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Roliúde Nordestina – Cabaceiras PB

 





Roliude Nordestina


Ecoturismo em Cabaceiras-PB: a Roliúde Brasileira


Por Silvestre Gorgulho
O candelabro de cactos parece iluminar o céu e o horizonte. A metáfora e o trocadilho sinalizam a dura realidade sertaneja, enquanto o espírito empreendedor dos habitantes de Cabaceiras-PB revela a criatividade da região mais seca do Brasil: a Roliúde Nordestina. Os ares cinematográficos, o letreiro e o exotismo da belíssima paisagem fizeram da região uma preferência dos diretores de cinema. Entre longas e curtas, dezenas de títulos já foram rodados ali. Importante centro de artesanato de couro, Cabaceiras se orgulha de ter um dos maiores rebanhos de caprinos, com destaque para a originalidade de um festejo típico e concorrido: a Festa do Bode Rei.


Cabaceiras
Êta Semi-árido danado de bonito!


Andressa Bacchetti Pinto   –   ENTREVISTA


 Andressa Bacchetti é engenheira agrícola, M. Sc., e analista de recursos hídricos do Instituto de Meio Ambiente do Espírito Santo. Participante do curso de especialização em Desenvolvimento Sustentável do Semi-árido (UFCG), Andressa fez questão de tirar um dia para conhecer Cabaceiras. Pela sua experiência na área de desertificação, de meio ambiente e de turismo, vale a pena saber de suas impressões.


 FMA – Como uma capixaba foi parar em Cabaceiras?
Andressa  – Éramos um grupo que participava do 1º Encontro Presencial do Curso de Especialização em Desenvolvimento Sustentável do Semi-Árido. No meio destas pessoas estava eu, uma capixaba que trabalha no combate a desertificação.
Domingo, dia livre, decidimos passar o dia em Cabaceiras, cidade conhecida por  apresentar os menores índices pluviométricos do País. Afinal, estávamos fazendo um curso sobre Semi-árido…


FMA – Valeu a pena?
Andressa  – Se valeu! Cabaceiras está a 180 km de João Pessoa, encravada nos cariris paraibanos. Ainda na PB-148, avistamos, a mais de um quilômetro de distância, no alto de uma serra nas cercanias da cidade de Cabaceiras, um letreiro enorme de 70m x 3m que anunciava ROLIÚDE NORDESTINA.
Senti que seria um passeio maravilhoso. Ficamos embriagados pela sensação de adentrar o sertão, entre mandacarus e xique-xiques, pela belíssima “Roliúde”!


FMA – Como é a cidade de Cabaceiras?
Andressa  – Fundada em 1735, Cabaceiras é uma pequena cidade com pouco mais de 5.000 habitantes, urbanos e rurais, que impressiona pela limpeza de suas poucas ruas.
As casas, pintadas com cores alegres, preservam a arquitetura do século passado nos fazendo voltar no tempo.


FMA – E o passeio virou um filme…
Andressa  – Pois é, tudo ali transpira cinema e arte. Entramos literalmente no estúdio aberto de um pólo de cinema. Atualmente, Cabaceiras investe no turismo cinematográfico. A pitoresca cidade já foi palco para mais de 20 produções, devido às condições meteorológicas favoráveis: céu com poucas nuvens o ano todo e quase nunca chove, e a belíssima paisagem. Dentre as produções, se destacam a minissérie que virou filme “O Auto da Compadecida”, (de Ariano Suassuna, dirigida por Guel Arraes) e “Cinema, Aspirinas e Urubus”, dirigido por Marcelo Gomes.
Em cada cantinho da cidade, pode-se fazer uma referência a cenas de filmes. A cidade é um verdadeiro set de gravação, seus moradores já fizeram ‘pontas’ em diversos filmes. Além disso, durante todo o ano, a cidade se prepara para o festival de caprinos e ovinos da Paraíba, tradicionalmente conhecida como Festa do Bode Rei. A festa movimenta toda a região e o bode vira atração em tudo. É como a festa do Zebu em Uberaba. Essa é a diversidade cultural que faz do Brasil um País singular.


Fotos: Andressa Bacchetti  / A. Paula Dias


Lajedo do Pai Mateus


 


 


 


 



Pedra do Capacete


 


 


 


 


FMA – E o que é a Festa do Bode Rei?
Andressa –  É uma grande manifestação da cultura do povo cabaceirense que anima a cidade no meado do ano. Podem-se ver diferentes e engraçadas referências ao animal por toda a cidade. A praça, evidente, se chama Praça do Bode e tem uma estátua de quem? Do bode. E reza a lenda que quem alisa os testículos do bode ganha muita sorte.
 
Eles transformaram adversidades em atrativos. Agora, o povo de Cabaceiras sente orgulho de pertencer àquele local. Cinema é arte, mas é também um grande negócio.


FMA – Como o próprio povo vê a cidade?
Andressa  – Antes as pessoas deixavam Cabaceiras em busca de oportunidades em outros lugares, pois Cabaceiras era considerada um local seco, sem recursos e sem oportunidades. Os investimentos na área de cultura, lazer e turismo venceram as circunstâncias, que pareciam desfavoráveis, mudando a realidade local e restaurando a auto-estima do cabaceirense. Eles transformaram adversidades em atrativos. Agora, o povo de cabaceiras sente orgulho de pertencer àquele local.
Cinema é arte, mas as pessoas têm que entender que é indústria. É também um grande negócio.


FMA – Muita comida típica, artesanato?
Andressa – Nestes itens, tudo tem bode no meio. Há uma grande variedade de pratos a base de carne de bode: bodioca, pizza de bode, lingüiça de bode, strogonoff de bode e buchada de bode, etc como forma de valorização da cultura tradicional local e também como forma de agregar renda a população. As peças de couro como carteiras, sapatos, sandálias, chapéus, agendas e tantas outras não poderiam ser de outra coisa que não couro de bode. Um detalhe: o curtimento do couro é feito à base de produtos de origem natural, proporcionando baixo impacto ao meio ambiente devido a pouca utilização de tratamentos químicos convencionais.


FMA – E o que mais surpreendeu em Cabaceiras?
Andressa – Bem, o Museu de Cabaceiras. Como todo museu, retrata um pouco da história e da vida das pessoas. Na chegada ao museu, fomos recebidos por Sandrelli, guia mirim capacitada pela prefeitura da cidade.
Moça bonita e bem articulada, mostrando extraordinário domínio da história local. Perguntei o que mais havia para se fazer por ali. Aonde comer e o que comer. Sandrelli prontamente nos deu um leque de opções, indo de compras ao artesanato de couro de bode, passando por esportes de aventura, cavalgadas e expedições a sítios arqueológicos. Disse a ela que tínhamos pouco tempo. Aí ela emendou sem pestanejar: não deixe de conhecer Lajedo do Pai Mateus. E ela mesma nos levou lá.


FMA – Então fale do Lajedo do Pai Mateus?
Andressa –  O Lajedo é uma extraordinária elevação com mais ou menos 1,5Km2 com a forma assemelhada, como todos costumam dizer no lugar, ao um prato de sopa invertido. Sobre o Lajedo encontram-se dispostos, creio, dezenas de blocos graníticos arredondados, compondo uma paisagem singular, envolvida, eu diria, protegida, por vegetação típica da Caatinga e por uma represa. Lá, a paisagem fala por si. É de tirar o fôlego.


FMA – Quem é Pai Mateus?
Andressa –  A tradição oral do povo da região diz que Pai Mateus foi um ermitão curandeiro que viveu no Lajedo solitariamente nos meados do século XVIII. No lajedo podemos encontrar a suposta gruta onde Pai Mateus viveu.
Na gruta, encontram-se objetos rústicos que teriam pertencido ao ermitão, sua cama de pedra, além das paredes recobertas com dezenas de marcas de mãos humanas, tingidas de ocre pelo efeito do óxido de ferro


FMA – Qual a sensação que se tem ao chegar no Lajedo?
Andressa – É uma curiosa sensação: tudo é tão imenso por lá que a gente se sente pequeno, mas ao mesmo tempo é tão integrado com a natureza que a gente se sente enorme. Confunde-se criador e criação. O local é místico, cheio de energia: uma imensa sensação de Paz nos invade. O sol é escaldante, estamos sobre a rocha nua, mas o vento é intenso e refrescante. Não há sensação de calor em pleno meio-dia no ‘sertão’! É tudo maravilhosamente sagrado naquele local. Tudo é inusitadamente belo.
Êta Semi-árido danado de bonito!


Festa do Bode Rei
Quando o mundo é movido a bode


Silvestre Gorgulho



A Festa do Bode Rei teve sua décima edição agora em junho e julho. É sucesso garantido. A TV Cabaceiras transmite ao vivo. Durante o mês acontece de tudo: do Futbode, triatlon de bode, espaço para a cultura bodística, BBB – Big Brother Bode até a Fórmula Bode. E não podia faltar a gastronomia. Os mais diversos pratos, com destaque para a buchada, giram em torno do bode. A festa do Bode Rei acontece ao longo da avenida principal de Cabaceiras. A população local, junto com os visitantes, pode viver todo o universo bodístico. Desde a identificação da grande variedade de raças nacionais e internacionais, até degustar pratos típicos da culinária bodística como buchada, picadinho de bode, pizza de bode, bodioca, lingüiça de bode, queijo de…. bem, aí é do leite da fêmea do bode. Com direito a todos os doces.


Bode Rei Hall
O Festa do Bode Rei tem quatro espaços principais: Parque do Bode, Arraial do Bode, Praça do Bode e Bode Rei Hall. No Parque do Bode, 80 currais são colocados à disposição dos criadores para exposição e comercialização de animais e uma arena é destinada à realização dos concursos de cabra leiteira e melhor buchada. Tem outras  competições envolvendo criadores como: Pega Bode, Fórmula Bode, Gincana de Bode e Triatlon de Bode.
A Fórmula Bode acontece numa pista de corrida em baterias eliminatórias de três animais. Os bodes são incentivados pelos seus criadores a correrem sem  poder tocá-los. A teimosia do animal dá o tom humorístico à competição.
Na Praça do Bode, a festa é do artesanato. Aí quem reina são os artesãos com as maravilhas confeccionadas a partir do couro de bode.
À noite, o reinado fica por conta do circuito do bode. O Bode Rei Hall explode em alegria pelos shows das mais famosas bandas de forró do Nordeste. Quando o dia amanhece, os participantes são atraídos para o caloroso arrastão do Bode Rei, um bloco de forró puxado por trio elétrico. Movido a bode, é claro.


A cultura bodística toma conta de Cabaceiras


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Museu do Catetinho estreia experiência em realidade virtual com inspiração em Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Temporada do filme ‘Água de Beber’ começa neste sábado (25) e segue até setembro, com acesso gratuito aos visitantes

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Agência Brasília* | Edição: Chico Neto

O Museu do Catetinho, espaço gerido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), inaugura neste sábado (25) a exibição do curta-metragem Água de Beber em realidade virtual. A experiência estará disponível ao público até setembro, com seis óculos instalados em pontos fixos do museu para uso dos visitantes.

Com oito minutos de duração, o filme recria a inspiração da canção homônima de Tom Jobim e Vinicius de Moraes a partir da fonte localizada no próprio Catetinho. Dirigido por Filipe Gontijo e Henrique Siqueira, o curta propõe uma imersão sensorial que conecta memória, música e patrimônio histórico em um dos espaços simbólicos da capital federal.

A iniciativa conta com o Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), instrumento público de fomento que viabiliza projetos culturais em diferentes linguagens e territórios. No caso da produção audiovisual, o recurso permite ampliar o acesso da população a novas formas de fruição cultural, incorporando tecnologias como a realidade virtual ao circuito de visitação.

 

Para o secretário interino de Cultura e Economia Criativa do DF, Fernando Modesto, a ação evidencia o papel das políticas públicas no fortalecimento da cultura e na valorização dos espaços históricos. “Ao ocupar o Museu do Catetinho com uma experiência que dialoga com a história da música brasileira e com a identidade do espaço, ampliamos as possibilidades de fruição cultural e reforçamos o compromisso do poder público com a democratização da cultura”, afirma.

*Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa

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Brasília

Feita de sonhos, sotaques e muita coragem

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Foto: Diogo Lima / Agência CLDF

 

Mais do que um cartão-postal reconhecido mundialmente por sua arquitetura e urbanismo, Brasília é uma cidade pulsante, construída diariamente por pessoas que transformam sonhos em realidade. Capital do país e símbolo de modernidade, a cidade reúne história, diversidade cultural e desenvolvimento, mantendo vivo o espírito inovador que marcou sua criação.

Ao longo de seus 66 anos, Brasília consolidou-se como centro político e administrativo do Brasil, mas também como espaço de oportunidades, acolhimento e cidadania. Em cada região administrativa, a população ajuda a escrever uma trajetória marcada por crescimento, trabalho e esperança no futuro.

Nesse caminho, a Câmara Legislativa do Distrito Federal desempenha papel essencial ao representar a voz da população, criar leis e fiscalizar ações que impactam diretamente a vida dos cidadãos. O trabalho parlamentar contribui para fortalecer políticas públicas e garantir direitos em áreas fundamentais como saúde, educação, mobilidade e segurança.

Celebrar o aniversário de Brasília é reconhecer a grandeza de uma cidade planejada para o futuro e construída por todos os brasilienses. Mais do que monumentos e paisagens icônicas, Brasília é feita de pessoas, histórias e conquistas que seguem moldando o presente e inspirando as próximas gerações.

 

Agência CLDF

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Mariangela Hungria está na lista Time das 100 personalidades mais influentes do mundo

A pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria está na lista TIME100 2026, na categoria Pioneiros (Pioneers), que reconhece as 100 pessoas mais influentes do mundo

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A pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria está na lista TIME100 2026, na categoria Pioneiros (Pioneers), que reconhece as 100 pessoas mais influentes do mundo. A lista disponibilizada hoje no site da Time reconhece o impacto, a inovação e as conquistas de personalidades mundiais. Mariangela destacou a emoção com o reconhecimento e disse que a conquista ainda parece difícil de acreditar. “Estamos falando de um reconhecimento das pessoas mais influentes do mundo”, afirmou. A pesquisadora também ressaltou o orgulho de representar a ciência brasileira no cenário internacional. Para ela, essa valorização não é resultado apenas sua trajetória, mas do trabalho desenvolvido na Embrapa, especialmente na área de insumos biológicos na agricultura. “É um grande orgulho para a pesquisa brasileira, principalmente por um tema tão relevante: o uso de biológicos substituindo produtos químicos”, explicou.

Mariangela destacou ainda que esse reconhecimento reflete uma mudança global de percepção, com maior valorização de práticas sustentáveis e da produção de alimentos mais saudáveis. “Isso mostra que o mundo considera importante produzir alimentos que promovam a saúde do solo e das pessoas, com menos resíduos químicos, dentro do conceito de saúde única”, disse. Ela acredita que a visibilidade pode fortalecer ainda mais o protagonismo do Brasil no setor. “Além da alegria pelo reconhecimento, isso ajuda a divulgar essa bandeira dos biológicos, na qual o Brasil já é líder mundial — e pode se tornar ainda mais”, concluiu.

Quem é Mariangela Hungria

Nascida em 06 de fevereiro de 1958, em São Paulo, e criada em Itapetinga (SP), Mariangela Hungria é engenheira agrônoma, pesquisadora e professora universitária, reconhecida mundialmente por sua contribuição ao desenvolvimento de insumos biológicos para a agricultura brasileira. Desde a infância, teve curiosidade por conhecer o que envolve os aspectos relacionados à terra, à água e ao ar. Quando tinha oito anos, ganhou da avó materna o livro “Caçadores de Micróbios”, de Paul de Kruif, sobre a vida de microbiologistas. Depois dessa leitura, decidiu que queria ser microbiologista, mas não na área médica — tinha que ser sobre solo e plantas. Sua busca por conhecimento e seu espírito científico, a levaram a cursar Engenharia Agronômica e se especializar em microbiologia do solo, tornando-se uma das mais renomadas microbiologistas do mundo.

Desde 1982, Mariangela desenvolve inovações que resultaramno lançamento de mais de 30 tecnologias. A cientista possui mais de 500 publicações científicas, documentos técnicos, livros e capítulos de livros. Também já orientou mais de 200 alunos de graduação e pós-graduação.

Para a pesquisadora, há uma crescente demanda global por aumento da produção e da qualidade dos alimentos, mas com sustentabilidade, o que significa reduzir a poluição do solo e da água e diminuir as emissões de gases de efeito estufa. De acordo com Mariangela, o desenvolvimento sustentável na agricultura deve se alinhar com novos conceitos, enfatizando a “Saúde Única” (One Health), a “Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG)” e a nova visão de agricultura regenerativa. Essa abordagem busca produzir mais com menos — menos insumos, menos água, menos terra, menos esforço humano e menor impacto ambiental.

Contribuições à produção agrícola

O foco das pesquisas de Mariangela Hungria tem sido no aumento da produção e na qualidade de alimentos por meio da substituição, total ou parcial, de fertilizantes químicos por microrganismos portadores de propriedades como a fixação biológica de nitrogênio (FBN), a síntese de fitormônios e a solubilização de fosfatos e rochas potássicas. Ela obteve resultados inovadores ao provar que, ao contrário de relatos dos EUA, Austrália e Europa, a inoculação anual da soja com Bradyrhizobium aumenta, em média, 8% a produção de grãos de soja. Ainda mais relevante, altos rendimentos são conseguidos sem nenhuma aplicação de fertilizante nitrogenado e a confirmação desses benefícios pelo agricultor está na adoção dessa prática, 85% de toda a área cultivada com soja.

Outra tecnologia lançada pela pesquisadora, em 2014, foi a coinoculação da soja, que une as bactérias fixadoras de nitrogênio (Bradyrhizobium) e as bactérias promotoras de crescimento de plantas (Azospirillum brasilense). Em pouco mais de dez anos, a coinoculação passou a ser adotada em aproximadamente 35% da área total cultivada de soja.

Reunindo os benefícios da inoculação e da coinoculação da soja, somente em 2025, a economia estimada, ao dispensar o uso de fertilizantes nitrogenados, foi estimada em 25 bilhões de dólares. Além do benefício econômico, o uso dessas bactérias ajudou a mitigar, em 2024, a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalentes para a atmosfera.

Associado aos trabalhos com soja, a pesquisadora também coordena pesquisas que culminaram com o lançamento de outras tecnologias: autorização/recomendação de bactérias (rizóbios) e coinoculação para a cultura do feijoeiro, Azospirillum brasiliense para as culturas do milho e do trigo e de pastagens com braquiárias. Ainda em relação às gramíneas, em 2021, a equipe da pesquisadora lançou uma tecnologia que permite a redução de 25% na fertilização nitrogenada de cobertura em milho por meio da inoculação com A. brasilense, gerando benefícios econômicos significativos para os agricultores e impactos ambientais positivos para o país.

Trajetória  profissional

Mariangela Hungria é Engenharia Agronômica (Esalq/USP),com mestrado em Solos e Nutrição de Plantas (Esalq/USP), doutorado em Ciência do Solo (UFRRJ). Na sequência,cursou o doutorado na UFRRJ. A tese foi realizada na Embrapa, a convite da pesquisadora Johanna Döbereiner, cientista que revolucionou a agricultura tropical ao descobrir e aplicar a fixação biológica de nitrogênio (FBN) em culturas agrícolas. Mariangela considera Johanna Döbereiner a mentora mais influente da sua carreira, por ter colaborado decisivamente com sua formação como cientista.

Em 1982, tornou-se pesquisadora da Embrapa: inicialmente na Embrapa Agrobiologia (Seropédica, RJ) e, desde 1991, na Embrapa Soja (Londrina, PR). Mariangela acumula ainda três pós-doutorado em universidades nos Estados Unidos e Espanha (Cornell University, University of California-Davis e Universidade de Sevilla).

RECONHECIMENTOS

Mariangela Hungria, laureada da edição de 2025 do Prêmio Mundial de Alimentação – World Food Prize (WFP) – reconhecido como o “Nobel da Agricultura”, recebeu a homenagem em 23 de outubro, em Des Moines, nos Estados Unidos. O Prêmio, concedido pela Fundação World FoodPrize, celebra o impacto positivo das pesquisas da cientista brasileira e sua contribuição ao desenvolvimento de insumos biológicos para a agricultura brasileira.

Mariangela é também comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico e membro titular da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Brasileira de Ciência Agronômica e da Academia Mundial de Ciências. É professora e orientadora da pós-graduação em Microbiologia e em Biotecnologia na Universidade Estadual de Londrina. Atua também na Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e na Sociedade Brasileira de Microbiologia.

Desde 2020 Mariangela está classificada entre os 100 mil cientistas mais influentes no mundo, de acordo com o estudo da Universidade de Stanford (EUA). Em 2022, a pesquisadora ocupou a primeira posição brasileira, confirmada em 2025, em Fitotecnia e Agronomia (Plant Science and Agronomy) e em Microbiologia, em lista publicada pelo Research.com, um site que oferece dados sobre contribuições científicas em nível mundial.

Já recebeu várias premiações pela sustentabilidade em agricultura, como o Frederico Menezes, Lenovo-Academia Mundial de Ciências, da Frente Parlamentar Agropecuária eda Fundação Bunge. Em 2025, recebeu o Prêmio Mulheres e Ciência, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com o Ministério das Mulheres, o British Council e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe. Em 2026, entrou na lista Forbes que destaca 10 personalidades mundiais que personificam a liderança no agronegócio.

Lebna Landgraf (MTb 2903 -PR)
Embrapa Soja

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Telefone: (43) 3371-6061

 

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