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Solidariedade e cidadania na reconstrução da região do vale do Taquari-RS

São muitas as provações que a população das regiões do Vale do Taquari e de Porto Alegre vêm sofrendo

 

São muitas as provações que a população das regiões do Vale do Taquari e de Porto Alegre vêm sofrendo. As chuvas de junho deixaram os gaúchos em alerta máxima. Aos primeiros pingos, reacende a agonia das últimas tragédias. E, agora, com um agravante: o frio muito intenso. Hoje, mais preparados e atentos ao clima, empresários e autoridades acompanham a evolução das chuvas sem interromper os trabalhos de reconstrução. O empresário Ângelo Fontana, de Encantado-RS, presidente da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari, em entrevista à Folha do Meio, fala sobre o esforço para a recuperação da infraestrutura e mostra a importância da convergência entre a cidadania e a solidariedade.

 

A vida é uma professora severa. Primeiro aplica a prova, depois ensina a lição. As lições podem ser várias. Uma delas é fundamental para o bem-viver e o conviver: a solidariedade. Solidariedade é mais do que uma lição. É um ato de amor e um desafio humanitário. É onde o socorro, o apoio, a assistência e a doação começam por onde não se espera nada em troca. Contagia e se deixa contagiar. Toda tragédia traz reflexões e ações sobre como lidar com o desespero, com a aflição, com as perdas e a agonia. Essa entrevista com o empresário Ângelo Fontana, de Encantado-RS, presidente da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari, mostra a importância da convergência entre a cidadania e a solidariedade. Fontana explica como foi construída essa solidariedade nas trágicas enchentes do Rio Grande do Sul e como as lideranças empresariais e políticas da região se deram as mãos para se fortalecerem diante dos alertas, das buscas de soluções imediatas e permanentes, para os restauros e a reconstrução da autoestima e da infraestrutura da região.

 

SOLIDARIEDADE É REVIVER

TRAJETÓRIA DOS PRIMEIROS IMIGRANTES.

 

Inauguração da Ponte de Ilópolis, dia 17 de maio, uma das 10 pontes em construção: “Estamos revivendo o espírito de colaboração que marcou a trajetória dos nossos imigrantes, que juntos ergueram escolas e igrejas. Se dependêssemos exclusivamente do poder público, essas pontes – como essa de Ilópolis – levariam muito mais tempo para se tornar realidade.” ADELAR STEFFLER, vice-presidente da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari e presidente da Cooperativa Vale Log.

 

Não foi a primeira e não será a última vez que uma grande tragédia se abate sobre uma região brasileira. O importante é fazer da solidariedade e do enfrentamento de cada desafio uma nova visão sobre como lidar com esses momentos de sofrimento para abrandar as dores, prevenir e mitigar os riscos.  Em maio de 2024, foi sobre o Rio Grande do Sul. O estado teve 96% do território atingido, 2,3 milhões de pessoas afetadas, 183 óbitos e prejuízos estimados em quase R$ 90 bilhões. Mas antes, tragédias de grande porte massacraram outros estados. Em 1983 e em 1984, Santa Catarina, especificamente o Vale do Itajaí, foi atingido por enchentes de grandes proporções. Em janeiro de 2000, ocorreu o vazamento de petróleo da Petrobras que despejou na Baia de Guanabara mais de 1,3 milhões de litros de óleo. Em novembro de 2015, o rompimento da barragem de rejeitos de minério, em Mariana, quando 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos escoaram por 663km pela bacia do Rio Doce. E, três anos depois, em janeiro de 2019, outro terrível acidente industrial e humanitário: o rompimento de barragem em Brumadinho, que causou a morte de 272 pessoas.

ÂNGELO FONTANA – ENTREVISTA

 Ângelo César Fontana completa 65 anos dia 21 deste mês. Natural de Encantado, é casado com Sônia Martini e pai de dois filhos: Gabriela e Eduardo. Graduado em Administração de Empresas, Ângelo é sócio proprietário da Fontana S/A, de Encantado, e atual presidente da Associação Comercial e Industrial do município. Pela primeira vez dirige uma entidade regional. Com uma extensa trajetória no associativismo voluntário, Ângelo Fontana – como toda sua família – se engajou de corpo e alma na luta pela reconstrução de todo o Vale do Taquari depois de duas enchentes seguidas. Ele tem muito a dizer porque sabe que o desafio é grande e que tem um longo trabalho pela frente.

 

SILVESTRE – As chuvas, agora, do final de junho vieram com um agravante: muito frio. Diferente das quatro enchentes anteriores de 2023 e 2024. O Vale do Taquari suporta mais este desafio e está preparado para os próximos?

ANGELO FONTANA – Olha, as chuvas de junho trouxeram transtornos, mas sem grandes estragos. O nível dos rios subiu, mas ainda está sob controle. A verdade é que estamos melhor preparados para enfrentar as adversidades climáticas. Porém, muita coisa, ainda, deve ser feita como: construção de residências fora área inundação, mobilidade e infraestrutura viária, rede pluvial, retenção de encostas e desassoreamento dos rios. Uma coisa chama a atenção. Temos um apagão de oferta de mão de obra. Há enorme oferta de empregos, porém há falta de candidatos. Motivos? O elevado assistencialismo governamental, a falta de mão de obra especializada e até a falta de interesse dos jovens em frequentar cursos profissionalizantes.

 

Silvestre – Uma grande tragédia em duas grandes enchentes seguidas. Como foi a reação da população, das autoridades (municipais, estadual e federal) e da classe empresarial?

ÂNGELO – A reação da comunidade foi de uma coragem que nos orgulha. Mesmo diante de uma das maiores catástrofes naturais da história do Brasil, com perdas imensuráveis, vimos uma mobilização espontânea para salvar vizinhos, amigos e desconhecidos. As autoridades municipais foram as primeiras a agir, pois estavam na linha de frente. Já os governos estadual e federal se engajaram para dar suporte. No início, com verbas e equipes para o emergencial, para salvar vidas. Depois, com políticas voltadas a recuperação. A tragédia de maio do ano passado foi de grandes proporções, atingiu todo o RS. Só que o Vale do Taquari já tinha sofrido com a enchente de setembro de 2023. Como já tínhamos uma base de enfrentamento, em especial para retomada produtiva das empresas, o nosso trabalho, em termos de organização e de diagnóstico, serviu de referência para outras regiões atingidas no Estado.

 

Silvestre – Sim, e aí veio a enchente de maio de 2024.

ÂNGELO – Justamente, aí veio a de maio do ano passado. A classe empresarial respondeu com responsabilidade e solidariedade. Em poucos dias, a Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari (CIC-VT) (1*) articulou doações que superaram os 6 milhões de Reais, sem que nenhuma das 19 associações sentisse peso extra. Atuamos com agilidade, mas também com critério, respeitando as prioridades e a realidade de cada município.

 

Silvestre – A primeira ação era de emergência: salvar vidas e patrimônio. Como foi organizado?

ÂNGELO – Na emergência, foi a união que fez a diferença. As associações comerciais da região viraram centros logísticos de acolhimento e distribuição de donativos. A CIC-VT concentrou esforços em articular as empresas e entidades que tinham estrutura para ajudar: máquinas, caminhões, alojamentos, alimentos e recursos financeiros. Em paralelo, mantivemos diálogo com os comandos municipais de crise e com os órgãos de segurança pública para garantir que as ajudas fossem eficientes e seguras.

As ações foram bem coordenadas, apesar de toda a dificuldade de logística, de comunicação e de recursos. Recursos humanos e financeiro. A experiência prévia no associativismo voluntário mostrou seu valor: tínhamos redes mais organizadas para se mobilizar. Ainda que não estivéssemos na linha de frente para salvar vidas, pois isso fica a cargo do poder público, buscamos atuar em rede, do mais básico, na coleta de doações, na organização de voluntários. Tínhamos que agir com velocidade e compromisso.

Silvestre – Depois, veio a segunda ação: programar a reconstrução.

ÂNGELO – A reconstrução começou enquanto a água ainda não tinha baixado totalmente. Entendemos que não bastava esperar. Iniciamos com levantamentos técnicos, ouvindo diretamente os setores mais impactados, como indústria, comércio, logística e agricultura. Definimos três prioridades: infraestrutura regional, reativação das atividades produtivas e apoio à mão de obra afetada.

“Na primeira fase, lideramos associações e ajudamos prefeituras para reconstruir dez pontes no interior, reconstruir estradas vicinais, onde as pessoas estavam ilhadas. Sem acesso não há recomeço.” – ÂNGELO FONTANA

 

Silvestre – Como foram os primeiros passos?

ÂNGELO – Criamos grupos de trabalho específicos para dialogar com os governos, levar dados confiáveis e apresentar propostas concretas. Participamos de audiências, entregamos relatórios e fomos presença constante em Porto Alegre e Brasília. A reconstrução não podia ser tratada apenas como obra física. Ela também é social e econômica. Por isso, defendemos linhas de crédito acessíveis, políticas de manutenção de empregos e investimentos estruturantes.

Entre eles, o programa Reconstrói RS, feito pela Federasul, por meio do Instituto Ling (2*) e do Instituto Floresta (3*). Na primeira fase, lideramos associações e ajudamos prefeituras a reconstruir dez pontes no interior. Escolhemos localidades do interior que ficaram ilhadas. Foram quase 10 milhões de Reais em investimento privado, para construção de aberturas de passagens em estradas vicinais, como forma de auxiliar no escoamento da produção agrícola, e na vida das comunidades. Imagina que nem vans escolares podiam passar para levar crianças às escolas.

Silvestre – Como foi feito o inventário da destruição e a prioridade do que deveria e poderia ser reconstruído?

ÂNGELO – Esse trabalho foi coletivo. Os municípios fizeram suas partes com apoio técnico da Defesa Civil e das secretarias estaduais. A Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari se somou ao processo com informações do setor produtivo, ouvindo as empresas e as associações locais. Criamos um mapeamento regional dos impactos, focado em infraestrutura, capacidade produtiva e perdas logísticas. Foi com esses dados que levamos as necessidades reais da região para o governo estadual e federal.

Ângelo Fontana, presidente da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari, explica que “o objetivo central é a união de esforços e debater projetos que visem fortalecer a economia da região e melhorar a infraestrutura. Agora estamos em diálogo com o DNIT sobre a construção de uma segunda ponte sobre o rio Taquari”.

 

Silvestre – Houve um planejamento para tocar as obras da reconstrução?

ÂNGELO – A priorização se deu com base em três critérios: impacto econômico, função estratégica para a mobilidade e possibilidade de reativação rápida. A reconstrução das pontes, por exemplo, partiu de um projeto apoiado por doações empresariais, pois sabíamos que sem acesso não há recomeço. O inventário vem sendo atualizado conforme novos dados vão chegando. Aí buscamos as soluções mais viáveis técnicas e políticas.

 

Silvestre – Nesse “mutirão de solidariedade”, quem tomou as decisões? Era um grupo ou um conselho? Como era formado?

ÂNGELO – As decisões foram tomadas de forma colegiada. Criamos um núcleo de gestão emergencial, com representantes das associações empresariais, lideranças locais, membros da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari e, em muitos momentos, com a participação de autoridades municipais. Não houve protagonismo individual — tudo foi pensado em conjunto. A transparência foi uma diretriz. Trabalhamos com prestação de contas pública e ouvindo permanentemente os associados, os prefeitos e os técnicos das áreas de infraestrutura e desenvolvimento. A força da região do Vale está justamente nessa capacidade de trabalhar unido quando mais precisa.

Silvestre – Todo problema coletivo traz desafios e ensinamentos. Qual foi o maior desafio e o maior ensinamento?

ÂNGELO – O maior desafio foi transformar a dor em ação. As cenas que vivemos em setembro, novembro e maio foram duríssimas. Famílias inteiras perderam tudo. Mas não podíamos ficar paralisados. O desafio foi agir rápido, com responsabilidade, e manter o espírito coletivo. Para mim, o maior ensinamento foi entender, mais uma vez, que ninguém faz nada sozinho. A união entre setor produtivo, poder público e sociedade civil precisa deixar de ser eventual e virar permanente. Quando trabalhamos juntos, mostramos a força do Vale do Taquari. A força dos 37 municípios do Vale. Precisamos levar essa união para além das emergências, para o desenvolvimento contínuo da nossa região.

Os 37 municípios do Vale do Taquari no Rio Grande do Sul

“Das dez pontes articuladas pela Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari, todas tinham um papel estratégico. A mais difícil foi, sem dúvida, a primeira. Porque envolvia não só logística e recursos, mas também confiança de um começo”. – ÂNGELO FONTANA

 

Silvestre – Qual a relação das obras reconstruídas e qual foi a mais difícil?

ÂNGELO – Têm uma relação direta com a retomada da vida e da economia. Pontes, acessos e estradas são caminhos para o transporte escolar, para o escoamento da produção, para o socorro e para o reencontro das comunidades. Das dez pontes articuladas pela Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari, todas tinham um papel estratégico.

A mais difícil foi, sem dúvida, a primeira. Porque envolvia não só logística e recursos, mas também confiança. Era preciso mostrar que o setor empresarial podia liderar ações rápidas e efetivas, em parceria com as prefeituras. Depois da primeira ponte instalada, a credibilidade cresceu e as demais ações ganharam fôlego.

Inauguração, dia 31 de maio de 2025, da 6ª ponte do projeto “Construindo Pontes através do Associativismo”, na localidade de Linha Arroio Grande, no município de Arroio do Meio.

Na inauguração da ponte em Arroio do Meio, as presenças de autoridades locais e lideranças empresariais.

Silvestre – Planos futuros? Obras ainda a serem construídas?

ÂNGELO – Sim. Há muito o que fazer. Ainda temos acessos interditados, redes de abastecimento fragilizadas e estruturas precárias. Nosso foco é trabalhar para garantir que as obras prometidas saiam do papel, com recursos assegurados e cronogramas cumpridos. A Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari está mapeando essas demandas e cobrando providências constantes.

Lideranças da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari visitam o Instituto Ling e apresentam projetos de infraestrutura para 28 municípios. Na foto, da esquerda para a direita: Athos Cordeiro (Reconstrói-RS, Ivandro Carlos Rosa (Federasul), Eng. Luiz Todeschini (CIC-VT fiscalização de obras), Ângelo Fontana (presidente CIC-VT) e Sandra Mascovich (Instituto Ling). Atrás, Ricardo Portela Nunes e Mauro Touguinha Oliveira (ambos Reconstrói-RS). Depois, Adelar Steffler, Sérgio Klein (vice da CIC-VT), Eng. Marcelo Abella (Simon Engenharia), Antonino Schnorr (CIC-VT) e Horácio Joaelson Marins (Associação Cristo Protetor de Encantado).

 

Silvestre – Sim, o trabalho não para, mas cada um tem sua fase.

ÂNGELO – É verdade. São várias fases, e cada uma tem que ser cumprida e bem cumprida. Muito bem-feita! Agora estamos articulando as comunidades para a segunda fase dos projetos do Reconstrói RS. O total do fundo da Federasul é de R$ 40 milhões. Estamos com pelo menos 30 projetos inscritos para receber parte destes recursos.

 

Silvestre – E as obras para evitar novas tragédias?
ÂNGELO
 – Este é um ponto importante. Temos que reconstruir pensando sempre que a chuva vem e volta. Com maior ou menor intensidade. Por isto, primeiro, temos que ter estudos técnicos bem fundamentados. Depois viabilidade econômica. Antes de investir em contenções, proteção de encostas, redimensionamento de barragens e drenagens urbanas, também é preciso preparar a sociedade. Mudar a cultura. O Vale do Taquari sempre sofreu com enchentes. Claro, não na dimensão do que vimos entre 2023 e 2024. Mas precisamos de uma cultura voltada a prevenção. Cada família tem que estar preparada para seu próprio plano de contingência. Prioridade é sempre salvar vidas.

 

Silvestre – Os desafios quando bem enfrentados trazem também ensinamentos, não é?

ÂNGELO – Isso mesmo. A primeira coisa que as inundações nos ensinaram é algo simples, mas forte: temos que respeitar a natureza. Os municípios mais atingidos, estão revendo seus planos diretores. Não podemos permitir construções em áreas alagáveis ou quando há risco de deslizamento. Isso vale para indústrias, comércio e moradias.

 

Silvestre – Existe monitoramento e melhor planejamento?

ÂNGELO – Então, ao mesmo tempo que lutamos pela reconstrução temos que já pensar num melhor ou num conjunto de planejamento. Há necessidade de trabalhar com sensores capazes de antecipar as informações. A partir das tragédias, foram organizados fóruns e comissões multissetoriais e interdisciplinares. Temos especialistas, estudiosos, integrantes das defesas civis, da sociedade civil organizada, que estão construindo nossas estratégias. Tudo passa por previsibilidade, monitoramento e resposta. Isso precisa ficar muito claro para todo mundo.

Silvestre – Objetivamente, já existe projetos engatilhados para serem tocados?

ÂNGELO – Olha, estamos na segunda fase do Projeto ‘Reconstroi- RS’ e já temos, sim, 28 projetos prontos para serem tocados. Eles contemplam solicitações dos 37 municípios que compõem o Vale Taquari. Podem ser divididos em três setores: 1) Pontes em estradas vicinais dos municípios. 2) Restauro e construção de rede pluvial na zona urbana de vários municípios. 3) Muito importante, o trabalho de contenção de encostas.

 

“Nossa missão é a de administrar esses recursos desenvolvendo projetos, preparando orçamentos, fazendo as contratações, controlando a mão de obra, fiscalizando cada etapa e, no final, com transparência total, providenciando a prestação de contas para todos os entes e agentes envolvidos. Importante salientar: a obra pronta e inaugurada é doada integralmente a cada município”. – ÂNGELO FONTANA

 

Silvestre – E os recursos para implementação?
ÂNGELO – Essa é uma parte importante. Temos que viver a realidade de cada projeto. Por hora, os projetos com OK para serem executados remontam recursos na ordem de R$ 25 milhões. De onde vêm os recursos? Está tudo acertado: 70% via Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari como doação e 30% via administrações municipais e da comunidade.

 

Silvestre – Então, a Câmara da Indústria e Comércio recebe 70% do custo da obra.  Como é a operação desses recursos?
ÂNGELO – Isso mesmo. Nossa missão é a de administrar esses recursos desenvolvendo projetos, preparando orçamentos, fazendo as contratações, controlando a mão de obra, fiscalizando cada etapa e, no final, com transparência total, providenciando a prestação de contas para todos os entes e agentes envolvidos. Importante salientar: a obra pronta e inaugurada é doada integralmente a cada município.

 

O Cristo Protetor de Encantado – o maior do Brasil – simboliza a solidariedade e a força da união. O monumento foi erguido pela população da cidade durante pandemia e duas enchentes seguidas. (Foto: Maurício Tonetto)

 

Silvestre – O Cristo Protetor de Encantado foi construído na hora certa para ajudar na reconstrução da cidade pelo empreendedorismo turístico e para aumentar a autoestima do povo. Fale um pouco sobre o Cristo Protetor.

ÂNGELO – O Cristo Protetor é um símbolo. Para Encantado, representa fé, coragem e visão de futuro. Ele foi construído com esforço comunitário, com doações, com trabalho voluntário e isso, por si só, já diz muito sobre o espírito da nossa gente.

Durante o trabalho de salvamento e reconstrução, o Cristo Protetor se tornou um ponto de esperança. Recebemos visitantes, doações e muito apoio. As pessoas olhavam para aquela imagem imponente e se lembravam de que somos capazes de fazer o impossível, orquestrar grandes obras mesmo em tempos difíceis. Além disso, o Cristo Protetor restaura nossa fé e é como um motor, uma luz que ilumina nosso caminho para a reconstrução e para o desenvolvimento. O turismo em Encantado cresceu, novos negócios surgiram, e o município tem uma nova frente de empreendedorismo sendo aberta. O Cristo representa proteção espiritual, mas também um novo caminho de prosperidade para a cidade e para o Vale do Taquari.

 

SAIBA MAIS

 

(1*) A Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari é uma entidade da classe produtiva que foi criada, em 23 de junho de 2024, para unificar e suprir as necessidades de gestão e apoio na reconstrução dos 37 municípios da região. São 19 entidades empresariais filiadas. Existe um portal para destacar e dar visibilidade as potencialidades e o dinamismo econômico e social do Vale do Taquari. < https://cicvaledotaquari.com.br >

 

(2*) – O Instituto Ling foi criado em 1995 pela família Ling, controladora da Évora S.A., com o objetivo de contribuir, de maneira justa e progressiva, na transformação da sociedade brasileira, valorizando a meritocracia, liberdade e solidariedade. < https://institutoling.org.br >

 

(3*) O Instituto Cultural Floresta (ICF) criou ações de solidariedade e apoio à Segurança Pública do RS desde 2016. O ICF nasceu da necessidade premente de apoiar os profissionais da segurança e evoluiu como uma força estratégica para soluções para comunidades e escolas gaúchas.

https://institutoculturalfloresta.org.br/ >

 

 

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O papel do brincar na regulação emocional das crianças

Como as brincadeiras ajudam a desenvolver autocontrole, empatia e equilíbrio emocional desde a infância

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Por Alcie Simão  

Brincar é muito mais do que passar o tempo ou gastar energia. Para a criança, a brincadeira é uma linguagem essencial — uma forma de compreender o mundo, expressar sentimentos e aprender a lidar com frustrações, medos, alegrias e desafios. Em um cotidiano cada vez mais acelerado, reconhecer o valor do brincar livre e guiado é fundamental para o desenvolvimento emocional saudável.

Brincar é sentir, experimentar e elaborar

Durante as brincadeiras, as crianças simulam situações da vida real: cuidam de bonecos, encenam conflitos, inventam aventuras, criam regras e negociam papéis. Tudo isso funciona como um “laboratório emocional”, onde elas podem experimentar sentimentos em um ambiente seguro.

Quando uma criança finge ser médica, super-heroína ou professora, por exemplo, está também elaborando experiências vividas, tentando compreender o que sentiu e ensaiando novas respostas para o futuro. Esse processo ajuda a organizar emoções internas que, muitas vezes, ainda não conseguem ser expressas em palavras.

Regulação emocional começa no corpo

Correr, pular, dançar, construir, desmontar, desenhar e modelar massinha são atividades que envolvem o corpo e os sentidos. Esse movimento é essencial para liberar tensões, reduzir ansiedade e ajudar a criança a se acalmar depois de momentos intensos.

Brincadeiras físicas contribuem para:

  • descarregar estresse acumulado;
  • aumentar a consciência corporal;
  • favorecer o autocontrole;
  • melhorar a capacidade de foco após a atividade.

Já as brincadeiras mais tranquilas, como quebra-cabeças, jogos de encaixe ou leitura compartilhada, ajudam a desacelerar e encontrar estados de calma e concentração.

Aprender a lidar com frustrações e conflitos

Nem toda brincadeira é fácil — e isso é ótimo. Perder um jogo, esperar a vez, seguir regras ou negociar com amigos são experiências que desafiam emocionalmente a criança. Com apoio adulto, esses momentos se tornam oportunidades valiosas de aprendizado.

Ao vivenciar pequenas frustrações no brincar, a criança desenvolve:

  • tolerância ao erro;
  • persistência;
  • flexibilidade;
  • capacidade de resolver problemas;
  • empatia.

Essas competências formam a base da autorregulação emocional, habilidade que será usada por toda a vida.

O papel dos adultos: presença sem controle excessivo

Pais, cuidadores e educadores têm um papel importante nesse processo. Não é necessário dirigir cada brincadeira — muitas vezes, observar e estar disponível já é suficiente. Quando a criança convida o adulto para participar, entrar no jogo com curiosidade e respeito fortalece o vínculo e amplia a segurança emocional.

Algumas atitudes que ajudam:

  • validar sentimentos (“parece que você ficou frustrado, quer tentar de novo?”);
  • evitar resolver tudo imediatamente;
  • estimular a nomeação das emoções;
  • oferecer tempo e espaço para brincar livremente;
  • reduzir distrações como telas durante esses momentos.

Brincar também é construir vínculo

Quando adultos brincam com crianças, criam-se conexões afetivas profundas. Esse tempo compartilhado transmite a mensagem: “você é importante”, “eu estou aqui”, “seus sentimentos importam”. A segurança emocional gerada nessas interações fortalece a autoestima e facilita que a criança procure ajuda quando estiver sobrecarregada.

Um direito e uma necessidade

Mais do que lazer, o brincar é uma necessidade básica da infância. Ele sustenta o desenvolvimento emocional, social e cognitivo, ajudando a criança a crescer mais confiante, resiliente e preparada para lidar com as próprias emoções.

Em meio a agendas cheias e estímulos digitais constantes, reservar tempo diário para brincar — dentro ou fora de casa, com ou sem brinquedos estruturados — é investir diretamente na saúde emocional das crianças.

Porque, no fundo, toda grande aprendizagem emocional começa em algo simples: uma brincadeira.

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O BRASIL DE JK

HÁ 70 ANOS JUSCELINO TOMAVA POSSE NA PRESIDÊNCIA

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“Lutei dia e noite para dar nova dimensão ao nosso País.

Quis que, da minha administração, não se pudesse dizer,

sem pecar contra a verdade, que o Brasil crescia nas horas noturnas,

enquanto o Governo dormia. Não!

O Governo não dormiu, em minhas mãos.”

Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira

 

Em 526 anos de Brasil, há datas a celebrar e há datas para esquecer. Felizmente, as datas para celebrar são maioria. Duas delas, por exemplo, moldaram este País por serem mais significativas e funcionarem como um divisor de águas do Brasil como Nação. Ambas as datas, separadas por 148 anos, aconteceram no mês de janeiro. A chegada da família real ao Brasil, em 22 de janeiro de 1808 e a posse do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, em 31 de janeiro de 1956.

A vinda da corte para o Brasil foi uma manobra do príncipe regente, D. João, para garantir que Portugal continuasse independente, quando foi ameaçado de invasão por Napoleão Bonaparte. A principal consequência foi a declaração do Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarves. O Brasil deixou de ser colônia, o que provocou uma série de transformações geopolíticas.

A permanência da família real foi decisiva para manter a unificação e grandiosidade do território nacional, a possibilidade de o país inteiro falar a Língua Portuguesa, além de outros ganhos concretos como a abertura dos portos para as nações amigas e a criação de entidades essenciais: Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Real Fábrica de Pólvora, Imprensa Oficial e Banco do Brasil.

Em 31 de janeiro de 1956, 134 anos depois da Independência, vem a segunda data que transformou o Brasil em todas as dimensões: cultural, industrial, econômica e politica: a posse do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.

Não foi fácil a chegada de JK ao Palácio do Catete. Ainda governador de Minas, Juscelino deixou claro sua intenção de disputar a Presidência da República pelo PSD.

Houve muitas tratativas de lideranças nacionais e até de militares para demover JK de sua intenção. O próprio presidente da República, Café Filho (vice de Getúlio Vargas) e o governador de Pernambuco, Etelvino Lins, se articularam para evitar a candidatura de JK.

Pior: até seu padrinho político, o ex-governador de Minas, Benedito Valadares, temeroso de que o crescimento de JK lhe roubasse influência no Estado, não mediu esforços, nos bastidores, contra a candidatura.

Em dezembro de 1954, militares de alta patente levaram ao então presidente Café Filho um documento em defesa da candidatura única à Presidência. Sem JK, evidentemente.

O presidente Café Filho – que tomou a iniciativa de ler o texto no programa ‘A Voz do Brasil’, ainda procurou demover JK, com o argumento de que as Forças Armadas não aprovavam a sua pretensão.

JK começou a ganhar a eleição ali. Não se deixando intimidar, confirmou sua candidatura e mandou um recado curto e grosso para o presidente Café Filho. Sua frase virou seu lema de vida: “DEUS POUPOU-ME O SENTIMENTO DO MEDO”.

E foi com este sentimento que JK plantou sua candidatura em 10 de fevereiro de 1955, para colher nas urnas, em 3 de outubro, 3.077.411 votos, ou 36% do total.

Não foi fácil. No dia primeiro de novembro, o coronel Jurandir de Bizarria Mamede, discursando no enterro do general Canrobert Pereira da Costa, sugere golpe militar para impedir a posse de JK e do vice João Goulart.

Em 11 de novembro de 1955, para garantir a posse de JK, antes de deixar o Ministério da Guerra, o Marechal Lott põe os tanques nas ruas e dá o “Golpe da Legalidade”. Carlos Luz, então presidente da República – com o afastamento de Café Filho – é deposto e nove dias depois, em 20 de novembro, o Congresso Nacional aprova o impedimento de Café Filho e elege Nereu Ramos presidente. O senador catarinense assume o governo até a posse de JK.

Há 70 anos, em 31 de janeiro de 1956, JK toma posse e pede ao Congresso a abolição do estado de sítio. No dia seguinte, põe fim à censura à imprensa.

JK, a seu modo, sacudiu a vida administrativa, política e cultural do Brasil. Seu governo plantou hidroelétricas, plantou estradas, plantou bom humor e plantou compromissos: cumpriu todas as 31 metas prometidas durante sua campanha à Presidência. JK plantou indústria automobilística e plantou magnanimidade, perdoando revoltosos e inimigos políticos. JK plantou Brasília.

Ao interiorizar o desenvolvimento com a construção da nova Capital, o Centro-Oeste foi ocupado de todas as formas. Onde não se produzia um grão de soja em 1960, ficou responsável por 49,3% da produção nacional. A soja avançou sobre novas fronteiras e levou junto a cultura do milho. A produção de milho na região – antes de Brasília – era inferior a 9%. Atualmente representa 54,36% da safra nacional. Essas duas culturas levaram uma promissora cultura empreendedora em outros setores: pecuária, frutas, café, arroz, feijão, trigo. Centenas de pequenos povoados nasceram no vazio do Cerrado e transformaram-se, nestes últimos 70 anos, em cidades de pequeno, médio e grande porte com excelentes índices de IDH.

Na Era JK, o Brasil colheu efervescência cultural. O Brasil colheu a primeira Copa do Mundo, colheu Bossa Nova, Cinema Novo. Colheu alegria! O povo brasileiro colheu o sentimento de que é capaz de construir o que parece impossível.

JK plantou Democracia. E o Brasil colheu Paz!

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Casa Perini convida público a viver a colheita da uva

Experiência de enoturismo inclui pisa tradicional, degustações e programação especial em fevereiro

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A vinícola Casa Perini realiza, aos finais de semana de fevereiro, a Saga da Uva — uma experiência de enoturismo que convida o público a participar dos rituais tradicionais da colheita. Com duração aproximada de três horas, das 10h às 13h, a atividade acontece em grupos de até 35 pessoas por edição.

A proposta leva os visitantes ao coração dos parreirais para vivenciar cada etapa do processo: da colheita manual das uvas à clássica pisa com os pés, passando por degustações de rótulos especiais e um momento gastronômico inspirado nas tradições da imigração italiana. O cenário entre as videiras completa a imersão sensorial e aproxima o público da rotina da safra.

Aberta a todas as idades, a atividade recebe famílias com crianças e também visitantes acompanhados de animais de estimação. Pessoas com mobilidade reduzida podem participar, observando apenas a presença de trechos em estrada de chão no percurso.

Os ingressos custam R$ 550 para adultos, R$ 220 para crianças e jovens de cinco a 17 anos, enquanto menores de cinco anos têm entrada gratuita. Cada participante recebe chapéu e avental personalizados como lembrança da vivência. Em caso de chuva, a programação poderá ser transferida para o dia seguinte ou para outro final de semana, conforme as condições climáticas.

Para grupos, empresas ou turmas fechadas, a vinícola oferece a possibilidade de reservas exclusivas mediante agendamento prévio e pagamento antecipado.

De acordo com Franco Onzi Perini, presidente do Conselho de Administração da Casa Perini, o diferencial da iniciativa está na experiência completa e na conexão emocional criada com os participantes. “Na Saga da Uva, promovemos uma imersão no tradicional ritual da colheita praticado por nossos antepassados. As pessoas vivenciam a colheita e a pisa das uvas em meio aos parreirais, harmonizando o momento com vinhos, espumantes e gastronomia típica dos tempos da imigração italiana”, afirma.

As próximas datas da Saga da Uva estão marcadas para 7, 15, 21, 22 e 28 de fevereiro, conforme disponibilidade de ingressos. Informações e reservas podem ser obtidas pelo WhatsApp (54) 99176-8172 ou pelo site Wine Locals.

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