Artigos

Conheça as 15 máximas da corte e saiba a curtir as maravilhas do poder

Onde tem gente, tem chefe. Onde tem chefe, têm subordinados.

Silvestre Gorgulho


Onde tem gente, tem chefe. Onde tem chefe, têm subordinados. Onde tem chefes e subordinados, tem poder, tem rico, tem pobre, têm puxa-sacos, têm conquistas, têm galanteios, tem mesura, tem bajulação, têm interesses e, é lógico, tem Corte. Quando mais gente, mais chefes e quanto mais chefes mais subordinados, mais interesses, mais mesuras e mais Cortes. Assim é numa tribo da reserva do Xingu, assim é no Rio, São Paulo, Europa, França e Bahia. E, por que não, na Capital da República. Quem quiser se dar bem em Brasília precisa conhecer as regras, os comportamentos e entender o maior recado do século 21: na sociedade de informação, tudo é mi-li-me-tri-ca-men-te calculado. E sempre acaba em marketing. Não vale mais aquele velho slogan do sabão “vale quanto pesa”. Agora o slogan é outro: vale quanto parece. Explicando melhor: o sucesso é medido menos pelo que se é, menos pelo que se faz e muito mais pelo que se aparece. Vamos às regras que fazem o bom cortesão ou a boa cortesã.


A primeira regra é, logicamente, identificar quem é bom de Corte:
1 — Faz sucesso na Corte quem levanta cedo, dorme tarde e tem cacife para entrar direto no gabinete do Grande Chefe. Sem passar pelo ajudante-de-ordens.


Bom ou não de Corte, quem a conhece bem e acompanha seus trejeitos sabe que tudo não passa de um denorex: parece que é, mas não é. A informação pela manhã é uma, à tarde é outra e à noite mudou tudo. Viver a Corte é conhecer esta segunda lição:
2 — Quem acha que está entendendo tudo, é porque está mal informado.


O difícil para quem está no poder, será sempre a guerra entre os subalternos. Os “aspones” do primeiro, do segundo e do terceiro escalão. Assessor é uma parada. O mercado de vaidades está sempre em alta, ciúme de homem é fogo, as disputas não param. Até gravações se fazem para tornar os amigos mais espertos e os inimigos menos poderosos. Por isto que na Corte sempre se comenta esta terceira lição:
3 — Cada assessor é uma pedra no sapato do outro. Às vezes, um paralelepípedo.


Mas um bom assessor tem jogo de cintura. Sabe sair de qualquer enroscada. Decide tudo e não assina nada. Sua máxima é a máxima de quem quer ficar sempre bem com todos os chefes possíveis e imagináveis. É que os chefes são muitos: existe o chefe propriamente dito, mas chefe também é a mulher do chefe, a secretária do chefe, a amante do chefe e até a mãe do chefe. Bom assessor é aquele que cumpre à risca a quarta regra da Corte:
4 — Se você receber duas ordens contraditórias, cumpra ambas.


Quem é de Corte precisa agradar. Simpatia, ombro amigo, apoio logístico, quebra galho são adjetivos que viram substantivos e funcionam muito bem numa Corte.
A quinta regra é clara:
5 — Para ganhar confiança é preciso ser íntimo. Aquele que trabalha pouco, mas circula muito terá sempre maior reconhecimento e oportunidade de servir.


Mas viver na Corte não é fácil. Exige etiqueta, diplomacia, humildade, cavalheirismo e muito jogo de cintura. Sobretudo criatividade. Se, por acaso, algum dia, em pleno Itamaraty, ou qualquer outro salão real, acontecer um desastre, cuidado! Muita serenidade. Busque logo uma saída que seja engraçada, mas ao mesmo tempo politicamente correta. Se cair no meio do Salão principal do Palácio da Alvorada, por exemplo, não titubeie, pegue uma flor ou sua própria comenda na lapela e ofereça à primeira dama que passar.
A sexta regra da Corte é da própria sobrevivência:
6 — Aconteça o que acontecer, aja como se tivesse sido proposital.


Mas não se esqueça nunca de uma verdade: é sempre difícil corrigir o mal feito. Num improviso, por exemplo. Nem sempre uma escorregadela é passível de muita explicação. Na maior parte das vezes o melhor é deixar correr… Corrigir chamará mil vezes mais atenção.
A sétima regra da Corte é definitiva:
7 — Cuidado! Quando se fala uma besteira ao microfone, qualquer tentativa de explicá-la deixa você pior.


Há de ter muita categoria para enfrentar a Corte. Estar com o poder significa estar com quem decide. Significa estar com quem assina as portarias que podem lhe dar oportunidade de ganhar ou de perder. Não só pelo negócio em si, mas também por antecipar e desvendar o segredo de uma portaria que só será assinada amanhã e conhecida dos interessados pelo Diário Oficial de depois de amanhã. Isso vale ouro! Isso vai obrigar o nosso cortesão a ter muita tolerância pelo chá de cadeira, pelos coquetéis e pelas noitadas. Não vá naquela de responder tudo, tim-tim por tim-tim para sua esposa, quando chegar em casa. Na primeira briga ela vai contar para a irmã, que vai contar num absoluto segredo para a amiga mais íntima, que conta para a vizinha, que conta o marido que, não será por acaso, justamente aquele chefe que assina portarias e com o qual você conseguiu a informação privilegiada. Daí, a oitava regra da Corte é extremamente machista:
8 — Os homens mentiriam muito menos se a mulheres fizessem menos perguntas!


Na Corte, o agrado é meio de vida. O elogio é mais importante do que o ar que se respira. Sempre. Em qualquer situação. Um cortesão que se preza é um gentleman. Por isso, a nona regra da Corte é eficaz, mas há que ter muita experiência para implementá-la.
9 — Nunca deixe uma história ficar menos excitante. Elas devem ser enfeitadas pela arte de exagerar e até, se preciso, mentir.


Mas, se por acaso, você quiser deixar de ser um simples coadjuvante. Quiser ser um personagem, um artista de primeira grandeza na Corte, não pestaneja: entre na política. Se candidate a alguma coisa. Pode ser a deputado, senador, a governador. Coisa boa. Ai você vai precisar de dinheiro para campanha. Um segredo: nunca chegue pedindo dinheiro para ninguém. Diga, sempre, que tem um projeto político importante, precisa defender algumas idéias que valorize a responsabilidade social e cidadã. Eleito, valorize e prestigie sempre quem tem a chave do cofre. Mas lembre-se: quem tem a chave nem sempre é aquele que carrega a chave… A décima regra, é uma lição que vai além da Corte:
10 — Um bom político nunca pede dinheiro. Diz, com convicção, quanto o doador poderá ganhar com seu mandato.


Agora uma regra para quem convive com a Corte, não é político, mas está em dificuldades financeiras. Nunca chegue abrindo o jogo que os negócios vão mal e que precisa de ajuda. Pedir socorro é pedir para todo mundo sumir. Es-pan-ta! Quando a chefia é tucana ou petista, então, nem brinque. É isolamento certo. A décima-primeira regra da Corte é justamente para esses casos:
11 — Se seu negócio não vai bem, procure expandi-lo mais ainda.


A troca de poder é um perigo. Largar o poder, nem se fala. Exige mudança rápida da Capital. Aí aprende-se que a Corte é uma ilusão. É um toma lá dá cá. Não se vive na Corte só por gosto, vive-se também por obrigação e por profissão. Com o poder lá longe, se aprende a décima segunda regra da Corte:
12 — Os amigos vêm e vão. Os inimigos se acumulam.


Mas é sempre bom lembrar os velhos tempos do poder, as belas festas, as lindas damas, algumas piscadelas, os sorrisos, os presentes, os elogios, o jogo de sedução, os ciúmes e tudo mais que fazia o poder tão afrodisíaco. Aí é que se aprende a décima-terceira lição, que não deixa de ser a lei da compensação:
13 — Cada lugar tem suas vantagens: o céu, pelo clima; e o inferno, pela vida social.


Mas o verdadeiro cortesão é sempre um autodidata. Se mira no Chalaça. Dá conselhos sobre tudo e para todos. E, de tanto dar conselhos, ele próprio cunhou a décima-quarta lição da Corte:
14 — Não adianta dar conselhos racionais a um homem em quatro situações: quando está apaixonado, quando está bêbado, quando é candidato e quando tem o poder.


Por fim, quem é da Corte está acostumado a assistir entrada e saída de governos. A entrada é sempre triunfal e a saída é sempre pelos fundos, às escondidas, melancólica. O cortesão pode até ter dúvida de quem vai passar a faixa para o eleito, mas, se acompanha esse entra e sai de governo, conhece muito bem a décima-quinta lição:
15 — Tudo que deu certo num governo será alterado pelo próximo.


 

Continue Lendo
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos

BRASÍLIA NA ROTA 66

E A FALTA
DE UM PARABÉNS PRÁ VOCÊ

Publicado

em

Por

 

Silvestre Gorgulho – Jornalista. Foi Secretário de Estado de Comunicação e Secretário de Estado da Cultura de Brasília.

 

Há 70 anos, em 18 de abril de 1956, Brasília começou a vencer a burocracia para sair do papel e entrar na fase do concreto, com a Mensagem de Anápolis.

Em 21 de abril de 1960, a capital era inaugurada com pompa e circunstância pelo presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Lá se vão 66 anos. Nos 65 aniversários anteriores, os brasilienses assistiram a comemorações variadas: algumas simples, mas eufóricas. Outras apoteóticas. Todas sempre regadas a danças e festanças. Mas, nunca, o aniversário de Brasília foi comemorado com tanta displicência, apatia e baixo astral, como agora. A festa dos 66 anos de Brasília ficou restringida à bela edição do irmão gêmeo de Brasília, o Correio Braziliense, inclusive com a tradicional e empolgante Maratona.

Parece que Brasília está em depressão.

Lembro-me que, em 21 de abril de 2010, no Cinquentenário da Cidade, depois da capital ter passado pela crise de ter quatro governadores, a Câmara Legislativa elegeu, indiretamente, dois dias antes, um novo ocupante do Buriti. Mesmo com tantas cicatrizes, a cidade lavou a alma com uma ‘Festa dos 50 Anos’, que levou mais de um milhão de pessoas à Esplanada dos Ministérios.

Não havia nem um político no palco. A festa foi totalmente paga pela iniciativa privada com apoio logístico da Secretaria de Cultura. Deram às mãos o Sinduscon, Associação Comercial, Ademi, Asbraco e Fecomércio. Brasília cantou e dançou com Daniela Mercury – que foi âncora de um show histórico na Esplanada, onde se apresentaram com ela nada menos de 39 artistas da cidade.

À meia noite. Uma grande surpresa estava guardada a sete chaves. Apenas cinco pessoas sabiam.  Além da Daniela Mercury, eu como Secretário de Cultura e mais duas pessoas de minha equipe. E, também, o próprio gênio da MPB que iria se apresentar, cantando apenas uma canção.

Apagaram-se as luzes. Estava anunciado o início da queima de fogos. Antes, um canhão de luz focou diretamente o palco e uma voz límpida e forte, a capela, ecoou pela escuridão. Aos poucos, sob o holofote, surge Milton Nascimento.

– ” Como pode o peixe-vivo / viver fora da água fria? Como poderei viver sem a tua, sem a tua companhia…”

Foi uma apoteose!

A voz de Milton Nascimento reverberou pelos quatro cantos do Brasil. Sim, a TV Globo transmitiu tudo ao vivo. Um misto de euforia e de emoção tomou conta da multidão.

Na segunda estrofe, entra Daniela Mercury que faz dueto com Milton. Aos poucos, começam a entrar cada um dos 39 artistas brasilienses que tinham se apresentado.

E a Esplanada, num coral de um milhão de vozes, sacudiu o Cerrado:

– “Como pode o peixe-vivo /viver fora da água fria? Como poderei viver sem a tua, sem a tua companhia…”

Vi muita gente chorando. A energia de tantos candangos celebrando os 50 anos de Brasília contagiou a cidade e ajudou a levantar o astral de um tempo triste e sombrio que a cidade vivia.

Agora, nos 66 anos da Capital, faltou ao atual governo sensibilidade e criatividade para tirar Brasília de uma depressão que a cidade está mergulhada.

BRASÍLIA ANO 1 – Para não dizer que falei apenas dos 50 anos da cidade, vou lembrar a comemoração de quando Brasília fez um ano, em 21 de abril de 1961. O presidente da República era Jânio Quadros. Ele estava de costas para a cidade. Falava até em voltar a Capital para o Rio de Janeiro. O prefeito, Paulo de Tarso, assoberbado com finalizações de infraestrutura e questões administrativas, nem pensou no assunto.

Na semana anterior, o então Secretário da Cultura (na época presidente da Fundação Cultural) o poeta maior José Ribamar Ferreira ou, simplesmente, Ferreira Gullar, organizou as comemorações do primeiro aniversário. Evidente, com todas as dificuldades de uma cidade ainda na placenta da História. O que ficou da festa – além de um singelo coquetel no gabinete do prefeito Paulo de Tarso, foi a poesia que nasceu da pena de Ferreira Gullar.

A verdade é que, com seus pouco mais de 100 mil habitantes (hoje são mais 3 milhões), Brasília teve mais poesia do que festança.

Sem nenhum tipo de condução e sem nenhum apoio logístico para celebrar o Ano 1 da nova Capital, Ferreira Gullar buscou solução no Exército Nacional. Marcou audiência.

Um major o recebeu educadamente. Depois de muita conversa, o oficial se saiu com essa:

– Dr. Gullar, tudo bem, mas o problema é viatura e gasolina.

– Eu sei, mas qual a solução?

– Dr. Gullar, não tem solução!

Sem solução, sem apoio, com bastante poeira e muita inspiração, Ferreira Gullar aproveitou o vinho comemorativo no final de tarde do dia 21, na sala do prefeito Paulo de Tarso, sacou do bolso um poema em forma de embolada e discursou aos convivas:

Não adianta, seu prefeito, abrir estrada.

Não adianta Carnaval na Esplanada.

Não adianta Catedral de perna fina

Não adianta rebolado de menina

Que o problema é viatura e gasolina.

Todo mundo riu muito, mas ninguém perdeu o ritmo:

– O problema é viatura e gasolina.

Bons tempos aqueles, quando o astral era altíssimo e o problema era só viatura e gasolina.

 

Continue Lendo

Artigos

Inhotim celebra 20 anos com inauguração de três novas obras

Instituto articula natureza, arte e educação em Brumadinho

Publicado

em

Por

 

Ana Cristina Campos – repórter da Agência Brasil

 

O Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais, abriu neste sábado (25) as comemorações dos seus 20 anos com a inauguração de três obras: Contraplano, de Lais Myrrha, Dupla Cura, de Dalton Paula, e Tororama, de Davi de Jesus Nascimento. Considerado o maior museu a céu aberto da América Latina, o Inhotim reúne trabalhos de artistas nacionais e internacionais e uma rica flora. 

Para a diretora artística, Júlia Rebouças, as três obras se conectam em algo que é também a vocação do instituto: articular arte, natureza e educação.

“Cada um ao seu modo, vão repercutir o que é esse território, qual a relação do visitante com esse espaço, questões contemporâneas importantes. Elas vão revisitar momentos que muitas vezes estão ocultos na nossa história mais recente”,  disse.

Júlia destaca que os novos trabalhos conversam com o acervo reunido ao longo da história do instituto.

“São trabalhos que se articulam com esse enorme texto que está sendo posto aqui há 20 anos. Cada obra é uma ideia nova que a gente adiciona a esse texto que vai escrever a narrativa do Inhotim”, completa a diretora artística.

Brumadinho, (MG), 24/04/2026 – A diretora artística do Inhotim, Júlia Rebouças durante abertura de exposições em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A diretora artística do Inhotim, Júlia Rebouças, durante abertura de exposições em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Contraplano

Sobre um dos pontos mais altos de Inhotim, a escultura monumental Contraplano faz referência ao prédio projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer na Praça da Liberdade, na capital mineira. Feita de lâminas de concreto armado e colunas de aço inoxidável, materiais usados na arquitetura moderna, a obra se descortina sobre áreas do jardim do museu e da mata no entorno e sobre fragmentos de cavas de mineração nas regiões próximas.

 

Brumadinho, (MG), 24/04/2026 – A instalação Contraplano, de Lais Myrrha em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A instalação Contraplano, de Lais Myrrha, em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O título da obra remete a um espelhamento dessa paisagem modificada pela mineração. A artista mineira Lais Myrrha conta que gostaria de propor uma reflexão em torno da relação da arquitetura com a paisagem, o tempo, a natureza, a montanha e a mineração.

“Até que ponto as tecnologias modernas também influenciaram nessas formas de construção? A topografia, as cavas de mineração, como isso aparece nesse desenho da obra? Vai depender muito do repertório de cada visitante”, afirmou a artista à Agência Brasil.

 

Brumadinho, (MG), 24/04/2026 – A artista Lais Myrrha durante abertura de sua instalação, Contraplano, em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A artista Lais Myrrha durante abertura de sua instalação, Contraplano, em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A psicóloga belo-horizontina Paola Prates, de 29 anos, estava em sua quarta visita ao Inhotim e entrou em contato pela primeira vez com o trabalho de Lais.

“Achei uma obra muito interessante, porque está posicionada próximo à mineração e eu acho que ela dialoga muito com isso. É uma obra que causa conforto porque, quando se está aqui dentro, você sente o frescor e o acolhimento, mas, ao mesmo tempo, você também olha para a mineração e lembra o que ela é capaz de fazer”, ponderou a visitante.

Dupla Cura

Abrigada na Galeria Mata, uma das primeiras edificações do Inhotim, a exposição de longa duração Dupla Cura, de Dalton de Paula, inclui cerca de 120 obras do artista brasiliense que mora e trabalha em Goiânia.

A mostra reúne o mais amplo conjunto de suas obras já exibido no Brasil, com pinturas, fotografias, vídeos e instalações que remetem à ancestralidade, à memória e à valorização da cultura afro-brasileira. 

 

Brumadinho, (MG), 24/04/2026 – A instalação, Dupla Cura de Dalton Paula, em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
 A instalação Dupla Cura, de Dalton Paula, em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A curadora Beatriz Lemos explica que o título da exposição é uma referência “ao pacto espiritual que a permeia”. Segundo ela, o aspecto dual, ligado à devoção a São Cosme e São Damião, “manifesta-se no entendimento de que o fortalecimento individual é indissociável do bem-estar comunitário”.

Dalton de Paula conta que umas das questões que mais lhe atrai é a reflexão sobre a memória.

“Aqui a gente vai se deparar com obras de 1999, com questões iniciais, e obras feitas no decorrer do tempo que têm um aprofundamento. Eu vejo como uma espécie de oráculo que fiz desse passado e aponta possibilidades de presente e de futuro. Quando a gente mostra ao público, principalmente, as futuras gerações, é algo muito importante”, disse à Agência Brasil.

 

Brumadinho, (MG), 24/04/2026 – O artista Dalton Paula durante abertura de sua instalação, Dupla Cura, em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O artista Dalton Paula durante abertura de sua instalação, Dupla Cura, em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto:Tomaz Silva/Agência Brasil

Morador da capital mineira, o engenheiro de som Marcos Soares, de 40 anos, já esteve seis vezes no Inhotim e foi conhecer o trabalho de Dalton.

“Curti muito os desenhos, as pinturas, a expressão gráfica dele é bem rica. O processo de construção da arte dele é bem interessante de acompanhar. Abre uma nova forma de vida que eu nunca teria a chance de vivenciar se não fosse vendo uma exposição como essa do Dalton”.

Tororama

A poucos passos do Contraplano, está a Galeria Nascente, que abriga a instalação Tororama, de Davi de Jesus Nascimento, que nasceu e mora em Pirapora, no norte mineiro.

O espaço reúne três pinturas e um vídeo gravado nas Cavernas do Peruaçu, também em Minas Gerais. A instalação conta ainda com carrancas feitas pelo Mestre Expedito, importante figura da arte popular, que não produzia peças novas há dez anos.

 

Brumadinho, (MG), 24/04/2026 – A instalação Tororoma do artista davi de jesus do nascimento durante abertura comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG).Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A instalação Tororoma, do artista Davi de Jesus do Nascimento, durante abertura comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG).Foto:Tomaz Silva/Agência Brasil

Segundo o curador Deri Andrade, o nome da instalação aparece como uma expressão no conto A Terceira Margem do Rio, de João Guimarães Rosa, “que aborda a relação do protagonista com um curso d’água”.

“O trabalho de Davi está totalmente relacionado ao Rio São Francisco, a partir de uma pesquisa voltada para sua família que mergulha nesse rio. É um projeto completamente imersivo, que traz vídeo performance e uma paisagem sonora”, destacou o curador.

Davi conta que vem de uma família de lavadeiras, pescadores, marceneiros e mestres carranqueiros.

“A permissão do que eu faço vem por meio desse curso d’água que é o Rio São Francisco e da energia da minha mãe que morreu afogada em 2013”, disse o artista. “Esse ambiente que criei é de onde eu venho, da comunidade à beira do rio, do meu pai pescador”.

 

Brumadinho, (MG), 24/04/2026 – O artista davi de jesus do nascimento durante abertura de sua instalação, Tororoma, em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG).Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O artista Davi de Jesus do Nascimento durante abertura de sua instalação, Tororoma, em comemoração aos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG).Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Irmã de Davi, Ana Paula Vieira do Nascimento, de 36 anos, visitou a obra que lhe remeteu a tudo o que a família vivenciou desde a infância.

“Nossa infância foi sempre dentro do rio. Somos barranqueiros e me remeteu muito à memória da nossa mãe que está presente nessa exposição”.

Instituto Inhotim

O museu do Inhotim fica no município de Brumadinho, a 60 quilômetros de Belo Horizonte. É uma organização sem fins lucrativos, mantida com recursos de doações de pessoas físicas e jurídicas – diretas ou por meio das leis federal e estadual de Incentivo à Cultura – , pela bilheteria e realização de eventos.

Foi idealizado desde a década de 1980 pelo empresário mineiro Bernardo de Mello Paz. No solo ferroso de uma fazenda da região, surgiu em 2006.

Sua localização, entre os biomas da Mata Atlântica e do Cerrado, e as paisagens exuberantes ao longo dos 140 hectares de visitação proporcionam uma experiência única que mistura arte e natureza.

Cerca de 1.862 obras de mais de 280 artistas, de 43 países, compõem o acervo e são exibidas ao ar livre e em galerias em meio a um Jardim Botânico com mais de 4,3 mil espécies botânicas raras, vindas de todos os continentes.

*A reportagem viajou a convite do Instituto Inhotim.

Continue Lendo

Artigos

Museu do Catetinho estreia experiência em realidade virtual com inspiração em Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Temporada do filme ‘Água de Beber’ começa neste sábado (25) e segue até setembro, com acesso gratuito aos visitantes

Publicado

em

Por

 

Por

Agência Brasília* | Edição: Chico Neto

O Museu do Catetinho, espaço gerido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), inaugura neste sábado (25) a exibição do curta-metragem Água de Beber em realidade virtual. A experiência estará disponível ao público até setembro, com seis óculos instalados em pontos fixos do museu para uso dos visitantes.

Com oito minutos de duração, o filme recria a inspiração da canção homônima de Tom Jobim e Vinicius de Moraes a partir da fonte localizada no próprio Catetinho. Dirigido por Filipe Gontijo e Henrique Siqueira, o curta propõe uma imersão sensorial que conecta memória, música e patrimônio histórico em um dos espaços simbólicos da capital federal.

A iniciativa conta com o Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), instrumento público de fomento que viabiliza projetos culturais em diferentes linguagens e territórios. No caso da produção audiovisual, o recurso permite ampliar o acesso da população a novas formas de fruição cultural, incorporando tecnologias como a realidade virtual ao circuito de visitação.

 

Para o secretário interino de Cultura e Economia Criativa do DF, Fernando Modesto, a ação evidencia o papel das políticas públicas no fortalecimento da cultura e na valorização dos espaços históricos. “Ao ocupar o Museu do Catetinho com uma experiência que dialoga com a história da música brasileira e com a identidade do espaço, ampliamos as possibilidades de fruição cultural e reforçamos o compromisso do poder público com a democratização da cultura”, afirma.

*Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa

Continue Lendo

Reportagens

SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A, Sala 719
Edifício Centro Empresarial Brasília
Brasília/DF
rodrigogorgulho@hotmail.com
(61) 98442-1010