Artigos
COMPLEXOS FOTOVOLTAICOS
Parque Solar São Gonçalo: Piauí tem um dos maiores parques de energia solar da América do Sul
O Parque Solar São Gonçalo, localizado nos cerrados do Piauí, município de São Gonçalo do Gurgueia, (800km de Teresina), operado pela Enel Green Power, se caracteriza como um dos maiores complexos fotovoltaicos da América do Sul. Com mais de 2,2 milhões de painéis bifaciais, o parque gera energia limpa e renovável, com capacidade instalada superior a 800 MW em diversas fases de expansão. No entanto, o projeto tem muitos impactos socioambientais e seus aspectos negativos são desconsiderados ou desconhecidos.
Segundo informações da ENE-Brasil, o Parque Solar São Gonçalo III faz parte do Complexo São Gonçalo, o maior parque solar em operação na América do Sul, e significa mais geração de energia limpa e uma enorme contribuição para o avanço da transição energética no Brasil e para o desenvolvimento local.
Localizado numa área considerada pela ONU como o maior Núcleo de Desertificação da América Latina, o empreendimento, sequer, vem cumprindo um Termo de Ajuste de Conduta assinado com o Ministério Público. Responsável por promover grandes desmatamentos – somente em painéis instalados ocupa mais de mil hectares de área sem nenhuma vegetação -, a retirada da mata nativa acaba gerando desequilíbrios ambientais como deslizamentos das encostas da serra, soterramento de nascentes e rios ocasionando falta d’água para as comunidades vizinhas e erosão descontrolada. Será este o preço do desenvolvimento a qualquer custo?

A usina solar de R$ 1,4 bi construída em São Gonçalo do Gurguéia (PI) possui cerca de 2,2 milhões de painéis fotovoltaicos e está instalada em uma área equivalente a 1.500 estádios de futebol. De acordo com a empresa, subsidiária do grupo Enel, o complexo solar tem uma capacidade total de 700 MW e é composto por 24 sub-parques solares.
‘NOSSA ÁGUA ACABOU’…
É o maior parque solar da América do Sul atualmente em construção. A construção da primeira seção de 475MW de São Gonçalo começou em outubro de 2018 e foi conectada à rede em janeiro de 2020. Em agosto de 2019, Enel anunciou o início da construção da extensão de 133 MW do parque solar, que também está em andamento.
Mas há um senão: moradores denunciam impactos de parque solar no Piauí: ‘Nossa água acabou’…
Dizem os trabalhadores que a situação é sentida com mais intensidade na época de chuva. A explicação é fundamentada na observação de um trabalhador: “Quando chove, aumenta o assoreamento dos rios, dos brejos. Uma das melhores nascentes que tinha já foi embora. Não podemos mais beber a água que tinha lá. Não sei o que vou fazer. Vou largar minha propriedade porque não tem como trabalhar mais. Fui criado nessa função de trabalhar na roça e aprendi a construção civil, mas devido à idade, esse segundo ofício já não é tão garantido”.
Para Reginaldo Lira Barros, que tinha uma plantação de cerca de 200 buritis em São Gonçalo do Gurgueia (PI), coração do semiárido, o trabalho de tirar o fruto matéria-prima para doces, sorvetes e sucos acabou. Foi interrompido pouco depois que um projeto de parque solar chegou ao município e levou à morte as centenas de árvores de sua propriedade. O MP-PI (Ministério Público do Estado do Piau) investiga o caso.
IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS
O engenheiro mecânico Gustavo José Simões, que é vice-diretor cultural da Associação dos Engenheiros da Petrobrás, e o pesquisador e gestor ambiental Felipe Júnio Sabino escreveram um trabalho apresentando os impactos socioambientais associáveis às atividades da Empresa Enel Green Power, no contexto da implementação do complexo solar de São Gonçalo.
Segundo Gustavo José Simões e Felipe Sabino, a implementação de projetos centralizados de energias renováveis, associados a benefícios climáticos globais, pode acarretar impactos significativos no meio ambiente e nas comunidades locais. A crescente demanda por fontes de energia limpa, como a solar e a eólica, tem levado à rápida expansão de projetos em todo o mundo, muitas vezes sem uma avaliação adequada de seus impactos socioambientais.
Explica Gustavo Simoes e Felipe Sabino que os novos projetos de geração de energia renovável centralizada, as chamadas fontes limpas, são excessivamente “romantizados” e seus aspectos negativos são desconsiderados ou desconhecidos. É fundamental o conhecimento dos diversos impactos que causam ao meio ambiente e às comunidades onde se instalam.
Para os dois técnicos, um dos principais problemas é a falta de consideração adequada dos impactos das energias renováveis nas comunidades locais e nos ecossistemas circundantes. Como evidenciado pelo caso da Usina Solar São Gonçalo, no Piauí, projetos de grande escala podem resultar em danos significativos ao solo, à vegetação e aos recursos hídricos, além de afetar negativamente as comunidades rurais que dependem desses recursos para sua subsistência.

Enel inicia operação de segunda expansão do complexo em São Gonçalo do Gurgueia. Quando estiver em plena operação, a planta será capaz de gerar mais de 1.200 GWh por ano, e – segundo o diretor da – evitará a emissão de mais de 600 mil toneladas de CO² na atmosfera.

Artigos
Projeto estratégico vai acelerar soluções de transição energética a partir da agricultura
Canola tropicalizada, em apoio a rotas para biodiesel, diesel renovável e combustível sustentável de aviação (SAF), é uma das frentes do projeto
Foto: Bruno Laviola
Cinco unidades de pesquisa da Embrapa – Embrapa Agroenergia (DF), Embrapa Agroindústria Tropical (CE), Embrapa Milho e Sorgo (MG), Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) e Embrapa Trigo (RS) – integram capacidades para desenvolver soluções científicas que ampliem a contribuição da agricultura brasileira na descarbonização da economia. O desafio central é investir em ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) para transformar biomassa e resíduos agroindustriais em energia, combustíveis renováveis e insumos de base biológica, com ganhos ambientais e competitividade.
Essa estratégia institucional em rede, estruturada e liderada pela Embrapa Agroenergia, faz parte do projeto “Centro temático para desenvolvimento de soluções integradas voltadas à transição energética a partir da agricultura” (Bioinova), que conta com aporte de R$ 14 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para modernizar o parque de equipamentos e fortalecer a infraestrutura da Embrapa. A iniciativa, com duração de 36 meses, visa alcançar 10 metas (saiba mais em quadro nesta matéria) voltadas à geração de tecnologias para produção sustentável de energia e materiais renováveis
Segundo o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, Bruno Laviola, o Bioinova é estratégico pela integração de competências de cinco unidades para enfrentamento de desafios reais da transição energética. Além das 10 metas técnicas, o projeto prevê modernizar e ampliar a infraestrutura multiusuária da Empresa. “Com isso, vamos aumentar a nossa capacidade de gerar evidências, qualificar processos e acelerar a entrega de soluções em rotas como combustível sustentável de aviação (SAF, sigla em inglês), biohidrogênio, biometano, etanol e em tecnologias associadas ao desenvolvimento de matérias-primas e bioinsumos”, diz.
Laviola explica que o Bioinova trabalha com uma lógica integrada de economia circular em biorrefinarias tropicais. A ideia é aproveitar resíduos da própria cadeia de biocombustíveis para reduzir emissões na produção das biomassas desenvolvidas no projeto. “Essas biomassas, por sua vez, podem gerar novos biocombustíveis e bioprodutos mais sustentáveis, buscando reduzir emissões e ampliar a sustentabilidade em toda a cadeia”, complementa.
O líder do projeto e pesquisador da Embrapa Agroenergia Guy de Capdeville pontua que, para o alcance das metas, o Bioinova atuará em diferentes frentes para ampliar as matérias-primas e rotas de conversão e produzir bioinsumos para nutrição, bioestimulação e controle de pragas de interesse energético. Para isso, o projeto vai contemplar áreas sujeitas a estresses abióticos, seca e salinidade e ferramentas de sustentabilidade, inteligência e biotecnologia avançada, além da viabilidade econômica de tudo isso.
Fotos acima: Freepik
Atuação em rede
O Bioinova vai mobilizar grande parte das equipes técnicas das cinco unidades da Embrapa envolvidas. “Estamos ampliando sinergias e o nosso potencial de entrega de soluções para o setor produtivo e para a sociedade. O Bioinova foi concebido para acelerar soluções integradas e aplicáveis, conectando o campo às rotas tecnológicas de biocombustíveis e bioprodutos. Além de gerar resultados científicos e tecnológicos, o projeto fortalece a infraestrutura necessária para responder aos desafios atuais e futuros da transição energética”, ressalta Capdeville.
Modernização de equipamentos e ganhos estruturantes
Além das entregas técnicas, o Bioinova prevê aquisição e atualização de equipamentos estratégicos para ampliar a capacidade experimental e analítica, apoiar rotas de conversão e aumentar a robustez das evidências de desempenho e sustentabilidade. A infraestrutura terá caráter multiusuário, ampliando o alcance institucional e a capacidade de atender demandas de projetos internos, parcerias e cooperação técnico-científica.
Para viabilizar os trabalhos, Capdeville adianta que a contratação de pessoal também está entre as previsões do projeto. “Pelo menos 30 outros profissionais, de graduação e pós-graduação e cientistas já formados estarão entre as contratações”, reforça.
Além de aporte para manutenção de infraestrutura já existente, serão disponibilizados recursos para pesquisas em campo e para compra e manutenção de equipamentos. “Sabemos o quanto é importante trabalharmos com garantias tanto para aquisição quanto para manutenção ao longo de três anos de projeto. Trata-se de um projeto amplo, que foca não apenas na infraestrutura da Embrapa, mas também de parceiros”, destaca o pesquisador.
Laviola endossa que a atualização da infraestrutura é decisiva para reduzir o tempo de desenvolvimento, qualificar resultados e acelerar a conexão com o setor produtivo.
Energia renovável, baixo carbono e competitividade
A expectativa é ampliar o portfólio de soluções da Embrapa em biocombustíveis avançados (incluindo SAF), biogás e biometano, bioinsumos e novas matérias-primas, de forma a contribuir para a descarbonização de cadeias agroenergéticas; diversificar fontes renováveis e reduzir riscos de suprimento; com maior competitividade e previsibilidade para investimentos em rotas industriais, além de apoio técnico e científico a políticas públicas e estratégias setoriais.
“Ao final, esperamos entregar um conjunto consistente de processos e tecnologias, com evidências de desempenho e sustentabilidade avaliadas por meio de modelagens dos impactos econômico e ambiental e de ciclo de vida das tecnologias geradas ao longo do projeto. Tais informações nos permitirão apoiar decisões de investimento, formular políticas públicas, aprimorar cadeias produtivas e ampliar o papel da agricultura na oferta de energia renovável e de baixo carbono”, conclui Capdeville.
Foto: Felipe Carvalho (Biorreator para SAF — Combustível Sustentável de Aviação)
Cristiane Vasconcellos (MTb 1.639/CE)
Embrapa Agroenergia
Contatos para a imprensa
agroenergia.imprensa@embrapa.br
Silvestre Gorgulho – Jornalista. Foi Secretário de Estado de Comunicação e Secretário de Estado da Cultura de Brasília.
Há 70 anos, em 18 de abril de 1956, Brasília começou a vencer a burocracia para sair do papel e entrar na fase do concreto, com a Mensagem de Anápolis.
Em 21 de abril de 1960, a capital era inaugurada com pompa e circunstância pelo presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Lá se vão 66 anos. Nos 65 aniversários anteriores, os brasilienses assistiram a comemorações variadas: algumas simples, mas eufóricas. Outras apoteóticas. Todas sempre regadas a danças e festanças. Mas, nunca, o aniversário de Brasília foi comemorado com tanta displicência, apatia e baixo astral, como agora. A festa dos 66 anos de Brasília ficou restringida à bela edição do irmão gêmeo de Brasília, o Correio Braziliense, inclusive com a tradicional e empolgante Maratona.
Parece que Brasília está em depressão.
Lembro-me que, em 21 de abril de 2010, no Cinquentenário da Cidade, depois da capital ter passado pela crise de ter quatro governadores, a Câmara Legislativa elegeu, indiretamente, dois dias antes, um novo ocupante do Buriti. Mesmo com tantas cicatrizes, a cidade lavou a alma com uma ‘Festa dos 50 Anos’, que levou mais de um milhão de pessoas à Esplanada dos Ministérios.
Não havia nem um político no palco. A festa foi totalmente paga pela iniciativa privada com apoio logístico da Secretaria de Cultura. Deram às mãos o Sinduscon, Associação Comercial, Ademi, Asbraco e Fecomércio. Brasília cantou e dançou com Daniela Mercury – que foi âncora de um show histórico na Esplanada, onde se apresentaram com ela nada menos de 39 artistas da cidade.
À meia noite. Uma grande surpresa estava guardada a sete chaves. Apenas cinco pessoas sabiam. Além da Daniela Mercury, eu como Secretário de Cultura e mais duas pessoas de minha equipe. E, também, o próprio gênio da MPB que iria se apresentar, cantando apenas uma canção.
Apagaram-se as luzes. Estava anunciado o início da queima de fogos. Antes, um canhão de luz focou diretamente o palco e uma voz límpida e forte, a capela, ecoou pela escuridão. Aos poucos, sob o holofote, surge Milton Nascimento.
– ” Como pode o peixe-vivo / viver fora da água fria? Como poderei viver sem a tua, sem a tua companhia…”
Foi uma apoteose!
A voz de Milton Nascimento reverberou pelos quatro cantos do Brasil. Sim, a TV Globo transmitiu tudo ao vivo. Um misto de euforia e de emoção tomou conta da multidão.
Na segunda estrofe, entra Daniela Mercury que faz dueto com Milton. Aos poucos, começam a entrar cada um dos 39 artistas brasilienses que tinham se apresentado.
E a Esplanada, num coral de um milhão de vozes, sacudiu o Cerrado:
– “Como pode o peixe-vivo /viver fora da água fria? Como poderei viver sem a tua, sem a tua companhia…”
Vi muita gente chorando. A energia de tantos candangos celebrando os 50 anos de Brasília contagiou a cidade e ajudou a levantar o astral de um tempo triste e sombrio que a cidade vivia.
Agora, nos 66 anos da Capital, faltou ao atual governo sensibilidade e criatividade para tirar Brasília de uma depressão que a cidade está mergulhada.
BRASÍLIA ANO 1 – Para não dizer que falei apenas dos 50 anos da cidade, vou lembrar a comemoração de quando Brasília fez um ano, em 21 de abril de 1961. O presidente da República era Jânio Quadros. Ele estava de costas para a cidade. Falava até em voltar a Capital para o Rio de Janeiro. O prefeito, Paulo de Tarso, assoberbado com finalizações de infraestrutura e questões administrativas, nem pensou no assunto.
Na semana anterior, o então Secretário da Cultura (na época presidente da Fundação Cultural) o poeta maior José Ribamar Ferreira ou, simplesmente, Ferreira Gullar, organizou as comemorações do primeiro aniversário. Evidente, com todas as dificuldades de uma cidade ainda na placenta da História. O que ficou da festa – além de um singelo coquetel no gabinete do prefeito Paulo de Tarso, foi a poesia que nasceu da pena de Ferreira Gullar.
A verdade é que, com seus pouco mais de 100 mil habitantes (hoje são mais 3 milhões), Brasília teve mais poesia do que festança.
Sem nenhum tipo de condução e sem nenhum apoio logístico para celebrar o Ano 1 da nova Capital, Ferreira Gullar buscou solução no Exército Nacional. Marcou audiência.
Um major o recebeu educadamente. Depois de muita conversa, o oficial se saiu com essa:
– Dr. Gullar, tudo bem, mas o problema é viatura e gasolina.
– Eu sei, mas qual a solução?
– Dr. Gullar, não tem solução!
Sem solução, sem apoio, com bastante poeira e muita inspiração, Ferreira Gullar aproveitou o vinho comemorativo no final de tarde do dia 21, na sala do prefeito Paulo de Tarso, sacou do bolso um poema em forma de embolada e discursou aos convivas:
Não adianta, seu prefeito, abrir estrada.
Não adianta Carnaval na Esplanada.
Não adianta Catedral de perna fina
Não adianta rebolado de menina
Que o problema é viatura e gasolina.
Todo mundo riu muito, mas ninguém perdeu o ritmo:
– O problema é viatura e gasolina.
Bons tempos aqueles, quando o astral era altíssimo e o problema era só viatura e gasolina.

-
Artigos3 meses agoFestival inédito de cultura coreana chega a Brasília com show internacional
-
Artigos3 meses agoDIA MUNDIAL DA ÁGUA HISTÓRICO DAS COMEMORAÇÕES
-
Reportagens2 meses agoCLDF reajusta tabelas salariais de servidores do Detran-DF
-
Reportagens2 meses agoSessão solene entrega título de Cidadão Honorário a Sebastião de Carvalho Neto
-
Reportagens3 meses agoRessaca de Carnaval e cultura gratuita movimentam o fim de semana no DF
-
Artigos3 meses agoA VENDA DOS OLHOS DE QUEM
-
Reportagens3 meses agoNovo Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) entra em vigor
-
Reportagens3 meses agoSequenciamento pioneiro no Brasil avança no controle da murcha do ciclame



