Gente do Meio

Araquém Alcântara

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 Águas do Araquém
Araquém Alcântara volta a encantar ao registrar a exuberância de rios, lagos e cachoeiras de Norte ao Sul do Brasil

Silvestre Gorgulho

Araquém Alcântara fez 33 livros individuais e 22 em co-autoria. Colecionou três prêmios internacionais e 33 nacionais. Em todos seus livros, Araquém mostra a alma, o corpo e os segredos da exubernte natureza tropical brasileira. Adélia Prado já ensinou: “o que os olhos vêem e o coração ama, vira eterno”. E Araquém presta este serviço às florestas, águas, bichos e povo deste País: ele faz com que cada pedacinho do Brasil fique eterno na retina de quem folheia seus livros.
 Com prefácio do ministro Gilberto Gil, da Cultura, e textos de Otávio Rodrigues, Araquém Alcântara continua a mostrar as novas geografias do Brasil. Os livros “Águas do Brasil” e “Chapada Diamantina” (Editora TerraBrasil) são documentos que registram as belezas naturais do Brasil.
    “Se nada for feito já pela preservação das nascentes e da natureza, as próximas gerações vão nos julgar como, no mínimo, coniventes e assassinos. A destruição acontece a cada minuto.

Precisamos fazer alguma coisa”, diz o autor. 
Araquém Alcântara nasceu em Florianópolis – SC, mas fez toda sua vida profissional em Santos-SP. Não há gruta, caverna, parque nacional, reserva ecológica, montanha, rio ou lago que ele não tenha visitado e documentado. Raptado pelos caiapós, visitado por malárias, pulando cobras, colhendo flores, fugindo de onças, seguindo aves e se protegendo de mosquitos, Araquém não tem mais adversidades a temer.

A todas respondeu com carinho e gratidão: fotografou e trouxe para o conforto de nossa casa tudo que viu de belo e exótico. Documentou as belezas naturais do Brasil colocando o coração na ponta de sua teleobjetiva.

 Águas do Brasil
Projeto gráfico
de Victor Burton e Ângelo Bottino.
Edição bilíngüe português-inglês,
formato 30 cm x 24 cm, 224 páginas.
Preço: R$99,00
Chapada de Diamantina
Editora TerraBrasil
Edição bilíngüe português-inglês,
formato 30 cm x 24 cm, 192 páginas.
Preço: R$99,00
 

   



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Gente do Meio

Fernando Pessoa

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Um fingidor que é enigma em Pessoa

Fernando Pessoa é gênio. E sua genialidade não coube apenas num só poeta. Fernando Pessoa são vários. Daí, tantos heterônimos. Nos tempos de África do Sul, alfabetizado em inglês, criou os primeiros heterônimos: Charles Robert Anon e H. M. F. Lecher. Criou até um especialista em palavras cruzadas: Alexander Search. Depois vieram os heterônimos que entraram para a história: Alberto Caeiro (ingênuo guardador de rebanho – poeta da natureza) Álvaro de Campos (engenheiro, um poeta de fases e influenciado pelo simbolismo). Ricardo Reis (erudito que insistia na defesa dos valores tradicionais, na literatura e na política). E Bernardo Soares, um tipo especial de semi-heterônimo.Alberto Caeiro era considerado o mestre de Álvaro Campos e de Ricardo Reis. Aliás, do próprio Pessoa. Para o poeta mexicano Octavio Paz (Premio Nobel Literatura 1990) a biografia dos poetas é sua obra. E Pessoa deixou uma fantástica obra. Tinha um viver pacato, mas passou a vida criando outras vidas. “Era o enigma em pessoa”. Comparado a Luiz de Camões, Fernando Pessoa deixou um legado para a Língua Portuguesa como jornalista, publicitário e poeta.

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

………

As gaivotas, tantas, tantas,
Voam no rio pro mar…
Também sem querer encantas,
Nem é preciso voar.

……

“Minha Pátria é a Língua portuguesa”.

……

“Criei em mim várias personalidades. Crio personalidades constantemente. Cada sonho meu é imediatamente, logo ao aparecer sonhado, encarnado numa outra pessoa, que passa a sonhá-lo, e eu não.”

……

 “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”.

MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

————————

Saiba Mais

O que é heterônimo, homônimo e pseudônimo?

Heterônimo A palavra vem do grego: heteros = diferente onyna = nome. Heteronímia é o estudo dos hererônimos ou seja, estudo de autores fictícios. Heterônimo então é uma personagem fictícia, criada por alguêm, mas com vida quase real, com biografia própria, totalmente diferente de seu criador. O criador de hetêrônimo, como Fernando Pessoa, é chamado de ortônimo.

Homônimo (homos = igual + onyma = nome) Pessoa que tem o mesmo nome de outra. Ou, palavras que se pronuncia e/ou escreve da mesma forma que outra, mas de origem e sentido diferentes.

Pseudônimo significa nome falso, ou seja, um nome fictício usado por alguêm como alternativa ao seu nome legal.

 

silvestre@gorgulho.com

dezembro de 2009

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Gente do Meio

Carlos Alberto Ribiero de Xavier

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Natureza, economia e cultura


Silvestre Gorgulho


Naquela fazenda de Curralinho, tão distante, no tempo e no espaço, o homem era um dos elementos da natureza, da criação. Hoje, sob o pomposo nome de “desenvolvimento auto-sustentado” se buscam modelos daquilo que, ali, era o universo quotidiano daquela gente. Gente parte pedra, parte planta, parte bicho: parte Deus, pois nele o espírito se agigantava, conduzindo seus humanos sonhos em direção a iluminados conceitos de liberdade, de igualdade. Houvera aquele animoso alferes cujo sangue tingira as páginas da história do Brasil. Perseguiam-se, desde então, os que assinavam Xavier, forçando-os a abominar seu próprio nome, anatematizado pela opressiva Coroa Portuguesa. Aqueles Xavieres de Casa Branca, no isolamento de sua fazenda, não se intimidaram com a propalada condenação de cinco gerações de toda a parentela. Não renunciaram ao nome, tornado agora ainda mais honroso.


Embora distanciados da sociedade, os Xavieres nada tinham de incultos. Ouro Preto, a primeira urbis, integrava o meio rural, apesar das distâncias e das montanhas. Não havia esse abandono tão grande da gente do campo, que se verifica, ainda em nossos dias, provocando a sempre crescente diáspora para as cidades. Ao se esgotarem as fartas reservas do ouro, as famílias nobres se retiravam para os campos, levando toda a sofisticada herança cultural acumulada na cidade. Refugiadas, agora em paragens longínquas, suas vidas não se limitavam às condições rurais. Antes, se abriam para uma cultura interior extremamente rica.


Intimamente integrados à natureza e à história, com a segurança de quem pisa sua própria terra, sabiam como utilizá-la sem degradá-la. O patrimônio se preservava graças ao respeito a seus valores históricos, culturais e naturais. O conceito de economia e ecologia não de dissociavam.


O legado material se transmitia de forma conjunta com uma educação refinada que não excluía uma natural delicadeza, que fazia com que, por exemplo, um fazendeiro comunicasse com bastante antecedência aos vizinhos que as águas do rio abaixo, de uso comum, estariam turvadas em tal dia, porque o gado iria atravessá-las. O uso equilibrado do patrimônio natural disponível, incluía a manutenção espontânea de reservas, proteção de nascentes, pesquisa de jazidas, consórcio para criação intensiva e engorda de gado em pastos comuns e exploração da melhor vocação dos terrenos. Desconhecia-se a monocultura, pois já se fazia consórcio de culturas, sucessão de plantios, variação de espécies, intercalando épocas de descanso para a terra.


Talvez essa origem explique a sólida e eclética formação de Carlos Alberto Ribeiro De Xavier, economista, ecólogo, pioneiro da Educação Ambiental no Brasil ao introduzi-la no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, do qual foi o mais jovem diretor; profundamente ligado à História e ao patrimônio histórico, à natureza e ao meio antrópico. Seu currículo ora o situa em altos cargos nos ministérios do Meio Ambiente, da Cultura, da Educação, ou no Conselho Nacional do Meio Ambiente, ora o conduz a importantes missões oficiais, como, neste momento, a Comissão Nacional para Comemoração do 5º Centenário do Descobrimento do Brasil e a Comissão Bilateral Executiva para as Comemorações do 5º Centenário da Viagem de Pedro Álvares Cabral.


No Ministério da Cultura foi Secretário de Intercâmbio e Cooperação Internacional, Secretário de Planejamento, Responsável pela área do Direito Autoral, do Cinema e do Audiovisual, Chefe de Gabinete do Ministro e, no momento mais difícil para a área cultural, durante o governo Collor, foi-lhe confiada a responsabilidade pelo Patrimônio Cultural do Brasil, exatamente quando todos os órgãos vinculados ao Ministério da Cultura haviam sido extintos e uma ação popular, movida por expoentes da intelectualidade nacional cobravam do presidente da República a volta do status quo ante. Nessa extraordinária condição, presidiu o Conselho Consultivo do Patrimônio e não ficou só na obrigatória rotina de deliberar sobre processos de tombamento ou contratar obras de restauração, encaminhou ao Senado Federal projeto de lei para o retorno do Iplan, por decisão unânime do Conselho.


Entre as mais diferentes missões oficiais, hei-lo representando o Brasil em encontros internacionais: fazendo conferências no Japão sobre patrimônio genético e sobre migração de plantas; em Portugal negociando a vinda de acervos de obras de arte para o Brasil; em Washington, falando sobre Tiradentes na Biblioteca do Congresso Americano ou participando de Conferência sobre Saúde; em Cuba, falando sobre os Libertadores das Américas; no Chile, representando o Brasil em reunião de Ministros da Educação ou participando de Seminário Mundial sobre Desenvolvimento Social.


Lutando por causas quase sempre desprezadas ou difíceis, defendendo direitos de minorias, dos indígenas ou da criança e do adolescente. Ocupa postos como o da Comissão do Tricentenário de Zumbi dos Palmares, ou, mais recentemente, do Grupo de Trabalho para Valorização da População Negra.


Carlos Alberto Ribeiro De Xavier colocou em prática uma visão pioneira de defesa do meio ambiente. Seu trabalho integra os conceitos de meio ambiente, de cultura e de educação, transcendendo as posturas compartimentadas que não logram uma visão holística do mundo. Justamente porque para ele nunca houve antagonismo entre o homem, a vida e a terra, Carlos Xavier é Gente do Meio e recebe, com toda justiça a homenagem da equipe da Folha do Meio Ambiente.


 

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Gente do Meio

Eurico Cabral de Oliveira – Um dos pioneiros da ficologia no Brasil

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Silvestre Gorgulho

 

A sabedoria dos novos está em saber valorizar as conquistas dos velhos, dos pioneiros e dos desbravadores. Só se conquista plenamente o que se conhece plenamente. O esforço e a abnegação daqueles que dedicaram sua vida na busca do conhecimento, em desvendar a natureza e, sobretudo, no trabalho de se passar esses conhecimentos para as novas gerações, é sublime, pois esse é um legado fundamental para o progresso da ciência e o bem estar da humanidade.

Desde o Descobrimento, muitas caravelas e outras embarcações que cruzavam o Atlântico na direção dos Brasis, traziam aventureiros que vinham à procura do Eldorado, das novas riquezas então difundidas na Europa. Nos séculos 16, 17 e 18, era comum na Europa a expressão “fazer brasil” que significava vir ao novo mundo para um enriquecimento rápido, com a exploração de madeiras, da cana-de-açucar, do ouro e das pedras preciosas para, depois da acumulação retornar e viver uma vida abastada. Todos eles passavam por sobre outra riqueza, até hoje, praticamente inexplorada: a flora e a fauna marinhas da imensa costa brasileira.


Somente no século 19 começaram a ser descritas as espécies da flora marinha e das águas interiores, a ficologia, O pesquisador francês Antoine Lorrant Apollinee Fee, pesquisou no Brasil e deixou uma importante coleção de algas, fungos e liquens, – o Herbier Du Fee – que foi doada a D. Pedro II e hoje está no Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Mais recentemente, se retomou o estudo sistemático das algas com a formação de novos pesquisadores, graças à capacidade do pioneiríssimo dr. Aíthon Brando Joly, professor da USP. Falecido precocemente, sempre trabalhou com a dedicação dos vocacionados, abnegados e formou, pelo menos, cinco grandes pesquisadores em algas no Brasil, que, por sua vez, lideraram novos grupos: os professores Carlos Bicudo – especialista em algas de água doce – a professora Marilza Cordeiro Marino, o professor Luiz Rios de Moura Barbosa, a professora Yocie Yyoneshigue Valetin e o professor Eurico Cabral de Oliveira Mas, não esqueçam esse nome: professor Eurico Cabral de Oliveira, livre docente e professor titular do Instituto de Biociências da USP, que merece um destaque todo especial, entre seus colegas ficólogos.


O professor Eurico não ficou apenas na taxinomia – descrição e denominação das espécies –, iniciou várias linhas de pesquisa em ecologia, fisiologia, maricultura e ficologia aplicada. Abriu os caminhos para passarem seus pupilos, ministrando, desde 1964, Morfologia e Anatomia Vegetal, Taxinomia Vegetal, Criptógamas, Fisiologia e Ecologia Vegetal. Na pós-graduação ensina Taxinomia Avançada de Algas Marinhas, Biologia e Ecologia de Algas e o cultivo de Algas Marinhas na USP, na Unesp e na Universidade de Mar del Plata, na Argentina. Já orientou dezenas de estagiários, mestrados, oito doutorados e um pós-doutorado, no Brasil e no exterior. Fez seu pós-doutorado no País de Gales e foi pesquisador visitante do Atlantic Research Laboratory em Halifax, Canadá.


O dr. Eurico Cabral de Oliveira, participa de todos os organismos científicos internacionais importantes de sua área, é membro de Comitês Editoriais de publicações do Brasil, da Alemanha, do Canadá, da França, do Chile, da Argentina, do Uruguai, da Venezuela e de outros países. Sempre presente nas atividades mais importantes do país, quando o assunto são as algas. Tem participado da revisão de trabalhos e livros de pesquisadores estrangeiros e várias de suas publicações tem sido citadas em livros textos publicados no exterior.


Ultimamente, podem ser citadas como grandes realizações do dr. Eurico as seguintes iniciativas:


l. a formação do “Grupo de Pesquisadores de Algas” do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, sob a orientação da professora Yocie Yoneshigue Valetin, que recuperou o acervo histórico, desenvolvem diversos projetos e já dispõe de um Laboratório de Cultivo de Algas. O grupo é composto pela doutora Elizabeth M. Figueiredo Creed, pelo Doutor Gilberto Meneses Amado Filho e pela Mestre Renata Perpétuo Reis;


2. o memorial e as justificativas para criação do Parque Nacional de Abrolhos (mais importante formação de corais do Brasil), e da Reserva Biológica de Atol das Rocas (área de pouso de aves migratórias, próxima a Ilha de Fernando de Noronha);


3. a fundação da Sociedade Brasileira de Ficologia e da Revista Brasileira de Botânica;


4. a criação e o desenvolvimento de um grupo de trabalho de Ficotecnologia no IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo;


5. a atuação decisiva, como consultor técnico, para a criação e implantação da Cialgas, empresa comercial destinada à produção de mucilagens de algas, pela primeira vez no Brasil.


Por seu entusiasmo, descortino, desprendimento e por sua generosidade em dividir seus conhecimentos com os novos, dr. Eurico Cabral de Oliveira é Gente do Meio e recebe, com toda justiça, a homenagem da equipe da Folha do Meio Ambiente.


 

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Reportagens

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