Reportagens

CCJ aprova projetos de merenda especial e selo para escolas amigas do autista

Projetos de lei aprovados pelo colegiado estendem direito a merenda adaptada para alunos com restrições alimentares e criam selo de reconhecimento para escolas inclusivas a estudantes autistas

 

Foto: Ângelo Pignaton/Agência CLDF

 

Comissão presidida pelo deputado Thiago Manzoni aprovou onze proposições legislativas

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou, em reunião na manhã desta terça-feira (26), dois projetos de lei voltados para a inclusão de estudantes com restrições alimentares e transtorno do espectro autista (TEA) na rede pública de ensino do Distrito Federal. Os membros do colegiado também aprovaram um conjunto de medidas dedicadas à desburocratização administrativa, incentivo ao esporte no DF e instituição de campanhas de conscientização no calendário oficial de eventos do DF. Os textos agora seguem para apreciação no Plenário da Câmara Legislativa.

Proposto pelo deputado Jorge Vianna (PSD), o PL 90/2023 altera a Lei 5.991/2017, referente à disposição de alimentação diferenciada para crianças e adolescentes intolerantes à lactose na rede pública de ensino do DF. A medida do parlamentar estende o acesso à merenda adaptada para alunos diabéticos, celíacos — pessoas que não podem consumir glúten, uma proteína encontrada em produtos com trigo, cevada e centeio — e com alergias a cacau, soja e ovos.

A norma estabelece que é responsabilidade dos pais informar e comprovar a condição clínica com atestado médico. Ainda conforme o texto, é dever das instituições de ensino criar um cadastro interno dos alunos com limitações alimentares e oferecer a merenda escolar adequada para cada condição notificada.

Segundo Vianna, a proposta possibilita oferecer uma refeição saudável e balanceada para estudantes do ensino público com alguma restrição dietética e que vivem em situação de pobreza e insegurança alimentar. “É consenso entre educadores e profissionais da saúde que o processo de aprendizagem fica comprometido se há carência nutricional”, frisa o distrital. “A satisfação dessa necessidade vital vem antes de qualquer aspiração de formação de cidadãos com elevado grau de educação formal.”

Escola Amiga do Autista

Outra proposição apreciada na reunião desta terça, o PL 1167/24, iniciativa do deputado Wellington Luiz (MDB), cria o certificado Escola Amiga do Autista para reconhecer unidades de ensino que promovem inclusão de alunos com transtorno do espectro autista (TEA). De acordo com o texto, as escolas prestigiadas podem utilizar o selo nas redes sociais e em materiais da instituição. O título é válido por três anos, com possibilidade de renovação.

Segundo a medida, para obter o certificado, a instituição deve prestar apoio à aprendizagem e à inserção social de alunos autistas, capacitar profissionais da educação e realizar campanhas educativas. Outros critérios incluem a promoção do Abril Azul, mês de conscientização do TEA, e a disponibilização de sala do silêncio — espaço projetado para oferecer refúgio sensorial às pessoas autistas em momentos de crise. A norma determina que, em caso de descumprimento dos requisitos, o selo pode ser revogado.

Na avaliação do parlamentar, a proposta incentiva a criação de um ambiente educacional mais acolhedor, adaptado e sensível às particularidades dos estudantes autistas. “Ao reconhecer e celebrar as escolas que são amigas do autismo, o certificado pode ajudar a reduzir o estigma e a discriminação associados a condição, promovendo uma cultura de aceitação e respeito pela diversidade”, enfatiza Wellington Luiz.

Outras proposições

Além de medidas voltadas para a área da educação, os membros da Comissão de Constituição e Justiça aprovaram um conjunto diversificado de proposições voltadas para a acessibilidade de pessoas com deficiência, simplificação de processos administrativos, estímulo à prática de parkour no DF, venda de um imóvel na Ceilândia e concessão de Título de Cidadão Honorário de Brasília.

• PL 1235/24, de autoria do deputado Fábio Felix (Psol): determina que estabelecimentos que comercializam calçados ofereçam a opção de compra de apenas um pé (direito ou esquerdo) ou pares com numerações diferentes para pessoas com deficiência nos membros inferiores.

• PL 1637/25, de autoria do deputado Ricardo Vale (PT): estabelece diretrizes para simplificação de processos da administração pública do Distrito Federal, incluindo presunção de veracidade da documentação apresentada por cidadãos e uso de linguagem simples em documentos governamentais.

• PL 1119/24, de autoria da Defensoria Pública do Distrito Federal: autorizada a DPDF a transferir, anualmente, o valor de R$ 50 mil reais para custeio do Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege).

• PL 1212/24, de autoria do deputado Max Maciel (Psol): cria o programa de incentivo ao parkour, modalidade esportiva que consiste em superar obstáculos urbanos ou naturais com saltos, escaladas, rolamentos e equilíbrio.

• PL 1466/24, de autoria do Poder Executivo: autoriza o Poder Executivo a vender um imóvel localizado na QNN 03, conjunto “I”, lote 26, em Ceilândia, por meio de procedimento licitatório realizado pela Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap).

• PDL 240/2024, de autoria do deputado Martins Machado (Republicanos): concede o Título de Cidadão Honorário de Brasília ao secretário de Esporte e Lazer do Distrito Federal, Victor Renato Junqueira Lacerda.

Calendário de eventos

Confira outros três projetos de lei apreciados pelos membros do colegiado, na reunião desta terça-feira, que inserem campanhas temáticas e datas comemorativas no calendário oficial de eventos do DF:

• PL 519/2023, de autoria do deputado Gabriel Magno (PT): institui o Mês de Conscientização e Prevenção do Diabetes no Distrito Federal, denominado Novembro Azul. A medida também cria o Dia de Conscientização e Prevenção do Diabetes, a ser comemorado anualmente em 14 de novembro.

• PL 925/2024, de autoria do deputado Iolando (MDB): cria o Dia das Igrejas Evangélicas, a ser comemorado anualmente no dia 10 de março.

• PL 888/2024, de autoria do deputado Martins Machado (Republicanos): cria a Semana de Prevenção e Controle da Osteoporose, a ser realizada na última semana do mês de março.

Amanda Gonçalves, estagiária sob supervisão de Bruno Sodré/Agência CLDF

Continue Lendo
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Reportagens

DF disponibiliza banco de perucas para pessoas em tratamento contra o câncer

Atendimento é gratuito e requer documento pessoal e relatório médico atualizado

Publicado

em

Por

 

Por

Jak Spies, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto

Mulheres em tratamento de saúde que causa a perda de cabelos contam com atendimento gratuito para doação de perucas no Distrito Federal. Para a prestação do serviço, há um banco com cerca de 300 perucas, renovado a cada dois meses. O atendimento ocorre diariamente, conforme a demanda, com limite de uma peça por pessoa.

As perucas são produzidas por voluntários a partir do reaproveitamento de cabelos naturais doados. A iniciativa reúne a confecção de próteses mamárias, cortes de cabelo e barba, além do fornecimento de toucas e lenços. Há necessidade de novos voluntários para a produção, que oferece capacitação para os interessados.

Como doar

Para a doação, a orientação é separar mechas com no mínimo 20 centímetros, prender os fios antes do corte e entregá-los secos, em saco ou envelope. Fios com química ou coloração também podem ser entregues. O recebimento das doações de cabelo ocorre das 8h30 às 12h e das 13h às 16h. Para confirmar os dias de atendimento, a orientação é entrar em contato pelo telefone (61) 3364-5467.

 

A oficina também recebe insumos para a confecção das peças, como telas, linhas de náilon ou tecelagem, silicone adesivo selante, tecido do tipo voil, xampu e condicionador.

Como acessar o serviço

O atendimento é voltado a pessoas que passam por tratamento de saúde com perda de cabelo. O critério informado é estar preferencialmente sem cabelos e apresentar documento de identificação pessoal com foto e relatório médico atualizado, emitido nos últimos seis meses.

O cadastro é feito na Sala de Acolhimento da Rede Feminina, situada no ambulatório do Hospital de Base do Distrito Federal (Corredor 5). Após o registro, são apresentados os modelos, tamanhos e cores para escolha do beneficiário. Informações sobre serviços, voluntariado e doações também estão disponíveis neste site e no perfil oficial @‌redefemininabrasilia.

Continue Lendo

Reportagens

Livro sobre participação das mulheres na política do DF será lançado na CLDF na quinta (13)

Obra da advogada Janaina Rodrigues analisa uma década de participação feminina na Câmara Legislativa

Publicado

em

Por

 

Foto: Reprodução

Livro é fruto de dissertação de mestrado e se dirige a parlamentares, lideranças partidárias, ativistas, estudantes e pesquisadoras, além do público em geral

A Câmara Legislativa do Distrito Federal sediará, no próximo 13 agosto, a partir das 19h, o lançamento do livro Mulheres na Política Distrital: A Representação Feminina na Política Distrital, de autoria da advogada Janaína Rodrigues de Sousa. A obra analisa a participação feminina na política do Distrito Federal a partir de 2013 — ano em que a Câmara Legislativa do Distrito Federal implementou a Procuradoria Geral da Mulher. O lançamento será transmitido ao vivo pela TV Câmara e no YouTube.

A obra, que será lançada no dia 13, nasceu durante o mestrado da autora. Janaína destaca que o livro se dirige a mulheres que atuam ou desejam atuar na política, a parlamentares, lideranças partidárias, ativistas, estudantes e pesquisadores, além do público em geral. Ela espera também incentivar novas pesquisas sobre o tema na Câmara Legislativa. “Desejo que ele sirva como instrumento de formação política e de conscientização. Quero que as pessoas compreendam que a participação feminina não interessa apenas às mulheres — ela é indispensável para fortalecer a democracia e tornar as políticas públicas mais representativas.”

O livro mapeia os obstáculos que as mulheres enfrentam ao longo da trajetória política, com ênfase nas barreiras que persistem mesmo após a eleição. “Mesmo ocupando uma cadeira no Parlamento, muitas mulheres continuam afastadas dos principais espaços de poder, como a Mesa Diretora, as presidências de comissões estratégicas — o que chamamos de hard politics — e as relatorias de maior relevância. É o chamado ‘teto de vidro’: uma barreira muitas vezes invisível que permite a presença das mulheres, mas dificulta seu acesso ao poder real de decisão”, explica a autora.

Para Janaína, ocupar espaço não é suficiente se não vier acompanhado de poder de decisão. “Eu acredito que a presença das mulheres na política não pode ser apenas simbólica. Nós precisamos ocupar os espaços onde as decisões são tomadas, transformar nossas experiências em leis e a nossa voz em poder. Não estamos pedindo licença para participar da história — estamos assumindo o protagonismo de escrevê-la. A política é, também, um espaço para chamar de nosso. Precisamos de mais mulheres nos representando”, conclui.

Serviço
Lançamento do livro Mulheres na Política Distrital: A Representação Feminina na Política Distrital
Local: Foyer do Plenário
Quando: 13 de agosto, às 19h

Ana Carolina Rubo (sob supervisão de Ivan Iunes)

Continue Lendo

Reportagens

Estudante cria jogo para apresentar funções do Ministério Público

Trabalho de estagiário foi destaque do MP na Rio Innovation Week

Publicado

em

Por

 

Alana Gandra – repórter da Agência Brasil

 

Em meio a grandes marcas de tecnologia e inovação, a ideia de um universitário de 19 anos movimentou o estande do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) na Rio Innovation Week, na semana passada. Arthur Almeida Santos, de 19 anos, desenvolveu um jogo para explicar de forma lúdica as atribuições do órgão em que estagia.

Quando soube que a proposta do MP era desenvolver um quizz, jogo de perguntas e respostas, o ex-aluno da área de programação de jogos digitais da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) levantou a mão para discordar.

“Pedi licença e disse que ‘quizz’ não é engajante. Perguntei por que não um jogo? E eles me deram o trabalho de desenvolver”, contou, em entrevista à Agência Brasil, o jovem de Quintino, na Zona Norte do Rio.

A ideia que ele deu foi “simples”, resume: as pessoas precisavam classificar, entre várias atribuições do poder público, qual era do MP-RJ, considerando as regiões do estado.

“É uma forma criativa de ensinar às pessoas o que é o Ministério Público e o que ele faz. As pessoas tinham um minuto e 40 segundos para fazerem sua melhor pontuação e ganharem o melhor brinde, que era um ecobag”.

Aluno do segundo período do curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Arthur surpreende ao destacar que gosta da parte humana de sua formação.

“O curso é interessante, sobretudo pelo lado humano da coisa. Porque, quando você produz um jogo, normalmente ele visa ao lucro, mas também é preciso que a pessoa se divirta. Então, tem que conciliar a parte capitalista da coisa com a parte humana”.

Ele chegou a cursar Ciência da Computação no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca do Rio de Janeiro (Cefet-RJ), mas mudou de área em busca desse equilíbrio maior entre ser humano e tecnologia.

“Foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado”, disse ele, que agora está em sua primeira experiência profissional.

 

Brasília - 07/08/2026 - Cleomar Barros ensina o filho desde criança a respeitar as meninas.( o estagiário Arthur Almeida Santos mostra ao público o jogo do MPRJ) 
Crédito: MPRJ/Bruno Bou
O estagiário Arthur Almeida Santos mostra ao público o jogo do MPRJ) Crédito: MPRJ/Bruno Bou

Reconhecimento

O jovem integrou o grupo de trabalho liderado pela procuradora de Justiça Elisa Fraga. Ela conta que Arthur trabalhou em conjunto com o Laboratório de Inovação do MP-RJ, que o ajudou no visual do jogo.

“Mas todo o sistema, como funciona, foi concebido por ele”, afirmou Elisa Fraga. “Ele tem 19 anos, chegou aqui querendo trabalhar com gamificação, mas nós não temos um setor específico desse assunto, e ele trabalha, então, com o pessoal de tecnologia da informação (TI), da Coordenadoria de Segurança e Inteligência”.

A procuradora afirmou que esperava que o jogo fosse agradar, mas não imaginava que seria o sucesso que foi no evento.

“Foi muito bom, surpreendente. Nós fizemos questão que ele [Arthur] estivesse lá, presente, e todo mundo o identificou como o idealizador do projeto; ele foi reconhecido por todos, pela equipe e pelo procurador-geral, como o autor. Foi uma forma de mostrar que os estagiários são capazes”.

“Eu disse para ele, lá no festival, que ele tinha que aproveitar aquela oportunidade, que aquilo ali era uma porta que estava se abrindo para ele. Um futuro muito grande”, comentou Elisa Fraga.

Ter o trabalho reconhecido pelo procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, foi algo que emocionou Arthur.

“Ele apertou minha mão e falou: Esse é o cara”, lembra. “Conseguir um elogio da entidade máxima do MP é muito difícil e extraordinário. E eu consegui. É importantíssimo, porque o MP precisava muito falar com o público jovem e conseguiu. É importante essa comunicação”.

Continue Lendo

Reportagens

SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A, Sala 719
Edifício Centro Empresarial Brasília
Brasília/DF
rodrigogorgulho@hotmail.com
(61) 98442-1010