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O LIXO DAS GUIMBAS DE CIGARRO
Praias do Brasil estão entre as mais contaminadas com o lixo mais comum do Planeta: 4,5 trilhões de bitucas de cigarro são lançadas por ano na natureza.
A verdade se perde no tempo como fumaça de cigarro: a indústria do tabaco sempre propagou a ideia de que os filtros de cigarro são biodegradáveis. Esse discurso ainda influi no comportamento das pessoas. O certo é que a poluição por guimbas persiste por um motivo muito simples. Há muitas pessoas sem educação e indústrias que lucram com a venda de cigarros.
A jornalista Poliana Casemiro, de O Globo, fez uma matéria importante sobre a poluição das praias brasileiras: o Brasil está entre os países com as praias mais contaminadas por bitucas de cigarro no mundo. Um estudo global mostra que densidade desse resíduo no litoral do país chega a ser quase 40 vezes maior que a média mundial e coloca o Brasil na 4ª posição do ranking. Essa é uma verdade incontestável: os fumantes descartam as bitucas de cigarro onde bem entendem: nas praias, nas ruas, nas calçadas e até em jardins.
Estudos científicos da OMS – Organização Mundial de Saúde e de pesquisadores vinculados à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), à Universidade Estadual Paulista (Unesp), ao Instituto Nacional de Câncer (Inca), à Johns Hopkins University, nos Estados Unidos, à Universidad San Ignacio de Loyola, no Peru – e outros 55 centros acadêmicos – revelam que que esses pequenos resíduos atingem densidades médias de 0,24 bitucas por metro quadrado em ambientes urbanos e aquáticos.
É como encontrar uma bituca a cada quatro metros quadrados. Picos extremos no mundo ultrapassaram 38 bitucas por metro quadrado em praias e áreas costeiras altamente frequentadas e populosas. A massa total das bitucas descartadas anualmente no ambiente é da ordem de 766,6 milhões de quilos.

Picos extremos no mundo ultrapassaram 38 bitucas por metro quadrado em praias e áreas costeiras altamente frequentadas e populosas. Foto: Movimento Lixo Cidadão.
Para o engenheiro ambiental Victor Vasques Ribeiro, doutorando do Instituto do Mar da Unifesp, nada menos do que 4,5 trilhões de bitucas de cigarro são descartadas incorretamente todos os anos, formando uma das faces mais onipresentes – e menos percebidas – da poluição ambiental global. Isso significa em torno de 550 bitucas lançadas anualmente no ambiente para cada habitante do planeta.
NEM ÁREAS PROTEGIDAS
ESCAPAM DAS BITUCAS
Os estudos mostram que nem as áreas ambientalmente protegidas – principalmente aquelas com regras mais restritivas – conseguem reduzir a contaminação pelas bitucas de cigarro. Elas diminuem em até dez vezes quando comparadas a locais sem qualquer tipo de proteção legal. Mesmo assim, nem parques nacionais ou reservas marinhas escapam totalmente do problema, uma vez que as correntes marítimas podem levar para essas localidades lixo descartado muito longe delas, seja em praias seja em áreas urbanas.

Um relatório da “NBC News” sobre meio ambiente revelou que a bituca de cigarro polui mais o oceano do que as sacolas e canudos de plástico. A organização ambientalista OCEAN CONSERVACY, que financia a limpeza de praias, informou que as bitucas não só podem destruir ecossistemas marinhos e a vida aquática em geral com poluição de rios, córregos e vias navegáveis, mas também comprometem a saúde de animais marinhos que as engolem, confundindo com algas e outros alimentos.
É impossível saber quantos cigarros foram descartados na natureza, mas muitos restos são encontrados nos estômagos dos pássaros, peixes e tartarugas e são uma das principais causas de morte destes animais.
PROGRAMA LIXO ZERO PODE
MULTAR FUMANTES PARA EDUCAR
O problema, no entanto, parece não afetar muito os fumantes que continuam adotando um comportamento errado. No entanto, tem crescido em todo mundo a preocupação em relação a esse descarte incorreto das guimbas de cigarro. O Brasil também está a par do problema e as cidades vem apresentando iniciativas com intuito de dar fim a temível modalidade de “arremesso de bitucas em qualquer lugar”.
O projeto Programa Lixo Zero, realizado pela Comlurb-RJ, em parceria com a Guarda Municipal do Rio, prevê a aplicação de multas para quem sujar a cidade. A iniciativa tem como objetivo tornar a Lei de Limpeza Urbana (3273/2001) efetiva e conscientizar a população da importância de não jogar lixo nas ruas, praias, praças e demais áreas públicas, melhorando a qualidade da limpeza do Rio. As multas variam entre R$106 a R$ 3,4 mil.
O estado do Paraná também adotou medidas contra as bitucas e foram criadas leis para multar quem for pego jogando-as no chão, além de instalação de coletores de bitucas em pontos estratégicos.

Existem praias onde mais da metade do lixo é composta por bitucas. Já houve casos em que praticamente 100% dos resíduos eram filtros de cigarro. Segundo a OMS há que ter um controle e uma redução do tabagismo.

RANKING MUNDIAL – As praias brasileiras estão entre as mais contaminadas do mundo por bitucas de cigarro. (infográfico G1)
PRAIAS BRASILEIRAS X BITUCAS
Praias paradisíacas e próximas aos grandes centros urbanos são as mais poluídas por bitucas. O Brasil aparece na lista dos países com as praias mais contaminadas por guimbas de cigarro.

Com pico de 8,85 bitucas por metro quadrado — o equivalente a quase nove filtros de cigarro espalhados em uma área de 1 metro por 1 metro de areia, o índice mais elevado está na praia da Boa Viagem – Recife.

Praia de Porto de Galinhas (Ipojuca, PE): 1,57/m²

Praia do Guarujá, SP – 1,04/m²
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NASCIMENTO DO LAGO PARANOÁ
O Lago Paranoá foi idealizado muito antes da construção de Brasília, tendo sua primeira proposta formalizada pelo botânico e paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, paricipante da segunda Missão Cruls, em 1894.
No seu relatório, Glaziou identificou uma depressão topográfica na região e sugeriu o represamento do rio Paranoá para criar uma bacia de água indispensável ao abastecimento da futura capital.
Glaziou escreveu: “Entre dois grandes chapadões na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe imensa planície em parte sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa (…) É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte – barragem (…) formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”
O projeto do paisagista visava amenizar o clima seco do Planalto Central, garantir o fornecimento hídrico, gerar energia e proporcionar um elemento ornamental e de lazer para a população.
Em 1956, o plano de Glaziou foi incorporado e adaptado pela Novacap para compor o Edital do Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil.
Em março de 1957, quando da abertura do Concurso, todos os 26 projetos constavam a construção do Lago Paranoá, como aconteceu com o projeto vencedor, do urbanista Lucio Costa.

O idealizador do Lago Paranoá foi o paisagista francês Auguste Glaziou, membro integrante da 2ª Missão Cruls. A construção da barragem se inicia em 1957, sob responsabilidade da empresa norte-americana Raymond Concrete Pile of Americas. O constante atraso nas obras fez com que JK mandasse rescindir o contrato com a Raymond e transferisse o comando da construção da barragem para as construtoras Camargo Corrêa, Rabelo, Rodobras, Geotec e Engenharia Civil e Portuária.
DESCRIÇÃO COMPLETA
Essa é a descrição completa feita por Auguste Glaziou, no relatório da Segunda Missão Cruls, em 1894, apontando a solução técnica para a construção do Lago Paranoá:
“Entre os dois grandes chapadões conhecidos na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe uma imensa planície sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa: outrora era um lago devido à junção de diferentes cursos de água formando o Paranoá; o excedente desse lago, atravessando uma depressão do chapadão, acabou com o carrear dos saibros e mesmo das pedras grossas, por abrir nesse ponto uma brecha funda, de paredes quase verticais pela qual se precipitam hoje todas as águas dessas alturas. É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte (barragem) forçosamente a água tomará ao seu lugar primitivo e formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”
Nos anos 1970, ao entrar pela primeira vez na Catedral Metropolitana Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória, em Maringá, fiquei muito impressionado. Trata-se de uma das mais altas e belas basílicas da América Latina. Depois, caminhando pelas ruas da cidade, a música “Maringá, Maringá” logo me veio à memória. Cidade e canção parecem feitas uma para a outra, unidas por melodia, harmonia e ritmo. Embora separadas por 15 anos de história, a obra musical do mineiro Joubert de Carvalho e o terceiro maior município do Paraná compartilham a mesma beleza e a mesma alma. Conheça a seguir como essa bonita sintonia moldou o destino urbano e social da cidade e da região.
MARINGÁ: A CIDADE E A CANÇÃO
“Maringá… Maringá”, a melodia, nasceu primeiro, em 1932. Quinze anos depois, em 10 de maio de 1947, era fundado o município paranaense. A obra-prima de Joubert Gontijo de Carvalho (1907–1977) surgiu após um diálogo marcante com o ex-governador da Paraíba, José Américo de Almeida, então ministro da Viação e Obras Públicas de Getúlio Vargas e autor do clássico literário “A Bagaceira” (1928). Quem fez a aproximação de José Américo de Almeida com o compositor foi Rui Carneiro (1906-1977), então oficial do gabinete do Ministério da Aviação, natural de Pombal, uma cidade centenária ao norte da Paraíba.
Rui Carneiro era jornalista e advogado, mais tarde foi deputado federal e senador pela Paraíba. Carneiro e José Américo relataram ao compositor o sofrimento do povo nordestino com a seca severa. E deram, como exemplo, a cidade de Ingá, no agreste da Paraíba, a 100km de João Pessoa. Inspirado pelo relato, Joubert de Carvalho (mineiro de Uberaba) que já colecionava sucessos na voz de Carmen Miranda, como “Taí – Eu fiz tudo prá você gostar de mim”, criou uma personagem retirante fictícia chamada Maria. Da junção de “Maria de Ingá” surgiu o neologismo que batizou a música romântica e nostálgica. Mal sabia o compositor que aquele sucesso estrondoso seria o nome, 15 anos mais tarde, de uma das cidades mais prósperas do Sul do país e, ainda, lhe daria o nome de uma importante rua.

MARINGÁ: MODELO DE GESTÃO
Visão de presente e de futuro. Maringá saiu na frente, no Brasil, trazendo a sociedade civil organizada para participar no planejamento econômico sustentável da administração da cidade. Com o objetivo de propor ações efetivas para garantir o desenvolvimento sustentável de toda a região geoeconômica, proporcionando qualidade de vida e condições dignas aos cidadãos, em gestão compartilhada com o poder público, Maringá criou em 1996, o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá – CODEM. O órgão nasceu com o Movimento Repensando Maringá. No cinquentenário de Maringá, em 1997, houve a posse dos primeiros conselheiro.
Ao longo dos anos, o CODEM não só se consolidou como referência em planejamento socioeconômico sustentável, sempre com a participação ativa da sociedade civil, entidades e lideranças locais, como serviu de exemplo para a criação de órgão similar em muitas cidades brasileiras.
Hoje, mais de 20 cidades brasileiras, inclusive Brasília, usam esse modelo de governança inspirado no modelo pioneiro do CODEM/CODESE de Maringá (PR), com o objetivo de planejar o crescimento urbano e socioeconômico sustentável da região para as próximas décadas.
SAIBA MAIS
Veja duas outras matérias:
1) O batismo e a
cronologia da criação e urbanização.
2) Como o modelo de gestão participativa levou
o município de Maringá a bater recordes
de competitividade e de sustentabilidade.

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