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Ambientalista do Quênia ganha Nobel da Paz

De tanto plantar árvores, Wangari Maathal colheu o prêmio mais importante do mundo

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Silvestre Gorgulho, de Brasília


A bióloga queniana Wangari Maathal acaba de provar que não é só quem evita as guerras é quem promove a paz. Também quem cuida do meio ambiente, planta árvores, defende as águas e conscientiza seu povo para o valor da natureza é promotora da paz. Wangari Maathal, 64 anos, fundadora em 1977 do Movimento Cinturão Verde, um programa que proporcionou o plantio de mais de 30 milhões de árvores no Quênia, foi escolhida pelo Comitê Nobel Norueguês para receber a mais importante comenda do mundo: o Prêmio Nobel da Paz. Além do valor político e social da premiação, há o valor material de US$ 1,36 milhão. A ONG de Wangari Maathal atua em nove regiões do Quênia e a partir do incentivo ao plantio de árvores por mulheres pobres, busca desenvolver entre os quenianos uma consciência de luta pela melhoria das condições de vida, sempre associada aos cuidados com o meio ambiente.


Na sua primeira entrevista, depois de comunicada sobre a escolha do Prêmio Nobel, Maathal tomou duas atitudes: primeiro fez questão de plantar mais uma árvore no jardim do hotel Outspan, onde recebia os cumprimentos, e declarar para os jornalistas presentes que “quando plantamos árvores, plantamos a paz!”.


Para o Comitê Norueguês do Nobel, Maathai está na vanguarda da luta pela promoção de um desenvolvimento social, econômico e cultural ecologicamente viável no Quênia, e em toda a África. Ela tem uma visão holística do desenvolvimento sustentável, que abrange a democracia, os direitos humanos, especialmente, os direitos da mulher. Maathai faz o típico trabalho recomendado em todas as Conferências de Cúpula das Nações Unidas: “pensar em termos globais e agir em termos locais”.


Política
Maathai tomou posição corajosa na luta contra o antigo regime opressor no Quênia. Seu modo único de ação contribuiu para chamar a atenção para a política de opressão, tanto a nível nacional como internacional. Ela tem sido fonte de inspiração para muitos na luta pelos direitos democráticos, encorajando as mulheres, especialmente, a melhorar sua situação. A verdade é que a ativista queniana sabe combinar ciência, engajamento social e política. Mais do que simplesmente proteger o ambiente existente, sua estratégia visa assegurar e fortalecer a base de um desenvolvimento sustentável.


Wangari Maathal fundou o Movimento do Cinturão Verde (Green Belt Movement), pelo qual, por quase 30 anos, tem mobilizado mulheres pobres a plantarem 30 milhões de árvores. Seus métodos foram adotados também por outros países.


Proteger as florestas contra os processos de desertificação é um ponto crucial na luta para fortificar o meio ambiente e a vida em nosso planeta. Atuando em quatro direções (educação, planejamento familiar, alimentação e luta contra a corrupção) o Movimento do Cinturão Verde tem pavimentado o caminho para o desenvolvimento.


O Comitê Norueguês do Nobel, ao escolher Maathai para receber o Nobel da Paz, ratificou sua posição de que a líder queniana é porta-voz das melhores forças da África, para promover a paz e boas condições de vida no continente. “Ela serve como exemplo e fonte de inspiração para todos aqueles que lutam pelo desenvolvimento sustentável, democracia e paz”. O Prêmio será entregue no dia 10 de dezembro, em Oslo, quando é lembrado o aniversário da morte de Alfred Nobel.


 
















Em 2002, Wangari Maathal foi eleita para o parlamento do Quênia com 98% dos votos, sendo então escolhida pelo governo para ser a vice-ministra do Meio Ambiente



FRASES de Wangari Maathal

“O prêmio vai ter um grande efeito no aumento da conscientização e do número de pessoas preocupadas com o meio ambiente. E deve aumentar também os direitos dos ecologistas porque agora os governos dos diversos países verão mais concretamente a importância do trabalho de quem luta pelo meio ambiente”.

“Eu já fui presa várias vezes. Recebi muitas pancadas pelo meu trabalho. Não quero revolução, quero apenas defender o meio ambiente, plantar árvores, porque com o equilíbrio da natureza aumentamos as nossas chances de sobrevivência”.


“Como vice-ministra do governo quero promover uma luta pelas árvores, pela natureza, pelos animais, pelo direito das mulheres e das minorias”.


“Quando falava com as mulheres simples do campo – aqui no Quênia as mulheres são as principais responsáveis pelo trabalho na agricultura – elas reclamavam que não tinham mais lenha porque não havia mais árvores. Aí pensei comigo: e se todos nós começarmos a plantar árvores? Resolvemos esse problema e melhoramos a qualidade do solo, combatendo a erosão, e melhoramos também o ar que respiramos. Até hoje, já conseguimos plantar 30 milhões de árvores, não só no Quênia, mas também em alguns países vizinhos que aderiram a Movimento Cinturão Verde”.


“Cada região do mundo tem uma luta diferente. Mas todos têm a preocupação ecológica. Acompanhei o que acontecia na Europa, de onde tiramos inspiração para criar o nosso Partido Verde. No Brasil, acompanhei também o trabalho de Chico Mendes, que lutou pela preservação da floresta Amazônica. Chico Mendes também mereceu o prêmio. E acompanhei também, com satisfação, a democratização do Brasil, um país que admiro, e gostei muito de ver um partido de esquerda e defensor dos direitos humanos chegar ao poder”.


“As guerras no mundo são sempre guerras por disputa de recursos naturais. Ao defender o meio ambiente, plantamos a paz!”

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Meu amigo Orlando Villas-Bôas seu nome é paz!

Carta de saudade

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A vida ensina sempre. Ensinou a você, Orlando, Álvaro, Leonardo e Claudio, ensina a mim e ensina aos nossos filhos. Uma das coisas que aprendi é que só a saudade faz a gente parar no tempo. Sua despedida neste 12 de dezembro 2003, me fez voltar ao mesmo dezembro de 1972, quando você, que tinha acabado de chegar das margens do rio Peixoto, no Xingu, onde contactava os Krenhacãrore, pegou uma kombi em São Paulo e foi para Belo Horizonte paraninfar a turma de Comunicação da UFMG 1972. Por três dias ficou hospedado na minha “república” no 26ª andar do edifício JK, na praça Raul Soares.

À véspera da formatura, 20 de dezembro de 1972, meus 29 colegas e eu tivemos uma verdadeira Aula Magna de Brasil. Foi a mais importante aula dos meus quatro anos de universidade. A aula que direcionou meu caminhar profissional: o jornalismo de meio ambiente. Éramos 30 formandos que, na véspera da grande festa, sentamos no chão do meu apartamento, em círculo como nas tribos, para embevecidos escutar você falando de florestas, de índios, de brancos, de rios, de solidariedade e de bichos.

Sua primeira lição foi, para mim, ex-seminarista, um susto:

“Desde o Descobrimento o homem branco destrói a cultura indígena. Primeiro para salvar sua alma, depois para roubar sua terra”.

Depois vieram as perguntas para matar nossas curiosidades. Suas respostas doces, duras e definitivas vinham aquecidas pela vasta vivência de décadas na Amazônia, como último dos pioneiros da saga da expedição Roncador/Xingu. Eram ouvidas com máxima atenção:

“Foram os índios que nos deram um continente para que o tornássemos uma Nação. Temos para com os índios uma dívida que não está sendo paga”.

“Não fosse a Escola Paulista de Medicina, a Força Aérea Brasileira e a nossa teimosia, muitas tribos já teriam sido aniquiladas”.

“O Serviço de Proteção ao Índio, no Brasil, nunca teve lugar seguro: começou no Ministério da Guerra, com o Marechal Rondon. Depois foi transferido para o Ministério da Agricultura, estagiou no Ministério do Interior e estacionou no Ministério da Justiça. Como o próprio índio, esse serviço parece um estorvo”.

“O índio só pode sobreviver dentro de sua própria cultura”.

 

AMIGO ORLANDO, você junto com Leonardo, Álvaro e Cláudio, irmãos aventureiros na solidariedade, sempre devem estar relembrando histórias fantásticas. Para os índios, vocês vão se juntar ao Sol e ao trovão para virar lenda. E, para os brancos, deixam uma lição de vida e de coragem.

Das lições daquela noite de 20 de dezembro de 1972, eu guardo uma muito especial. Em vez de ensinar, o homem branco deveria ter humildade para aprender. Você falava da harmonia em uma tribo:
“O velho é o dono da história, o homem é o dono da aldeia e a criança é a dona do mundo”.

 

Meu amigo, obrigado pelas lições dadas há exatos 49 anos.

Obrigado por você ter me apresentado o Brasil e ensinado a ser brasileiro.

Nunca mais vou esquecer que para a criança ser a dona do mundo, nós temos que seguir seu exemplo de garra, de audácia e de aventura para defender nossas culturas, conservar nossa diversidade, preservar nossas florestas, proteger nossos rios e contactar sempre em nome da paz.

A PAZ não se pode manter pela violência e pela força, mas sim pelo respeito, pela tolerância e pela serenidade.

 

MEU AMIGO ORLANDO VILLAS-BÔAS. SEU NOME É PAZ!

 

 

 

 

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Primeira brigada comunitária de São Pedro de Joselândia, no Pantanal de MT, será formada neste fim de semana

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Sesc Pantanal

SOS PANTANAL

SESC PANTANAL APOIA PRIMEIRA BRIGADA COMUNITÁRIA
Treinamento da SOS Pantanal, em parceria com o Polo Socioambiental Sesc Pantanal, acontece nos dias 19, 20 e 21 de junho
Começa neste final de semana, o treinamento para a formação da primeira brigada comunitária de São Pedro de Joselândia (171 km de Cuiabá), distrito de Barão de Melgaço, no Pantanal mato-grossense.
A turma de 28 pessoas, que inclui moradores e guarda-parques da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN Sesc Pantanal), faz parte da iniciativa do Instituto SOS Pantanal para estabelecer 28 brigadas no bioma.
São Pedro de Joselândia faz divisa com a RPPN, unidade do Polo Socioambiental Sesc Pantanal que é parceiro da ação e responsável pelos equipamentos doados pela SOS Pantanal em benefício da comunidade. A RPPN Sesc Pantanal é a maior reserva natural privada do país, com 108 mil hectares, e também está localizada no município de barão de Melgaço.
COMBATE À INCÊNDIOS FLORESTAIS
As brigadas serão treinadas com apoio do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos recursos naturais renováveis (Ibama), em convênio com a SOS Pantanal. Também apoiam o treinamento o Corpo de Bombeiros e o Serviço Florestal dos Estados Unidos.
A capacitação consiste em duas etapas. A primeira é uma parte teórica, onde são passadas as instruções e os procedimentos para organização das equipes durante o combate. A segunda é a parte prática, onde os brigadistas aprendem no campo como funciona o combate às chamas.
BRIGADAS PANTANEIRAS
Durante os meses de junho e julho, a SOS Pantanal capacitará cerca de 200 brigadistas, em 8 municípios diferentes de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. As brigadas estão espalhadas nos principais pontos onde historicamente o fogo é mais intenso e recorrente.
SESC PANTANAL
Com 20 anos de experiência na prevenção e combate a incêndios no Pantanal, a Brigada Sesc Pantanal também fará parte da formação. A instituição já realizou no mês de maio a sua capacitação anual de novos brigadistas, em Poconé e Barão de Melgaço, que faz parte das ações preventivas do Polo para a temporada da seca no bioma. Realizada em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Mato Grosso, a formação foi destinada a 40 pessoas, entre guarda-parques, funcionários de fazendas e comunidades rurais e pantaneiras.

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Como será o trânsito do futuro?

Para pensar soluções estratégicas, o Detran-DF terá um centro de inovação tecnológica

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Impulso tecnológico por uma Brasília mais moderna – Agência Brasília

 

O Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) avança mais uma etapa no processo de modernização e transformação digital e começa a desenhar seu futuro no campo da tecnologia com a inauguração do Centro de Inovação Tecnológica – CITDetran.

A nova instalação do Detran, no Edifício de Governança do Parque Tecnológico de Brasília – BioTIC, irá abrigar uma parte da Diretoria de Tecnologia da Informação e Comunicação (Dirtec), que terá como prioridade construir uma agenda de desenvolvimento tecnológico voltada, exclusivamente, para pensar o trânsito da capital para as próximas décadas, de forma inovadora e estratégica. Lá será o centro de criação de soluções que irão transformar o dia a dia do trânsito.

“É disso que o Departamento de Trânsito necessita: olhar para o futuro, pensar como será o trânsito daqui a 10 ou 20 anos. E para isso precisamos nos antecipar”, declarou Zélio Maia, diretor-geral do Detran-DF, que quer desenvolver novas tecnologias o mais rápido possível para enfrentar o trânsito cada vez maior e mais complexo do Distrito Federal.

E para o diretor de Tecnologia do Detran, Fábio de Souza, não é apenas uma mudança institucional, mas um novo modelo de desenvolvimento para todo o Departamento. “E não há nada melhor para se fazer isso do que estar em um ambiente de inovação”, explica Fábio, fundamentando a escolha pela Biotic que será, num futuro próximo, o principal polo de desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação do Distrito Federal e que permitirá o estímulo, criação e consolidação dos projetos do Detran, além de possibilitar que as pesquisas se transformem em negócios, assim como estímulo ao desenvolvimento de ações que dinamizem o processo de geração de novos empreendimentos em tecnologia.

 

 

 

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SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A, Sala 719
Edifício Centro Empresarial Brasília
Brasília/DF
rodrigogorgulho@hotmail.com
(61) 98442-1010