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JEAN DE LÉRY – Parte 11

COMO RESOLVER OS DESENTENDIMENTOS ENTRE OS ÍNDIOS

 

Jean de Léry explica que é vida por vida, olho por olho e dente por dente

 

Estamos na Parte 11 dessa viagem espetacular sobre o início da História do Brasil, num relato impressionante de Jean de Léry (1536-1613). Léry é aquele que entrou de gaiato no navio, ao acreditar na balela do poderoso Nicolas Durand de Villegaignon, embarcando em um dos navios franceses que vieram colonizar a porção Antártica da França. O relato que o artesão e futuro pastor calvinista deixou aos brasileiros é precioso. Agora, Jean de Léry conta como os índios resolvem suas desavenças na vida cotidiana da tribo.

 

RESUMO GERAL

Silvestre Gorgulho

Nessa altura do relato, acho que o leitor gostaria de ter um resumo das dez partes anteriores, se bem que pode buscar no site Folha esta história de Jean de Léry e de vários outros Naturalistas Viajantes.  O relato que o artesão e futuro pastor calvinista deixou aos brasileiros é precioso e deveria ser leitura obrigatória em nossas escolas.

PARTE 1 – ABERTURA – Lévi-Strauss explica: “A leitura de Jean Léry me ajuda a escapar de meu século, a retomar contato com o que eu chamaria de ‘sobre-realidade’, não aquele de que falam os surrealistas, mas uma realidade ainda mais real do que aquela que testemunhei. Léry viu coisas que não têm preço, porque era a primeira vez que eram vistas e porque foi a quatrocentos anos”.

PARTE 2 – Jean Léry aporta pela primeira vez ao norte de Espírito Santo no final de fevereiro de 1557 e tem a oportunidade de observar de perto os índios, durante um escambo.

PARTE 3 – Léry observa e anota o que permanecerá por séculos como documento raro do reencontro de seres humanos, separados há 40 mil anos, desde que deixaram a África para dominar o Planeta.

PARTE 4 – O incômodo que as mulheres nativas demonstram em cobrir o corpo talvez seja a gênese da tendência moderna dos exíguos acessórios indumentários femininos praticados no Rio de Janeiro da época do Descobrimento.

PARTE 5 – Jean de Léry explica como os índios fazem o avati, a bebida do milho. São as mulheres que preparam, mastigando as raízes ou o milho.

PARTE 6 – Jean de Léry conta que “as abelhas da América não se parecem com as europeias. Antes se assemelham às pequenas moscas pretas que temos no tempo das uvas.

PARTE 7 – VOLÚPIA DOS EUROPEUS PELO PAU-BRASIL – Os Tupinambás admiram porque os estrangeiros se dão ao trabalho de vir buscar o seu ‘arabutã’ (pau-brasil).

PARTE 8 – AS GUERRAS TRIBAIS E COMO TRATAM OS PRISIONEIROS – “Quem cai no poder do inimigo não pode esperar remissão”.

PARTE 9 – A festa canibalesca entre os Tupinambás. Move-os a vingança. Para satisfazer o seu sentimento de ódio, devoram tudo do prisioneiro.

PARTE 10 – SOBRE O CASAMENTO E A POLIGAMIA ENTRE OS INDÍGENAS. Como os índios promovem seus casamentos e as regras para conseguir uma esposa e como acontece a cerimônia matrimonial.

PARTE 11 – Jean de Léry explica como resolver os desentendimentos entre os índios: é vida por vida, olho por olho e dente por dente

 

OS DESENTENDIMENTOS ENTRE OS INDIOS:

OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE

 

Miguel Flori Gorgulho

 

Os desentendimentos particulares são resolvidos de forma curta e grossa: “Se acontece brigarem dois indivíduos (o que é tão raro que durante a minha permanência de quase um ano entre eles só me foi dado presenciar duas vezes) não procuram os outros separá-los ou apaziguá-los. Deixam-nos até furarem os olhos mutuamente sem dar palavra. Entretanto, se um deles é ferido, prendem o ofensor, que recebe dos parentes próximos do ofendido ofensa igual e no mesmo lugar do corpo. E ocorrendo morrer a vítima, os parentes do defunto tiram a vida ao assassino. Em resumo, é vida por vida, olho por olho, dente por dente, etc…”

 

POSSE DE TERRAS – No que diz respeito à propriedade das terras e campos, cada chefe de família escolhe em verdade algumas jeiras onde lhe apraz, a fim de fazer suas roças e plantar mandioca e outras raízes, mas quanto a heranças e pleitos divisórios, deixam aos herdeiros avarentos e demandistas cá da Europa tais cuidados”.

 

A INVENÇÃO DA REDE PARA DESCANSO

A invenção da rede é coisa de indígena brasileiro e Léry recupera a técnica tupiniquim de sua fabricação: “Para a fabricação das redes, que os selvagens chamam ‘inis’, usam as mulheres teares de madeira, que não são horizontais nem tão complicados quanto os dos nossos tecelões, mas perpendiculares e da altura delas. Depois de as unirem a seu modo tecem as redes a começar pela parte inferior do tear.

Certas redes são feitas à maneira de rendas ou de redes de pescar, outras têm as malhas serradas como o brim Gross. Têm elas em geral quatro, cinco ou seis pés de comprimento por uma braça mais ou menos de largura. Trazem nas pontas argolas por onde passam as cordas com que os selvagens as amarram a dois postes fronteiros, expressamente fincados no chão para esse fim. E carregam os selvagens consigo essas redes tanto nas guerras como nas caçadas ou pescarias à beira-mar ou nos rios, suspendendo-as aos troncos das árvores para dormirem.

Quando sujas pela fumaça dos fogos que acendem dentro de suas casas, ou por qualquer outro motivo, colhem as mulheres americanas certo fruto silvestre semelhante a uma abóbora, porém muito mais volumoso. Cortam-no em pedaços, esmagam-no dentro d’água em qualquer vasilha de barro e batem-no com pauzinhos. Assim se forma grande quantidade de espuma que lhe serve de sabão e que deixa as redes alvas como neve. Que tais redes são cômodas o dirão todos os que as experimentaram, principalmente ao verão”.

 

PRÓXIMA EDIÇÃO 371 – fevereiro de 2025 – Parte 12

PRIMEIRA VISITA AOS TUBINAMBÁS – Jean de Léry “Os nossos tupinambás recebem com muita cordialidade os estrangeiros que os vão os visitar. Como estes, porém nãos entendem a língua, ficam a princípio meio esquerdos entre eles. Visitei esses selvagens pela primeira vez três semanas depois de nossa chegada à ilha de Villegaignon e fui em companhia de um intérprete a três ou quatro aldeias do continente. Essa aldeia distava apenas duas léguas de nossa fortaleza e quando ali entrei vi-me logo rodeado por inúmeros selvagens que me perguntavam: ‘Marapê-dererê, marapê-dererê’ (Como te chamas?)

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Setur-DF abre seleção para artesãos participarem do 21º Salão do Artesanato do Distrito Federal em 2026

A Secretaria de Estado de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF), por meio da Coordenação Estadual do Programa do Artesanato Brasileiro no DF, tornou público o Edital de Chamamento Público nº 001/2026 para a seleção de artesãos interessados em participar do 21º Salão do Artesanato do Distrito Federal, Raízes Brasileiras, com apoio do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB).

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Texto: Fernanda Resende

 

 

O evento será realizado de 1º a 5 de abril de 2026, no Pavilhão de Exposição do Parque da Cidade, em Brasília, um dos principais espaços para feiras e grandes eventos da capital. Ao todo, serão disponibilizadas 10 vagas, com um estande coletivo de 50 m², destinado à exposição e comercialização de peças artesanais produzidas no Distrito Federal.

De acordo com o edital, o transporte das peças de artesanato será de responsabilidade dos expositores selecionados.

Inscrições

Os interessados poderão se inscrever entre 12 de janeiro e 12 de fevereiro de 2026, por uma das seguintes modalidades:

  • Presencialmente: mediante entrega de toda a documentação exigida no item 7.2 do edital, em envelope lacrado, no Espaço Cultural de Turismo e Artesanato, localizado na W3 Sul, Quadra 507, Bloco C, térreo, entrada pela W2, ao lado do Banco do Brasil, em Brasília. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, dentro do horário estabelecido pela unidade;
  • Por e-mail: com o envio de todos os documentos exigidos no item 7.2 para o endereço artesanato.foto@setur.df.gov.br, das 18h do dia 12 de janeiro até 0h59 do dia 12 de fevereiro de 2026. No campo “Assunto”, deve constar: “21º Salão do Artesanato, Raízes Brasileiras, Inscrição Edital nº 001/2026”. No corpo do e-mail, o interessado deve informar o nome completo e a categoria de participação (artesão individual, mestre artesão, entidade representativa, associação e/ou cooperativa, ou grupo de produção artesanal);
  • Por formulário eletrônico: disponível no site da Setur-DF, com envio dos documentos exigidos no item 7.2 do edital, no mesmo período estabelecido para a inscrição por e-mail.

Valorização do artesanato local

O Salão do Artesanato do Distrito Federal é considerado uma das principais vitrines para a produção artesanal da capital, reunindo peças que expressam a diversidade cultural, a identidade e a criatividade dos artesãos locais. A iniciativa fortalece a economia criativa, amplia oportunidades de comercialização e promove o reconhecimento do artesanato como patrimônio cultural e turístico do DF.

O edital completo, com todas as regras, critérios de seleção e a lista detalhada de documentos exigidos, está disponível no site oficial da Secretaria de Turismo do Distrito Federal, no link:
https://www.turismo.df.gov.br/chamamento/-/asset_publisher/HSsPMPQ0A9P5/content/edital-de-chamamento-publico-n-001-2026-processo-seletivo-de-interessados-em-participar-do-21-salao-do-artesanato-raizes-brasileiras-com-o-apoio-do-programa-do-artesanato-brasileiro

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Sesc estreia orquestra jovem no ano que em celebra seus 80 anos

Grupo conta com 51 músicos de 11 estados

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Alana Gandra – repórter da Agência Brasil

 

Em comemoração aos seus 80 anos, o Serviço Social do Comércio (Sesc) lança em 2026 o projeto Orquestra Sesc Jovem Brasil, que reúne músicos de todas as regiões do país e fará sua estreia no próximo dia 28, em Pelotas, no Rio Grande do Sul.

A orquestra conta com 51 músicos de 11 estados, com idades que variam entre 18 e 29 anos. Segundo a analista de cultura do Departamento Nacional do Sesc, Sylvia Guida, os jovens foram indicados por maestros das orquestras que o Sesc mantém pelo Brasil, em um trabalho que une educação musical, formação com especialistas e inclusão social.

Em entrevista à Agência Brasil, Sylvia disse que a ideia de fazer uma orquestra nacional jovem surgiu ao longo dos anos dentro da rede Sesc, nos departamentos regionais, como uma forma de dar um passo adicional na integração desses projetos musicais.

Estreia

A Orquestra Sesc Jovem Brasil fará sua primeira apresentação no próximo dia 28, no Theatro Guarany, sob a regência de Geovane Marquetti. A programação faz parte do 14º Festival Internacional Sesc de Música, que se estenderá de 19 a 30 de janeiro em Pelotas.

No repertório, músicas brasileiras e internacionais: Mambo nº5, Pérez PradoLord of The RingsO Auto da Compadecida MedleyCheio de Malícia, de Radamés Gnattali, e La belle de jour | Girassol | Tropicana, de Alceu Valença.

No dia 30 de janeiro, membros da Orquestra Sesc Jovem Brasil também farão recital de música de Câmara dentro do mesmo festival.

Os ensaios para essa primeira apresentação já tiveram início nesta semana, em Pelotas. Em seguida, os jovens passarão a ter ensaios regulares pela internet, com um grupo específico de professores, até setembro, quando voltarão a ter ensaios presenciais, no Polo Educacional do Sesc, no Rio de Janeiro, onde se apresentarão para o público.

 

Rio de janeiro (RJ), 19/01/2026 - Nova Orquestra Sesc Jovem Brasil. Foto: Paulo Rossi/Orquestra Sesc Jovem Brasil
Nova Orquestra Sesc Jovem Brasil. Foto: Paulo Rossi/Orquestra Sesc Jovem Brasil

14º Festival Internacional Sesc de Música

O Festival de Pelotas reúne 400 alunos e 59 professores de 12 nacionalidades, em uma programação com mais de 115 apresentações gratuitas, distribuídas em teatros, praças, hospitais, igrejas, rodoviária e espaços simbólicos da cidade gaúcha, como o Mercado Público e a Praia do Laranjal.

Essa é a primeira vez que o Festival Internacional Sesc de Música recebe estudantes de fora do continente americano em seu eixo educacional.

Chama atenção o fato de seis jovens do Reino Unido participarem da classe de choro, gênero genuinamente brasileiro e símbolo da identidade musical nacional, ampliando o alcance internacional do festival e promovendo um encontro direto entre culturas.

A programação, que inclui concertos de orquestras, recitais de alunos e professores, além de homenagens, pode ser conferida em www.sesc-rs.com.br/festival.

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Fórum Nacional de Governadores comemora vetos que fortalecem o equilíbrio federativo na Reforma Tributária

Maioria dos pleitos apresentados pelos estados foram acolhidos para preservar a autonomia, segurança jurídica e estabilidade da arrecadação

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Ian Ferraz, da Agência Brasília | Edição: Paulo Soares

O Fórum Nacional de Governadores comemorou os vetos de trechos do Projeto de Lei Complementar nº 108/2024 que poderiam comprometer a autonomia dos entes federativos e a segurança do novo sistema tributário brasileiro. A medida, sancionada na terça-feira (13), representa um avanço importante na regulamentação da Reforma Tributária e reforça o equilíbrio federativo previsto na Constituição.

Coordenado pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, o fórum atuou de forma conjunta para defender ajustes no texto aprovado pelo Congresso Nacional, com o objetivo de assegurar previsibilidade fiscal, governança adequada do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e respeito às competências de estados e municípios.

Ao todo, três dos quatro pontos defendidos pelos governadores foram acolhidos por meio de vetos e publicados no Diário Oficial da União (DOU). “Os vetos demonstram sensibilidade institucional e compromisso com a construção de um sistema tributário mais eficiente, justo e juridicamente seguro”, defende o governador Ibaneis Rocha.

Proteção ao sigilo fiscal

Um dos vetos atendeu à preocupação dos chefes do Executivo com a preservação da autoridade fiscal e do sigilo tributário. O dispositivo vetado mantinha atribuições previstas em legislações locais antigas, o que poderia permitir o exercício de funções típicas da administração tributária sem concurso público específico.

Na avaliação do fórum, a decisão presidencial evita riscos institucionais, protege informações fiscais sensíveis e assegura maior uniformidade na governança do IBS, em consonância com os princípios constitucionais.

Segurança jurídica e responsabilidade fiscal

Outro veto comemorado pelo fórum refere-se à ampliação de benefícios tributários originalmente destinados à Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O texto aprovado pelo Congresso estendia o regime especial a outras atividades esportivas, o que poderia gerar conflitos com a Constituição e impactos fiscais não previstos.

 

Com o veto, o governo federal preserva a coerência do sistema tributário e evita distorções que poderiam comprometer a responsabilidade fiscal e o desenho da Reforma Tributária.

“Os vetos demonstram sensibilidade institucional e compromisso com a construção de um sistema tributário mais eficiente, justo e juridicamente seguro”

Governador Ibaneis Rocha

Autonomia municipal preservada

O Fórum Nacional de Governadores também destacou como positiva a decisão de barrar o dispositivo que alterava o momento de cobrança do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). A proposta tornava opcional a antecipação do pagamento no momento da escritura, o que poderia afetar a arrecadação e a previsibilidade financeira dos municípios.

Segundo os governadores, a manutenção das regras atuais garante segurança jurídica, estabilidade nas receitas municipais e respeito à autonomia dos entes locais.

Atuação conjunta

Em carta enviada ao presidente da República, o Fórum Nacional de Governadores reforçou que a atuação articulada dos estados tem como foco o fortalecimento do pacto federativo e a sustentabilidade fiscal do país.

Para os governadores, a decisão presidencial contribui para uma implementação mais equilibrada da Reforma Tributária, alinhada às necessidades do Brasil e aos princípios constitucionais.

Sobre o Fórum Nacional de Governadores

O Fórum é um espaço de diálogo permanente entre os chefes do Executivo estaduais e do Distrito Federal, com o objetivo de articular soluções para desafios comuns aos entes federativos. Desde sua criação, o grupo já debateu temas como equilíbrio fiscal, pacto federativo, segurança pública, educação, vacinação, saneamento básico e políticas ambientais.

Além dos governadores, as reuniões contam, em diversas oportunidades, com especialistas e representantes dos três poderes da República. Os temas a serem debatidos são definidos previamente em consenso, e os relatores são escolhidos entre os governadores conforme afinidade com o assunto.

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Reportagens

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