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O Português Universal

Um acordo ortográfico para unir os oito países que falam o Português e para resistir culturalmente ao processo de comunicação globalizada


Silvestre Gorgulho


O Brasil precisa entender que a globalização chegou para a economia, para as finanças, para a tecnologia, para o comércio, para a informática e, sobretudo, para as comunicações. No que diz respeito às comunicações e à informática, a internet está fazendo uma revolução sem precedentes. E como fica a Língua Portuguesa – escrita e falada – neste contexto? Nesta Babel tecnológica onde nem nos textos digitalizados e nem mesmo no próprio endereço eletrônico se pode usar acentos, cedilhas ou quaisquer outros sinais gráficos? Bem, se os oito países de Língua Portuguesa já pensavam num Acordo Ortográfico para sobrevivência do Português, agora na era internáutica, esse acordo tem que ser mais amplo e mais apropriado a um novo tempo: a era da comunicação eletrônica. Não para fazer os jovens digitarem palavras completas em seus textos, acabar com abreviações e diminuir as gírias e os modismos de uma linguagem funk. Também isso, mas o caso não é esse. É mais grave.


Um texto corretamente escrito na internet, com todas as pontuações, cedilhas e acentos circunflexos, graves, agudos, ponto de exclamação, como mandam os bons manuais de língua portuguesa, do outro lado do mundo vão se tornar símbolos irreconhecíveis. Assim, para sair corretamente digitalizado nos computadores do país de destino, os textos só poderão ter as vogais e consoantes sem nenhum outro símbolo gráfico.


Bem, esse é um dos desafios para Carlos Alberto Ribeiro de Xavier, um brasileiro que sabe tudo de meio ambiente, de cultura, de educação e da burocracia que rege os relacionamentos ortográficos entre os oito países do mundo que falam Português. Xavier é Assessor Especial do Ministério da Educação. Aliás, ocupa o mesmo cargo na gestão dos três últimos Ministros da Educação do Brasil e foi também presidente da Comissão Provisória Nacional que compunha a delegação brasileira à Assembléia Geral que criou o Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), com sede em Cabo Verde. Se a ortografia portuguesa é um desafio para Xavier, ela deve ser encarada com muita responsabilidade por Portugal e Brasil como nações. O primeiro por ser Patria-Mãe de todos e o segundo por ser a maior nação do mundo onde se fala a Língua de Camões. Portugal e Brasil devem pedir prioridade máxima para o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.


É fácil justificar: o Acordo Ortográfico é o que, realmente, está na origem de todo o movimento dos oito povos que falam o Português. No ano passado, em abril, foi realizada em Praia, Cabo Verde, a I Assembléia Geral do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, que contou com a participação de delegações dos países que fazem parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Cabo Verde, além do Timor Leste). Timor se tornou membro permanente desde o final de 2002.


Na realidade, o IILP já fora criado em novembro de 1989, no Maranhão. O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, vinha sendo negociado há anos e finalmente foi firmado entre Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. A assinatura aconteceu em Lisboa em 1990 e é fruto de longas conversações conduzidas pela Academia Brasileira de Letras e pela Academia das Ciências de Lisboa.


Vale lembrar que em 1911 foi adotada em Portugal a primeira grande reforma ortográfica, mas que não foi extensiva ao Brasil. Desde então, a existência de duas ortografias oficiais da Língua Portuguesa – a lusitana e a brasileira – tem sido prejudicial para a unidade intercontinental do português e para o seu prestígio no mundo.


Em 1931, 1943, 1945 outros acordos e convenções foram assinados sem que se produzissem os efeitos desejados.


Em 1971, no Brasil, e em 1973, em Portugal, foram promulgadas leis que reduziram substancialmente as divergências ortográficas entre os dois países. Por isso, Carlos Alberto Ribeiro de Xavier tem razão: em tempo de globalização, o Acordo Ortográfico é meta prioritária para os países que falam o português, é autêntica resistência cultural.


Para se ter idéia da importância do Português na vida globalizada, ela é a sexta Língua mais falada no mundo (depois do chinês, hindi, espanhol, inglês e bengali), a terceira mais falada no ocidente e a segunda mais falada em Paris.


Como homenagem, gostaria de lembrar dois outros brasileiros que enfrentaram esta batalha: o incansável José Aparecido de Oliveira, idealizador da CPLP, e o filólogo Antônio Houaiss que foi o grande articulador do Brasil para chegarmos ao Acordo Ortográfico, e hoje virou dicionário.

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Inovação verde

Sustentabilidade e a sigla ESG tem dominado grande parte da pauta de encontros empresariais

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O conceito da sustentabilidade e a sigla ESG tem dominado grande parte da pauta de encontros empresariais, seminários e congressos de negócios. O discurso garante não ser apenas mais um modismo, como tantos outros no passado, e sim um conceito que teria vindo para ficar, até porque não teríamos escolha, se quisermos salvar o planeta. Além disso, as gerações Y e Z estão mais atentas ao assunto e cobrando maior responsabilidade ambiental, social e de governança das empresas.  O mercado financeiro e as certificadoras também observam esse novo momento para oferecer vantagens e reconhecer as companhias que demonstrarem maior comprometimento com a sustentabilidade.

Nessa pauta, um dos principais desafios é desenvolver tecnologias que sejam sustentáveis, tanto economicamente viáveis quanto atraentes para o mercado.  Hitendra Patel, diretora do IXL Center da Hult International Business School, e que no Brasil é parceiro da Revista Amanhã em um ranking de inovação, criou o termo “greenovations” para essas soluções, e destaca a necessidade da viabilidade financeira para o assunto ganhar relevância entre as empresas. Boas ideias e tecnologias não são suficientes para criar produtos e serviços ambientalmente sustentáveis. É preciso torná-los lucrativos e atrativos, criando um círculo virtuoso.

As empresas precisam transformar essa pauta em cultura para que ela permeie os novos modelos de negócios. Os setores público e privado devem trabalhar juntos para evitar excessos na legislação, buscar eficiência nos licenciamentos, equilíbrio e ponderação nas fiscalizações e oferecer estímulos à inovabilidade. É a melhor maneira de transformar o que muitas vezes ainda é visto como moda, ou como um fardo a carregar, em um compromisso espontâneo e duradouro.

 

Escrito por Carlos Rodolfo Schneider – empresário

 

 

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Brasil, falta de Neymar e resultado das urnas

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Tô pensando o seguinte:
NEYMAR faz muita falta à Seleção Brasileira. Assim como o VAR faz falta na eleição no Brasil.
Quando o Juiz vai pro VAR ele busca transparência e retidão no lance.
É tudo que se quer no resultado das urnas.
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Debênture Verde: Biotrop investe R$ 92,5 milhões em sustentabilidade no primeiro ano

Com o crescimento acelerado da demanda por produtos biológicos e naturais na agricultura, empresa amplia investimentos em P&D, estruturas, laboratórios e prepara o lançamento de novos produtos, contribuindo cada vez mais com a agricultura regenerativa

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A Biotrop, empresa dentre as líderes em soluções biológicas e naturais para o agronegócio, através da sua controlada – Total Biotecnologia S.A., acaba de ser certificada pelo Bureau Veritas pela destinação de mais de R$ 92,5 milhões de recursos para as iniciativas sustentáveis, oriundas das debêntures verdes captadas.

Do valor de R$ 100 milhões obtidos com o título, um montante superior a 92% foi destinado para investimentos em três importantes blocos: capital de giro para a fabricação e distribuição de bioinsumos; investimentos na planta, que inclui a expansão fabril, equipamentos para os laboratórios, veículos e tecnologia da informação; e para as atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), incluindo inovação, para garantir novos produtos destinados à agricultura sustentável. O valor restante dos recursos da debênture será alocado para novas demandas.

De acordo com o diretor financeiro, Adriano Zan, impressiona o montante que a Biotrop destinou de recursos já no primeiro ano da debênture. “Após a emissão, a companhia tem o prazo de até cinco anos para destinar os 100% de recursos. A rapidez desse processo é a prova da célere adoção de biotecnologias pelos agricultores, sobretudo as soluções sustentáveis da Biotrop. Um passo importante para a empresa e para a agricultura brasileira”, diz.

Para o CEO da empresa, Antonio Carlos Zem, esse relatório comprova o comprometimento e respeito da Biotrop com o mercado e principalmente a transparência com os investidores. “Utilizamos as debêntures verdes, entregamos indicadores financeiros melhores que os requeridos e usamos os recursos de modo sustentável para expandir a agricultura biológica. Pretendemos obter centenas de milhões em financiamentos verdes para 2023, dado o crescimento acelerado, o que pode ser uma ótima oportunidade para nossos credores”, diz.

Zem ressalta ainda as expectativas para o futuro. “Os agricultores no Brasil e na América Latina podem esperar o lançamento de novos produtos e maior capacidade de atender aos clientes. A Biotrop está liderando o mercado com uma robusta plataforma de inovação em várias dimensões dos biológicos. Ao associar P&D de ponta, acesso de mercado superior e equipe preparada e focada exclusivamente em biológicos, conseguimos crescer de forma exponencial, rentável, sustentável, com direção estratégica e através de pessoas extraordinárias!”, finaliza o executivo.

Sobre o título captado

Debêntures verdes são aquelas cujos recursos são investidos tanto em projetos com benefícios ambientais quanto sociais. Esses títulos de renda fixa são emitidos por empresas que precisam financiar um projeto, pagar uma dívida ou aumentar o capital. Para isso, elas pagam uma remuneração em troca do financiamento. No caso da Biotrop, as debêntures foram emitidas conforme a abordagem da ICMA (International Capital Market Association) e das Nações Unidas. O Banco Itaú BBA foi o coordenador-líder da emissão.

Sobre – A Biotrop é uma empresa brasileira, fruto da visão e empreendedorismo de um seleto grupo de profissionais apaixonados pelo agronegócio. Atua com foco em pesquisa e desenvolvimento de soluções diferenciadas e inovadoras, com o objetivo de contribuir para uma agricultura mais sustentável, saudável e regenerativa. Com escritório em Vinhedo (SP) e fábrica em Curitiba (PR), a empresa leva ao mercado o que há de melhor no mundo em soluções biológicas e naturais. Acesse www.biotrop.com.br.

 

 

 

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