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Preocupados com privatização, feirantes cobram retirada de PL que regulamenta feiras no DF

O PL 1604/25 tem gerado preocupação entre os comerciantes devido à possibilidade de privatização das áreas de funcionamento das feiras

 

Foto: Rodrigo Soares/Divulgação

A Câmara Legislativa do Distrito Federal reuniu, na noite de quarta-feira (26/3), parlamentares, feirantes e produtores para debater o projeto de lei 1604/25, uma proposta do Poder Executivo que altera a lei 6.956/21, que regulamenta a organização e o funcionamento das feiras públicas e público-privadas do DF. No encontro, presidido pelos deputados Ricardo Vale (PT) e Gabriel Magno (PT), os presentes discutiram os impactos do PL e possíveis soluções para as modificações apresentadas na legislação.

Em tramitação na Casa, o PL 1604/25 tem gerado preocupação entre os comerciantes devido à possibilidade de privatização das áreas de funcionamento das feiras. A proposição acrescenta à atual legislação o direito de preferência aos feirantes que já ocupam boxes nas licitações para uso dos espaços, desde que cumpram requisitos como comprovação de utilização do local por meio de documento oficial e limite de até quatro boxes adjacentes. Além disso, não é permitido solicitar prioridade em conjunto com terceiros que não sejam ocupantes.

Segundo feirantes e produtores, a exigência de documentação para comprovar a ocupação regular pode excluir aqueles que, mesmo trabalhando há anos no local, não possuem os registros necessários. Outra questão apontada é a necessidade de auxílio jurídico ou documentação extra para garantir o direito de preferência, que pode gerar custos adicionais, representando um obstáculo financeiro para aqueles que não tem condições de pagá-los e aumentando o risco de perda dos espaços para a iniciativa privada.

Durante a audiência pública, além de Gabriel Magno e Ricardo Vale, os deputados Paula Belmonte (Cidadania) e Chico Vigilante (PT) afirmaram que a votação do projeto não avança no Plenário. Os parlamentares também determinaram alguns encaminhamentos para solucionar o problema. Vale se comprometeu a criar uma comissão para negociar com o Governo do Distrito Federal (GDF) a retirada do PL 1604/25 da CLDF e protocolar uma Frente Parlamentar em Defesa dos Feirantes do DF.

 

“Nós somos contrários a qualquer privatização das feiras do Distrito Federal e, felizmente, conversando com o conjunto de deputados da Casa, a maioria também é contra”, afirmou Vale. “Se chegar algum projeto com intenção do governo de privatizar as feiras, vai ter muita briga nessa Casa”, enfatizou.

 

Direito de uso

 

Marinalda Ferreira Gomes, representante da Feira do Guará, defendeu a necessidade do “direito real de uso”, uma medida que garante aos feirantes a utilização dos espaços para atividades comerciais, sem necessariamente torná-los proprietários. Ela alertou, ainda, que o PL em tramitação coloca os feirantes em posição desfavorável ao exigir participação em licitações nas quais não podem competir com grandes empresas devido à falta de recursos.

“Estão querendo tirar de nós o nosso trabalho. Um feirante não tem 100 mil para cobrir uma oferta [de licitação]”, disse Marinalda Gomes. “O PL não está claro. Está subtendido que, lá na frente, vai licitar todas [as feiras], estando ocupadas ou não, devendo preço público e taxa de rateio ou não” frisou.

Além do PL 1604/25, o representante da Associação da Feira Ponta Norte, José Roberto Melo Machado, criticou a lei 6956/21, alegando que a norma não foi elaborada com a participação dos feirantes e que a forma como foi estruturada limita o poder de administração comercial da categoria.

“A lei 6956 não contempla a gente. Nós não fomos ouvidos. Ela foi feita em 2021, na pandemia, quando todo mundo estava em casa e não podia participar”, relatou Machado. “Na lei 6956, tem coisa que tira o poder do feirante, que intervem na feira e na gestão. Isso não podemos aceitar, a feira tem que ser livre.”

 

Gabriel Magno reforçou a demanda para retirada do PL da Casa para reelaboração de uma proposta que leve em consideração os apontamentos dos profissionais do setor. “Apenas os feirantes dessa cidade sabem o que estão precisando para ter segurança jurídica, garantir espaço de trabalho e ter condições mais favoráveis para gerar emprego e renda para a cidade”, disse.

 

Crise

Outras preocupações também atingem a categoria do Distrito Federal. Segundo os feirantes e produtores presentes na audiência pública, as feiras da cidade enfrentam uma intensa crise nos últimos anos que têm impactado suas atividades comerciais. Queda no movimento intensificada pela concorrência de ambulantes, cortes no fornecimento de água e energia, acúmulo de dívidas com a Companhia Ambiental de Saneamento do Distrito Federal (Caesb), crescente situação de inadimplência e dificuldade para acessar linhas de crédito e financiamento foram algumas questões listadas. Eles relataram, ainda, sofrer retaliações dos administradores ao reivindicarem melhorias dos espaços, como manutenção dos banheiros públicos e questionarem taxas elevadas para ocupação das áreas.

 

Chico Vigilante citou irregularidades em relação aos compromissos do GDF com as feiras, como o não cumprimento com as despesas de água e energia elétrica das áreas comuns das feiras que devem ser custeadas pelo governo, conforme a lei 6.956/21. “Tem feira, hoje, devendo 4 milhões de luz. Nós tivemos a Feira do Guariroba, que levamos 1 ano e 2 meses para individualizar os relógios”, relatou o parlamentar.

“A única coisa que nós queremos é terminar nossa vida com pelo menos um lugarzinho que a gente tenha o direito de trabalhar, que, quando nós, uns de cabelos brancos, outros sem cabelos, possamos criar nossas famílias. Por mais insensível que o governo seja, eles não podem tirar esse direito. O feirante do Distrito Federal está passando uma das piores crises de venda no nosso país. Tem muito feirante que cola uma semana ou duas e não vende nada e continua vindo os impostos.” — presidente do sindicato dos feirantes, Francisco Valdenir Machado Elias

A reunião contou com representantes do Sindicato dos Feirantes, da Feira de Artesanato da Torre de TV, da Feira Central de Ceilândia, da Feira dos Importados de Taguatinga, da Feira de Hortifrúti de Planaltina, da Feira do SIA, da Feira Permanente de São Sebastião, da Feira Permanente do Cruzeiro e do Shopping Popular. A deputada federal Érika Kokay (PT-DF) também participou do encontro.

 

O secretário Executivo das Cidades, Cláudio José Trinchão Santos, e a subsecretária de Mobiliário Urbano e Apoio às Cidades, Ana Lúcia Melo, foram convidados, mas não compareceram à audiência. O evento dessa quarta-feira foi transmitido na TV Câmara Legislativa do Distrito Federal e no canal da CLDF no YouTube.

Amanda Gonçalves, estagiária sob supervisão de Bruno Sodré/Agência CLDF

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Conheça os filmes do Distrito Federal que disputarão o 28º Troféu Câmara Legislativa

Este ano, 15 produções concorrem a R$ 298 mil em prêmios. Os títulos serão exibidos, de 14 a 18 de setembro, durante o 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

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Foto: Montagem realizada com fotos de divulgação

Longas selecionados foram Amadeo e o Hipotético Mundo Novo; Mapas; Onde Moram os Irmãos; e Nem Todos Sabem

A 28ª edição do Troféu Câmara Legislativa terá quatro filmes de longa-metragem e 11 de curta-metragem (veja abaixo) na disputa por um total de R$ 298 mil em prêmios. Destinada a produções do Distrito Federal, a premiação foi criada há três décadas, pela CLDF, com o objetivo de reconhecer e incentivar os realizadores brasilienses. Este ano, a exibição ocorrerá de 14 a 18 de setembro, durante a Mostra Brasília, que integra a programação oficial do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Os filmes que concorrem ao 28º Troféu Câmara Legislativa foram anunciados na manhã desta terça-feira (18), durante coletiva de imprensa de lançamento do festival. Os títulos de linguagens diversas — ficção, documentário, animação e híbridos — foram selecionados por um grupo de especialistas composto por Ana Arruda, Bethania Maia, Daniela Diniz, Marcelo Barbosa e Paulo Duro Moraes, que examinou 132 títulos, sendo 23 longas e 109 curtas-metragens, habilitados entre os inscritos.

Para a Comissão de Seleção, a programação, que será mostrada no Cine Brasília, “reúne filmes marcados pela invenção, risco, incômodo, observação atenta e, sobretudo, pela autenticidade”. Eles observam que são “obras que partem de memórias, afetos e estranhamentos para ampliar nossa percepção sobre o Distrito Federal e aqueles que o habitam”. Os integrantes também ressaltam que, “ao reconhecer talentos locais”, o conjunto “reafirma o cinema como linguagem artística, espaço político e ponto de encontro entre realidades que divergem, mas que coexistem no mesmo território”.

Por fim, apontam que, “em uma época marcada pela imprevisibilidade”, os 15 títulos que disputam o 28º Troféu Câmara Legislativa “plasmam, com coragem e inquietude, a potência de materializar e compartilhar histórias. Um gesto de persistência que merece ser valorizado, pois reafirma o cinema como uma forma de compreender, questionar e imaginar o tempo em que vivemos”.

28º Troféu Câmara Legislativa
Filmes selecionados

Longas-Metragens
Amadeo e o Hipotético Mundo Novo (animação), de Brenda Lígia e Edu Felistoque
Mapas (ficção), de Rafael Lobo
Nem Todos Sabem (documentário), de Edileuza Penha de Souza
Onde Moram os Irmãos (ficção), de Marisa Mendonça

Curtas-Metragens
A Arte Perdida da Lombada (ficção), de Helena Sarmento e Gabriel Brito
Ar-Dor (ficção), de Mike Peixoto
Dora (ficção), de Murilo Abreu
Hacker Leonília (animação), de Gustavo Fontele Dourado
Impostor (ficção), de Rafael Ribeiro Gontijo
Isso Aqui é Várzea! (documentário), de Flávio Costa
Madre (documentário), de Talita Carvalho e Carol Matias
Não Há Crime no Plano Piloto (ficção), de Gabriel Machado
O Jardim Mágico (animação), de Naira Caneiro e Carlon Hardt
Rima (híbrido), de Josianne Diniz
Vinte Vinte Quatro (híbrido), de Davi Pieri

Marco Túlio Alencar – Agência CLDF

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Salário de até R$ 3,4 mil e 1.887 vagas, nesta quarta-feira (19), nas agências do trabalhador

Interessados podem cadastrar o currículo pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital ou presencialmente

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Geovanna Gravia, da Agência Brasília | Edição: Plácido Fernandes

As unidades da agência do trabalhador do Distrito Federal oferecem, nesta quarta-feira (19), 1.887 vagas de emprego em diversas regiões. O maior salário é de R$ 3.447, para a função de calceteiro, com dez vagas disponíveis na Asa Sul. Para concorrer, é preciso ter experiência comprovada, e não há exigência de escolaridade.

Entre as funções com maior número de vagas estão estoquista, com 202 oportunidades; ajudante de carga e descarga de mercadorias, com 200; e operador de empilhadeira, com 180.

Há também oportunidades exclusivas para pessoas com deficiência. Entre elas, estão duas vagas para operador de caixa, em Ceilândia Norte, com salário de R$ 1,7 mil; 25 chances para auxiliar administrativo, em Taguatinga Norte, com remuneração de R$ 1.621; e cinco para atendente de farmácia, na Asa Sul, com salário de R$ 1.750. Todas exigem ensino médio completo.

Para participar dos processos seletivos, basta cadastrar o currículo no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (CTPS) ou ir a uma das 16 agências do trabalhador, das 8h às 17h, durante a semana. Mesmo que nenhuma das oportunidades do dia seja atraente ao candidato, o cadastro vale para oportunidades futuras, já que o sistema cruza dados dos concorrentes com o perfil que as empresas procuram.

Empregadores e empreendedores que desejam ofertar vagas ou utilizar o espaço das agências do trabalhador para as entrevistas podem se cadastrar pessoalmente nas unidades ou pelo e-mail. Pode ser utilizado, ainda, o Canal do Empregador.

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MEC lança diretrizes para ensino de arte na educação básica

Áreas abrangem artes visuais, dança, música e teatro

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Daniella Almeida – Repórter da Agência Brasil

A rede escolar de educação básica tem agora diretrizes para ensino de arte na educação básica brasileira. Nesta terça-feira (18), foi publicada no Diário Oficial da União a norma que trata a arte como campo de conhecimento.

O material foi produzido e aprovado, em março de 2026, pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE) e complementa a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

O documento destaca que o ensino e aprendizado das áreas artísticas devem ser organizados em quatro componentes curriculares, desde a educação infantil até o ensino médio. São eles: artes visuais, dança, música e teatro.

De acordo com Parecer CNE/CEB nº 2, a arte é um campo essencial à formação humana, capaz de promover a criatividade, o pensamento crítico e o diálogo com outras áreas.

O presidente do CNE, César Callegari, explica o que muda na educação brasileira.

“Não podemos mais falar de arte com improviso ou apenas para ilustrar festas e comemorações. A arte é fundamental para tudo, para o ensino da língua portuguesa, para física, para matemática. Essa articulação é que dá sentido maior àquilo que nós chamamos a formação integral do indivíduo”, pontuou.

A nova norma

As escolas devem ensinar sobre conteúdos, métodos, processos de criação, referências culturais e formas próprias de produzir conhecimento.

  • arte como prática integradora – deve ser vista como prática educativa com potencial para integrar experiências dentro e fora do ambiente escolar;
  • processos criativos e reflexivos – o ensino envolve criação, experimentação, apreciação e reflexão crítica, além da técnica e da reprodução;
  • contextualização e análise crítica – analisar obras em seus contextos históricos, sociais e culturais amplia o repertório cultural dos estudantes;
  • desenvolvimento integral do estudante – o ensino de arte favorece o desenvolvimento cognitivo, afetivo, social, cultural e estético dos estudantes.

As redes de educação devem definir uma carga horária equilibrada e coerente para cada componente curricular de arte, com a implementação de dois por ano, evitando sobreposições e garantindo a continuidade da aprendizagem.

Além disso, as escolas também deverão avaliar as condições físicas e pedagógicas para ofertar os componentes; elaborar planos com metas progressivas para melhorar espaços, materiais e recursos; integrar o espaço escolar com equipamentos culturais e artísticos locais; e fomentar parcerias com a comunidade para enriquecer a educação.

O texto destaca que, na educação básica, cada criança, jovem ou adulto aprende de um jeito único e essa singularidade deve ser respeitada.

Deveres das redes de ensino

Os sistemas de ensino estaduais, do Distrito Federal e municipais, em regime de colaboração com a União, devem assegurar a completa implementação desta resolução até o fim do prazo de vigência do Plano Nacional de Educação (PNE 2026-2036).

O PNE estabelece as diretrizes, metas e estratégias para a política educacional brasileira na próxima década.

O objetivo é reforçar a importância da arte na formação integral dos estudantes brasileiros.

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