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A TRÁGICA VIAGEM DE VOLTA À FRANÇA
Naturalistas Viajantes – Jean de Léry (Parte 17)
Miguel Flori Gorgulho
O naturalista e escritor Jean de Léry veio para o Rio de Janeiro com Nicolas Villegaignon. Chegou em fevereiro de 1557, conviveu com os índios Tupinambás, e volta para a França, em 1558. Viagem trágica: dois passageiros mortos pela fome foram lançados ao mar. “Quando um de nós apanhava um rato, julgava-se possuidor de coisa mais valiosa do que um boi em terra”.
Jean de Léry (1534, Lamargelle, França – 1613, L’Isle, Suíça) é aquele que entrou de gaiato no navio, ao acreditar na balela do poderoso Nicolas Durand de Villegaignon, embarcando em um dos navios franceses que vieram colonizar a porção Antártica da França. É muito interessante e emocionante ler o primeiro relato jornalístico de um intelectual europeu sobre os índios brasileiros que habitavam, em 1557, as terras do Rio de Janeiro. O relato que o artesão e futuro pastor calvinista deixou aos brasileiros é precioso. Nesta Parte 17, Jean de Léry descreve jornalisticamente as peripécias da viagem de volta à França em maio de 1558.
A TRÁGICA VOLTA DE NAVIO
O naturalista Jean de Léry que entrou de gaiato no navio, veio para o Rio de Janeiro e conviveu com os índios Tupinambás, volta, em 1558, para a França.
O erro do piloto em calcular a posição do navio “fez com que em fins de abril já estivéssemos inteiramente desfalcados de todos os víveres; já varríamos o paiol, cubículo caiado e gessado onde se guarda a bolacha nos navios, mas encontrávamos mais vermes e excrementos de ratos do que migalhas de pão. Quando havia, repartíamos às colheradas esse farelo e com ele fazíamos uma papa preta e amarga como fuligem. Os que ainda tinham bugios e papagaios, a que ensinavam a falar, comeram-nos. E vindo a faltar por completo os víveres, em princípio de maio, dois marinheiros morreram de hidrofobia da fome, sendo sepultados no mar como de praxe”.

MAR AGITADÍSSIMO IMPEDIA ATÉ DE PESCAR
“Com o mar agitadíssimo, fomos obrigados não somente a ferrar todas as velas e a amarrar o leme, mas ainda, na impossibilidade de dirigir o barco, entregá-lo à discrição das ondas e dos ventos, o que nos impedia também, para nosso maior dano, de pescar um único peixe. Estávamos de novo expostos à fome e à mercê das águas. (…) Já estávamos, porém, tão magros e fracos, que mal nos podíamos suster de pé para as manobras do navio; mas a necessidade sugeria a cada um uma solução para encher o estômago e alguém se lembrou de cortar rodelas do couro do tapir e fazê-las ferver na água, imaginando que assim pudessem ser comidas; mas a receita não foi julgada boa. Outros, porém, que também davam tratos à bola, lembraram-se de assar essas rodelas na brasa. Depois de tostadas, rasparam a parte queimada e isso deu tão bom resultado que os que a comiam declaravam que pareciam torresmos. Depois dessa experiência, quem tinha rodelas as guardava e como eram duras como couro seco de boi, foram cortadas em pedaços com foices e outras ferramentas e os que as possuíam escondiam-na cuidadosamente em pequenos sacos de pano, pois davam-lhes tanta importância quanto aos escudos dão entre nós os usurários. E tal qual os sitiados de Jerusalém, que segundo Flávio José se alimentavam com as correias de couro de seus broquéis, chegaram alguns entre nós a comer suas gravatas de marrojim e as solas dos seus sapatos. Os grumetes e pajens do navio, apertados pela fome, comeram todos os chavelhos das lanternas, que existem sempre em grande número nas embarcações, e todas as velas de sebo que conseguiram apanhar. Não obstante a nossa fraqueza, tínhamos que fazer um esforço repetido para tocar a bomba, sob pena de irmos ao fundo e bebermos mais que tínhamos a comer”.
MORTOS PELA FOME ERAM
LANÇADOS AO MAR
“A 12 desse mesmo mês (maio), o nosso artilheiro morreu de fome, depois de ter comido as tripas cruas de seu papagaio, e foi como os outros lançado ao mar. Pouco sentimos a sua falta, pois estávamos tão extenuados que daríamos graças a Deus caso fôssemos apresados por qualquer pirata que nos desse de comer. Mas Deus quis afligir-nos durante toda a viagem de regresso e somente um navio foi por nós avistado, mas não nos pudemos aproximar porquanto a nossa fraqueza nos impedia de erguer as velas. Nessas alturas, vindo a faltarem as rodelas e até os couros da cobertura dos baús, e tudo mais que no navio podia alimentar-nos, pensamos ter chegado ao termo de nossa viagem. Mas a necessidade, que tudo inventa, lembrou a alguns a caça aos ratos e ratazanas que, também mortos de fome por lhe termos tirado tudo que pudessem roer, corriam pelo navio em grande quantidade. Foram tão perseguidos por meio das mais engenhosas ratoeiras e tão espreitados por olhos vigilantes como os de gatos, que mesmo à noite, ao clarão da lua, por mais escondidos que estivessem não escapavam vivos. Quando um de nós apanhava um rato, julgava-se possuidor de coisa mais valiosa do que um boi em terra.
Vi venderem-se a três e quatro escudos, e tendo o nosso barbeiro apanhado dois de uma vez recusou a oferta de um companheiro que lhe prometera vesti-lo dos pés à cabeça no primeiro porto; mas ele preferira a vida às roupas. Tivemos que cozinhar camundongos na água do mar, com intestinos e tripas, e dava-se as estas vísceras maiores apreço do que ordinariamente damos em terra a lombos de carneiro. E para mostrar que nada perdíamos, contarei o seguinte caso: Tendo o nosso contramestre cortado as quatro patas de um grande rato para cozinhá-lo, logo apareceu quem as apanhasse no convés e as fosse assar apressadamente na brasa dizendo nunca ter provado mais saborosa asa de perdiz. Diante de tamanha penúria, teríamos com efeito tudo comido, tudo devorado. Para saciar-nos, até ossos velhos e outras imundícies que os cães tiram dos monturos nos serviam; e é certo que se tivéssemos capim, feno ou folhas de árvores também os comeríamos como animais.
PRÓXIMA EDIÇÃO 377 – AGOSTO DE 2025 – PARTE 18.
Em maio de 1558, a bordo de um navio sem mantimentos e sem água, Jean de Léry e outros companheiros sofriam demais. Diz ele: “Durante as três semanas que durou essa fome terrível, não tivemos notícia de vinho e nem de água doce; desta, de há muito racionada, só nos restava um pequeno tonel. Este, entretanto, era tão poupado que um monarca não teria entre nós maior porção do que qualquer outro, a saber, um pequeno copo por dia. A sede nos atormentava mais ainda do que a fome, por isso quando chovia estendíamos lençóis com um peso no centro para destilar a água da chuva, que era recolhida em vasilhas…”.
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Rolê Cultural promove “Dia de Rolê” especial no CCBB Brasília
Em clima de férias, o Rolê Cultural – CCBB Educativo amplia a experiência do público com o Dia de Rolê: Grafite no CCBB, que convida o grafiteiro surdo Odrus para criar, junto com o público, um mural coletivo em três encontros performáticos. A entrada é gratuita e os ingressos podem ser retirados pelo site ingressos.ccbb.com.br ou presencialmente na bilheteria do CCBB Brasília.
O evento acontece em 12, 13 e 14/12 sempre das 15h30 às 18h30 e leva a linguagem da arte urbana para a área externa do centro cultural. Em uma oficina performática conduzida por Odrus, o público acompanha e participa da criação de um mural coletivo e interativo. Ao longo de três dias, crianças, jovens e adultos podem experimentar técnicas de grafite com tinta spray atóxica à base de água, aprender truques diretamente com o artista e vivenciar o grafite como expressão de presença, escuta e ocupação poética do espaço público.
O Dia de Rolê integra a programação gratuita de férias do Rolê Cultural – CCBB Educativo, com atividades pensadas para famílias, grupos de amigos e visitantes de diferentes idades, sujeitas à lotação dos espaços. O projeto é patrocinado pelo Banco do Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).
Sobre o CCBB Brasília
O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília) foi inaugurado em 12 de outubro de 2000. Sediado no Edifício Tancredo Neves, uma obra arquitetônica de Oscar Niemeyer, tem o objetivo de reunir, em um só lugar, todas as formas de arte e criatividade possíveis.
Com projeto paisagístico assinado por Alda Rabello Cunha, dispõe de amplos espaços de convivência, galerias de artes, sala de cinema, teatro, praça central e jardins, onde são realizados exposições, shows musicais, espetáculos, exibições de filmes e performances.
Além disso, oferece o Programa Educativo CCBB Brasília, projeto contínuo de arte-educação, que desenvolve ações educativas e culturais para aproximar o visitante da programação em cartaz, acolhendo o público espontâneo e, especialmente, estudantes de escolas públicas e particulares, universitários e instituições, por meio de visitas mediadas agendadas.
Em 2022, o CCBB Brasília se tornou o terceiro prédio do Banco do Brasil a receber a certificação ISO 14001, cuja renovação anual ratifica o compromisso da instituição com a gestão ambiental e a sustentabilidade.
Acessibilidade
A ação “Vem pro CCBB” conta com uma van que leva o público, gratuitamente, para o CCBB Brasília, de quinta-feira a domingo. A iniciativa reforça o compromisso com a democratização do acesso e a experiência cultural dos visitantes. A van fica estacionada próxima ao ponto de ônibus da Biblioteca Nacional. O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso no site, na bilheteria do CCBB ou ainda pelo QR Code da van. Lembrando que o ingresso garante o lugar na van, que está sujeita à lotação, mas a ausência de ingresso não impede sua utilização. Uma pesquisa de satisfação do usuário pode ser respondida pelo QR Code que consta do vídeo de divulgação exibido no interior do veículo.
Horários da van – De quinta a domingo: Biblioteca Nacional – CCBB: 13h, 14h, 15h, 16h, 17h, 18h, 19h e 20h | CCBB – Biblioteca Nacional: 13h30, 14h30, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h30.
Programação:
Dia de Rolê: Grafite no CCBB
O Rolê Cultural recebe o grafiteiro surdo Odrus para uma oficina performática de grafite. Nessa ação que mistura diferentes linguagens artísticas, o público é convidado a assistir e participar da criação de um mural coletivo e interativo. Ao longo de três dias, os participantes poderão experimentar técnicas e truques da arte urbana com tinta spray atóxica à base de água, aprendendo diretamente com o artista enquanto contribuem para a composição da obra.
Data: 12, 13 e 14/12 sempre das 15h30 às 18h30
Duração: 3h
Classificação: A partir de 6 anos
Ponto de encontro: Área externa
Serviço:
Rolê Cultural – Educativo do Centro Cultural Banco do Brasil
Centro Cultural Banco do Brasil – Distrito Federal
Endereço: SCES Trecho 2 – Brasília/DF Tel.: 61 3108-7600
Programação completa em ccbb.com.br/brasilia/programacao/ccbb-educativo
Ingressos: ingressos.ccbb.com.br
Agendamento para grupos e escolas: conecta.mediato.art.br
Acesso: gratuito
Classificação Indicativa: livre
CCBB Brasília
Aberto de terça a domingo, das 9h às 21h.
SCES Trecho 2 – Brasília/DF
Tel: (61) 3108-7600
E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Site/ bb.com.br/cultura
Tiktok/@ccbbcultura
Youtube/ Bancodobrasil
Fonte: Camila Maxi
Foto: Tati Reis.
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Os protagonistas de Brasília são homenageados no Prêmio JK
Evento do Correio Braziliense celebra talentos de várias áreas e eterniza o legado cultural de Guilherme Reis.
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Os vencedores da primeira edição do Prêmio JK, promovido pelo Correio Braziliense, serão anunciados amanhã. A premiação destaca personalidades que contribuem para o desenvolvimento da capital em áreas como esporte, direito e justiça, saúde e gestão pública. Na categoria In Memoriam, o homenageado é o ator, diretor, produtor e ex-secretário de Cultura Guilherme Reis, que morreu em setembro, aos 70 anos.
A cerimônia será realizada nesta terça-feira (9/12), às 19h, no auditório do Tribunal de Contas da União (TCU). Os premiados foram escolhidos por uma comissão formada por jornalistas do Correio, profissionais que acompanham de perto o cotidiano da cidade e identificam, com olhar crítico, quem realmente ajuda a construir Brasília.
Uma homenagem ao fundador da capital
O nome do prêmio celebra o legado do ex-presidente Juscelino Kubitschek, idealizador de Brasília e responsável por transformar em realidade o sonho da nova capital. Assim como JK fez o país olhar para o futuro, o Correio Braziliense também faz parte dessa história: ambos completaram 65 anos em abril. Em 2024, os Diários Associados comemoraram ainda o centenário do grupo criado por Assis Chateaubriand.
Movido por paixão e dedicação ao teatro
Homenageado na categoria In Memoriam, Guilherme Reis deixou uma marca profunda no cenário cultural do Distrito Federal. Diretor do Teatro Dulcina de Moraes, atuou tanto na vanguarda teatral quanto no desenvolvimento de eventos culturais que se tornaram referência para Brasília.
Sua esposa por 20 anos, Carmem Moretzsohn, 63, emociona-se ao recordar o companheiro:
“Generoso, afetuoso, com uma empatia rara e um humor inabalável.”
Ela lembra que Guilherme era movido por uma paixão incondicional pelo teatro e dominava todas as funções da cena.
“Se faltasse alguém, ele mesmo resolvia. Era ator, diretor, iluminador, cenógrafo, figurinista e, sobretudo, um grande produtor. Estar presente neste prêmio o deixaria profundamente feliz.”
Melina Sales dos Santos, 46, atriz e arte-educadora, casada com o filho de Guilherme, também guarda lembranças afetivas.
“Era um avô muito generoso para a Zilah, sempre presente com carinho, brincadeiras e memórias inesquecíveis. Somos muito gratos por essa convivência.”
Uma tradição que nasce
A primeira edição do Prêmio JK marca o início de uma nova tradição do Correio Braziliense, que pretende transformar o evento em parte fixa do calendário cultural e institucional do Distrito Federal — assim como outras iniciativas históricas do jornal.
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AS ÁRVORES LUNARES
As sementes que orbitaram a Lua são hoje árvores em Brasília e outras cidades. O plantio das mudas ocorreu há 45 anos e as arvores já estão na segunda geração.
A Apollo 14, operada pelos astronautas Alan Shepard, Edgar Mitchell e Stuart Roosa, fez a terceira missão lunar da NASA. A nave espacial decolou no final da tarde de 31 de janeiro de 1971 e retornou em 9 de fevereiro. A missão foi tão especial que rende frutos até hoje por um experimento científico inédito: a expedição levou para o espaço 500 sementes de árvores de várias espécies, que deram 14 voltas na lua. No retorno à Terra, as sementes foram plantadas, germinadas e renderam mudas que foram distribuídas nos Estados Unidos e em alguns países amigos. O objetivo era estudar a ação da microgravidade sobre as plantas. No Brasil, quatro cidades receberam mudas: Brasília, Rio de Janeiro e, no Rio Grande do Sul, Santa Rosa e Cambará do Sul.
Na volta à Terra, as sementes foram plantadas e germinaram em uma unidade do Serviço Florestal no estado do Mississippi. Renderam 450 mudas. Como parte das comemorações do bicentenário dos Estados Unidos, as mudas foram distribuídas por vários locais, entre 1975 e 1976. Para a NASA, a árvore representa a ligação da cidade com a história da exploração espacial e a união entre ciência, meio ambiente e inovação.
No Brasil, segundo a Agência Espacial norte-americana, quatro localidades receberam mudas da Árvore da Lua:
1) Brasília, na sede do Ibama, onde existe um bosque, foi plantado um carvalho canadense ‘Liquidambar styraciflua’, conhecido popularmente como liquidâmbar), em 14 de dezembro de 1980.
2) Outra, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
3) No Parque de Exposições de Santa Rosa, noroeste do Rio Grande do Sul, foi plantada uma muda de plátano (Platanus occidentalis) como atração pela 5ª Feira Nacional da Soja em agosto de 1981. O evento foi celebrado para comemorar os 50 anos de Santa Rosa.
4) Outra sequoia foi plantada em Cambará do Sul, nos Campos de Cima da Serra, em 26 de setembro de 1982, na Praça Central São José.

Apollo 14: as árvores da lua e os cosmonautas Suart Roosa, Alan Shepard e Edgar Mitchel (foto: NASA)
A HISTÓRIA
O experimento científico foi realizado em conjunto entre o Serviço Florestal dos Estados Unidos e a NASA, com o objetivo de estudar a ação da microgravidade sobre as plantas. O Serviço Florestal dos EUA indicou Stuart Roosa para comandar o projeto e selecionou as sementes de cinco espécies para o experimento. Stuart Roosa levou as sementes em seu kit pessoal e ficou com ele enquanto orbitou a Lua.
As sementes que orbitaram o satélite natural da Terra durante o voo tripulado foram germinadas e plantadas em solo terrestre. O experimento recebeu o nome de árvores lunares ou árvores-da-lua, mas ficou claro que não houve germinação ou plantio na superfície lunar.
Na volta à Terra, as sementes germinaram em uma unidade do Serviço Florestal no estado do Mississippi. Elas renderam 450 mudas.
Além de uma árvore plantada no jardim da Casa Branca, em Washington-DC, a maioria das mudas seguiu para capitais estaduais dos Estados Unidos, para instituições de pesquisas espaciais e, até onde se sabe, para alguns países amigos, como o Brasil, Inglaterra, Suíça e Japão.

BRASÍLIA – Há 45 anos, em 14 de dezembro de 1980, autoridades da Embaixada dos Estados Unidos, do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente plantaram a ‘Liquidambar styraciflua’, conhecida como Árvore da Lua.

Placa que lembra o plantio do carvalho canadense – liquidâmbar – em 14 de dezembro de 1980. (foto: Silvestre Gorgulho)

BRASÍLIA – A muda de um carvalho canadense – liquidâmbar – é hoje uma árvore frondosa. Foto de Silvestre Gorgulho em 04 de novembro de 2025.
A ARVORE DA LUA EM SANTA ROSA-RS
A árvore lunar de Santa Rosa serve não apenas como um marco de curiosidade científica, mas também como um símbolo de esperança, perseverança e inovação, associando a cidade a uma parte da história da humanidade. Além disso, ela se tornou um ponto de interesse para moradores e visitantes que se fascinam com o legado da exploração espacial dos Estados Unidos e seu impacto no mundo inteiro.

Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, foi uma das cidades brasileiras agraciadas com uma dessas árvores lunares. A espécie plantada na cidade é um *plátano* (Platanus occidentalis), que é uma das cinco variedades levadas ao espaço. Essa árvore foi plantada em um local público, e sua presença simboliza a ligação de Santa Rosa com um evento histórico significativo: a exploração espacial.

Placa que lembra o plantio da Árvore da Lua, em Santa Rosa (RS) em 13 de agosto de 1981, com a presença do presidente João Baptista Figueiredo.
A árvore lunar de Santa Rosa serve não apenas como um marco de curiosidade científica, mas também como um símbolo de esperança, perseverança e inovação, associando a cidade a uma parte da história da humanidade. Além disso, ela se tornou um ponto de interesse para moradores e visitantes que se fascinam com o legado da exploração espacial dos Estados Unidos e seu impacto no mundo inteiro.

A sequoia plantada em Cambará do Sul, em 1982, entre dois cambarás, na Praça São José, consta na lista da NASA.
SEGUNDA GERAÇÃO DA ÁRVORE DA LUA
Detalhe interessante é que uma segunda geração da sequoia lunar foi doada à Prefeitura de Caxias do Sul. Essa muda é derivada de árvore cultivada em Santa Rosa na década de 1980 e passou por um período de adaptação antes de ser plantada no Jardim Botânico Armando Alexandre Biazus, de Caxias do Sul-RS.
Segundo engenheiro agrônomo Ramon Sirtoli, da SEMMA, a muda com cerca de 30cm de altura foi obtida por meio do processo de multiplicação a partir da planta-mãe. “Antes de ir para o Jardim Botânico, a muda foi levada para o Horto Municipal, em Ana Rech, onde passou por um período de adaptação, em estufa, para ter condições favoráveis para o desenvolvimento ser mais rápido”.
FUNDAÇÃO MOON TREE
Natural de Durango, Colorado, o norte-americano Stuart Roosa nasceu em 16 de agosto de 1933. Ele trabalhou para o Serviço Florestal dos EUA no início dos anos 1950, combatendo incêndios e, mais tarde, juntou-se à Força Aérea dos EEUU e se tornou um piloto de teste. A Nasa selecionou Roosa para o curso de formação de astronauta de 1966. Ele começou a carreira na Nasa como integrante da equipe de apoio da Apollo 9. Após a missão em que ele levou as sementes à órbita da Lua, Roosa foi piloto reserva de comando das Apollos 16 e 17.
Hoje existe uma entidade, a Fundação Moon Tree, que é dirigida pela filha de Roosa, Rosemary, com o objetivo de mapear e plantar mais árvores da Lua em regiões ao redor do mundo. A fundação patrocina e realiza cerimônias para plantar novas árvores, com sementes produzidas pela geração original de árvores que cresceram a partir das sementes carregadas pelo seu pai Stuart Roosa.
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