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Solidariedade e cidadania na reconstrução da região do vale do Taquari-RS
São muitas as provações que a população das regiões do Vale do Taquari e de Porto Alegre vêm sofrendo
São muitas as provações que a população das regiões do Vale do Taquari e de Porto Alegre vêm sofrendo. As chuvas de junho deixaram os gaúchos em alerta máxima. Aos primeiros pingos, reacende a agonia das últimas tragédias. E, agora, com um agravante: o frio muito intenso. Hoje, mais preparados e atentos ao clima, empresários e autoridades acompanham a evolução das chuvas sem interromper os trabalhos de reconstrução. O empresário Ângelo Fontana, de Encantado-RS, presidente da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari, em entrevista à Folha do Meio, fala sobre o esforço para a recuperação da infraestrutura e mostra a importância da convergência entre a cidadania e a solidariedade.
A vida é uma professora severa. Primeiro aplica a prova, depois ensina a lição. As lições podem ser várias. Uma delas é fundamental para o bem-viver e o conviver: a solidariedade. Solidariedade é mais do que uma lição. É um ato de amor e um desafio humanitário. É onde o socorro, o apoio, a assistência e a doação começam por onde não se espera nada em troca. Contagia e se deixa contagiar. Toda tragédia traz reflexões e ações sobre como lidar com o desespero, com a aflição, com as perdas e a agonia. Essa entrevista com o empresário Ângelo Fontana, de Encantado-RS, presidente da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari, mostra a importância da convergência entre a cidadania e a solidariedade. Fontana explica como foi construída essa solidariedade nas trágicas enchentes do Rio Grande do Sul e como as lideranças empresariais e políticas da região se deram as mãos para se fortalecerem diante dos alertas, das buscas de soluções imediatas e permanentes, para os restauros e a reconstrução da autoestima e da infraestrutura da região.
SOLIDARIEDADE É REVIVER
TRAJETÓRIA DOS PRIMEIROS IMIGRANTES.

Inauguração da Ponte de Ilópolis, dia 17 de maio, uma das 10 pontes em construção: “Estamos revivendo o espírito de colaboração que marcou a trajetória dos nossos imigrantes, que juntos ergueram escolas e igrejas. Se dependêssemos exclusivamente do poder público, essas pontes – como essa de Ilópolis – levariam muito mais tempo para se tornar realidade.” ADELAR STEFFLER, vice-presidente da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari e presidente da Cooperativa Vale Log.
Não foi a primeira e não será a última vez que uma grande tragédia se abate sobre uma região brasileira. O importante é fazer da solidariedade e do enfrentamento de cada desafio uma nova visão sobre como lidar com esses momentos de sofrimento para abrandar as dores, prevenir e mitigar os riscos. Em maio de 2024, foi sobre o Rio Grande do Sul. O estado teve 96% do território atingido, 2,3 milhões de pessoas afetadas, 183 óbitos e prejuízos estimados em quase R$ 90 bilhões. Mas antes, tragédias de grande porte massacraram outros estados. Em 1983 e em 1984, Santa Catarina, especificamente o Vale do Itajaí, foi atingido por enchentes de grandes proporções. Em janeiro de 2000, ocorreu o vazamento de petróleo da Petrobras que despejou na Baia de Guanabara mais de 1,3 milhões de litros de óleo. Em novembro de 2015, o rompimento da barragem de rejeitos de minério, em Mariana, quando 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos escoaram por 663km pela bacia do Rio Doce. E, três anos depois, em janeiro de 2019, outro terrível acidente industrial e humanitário: o rompimento de barragem em Brumadinho, que causou a morte de 272 pessoas.

ÂNGELO FONTANA – ENTREVISTA
Ângelo César Fontana completa 65 anos dia 21 deste mês. Natural de Encantado, é casado com Sônia Martini e pai de dois filhos: Gabriela e Eduardo. Graduado em Administração de Empresas, Ângelo é sócio proprietário da Fontana S/A, de Encantado, e atual presidente da Associação Comercial e Industrial do município. Pela primeira vez dirige uma entidade regional. Com uma extensa trajetória no associativismo voluntário, Ângelo Fontana – como toda sua família – se engajou de corpo e alma na luta pela reconstrução de todo o Vale do Taquari depois de duas enchentes seguidas. Ele tem muito a dizer porque sabe que o desafio é grande e que tem um longo trabalho pela frente.
SILVESTRE – As chuvas, agora, do final de junho vieram com um agravante: muito frio. Diferente das quatro enchentes anteriores de 2023 e 2024. O Vale do Taquari suporta mais este desafio e está preparado para os próximos?
ANGELO FONTANA – Olha, as chuvas de junho trouxeram transtornos, mas sem grandes estragos. O nível dos rios subiu, mas ainda está sob controle. A verdade é que estamos melhor preparados para enfrentar as adversidades climáticas. Porém, muita coisa, ainda, deve ser feita como: construção de residências fora área inundação, mobilidade e infraestrutura viária, rede pluvial, retenção de encostas e desassoreamento dos rios. Uma coisa chama a atenção. Temos um apagão de oferta de mão de obra. Há enorme oferta de empregos, porém há falta de candidatos. Motivos? O elevado assistencialismo governamental, a falta de mão de obra especializada e até a falta de interesse dos jovens em frequentar cursos profissionalizantes.
Silvestre – Uma grande tragédia em duas grandes enchentes seguidas. Como foi a reação da população, das autoridades (municipais, estadual e federal) e da classe empresarial?
ÂNGELO – A reação da comunidade foi de uma coragem que nos orgulha. Mesmo diante de uma das maiores catástrofes naturais da história do Brasil, com perdas imensuráveis, vimos uma mobilização espontânea para salvar vizinhos, amigos e desconhecidos. As autoridades municipais foram as primeiras a agir, pois estavam na linha de frente. Já os governos estadual e federal se engajaram para dar suporte. No início, com verbas e equipes para o emergencial, para salvar vidas. Depois, com políticas voltadas a recuperação. A tragédia de maio do ano passado foi de grandes proporções, atingiu todo o RS. Só que o Vale do Taquari já tinha sofrido com a enchente de setembro de 2023. Como já tínhamos uma base de enfrentamento, em especial para retomada produtiva das empresas, o nosso trabalho, em termos de organização e de diagnóstico, serviu de referência para outras regiões atingidas no Estado.
Silvestre – Sim, e aí veio a enchente de maio de 2024.
ÂNGELO – Justamente, aí veio a de maio do ano passado. A classe empresarial respondeu com responsabilidade e solidariedade. Em poucos dias, a Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari (CIC-VT) (1*) articulou doações que superaram os 6 milhões de Reais, sem que nenhuma das 19 associações sentisse peso extra. Atuamos com agilidade, mas também com critério, respeitando as prioridades e a realidade de cada município.
Silvestre – A primeira ação era de emergência: salvar vidas e patrimônio. Como foi organizado?
ÂNGELO – Na emergência, foi a união que fez a diferença. As associações comerciais da região viraram centros logísticos de acolhimento e distribuição de donativos. A CIC-VT concentrou esforços em articular as empresas e entidades que tinham estrutura para ajudar: máquinas, caminhões, alojamentos, alimentos e recursos financeiros. Em paralelo, mantivemos diálogo com os comandos municipais de crise e com os órgãos de segurança pública para garantir que as ajudas fossem eficientes e seguras.
As ações foram bem coordenadas, apesar de toda a dificuldade de logística, de comunicação e de recursos. Recursos humanos e financeiro. A experiência prévia no associativismo voluntário mostrou seu valor: tínhamos redes mais organizadas para se mobilizar. Ainda que não estivéssemos na linha de frente para salvar vidas, pois isso fica a cargo do poder público, buscamos atuar em rede, do mais básico, na coleta de doações, na organização de voluntários. Tínhamos que agir com velocidade e compromisso.
Silvestre – Depois, veio a segunda ação: programar a reconstrução.
ÂNGELO – A reconstrução começou enquanto a água ainda não tinha baixado totalmente. Entendemos que não bastava esperar. Iniciamos com levantamentos técnicos, ouvindo diretamente os setores mais impactados, como indústria, comércio, logística e agricultura. Definimos três prioridades: infraestrutura regional, reativação das atividades produtivas e apoio à mão de obra afetada.

“Na primeira fase, lideramos associações e ajudamos prefeituras para reconstruir dez pontes no interior, reconstruir estradas vicinais, onde as pessoas estavam ilhadas. Sem acesso não há recomeço.” – ÂNGELO FONTANA
Silvestre – Como foram os primeiros passos?
ÂNGELO – Criamos grupos de trabalho específicos para dialogar com os governos, levar dados confiáveis e apresentar propostas concretas. Participamos de audiências, entregamos relatórios e fomos presença constante em Porto Alegre e Brasília. A reconstrução não podia ser tratada apenas como obra física. Ela também é social e econômica. Por isso, defendemos linhas de crédito acessíveis, políticas de manutenção de empregos e investimentos estruturantes.
Entre eles, o programa Reconstrói RS, feito pela Federasul, por meio do Instituto Ling (2*) e do Instituto Floresta (3*). Na primeira fase, lideramos associações e ajudamos prefeituras a reconstruir dez pontes no interior. Escolhemos localidades do interior que ficaram ilhadas. Foram quase 10 milhões de Reais em investimento privado, para construção de aberturas de passagens em estradas vicinais, como forma de auxiliar no escoamento da produção agrícola, e na vida das comunidades. Imagina que nem vans escolares podiam passar para levar crianças às escolas.
Silvestre – Como foi feito o inventário da destruição e a prioridade do que deveria e poderia ser reconstruído?
ÂNGELO – Esse trabalho foi coletivo. Os municípios fizeram suas partes com apoio técnico da Defesa Civil e das secretarias estaduais. A Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari se somou ao processo com informações do setor produtivo, ouvindo as empresas e as associações locais. Criamos um mapeamento regional dos impactos, focado em infraestrutura, capacidade produtiva e perdas logísticas. Foi com esses dados que levamos as necessidades reais da região para o governo estadual e federal.

Ângelo Fontana, presidente da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari, explica que “o objetivo central é a união de esforços e debater projetos que visem fortalecer a economia da região e melhorar a infraestrutura. Agora estamos em diálogo com o DNIT sobre a construção de uma segunda ponte sobre o rio Taquari”.
Silvestre – Houve um planejamento para tocar as obras da reconstrução?
ÂNGELO – A priorização se deu com base em três critérios: impacto econômico, função estratégica para a mobilidade e possibilidade de reativação rápida. A reconstrução das pontes, por exemplo, partiu de um projeto apoiado por doações empresariais, pois sabíamos que sem acesso não há recomeço. O inventário vem sendo atualizado conforme novos dados vão chegando. Aí buscamos as soluções mais viáveis técnicas e políticas.
Silvestre – Nesse “mutirão de solidariedade”, quem tomou as decisões? Era um grupo ou um conselho? Como era formado?
ÂNGELO – As decisões foram tomadas de forma colegiada. Criamos um núcleo de gestão emergencial, com representantes das associações empresariais, lideranças locais, membros da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari e, em muitos momentos, com a participação de autoridades municipais. Não houve protagonismo individual — tudo foi pensado em conjunto. A transparência foi uma diretriz. Trabalhamos com prestação de contas pública e ouvindo permanentemente os associados, os prefeitos e os técnicos das áreas de infraestrutura e desenvolvimento. A força da região do Vale está justamente nessa capacidade de trabalhar unido quando mais precisa.
Silvestre – Todo problema coletivo traz desafios e ensinamentos. Qual foi o maior desafio e o maior ensinamento?
ÂNGELO – O maior desafio foi transformar a dor em ação. As cenas que vivemos em setembro, novembro e maio foram duríssimas. Famílias inteiras perderam tudo. Mas não podíamos ficar paralisados. O desafio foi agir rápido, com responsabilidade, e manter o espírito coletivo. Para mim, o maior ensinamento foi entender, mais uma vez, que ninguém faz nada sozinho. A união entre setor produtivo, poder público e sociedade civil precisa deixar de ser eventual e virar permanente. Quando trabalhamos juntos, mostramos a força do Vale do Taquari. A força dos 37 municípios do Vale. Precisamos levar essa união para além das emergências, para o desenvolvimento contínuo da nossa região.

Os 37 municípios do Vale do Taquari no Rio Grande do Sul
“Das dez pontes articuladas pela Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari, todas tinham um papel estratégico. A mais difícil foi, sem dúvida, a primeira. Porque envolvia não só logística e recursos, mas também confiança de um começo”. – ÂNGELO FONTANA
Silvestre – Qual a relação das obras reconstruídas e qual foi a mais difícil?
ÂNGELO – Têm uma relação direta com a retomada da vida e da economia. Pontes, acessos e estradas são caminhos para o transporte escolar, para o escoamento da produção, para o socorro e para o reencontro das comunidades. Das dez pontes articuladas pela Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari, todas tinham um papel estratégico.
A mais difícil foi, sem dúvida, a primeira. Porque envolvia não só logística e recursos, mas também confiança. Era preciso mostrar que o setor empresarial podia liderar ações rápidas e efetivas, em parceria com as prefeituras. Depois da primeira ponte instalada, a credibilidade cresceu e as demais ações ganharam fôlego.

Inauguração, dia 31 de maio de 2025, da 6ª ponte do projeto “Construindo Pontes através do Associativismo”, na localidade de Linha Arroio Grande, no município de Arroio do Meio.

Na inauguração da ponte em Arroio do Meio, as presenças de autoridades locais e lideranças empresariais.
Silvestre – Planos futuros? Obras ainda a serem construídas?
ÂNGELO – Sim. Há muito o que fazer. Ainda temos acessos interditados, redes de abastecimento fragilizadas e estruturas precárias. Nosso foco é trabalhar para garantir que as obras prometidas saiam do papel, com recursos assegurados e cronogramas cumpridos. A Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari está mapeando essas demandas e cobrando providências constantes.

Lideranças da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari visitam o Instituto Ling e apresentam projetos de infraestrutura para 28 municípios. Na foto, da esquerda para a direita: Athos Cordeiro (Reconstrói-RS, Ivandro Carlos Rosa (Federasul), Eng. Luiz Todeschini (CIC-VT fiscalização de obras), Ângelo Fontana (presidente CIC-VT) e Sandra Mascovich (Instituto Ling). Atrás, Ricardo Portela Nunes e Mauro Touguinha Oliveira (ambos Reconstrói-RS). Depois, Adelar Steffler, Sérgio Klein (vice da CIC-VT), Eng. Marcelo Abella (Simon Engenharia), Antonino Schnorr (CIC-VT) e Horácio Joaelson Marins (Associação Cristo Protetor de Encantado).
Silvestre – Sim, o trabalho não para, mas cada um tem sua fase.
ÂNGELO – É verdade. São várias fases, e cada uma tem que ser cumprida e bem cumprida. Muito bem-feita! Agora estamos articulando as comunidades para a segunda fase dos projetos do Reconstrói RS. O total do fundo da Federasul é de R$ 40 milhões. Estamos com pelo menos 30 projetos inscritos para receber parte destes recursos.
Silvestre – E as obras para evitar novas tragédias?
ÂNGELO – Este é um ponto importante. Temos que reconstruir pensando sempre que a chuva vem e volta. Com maior ou menor intensidade. Por isto, primeiro, temos que ter estudos técnicos bem fundamentados. Depois viabilidade econômica. Antes de investir em contenções, proteção de encostas, redimensionamento de barragens e drenagens urbanas, também é preciso preparar a sociedade. Mudar a cultura. O Vale do Taquari sempre sofreu com enchentes. Claro, não na dimensão do que vimos entre 2023 e 2024. Mas precisamos de uma cultura voltada a prevenção. Cada família tem que estar preparada para seu próprio plano de contingência. Prioridade é sempre salvar vidas.
Silvestre – Os desafios quando bem enfrentados trazem também ensinamentos, não é?
ÂNGELO – Isso mesmo. A primeira coisa que as inundações nos ensinaram é algo simples, mas forte: temos que respeitar a natureza. Os municípios mais atingidos, estão revendo seus planos diretores. Não podemos permitir construções em áreas alagáveis ou quando há risco de deslizamento. Isso vale para indústrias, comércio e moradias.
Silvestre – Existe monitoramento e melhor planejamento?
ÂNGELO – Então, ao mesmo tempo que lutamos pela reconstrução temos que já pensar num melhor ou num conjunto de planejamento. Há necessidade de trabalhar com sensores capazes de antecipar as informações. A partir das tragédias, foram organizados fóruns e comissões multissetoriais e interdisciplinares. Temos especialistas, estudiosos, integrantes das defesas civis, da sociedade civil organizada, que estão construindo nossas estratégias. Tudo passa por previsibilidade, monitoramento e resposta. Isso precisa ficar muito claro para todo mundo.
Silvestre – Objetivamente, já existe projetos engatilhados para serem tocados?
ÂNGELO – Olha, estamos na segunda fase do Projeto ‘Reconstroi- RS’ e já temos, sim, 28 projetos prontos para serem tocados. Eles contemplam solicitações dos 37 municípios que compõem o Vale Taquari. Podem ser divididos em três setores: 1) Pontes em estradas vicinais dos municípios. 2) Restauro e construção de rede pluvial na zona urbana de vários municípios. 3) Muito importante, o trabalho de contenção de encostas.
“Nossa missão é a de administrar esses recursos desenvolvendo projetos, preparando orçamentos, fazendo as contratações, controlando a mão de obra, fiscalizando cada etapa e, no final, com transparência total, providenciando a prestação de contas para todos os entes e agentes envolvidos. Importante salientar: a obra pronta e inaugurada é doada integralmente a cada município”. – ÂNGELO FONTANA
Silvestre – E os recursos para implementação?
ÂNGELO – Essa é uma parte importante. Temos que viver a realidade de cada projeto. Por hora, os projetos com OK para serem executados remontam recursos na ordem de R$ 25 milhões. De onde vêm os recursos? Está tudo acertado: 70% via Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari como doação e 30% via administrações municipais e da comunidade.
Silvestre – Então, a Câmara da Indústria e Comércio recebe 70% do custo da obra. Como é a operação desses recursos?
ÂNGELO – Isso mesmo. Nossa missão é a de administrar esses recursos desenvolvendo projetos, preparando orçamentos, fazendo as contratações, controlando a mão de obra, fiscalizando cada etapa e, no final, com transparência total, providenciando a prestação de contas para todos os entes e agentes envolvidos. Importante salientar: a obra pronta e inaugurada é doada integralmente a cada município.

O Cristo Protetor de Encantado – o maior do Brasil – simboliza a solidariedade e a força da união. O monumento foi erguido pela população da cidade durante pandemia e duas enchentes seguidas. (Foto: Maurício Tonetto)
Silvestre – O Cristo Protetor de Encantado foi construído na hora certa para ajudar na reconstrução da cidade pelo empreendedorismo turístico e para aumentar a autoestima do povo. Fale um pouco sobre o Cristo Protetor.
ÂNGELO – O Cristo Protetor é um símbolo. Para Encantado, representa fé, coragem e visão de futuro. Ele foi construído com esforço comunitário, com doações, com trabalho voluntário e isso, por si só, já diz muito sobre o espírito da nossa gente.
Durante o trabalho de salvamento e reconstrução, o Cristo Protetor se tornou um ponto de esperança. Recebemos visitantes, doações e muito apoio. As pessoas olhavam para aquela imagem imponente e se lembravam de que somos capazes de fazer o impossível, orquestrar grandes obras mesmo em tempos difíceis. Além disso, o Cristo Protetor restaura nossa fé e é como um motor, uma luz que ilumina nosso caminho para a reconstrução e para o desenvolvimento. O turismo em Encantado cresceu, novos negócios surgiram, e o município tem uma nova frente de empreendedorismo sendo aberta. O Cristo representa proteção espiritual, mas também um novo caminho de prosperidade para a cidade e para o Vale do Taquari.
SAIBA MAIS
(1*) A Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari é uma entidade da classe produtiva que foi criada, em 23 de junho de 2024, para unificar e suprir as necessidades de gestão e apoio na reconstrução dos 37 municípios da região. São 19 entidades empresariais filiadas. Existe um portal para destacar e dar visibilidade as potencialidades e o dinamismo econômico e social do Vale do Taquari. < https://cicvaledotaquari.com.br >
(2*) – O Instituto Ling foi criado em 1995 pela família Ling, controladora da Évora S.A., com o objetivo de contribuir, de maneira justa e progressiva, na transformação da sociedade brasileira, valorizando a meritocracia, liberdade e solidariedade. < https://institutoling.org.br >
(3*) O Instituto Cultural Floresta (ICF) criou ações de solidariedade e apoio à Segurança Pública do RS desde 2016. O ICF nasceu da necessidade premente de apoiar os profissionais da segurança e evoluiu como uma força estratégica para soluções para comunidades e escolas gaúchas.
< https://institutoculturalfloresta.org.br/ >
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Museu do Catetinho estreia experiência em realidade virtual com inspiração em Tom Jobim e Vinicius de Moraes
Temporada do filme ‘Água de Beber’ começa neste sábado (25) e segue até setembro, com acesso gratuito aos visitantes
Por
Agência Brasília* | Edição: Chico Neto
O Museu do Catetinho, espaço gerido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), inaugura neste sábado (25) a exibição do curta-metragem Água de Beber em realidade virtual. A experiência estará disponível ao público até setembro, com seis óculos instalados em pontos fixos do museu para uso dos visitantes.
Com oito minutos de duração, o filme recria a inspiração da canção homônima de Tom Jobim e Vinicius de Moraes a partir da fonte localizada no próprio Catetinho. Dirigido por Filipe Gontijo e Henrique Siqueira, o curta propõe uma imersão sensorial que conecta memória, música e patrimônio histórico em um dos espaços simbólicos da capital federal.
A iniciativa conta com o Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), instrumento público de fomento que viabiliza projetos culturais em diferentes linguagens e territórios. No caso da produção audiovisual, o recurso permite ampliar o acesso da população a novas formas de fruição cultural, incorporando tecnologias como a realidade virtual ao circuito de visitação.
Para o secretário interino de Cultura e Economia Criativa do DF, Fernando Modesto, a ação evidencia o papel das políticas públicas no fortalecimento da cultura e na valorização dos espaços históricos. “Ao ocupar o Museu do Catetinho com uma experiência que dialoga com a história da música brasileira e com a identidade do espaço, ampliamos as possibilidades de fruição cultural e reforçamos o compromisso do poder público com a democratização da cultura”, afirma.
*Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa
Foto: Diogo Lima / Agência CLDF
Mais do que um cartão-postal reconhecido mundialmente por sua arquitetura e urbanismo, Brasília é uma cidade pulsante, construída diariamente por pessoas que transformam sonhos em realidade. Capital do país e símbolo de modernidade, a cidade reúne história, diversidade cultural e desenvolvimento, mantendo vivo o espírito inovador que marcou sua criação.
Ao longo de seus 66 anos, Brasília consolidou-se como centro político e administrativo do Brasil, mas também como espaço de oportunidades, acolhimento e cidadania. Em cada região administrativa, a população ajuda a escrever uma trajetória marcada por crescimento, trabalho e esperança no futuro.
Nesse caminho, a Câmara Legislativa do Distrito Federal desempenha papel essencial ao representar a voz da população, criar leis e fiscalizar ações que impactam diretamente a vida dos cidadãos. O trabalho parlamentar contribui para fortalecer políticas públicas e garantir direitos em áreas fundamentais como saúde, educação, mobilidade e segurança.
Celebrar o aniversário de Brasília é reconhecer a grandeza de uma cidade planejada para o futuro e construída por todos os brasilienses. Mais do que monumentos e paisagens icônicas, Brasília é feita de pessoas, histórias e conquistas que seguem moldando o presente e inspirando as próximas gerações.
Agência CLDF
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Mariangela Hungria está na lista Time das 100 personalidades mais influentes do mundo
A pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria está na lista TIME100 2026, na categoria Pioneiros (Pioneers), que reconhece as 100 pessoas mais influentes do mundo
A pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria está na lista TIME100 2026, na categoria Pioneiros (Pioneers), que reconhece as 100 pessoas mais influentes do mundo. A lista disponibilizada hoje no site da Time reconhece o impacto, a inovação e as conquistas de personalidades mundiais. Mariangela destacou a emoção com o reconhecimento e disse que a conquista ainda parece difícil de acreditar. “Estamos falando de um reconhecimento das pessoas mais influentes do mundo”, afirmou. A pesquisadora também ressaltou o orgulho de representar a ciência brasileira no cenário internacional. Para ela, essa valorização não é resultado apenas sua trajetória, mas do trabalho desenvolvido na Embrapa, especialmente na área de insumos biológicos na agricultura. “É um grande orgulho para a pesquisa brasileira, principalmente por um tema tão relevante: o uso de biológicos substituindo produtos químicos”, explicou.
Mariangela destacou ainda que esse reconhecimento reflete uma mudança global de percepção, com maior valorização de práticas sustentáveis e da produção de alimentos mais saudáveis. “Isso mostra que o mundo considera importante produzir alimentos que promovam a saúde do solo e das pessoas, com menos resíduos químicos, dentro do conceito de saúde única”, disse. Ela acredita que a visibilidade pode fortalecer ainda mais o protagonismo do Brasil no setor. “Além da alegria pelo reconhecimento, isso ajuda a divulgar essa bandeira dos biológicos, na qual o Brasil já é líder mundial — e pode se tornar ainda mais”, concluiu.
Quem é Mariangela Hungria
Nascida em 06 de fevereiro de 1958, em São Paulo, e criada em Itapetinga (SP), Mariangela Hungria é engenheira agrônoma, pesquisadora e professora universitária, reconhecida mundialmente por sua contribuição ao desenvolvimento de insumos biológicos para a agricultura brasileira. Desde a infância, teve curiosidade por conhecer o que envolve os aspectos relacionados à terra, à água e ao ar. Quando tinha oito anos, ganhou da avó materna o livro “Caçadores de Micróbios”, de Paul de Kruif, sobre a vida de microbiologistas. Depois dessa leitura, decidiu que queria ser microbiologista, mas não na área médica — tinha que ser sobre solo e plantas. Sua busca por conhecimento e seu espírito científico, a levaram a cursar Engenharia Agronômica e se especializar em microbiologia do solo, tornando-se uma das mais renomadas microbiologistas do mundo.
Desde 1982, Mariangela desenvolve inovações que resultaramno lançamento de mais de 30 tecnologias. A cientista possui mais de 500 publicações científicas, documentos técnicos, livros e capítulos de livros. Também já orientou mais de 200 alunos de graduação e pós-graduação.
Para a pesquisadora, há uma crescente demanda global por aumento da produção e da qualidade dos alimentos, mas com sustentabilidade, o que significa reduzir a poluição do solo e da água e diminuir as emissões de gases de efeito estufa. De acordo com Mariangela, o desenvolvimento sustentável na agricultura deve se alinhar com novos conceitos, enfatizando a “Saúde Única” (One Health), a “Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG)” e a nova visão de agricultura regenerativa. Essa abordagem busca produzir mais com menos — menos insumos, menos água, menos terra, menos esforço humano e menor impacto ambiental.
Contribuições à produção agrícola
O foco das pesquisas de Mariangela Hungria tem sido no aumento da produção e na qualidade de alimentos por meio da substituição, total ou parcial, de fertilizantes químicos por microrganismos portadores de propriedades como a fixação biológica de nitrogênio (FBN), a síntese de fitormônios e a solubilização de fosfatos e rochas potássicas. Ela obteve resultados inovadores ao provar que, ao contrário de relatos dos EUA, Austrália e Europa, a inoculação anual da soja com Bradyrhizobium aumenta, em média, 8% a produção de grãos de soja. Ainda mais relevante, altos rendimentos são conseguidos sem nenhuma aplicação de fertilizante nitrogenado e a confirmação desses benefícios pelo agricultor está na adoção dessa prática, 85% de toda a área cultivada com soja.
Outra tecnologia lançada pela pesquisadora, em 2014, foi a coinoculação da soja, que une as bactérias fixadoras de nitrogênio (Bradyrhizobium) e as bactérias promotoras de crescimento de plantas (Azospirillum brasilense). Em pouco mais de dez anos, a coinoculação passou a ser adotada em aproximadamente 35% da área total cultivada de soja.
Reunindo os benefícios da inoculação e da coinoculação da soja, somente em 2025, a economia estimada, ao dispensar o uso de fertilizantes nitrogenados, foi estimada em 25 bilhões de dólares. Além do benefício econômico, o uso dessas bactérias ajudou a mitigar, em 2024, a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalentes para a atmosfera.
Associado aos trabalhos com soja, a pesquisadora também coordena pesquisas que culminaram com o lançamento de outras tecnologias: autorização/recomendação de bactérias (rizóbios) e coinoculação para a cultura do feijoeiro, Azospirillum brasiliense para as culturas do milho e do trigo e de pastagens com braquiárias. Ainda em relação às gramíneas, em 2021, a equipe da pesquisadora lançou uma tecnologia que permite a redução de 25% na fertilização nitrogenada de cobertura em milho por meio da inoculação com A. brasilense, gerando benefícios econômicos significativos para os agricultores e impactos ambientais positivos para o país.
Trajetória profissional
Mariangela Hungria é Engenharia Agronômica (Esalq/USP),com mestrado em Solos e Nutrição de Plantas (Esalq/USP), doutorado em Ciência do Solo (UFRRJ). Na sequência,cursou o doutorado na UFRRJ. A tese foi realizada na Embrapa, a convite da pesquisadora Johanna Döbereiner, cientista que revolucionou a agricultura tropical ao descobrir e aplicar a fixação biológica de nitrogênio (FBN) em culturas agrícolas. Mariangela considera Johanna Döbereiner a mentora mais influente da sua carreira, por ter colaborado decisivamente com sua formação como cientista.
Em 1982, tornou-se pesquisadora da Embrapa: inicialmente na Embrapa Agrobiologia (Seropédica, RJ) e, desde 1991, na Embrapa Soja (Londrina, PR). Mariangela acumula ainda três pós-doutorado em universidades nos Estados Unidos e Espanha (Cornell University, University of California-Davis e Universidade de Sevilla).
RECONHECIMENTOS
Mariangela Hungria, laureada da edição de 2025 do Prêmio Mundial de Alimentação – World Food Prize (WFP) – reconhecido como o “Nobel da Agricultura”, recebeu a homenagem em 23 de outubro, em Des Moines, nos Estados Unidos. O Prêmio, concedido pela Fundação World FoodPrize, celebra o impacto positivo das pesquisas da cientista brasileira e sua contribuição ao desenvolvimento de insumos biológicos para a agricultura brasileira.
Mariangela é também comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico e membro titular da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Brasileira de Ciência Agronômica e da Academia Mundial de Ciências. É professora e orientadora da pós-graduação em Microbiologia e em Biotecnologia na Universidade Estadual de Londrina. Atua também na Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e na Sociedade Brasileira de Microbiologia.
Desde 2020 Mariangela está classificada entre os 100 mil cientistas mais influentes no mundo, de acordo com o estudo da Universidade de Stanford (EUA). Em 2022, a pesquisadora ocupou a primeira posição brasileira, confirmada em 2025, em Fitotecnia e Agronomia (Plant Science and Agronomy) e em Microbiologia, em lista publicada pelo Research.com, um site que oferece dados sobre contribuições científicas em nível mundial.
Já recebeu várias premiações pela sustentabilidade em agricultura, como o Frederico Menezes, Lenovo-Academia Mundial de Ciências, da Frente Parlamentar Agropecuária eda Fundação Bunge. Em 2025, recebeu o Prêmio Mulheres e Ciência, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com o Ministério das Mulheres, o British Council e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe. Em 2026, entrou na lista Forbes que destaca 10 personalidades mundiais que personificam a liderança no agronegócio.
Lebna Landgraf (MTb 2903 -PR)
Embrapa Soja
Contatos para a imprensa
soja.imprensa@embrapa.br
Telefone: (43) 3371-6061
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