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MOSAICO DE ECOSSISTEMAS
ARQUIPÉLAGOS DAS ANAVILHANAS E DE MARIUÁ
Encontro celebra os 44 anos de criação do Parque Nacional das Anavilhanas, discute ações de conservação e homenageia idealizador da unidade.
O Conselho Consultivo do Parque Nacional de Anavilhanas se reuniu no início de junho para debater ações de conservação, bem como projetos de pesquisa e a gestão da Unidade. Participaram da 30ª reunião todos os conselheiros, instituições parceiras e representantes das comunidades do entorno.
Durante a reunião houve uma homenagem especial idealizador da transformação da antiga Estação Ecológica de Anavilhanas em Parque Nacional, Antônio Maria Martin recebeu uma placa de reconhecimento.

“Sua participação é especialmente significativa por representar a visão e o empenho que tornaram possível a transformação da Estação Ecológica de Anavilhanas em Parque Nacional — um legado de grande importância para a conservação da Amazônia”.
TEMAS EM DICUSSÃO
Essa mudança foi fundamental para ampliar as possibilidades de uso público, valorizar o território e fortalecer a conservação ambiental na região.
A ocasião também celebrou os 44 anos de criação do Parque Nacional de Anavilhanas, comemorados no dia 2 de junho, reforçando o compromisso com a preservação do segundo maior arquipélago fluvial do mundo.
Entre os temas técnicos discutidos, destacaram-se:
- A apresentação sobre o uso de pingers (alarmes acústicos) como ferramenta para a mitigação de conflitos entre botos e pescadores.
- O Projeto Rios Online,desenvolvido pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que visa promover o monitoramento dos rios e a educação ambiental na região;
- Informes sobre a atualização do Regimento Interno e da composição do Conselho Consultivo, buscando aprimorar a governança da unidade;
- Compartilhamento de informações preliminares sobre a situação fundiária da região de Tauatú.

A 30ª reunião reforça o papel do Conselho como espaço de construção coletiva e cooperação entre diferentes setores da sociedade, em prol da conservação do Parque Nacional de Anavilhanas e do desenvolvimento sustentável da região”, destaca o chefe do Núcleo de Gestão Integrada do ICMBio em Novo Airão, Hueliton Ferreira, que tem sob sua gestão o Parna Anavilhanas e mais três UCs, o Parna do Jaú, a Resex do Rio Unini e a Resex Baixo Rio Branco-Jauaperi.
PARQUE NACIONAL ANAVILHANAS
E O ARQUIPÉLAGO DE MARIUÁ.
Anavilhanas é o segundo maior arquipélago fluvial do mundo. O primeiro é Arquipélago de Mariuá. Ambos no rio Negro, Amazonas.
Com cerca de 400 ilhas no rio Negro, localizado nos municípios de Manaus e Novo Airão, o parque é o segundo maior arquipélago fluvial do mundo. O Parque Nacional das Anavilhanas foi criado pelo Decreto nº 86.061, de 2 de junho de 1981, com o objetivo de preservar a região e suas diversas formações florestais. Segundo técnicos do ICMBio, os trabalhos no parque buscam estimular a produção de conhecimento por meio da pesquisa científica e valorizar a conservação do bioma Amazônia com base em ações de educação ambiental e turismo sustentável.
Com mais de 1.400 ilhas, o maior arquipélago fluvial do mundo é o de Mariuá, localizado no município de Barcelos (AM), às margens do Rio Negro. A região inclui um mosaico de ecossistemas de águas pretas que estão entre as mais frágeis da Amazônia e incluem rios, ilhas, lagos, florestas inundadas, praias arenosas, campos e pântanos.
ANAVILHANAS
O Parque Nacional das Anavilhanas é administrado pelo Instituto Chico Mendes para Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e apresenta formações florestais diversas, como floresta ombrófila densa, igapó, campinarana, caatinga-gapó e chavascal, além de ecossistemas fluviais e lacustres. A parte fluvial do parque, com centenas de ilhas, representa 60% da unidade. A porção de terra firme compreende os demais 40%, num total de 350.469,8 hectares.
DIVERSIDADE E TURISMO
Segundo a Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur), a imensidão e a diversidade do rio Negro no Amazonas trazem ao turismo diversas rotas e passeios para conhecer paisagens exuberantes. Entre tantas opções para o visitante, Anavilhanas é destaque, com suas ilhas, praias e biodiversidade que formam um dos mais espetaculares cenários da região Norte.
O Parque das Anavilhanas está localizado a 40 quilômetros acima da cidade de Manaus, com sede no município de Novo Airão. O Parque Nacional de Anavilhanas é o segundo maior arquipélago fluvial do mundo, com cerca de 400 ilhas e 60 lagos. No ano de 2000, por conta de sua imensa biodiversidade e riquezas naturais, o Parque foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) como Patrimônio Natural da Humanidade.
Esse labirinto verde nunca deixa seus visitantes entediados e pode ser apreciado de diversas formas e, dependendo da época do ano, apresenta cenários completamente diferentes. Na seca (setembro a fevereiro) é possível desfrutar das deslumbrantes praias de areias brancas que emergem por todo o arquipélago. Já na cheia (março a agosto) o vislumbre fica por conta das trilhas aquáticas de igapó, que são passeios de barco por dentro das florestas alagadas, um cenário misterioso e de tirar o fôlego.
Em qualquer época, porém, é possível apreciar a rica flora e fauna amazônica, fazer passeios de barco, trilhas terrestres, dar um mergulho nas belas águas do rio Negro, conhecer comunidades tradicionais ribeirinhas e o belo artesanato de Novo Airão, entre outros atrativos.
ONDE FICAR – Pousadas, hotéis e até apartamentos para temporada são facilmente encontrados no município de Novo Airão. Partindo do município, os visitantes podem fechar passeios que saem diariamente até o Parque Nacional.
Para quem se hospeda no município de Novo Airão, conhecer a culinária da pequena cidade e o artesanato local são programas imperdíveis.
Outra opção de hospedagem são os Hotéis de Floresta que ficam localizados em meio à imensidão verde e proporcionam ao turista uma experiência única de imersão na floresta.
COMO CHEGAR – A partir de Manaus é possível chegar à Novo Airão – cidade sede do Parque – por via aérea ou terrestre.
VIA AÉREA – Novo Airão não possui aeroporto, mas é possível fretar um hidroavião a partir de Manaus e pousar no rio Negro.
VIA TERRESTRE – A partir de Manaus, depois de atravessar a ponte sobre o rio Negro, o visitante deve seguir pela AM-070 por aproximadamente 86 quilômetros, sentido Manacapuru. Após passar pelo balneário do Miriti, haverá um entroncamento à direita, onde se inicia a rodovia AM-352. Desse ponto, o deslocamento é de 98 quilômetros até Novo Airão.
ARQUIPÉLAGO DE MARIUÁ
Distante 402km de Manaus, localizado no município de Barcelos (AM), às margens do Rio Negro, o Arquipélago de Mariuá é considerado o maior arquipélago fluvial do mundo. A região inclui um mosaico de ecossistemas.
Em meio a toda a diversidade de paisagens da Amazônia, encontram-se áreas úmidas, consideradas armazéns naturais de diversidade biológica. A Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, no Amazonas, é a única do bioma amazônico reconhecida como Zona Úmida de Importância Internacional (ou Sítio Ramsar), mas uma segunda região foi proposta pelo Brasil para reconhecimento: o Arquipélago Mariuá, também no estado do Amazonas.

São mais de 1.400 ilhas, que apresentam rica diversidade sociocultural, com cerca de 30 comunidades. A região caracteriza-se, também, pelo alto grau de dependência das populações locais, principalmente ribeirinhos e indígenas, com relação aos recursos naturais do Arquipélago, o que propicia o surgimento de conflitos diversos.
A bióloga-pintora que correu o mundo para pintar plantas e paisagens e é personalidade retratada na entrada da cidade de Tenerife, nas Ilhas Canárias.
Visitei Tenerife duas vezes. A primeira, em 2019, quando fiz a travessia de navio “MSC Seaview” de Civitavecchia (Itália) para o Brasil. A segunda vez, em abril de 2024, também de navio, desta vez no “Norweguian Star”, do Rio de Janeiro para Lisboa. Em ambas as oportunidades deixei o navio para passar o dia em Tenerife.
A cidade me chamou a atenção por vários motivos. Primeiro, porque logo na saída do porto, a gente se depara com um monumento cultural e turístico: os totens ou pedestais que traz os nomes das maiores personalidades mundiais que já visitaram Tenerife. Deve ter uns 80 totens com fotos e pequena descrição de cada um. Lá estão Charles Darwin, Churchill, escritores, reis e rainhas. Vale andar pausadamente para ver este desfile de visitantes ilustres.
Deve ter uns 80 totens com fotos e pequena descrição de cada um. Lá estão Charles Darwin, Churchill, escritores, reis e rainhas.
Várias dessas personalidades já foram motivo de reportagens aqui na Folha do Meio Ambiente como Charles Darwin, Alexander Von Humboldt e Marianne North, que abriu uma grande série que fizemos no jornal chamada “NATURALISTAS VIAJANTES”. Estamos repetindo agora.
Von Humbolt, fundador da moderna geografia física e autor do conceito de meio ambiente geográfico, fez uma das mais belas metáforas que já li quando visitou o Brasil e viu uma vereda coberta de vagalumes:
“OS VAGALUMES FAZEM CRER QUE, DURANTE UMA NOITE NOS TRÓPICOS, A ABÓBODA CELESTE ABATEU-SE SOBRE OS PRADOS”.
SANTA CRUZ DE TENERIFE:
QUANTA BELEZA, ARTE E CIVILIDADE
As figuras expostas no Passeio de Visitantes Ilustres, proporcionam aos visitantes da cidade de Tenerife um percurso emblemático. Além de prestar homenagem a figuras universais que deixaram uma marca indelével na História, tendo atracado o porto de Tenerife em diferentes momentos, eles consolidaram os seus laços com este ponto de passagem histórico. O turista têm um aprendizado do legado deixado por essas personalidades.
É um reconhecimento da comunidade aos visitantes e estamos ao mesmo tempo que acrescenta um valor importante à cidade sobre o ponto turístico e cultural.

A pequena biografia e imagens dos mais ilustres visitantes de Tenerife em totens ou pedestais reafirmam a importância da ilha como um espaço de memória coletiva. O monumento convida os visitantes a conhecer melhor esses personagens fundamentais na História Universal. (Foto: Silvestre Gorgulho)

Marianne North esteve em Tenerife de 13 de janeiro a 29 de abril de 1875. (Foto: Silvestre Gorgulho)
PINTURAS DE MARIANNE NORT
EM TENERIFE
Nos quatro meses que a bióloga e pintora inglesa Marianne North passou em Tenerife, ela fez várias pinturas de plantas e paisagens das Ilhas Canárias.

Pintura de Marianne North no Jardim Botânico de Tenerife em 1875.

A Árvore do Dragão no jardim de Tenerife por Marianne North.

A cidade de Tenerife vista do alto por Marianne North.
Naturalistas Viajantes – Edição 382 – janeiro 2026
MARIANNE NORTH (Parte Final)
Nenhum dos artistas viajantes do Século 19 foi capaz de retratar a paisagem e a flora brasileiras com a intensidade e o colorido dos óleos da pintora inglesa Marianne North. O apoiador mais famoso de Marianne North foi Charles Darwin, o naturalista inglês cujas observações meticulosas se tornaram a base da biologia evolutiva.
Artigos
A INVENÇÃO NOTA 10 E O VEXAME DA COP30
O Brasil, sede da COP30, perdeu a chance de celebrar sua maior inovação sustentável. Por quê?
Reginaldo Marinho inventor com módulo e maquete em exposição na Feira da Indústria da Construção, Feicon-São Paulo.
O Brasil, sede da COP30 em 2025, deveria estar exportando tecnologias de inovação de ruptura para o mundo. Contudo, nossa maior contribuição para a Economia Ecológica e habitação sustentável jaz abandonada há 14 anos. A Construcell – a estrutura construtiva solar e modular, premiada internacionalmente, que transforma o passivo ambiental de garrafas PET em moradias de alta resiliência – é a prova do diagnóstico amargo: a “Opção pela Mediocridade” brasileira. O inventor Reginaldo Marinho, cuja jornada foi reconhecida pelo Prime/Finep com Nota Máxima (10,00) em Grau de Inovação e, em seguida, ignorada por 14 anos pelo Estado, fala sobre a sabotagem institucional, a urgência geopolítica da COP30 e o vexame de perdermos nossos gênios para quem realmente valoriza o futuro.
REGINALDO MARINHO – ENTREVISTA
Ele é um visionário. Reginaldo Marinho, paraibano de João Pessoa, estudou três anos de engenharia e dois anos de arquitetura na Universidade de Brasília para receber com todo orgulho o diploma de inventor. No Brasil, já fez de tudo para emplacar seu invento. Percorreu ministérios, agências de desenvolvimento, estatais e até redações de jornais para convencer autoridades e influenciadores de que não era nem maluco e que sua invenção era muito séria e importante para a sustentabilidade. Pouco conseguiu. Mas o que seu país, lhe negou este brasileiro arretado conseguiu no exterior: reconhecimento, prêmios e medalhas. Sim, a Medalha de Ouro do Salão Internacional de Invenções da Europa, em Genebra, concorrendo com mais de 600 inventores de 44 países.
Silvestre Gorgulho – Reginaldo, lá se foram mais de duas décadas e sua invenção se tornou um “triste símbolo” no Brasil. Explica por que a COP30 gosta mais de ideologia do que de tecnologia e o que significa essa “Invenção Sustentável” totalmente ignorada pela COP30, em Belém?
Reginaldo Marinho – Olha, quem prometeu uma COP30 da verdade, entregou uma COP da hipocrisia. Sim, hipocrisia da preservação ambiental, hipocrisia da agenda climática. A verdade é que a COP, todas elas, viraram um movimento mais ideológico do que de sustentabilidade. Tanto que a COP30, em Belém, ficou esvaziada. Apenas 17 chefes de Estado e ninguém dos BRICs e das grandes lideranças mundiais. Estados Unidos fora e a maioria da própria América Latina. Não se pode falar em sustentabilidade sem tecnologia e sem educação.
Silvestre – Você mencionou a hipocrisia da agenda. Essa falha de visão do Estado brasileiro é recente, ou a Construcell já havia sido rejeitada em outras grandes vitrines internacionais que o Brasil promoveu?
Reginaldo Marinho – Está aí um grande paradoxo. Há 25 anos, a Construcell não era apenas engenharia. Era um paradigma em Economia Ecológica: um sistema construtivo solar e modular que transforma o passivo ambiental mais problemático do planeta – as garrafas PET – em moradias de baixo custo e alta resiliência. O Brasil, sede da COP30, deveria celebrar essa tecnologia e outras tecnologias como sua maior contribuição para a sustentabilidade global. No entanto, o Construcell se tornou um símbolo da ‘Opção pela Mediocridade’ que paralisa nosso desenvolvimento tecnológico.
Silvestre Gorgulho – Nesse sentido, você já havia experimentado alguma rejeição à sua invenção?
Reginaldo Marinho – Sim. Depois da Exposição Universal de Hannover, EXPO 2000; do Ano do Brasil na França, 2005; da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, RIO+20; da Copa da FIFA, 2014; na COP 30, o Brasil perde a quinta oportunidade de mostrar para o mundo uma tecnologia ambiental disruptiva que continua inédita na engenharia civil. Foram oportunidades de ouro que o Brasil perdeu. Não foram apenas perdas econômicas. Nós perdemos oportunidades de manifestar o orgulho nacional.
Silvestre Gorgulho – Por que o Brasil rejeitou uma tecnologia com esse potencial?
Reginaldo Marinho – A raiz está na aversão cultural à inovação de ruptura. Enquanto o mundo busca soluções urgentes para a crise plástica e climática, o Brasil rejeitou ativamente a única tecnologia capaz de absorver todo o PET do planeta de forma construtiva. Essa falha de visão já foi ecoada pela presidente da Academia Nacional de Ciências dos EUA (NAS), Marcia McNutt, que, em entrevista publicada no Estadão, diagnosticou: “a ciência brasileira precisa ser mais ousada”. O nosso caso prova que a inação do Estado é o maior obstáculo.

Maquete impressa em 3D na paisagem arquitetônica de Brasília.
Silvestre Gorgulho – Mas isso é generalizado?
Reginaldo Marinho: Sim. No final do século passado, eu visitei o dono do maior centro de ensino superior privado do Centro-Oeste para apresentar Construcell, quando chegaram a esposa de dois filhos adolescentes. Enquanto eles assistiram ao vídeo demonstrativo, a esposa exclamou: – Meu amor, que coisa linda! Derruba aquela lanchonete horrorosa que tem no pátio e constrói outra com essa tecnologia. Os filhos endossaram em coro: – É mesmo, pai, faz isso. O reitor contestou gravemente: – Não. Só depois que alguém fizer a primeira. Aversão ao pioneirismo é um hábito está na matriz do pensamento nacional. Marcia McNutt tem razão.
Silvestre Gorgulho – A rejeição à Construcell foi técnica? Como o Estado validou, e ao mesmo tempo sabotou, a invenção?
Reginaldo Marinho – O Construcell não falhou por deficiência técnica. O projeto foi ativamente rejeitado por uma política implícita de Estado. Sua excelência foi, paradoxalmente, validada pelo próprio sistema que o abandonou: no Edital PRIME da FINEP/MCTI, a Construcell foi classificada em primeiro lugar, obtendo a Nota Máxima (10,00) em Grau de Inovação após análise de cerca de 80 especialistas. O projeto não só foi classificado com mérito, como sua Prestação de Contas Final foi formalmente aprovada em dezembro de 2011. O Edital Prime prova esse descompasso, pois os recursos foram direcionados para consultorias. A promessa para o investimento na própria tecnologia é aguardada há 14 anos.
Silvestre Gorgulho – E qual foi o resultado prático após essa aprovação incontestável?
Reginaldo Marinho – Apesar dessa chancela incontestável, a promessa de liberação de recursos para a execução do produto – esperada no ano seguinte – jamais se concretizou em 14 anos. O abandono e a recusa posterior do INPI em conceder a patente sela o veredito: a Construcell foi punida por ser uma inovação de ruptura que confronta a mediocridade vigente.

Maquete digitalizada totalmente transparente simulando estande de exposições.
Silvestre Gorgulho – Onde o Estado brasileiro está falhando? E qual é o risco da COP30?
Reginaldo Marinho: O Estado falha em sua obrigação constitucional. A Constituição Federal (Artigos 218 e 219) é clara sobre a obrigação do Estado de promover o desenvolvimento científico e tecnológico. É um ato de negligência observar o Estado investindo energia em prioridades desalinhadas, enquanto o dever constitucional de fortalecer a C&T é cronicamente ignorado. O Brasil, para falar a verdade, depois da COP30, continua a sofrer o constrangimento final, pois perdeu sua maior inovação sustentável justamente para aqueles que valorizam o pioneirismo e o futuro.
A vida ensina sempre. E, em 1665, em São Luís do Maranhão, o Padre Antônio Vieira ensinou que a “educação e a humildade são moedas de ouro. Valem muito em qualquer lugar e em qualquer tempo”. A essas duas virtudes, quando se fala do professor Anísio Spínola Teixeira (*12/julho/1900, em Caetité-BA +11 de março de 1971, no Rio de Janeiro) temos que acrescentar pelo menos mais uma virtude: visionário.
Anísio Teixeira defendeu uma educação universal e a implantou em Brasília. Seu objetivo era fazer da Educação não só um produto da revolução social, mas ele queria gerar uma revolução social. Não defendia uma meia revolução, mas uma revolução total. Tinha um propósito certeiro: “Educação não é privilégio. É valor universal. Tem que ser gratuita, interativa e acessível a todos”.

NOVA EDUCAÇÃO: MANIFESTO
Vinte e oito anos antes da inauguração de Brasília, sempre visionário, o Patrono da Educação Pública do Brasil assinou o “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”, projetando-se como um dos maiores educadores nacionais. Para elaborar, e desenvolver este documento, Anísio Teixeira trouxe as ideias do professor, filósofo e pedagogo norte-americano John Dewey, o “pai” da Escola Nova. Dewey formulou os princípios básicos do movimento para uma educação baseada na participação ativa do aluno. Criticava o modelo tradicional focado na memorização.
Mais do que aderir ao pensamento de Dewey, Anísio Teixeira realizou traduções das obras do autor. Sempre idealista, ante uma realidade em que a maioria da população permanecia sem qualquer acesso à formação básica, enquanto uma elite frequentava escolas de formação clássica, Anísio se lançou na missão da educação. Lutou muito para mudar o cenário da educação pública no Brasil.
O “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova” (detalhe: usou o mesmo termo Nova do professor Dewey) propunha que o conhecimento tinha de ser construído pela prática e pela interação com o mundo real, visando formar cidadãos criativos e capazes de gerenciar sua própria liberdade em uma sociedade democrática. Era uma reforma radical no sistema educacional brasileiro. O manifesto foi redigido por 26 intelectuais. Além de Anísio Teixeira, assinaram Cecília Meireles, Fernando Azevedo, Delgado de Carvalho, Roquette Pinto e Hermes de Lima.
PATRONO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL
Quando, na construção de Brasília, Anísio Teixeira concebeu e implantou o Plano de Construções Escolares da nova capital, com as icônicas “Escolas Parques”, que até hoje empunham a bandeira de uma escola única, pública, laica, obrigatória e gratuita. Ela é alma do Manifesto de 1932.
Em boa hora, a Secretária de Estado do DF, Hélvia Paranaguá, com sensibilidade de Mestra em Educação, teve a perspicácia e sensatez de resgatar e trazer aos holofotes da política e da comunidade pedagógica os ensinamentos e a obra de Anísio Teixeira. Hélvia levou ao governador a ideia de homenagear o legado do “Patrono da Educação Pública no Brasil” pelos muitos de seus seguidores que souberam plantar seus métodos e aos que contribuíram para o fortalecimento e a valorização da Educação Pública. Ibaneis Rocha encampou a proposta e, em 13 de junho de 2023, assinou o Decreto nº 44.620 criando a “Medalha Anísio Teixeira”, que foi entregue dia 14 de novembro.
MEDALHA ANÍSIO TEIXEIRA
Sou muito grato e extremamente honrado por ter sido agraciado com a ‘Medalha Anísio Teixeira’ na sua primeira edição. Recebi da Secretária de Estado de Educação do Distrito Federal, Hélvia Paranaguá, a seguinte mensagem: “Jornalista SILVESTRE GORGULHO, a SEE-DF tem a honra de informar que V.Sa. foi agraciado com a Medalha Anísio Teixeira – Honra ao Mérito Educação, em reconhecimento à sua destacada contribuição para o fortalecimento e a valorização da Educação Pública do Distrito Federal”.

O professor Anísio Teixeira elaborou e implantou o Plano de Construções Escolares de Brasília.
IDEÁRIO ANÍSIO TEIXEIRA: TOMBAMENTO
Voltando no tempo. Ao tomar por base os ensinamentos de Anísio Teixeira no desenvolvimento de ações para formação cidadã e, assim, qualificar o cidadão para o mercado de trabalho buscando a superação das desigualdades que, em 2007, como Secretário de Estado da Cultura, sempre muito bem orientado pelas historiadoras Martita Icó e Luciana Ricardo e pelo professor José Carlos Coutinho, fizemos o estudo para o tombamento da obra e do legado de Anísio Teixeira, a pedido do então governador José Roberto Arruda.
No dia 4 de julho de 2007, entre vários ‘considerando’ enaltecendo a obra e legado de Anísio Teixeira, o governador Arruda assinou o decreto nº 28.093, tombando e registrando o “Ideário Pedagógico de Anísio Teixeira” por ter elaborado e implantado o Plano de Construções Escolares de Brasília.
Vale lembrar que além desse registro de tombamento, ainda fizemos outros dez: o do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, do Cine Brasília, o Clube do Choro, a Via Sacra do Morro da Capelinha, o Teatro Dulcina e Acervos, Escola EIT de Taguatinga, Revista Brasília, Unidade de Vizinhança 107/108, ARUC e o Clube de Golfe.
Tombamento é uma palavra de origem portuguesa que significa registrar um bem material ou imaterial no livro da Torre do TOMBO, em Portugal. A Torre do Tombo, situada na torre do Castelo São Jorge, hoje tem um nome pomposo: Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo. E o Brasil segue essa tradição.
De minha parte, ainda continuo com outro sonho: tombar o Céu de Brasília. Afinal, para Lucio Costa “o céu é o mar de Brasília” e o céu é parte de seu genial Plano Piloto. Um dia chegaremos lá.

BRASÍLIA é cidade única no mundo que se pode ver o céu olhando para cima ou para baixo. O tombamento do céu de Brasília é a agregação de um valor simbólico, sentimental. Se não cuidarmos, corre-se o risco de não ter mais a integridade da paisagem, de não se poder ver e sentir o infinito desta paisagem, de qualquer lugar do Plano Piloto, do nascer ao pôr do sol.
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