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Aves do Cerrado no seu habitat

As verdadeiras jóias da baronesa von Behr


Silvestre Gorgulho 







Therese von Behr ainda percorre parques e matas pintando as aves do Cerrado. Muitas vezes tem, como modelo, as fotos de livros dos ornitóologos Helmut Sick, Augusto Ruschi e Johan Dalgas Frisch.
Para Therese a vida é assim: luz, natureza, pincéis e ação. Agora espera um patrocinador para o seu livro das aves, onde os textos foram pesquisados pelo ornitólogo Paulo de Tarso Zuquim Antas e pelo seu filho – ecologista e poeta – Nikolaus von Behr

Therese von Behr é uma baronesa especial. Aliás, riquíssima! Tem 74 anos e mora em Brasília desde 1974. Ela vem de um caminhar distante. Nasceu numa fazenda de trigais dourados, em Vilna, na Lituânia. Seu DNA de nobreza tem uma outra característica marcante: é uma artista das aquarelas. Desde pequena admirava o trabalho de sua mãe, a condessa Anna de Rômer, uma aquarelista de primeira grandeza. Mas a vida não é como se pinta: a Segunda Guerra Mundial deu uma vira-volta, a família abandonou a fazenda de trigais dourados e se mandou para a Alemanha e depois para o Canadá. Lá Therese conheceu Anatol Baron von Behr, um jovem nascido na Estônia, por quem se apaixonou. Mas… sempre tem um mas para quem foge das guerras. Um dia o rapaz lhe trouxe uma notícia triste: “Gostei de você, mas estou me mudando do Canadá. Vou fazer minha vida nas fazendas do eldorado chamado Brasil”. Anatol viajou e acabou em Diamantino, Mato Grosso. Durante dois anos se corresponderam por carta. Therese foi à luta. Contactou, no Canadá, os pais de seu enamorado, recebeu o consentimento de casamento e acertou sua vinda para o Brasil. Pegou um navio em Nova York – apenas ela e sete baús – e desceu em Santos. Ainda bem que a novela teve um final feliz: Anatol a esperava. Moraram na fazenda deles perto de Diamantino até o ano de 1968. Estão desde 1976 em Brasília. Therese von Behr só produziu muito para a natureza: além de seus três filhos (Nicholas, poeta e escritor, Miguel, escritor e biólogo, e Henrique, ilustrador, todos ambientalistas) a baronesa gerou as mais lindas aquarelas para bendizer a beleza da flora e da fauna do Brasil Central.


Do Cerrado captou as mais vivas cores para seus desenhos. Das flores do Centro-Oeste, há quatro anos, brotou o livro “Flora do Planalto Central do Brasil”, com 80 gravuras.


Onde há flor, há árvore. Onde há árvore há fruto e onde há fruto há pássaros. E aí a seqüência foi inevitável. Veio a segunda produção artística de Therese von Behr: as aves do Cerrado. Com um detalhe importante, todas as aves pintadas em seu habitat. Bem assim: o sabiá-laranjeira ao lado da embaúba; o maracanã-de-cara-amarela num pé de buriti, o beija-flor- de-canto no pau santo, o bico-de-lacre na orquídea… São ao todo 65 aquarelas.


Therese é ou não é uma baronesa especial! Especial sim, mas e por que riquíssima? Simples, porque Therese von Behr fez de seus sete baús que trouxe do Canadá um mundo de sonhos e de realidade tropical. Hoje vive entre jóias. E jóias que ela mesma garimpa, lapida e tem o grato prazer de dar a cada brasileiro como um presente dos mais significativos. “As aves são as verdadeiras jóias da natureza”, costuma dizer o ornitólogo Johan Dalgas Frisch. São essas jóias que Therese tem sempre a altura de suas mãos e as usa como bem manda seu coração de nobreza e de artista.


João bobo
Nystalus chacuru
White-eared puffbird
S: Chacurú listado


Está calmamente descansando no galho de uma lobeira
Mede cerca de 18cm e é encontrado em todo o Brasil Central, partes do Nordeste e do Sudeste. Também no Paraguai, Argentina e Bolívia. Canto longo, frequente no pôr-do-sol e no amanhecer. Habita campos, cerrados e até cafezais. Pode ser visto pousado nos fios elétricos. Em Brasília, está em todas as áreas menos alteradas e no Parque Nacional de Brasília, Estação Ecológica das Águas Emendadas e no Jardim Botânico


Tico-tico
Zonotrichia capensis
Rufous-collared sparrow
S.Chingolo comum


No galho de uma quaresmeira
O popular tico-tico é estimado no Brasil de norte a sul. Mede cerca de l5cm e seu canto conquistou a simpatia do povo e, como varia de região a região, a estrofe do canto pode ser interpretada como: “Maria acorda,é dia!” ou “Jesus, meu Deus” (no Nordeste). Nas madrugadas, antes do clarear, pode emitir um canto diferente do que o do dia. Gosta das bordas da mata ciliar, chácaras e locais abertos com vegetação baixa densa.


Beija-flor-de-canto
Colibri serrirostris
White-vented Violetear
Colibri mediano


Busca o néctar das flores de um pau-santo
Mede cerca de 12 cm e ocorre em todo o Brasil ao sul da Amazônia até Argentina, Bolívia e Paraguai. Habita os cerrados no período de chuvas e com a chegada da seca passa a frequentar a borda das matas ciliares. Nesse período destaca-se pelo canto contínuo, durante virtualmente todo o dia. É um chamado alto, curto e agudo, composto por quatro notas, repetidas de forma contínua do clarear ao escurecer. As “orelhas” violeta são mais chamativas sob luz intensa do sol.


Sabiá-laranjeira
Turdus rufiventris
Rufous-belled thrush
Zorzal colorado


No galho de uma embaúba
Ave Nacional por decreto do presidente da República Fernando Henrique Cardoso, o sabiá é um dos pássaros mais conhecidos do Sul e Sudeste brasileiros. Inconfundível pela intensa cor ferrugínea-laranja da barriga.Vive na mata, parques e quintais das casas, inclusive de cidades. É a ave mais cantada no cancioneiro popular brasileiro tantos pelos poetas como pelos compositores.


Asa branca
Columba picazuro
Picazuro pigeon
Picazuró


Pousada calmamente num ipê-roxo
Encontrada do Nordeste ao Rio Grande do Sul, além da Bolívia, Argentina e Paraguai. Mede 34cm. Comum no Campo, Caatinga e Cerrado. Nos últimos 30 anos adaptou-se a ambientes urbanos e colonizou cidades. Cria um filhote por postura e associa-se em bandos, realizando movimentos ainda pouco compreendidos. Além de sementes, gosta muito de comer a flor do ipê e cotiledones recém brotados.


Tesourinha
Tyrannus savana
Fork-tailed flycatcher
Tijereta


Pousada num ipê amarelo
A população do Centro-Oeste é migratória, chegando a partir de julho e desaparecendo em fevereiro, quando vai para o norte da América do Sul. A sua longa cauda é muito característica, bifurcada e razão de seu nome comum.Tamanho de até 40cm. Costuma pousar na vegetação baixa e nas árvores do Cerrado, alimentando-se de insetos em vôo e de pequenos frutos. Adapta-se bem a ambientes urbanizados. Antes da migração, procura os frutos da erva-de-passarinho, fonte principal da energia para o longo vôo em direção ao norte da Amazônia. Faz ninho em formato de chícara rasa.


Pintassilgo
Carduelis magellanicus
Hooded Siskin
Cabecitanegra Comum


Próximo a uma cigana, uma das flores mais típicas do Cerrado
Mede 11cm, sua distribuição é vasta na América do Sul, mas com poucas localidades ou áreas onde é encontrado. No Centro-Oeste, está nas chapadas matogrossenses e passa pelo Pantanal em sua migração desde o sul do continente até locais ainda a serem determinados. Por ter sido muito capturado no Brasil como pássaro de gaiola, sua distribuição atual pode representar a pressão histórica de captura. Vive nas bordas da mata secundária aberta e campos, em especial os que ocorrem sobre as serras. Também aparece, ocasionalmente, em quintais de chácaras. Alimenta-se de grãos e insetos.


Canário-da-terra
Sicalis flaveola
Saffron finch
Jilguero dorado


Num pé de araticum
Lembra o canário do reino. Ocorre no RS, MT, Argentina e Uruguai. Nos campos das partes altas do Distrito Federal ocorre um outro canário, Sicalis citrina, menor e de cores mais apagadas. O Canário-da-terra vive nas áreas campestres, especialmente no interior da caatinga, no Pantanal e no leste de Minas Gerais. Adapta-se às proximidades das residências rurais. Mede l3,5cm. Busca no solo as sementes e insetos para alimentar-se, nidificando em buracos e ocupando ninhos de outras aves, como o joão-de-barro. Nas proximidades do DF, é encontrado ao norte de Formosa, nas partes baixas desde Itiquira até o vão do Paranã.

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Rádio Nacional tem programação especial para o aniversário de Brasília

Capital do país completa 66 anos nesta terça-feira

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Rádio Nacional

 

Rádio Nacional preparou uma programação especial para celebrar os 66 anos de Brasília (DF), comemorados nesta terça-feira (21). Ao longo dos próximos dias, a emissora leva ao ar conteúdos inéditos que destacam a cultura, a memória e a produção artística da capital federal com entrevistas, reportagens e edições temáticas de programas.

A agenda começa nesta sexta-feira (17). O programa Espaço Arte comenta o Festival da Eficiência – Festa da Inclusão, que acontece neste fim de semana no Parque da Cidade, em Brasília.

O evento cultural gratuito e acessível nasce com o propósito de afirmar a deficiência como potência criativa, identidade estética e protagonismo social. No estúdio, haverá entrevista com a arte-educadora e produtora da banda Baião de 2, Kaká Taciano. Rádio Nacional de Brasília FM 96,1 MHz, às 12h30.

No sábado (19), a atração Frequência Nacional apresenta no quadro Entre Eixos e Histórias o depoimento da pioneira e jornalista Mercedes Urquiza. Nascida na Argentina, Mercedes deixou Buenos Aires a bordo de um jipe rumo a Brasília, em 1957. Suas histórias renderam importantes obras que registraram os primeiros passos da nova capital.

O programa também traz entrevista com o ator e bonequeiro Marcos Augusto de Rezende para falar sobre o Cine Itapuã, que foi um dos principais espaços culturais do Gama (DF) e que marcou gerações. Rádio Nacional de Brasília AM 980 Khz, a partir das 8h.

Na segunda-feira (20), o Espaço Arte destaca os dez anos do grupo Merceditas, que se apresenta no dia 24 de abril no Teatro Galpão Hugo Rodas, no Espaço Cultural Renato Russo. O grupo brasiliense é dedicado à interpretação de músicas latino-americanas, especialmente do movimento Nueva Canción. Rádio Nacional de Brasília FM 96,1 MHz, às 12h30.

Na terça-feira (21), aniversário da cidade, o Espaço Arte exibe entrevista com o músico, produtor e professor Alexandre Veiga dos Santos, o Alexandre Podrão, integrante da banda Detrito Federal. Ele lança o livro Crônicas e Mitos do Rock de Brasília 1982-1994, que revisita a cena musical da capital. Rádio Nacional de Brasília FM 96,1 MHz, às 12h30.

No mesmo dia, a programação musical (13h às 18h) da Rádio Nacional de Brasília FM 96,1 MHz será formada por músicas dos artistas brasilienses; e o programa Tarde Nacional (15h), da Rádio Nacional de Brasília AM 980 Khz, será integralmente dedicado ao aniversário da capital federal.

A temática especial segue ao longo da semana no Espaço Arte. Na quarta-feira (22), a pauta será o aniversário do Museu de Arte de Brasília, que amplia a programação cultural no dia 25 com visita guiada e apresentações dos grupos Sambrasss e Samba das Meninas.

Já na quinta-feira (23), Dia Nacional do Choro, o programa recebe o diretor musical e saxofonista da Orquestra Pizimdim, Bruno Patrício. Rádio Nacional de Brasília FM 96,1 MHz, às 12h30.

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Parque de Ideias leva escritora Clarice Lispector ao público do Rio

Evento gratuito ocorre hoje, às 16h, na Biblioteca Parque Estadual

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Cristina Indio do Brasil – Repórter da Agência Brasil

Clarice Lispector estará no centro das atenções na Biblioteca Parque Estadual, no centro do Rio. O encontro, gratuito ao público, será por meio do Projeto Parque de Ideias, idealizado pelo documentarista Márcio Debellian.

Nesta terça-feira (14), às 16h, a jornalista, escritora e roteirista Melina Dalboni vai apresentar a palestra Clarice Lispector: da literatura ao teatro e ao cinema, que ela prefere chamar de conversa com os visitantes.

Ela vai levar a sua experiência nas diferentes adaptações que fez da obra de Clarice para o longa A paixão segundo G.H. e quando escreveu o livro Diário de um Filme – A paixão segundo G.H., baseado no longa.

Melina revelou ser fã da escritora e poder conversar sobre Clarice, em um projeto dentro da Biblioteca Parque Estadual, é ter a oportunidade e o privilégio de estar em um espaço que oferece uma programação de qualidade e gratuita. Ela considera Clarice como uma das maiores escritoras do mundo.

“A obra da Clarice é publicada em mais de 40 países e foi traduzida para mais de 30 idiomas. Embora muitos considerem a obra da escritora hermética, entendo que seja o contrário”, diz Melina à Agência Brasil.

“Os livros, contos e crônicas dela são acessíveis e apaixonantes exatamente porque ela propõe essa ideia de ‘pensar-sentir’, de modo que o leitor não precisa exatamente entender tudo cartesianamente, mas, sim, estar aberto para ler e ser tocado, ler e sentir em si mesmo, como se o livro fosse um espelho”, explica.

A roteirista revelou que o processo criativo desenvolvido e oferecido pelo cineasta Luiz Fernando Carvalho para a criação do filme A Paixão Segundo G.H. foi aberto a todos que participaram da produção, desde a atriz Maria Fernanda Cândido passando pela equipe de figurino, de costura, de roteiro, os motoristas, a direção de arte e, inclusive, estudantes de teatro.

“Todos nós tivemos a oportunidade de mergulhar na obra a partir de uma semana de palestras dos maiores especialistas em Clarice, como Nádia Batella Gotlib, José Miguel Wisnik e Yudith Rosembaum, dentre outros”, contou

O processo criativo do filme, segundo Melina, a permitiu ter um contato mais profundo e íntimo com a obra de Clarice, da qual já estudava e era leitora. Esse envolvimento, conforme explicou, resultou na necessidade de registrar essa experiência no livro Diário de um Filme – A Paixão Segundo G.H, publicado pela editora Rocco.

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Espetáculo

 

Rio de Janeiro (RJ), 14/04/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Projeto Parque de Ideias. Foto: Fabian/Divulgação
Rio de Janeiro (RJ), 14/04/2026 – FOTO DE ARQUIVO – Projeto Parque de Ideias. Beth Goulart apresenta a peça Simplesmente eu, Clarice Lispector.. Foto: Fabian/Divulgação – Fabian/Divulgação

Ainda hoje, às 18h, será vez de a atriz Beth Goulart apresentar a peça Simplesmente eu, Clarice Lispector. Em cartaz há 17 anos, já foi vista mais de 1 milhão de pessoas. “É uma alegria a gente receber esta parceria com o público sempre acompanhando o nosso trabalho”, comentou Beth Goulart em entrevista à Agência Brasil.

O monólogo foi escrito, dirigido e produzido pela própria Beth, que por sua interpretação recebeu o Prêmio Shell de Melhor Atriz. Ainda no Projeto Parque de Ideias, o público terá a oportunidade de ver o espetáculo também, nesta quarta-feira (15), no mesmo horário.

Para a atriz, é maravilhoso poder apresentar a peça em uma Biblioteca. Acrescentou que o espetáculo sempre foi um incentivo à leitura, principalmente, da literatura de Clarice Lispector, que, conforme afirmou, “é uma literatura muito especial que faz os leitores se auto conhecerem, se olharem por dentro e melhorarem em todos os sentidos como pessoa”.

“A leitura tem essa função na nossa vida. Abre portas, horizontes e possibilidades de conhecimento. Fazer dentro de uma biblioteca é maravilhoso. É estimular a leitura em um espaço fértil para isso. Não só conhecer a literatura de Clarice, mas de tantos outros autores maravilhosos que estão à nossa disposição”, ressaltou.

“Uma biblioteca é um lugar mágico de mil possibilidades para você conhecer os pensamentos dos grandes criadores. É uma fonte maravilhosa de aprendizado, de conhecimento e de troca”, completou.

A ponte da literatura com o teatro sempre foi um dos objetivos da atriz, para quem é muito importante estimular o hábito da leitura. “O teatro nos aproxima da beleza da literatura, porque nos faz dar vida a estes personagens, trazer a experiência da leitura que é individual e solitária para uma experiência coletiva, que é o que o teatro nos propõe. É uma ampliação desse prazer maravilhoso de entrar em contato com as letras, as palavras e os pensamentos dos grandes autores”, afirmou

Parque de Ideias

Grafiteiros pintam a fachada da Biblioteca Parque Estadual, no centro do Rio de Janeiro
 Biblioteca Parque Estadual, no centro do Rio de Janeiro, apresenta o Projeto Parque de Ideias – Tomaz Silva/Agência Brasil

O projeto, que está na sua quarta edição, segue em até o dia 17 de abril. A cada mês uma semana da Biblioteca é destinada à programação do Projeto Parque de Ideias. Já passaram por ali as cantoras Alcione e Fafá de Belém e o cantor e compositor Neguinho da Beija-Flor entre outros.

Márcio Debellian, que dirigiu o documentário Fevereiros sobre o desfile da Mangueira com enredo de Maria Bethânia e a religiosidade do recôncavo baiano, disse que a ideia da homenagem surgiu por influência da peça que a Beth tem apresentado.

“É um fenômeno pela quantidade de anos que está em cartaz, quantidade de público que ela levou aos teatros, a qualidade da peça e do texto e da atuação da Beth, muito premiada”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.

“Acho que para uma Biblioteca Pública que abriga a obra da Clarice, quem for lá pode retirar os livros da Clarice gratuitamente, faz sentido em um teatro com 200 lugares, que está bonito, com palco novo, que a gente reformou, poder oferecer a peça da Beth gratuitamente e ter uma aula da Melina que adaptou Clarice para o cinema”, observou.

O documentarista comentou que trabalha com um público muito diverso. “Tem gente que tem conhecimento da obra e já leu tudo, e tem gente que está sendo introduzida àquele autor, que está indo ao teatro pela primeira vez porque é ao lado da Central do Brasil, gratuito, acessível por vários meios de transportes”, informa.

“Faria sentido para uma Biblioteca abrigar a peça em homenagem a Clarice e ter uma aula que ajude a ensinar mais o universo clariceano e que as pessoas possam frequentar o acervo da Biblioteca retirar os livros”, acrescenta.

Na visão de Debellian, que também é fã de Clarice, a autora é transformadora. “Mudou a minha vida de tal ponto de que quando li o primeiro livro tive que ler oito seguidos de uma tacada só e quase enlouqueci. Tive que parar um pouco porque fui tragado por aquele universo, mas está tudo marcado, sublinhado, às vezes tenho que voltar à prateleira e reler o que marquei. É uma autora fundamental na minha vida que me envolve muito”, revelou.

Debellian tem certeza de que Clarice vai conquistar o público que ainda não teve contato com as obras da escritora. “Vai sair mobilizado porque as palavras são tão fortes, tão profundas, mexe com o seu pensamento e a sua sensibilidade”, afirma.

“Você não se esquece e leva aquilo para a vida. E quando você entra na Clarice, precisa mergulhar para entender de onde sai tanta sabedoria, tanta clareza e tanto impacto. Você fica tomado, nada passa batido, nada é corriqueiro”, diz empolgado com a obra da autora.

Público

Debellian disse que costuma conversar com os frequentadores da Biblioteca para saber quem está indo pela primeira vez e sempre se depara com a diversidade.

“É o público popular mesmo e muito diverso nas atividades que a gente faz. Tem gente que pega o trem, vem de São Gonçalo, Niterói, Duque de Caxias e São João de Meriti. Eu pergunto muito antes de abrir a programação”, contou.

Ele acrescenta que, por causa desse desconhecimento sobre o funcionamento daquele espaço cultural, gosta também de revezar os gêneros musicais dos convidados, por que aí é possível trazer outros públicos que não conhecem o espaço de leitura e cultura.

“É fundamental a gente se apropriar desse equipamento público para que em uma outra crise de governo, não pensem que para cortar o orçamento, tem que cortar em bibliotecas públicas. O espaço tem que estar muito ocupado com a população interessada nele e sabendo do valor dele”.

O idealizador do projeto destacou que mesmo tendo a atração dos celulares, existem pessoas que ainda gostam de pegar um livro na biblioteca para fazer a leitura enquanto se deslocam nos transportes públicos. “É esse estímulo. A gente tem feito muitos encontros com autores”.

O Parque de Ideias completa quatro anos agora em maio. Toda a programação é gratuita e também reúne oficinas, cursos em parceria com a PUC Rio e encontros que misturam literatura, música e processos criativos.

O projeto é uma realização da Debê Produções com patrocínio do Instituto BAT e da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

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Concerto do Ano Cultural Brasil-China lota Teatro Poupex, em Brasília

Apresentação reuniu músicos chineses e brasileiros em espetáculo que marcou o início das celebrações culturais entre os dois países

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A Camerata da Orquestra Sinfônica Nacional da China realizou uma apresentação especial ao lado da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, no Teatro Poupex Cultural, em Brasília, na noite desta terça-feira (7). O concerto integra a programação do Ano Cultural Brasil–China, iniciativa oficial dos governos dos dois países para fortalecer o intercâmbio cultural e institucional.

O evento reuniu autoridades, diplomatas, militares e convidados. Entre os presentes estavam o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao; o secretário-executivo adjunto do Ministério da Cultura, Cassius da Rosa; e o secretário de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Laudemar Aguiar. Representaram o Ibrachina o presidente Thomas Law e a diretora administrativa e financeira Ana Ou Law.

Também participaram o senador Jaques Wagner; o presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Herman Benjamin; o ministro do Superior Tribunal Militar, general Anísio de Oliveira Jr.; o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do MCTI, Inácio Arruda; e a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Kátia Schweickardt.

A apresentação, que lotou o teatro, foi dividida em duas partes: a primeira sob regência da maestrina chinesa Jiang Huan e a segunda conduzida pelo maestro Cláudio Cohen. No palco, músicos da Camerata da CNSO, com destaque para o violinista Yao Liang, se uniram aos instrumentistas brasileiros em um repertório que mesclou obras clássicas dos dois países. O programa incluiu desde peças brasileiras consagradas, como “Aquarela do Brasil” e “Trenzinho Caipira”, até composições tradicionais chinesas, como “Dança da Serpente Dourada” e “Os Amantes Borboleta”.

Início das ações do Ano Cultural Brasil–China 

De acordo com o embaixador Zhu Qingqiao, o concerto em Brasília representa “a primeira atividade de destaque do Ano Cultural Brasil–China”. “As relações China–Brasil também são uma história de intercâmbio cultural e aproximação entre os povos. Hoje, a serenidade da música chinesa se encontra com a vitalidade do ritmo brasileiro, revelando a beleza de cada cultura e a harmonia entre elas”, afirmou.

O presidente do Ibrachina, Thomas Law, destacou a importância do evento para o fortalecimento das relações bilaterais. “É um superevento, com grandes artistas vindos da China executando músicas brasileiras e obras chinesas conhecidas. Essa interação é um marco nas relações diplomáticas e culturais entre os dois países em 2026, o Ano Cultural Brasil–China”, declarou.

Para o maestro Cláudio Cohen, a união entre músicos brasileiros e chineses simboliza a força da cultura como ferramenta de integração. “As culturas de China e Brasil se uniram pela música, como uma forma potente de aproximação entre os povos”, afirmou.

Já o embaixador Laudemar Aguiar ressaltou o papel estratégico da cultura nas relações internacionais. “A cultura é dimensão essencial da cooperação internacional e instrumento para o fortalecimento das relações entre os países”, disse. Segundo Cassius da Rosa, a iniciativa reforça a importância da cultura na agenda bilateral. “Essa celebração é um símbolo vivo da parceria estratégica entre Brasil e China, mostrando que a cultura ocupa espaço prioritário nessa relação”, destacou.

Intercâmbio cultural

A iniciativa promove o intercâmbio cultural entre Brasil e China, reunindo músicos reconhecidos em um concerto que une repertórios e tradições distintas. A Camerata apresentou obras marcantes da música chinesa e emocionou o público presente no Teatro Poupex Cultural.

O evento foi organizado pelo Ministério da Cultura e Turismo da China, Embaixada da China no Brasil, Instituto Guimarães Rosa, Ministério das Relações Exteriores, Ministério do Turismo e Ministério da Cultura do Brasil. A realização contou com STNS, Ibrachina e Orquestra Sinfônica Nacional da China, com apoio do Teatro Poupex Cultural.

Sobre o Ibrachina    

Fundado em 2018 pelo Dr. Thomas Law, advogado, o Ibrachina é um Instituto sociocultural que tem como finalidade promover a integração entre as culturas e os povos do Brasil, China e de países que falam a língua portuguesa. O Ibrachina atua em parceria com universidades, entidades e associações, além de fazer parte das Frentes Parlamentares Brasil/China, BRICS, criadas pela Câmara dos Deputados, e de Cooperação Política Cultural entre Brasil, China, Coreia e Japão, da Câmara Municipal de São Paulo.

Fonte: Agência Pub 

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