Segundo o secretário de Segurança Pública interino, Alexandre Patury, esse resultado está ligado a um conjunto de ações adotadas na segurança pública do DF. “Hoje temos mais policiais nas ruas, atuação diária nas regiões administrativas, trabalho direcionado no combate às manchas criminais, uso de ferramentas como o DF 360 e participação intensiva da comunidade por meio dos Conselhos Comunitários de Segurança. Existe todo um ecossistema que contribuiu para essa redução”, afirmou o chefe da pasta durante a assinatura da ordem de serviço para construção da nova Policlínica da Polícia Civil (PCDF), nesta sexta-feira (15).
Reportagens
Em meio ao luto, Mocidade leva reflexão sobre o futuro para a Sapucaí
Enredo foi idealizado por Renato e Márcia Lage, que morreu em janeiro
Francielly Barbosa*
A Mocidade Independente de Padre Miguel, escola de samba da zona oeste do Rio, traz uma reflexão sobre o futuro da humanidade para o carnaval deste ano. Com o enredo Voltando para o Futuro – Não Há Limites pra Sonhar, a agremiação será uma das poucas a abordar temas sem relação com a negritude ou a africanidade durante os três dias de desfile no Sambódromo da Marquês de Sapucaí nos desfiles do próximo mês.

“Nosso enredo para o carnaval de 2025 é uma grande reflexão sobre o futuro tão sonhado. É uma reflexão que precisamos fazer, no sentido de que sonhamos e almejamos tanto algumas situações tecnológicas e esse futuro chegou. O que podemos fazer agora para o futuro da humanidade?”, explica o diretor de Carnaval, Mauro Amorim, que retorna à Mocidade após dez anos.
Amorim questiona: “nossas relações interpessoais vão bem? Nossa relação humana vai bem? Não entramos no mérito da contestação, mas mostramos uma grande reflexão sobre o mundo em que vivemos hoje e o mundo que queremos para o futuro, principalmente.”
Legado
Todo o trabalho de pesquisa e construção do enredo foi desenvolvido pelo casal de carnavalescos da Mocidade, Renato e Márcia Lage. Com longa história no samba, a dupla tem passagem por diversas outras escolas, como a Acadêmicos do Salgueiro e a Império Serrano. “Lá atrás, tivemos muitas reuniões em que eles fizeram várias explanações sobre o enredo, e a escola abraçou a ideia desde o primeiro momento, sabendo da importância e do valor que essa discussão tem para os dias atuais”, lembra Amorim.
No dia 19 de janeiro, porém, Márcia Lage morreu, aos 64 anos. A carnavalesca sofria de leucemia, um tipo de câncer que afeta as células sanguíneas. Segundo Mauro Amorim, foi uma perda irreparável” para a escola. “Ela [Márcia] tem trabalhos muito relevantes dentro da nossa agremiação, mas a melhor forma de homenageá-la é trabalhando, é todo mundo se unindo e entregando um desfile à altura dela, à altura do Renato e à altura de cada torcedor da Mocidade Independente de Padre Miguel.”
“O carnaval é feito de superação, de mostrar que podemos mais nas horas difíceis. Agora, é tirar forças de onde não tem, apoiar muito o Renato e fazer por ela e também pela comunidade”, acrescenta o intérprete da agremiação, José Paulo Ferreira Sierra, mais conhecido como Zé Paulo Sierra.
“A escola superar é muito difícil, porque é uma morte, é uma perda, mas, dentro do possível e do que podemos fazer, a Mocidade está muito preparada para fazer um grande carnaval para ela”, diz o intérprete. Um dia antes da carnavalesca, morreram o intérprete Luizinho Andanças — Luís Fernando Guaglianone dos Santos — e o compositor Zé Glória — José Glória da Silva Filho —, ambos no dia 18 de janeiro.
Samba
Mesmo com as perdas recentes, Zé Paulo garante que a escola está preparando um grande desfile para o carnaval deste ano. A Mocidade será uma das últimas escolas a entrar na avenida, abrindo a noite do terceiro dia de apresentações das agremiações do Rio de Janeiro, que se encerra com a Portela, maior campeã do carnaval carioca.
“O enredo tem o DNA da Mocidade, de ser uma escola futurista, de vanguarda, pioneira. E tem o DNA do Renato e da Márcia, que são carnavalescos que prezam por esse tipo de enredo”, ressalta o compositor, em seu segundo ano como intérprete da escola verde e branco. Zé Paulo relembra o desfile do ano passado em que a escola celebrou o caju com o enredo Pede caju que dou… Pé de caju que dá!. Apesar da popularidade do samba, a Mocidade encerrou a competição na 10ª posição no último carnaval.
“Este ano, optamos por uma coisa mais tensa, com conteúdo de alerta, de mensagem, e acaba sendo um paralelo diferente porque saímos de um samba muito popular, viralizando no Brasil todo, e entramos em um samba que fala mais para dentro da comunidade”, destaca. Diferentemente do carnaval anterior, que tinha um samba que a pessoa ouvia “e já saía dançando, pulando, sem se importar com o que estava sendo cantado”, este ano, a escola pretende passar uma ideia de aviso e de necessidade de preservação com a composição musical.
Zé Paulo enfatiza que a mensagem do samba é muito direta. “É de contar um pouco a história de onde viemos e do quanto a tecnologia pode ser importante, mas também do quanto pode prejudicar. Acho que é um samba com uma grande mensagem. A escola entendeu bem isso e consegue transportar isso em forma de canto para quem estar assistindo”, diz o intérprete.
*Estagiária sob supervisão de Vinícius Lisboa
Reportagens
Vladimir Sacchetta, jornalista e pesquisador, morre aos 75 anos
Dedicou-se a projetos da memória cultural e política brasileiras
Guilherme Jeronymo – Repórter da Agência Brasil
Morreu nesta sexta-feira (15) o jornalista, produtor cultural, pesquisador e escritor Vladimir Sacchetta, aos 75 anos.

Sacchetta registrou as greves operárias do ABC, a memória do movimento operário e de revolucionários brasileiros, como Olga Benário. Colaborou em duas obras premiadas com o Jabuti: a obra póstuma de Florestan Fernandes e Monteiro Lobato: Furacão na Botocúndia, que escreveu em coautoria com Carmen Lúcia Azevedo e Márcia Camargos.
Sacchetta dedicou seus últimos anos a projetos de documentação e memória, como o Memorial da Democracia, do Instituto Lula; registros da Imprensa Alternativa, junto ao Instituto Vladimir Herzog, além de trabalhos sobre cultura brasileira.
“Vladimir Sacchetta dedicou sua trajetória à preservação da memória cultural e política brasileira, construindo um trabalho fundamental para o registro das lutas democráticas, da resistência à ditadura militar e da defesa intransigente da liberdade de expressão”, diz, em nota, o Instituto Vladimir Herzog.
Foi um dos fundadores da Sociedade dos Observadores de Saci, dedicada a valorização da cultura nacional. Também foi conselheiro do Centro de Documentação do Movimento Operário Mario Pedrosa (Cemap), no qual participou ativamente até poucos dias atrás.
“O Cemap perde um conselheiro brilhante; o Brasil perde um de seus maiores guardiões da memória”, diz o Cemap, em nota.
Sacchetta deixa dois filhos e neto.
O velório será realizado neste sábado (16) na Barra Funda, na capital paulista.
Reportagens
Brasília é a capital mais segura do país, com redução histórica do número de homicídios
Resultado considera a soma de homicídios e mortes a esclarecer no primeiro trimestre de 2026; índice coloca o Distrito Federal na primeira posição nacional em segurança relacionada a crimes letais
Por
Geovanna Gravia, da Agência Brasília | Edição: Paulo Soares
O Distrito Federal alcançou a primeira colocação nacional nos indicadores de crimes letais no primeiro trimestre de 2026. O resultado considera a soma de homicídios e mortes a esclarecer por 100 mil habitantes, metodologia baseada em dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O levantamento colocou o DF na liderança tanto entre as unidades da Federação quanto entre as capitais brasileiras com a menor taxa do país.
Os dados mostram que, no primeiro trimestre deste ano, o DF registrou taxa de 5,58 mortes por 100 mil habitantes entre as unidades da federação. Santa Catarina aparece logo atrás, com 5,63. Entre as capitais, Brasília alcançou índice de 5,61 e liderou o ranking nacional, seguida por Curitiba (10,05) e Campo Grande (10,39).
Durante o evento, Patury explicou que o resultado não considera apenas os homicídios registrados. O levantamento também inclui os chamados casos de mortes a esclarecer — situações em que ainda não foi definida a causa da morte. “Temos 42 homicídios no DF e zero a esclarecer. Nós sabemos o nome e sobrenome de cada caso. Estávamos em segundo lugar, no primeiro trimestre agora de 2026, e agora alcançamos o primeiro lugar. Passamos Santa Catarina e Florianópolis”, destacou.
Mais segurança pública
A redução dos crimes letais acompanha outros indicadores positivos da segurança pública. Os roubos no transporte coletivo do DF caíram 52% em 2025. Ao longo do ano, foram registrados 111 casos, contra 230 em 2024.
Além disso, 15 regiões administrativas não tiveram nenhuma ocorrência, segundo dados do 2º Anuário de Segurança Pública do DF. Os números mostram o avanço das ações de segurança e das mudanças adotadas no sistema de transporte, que têm contribuído para reduzir os crimes e aumentar a segurança da população.
Reportagens
Comissão Geral debate transporte escolar no Distrito Federal
Iniciativa é da deputada Paula Belmonte, que apresentará diagnóstico sobre a área com foco em desafios, gestão e qualidade do serviço
Foto: Tony Winston / Agência Brasília
Por iniciativa da deputada distrital Paula Belmonte (PSDB), a Câmara Legislativa do Distrito Federal realiza, nesta quinta-feira (14), às 15h, uma comissão geral para debater o transporte escolar no Distrito Federal. O encontro reunirá parlamentares, representantes do poder público, especialistas e a sociedade civil para apresentação e discussão de um diagnóstico técnico sobre o funcionamento do serviço no DF.
O estudo foi solicitado pelo gabinete da parlamentar e elaborado pela Consultoria Técnico-Legislativa da CLDF (Conofis). O relatório analisa o transporte escolar entre os anos de 2021 e 2025, abordando aspectos relacionados à qualidade dos veículos, organização das rotas, gestão do serviço e percepção de estudantes, familiares e profissionais envolvidos.
De acordo com o levantamento, foram identificados desafios que impactam diretamente o cotidiano dos estudantes, como atrasos, interrupções no atendimento, condições da frota e dificuldades de acesso, especialmente em regiões rurais. O diagnóstico também aponta entraves relacionados à utilização de processos predominantemente manuais e à ausência de padronização tecnológica entre as unidades escolares.
A análise destaca ainda que fatores como as condições das vias e a falta de infraestrutura adequada nos pontos de embarque podem comprometer a frequência escolar e o acesso dos alunos à educação. A comissão geral busca ampliar a participação social na discussão, reunindo gestores públicos, trabalhadores do setor, pais, estudantes e demais interessados na construção de propostas para o aperfeiçoamento da política pública.

Segundo a deputada Paula Belmonte, o debate é fundamental para garantir avanços no atendimento aos estudantes da rede pública. “Estamos falando de um serviço essencial, que garante o acesso e a permanência dos nossos estudantes na escola. Esse diagnóstico é um passo importante para corrigir falhas e avançar com responsabilidade”, afirmou a parlamentar.
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