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Comissão geral clama por mais recursos para pesquisa no DF

Representantes do setor identificaram a ciência como mecanismo para fortalecer desenvolvimento econômico em Brasília

 

Foto: Carolina Curi/ Agência CLDF

 

Nesta quinta-feira (13), a primeira comissão geral do ano da Câmara Legislativa mergulhou na discussão sobre o financiamento de pesquisas e o desenvolvimento da economia no DF por meio de ciência, tecnologia e inovação (CT&I). A reunião capitaneada pelo distrital Gabriel Magno (PT) atraiu pesquisadores, representantes do setor e do governo. Entre os encaminhamentos, destacam-se a criação de uma frente parlamentar mista para pensar a política de financiamento e o compromisso de marcar uma reunião com a Secretaria de Economia do DF para recompor o orçamento dos órgãos de fomento.

A desvinculação de 25% das receitas de fundos de CT&I, aprovada na Lei Orçamentária Anual do DF deste ano, dominou as discussões, especialmente no âmbito da Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP-DF). A medida enquadra-se como mecanismo de Desvinculação de Receitas de Estados e Municípios (Drem). “Na nossa opinião é um entendimento equivocado que o governo do Distrito Federal fez”, comentou Magno.

“Você pode desvincular a receita como uma alternativa orçamentária e fiscal dos estados e municípios a partir da execução, mas não pode reduzir o orçamento na largada, ou seja, na LOA [Lei Orçamentária Anual], porque tem uma vinculação na Lei Orgânica, inclusive. Então é preciso recompor o orçamento geral”, complementou o deputado. Na comissão, o parlamentar informou que apresentou uma representação ao Tribunal de Contas do Distrito Federal e Territórios sobre o assunto, que ainda será julgada.

Reitora da Universidade de Brasília (UnB), Rozana Naves qualificou que a notícia “afeta diretamente as pesquisas em desenvolvimento e aqueles temas que constituem os desafios dos novos tempos, inclusive com riscos para a humanidade”. Nesse sentido, a reitora da Universidade do Distrito Federal (UnDF), Simone Benck, avaliou que os recursos da FAP não podem retroceder do ponto de vista do orçamento. Contudo, ponderou que houve conquistas recentes, como a inauguração da própria universidade que comanda, em 2021.

Na sequência, a superintendente de CT&I da FAP esclareceu que, quando assumiu a fundação, a gestão atual dispunha de um orçamento de 2% da receita corrente líquida do DF. Agora, os recursos limitam-se a 0,5% da receita corrente líquida. Ainda assim, a gestora apontou que há melhorias, como a execução integral do orçamento da FAP: anteriormente, explicou, cifras não executadas precisaram ser devolvidas ao final do exercício orçamentário.

Já Roberto Muniz Barreto, que representou a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC-DF), contextualizou que os recursos não eram executados por falta de pessoal e porque o contingenciamento implicava que os valores só fossem liberados ao final do ano, o que dificultava os trâmites administrativos. “É preciso mudar a Lei Orgânica do DF para que a gente volte a ter os recursos necessários para a FAP”, concluiu. Magno incluiu a sugestão nos encaminhamentos e disse vai pedir ao GDF que encaminhe a mudança na lei para ser votada na Casa.

Ao final do evento, o secretário executivo de Ciência e Inovação do DF, Alexandre Villain, sintetizou: “o desafio que temos é trabalhar o orçamento disponível, garantir a execução de 100%, e aplicar de forma coerente e equilibrada, além de buscar suplementações no nosso orçamento, de acordo com a nossa capacidade de execução. Até porque derrubar a Drem não impede contingenciamento. O problema é retroceder nas dotações orçamentárias para o sistema de ciência e tecnologia”.

 

 

Ciência e desenvolvimento econômico 

Outro ponto que atravessou diversas falas foi o potencial da pesquisa para incrementar o desenvolvimento econômico. Magno lembrou que sempre que se fala da dependência do DF do Fundo Constitucional, emerge a necessidade de diversificar a matriz econômica de Brasília. Para ele, a ciência pode impulsionar esse processo. Na mesma toada, o reitor da Universidade Católica de Brasília, Carlos Longo, pontuou que a cidade tem um setor produtivo de vinhos que nasceu de um projeto de pesquisa de pós-doutorado. “Hoje é um arranjo produtivo com mais de 45 mil garrafas, premiado nacionalmente e começa a ser premiado internacionalmente”, constatou.

O presidente da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e de Informação, Diego Menezes, reforçou: “Cortar da ciência, tecnologia e inovação não atinge apenas uma área. É um corte transversal e interdisciplinar que é contrário ao nosso país, porque se existe uma via pela qual podemos mudar realidades certamente é através da ciência, educação, tecnologia e inovação”.

Por sua vez, o gerente substituto de Cooperação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Mauro Carneiro, abordou a importância de se investir em pesquisas sobre o Cerrado, das quais podem advir soluções econômicas diferentes — de economia circular e da agricultura verde, por exemplo. Também tratando do escopo regional, a presidente da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília, Maria Lídia Bueno Fernandes, analisou que o atraso no Plano Diretor de Ordenamento Territorial  e as metas não cumpridas do Plano Distrital de Educação sinalizam “a carência de estudos e perspectivas estratégicas” para o desenvolvimento do DF e de sua região integrada de desenvolvimento.

Estudante de História na UnB e membro do Diretório Central dos Estudantes dessa universidade, André Doz traduziu a demanda de diversos alunos. “A gente não quer uma universidade em que assistimos a aula e vamos embora. A gente quer uma universidade que consiga juntar o estudo diário com pesquisa e extensão, levando o progresso científico para o nosso país”, definiu.

Para assistir ao debate na íntegra, acesse o registro no YouTube da TV Câmara Distrital.

Daniela Reis – Agência CLDF

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Arte e cultura urbana movimentam Ceilândia com ações de combate ao bullying entre jovens

Programação gratuita reúne rap, dança e teatro nos CEUs do DF e aposta na arte como ferramenta de conscientização

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Agência Brasília* | Edição: Ígor Silveira

As unidades dos CEUs das Artes e Praças dos Direitos de Ceilândia Norte recebem, no dia 16 deste mês, uma nova edição do Ritmo da Comunidade — Vibe de Respeito, com apresentações culturais voltadas a crianças e jovens de 10 a 18 anos. A ação faz parte do projeto CEU das Artes e Praças dos Direitos em Movimento, realizado pela Sejus-DF em parceria com o Instituto Idecace.

A partir das 15h, nas unidades da QNM 28 e da QNR 02, o público poderá acompanhar uma programação que reúne rap, danças urbanas e teatro, com participação de artistas locais e alunos do projeto. A proposta é transformar o espaço em um ambiente de troca, expressão e protagonismo juvenil.

A iniciativa posiciona a arte como aliada no enfrentamento ao bullying e à violência nas escolas. Realizada em abril, a ação dialoga com o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, incorporando o tema às apresentações de forma prática e próxima da realidade dos jovens.

“Ações como essa mostram que a arte vai muito além do entretenimento: ela se torna uma ferramenta poderosa de transformação social. Ao oferecer aos jovens espaços de expressão e pertencimento, o evento contribui para fortalecer a autoestima, incentivar o respeito às diferenças e construir relações mais saudáveis dentro e fora da escola”, afirmou Jaime Santana, titular interino da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF).

“O projeto mostra que, quando o jovem encontra espaço para se expressar, ele também descobre formas mais saudáveis de se relacionar. A arte aproxima, cria pertencimento e ajuda a transformar realidades muitas vezes marcadas pelo silêncio”, afirma Wilson Cardoso, presidente do Instituto Idecace.

A proposta segue a metodologia do programa DNA do Brasil, alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que utiliza a arte e o esporte como ferramentas de desenvolvimento integral, estimulando habilidades socioemocionais, senso de pertencimento e construção de identidade entre os participantes. Nesse contexto, a arte se torna um instrumento de escuta, expressão e transformação social.

“Além de ampliar o acesso à cultura, a iniciativa fortalece a autoestima dos jovens e valoriza a produção artística local, incentivando novas formas de convivência dentro e fora da escola”, acrescenta Cardoso.

As unidades dos CEUs das Artes e Praças dos Direitos são órgãos coordenados pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF).

Serviço
Ritmo da Comunidade — Vibe de Respeito
→ Local: Ceilândia Norte — QNM 28 e QNR 02
→ Data: dia 16 deste mês
→ Horário: 15h
→ Entrada gratuita
→ Mais informações neste link. 

*Com informações da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF)

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Ação do governo freia alta de passagem aérea, diz presidente da Anac

Chagas estima desaceleração do aumento dos preços

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Agência Brasil

O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Chagas, disse nesta sexta-feira (10), na Rádio Nacional, no programa Alô Alô Brasil, com José Luiz Datena, que as ações tomadas pelo Governo Federal e pela Petrobras têm contribuído para frear o aumento do preço das passagens aéreas.

“As medidas tomadas pelo Governo foram importantes para frear o aumento e não para evitar o aumento”, afirmou Chagas.

A Petrobras anunciou no dia 1º de abril um reajuste médio de 55% no preço do querosene de aviação (QAV), combustível derivado do petróleo que abastece aviões e helicópteros e é um dos principais custos das companhias aéreas. O aumento está ligado a escalada no preço do barril do petróleo devido à guerra no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

O presidente da Anac explica que “55% de aumento no preço do querosene de aviação represente mais ou menos de 20% a 30% no aumento da passagem aérea”. Segundo Chagas, o querosene de aviação representa 40% do custo da passagem que as pessoas compram.

Com as medidas tomadas pelo governo, segundo o presidente da Anac, o aumento, em vez de ir para a casa dos 20% ou 30%, ficarão na faixa de 10% a 12%.

Chagas aponta também a decisão da Petrobras de parcelar o aumento do querosene de aviação. A empresa não aplicou os 55% de forma imediata e repassou apenas 18% num primeiro momento, optando por parcelar o restante do aumento ao longo dos próximos seis meses.

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O governo federal ainda zerou os impostos PIS e Cofins e disponibilizou uma linha de crédito para as companhias aéreas.

“São medidas para aliviar o caixa das empresas para que elas não repassem tanto o aumento do combustível no valor das passagens agora”, explicou o presidente da Anac.

Chagas finalizou dizendo que o governo aguarda a adesão das companhias aéreas às medidas do governo, o que deve acontecer rapidamente, segundo ele.

“É de interesse delas [das empresas] porque se as pessoas não voarem, significa aviões menos cheios. Isso pode provocar até cancelamento de rotas que se tornam não rentáveis. As companhias aéreas estão muito preocupadas em perder um público que já está sofrendo”, afirmou o presidente da Anac.

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Condenados por racismo poderão ser proibidos de assumir cargos públicos no DF

Foto: Andressa Anholete / Agência CLDF

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Após aprovação na Comissão de Segurança, o projeto ainda precisa ser analisado em outras comissões e pelo Plenário da Câmara

Os condenados por racismo poderão ser proibidos de assumir cargos públicos no Distrito Federal. A medida está prevista no projeto de lei 886/2024, do deputado Pastor Daniel de Castro (PP), aprovado pela Comissão de Segurança da Câmara Legislativa na tarde desta quarta-feira (9). O projeto ainda precisa ser analisado em outras comissões e pelo Plenário da Câmara.

O texto define como crime de racismo a conduta prevista no artigo 20 da Lei Federal nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. A proibição vale para todas as esferas do serviço público, incluindo cargos efetivos, comissionados e de confiança.

 

Foto: Andressa Anholete / Agência CLDF

Na justificativa da proposição, o deputado explica que a nova lei tem como objetivo “reforçar os fundamentos da igualdade, justiça e respeito à diversidade no contexto dos cargos públicos, incorporando o princípio da moralidade como base central para as nomeações no serviço público”.

Eixão do Lazer

A Comissão de Segurança também aprovou o PL 1289/2024, do deputado Ricardo Vale (PT), que altera a legislação que trata do funcionamento do Eixão do Lazer para autorizar a venda de todos os produtos comercializáveis no espaço durante os horários de interdição da via. Vale explica que a mudança é necessária para evitar a proibição de venda de bebidas alcóolicas no local, com recentemente tentou fazer o Governo do DF.

 

Foto: Andressa Anholete / Agência CLDF

“O Eixão não se enquadra no conceito legal de rodovia, por estar localizado na zona urbana, e, ao mesmo tempo, não se enquadra no conceito de via urbana de circulação de veículos nos domingos e feriados, por ser transformado em espaço de lazer”, ponderou o distrital.

Dia do Oficial R2

 

Foto: Andressa Anholete / Agência CLDF

A Comissão aprovou ainda o PL 1908/2025, do deputado João Cardoso (PL), que institui o Dia do Oficial do Exército R2. A data deverá ser comemorada anualmente em 4 de novembro, data que já é reconhecida nacionalmente pelo Exército Brasileiro.

Luís Cláudio Alves – Agência CLDF

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