Poesias

A Prece — Francisco: Um e Outro

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A imagem de São Francisco bem
na nascente do Velho Chico



Primeira ponte sobre o Rio São Francisco no
Chapadão da Zagaia, na Serra da Canastra


A PRECE


FRANCISCO: UM E OUTRO


Silvestre Gorgulho


São Francisco é Santo nos Céus e na Terra.
Nos Céus, faz milagres com a força de Deus. Na terra, faz milagres com a força do homem.
Para que o São Francisco, da Terra, faça milagres com a força do homem, é preciso que ele tenha uma vida também pura e saudável.
O São Francisco, da Terra, recebeu esse nome porque foi descoberto no dia 4 de outubro de 1501.
Nesse mesmo dia, 319 anos antes, nascia, em Assis, Itália, o São Francisco, dos Céus.


Magnânimo como seu xará dos Céus, o São Francisco, da Terra, diariamente faz seus milagres:
Multiplica pães e peixes, nos projetos de irrigação e piscicultura;
Dá de beber a 15 milhões de pessoas que habitam os 503 municípios de sua bacia hidrográfica;
Produz 10.356 MW de força energética, que ilumina caminhos e movimenta máquinas;
e sobre suas águas, transporta riquezas e pobrezas, esperanças e ilusões.


O São Francisco, da Terra, não pode parar de fazer seus milagres.
Precisa continuar abençoando gentes e energizando entes.
Precisa continuar multiplicando o pão e o peixe.
Mas, para isso, ele precisa viver.
Precisa ser imortal aqui na Terra, como o é o seu xará lá nos Céus
Urge que o homem, com sua força e inteligência, aplique a ele o grande ensinamento de São Francisco de Assis: É dando que se recebe.
Que o homem continue dando ao São Francisco, da Terra, o mínimo, para que dele possa continuar recebendo o máximo. Amém!


 


Alguns dados sobre o Rio São Francisco


 



Extensão do curso do Rio: 2.700 Km – equivalente à distância rodoviária entre Brasília (DF) e Chuí (RS).
Nascente: Serra da Canastra, município de São Roque de Minas (MG).
Foz: Oceano Atlântico, entre os Estados de Sergipe e Alagoas.
Vazão média anual: 2.980m³/s. (um pouco superior a do Rio Nilo, no Egito).
Área do Vale do São Francisco: 640.000 km² – equivale a soma dos territórios de França e Portugal, ou a soma dos territórios de Alagoas, Minas Gerais e Sergipe.
Abrangência: Seis Estados e Distrito Federal – quase 8% do Brasil.
Percentual da área do Vale por Regiões: 62,5% no Nordeste (Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas); 36,8% no Sudeste (Minas Gerais); 0,7% no Centro-Oeste (Goiás e DF).
Distribuição da População do Vale: Nordeste (36,3%) e Região Metropolitana de Belo Horizonte (26,5%) concentram mais de 60% da população do Vale.
Municípios no Vale: 503, sendo 92 localizados parcialmente.
Área dos 503 municípios: 709.771 km².
População do Vale: 15,5 milhões de habitantes.
Vegetação: 8% Floresta, 33,9% Cerrado, 21,2% Caatinga, 11,1% áreas de transição e 24,8% de áreas antrópicas (7% agricultura, 16,6% pastagens, 0,9% reflorestamento, 0,3% usos diversos). As áreas de preservação protegem 1,0% da área do Vale.
Espécies de peixes identificadas na Bacia do São Francisco: 139
Área do espelho d’água do curso principal e afluentes: 600.000 há (estimativa).
Potencial energético: Total – 26.435MW. Instalado – 10.356MW (17% do país). Remanescente – 16.079MW
Potencial mineral: 100% das reservas nacionais medidas de agalmatolito e cádmio; cerca de 95% das reservas nacionais medidas de ardósia, diamante e serpentino industrial; cerca de 75% das reservas nacionais medidas de enxofre e zinco; 65% das reservas nacionais medidas de chumbo; Bom potencial (entre 20 e 50% das reservas nacionais medidas) de cristal, gema, quartzo, ouro, granito, ferro, calcário, mármore e urânio.
Disponibilidade hídrica: O São Francisco responde por 69% da disponibilidade de águas superficiais do Nordeste.

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Ao Navegante

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(Ao assumir a Presidência da República, em 15 de março de 1990, Fernando Collor inovou no marketing pessoal, no exagero ao culto da personalidade e nas suas loucuras por água, por terra e por ar.)



AO NAVEGANTE


Silvestre Gorgulho


Collor que busca aventura
N´água, na terra e no ar
Agora quer muito mais:
Vai voar num Mirrage,
Deixando o som para trás.


Mas se cuide, oh Presidente,
E veja o que você faz.
Esse pessoal também erra
E seus erros são fatais.


Tenha muita paciência
E pense um pouquinho mais:
O Iraque em plena guerra
Perdeu bem menos Mirrage
Do que o Brasil na Paz!


 

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Poesias

Aconcágua serás!

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(Poesia feita por ocasião da morte dos três alpinistas brasileiros – Mosart Catão, Othon Leonardos e Alexandre Oliveira – que morreram no dia 03 de fevereiro de 1998, quando tentavam o feito inédito de chegar ao cume do Monte Aconcágua pela face sul. Essa poesia foi capa da Folha do Meio Ambiente, edição Ecoturismo – Março de 1998)


 


Aconcágua serás! 


 Silvestre Gorgulho



Meu fascínio é teu desafio
e ambos são os preços para tua glória.
Fascínio e desafio são minhas oportunidades
para fazer amigos e heróis.
Amigos: aqueles que chegam aqui em cima, me acariciam e voltam.
Heróis: aqueles que aqui permanecem
e que, por todo o sempre, dormirão ao meu lado,
dividindo comigo magias e encantos.


Eu sinto falta de meus amigos,
aqueles que me visitam e retornam às suas casas.
Sentirás falta de teus amigos,
aqueles que aqui plantam sua morada.
Não chores por eles.
São meus heróis. Meus escolhidos.
Serão sentinelas brancas,
marcando o território de suas pátrias.
Serão Aconcáguas como eu.


Neste meu céu, sem pássaros e sem flores,
sem o vôo solitário do Condor,
minha natureza é o ar, a pedra, a neve e meus alpinistas.
Sim, meus 85 alpinistas, meus 85 heróis,
que como Mozart, Alexandre e Othon
deram um tempo na sua escalada
e quedaram neste céu para sempre.
Todos eles buscaram a glória. E a tiveram.
Venceram o ermo e a solidão.
Cada um deles tem consigo a bandeira congelada de sua Pátria
que seria desfraldada em calorosas emoções, risos e lágrimas.


Montanhista!
Ao beijar a minha testa,
terás o mundo a teus pés.
Mas, se por acaso, o destino
deixar que repouses ao meu lado,
dorme… dorme, meu herói!
Dorme tranqüilo que velarei por ti eternamente…
Aconcágua serás!


 

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Miragem

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MIRAGEM


 Silvestre Gorgulho


 Existem horas que o viver só traz
Triste vazio em minh’alma aflita:
É um remorso que chorar me faz
É uma luta procurando paz,
Ou uma saudade que em mim habita.


São horas duras recordando um não
Ou com o pensar em algum sim não dito;
Por tantas coisas quero a solidão 
Para sofrer eu só a desilusão
De um momento que me deixa aflito.

Segredos que a ninguém eu digo
Por mais que eu queira explicar o meu ser.
Vivo a confiá-los a um Deus amigo
Só Ele sabe o que se vai comigo,
Só Ele então pode compreender…
    
 … Já à tardinha num degrau da escada
Todo concentrado com esse cismar,
Tendo a cabeça na mão apoiada,
O olhar bem fixo numa flor pisada
E o coração não sei onde foi pousar…


Inebriado nesta paisagem


Pela vidraça, despertado, vejo
Entre as cortinas tão bela miragem
Unindo os dedos esta linda imagem
Estalou-me, então, um gostoso beijo.


 


 


(Belo Horizonte, maio de 1967)

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