Reportagens
Expedição às nascentes do rio Parnaíba
Está comprovado: problemas em toda a bacia, embora escassamente povoada, sofreu a colonização pela corrida do boi e pela corrida da soja. Nem o Parque Nacional das Nascentes, criado por FHC, saiu do papel
de Brasília – Expedições cumprem um ritual
de vida. Nunca morrem, diz Geraldo Gentil
Vieira, um apaixonado pelas questões
ambientais e que vem se dedicando em pesquisa
sobre recursos naturais e expedições.
Além da Expedição Américo
Vespúcio, foi o único técnico
do governo federal a participar da expedição
Parnaíba Vivo, que percorreu o mais
importante rio piauiense das nascentes até
o famoso delta, no Atlântico. Nós
da Folha do Meio Ambiente embarcamos em muitas
expedições nos 16 anos de vida
o jornal. Relatos destas expedições
não são feitos para ficar engavetados.
São sempre propostas vivas, inteligentes
com diagnósticos precisos de lugares
inusitados. Pelas páginas deste jornal
passaram muitas expedições ambientais
e científicas. Foram expedições
sobre o Jalapão em Tocantins, sobre
o Pantanal Matogrossense, sobre o rio Araguaia
e a Ilha do Bananal e sobre a nascente e foz
do rio Amazonas, de Roberto e Paula Saldanha.
Foram as expedições do engenheiro
Henrique Halfeld, sobre o rio São Francisco,
e do francês Emmanuel Liais, sobre o
rio das Velhas, ambas encomendadas por Pedro
II. Também foram as expedições
Américo Vespúcio, organizada
pelo próprio Geraldo Gentil, a expedição
pelo Deserto Vermelho de Gillbués (Piauí)
e a “Viagem poética ao sertão
roseano”, quando Cuia Guimarães
e Marcus Vinicius Andrade saíram à
vã pelo sertão de Minas Gerais,
redescobrindo paisagens e personagens do Parque
Grande Sertão Veredas. A estas expedições
citadas aqui e a tantas outras não
citadas por falta de espaço, soma-se
a aventura de quinze expedicionários
descendo de ponta a ponta o rio Parnaíba,
o Velho Monge.
Folha do Meio – Você
participou da exploração de
dois rios importantes: o rio São Francisco
e o rio Parnaíba. Foram os rios que
passaram em sua vida?
Geraldo Gentil – É, eles não
só passaram como entraram na minha
vida. E eu na deles. A verdade é que
ainda me sinto como uma gota d’água
no rio, pelo muito a ser feito. Mas gratificante,
mesmo, foi ter participado, nos albores do
século 21, de duas grandes expedições:
“Parnaíba Vivo”, em abril
e maio de 2001, e “Américo Vespúcio”,
em novembro e dezembro de 2001, no rio São
Francisco. Ambas as expedições
foram inéditas, pois navegamos de ponta
a ponta os dois maiores rios que banham a
região Nordeste. Expedições
nunca morrem. Cada vez que navegamos um rio
sua história é recontada, já
dizia o grego Heráclito: “Não
atravessamos um rio duas vezes, porque tanto
eu como o rio já não somos os
mesmos”.
![]() Quem é Geraldo Gentil Vieira(foto) Engenheiro agrônomo, Geraldo Gentil é bem conhecido de nossos leitores. Observador atento e técnico respeitado, Gentil Vieira está sempre escrevendo para o jornal explicando detalhes, comentando reportagens e sugerindo temas de interesse coletivo. Gentil formou-se em agronomia pela Universidade Federal de Lavras (1975) e se especializou em Irrigação e Solos pelo Instituto Interamericano de Ciências Agrícolas-IICA/FAO/Codevasf e Solos/Recuperação de Desertos pelo The Egyptian International Centre for Agriculture-EICA, Cairo, Egito. Nasceu em Iguatama-MG, uma das 10 cidades das cabeceiras do rio São Francisco, e foi o idealizador e coordenador técnico da Expedição Américo Vespúcio, que percorreu o Velho Chico da nascente ao Atlântico. Foi esta expedição que selou a verdadeira nascente do rio São Francisco, no Planalto do Araxá, em Medeiros-MG. (Folha do Meio Ambiente, edição 146/ abril/ 2004 e edição 147/maio/2004). Geraldo Gentil foi o único técnico do governo federal a participar da expedição Parnaíba Vivo, que percorreu o mais importante rio piauiense das nascentes até o famoso delta, no Atlântico. Email: geraldogentil@hotmail.com |
FMA – Qual foi sua motivação
para organizar a expedição de
exploração ao Parnaíba?
GG – Não, não fui eu
o idealizador. Participei como convidado e
observador (e muito aprendi com eles) pela
Codevasf. Os organizadores foram o juiz Marlon
Reis, a advogada Rosane Ibiapino e o Centro
de Defesa das Nascentes do Parnaíba
[CDPar]. Foi uma oportunidade única
para conhecer o rio e suas cidades ribeirinhas,
sua gente, sua vida, seu folclore, sua economia,
junto a uma equipe de alto nível, tanto
técnico quanto representativo das comunidades
que espontaneamente embarcavam e desembarcavam
no porto seguinte. Sem deixar de lado o real,
vejo as expedições também
pelo lado do imaginário. Só
assim vale a pena embrenhar-se rio a dentro…
FMA – Vamos à
expedição. Quanto tempo durou,
como foi a travessia da barragem de Boa Esperança
e que descobertas foram realizadas?
GG – Foram 22 dias de descida, desde
Alto Parnaíba, no Maranhão,
Santa Filomena, no Piauí, até
Parnaíba e Luiz Correia, além
de Araiozes e ilha de Santa Isabel, no delta.
Um delta que é um éden de canais,
igarapés, ilhas, mangues e dunas. Navegávamos
das sete da manhã até pelas
seis da tarde. Os pernoites eram no barco
ou em hotéis das cidades ribeirinhas.
Passei até por Nova Iorque. Quem estava
a bordo era o jornalista Francisco José,
da TV Globo. Aliás, ele até
gravou um Globo Repórter da Nova Iorque
piauiense, comparando o maior edifício
da cidade, uma padaria de dois pisos, com
o Empire State Building e as Torres Gêmeas,
que daí a quatro meses desabaram. Também
enviei um postal para minha filha Luana com
o carimbo de NY…
FMA – E a viagem?
GG – Olha, navegando o lago de Boa
Esperança de Uruçuí a
Porto Alegre, e daí a Nova Iorque e
Guadalupe, cruzamos a grande barragem num
arriscado traslado do barco PIPES Navegação.
O barco era de um verdadeiro herói
brasileiro, anônimo, chamado Pedro Iran
Pereira Espírito Santo. Tinha 15 toneladas
e chegou para navegar numa carreta Scania.
Aqui descobrimos uma eclusa inacabada, cheia
de mato, barrando a navegação.
Se o rio Parnaíba tem enorme potencial
hidroviário, a conclusão desta
obra pela Chesf poderia alavancar o também
enorme potencial de turismo fluvial e ecológico
em toda a sua extensão, gerador de
emprego e renda.
São descobertas como estas, somadas
à beleza cênica da paisagem,
que mantinham os expedicionários alertas,
boquiabertos e perplexos. Todos de prancheta,
GPS e máquinas de filmar em punho.
A propósito, tenho já pronto
o projeto de turismo “Caminho do Velho
Monge”, à semelhança do
Caminho de Santiago e Caminho da Estrada Real,
só que fluvial. Meus relatos de bordo
são um brado de alerta e uma viagem
gastronômica rio abaixo com suas peixadas
ao cheiro verde, o “arroz maria-isabel”,
a cajuína, a “manguerinha”,
e claro, suas lendas: o “papagaio falador”
de Amarante, o touro marruás de Porto,
o cabeça de cuia… (A PIPES também
executou em 2001, a expedição
Américo Vespúcio, percorrendo
o rio São Francisco da nascente à
foz. Até hoje, a PIPES não recebeu
pelo trabalho prestado, que foi terceirizado
à Domo Arquitetura e Projetos Culturais
,de Salvador-BA)
![]() Ainda é comum a agricultura primitiva pelo sistema “cultivo no toco”. Urge um programa de melhoria de renda e a criação de muitas unidades de conservação. Os desmatamentos e as queimadas degradam as cabeceiras e margens dos rios. |
FMA – E as descobertas
de gente, de povo, de ribeirinhos?
GG – Pelo lado humano, a maior lembrança
é da pequena Jisuis (Jesus), uma criança
de nove anos com aparência de seis,
filha de pescadores de Porto. Era curiosa
e vivaz, mesmo subnutrida. Guardo dela a alegria
ao entrar no grande barco e ao receber uma
bonequinha que compramos junto ao cais. Também
um senhor que pediu para descer até
Amarante – terra do poeta Da Costa e Silva
– e arrependido e tremendo, confessou um desmatamento
ciliar recente ao juiz que descia a bordo…
São pessoas muito honestas que nem
mesmo sabem a gravidade das agressões
ambientais.
Jamais me esquecerei dos prefeitos nos recepcionando
com bandas de música nos cais, e dos
anfitriões hospitaleiros que nos recebiam
em suas casas com comidas típicas,
além dos bailados folclóricos,
os bailes ao som da música brega e
do reggae maranhense.
FMA – Qual era a situação
do rio naquela época?
GG – Olha, para falar a verdade,
era de um rio ainda vivo, no alto curso, nas
cabeceiras. Mas, sobrevoando a região,
se pode ver o mosaico, a colcha de retalhos
da soja lá embaixo, ocupando espaços.
Mais a baixo, o rio mostra os estertores da
agonia nos terços médio e inferior.
É impressionante a queda de barrancos
no terço médio. Registramos
os esgotos lançados de alto a baixo,
as matas ciliares inexistentes em longos trechos,
redes e “currais de peixes” nas
desembocaduras de afluentes.
As próprias belezas cênicas eram
ofuscadas por feridas e agressões aos
ecossistemas ainda autóctones, como
lavouras do agronegócio, até
a altura de Uruçuí. Na região
do baixo curso o deslumbrante complexo lacustre
vem sendo drenado para cultivo de arroz e
pastagens.
Na Área de Preservação
Ambiental e na Reserva Extrativista [Resex]
do delta do Parnaíba, o Ibama está
alerta para manter sob controle a carcinocultura
nos “salgados”, os cultivos tradicionais,
a cata do caranguejo e o impacto do crescente
turismo.
FMA – O senhor tem acompanhado
a vida do rio após a expedição?
GG – Após a expedição
voltei a Balsas para um seminário em
que as lideranças e a comunidade pediam
unidades de conservação nas
cabeceiras do rio. Participei de outros encontros
no Baixo Parnaíba até o delta.
Desde a foz do rio Longá até
o oceano, abrangendo 16 municípios.
Mas tenho acompanhado meio de longe a vida
do rio. Hoje me dedico mais ao programa de
revitalização do rio São
Francisco. Nesses três anos e meio pós-expedição
foram realizados dois grandes levantamentos
pela Codevasf e o Governo do Piauí,
visando o planejamento para o desenvolvimento
sustentável da bacia: o Planap e o
Zoneamento Ecológico-Econômico
do Cerrado.
Mais recentemente voltei ao Núcleo
de Desertificação de Gilbués
no alto curso dos rios Uruçuí
Vermelho e Gurguéia, em uma visita
com vários técnicos de vários
órgãos. Aliás, que a
Folha do Meio Ambiente fez uma excelente matéria
“O Deserto Vermelho”.
Espero que os projetos sejam encaminhados
logo para aprovação. Sugeri
aí a criação de um parque
nacional, como uma forma de alavancar o setor
terciário da economia nesta exótica
região que abrange vários municípios.
Muitas outras unidades de conservação
precisam ser implantadas com urgência,
face à rapidez da ocupação
na alta bacia e afluentes, notadamente o Balsas
e os dois Uruçuí, o Vermelho
e o Preto, rios cênicos por excelência.
Aqui eu pergunto: como anda a APA do Uruçuí-Una?
Os rios podem perder a corrida. Então
será tarde.
Rio desmatado nas cabeceiras e nas margens
da calha principal e dos afluentes, é
rio assoreado, é rio sem peixes. É
rio morto.
FMA – O que pode ser
feito agora?
GG – Quando descemos o rio era enorme
o anseio dos ribeirinhos na busca de soluções
e ações concretas em prol do
rio e afluentes. Mas é preciso que
as populações se apropriem dos
citados estudos e levantamentos e dos relatos
de bordo dos expedicionários que representavam
os diversos organismos federais e estaduais.
É preciso um programa de educação
ambiental nas escolas, o saneamento, viveiro
de mudas nas cidades. Tudo isto, para ontem!
Problemas pontuais e gerais ocorrem em toda
a bacia, que embora escassamente povoada,
já sofreu a colonização
pela corrida do boi, assim como hoje sofre
a corrida da soja .
![]() A expedição comprovou que é inadiável um plano de recuperação das matas ciliares. |
FMA – O que mais chamou
sua atenção como pesquisador?
GG – Parafraseando Heródoto,
eu diria que o Piauí é uma dádiva
do Parnaíba. Sem o Parnaíba
como seria o Piauí? É um estado
côncavo, suas águas correm para
dentro, ao contrário de Minas Gerais,
por exemplo, um estado convexo, montanhoso,
cujas águas correm para fora rumo ao
mar que não lhe pertence. Não
esquecendo que a bacia abrange grande parte
do Maranhão e parte do Ceará.
No geral é um rio típico de
planície, abrangendo três grandes
biomas: Cerrado, Caatinga e zona costeira,
como restingas, dunas e mangues. A pré-Amazônia
começa aqui.
O Piauí é um dos estados brasileiros
com mais rica biodiversidade, tanto animal
quanto vegetal: são inesquecíveis
as araras azuis em bandos, os jacús
e o pássaro xexéu, peixes em
piracema, buritizais, carnaubais e babaçuais,
– que outro estado tem três ecossistemas
de palmeiras? Vimos as “batedeiras”
ou corredeiras e os sustos nelas passados.
E os “talhados”, monolitos que bordejam
as águas, impressionam pela majestade,
e a luz solar que neles incide toma tonalidades
e sombras que lembram as pirâmides do
Egito. E não podemos esquecer a jóia
piauiense que é o Parque da Serra da
Capivara, pela biodiversidade e pela antropologia.
FMA – Que ações
emergenciais devem ser realizadas para preservar
a vida no rio?
GG – Criar um programa de revitalização
do Parnaíba é o caminho, à
semelhança do rio São Francisco,
e que na minha opinião não seria
tarefa difícil – cada rio brasileiro
hoje deveria ter seu plano – uma vez que já
estão concluídos os levantamentos
citados como o Planap, o ZEE e outros, fundamentais
para um planejamento a médio e longo
prazos.
A curto prazo uma moratória nos desmatamentos
é a solução inadiável.
Os empresários, também na minha
opinião, poderiam arrendar lotes dos
projetos de irrigação “Tabuleiros
Litorâneos” e de “São
Bernardo” com toda a infraestrutura pronta,
porém se encontravam desativados. A
irrigação gera emprego, renda
e alta produção em áreas
reduzidas. Poderia assim reduzir a pressão
sobre todas as nascentes e veredas. Evitaria
a extinção dos buritizeiros
encobertos pelas veredas barradas para pivôs
e/ou assoreadas pela erosão do solo
descoberto, e dos pequizeiros que ardem nos
cerrados.
Urge o Ministério Público e
o Ibama ajustarem termos de conduta junto
aos empresários do Cerrado. Esses empresários
devem saber das suas responsabilidades ao
chegar a uma terra nova coberta de matas e
rios até então límpidos.
O valor dessa biodiversidade natural e hídrica
é imensurável. Este é
um patrimônio piauiense e maranhense
que deve ser preservado.
Nesta expedição, podemos ver
que é inadiável um plano de
recuperação das matas ciliares.
E o que fazer com a queda de barrancos após
Floriano, que atinge o pico em Parnarama,
até a altura de Teresina? O que fazer
quando vimos barrancos de aluviões
caindo como terremotos à passagem do
barco?
FMA – Queria falar sobre
a preservação do Parque Nacional
das Nascentes do Rio Parnaíba. Um parque
que ainda não saiu do papel e já
está sendo degradado…
GG – É verdade! O rio Parnaíba
é um dos mais importantes rios brasileiros,
com uma extensão de 1.485 km e uma
bacia de 330.000 km². Um dos méritos
da Expedição Parnaíba
Vivo foi chamar a atenção para
o rio cantado em verso pelo poeta maior Da
Costa e Silva. (*) [Saudade – o Parnaíba
– velho monge / as barbas brancas alongando…
e ao longe / o mugido dos bois da minha terra…”
FMA – E como foi a
assinatura da Carta do Parnaíba?
GG – Foi bom lembrar. Antes da largada
(16 de novembro de 2001) aconteceu uma memorável
audiência pública, organizada
pelas autoridades e as populações
de Alto Parnaíba, Santa Filomena e
outros municípios da região.
Quinze outras audiências foram realizadas
rio abaixo. Então foi assinada a “Carta
do Parnaíba”.
Vem daí e de outros pioneiros como
Judson Barros na sua descida solo, a luta
do CDPar e tantos outros, e mais recentemente
o artista Otoniel Fernandes na sua viagem
pictórica pelas pegadas do engenheiro
Gustavo Dodt, a renascença da magia,
das lendas e das cores do Parnaíba,
Na largada, quando a gente estava bem perto
das nascentes na chapada das Mangabeiras/serra
da Tabatinga, me lembrei muito do provérbio
chinês “Conheça a montanha
para conhecer o rio”.
Urge criar novas unidades de conservação
em todas as sub-bacias do Parnaíba.
E mais: há que se levantar as nascentes,
as altitudes e a extensão mais exata
do rio pelos modernos meios de geoprocessamento.
FMA – E qual a conclusão,
os frutos desta epopéia?
GG – Primeiro, fazer esses levantamentos.
Aliás essa é uma proposta que
fiz à Codevasf, registrada no meu relato
de bordo “Navegando no Velho Monge –
de Alto Parnaíba ao Delta e daí
ao Oceano”, e enviado ao CDPar.
Mas, a cada viagem destas, a cada trabalho
e a cada estudo que participo sobre rios brasileiros,
me bate uma tristeza tremenda ao saber que
todo este esforço, toda esta luta,
todo esse grito de alerta pode ter sido em
vão. Me sinto como mais um destes idealistas,
verdadeiras formiguinhas ambientais, impotente
perante o poder econômico e o poder
político. São os fazendeiros
pressionando a Justiça, são
os políticos pressionando as autoridades
administrativas, são os gananciosos
dobrando a fiscalização…
Olha, fico até pensando quão
verdadeiras são as palavras do editorial
da Folha do Meio Ambiente de novembro de 2005.
A Carta do Leitor da Folha do Meio Ambiente
(edição 163/nov. 2005) foi muito
feliz quando mostrou que “a preservação
e a política ambiental defendidas com
discursos e promessas, mas atacada com metralhadoras
e motosseras”. É a pura verdade!
Não podemos sucumbir às metralhadoras
ambientais… E fico a pensar: temos que ser
as árvores do Cerrado, que para resistirem
nascem cascudas e tortuosas.
![]() O Parque das Nascentes, apesar de sua importância, ainda não saiu do papel |
O Parque das Nascentes
Proteger as nascentes do Rio
Parnaíba foi o principal objetivo para
se criar o Parque das Nascentes. O rio constitui
a base econômica dos estados do Piauí
e Maranhão onde milhares de pessoas
dependem de suas águas para o abastecimento,
irrigação, pesca e meio de transporte.
A Bacia Hidrográfica do Parnaíba
abrange cerca de 339.390 Km2 e envolve os
estados do Piauí, Maranhão e
Ceará. O Piauí domina 75% dessa
bacia, o Maranhão 19% e o Ceará
6%. Na Tabatinga, no Alto Parnaíba,
as nascentes se esboçam através
de ressurgências na Chapada das Mangabeiras,
que formam os cursos dos rios Lontra, Curriola
e Água Quente. A união desses
rios forma o rio Parnaíba.
Como sua nascente ainda é uma dúvida,
o percurso do rio Parnaíba está
estimado em 1.485km, até a foz no Oceano
Atlântico, onde desemboca após
se dividir em cinco grandes braços.
O maravilhoso delta do Parnaíba é
o divisor natural entre os estados do Piauí
e Maranhão.
Infelizmente, pela ação
predatória do homem, o rio Parnaíba
e seus afluentes vêm sendo degradados
sistematicamente num processo secular.
Queimadas, erosão das margens, assoreamento
do leito e lançamento de esgotos e
lixo são uma constante. O problema
já chegou às nascentes onde
dezenas de produtores agrícolas, oriundos
do Sul do país, ocuparam as terras
públicas e instalaram projetos agrícolas.
Em 2004, uma vistoria realizada
por técnico do Ibama/PI na área,
detectou a existência de 22 grandes
propriedades no platô da serra e um
desmatamento de mais 30 mil hectares.
Ameaçado por ações
de produtores agrícolas que ocupam
terras nas fronteiras dos estados do Piauí,
Maranhão, Bahia e Tocantins, o Parque
Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba,
de 730 mil hectares, pode ser extinto. Basta
o Tribunal Superior de Justiça acatar
a decisão do juiz da 3a Vara Federal
– Sessão Judiciária do Distrito
Federal, Osmani dos Santos, que suspendeu
o decreto da criação do Parque,
assinado pelo então presidente da República,
FHC, em 2002.
O juiz atende ação
movida por mais de dez proprietários
de grandes projetos de soja em áreas
do parque, que alegam não ter havido
audiências públicas, quando de
sua instalação. Mas vimos que
15 audiências públicas foram
realizadas durante a expedição
que precedeu a criação do parque.
(SG)
Reportagens
Metrô-DF fortalece ações de segurança com a aquisição de drone de alta tecnologia
Aparelho amplia monitoramento do sistema metroviário e reforça a proteção dos usuários
Por
Agência Brasília* | Edição: Chico Neto
Uma nova ferramenta tecnológica acaba de pousar na Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) para reforçar a segurança e o monitoramento do sistema metroviário. Trata-se do drone DJI Matrice 4T (M4T), um equipamento de última geração voltado para operações de inspeção, vigilância e apoio a ações de segurança pública.
O aparelho, adquirido por meio de emenda parlamentar do deputado Max Maciel, chega ao Metrô-DF em um momento estratégico para fortalecer as ações de segurança da companhia, ampliando a capacidade de monitoramento e contribuindo para a otimização das atividades dos empregados do Corpo de Segurança Operacional (CSO). A tecnologia será usada para intensificar as ações de fiscalização preventiva e ostensivas, garantindo maior segurança aos usuários do metrô.
Entre os diferenciais do equipamento estão a capacidade de voo diurno e noturno e sensores que permitem a operação mesmo em áreas com pouca ou nenhuma iluminação. O drone também conta com uma câmera térmica de alta resolução, sistema de zoom e de laser de longo alcance, além de recursos de inteligência artificial e sensores de detecção de obstáculos, o que possibilitará a visualização detalhada de pessoas, de veículos e objetos em tempo real.
Monitoramento
“Com todas essas funcionalidades, o drone também poderá ser utilizado para inspeções técnicas e monitoramento da infraestrutura metroviária, auxiliando na vistoria de trilhos, equipamentos de via e outras estruturas essenciais para o funcionamento do sistema”, enumera o diretor de Operação e Manutenção do Metrô-DF, Márcio Aquino.
Outro recurso importante do equipamento é a presença de holofotes e alto-falantes integrados, que permitem a comunicação direta com usuários ou transeuntes em áreas restritas, o que facilitará o apoio e a transmissão de orientações rápidas em situações de risco.
Atualmente, o CSO do Metrô-DF conta com oito pilotos habilitados para a operação remota da aeronave. O equipamento tem uma autonomia de, aproximadamente, 35 minutos de voo, podendo atingir a velocidade de até 75 km/h.
A aeronave possui registro oficial na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e opera em conformidade com toda a legislação vigente, além de seguir os procedimentos operacionais internos estabelecidos pela companhia.
*Com informações do Metrô-DF
Reportagens
Ministério da Educação inaugura sede do IFSP em Presidente Prudente
Unidade funcionava em espaço cedido pela prefeitura do município
Bruno Bocchni – Repórter da Agência Brasil
O Ministério da Educação inaugurou nesta segunda-feira (27) a sede própria do Campus Presidente Prudente do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), no município do oeste paulista. A obra teve investimentos de R$ 14,2 milhões, sendo R$ 8,2 milhões provenientes do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), do governo federal.

A nova sede tem 7,7 mil metros quadrados de área construída, com nove salas de aulas, duas salas administrativas destinadas à direção e à secretaria, uma sala de tecnologia da informação e laboratórios de química, microbiologia, alimentos e informática, além de quadra poliesportiva e estacionamento. Antes da sede própria, a unidade funcionava em espaço cedido pela prefeitura do município.
Segundo o ministério, além dos cursos de capacitação e de formação inicial e continuada já em funcionamento – como futsal feminino e masculino, informática, Língua Brasileira de Sinais (Libras), cuidador infantil, barbeiro, almoxarife e cuidador de idosos – a nova sede deverá ampliar a oferta de qualificação profissional e de cursos técnicos e superiores.
Entre os cursos previstos estão o de formação popular em Direitos das Mulheres, em parceria com o Ministério das Mulheres; cursos do Pronatec Empreender; e curso técnico em agroindústria, técnico integrado ao ensino médio em agroindústria e técnico integrado em alimentos.
Durante a inauguração, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou novos investimentos na unidade:
“Atualmente, esta unidade oferece apenas 800 vagas, mas nós vamos ampliar esse número para 1,4 mil oportunidades após o início das obras do restaurante estudantil, da biblioteca e do novo conjunto de salas de aula, que começam em maio deste ano, e a contratação de novos professores e técnicos”, disse.
De acordo com o ministério, em julho deste ano será feito o processo seletivo para o curso técnico de agroindústria e, a partir de 2027, os vestibulares para a seleção de estudantes do ensino médio integrado.
Reportagens
Plataforma cruza dados para rastrear cadeias de commodities
Ferramenta ajudará empresas e governos a atender exigências europeias
Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil
Começa a funcionar nesta segunda-feira (27) a plataforma digital do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) que reúne e cruza dados socioambientais de diversas fontes, com recorte municipal e estadual, permitindo identificar impactos locais associados à produção de commodities.

A Plataforma Socioambiental é uma iniciativa que busca viabilizar a rastreabilidade das cadeias de commodities, especialmente em relação ao que prevê o Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).
Esse regulamento proíbe a importação, no bloco europeu, de produtos oriundos de áreas desmatadas. A expectativa é de que o EUDR passe a ter maior impacto nos próximos anos, diante da aproximação comercial entre Mercosul e a União Europeia.
As cadeias de produtos acompanhados pela plataforma são as de soja, café, cacau, palma, borracha e produtos de origem bovina.
Segundo o instituto, a ferramenta ajudará, por exemplo, empresas voltadas às demandas por consumo consciente, nas quais os consumidores dão preferência a produtos que não prejudiquem comunidades locais ou o meio ambiente.
A plataforma, explica o ISPN, pode ser usada por empresas estrangeiras, governos locais, empresários e pelo poder público, contribuindo para a transparência no campo, o estímulo ao consumo consciente e a formulação de políticas públicas mais eficientes.
Disponível no site do instituto, a ferramenta é baseada em bancos de dados de 15 entidades nacionais e estrangeiras das áreas de direitos humanos, meio ambiente e sociedade civil.
As informações abrangem o período a partir de 2002 e poderão ser atualizadas anualmente, segundo o ISPN. Há também a expectativa de incorporação gradual de novas bases de dados.
Cruzamento de dados
Os cruzamentos permitem análises específicas sobre disputas por água e terra, bem como sobre ocorrências de trabalho escravo, violência, contaminação ambiental e uso de recursos hídricos.
A base de conflitos sociais é fornecida pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Segundo o instituto, análises preliminares mostram que poucos municípios brasileiros não registram conflitos, e que violações de direitos humanos ocorrem em praticamente todo o país.
Os cruzamentos de dados indicam, ainda, que desmatamento e produção de commodities frequentemente caminham juntos, associados a conflitos por terra, água e diferentes formas de violência.
Mostra também que, em áreas com mineração, é comum a ocorrência de conflitos por água.
A ferramenta possibilita também identificar alguns tipos de irregularidades fundiárias, como a chamada grilagem verde, quando áreas conservadas ocupadas por comunidades tradicionais são declaradas como reserva legal de grandes propriedades no Cadastro Ambiental Rural (CAR), que é declaratório.
A ferramenta será apresentada no dia 28 de abril a representantes das embaixadas de França, Alemanha, Holanda, Bélgica e Dinamarca, em encontro presencial. Outros países participarão de forma remota.
-
Artigos4 meses agoNEM PÉ DE ESQUERDO, NEM DE PÉ DIREITO, MAS DE JOELHO.
-
Artigos2 meses agoDIA MUNDIAL DA ÁGUA HISTÓRICO DAS COMEMORAÇÕES
-
Artigos2 meses agoFestival inédito de cultura coreana chega a Brasília com show internacional
-
Reportagens4 meses agoUM PEDÁGIO PARA VISITAR O PARQUE NACIONAL SERRA DA CAPIVARA
-
Reportagens3 meses agoExposição inédita de Tarsila do Amaral chega a Brasília no Centro Cultural TCU
-
Reportagens3 meses agoGoverno anuncia ferramentas para orientar candidatos do Enem
-
Artigos3 meses agoCLDF anuncia novo concurso de fotografia “Brasília Sob Lentes”
-
Artigos3 meses agoDF investe R$ 9 milhões para levar produção cultural ao Brasil e ao exterior em 2026



