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O RITUAL DAS SAUDAÇÕES

Como os índios dão boas-vindas aos hóspedes

 

Miguel Flori Gorgulho

 

Naturalistas Viajantes – JEAN DE LÉRY (Parte 14)

 

Abril é o mês que celebra o Dia do Índio. Nada melhor que ler mais um capítulo do livro de Jean de Léry, o cronista francês que escreveu um livro fundamental para entender a vida dos Tupinambás que habitavam o Rio de Janeiro quando o Brasil foi Descoberto.  

 

SAUDAÇÕES AOS HÓSPEDES

A maneira de saudarem quem os visita é detalhada jornalisticamente: “Apenas chega o viajante a casa do mussucá a quem escolheu para hospedeiro, senta-se numa rede e permanece algum tempo sem dizer palavra. É costume escolher o visitante um amigo em cada aldeia e para a sua casa deve dirigir-se sob pena de descontentá-lo. Em seguida reúnem-se as mulheres em torno da rede e acocoradas no chão põem as mãos nos olhos e pranteiam as boas-vindas ao hóspede dizendo mil coisas em seu louvor como por exemplo:

– ‘Tiveste tanto trabalho em vir ver-nos. És bom. És valente’. 

Se o estrangeiro é francês ou europeu, acrescentam:

– ‘Trouxestes coisas muito bonitas que não temos em nossa terra’.

Para responder deve o recém-chegado mostrar-se choroso também; se não quer fazê-lo de verdade deve pelo menos fingi-lo com profundos suspiros como me foi dado observar de alguns de nossa nação que com muito jeito imitavam a lamúria dessas mulheres.

Terminada a primeira saudação festiva das mulheres americanas, o ‘mussucá’ que durante todo esse tempo permaneceu sossegado num canto da casa a fazer flechas, dirá sem parecer avistar-nos (costume bem diverso dos nossos, cheios de mesuras, abraços, beijos e apertos de mão): ‘Ereiupe’, isto é, ‘vieste, como estás, que desejas,’ etc. A isto se responderá de acordo com o colóquio formulado em língua brasílica e que se encontra no capítulo XX. Depois disso o ‘mussucá’ perguntará se queremos comer. Se respondermos afirmativamente, mandará depressa aprontar e trazer numa bonita vasilha de barro um pouco de farinha que comem, veações, aves, peixes e outros manjares; como, porém os selvagens não têm mesas nem bancos nem cadeiras, servem-no no chão raso. Quanto à bebida, dão-nos cauim que costumam ter preparado.

 

OS FRUTOS DA TERRA

Em seguida voltam as mulheres com frutos e objetos da terra, a fim de trocá-los por espelhos, pentes ou miçangas para enfeites de braços. Quando alguém quer dormir na aldeia onde se encontra, o velho manda armar uma bonita rede branca, e, embora não faça frio nessa terra, manda acender três ou quatro fogueiras em torno da rede, já por causa da umidade, já por ser de tradição”.

Já me referi ao fogo, a que os selvagens chamam ‘tatá’ e à fumaça denominada ‘tataim’, cabe-me agora dizer que o acendem quando lhes apraz de uma maneira maravilhosa e desconhecida de nós. (…)

Em suas caçadas no mato ou em suas pescarias nos lagos e rios, para qualquer lado que se dirijam, ignorando o uso da pedra e do fuzil, carregam por toda parte duas espécies de madeiro, uma tão dura como aquela de que os nossos cozinheiros fabricam espetos e outra tão mole que parece podre. Quando querem fazer fogo pegam de um pau em forma de fuso, preparado com a madeira dura e mais ou menos de um pé de comprimento, e colocam com a ponta no centro de outra peça feita com a madeira mole. Esta peça é deitada no chão ou posta sobre um tronco mais ou menos grosso; em seguida rodam em rapidez o pau pontudo entre as palmas das mãos como se quisessem furar a peça inferior. O rápido e violento movimento imprimido ao fuso desenvolve tal calor que em se colocando ao lado algodão ou folhas secas de árvores, o fogo pega perfeitamente; e asseguro aos leitores que eu mesmo acendi fogo desse modo.

 

A RETRIBUIÇÃO DO HÓSPEDE

Depois de comer, beber e repousar ou dormir em suas casas, o hóspede bem-intencionado deve dar aos homens facas ou tesouras ou pinças de arrancar barba. Às mulheres dará pentes e espelhos, e aos meninos anzóis.

Mostram os selvagens sua caridade natural presenteando-se diariamente uns aos outros com veações, peixes, frutas e outros bens do país; e prezam de tal forma essa virtude que morreriam de vergonha se vissem o vizinho sofrer falta do que possuem; e com a mesma liberalidade tratam os seus aliados.

 

ADMIRAÇÃO PELAS MERCADORIAS

Como andávamos sempre com um saco de couro cheio de mercadorias que nos serviam de moeda, ao deixarmos a aldeia demos-lhes facas, tesouras e pinças e às mulheres presenteamos com pentes, braceletes e miçangas e aos meninos com anzóis. Para mostrar o caso que fazem dessas coisas, direi que estando certa vez numa aldeia, o meu ‘mussacá’ pediu-me que lhe mostrasse o que tinha no ‘carameno’, isto é, saco de couro. Despejei tudo numa bonita vasilha de barro que ele mandara trazer. O velho admirou a mercadoria longamente e depois chamou outros selvagens e lhes disse: ‘Considerai, meus amigos, o personagem que tenho em minha casa; com tantas riquezas não lhes parece um grande senhor?’ Não pude deixar de sorrir para um companheiro que estava a meu lado, pois tudo isso que o selvagem tanto apreciava se resumia em cinco ou seis facas encabadas de diversas formas, outros tantos pentes, dois ou três espelhos grandes e mais algumas miudezas que em Paris não valeriam grande coisa. Como eles prezam sobretudo às pessoas liberais e como eu desejava crescer ainda na sua admiração, dei-lhe publicamente a maior e a mais bonita das facas; e ele apreciou tanto o presente quanto em França seria apreciado um trancelim de ouro de cem escudos.

 

 PRÓXIMA EDIÇÃO 374 – maio 2025 – Parte 15

Jean de Léry finaliza suas observações sobre os indígenas com a descrição ‘de como tratam os selvagens os seus doentes, dos funerais, a sepultura e do modo de chorar os seus defuntos’.

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Sessão especial vai destacar história do 14-Bis e importância da Força Aérea

Santos Dumont voa em seu 14-bis: inventor é patrono da aeronáutica brasileira e herói da pátria
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Yasmim Rodrigues

O Senado faz nesta quarta-feira (21), às 10h, uma sessão especial pelos 120 anos do primeiro voo do 14-Bis e pelo Dia do Aviador e da Força Aérea Brasileira (FAB). A homenagem, proposta pelo senador Dr. Hiran (PP-RR) e outros parlamentares, destaca a atuação da Força Aérea na defesa do espaço aéreo, em missões de resgate e no apoio a regiões de difícil acesso. As datas, comemoradas em 23 de outubro, fazem referência ao dia do primeiro voo do avião criado por Santos Dumont.

 

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Fonte: Agência Senado

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13 TEMPORADAS NETFLIX

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ORGULHO DO PARANÁ

A cidade das flores, da catedral e dos parques é exemplo de sustentabilidade. Conheça mais sobre o terceiro município paranaense.

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Maringá nasceu no meio da mata e o planejamento urbano, muito bem elaborado, garantiu que muitos ipês roxos fossem respeitados dentro daquele conceito de cidade jardim. Hoje seus habitantes e turistas, que visitam a cidade atraídos pelo espetáculo anual, se orgulham de ver a beleza das floradas, registram e compartilham suas fotos e vídeos, as postagens ganham o mundo conectado pelas redes sociais.

 

Para facilitar o encontro das árvores floridas pela população e turistas e também uma maneira de proteger e cuidar dos ipês, a Prefeitura de Maringá elaborou um roteiro dos ipês floridos, com um mapa apontando a localização de todas as árvores.

A CATEDRAL DE MARINGÁ

A Catedral idealizada por Dom Jaime Luiz Coelho e projetada pelo arquiteto José Augusto Bellucci. O templo tem uma altura de 124 e lembra que o peregrino deve ser afastar do mundo para ficar mais perto de Deus. Foi construída entre julho de 1959 e maio de 1972. De forma cônica, possui um diâmetro externo de 50 metros e uma nave circular, com diâmetro interno de 38 metros. Apresenta 114 metros de altura, mais dez metros de cruz no topo, somando 124 metros. É o 10º monumento mais alto do mundo e o primeiro da América do sul.

 

 

Contornando a catedral, abaixo das rampas de acesso ao seu interior, estão os espelhos d’água que formam as fontes luminosas com chafariz, que jorram suas águas a mais de 5 metros de altura. Seus 16 vitrais de linhas abstratas e cores exuberantes são verdadeiras obras de arte, de autoria de Lorenz Helmair. A arquitetura interior é de inspiração de Manfred Ostterroht.

 

 

MODELO DE GOVERNANÇA

QUANDO OS CIDADÃOS PARTICIPAM DA GESTÃO DA CIDADE

 

A vida administrativa, em Maringá, teve um avanço de qualidade e de gestão a partir de 1996, quando foi criado o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá – CODEM. O órgão foi implantado no cinquentenário da cidade, em 1997, quando aconteceu a posse dos primeiros dirigentes. O CODEM virou referência para muitas cidades brasileiras pelo sucesso na participação ativa da sociedade civil, entidades e lideranças locais. Outros municípios, inclusive Brasília, copiaram a ideia e criaram o CODESE (Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico, como modelo de governança.

E foi justamente este modelo de governança que ajudou Maringá planejar melhor seu desenvolvimento e crescimento de forma sustentável.

Em 2025, Maringá foi classificada como a sétima cidade mais competitiva do Brasil no Ranking de Competitividade dos Municípios, divulgado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). No Paraná, o município ocupa a segunda colocação, ficando atrás apenas de Curitiba, que aparece em quinto lugar no levantamento.

O bom desempenho da Cidade foi impulsionado principalmente pelos avanços no saneamento básico e na eficiência da gestão pública. Maringá alcançou a primeira posição nacional em cobertura da coleta de resíduos domésticos e recebeu nota máxima na destinação adequada do lixo, consolidando-se como referência na área. Apenas nesse pilar, subiu 24 colocações em relação ao ano passado. Também se destacou no funcionamento da máquina pública, ocupando a sétima posição no País.

Na área ambiental, o município aparece em primeiro lugar no combate ao desmatamento ilegal e a 14ª posição em qualidade da educação, além do 22º lugar em qualidade da saúde.

Entre as 10 cidades com maior vegetação urbana em área total, destacam-se grandes capitais como Rio de Janeiro (12.844 ha), São Paulo (11.814 ha) e Brasília (10.256 ha). Esses números refletem a extensão territorial e, em muitos casos, a presença de parques naturais e áreas de proteção ambiental dentro dos limites urbanos.

 

O PARQUE DO INGÁ

Uma homenagem ao município paraibano de Ingá

 

A cidade de Maringá nasceu na segunda metade da década de 1940, planejada pela  Companhia de melhoramento do Norte do Paraná. Os primeiros assentamentos do noroeste do Paranã evoluíram rapidamente. Diante do avanço da então pequena vila, que virou cidade em 1947, 21 anos depois, em 1968, foi criado o Bosque 01. Mais tarde, essa área verde recebeu o  nome de Parque do Ingá. Ao contrário do que algumas pessoas contam, de que o motivo do nome seria porque havia no bosque árvores da espécie Ingá, a principal razão foi outra: fazer uma homenagem da Cidade-Canção ao município paraibano de Ingá, que deu origem à famosa música Maringá, um neologismo de “Maria de Ingá”.

 

Além da canção, a cidade de Maringá fez outra homenagem ao município paraibano de Ingá. Deu o nome de Parque do Ingá à mais importante área verde da cidade. (foto: Rafael Macri / PMM)

 

 

O Parque do Ingá foi criado com objetivo de ser uma área de preservação da flora e fauna local numa perspectiva inclusive do desenvolvimento do ecoturismo. O Parque do Ingá, que compreende uma área de 473.300 m², cuja vegetação é denominada Floresta Estacional Semidecidual, encontra-se numa região geográfica denominada terceiro Planalto Paranaense. Localiza-se na região central de Maringá entre as avenidas São Paulo, Anchieta, Néo Alves Martins, Laguna e Juscelino Kubitschek.

 

CONHECENDO A CIDADE DE INGÁ-PB

A cidade paraibana, que está no DNA do nome Maringá, foi fundada ao redor da Pedra de Ingá, um monumento arqueológico.

 

O município de Ingá, na Paraíba, está a menos de 100km da capital, João Pessoa. O nome vem de um monumento natural ou sítio arqueológico com o nome Itacoatiara do Ingá, localizado à margem de um rio do Agreste. As inscrições e desenhos no monumento têm sulcos profundos que atravessam uma parede da pedra e resistem há milhares de ano sem uma tradução definitiva. A cidade de Ingá cresceu ao redor desse cenário, hoje protegido como monumento natural, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

 

Segundo o Iphan as formas sugerem animais, frutas, pessoas e elementos celestes, sem apresentar essas leituras como uma tradução definitiva. O tombamento federal ocorreu em 1944. Pesquisas também registraram artefatos líticos e cerâmicos encontrados na superfície, ampliando o interesse arqueológico do lugar.

 

A Pedra do Ingá é um dos monumentos arqueológicos mais importantes e misteriosos do mundo, localizada no município de Ingá, no agreste do estado da Paraíba. Classificada como uma “itacoatiara” (termo do tupi que significa “pedra pintada” ou “riscada”), trata-se de um imenso bloco de gnaisse com cerca de 46 metros de comprimento e 3,8 metros de altura inteiramente coberto por inscrições rupestres profundas gravadas na rocha.

O painel exibe quase 400 gravuras enigmáticas que combinam diferentes formas geométricas e figurativas. O significado exato de toda essa simbologia permanece um mistério absoluto para a ciência.

 

 

 

“Em todo o planeta nós temos registros de pedras gravadas. Elas estão na África, no continente americano, na Europa, na Ásia e na Oceania. O sítio arqueológico itacoatiara do Ingá torna-se importante pela quantidade de gravuras que tem. E, também, pela beleza cênica. Esses dois pontos acabaram por transformar a Pedra do Ingá num dos sítios arqueológicos mais importantes do Brasil”. Juvandi de Souza Santos – Universidade Estadual da PB

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