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Ciência desvenda código da vida

Ansiedade e temor: a ciência, a ética e os direitos humanos

Silvestre Gorgulho


 Várias entidades, como o Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano, vinculado ao Ministério da Energia dos Estados Unidos, o Instituto Whitehead, do MIT – Massachusetts Instituto os Technology – com a participação de universidades e de cientistas de vários países do mundo, desenvolveram as pesquisas que trouxeram a descoberta do genoma humano.


É importante comentar um outro lado da medalha: o dado empresarial e privado. Em 1998, o subcoordenador geral do projeto, o biólogo Craig Venter, não estava gostando da burocracia imposta pelos órgãos públicos que estavam no projeto. E menos ainda com a burocracia pessoal levada pela vaidade de alguns cientistas. Em vez de ficar dando entrevistas e plantando notas na imprensa contra colegas, o Dr. Craig Venter deu um troco mais forte: largou o Projeto estatal do Genoma Humano, fundou a própria empresa – Celera Genomics – disse que ia acelerar os trabalhos para, em dois anos, completá-lo e patenteá-lo.


A Celera investiu os dólares que foi buscar no mercado paralelo e com os recursos na Bolsa de Valores estabeleceu uma competição fantástica. Pronto! Isso obrigou uma maior dedicação dos cientistas que ficaram no Projeto Genoma Humano e, precisamente em dois anos, foi anunciada solenemente a descoberta.


A descoberta levou o presidente Bill Clinton a salientar que “essa foi a descoberta mais importante da humanidade, pois foi decifrada a linguagem com que Deus criou a vida”. O primeiro-ministro Japonês Yoshiro Mori bateu na mesma tecla: “Agora temos o manual de serviços do corpo humano o que permitira decifrar a vida em si”.


Tudo isso vai permitir, com o código genético decifrado, que qualquer doente tenha resposta imediata sobre como tratar seus genes, pois novos medicamentos vão entrar no mercado para tratar doenças até então incuráveis; cada paciente poderá receber seu remédio sob medida certa; e genes defeituosos poderão ser corrigidos na origem.


Ciência & Ética e Direitos Humanos


Se o clima de euforia toma conta dos cientistas, por sinal os primeiros e grandes beneficiários da descoberta, o mundo continua tão esperançoso quanto assustado, afinal de contas onde a ciência vai chegar? Até onde a ciência vai influir? O que a ciência poderá manipular para o bem e para o mal? Nesse sentido, o cientista-chefe do Projeto Genoma Humano na Grã-Bretanha, professor John Sulston, foi muito claro:


O genoma pertence a todos e utilizá-lo para dar tratamento preferencial a alguns é moral e eticamente errado.


A internet vai ajudar a democratizar as informações do projeto, pois diariamente atualizamos os dados que podem ser utilizados de graça e sem restrições.


O corpo humano é muito complexo e serão necessários muitas interações entre as descobertas e novas metodologias para que se tenha uma compreensão global de seu funcionamento.


O próprio caso do envelhecimento é de uma complexidade sem par. Podemos retardá-lo, mas não interrompê-lo. É bom lembrar que o envelhecimento é um processo celular normal, quando nosso corpo vai se livrando de células gastas ou doentes durante a vida. Tentar reverter isso pode ser danoso.


Não podemos aceitar que o seqüenciamento do genoma humano leve à discriminação. Ele não pertence à comunidade científica, mas a todos indivíduos.


Há necessidade de se preservar a privacidade genética, mas é uma solução imperfeita. A informação sempre poderá ser roubada. Além disso, membros de uma família compartilham a herança genética, então a informação sobre alguns diz muito sobre os demais.


Tão importante quanto a herança genética é a formação intelectual e profissional do ser humano, bem como o saudável o ambiente em que o homem deve se criar e viver, pois nesse tripé está a qualidade de vida.


No final das contas, essa é uma questão de direitos humanos. Nossas liberdades (emancipação feminina, igualdade racial) devem se estendidas a todas as pessoas de todas as constituições genéticas.


Como foi lido o código genético


O que os cientistas fizeram foi pegar amostras de DNA de 17 doadores, essas amostras foram picotadas e inseridas em máquinas capazes de transformar os componentes químicos da molécula em letras (ATCG) do código genético.


Aí entrou em ação os supercomputadores e os pequenos conjuntos de letras foram processados, montados e digitalizados. Assim os cientistas remontaram a seqüência de DNA


Com a ajuda dos supercomputadores, a sopa de letras foi organizada e os cientistas puderam localizar os genes. Uma vez identificados e montados, ficou mais fácil saber como cada um deles funciona. Tarefa que o próprio supercomputador ajuda descobrir.


Uma coisa é certa: ainda vai demorar algum tempo para que essa descoberta chegue verdadeiramente a todos os homens. Como a eletricidade, a informática e tantas outras conquistas da ciência que demoraram a ser popularizadas depois de descobertas, explica o biólogo John Craig Venter


Glossário
Genoma – é o conjunto de instruções necessárias, que estão no DNA, e formam um ser.


DNA – molécula em formato de dupla hélice que carrega os genes compostos por quatro elementos básicos: A – adenina; T – timina; C – citosina; e G – Guanina. As letras A, T, C e G formam uma linguagem dada pelos cientistas que é capaz de ser armazenada no computador. As letras formam os genes que têm estruturas específicas. Os cientistas estimam que sejam cerca de 50 mil genes distribuídos no DNA, que se fosse esticado (com 3,1 bilhões de pares de letras) seria uma fita de quase dois metros.


Código da vida – é formado pela combinação de A, T, C e G. Funciona como letras arrumadas numa longa receita que determina desde cor dos olhos, do cabelo até a predisposição para doenças.


Cromossomos – Cada célula humana contém 23 pares de cromossomos. Os genes estão agrupados em conjuntos maiores que são justamente os cromossomos. Cada cromossomo carrega um trecho de fita de DNA.


Célula – O corpo humano é constituído de cerca de 100 trilhões de células e todas elas contém uma cópia completa de DNA. Célula é a menor unidade de matéria viva que pode existir de maneira independente e ser capaz de reproduzir-se.

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O BRASIL PERDE UM PROFISSIONAL DE EXCELÊNCIA

Uma manhã triste hoje em Brasília.

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O Brasil se despede de CARLOS MONFORTE, exemplo de profissional dedicado, um pai de família exemplar e um amigo de todas as horas.
Carlos Monforte, Maria Ignez, Serginho e Flavinha, uma família linda que conheço desde 1979. Maria Ignez e Carlos Monforte fazem parte do jornalismo brasileiro de excelência. Ambos com uma história maravilhosa em Santos, São Paulo e Brasília.
Carlos Monforte foi pioneiro e implantou o BOM DIA BRASIL. Sucesso absoluto! Lembrar Carlos Monforte é reverenciar o seu legado e suas ações de amizade, de cidadania que fizeram a diferença.
Vá em Paz, meu amigo. Você foi um Guereiro de Luz!
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MISSA DA SAUDADE PARA UM GUERREIRA DE LUZ

Maria Elisa Costa.

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Nessa segunda-feira dia 31 de agosto, às 18h30, na Igrejinha de Fátima na 308 Sul.
“O tempo tem carícias com as coisas velhas”, pressentia Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ou Cora Coralina (1889-1985). Hoje, 66 anos depois da inauguração, Brasília vive uma realidade: participantes de sua construção estão em outro patamar. Os artistas construtores, todos eles, já se foram. O legado de JK, Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Joaquim Cardozo, Athos Bulcão, Mariane Perretti, Burle Marx, Ceschiatti e Bruno Giorgi está aí para a gente celebrar e respeitar.
Dia 25, sexta-feira, partiu uma das mais importantes coajuvantes da criação e da construção de Brasília, a arquiteta Maria Elisa Costa, filha de Lucio Costa.
Maria Elisa se une a outros personagens que ajudaram a colocar Brasília de pé: Israel Pinheiro, Ernesto Silva, Augusto Guimarães, Carlos Magalhães da Silveira, Jofre Mozart Parada e Moacyr Gomes de Souza.
A escolha do projeto do Plano Piloto foi feita em 16 de março de 1957. A construção, mesmo, começou em abril. Vamos voltar três meses antes. Tardinha de uma segunda-feira, 4 de fevereiro de 1957. Maria Elisa, com 22 anos, cursava a Faculdade Nacional de Arquitetura. Tão logo Maria Elisa entra no apartamento, ouve a voz do pai:
– Minha filha, vem aqui que quero mostrar “uma coisa”.
Ela chega, cheia de livros e cadernos, e não dá lá muita importância para a “coisa”. A “coisa” era, simplesmente, o primeiro esboço da Asa Sul de Brasília, a lápis com toques de cor e com anotações manuscritas. Na escala de 1/25.000, como o projeto foi apresentado no concurso.
Ela ainda ouviu seu pai descrever a nova capital, tim-tim por tim-tim. Quando terminou, lembra Maria Elisa: “Papai, com a camisa encharcada de suor, expôs pela primeira vez em palavra falada, a sua criação solitária. Sim – continua ela – porque o projeto de Brasília foi feito por ele sozinho, em casa. Fui a primeira pessoa a saber como seria nossa capital”.
Aquela revelação – uma descoberta que mudaria a História do Brasil e o conceito de urbanismo no mundo – continha um conteúdo único e um vislumbre singular de esperança e de revolução. Ela mesmo explica:
“Quando lembro desse momento ímpar, o que mais me surpreende é que não achei nada de extraordinário. Tudo aquilo me parecia simplesmente normal: mudar a capital, inventar uma cidade… tudo! O próprio fato do meu pai ter feito o projeto sozinho em casa, desenhado a mão-livre e em escala, para mim não foi surpresa. Era esse, o jeito dele”.
A montagem do projeto do Plano Piloto para inscrição no concurso foi outra epopeia artesanal. “Fizemos a montagem em pranchas de cartolina, espalhadas no chão, com a ajuda de minha irmã Helena e de nossa prima, Nadja, sob rígida orientação do ‘inventor’. Detalhe por detalhe. A gente ia colando aquelas preciosas páginas nas cartolinas com aneisinhos de fita adesiva”.
O projeto tinha cinco pranchas, uma com o belo desenho da cidade em escala de 1/25.000, a nanquim e colorido com lápis de cor. E, mais quatro, com o texto da “Memória Descritiva” datilografado, ilustrado com impecáveis croquis, também desenhados a nanquim, alguns com leves toques de cor aqui e ali. À exceção da datilografia, tudo foi feito pessoalmente por Lucio Costa sem a ajuda de ninguém.
A própria Maria Elisa conta: “Fomos para a cidade de carro, meu pai dirigindo. Parou junto à entrada do Ministério da Educação. Minha irmã e eu descemos e entregamos as cinco pranchas na sobreloja. Faltavam 10 minutos para terminar o prazo. Pegamos o pequeno protocolo de número 26, e entregamos para meu pai. Era 11 de março de 1957”. A partir daí, foi a saga da construção.
Desde aquele 4 de fevereiro, Maria Elisa Costa nunca mais se desgrudou de Brasília. Acompanhou tudo. Era a ‘mãe’ cuidando da ‘filha’, como membro do Conselho de Arquitetura e Meio Ambiente, como presidente do IPHAN ou atendendo solicitações diversas dos governadores de Brasília.
Passaram-se os anos. E lá estava Maria Elisa Costa na luta para defender a Capital em duas situações opostas e adjacentes: de um lado, a extensa área urbana em expansão e, de outro, o Plano Piloto a ser preservado. Ela tinha a noção exata de que uma coisa é gerenciar o desenvolvimento urbano da cidade em expansão. E outra, bem diferente, é assegurar a preservação de seu núcleo original. Explica ela: “O centro histórico da capital é a área delimitada pelo divisor de águas da Bacia do Paranoá. Toda e qualquer intervenção nessa área, mesmo não sendo localizada dentro do perímetro tombado ou em seu entorno direto, deve ser compatível com o texto original da Portaria 314 do IPHAN. Tem que ser fiscalizada. Toda e qualquer intervenção nessa área deve passar por uma comissão técnica permanente de alto nível, criada para esse fim. E que tenha com poder de veto”.
A eterna guardiã do dr. Lucio reacendeu em nosso espírito o sentido da preservação e ajudou a moldar a beleza de Brasília.
Obrigado, Maria Elisa Costa.
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MARIA ELISA COSTA

HISTÓRIA, LEGADO E ADEUS!

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“O tempo tem carícias com as coisas velhas”, pressentia Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ou Cora Coralina (1889-1985). Hoje, 66 anos depois da inauguração, Brasília vive uma realidade: participantes de sua construção estão em outro patamar. Os artistas construtores, todos eles, já se foram. O legado de JK, Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Joaquim Cardozo, Athos Bulcão, Mariane Perretti, Burle Marx, Ceschiatti e Bruno Giorgi está aí para a gente celebrar e respeitar.
Dia 25, sexta-feira, partiu uma das mais importantes coajuvantes da criação e da construção de Brasília, a arquiteta Maria Elisa Costa, filha de Lucio Costa.
Maria Elisa se une a outros personagens que ajudaram a colocar Brasília de pé: Israel Pinheiro, Ernesto Silva, Augusto Guimarães, Carlos Magalhães da Silveira, Jofre Mozart Parada e Moacyr Gomes de Souza.
A escolha do projeto do Plano Piloto foi feita em 16 de março de 1957. A construção, mesmo, começou em abril. Vamos voltar três meses antes. Tardinha de uma segunda-feira, 4 de fevereiro de 1957. Maria Elisa, com 22 anos, cursava a Faculdade Nacional de Arquitetura. Tão logo Maria Elisa entra no apartamento, ouve a voz do pai:
– Minha filha, vem aqui que quero mostrar “uma coisa”.
Ela chega, cheia de livros e cadernos, e não dá lá muita importância para a “coisa”. A “coisa” era, simplesmente, o primeiro esboço da Asa Sul de Brasília, a lápis com toques de cor e com anotações manuscritas. Na escala de 1/25.000, como o projeto foi apresentado no concurso.
Ela ainda ouviu seu pai descrever a nova capital, tim-tim por tim-tim. Quando terminou, lembra Maria Elisa: “Papai, com a camisa encharcada de suor, expôs pela primeira vez em palavra falada, a sua criação solitária. Sim – continua ela – porque o projeto de Brasília foi feito por ele sozinho, em casa. Fui a primeira pessoa a saber como seria nossa capital”.
Aquela revelação – uma descoberta que mudaria a História do Brasil e o conceito de urbanismo no mundo – continha um conteúdo único e um vislumbre singular de esperança e de revolução. Ela mesmo explica:
“Quando lembro desse momento ímpar, o que mais me surpreende é que não achei nada de extraordinário. Tudo aquilo me parecia simplesmente normal: mudar a capital, inventar uma cidade… tudo! O próprio fato do meu pai ter feito o projeto sozinho em casa, desenhado a mão-livre e em escala, para mim não foi surpresa. Era esse, o jeito dele”.
A montagem do projeto do Plano Piloto para inscrição no concurso foi outra epopeia artesanal. “Fizemos a montagem em pranchas de cartolina, espalhadas no chão, com a ajuda de minha irmã Helena e de nossa prima, Nadja, sob rígida orientação do ‘inventor’. Detalhe por detalhe. A gente ia colando aquelas preciosas páginas nas cartolinas com aneisinhos de fita adesiva”.
O projeto tinha cinco pranchas, uma com o belo desenho da cidade em escala de 1/25.000, a nanquim e colorido com lápis de cor. E, mais quatro, com o texto da “Memória Descritiva” datilografado, ilustrado com impecáveis croquis, também desenhados a nanquim, alguns com leves toques de cor aqui e ali. À exceção da datilografia, tudo foi feito pessoalmente por Lucio Costa sem a ajuda de ninguém.
A própria Maria Elisa conta: “Fomos para a cidade de carro, meu pai dirigindo. Parou junto à entrada do Ministério da Educação. Minha irmã e eu descemos e entregamos as cinco pranchas na sobreloja. Faltavam 10 minutos para terminar o prazo. Pegamos o pequeno protocolo de número 26, e entregamos para meu pai. Era 11 de março de 1957”. A partir daí, foi a saga da construção.
Desde aquele 4 de fevereiro, Maria Elisa Costa nunca mais se desgrudou de Brasília. Acompanhou tudo. Era a ‘mãe’ cuidando da ‘filha’, como membro do Conselho de Arquitetura e Meio Ambiente, como presidente do IPHAN ou atendendo solicitações diversas dos governadores de Brasília.
Passaram-se os anos. E lá estava Maria Elisa Costa na luta para defender a Capital em duas situações opostas e adjacentes: de um lado, a extensa área urbana em expansão e, de outro, o Plano Piloto a ser preservado. Ela tinha a noção exata de que uma coisa é gerenciar o desenvolvimento urbano da cidade em expansão. E outra, bem diferente, é assegurar a preservação de seu núcleo original. Explica ela: “O centro histórico da capital é a área delimitada pelo divisor de águas da Bacia do Paranoá. Toda e qualquer intervenção nessa área, mesmo não sendo localizada dentro do perímetro tombado ou em seu entorno direto, deve ser compatível com o texto original da Portaria 314 do IPHAN. Tem que ser fiscalizada. Toda e qualquer intervenção nessa área deve passar por uma comissão técnica permanente de alto nível, criada para esse fim. E que tenha com poder de veto”.
A eterna guardiã do dr. Lucio reacendeu em nosso espírito o sentido da preservação e ajudou a moldar a beleza de Brasília.
Obrigado, Maria Elisa Costa.
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