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OBRIGADO, ODETTE ERNEST DIAS!

Silvestre Gorgulho – jornalista. Foi Secretário de Estado de Comunicação e de Cultura de Brasília.

 

A frustação de não ser músico me fez um Chorão de primeira. Sinceramente, me sinto como o Geraldo Dias e o Paulo Romano, que também não são músicos, mas ajudaram a plantar o Chorinho em Brasília, com a força musical e a competência artística da nossa eterna flautista Odette Ernest Dias.
Marie Thérèse Odette Ernest Dias nos deixou, ontem 24, aos 96 anos.
Vale lembrar: foi em 1974, quando Odette Ernest Dias, mulher de Geraldo Dias, chegou a Brasília para ser professora da UnB, que o Chorinho floresceu na Capital da República.
O Chorinho havia brotado, anos antes, na arte de João Tomé, Coqueiro, Avena de Castro e Celso Alves da Cruz. A partir das aulas na UnB, Odette Ernest Dias atraiu e congregou, em torno de si, vários músicos. Além do próprio Waldir Azevedo, outros como Celso Cruz, Bide da Flauta, Hamilton Costa, Nivaldo da Flauta, Pernambuco do Pandeiro, Lício da Flauta e Miudinho. A eles, se juntaram músicos originários de outras regiões, residentes na cidade como Avena de Castro, Edgardo, Cicinato, Evandro Barcellos, Eli do Cavaco, Alencar Sete Cordas, Valério Xavier, Luizinho do Sax, Aquino da Clarineta, Dolores Tomé, Tio João do Trombone, Reco do Bandolim, Valdeci e o cavaquinista Francisco de Assis, o Doutor Six.
Todos passaram a frequentar as rodas de choro no apartamento de Geraldo e Odette, na 311 Sul. Geraldo era anfitrião das cervejas e tira-gostos. Odette anfitriã da arte, da cultura e da coordenação musical. Era como uma aula prática fora da UnB.
E o tempo passou… e o apartamento de Odette ficou pequeno… e mais gente buscava uma forma de participar dos encontros. O grupo achou por bem ter casa própria e até fazer shows com a cobrança de ingressos.
O movimento pedia uma solução. E ela veio de forma transversa. Antônio Lício, economista e flautista das horas vagas, era assessor do então Secretário-Geral do Ministério da Agricultura, Paulo Afonso Romano. Admirador da boa música e por sugestão de Lício, Paulo Romano pediu um encontro com o governador Elmo Serejo, no Palácio do Buriti.
Bom baiano, Elmo Serejo recebeu o grupo de músicos com o maior entusiasmo. E abriu a conversa:
– No que posso atendê-los?
Odette Ernest Dias, mais uma vez, deu o tom maior:
– Governador, queremos um terreno para fazer um galpão onde os chorões de Brasília possam se apresentar. É importante para nós músicos e será um ganho para a cidade.
– Terreno? E se eu arrumasse um local já construído que precisasse apenas de uma boa reforma, pois está abandonado desde que a Funarte o dispensou.
– Maravilha! Podemos ver?
– Agora! Vejam e voltem com a resposta. Mas lembrem-se: só
posso ceder o espaço se vocês criarem uma entidade cultural.
E assim, por volta de 17 horas, o grupo se dirigiu ao local indicado, levado pelo clarinetista Valci Barbosa, assessor do governador.
Era uma sala redonda, no subsolo do Centro de Convenções, que seria usada para exposições da Funarte, recém-criada pelo ministro Ney Braga, da Educação.
Valci voltou ao Buriti com a resposta positiva. E o grupo saiu atrás da
burocracia para criar a entidade. Enquanto corria a reforma do espaço, o grupo passou a se reunir no bar ‘Xereta’, da 314 Sul.
Assim, em 9 de setembro de 1977, nasceu o Clube do Choro.
O primeiro presidente estava no grupo: Avena de Castro. Vale lembrar que o local era pequeno, úmido e até mesmo inadequado, mas acolheu muito bem os chorões por 30 anos.
Nesse tempo, a força do conteúdo, o prestígio dos músicos e a pujança cultural do projeto fizeram o Choro de Brasília reverberar pelo Brasil e mundo a fora.
Em 30 de setembro de 2006, um dia antes do primeiro turno das eleições, por sugestão do então presidente do Clube do Choro, Reco do Bandolim, reuni na minha casa na Q.I 05 do Lago Sul, 151 músicos ligados ao Clube do Choro, à UnB e à Escola de Música de Brasília. Da reunião participaram o candidato a governador de Brasília, José Roberto Arruda, o maestro Júlio Medaglia, os arquitetos Carlos Magalhães da Silveira e Fernando Andrade, ambos do escritório de Oscar Niemeyer.
No encontro, Reco e Fernando Andrade apresentaram a maquete do novo Clube do Choro e da Escola de Choro Raphael Rabello.
Naquela noite, colocou-se sobre a mesa um sonho e uma promessa: caso Arruda se elegesse, no primeiro dia de governo ele iniciaria com as formalidades burocráticas para a construção do projeto de Oscar Niemeyer.
Arruda eleito, fui ser o Secretário de Estado da Cultura de Brasília. Coloquei todo meu esforço para cumprir a promessa. Cumprimos! Construímos novo Clube do Choro que é composto da Escola Raphael Rabello (hoje com cerca de 1.200 alunos) e um anfiteatro para 470 lugares.
Tomei outras duas decisões fundamentais para a sustentabilidade do projeto: providenciei o Tombamento do Clube do Choro e, com o apoio do Procurador-Geral do GDF, Marcelo Galvão, passamos o complexo musical para o próprio Clube do Choro administrar.
A construção de Brasília teve o ritmo e o compasso da seresta e do rock. E foi no ritmo da música que os trabalhadores pioneiros flertaram com o Amanhã.
Obrigado, JK, por ter plantado Brasília e por tê-la regado com a seresta de Dilermando Reis, Sílvio Caldas e a Sinfonia de Vinicius de Moraes e Tom Jobim.
Obrigado, Odette Ernest Dias. Você fez do Choro um Clube Universal.

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Visitação Institucional ao Congresso cresce 20% e alcança melhor resultado desde 2012

Há 13 anos, as visitas eram feitas todos os dias da semana, sem limite de visitantes por grupo. No ano passado, já não havia visitas guiadas às terças e quartas-feiras, dias das sessões nos plenários da Câmara e do Senado, e os grupos foram de no máximo 50 pessoas

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Bruno Spada/Câmara dos Deputados

 

A Visitação Institucional ao Congresso Nacional recebeu 167.462 visitantes no ano passado, contra 139.173 em 2024. O resultado representa recorde diário e o maior público anual desde 2012, quando a visitação operava com dois dias a mais por semana (terça e quarta). Mesmo com essa diferença de dias de funcionamento, 2025 alcançou patamar próximo ao daquele ano, evidenciando o fortalecimento do programa e o crescente interesse do público em conhecer a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.

Engajamento e aproximação com a sociedade
O desempenho de 2025 reflete um conjunto de iniciativas voltadas a aprimorar a experiência do visitante e reforçar o papel institucional do turismo cívico como porta de entrada para o público conhecer, de forma qualificada e acolhedora, o Congresso Nacional, sua arquitetura, seus espaços simbólicos e o funcionamento da Câmara dos Deputados, contribuindo para uma relação mais próxima entre a instituição e a sociedade.

Ações especiais em 2025
Ao longo do ano, foram realizadas diversas atividades que ampliaram o alcance do programa e impulsionaram o engajamento do público visitante, entre as quais:
• Comemorações dos 65 anos do Congresso Nacional (abril): roteiro inédito, com passagem por áreas nunca antes visitadas e ampla cobertura jornalística externa. Apenas nos quatro dias de visitações especiais, foram 5.182 visitantes.
• Visitas às cúpulas (maio e outubro): programação especial com trabalhadores terceirizados, no mês de maio (mês do trabalhador), e com servidores, em outubro, em período próximo ao Dia do Servidor.
• Espaço Criança no Congresso (julho): ação voltada a famílias, com programação especial para o público infantil.
• Inauguração do Espaço Plenarinho (Salão Negro): ampliação da oferta de atividades para crianças durante a visita.
• “Orelhão” da Rádio Câmara (Salão Negro): iniciativa interativa para que visitantes pudessem pedir músicas, tornando a experiência mais participativa.
• Programação de Natal (dezembro): cantatas com participação especial de uma carreata de Natal ao final da apresentação.
• Visite EnCena: intervenções com esquetes teatrais integradas à visitação, aproximando o público de personagens e “vozes” ligadas à história do Brasil e do Parlamento.
• Visite 360: experiências imersivas com filmes em realidade virtual, utilizando óculos e fones de ouvido, para que o visitante vivencie narrativas marcantes do Parlamento.
• Implantação do Espaço do Visitante: com destaque para a réplica da tribuna do Plenário Ulysses Guimarães, que vem sendo amplamente utilizada pelos visitantes.

Ações em andamento (janeiro) e próximos passos
Os programas Visite EnCena e Visite 360 seguem em realização, ampliando as alternativas culturais e imersivas para o público. No Espaço do Visitante, a tribuna já está à disposição para fotos das 9h às 17h, todos os dias, e a Loja Institucional da Câmara será inaugurada em breve.

Mais informações sobre a Visitação Institucional ao Congresso estão disponíveis no portal

 

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CLDF anuncia novo concurso de fotografia “Brasília Sob Lentes”

A iniciativa pretende estimular a educação para a cidadania por meio da arte e da cultura, além de incentivar um olhar crítico e sensível sobre a capital federal

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Foto: Pedro França / Agência Senado

A Câmara Legislativa do Distrito Federal instituiu, por meio do ato da segunda vice-presidente, deputada Paula Belmonte (PSDB), publicado no Diário da Câmara Legislativa (DCL) no último dia 9, o concurso de fotografia “Brasília Sob Lentes”. A iniciativa pretende estimular a educação para a cidadania por meio da arte e da cultura, além de incentivar um olhar crítico e sensível sobre a capital federal.

Segundo o texto, o concurso será aberto à participação da comunidade em geral, com categorias, critérios e prazos definidos em edital específico a ser divulgado. As fotografias selecionadas também serão premiadas conforme as regras estabelecidas.

O ato determina, ainda, que a Escola do Legislativo do Distrito Federal (Elegis) será responsável por planejar, coordenar e executar o concurso, podendo firmar convênios e acordos de cooperação com instituições públicas e educacionais, tanto públicas quanto privadas.

Para a deputada Paula Belmonte, o projeto é uma oportunidade de fortalecer o vínculo entre a CLDF e a sociedade, incentivando o pertencimento, a identidade e a participação social. “A fotografia é uma poderosa ferramenta de expressão e cidadania. Com esse concurso, queremos aproximar a população da Câmara Legislativa e valorizar os múltiplos olhares sobre Brasília”, enfatiza a parlamentar.

*Com informações do gabinete da deputada Paula Belmonte (PSDB)

Agência CLDF

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Vestibular da USP vai cobrar obras indígenas e quadrinhos

Universidade divulgou livros de leitura obrigatória entre 2030 e 2033

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Guilherme Jeronymo – Repórter da Agência Brasil

 

A Universidade de São Paulo (USP) divulgou as obras de literatura para leitura obrigatória que será cobrada dos vestibulandos nos exames de 2030 a 2033. A lista traz mudanças em relação aos autores do ciclo 2026-2029 e amplia gêneros literários e a origem dos autores.

A nova relação foi aprovada em reunião do Conselho de Graduação da universidade, por unanimidade, e traz o retorno de obras de teatro como referência, gênero que esteve de fora nos últimos exames, além de incluir os quadrinhos, por meio de uma graphic novel (romance gráfico).

Será a primeira vez que os autores indígenas serão cobrados na Fuvest, com a obra Originárias: uma Antologia Feminina de Literatura Indígena, uma coletânea de contos de Trudruá Dorrico e Maurício Negro, no biênio 2030-2031, e Fantasmas, de Daniel Munduruku, para 2032-2033.

“Temos a preocupação de trazer visões mais contemporâneas, abordando um espectro de problemas mais amplo e favorecendo a avaliação comparativa entre escolas literárias e as próprias obras”, explicou o diretor executivo da Fundação para o Vestibular (Fuvest) Gustavo Monaco.

A abordagem, que tem sido o tom tanto na Fuvest quanto em outros vestibulares e no próprio Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), vem de uma percepção que Monaco resume como a de que o conhecimento é fracionado apenas por razões didáticas. Ele destaca a importância de os estudantes que chegam à universidade serem capazes de estabelecer relações entre essas concepções e narrativas diferentes.

A ampliação também impacta a correção das questões. A banca de português é a maior da Fuvest, pois todos os candidatos da segunda fase fazem a prova, e são cerca de 30 mil pessoas. Metade das questões envolve literatura, e a correção delas cabe a professores da USP, doutorandos, ex-alunos de doutorados e alunos de pós-doutorado. Com a ampliação, cresce a complexidade das perguntas, e também das respostas.

“Tem sido mais comum, durante a correção, que surjam debates, pois algumas respostas trazem novas formas de pensar os temas, com abordagens que levam a pensar novas formas de comparação”, comenta Monaco.

A lista amplia a retomada de autores masculinos, já que as obras cobradas entre 2026 e 2028 tinham somente autoras, e manterá a paridade de gêneros.

Confira a lista de obras:

Lista de livros para 2030 e 2031

  • Laços de Família, Clarice Lispector (contos)
  • Originárias: uma Antologia Feminina de Literatura Indígena, Trudruá Dorrico e Maurício Negro (contos)
  • A Moratória, Jorge Andrade (teatro)
  • Uma Faca só Lâmina, João Cabral de Melo Neto (poesia)
  • Beco do Rosário, Ana Luiza Koehler (graphic novel)
  • Esaú e Jacó, Machado de Assis (romance)
  • Memorial do Convento, José Saramago (romance)
  • A Ilha Fantástica, Germano Almeida (romance)
  • Quarto de Despejo, Carolina Maria de Jesus (romance)

Lista de livros para 2032 e 2033

  • Laços de Família, Clarice Lispector (contos)
  • Orfeu da Conceição, Vinicius de Moraes (teatro)
  • Uma Faca só Lâmina, João Cabral de Melo Neto (poesia)
  • Beco do Rosário, Ana Luiza Koehler (graphic novel)
  • Úrsula, Maria Firmina dos Reis (romance)
  • Esaú e Jacó, Machado de Assis (romance)
  • O Plantador de Abóboras, Luís Cardoso (romance)
  • Casa de Família, Paula Fábrio (romance)
  • Fantasmas, Daniel Munduruku (romance)
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