empresário mineiro Bernardo de Mello Paz. No solo ferroso de uma fazenda da região, surgiu em 2006.

Sua localização, entre os biomas da Mata Atlântica e do Cerrado, e as paisagens exuberantes ao longo dos 140 hectares de visitação proporcionam uma experiência única que mistura arte e natureza.

Cerca de 1.862 obras de mais de 280 artistas, de 43 países, compõem o acervo e são exibidas ao ar livre e em galerias em meio a um Jardim Botânico com mais de 4,3 mil espécies botânicas raras, vindas de todos os continentes.

*A reportagem viajou a convite do Instituto Inhotim.

Continue Lendo

Artigos

Museu do Catetinho estreia experiência em realidade virtual com inspiração em Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Temporada do filme ‘Água de Beber’ começa neste sábado (25) e segue até setembro, com acesso gratuito aos visitantes

Publicado

em

Por

 

Por

Agência Brasília* | Edição: Chico Neto

O Museu do Catetinho, espaço gerido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), inaugura neste sábado (25) a exibição do curta-metragem Água de Beber em realidade virtual. A experiência estará disponível ao público até setembro, com seis óculos instalados em pontos fixos do museu para uso dos visitantes.

Com oito minutos de duração, o filme recria a inspiração da canção homônima de Tom Jobim e Vinicius de Moraes a partir da fonte localizada no próprio Catetinho. Dirigido por Filipe Gontijo e Henrique Siqueira, o curta propõe uma imersão sensorial que conecta memória, música e patrimônio histórico em um dos espaços simbólicos da capital federal.

A iniciativa conta com o Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), instrumento público de fomento que viabiliza projetos culturais em diferentes linguagens e territórios. No caso da produção audiovisual, o recurso permite ampliar o acesso da população a novas formas de fruição cultural, incorporando tecnologias como a realidade virtual ao circuito de visitação.

 

Para o secretário interino de Cultura e Economia Criativa do DF, Fernando Modesto, a ação evidencia o papel das políticas públicas no fortalecimento da cultura e na valorização dos espaços históricos. “Ao ocupar o Museu do Catetinho com uma experiência que dialoga com a história da música brasileira e com a identidade do espaço, ampliamos as possibilidades de fruição cultural e reforçamos o compromisso do poder público com a democratização da cultura”, afirma.

*Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa

Continue Lendo

Reportagens

SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A, Sala 719
Edifício Centro Empresarial Brasília
Brasília/DF
rodrigogorgulho@hotmail.com
(61) 98442-1010