Reportagens

Expedição às nascentes do rio Parnaíba

Está comprovado: problemas em toda a bacia, embora escassamente povoada, sofreu a colonização pela corrida do boi e pela corrida da soja. Nem o Parque Nacional das Nascentes, criado por FHC, saiu do papel

Silvestre Gorgulho,
de Brasília – Expedições cumprem um ritual
de vida. Nunca morrem, diz Geraldo Gentil
Vieira, um apaixonado pelas questões
ambientais e que vem se dedicando em pesquisa
sobre recursos naturais e expedições.
Além da Expedição Américo
Vespúcio, foi o único técnico
do governo federal a participar da expedição
Parnaíba Vivo, que percorreu o mais
importante rio piauiense das nascentes até
o famoso delta, no Atlântico. Nós
da Folha do Meio Ambiente embarcamos em muitas
expedições nos 16 anos de vida
o jornal. Relatos destas expedições
não são feitos para ficar engavetados.
São sempre propostas vivas, inteligentes
com diagnósticos precisos de lugares
inusitados. Pelas páginas deste jornal
passaram muitas expedições ambientais
e científicas. Foram expedições
sobre o Jalapão em Tocantins, sobre
o Pantanal Matogrossense, sobre o rio Araguaia
e a Ilha do Bananal e sobre a nascente e foz
do rio Amazonas, de Roberto e Paula Saldanha.
Foram as expedições do engenheiro
Henrique Halfeld, sobre o rio São Francisco,
e do francês Emmanuel Liais, sobre o
rio das Velhas, ambas encomendadas por Pedro
II. Também foram as expedições
Américo Vespúcio, organizada
pelo próprio Geraldo Gentil, a expedição
pelo Deserto Vermelho de Gillbués (Piauí)
e a “Viagem poética ao sertão
roseano”, quando Cuia Guimarães
e Marcus Vinicius Andrade saíram à
vã pelo sertão de Minas Gerais,
redescobrindo paisagens e personagens do Parque
Grande Sertão Veredas. A estas expedições
citadas aqui e a tantas outras não
citadas por falta de espaço, soma-se
a aventura de quinze expedicionários
descendo de ponta a ponta o rio Parnaíba,
o Velho Monge.

Folha do Meio – Você
participou da exploração de
dois rios importantes: o rio São Francisco
e o rio Parnaíba. Foram os rios que
passaram em sua vida?
Geraldo Gentil –
É, eles não
só passaram como entraram na minha
vida. E eu na deles. A verdade é que
ainda me sinto como uma gota d’água
no rio, pelo muito a ser feito. Mas gratificante,
mesmo, foi ter participado, nos albores do
século 21, de duas grandes expedições:
“Parnaíba Vivo”, em abril
e maio de 2001, e “Américo Vespúcio”,
em novembro e dezembro de 2001, no rio São
Francisco. Ambas as expedições
foram inéditas, pois navegamos de ponta
a ponta os dois maiores rios que banham a
região Nordeste. Expedições
nunca morrem. Cada vez que navegamos um rio
sua história é recontada, já
dizia o grego Heráclito: “Não
atravessamos um rio duas vezes, porque tanto
eu como o rio já não somos os
mesmos”.


Quem é Geraldo Gentil Vieira(foto)
Engenheiro agrônomo, Geraldo Gentil
é bem conhecido de nossos leitores.
Observador atento e técnico respeitado,
Gentil Vieira está sempre escrevendo
para o jornal explicando detalhes, comentando
reportagens e sugerindo temas de interesse
coletivo.
Gentil formou-se em agronomia pela Universidade
Federal de Lavras (1975) e se especializou
em Irrigação e Solos pelo
Instituto Interamericano de Ciências
Agrícolas-IICA/FAO/Codevasf e
Solos/Recuperação de Desertos
pelo The Egyptian International Centre
for Agriculture-EICA, Cairo, Egito.
Nasceu em Iguatama-MG, uma das 10 cidades
das cabeceiras do rio São Francisco,
e foi o idealizador e coordenador técnico
da Expedição Américo
Vespúcio, que percorreu o Velho
Chico da nascente ao Atlântico.
Foi esta expedição que
selou a verdadeira nascente do rio São
Francisco, no Planalto do Araxá,
em Medeiros-MG. (Folha do Meio Ambiente,
edição 146/ abril/ 2004
e edição 147/maio/2004).

Geraldo Gentil foi o único técnico
do governo federal a participar da expedição
Parnaíba Vivo, que percorreu
o mais importante rio piauiense das
nascentes até o famoso delta,
no Atlântico.
Email:
geraldogentil@hotmail.com

FMA – Qual foi sua motivação
para organizar a expedição de
exploração ao Parnaíba?
GG –
Não, não fui eu
o idealizador. Participei como convidado e
observador (e muito aprendi com eles) pela
Codevasf. Os organizadores foram o juiz Marlon
Reis, a advogada Rosane Ibiapino e o Centro
de Defesa das Nascentes do Parnaíba
[CDPar]. Foi uma oportunidade única
para conhecer o rio e suas cidades ribeirinhas,
sua gente, sua vida, seu folclore, sua economia,
junto a uma equipe de alto nível, tanto
técnico quanto representativo das comunidades
que espontaneamente embarcavam e desembarcavam
no porto seguinte. Sem deixar de lado o real,
vejo as expedições também
pelo lado do imaginário. Só
assim vale a pena embrenhar-se rio a dentro…

FMA – Vamos à
expedição. Quanto tempo durou,
como foi a travessia da barragem de Boa Esperança
e que descobertas foram realizadas?
GG –
Foram 22 dias de descida, desde
Alto Parnaíba, no Maranhão,
Santa Filomena, no Piauí, até
Parnaíba e Luiz Correia, além
de Araiozes e ilha de Santa Isabel, no delta.
Um delta que é um éden de canais,
igarapés, ilhas, mangues e dunas. Navegávamos
das sete da manhã até pelas
seis da tarde. Os pernoites eram no barco
ou em hotéis das cidades ribeirinhas.
Passei até por Nova Iorque. Quem estava
a bordo era o jornalista Francisco José,
da TV Globo. Aliás, ele até
gravou um Globo Repórter da Nova Iorque
piauiense, comparando o maior edifício
da cidade, uma padaria de dois pisos, com
o Empire State Building e as Torres Gêmeas,
que daí a quatro meses desabaram. Também
enviei um postal para minha filha Luana com
o carimbo de NY…

FMA – E a viagem?
GG –
Olha, navegando o lago de Boa
Esperança de Uruçuí a
Porto Alegre, e daí a Nova Iorque e
Guadalupe, cruzamos a grande barragem num
arriscado traslado do barco PIPES Navegação.
O barco era de um verdadeiro herói
brasileiro, anônimo, chamado Pedro Iran
Pereira Espírito Santo. Tinha 15 toneladas
e chegou para navegar numa carreta Scania.
Aqui descobrimos uma eclusa inacabada, cheia
de mato, barrando a navegação.
Se o rio Parnaíba tem enorme potencial
hidroviário, a conclusão desta
obra pela Chesf poderia alavancar o também
enorme potencial de turismo fluvial e ecológico
em toda a sua extensão, gerador de
emprego e renda.
São descobertas como estas, somadas
à beleza cênica da paisagem,
que mantinham os expedicionários alertas,
boquiabertos e perplexos. Todos de prancheta,
GPS e máquinas de filmar em punho.
A propósito, tenho já pronto
o projeto de turismo “Caminho do Velho
Monge”, à semelhança do
Caminho de Santiago e Caminho da Estrada Real,
só que fluvial. Meus relatos de bordo
são um brado de alerta e uma viagem
gastronômica rio abaixo com suas peixadas
ao cheiro verde, o “arroz maria-isabel”,
a cajuína, a “manguerinha”,
e claro, suas lendas: o “papagaio falador”
de Amarante, o touro marruás de Porto,
o cabeça de cuia… (A PIPES também
executou em 2001, a expedição
Américo Vespúcio, percorrendo
o rio São Francisco da nascente à
foz. Até hoje, a PIPES não recebeu
pelo trabalho prestado, que foi terceirizado
à Domo Arquitetura e Projetos Culturais
,de Salvador-BA)


Ainda é comum a agricultura
primitiva pelo sistema “cultivo
no toco”. Urge um programa de melhoria
de renda e a criação de
muitas unidades de conservação.
Os desmatamentos e as queimadas degradam
as cabeceiras e margens dos rios.

FMA – E as descobertas
de gente, de povo, de ribeirinhos?
GG –
Pelo lado humano, a maior lembrança
é da pequena Jisuis (Jesus), uma criança
de nove anos com aparência de seis,
filha de pescadores de Porto. Era curiosa
e vivaz, mesmo subnutrida. Guardo dela a alegria
ao entrar no grande barco e ao receber uma
bonequinha que compramos junto ao cais. Também
um senhor que pediu para descer até
Amarante – terra do poeta Da Costa e Silva
– e arrependido e tremendo, confessou um desmatamento
ciliar recente ao juiz que descia a bordo…
São pessoas muito honestas que nem
mesmo sabem a gravidade das agressões
ambientais.
Jamais me esquecerei dos prefeitos nos recepcionando
com bandas de música nos cais, e dos
anfitriões hospitaleiros que nos recebiam
em suas casas com comidas típicas,
além dos bailados folclóricos,
os bailes ao som da música brega e
do reggae maranhense.

FMA – Qual era a situação
do rio naquela época?
GG –
Olha, para falar a verdade,
era de um rio ainda vivo, no alto curso, nas
cabeceiras. Mas, sobrevoando a região,
se pode ver o mosaico, a colcha de retalhos
da soja lá embaixo, ocupando espaços.

Mais a baixo, o rio mostra os estertores da
agonia nos terços médio e inferior.
É impressionante a queda de barrancos
no terço médio. Registramos
os esgotos lançados de alto a baixo,
as matas ciliares inexistentes em longos trechos,
redes e “currais de peixes” nas
desembocaduras de afluentes.
As próprias belezas cênicas eram
ofuscadas por feridas e agressões aos
ecossistemas ainda autóctones, como
lavouras do agronegócio, até
a altura de Uruçuí. Na região
do baixo curso o deslumbrante complexo lacustre
vem sendo drenado para cultivo de arroz e
pastagens.
Na Área de Preservação
Ambiental e na Reserva Extrativista [Resex]
do delta do Parnaíba, o Ibama está
alerta para manter sob controle a carcinocultura
nos “salgados”, os cultivos tradicionais,
a cata do caranguejo e o impacto do crescente
turismo.

FMA – O senhor tem acompanhado
a vida do rio após a expedição?
GG –
Após a expedição
voltei a Balsas para um seminário em
que as lideranças e a comunidade pediam
unidades de conservação nas
cabeceiras do rio. Participei de outros encontros
no Baixo Parnaíba até o delta.
Desde a foz do rio Longá até
o oceano, abrangendo 16 municípios.
Mas tenho acompanhado meio de longe a vida
do rio. Hoje me dedico mais ao programa de
revitalização do rio São
Francisco. Nesses três anos e meio pós-expedição
foram realizados dois grandes levantamentos
pela Codevasf e o Governo do Piauí,
visando o planejamento para o desenvolvimento
sustentável da bacia: o Planap e o
Zoneamento Ecológico-Econômico
do Cerrado.
Mais recentemente voltei ao Núcleo
de Desertificação de Gilbués
no alto curso dos rios Uruçuí
Vermelho e Gurguéia, em uma visita
com vários técnicos de vários
órgãos. Aliás, que a
Folha do Meio Ambiente fez uma excelente matéria
“O Deserto Vermelho”.
Espero que os projetos sejam encaminhados
logo para aprovação. Sugeri
aí a criação de um parque
nacional, como uma forma de alavancar o setor
terciário da economia nesta exótica
região que abrange vários municípios.

Muitas outras unidades de conservação
precisam ser implantadas com urgência,
face à rapidez da ocupação
na alta bacia e afluentes, notadamente o Balsas
e os dois Uruçuí, o Vermelho
e o Preto, rios cênicos por excelência.
Aqui eu pergunto: como anda a APA do Uruçuí-Una?
Os rios podem perder a corrida. Então
será tarde.
Rio desmatado nas cabeceiras e nas margens
da calha principal e dos afluentes, é
rio assoreado, é rio sem peixes. É
rio morto.

FMA – O que pode ser
feito agora?
GG –
Quando descemos o rio era enorme
o anseio dos ribeirinhos na busca de soluções
e ações concretas em prol do
rio e afluentes. Mas é preciso que
as populações se apropriem dos
citados estudos e levantamentos e dos relatos
de bordo dos expedicionários que representavam
os diversos organismos federais e estaduais.
É preciso um programa de educação
ambiental nas escolas, o saneamento, viveiro
de mudas nas cidades. Tudo isto, para ontem!
Problemas pontuais e gerais ocorrem em toda
a bacia, que embora escassamente povoada,
já sofreu a colonização
pela corrida do boi, assim como hoje sofre
a corrida da soja .


A expedição comprovou
que é inadiável um plano
de recuperação das matas
ciliares.

FMA – O que mais chamou
sua atenção como pesquisador?
GG –
Parafraseando Heródoto,
eu diria que o Piauí é uma dádiva
do Parnaíba. Sem o Parnaíba
como seria o Piauí? É um estado
côncavo, suas águas correm para
dentro, ao contrário de Minas Gerais,
por exemplo, um estado convexo, montanhoso,
cujas águas correm para fora rumo ao
mar que não lhe pertence. Não
esquecendo que a bacia abrange grande parte
do Maranhão e parte do Ceará.
No geral é um rio típico de
planície, abrangendo três grandes
biomas: Cerrado, Caatinga e zona costeira,
como restingas, dunas e mangues. A pré-Amazônia
começa aqui.
O Piauí é um dos estados brasileiros
com mais rica biodiversidade, tanto animal
quanto vegetal: são inesquecíveis
as araras azuis em bandos, os jacús
e o pássaro xexéu, peixes em
piracema, buritizais, carnaubais e babaçuais,
– que outro estado tem três ecossistemas
de palmeiras? Vimos as “batedeiras”
ou corredeiras e os sustos nelas passados.
E os “talhados”, monolitos que bordejam
as águas, impressionam pela majestade,
e a luz solar que neles incide toma tonalidades
e sombras que lembram as pirâmides do
Egito. E não podemos esquecer a jóia
piauiense que é o Parque da Serra da
Capivara, pela biodiversidade e pela antropologia.

FMA – Que ações
emergenciais devem ser realizadas para preservar
a vida no rio?
GG –
Criar um programa de revitalização
do Parnaíba é o caminho, à
semelhança do rio São Francisco,
e que na minha opinião não seria
tarefa difícil – cada rio brasileiro
hoje deveria ter seu plano – uma vez que já
estão concluídos os levantamentos
citados como o Planap, o ZEE e outros, fundamentais
para um planejamento a médio e longo
prazos.
A curto prazo uma moratória nos desmatamentos
é a solução inadiável.
Os empresários, também na minha
opinião, poderiam arrendar lotes dos
projetos de irrigação “Tabuleiros
Litorâneos” e de “São
Bernardo” com toda a infraestrutura pronta,
porém se encontravam desativados. A
irrigação gera emprego, renda
e alta produção em áreas
reduzidas. Poderia assim reduzir a pressão
sobre todas as nascentes e veredas. Evitaria
a extinção dos buritizeiros
encobertos pelas veredas barradas para pivôs
e/ou assoreadas pela erosão do solo
descoberto, e dos pequizeiros que ardem nos
cerrados.
Urge o Ministério Público e
o Ibama ajustarem termos de conduta junto
aos empresários do Cerrado. Esses empresários
devem saber das suas responsabilidades ao
chegar a uma terra nova coberta de matas e
rios até então límpidos.
O valor dessa biodiversidade natural e hídrica
é imensurável. Este é
um patrimônio piauiense e maranhense
que deve ser preservado.
Nesta expedição, podemos ver
que é inadiável um plano de
recuperação das matas ciliares.
E o que fazer com a queda de barrancos após
Floriano, que atinge o pico em Parnarama,
até a altura de Teresina? O que fazer
quando vimos barrancos de aluviões
caindo como terremotos à passagem do
barco?

FMA – Queria falar sobre
a preservação do Parque Nacional
das Nascentes do Rio Parnaíba. Um parque
que ainda não saiu do papel e já
está sendo degradado…
GG –
É verdade! O rio Parnaíba
é um dos mais importantes rios brasileiros,
com uma extensão de 1.485 km e uma
bacia de 330.000 km². Um dos méritos
da Expedição Parnaíba
Vivo foi chamar a atenção para
o rio cantado em verso pelo poeta maior Da
Costa e Silva. (*) [Saudade – o Parnaíba
– velho monge / as barbas brancas alongando…
e ao longe / o mugido dos bois da minha terra…”

FMA – E como foi a
assinatura da Carta do Parnaíba?
GG –
Foi bom lembrar. Antes da largada
(16 de novembro de 2001) aconteceu uma memorável
audiência pública, organizada
pelas autoridades e as populações
de Alto Parnaíba, Santa Filomena e
outros municípios da região.
Quinze outras audiências foram realizadas
rio abaixo. Então foi assinada a “Carta
do Parnaíba”.
Vem daí e de outros pioneiros como
Judson Barros na sua descida solo, a luta
do CDPar e tantos outros, e mais recentemente
o artista Otoniel Fernandes na sua viagem
pictórica pelas pegadas do engenheiro
Gustavo Dodt, a renascença da magia,
das lendas e das cores do Parnaíba,

Na largada, quando a gente estava bem perto
das nascentes na chapada das Mangabeiras/serra
da Tabatinga, me lembrei muito do provérbio
chinês “Conheça a montanha
para conhecer o rio”.
Urge criar novas unidades de conservação
em todas as sub-bacias do Parnaíba.
E mais: há que se levantar as nascentes,
as altitudes e a extensão mais exata
do rio pelos modernos meios de geoprocessamento.

FMA – E qual a conclusão,
os frutos desta epopéia?
GG –
Primeiro, fazer esses levantamentos.
Aliás essa é uma proposta que
fiz à Codevasf, registrada no meu relato
de bordo “Navegando no Velho Monge –
de Alto Parnaíba ao Delta e daí
ao Oceano”, e enviado ao CDPar.
Mas, a cada viagem destas, a cada trabalho
e a cada estudo que participo sobre rios brasileiros,
me bate uma tristeza tremenda ao saber que
todo este esforço, toda esta luta,
todo esse grito de alerta pode ter sido em
vão. Me sinto como mais um destes idealistas,
verdadeiras formiguinhas ambientais, impotente
perante o poder econômico e o poder
político. São os fazendeiros
pressionando a Justiça, são
os políticos pressionando as autoridades
administrativas, são os gananciosos
dobrando a fiscalização…
Olha, fico até pensando quão
verdadeiras são as palavras do editorial
da Folha do Meio Ambiente de novembro de 2005.
A Carta do Leitor da Folha do Meio Ambiente
(edição 163/nov. 2005) foi muito
feliz quando mostrou que “a preservação
e a política ambiental defendidas com
discursos e promessas, mas atacada com metralhadoras
e motosseras”. É a pura verdade!
Não podemos sucumbir às metralhadoras
ambientais… E fico a pensar: temos que ser
as árvores do Cerrado, que para resistirem
nascem cascudas e tortuosas.


O Parque das Nascentes, apesar de
sua importância, ainda não
saiu do papel

O Parque das Nascentes

Proteger as nascentes do Rio
Parnaíba foi o principal objetivo para
se criar o Parque das Nascentes. O rio constitui
a base econômica dos estados do Piauí
e Maranhão onde milhares de pessoas
dependem de suas águas para o abastecimento,
irrigação, pesca e meio de transporte.
A Bacia Hidrográfica do Parnaíba
abrange cerca de 339.390 Km2 e envolve os
estados do Piauí, Maranhão e
Ceará. O Piauí domina 75% dessa
bacia, o Maranhão 19% e o Ceará
6%. Na Tabatinga, no Alto Parnaíba,
as nascentes se esboçam através
de ressurgências na Chapada das Mangabeiras,
que formam os cursos dos rios Lontra, Curriola
e Água Quente. A união desses
rios forma o rio Parnaíba.
Como sua nascente ainda é uma dúvida,
o percurso do rio Parnaíba está
estimado em 1.485km, até a foz no Oceano
Atlântico, onde desemboca após
se dividir em cinco grandes braços.
O maravilhoso delta do Parnaíba é
o divisor natural entre os estados do Piauí
e Maranhão.

Infelizmente, pela ação
predatória do homem, o rio Parnaíba
e seus afluentes vêm sendo degradados
sistematicamente num processo secular.
Queimadas, erosão das margens, assoreamento
do leito e lançamento de esgotos e
lixo são uma constante. O problema
já chegou às nascentes onde
dezenas de produtores agrícolas, oriundos
do Sul do país, ocuparam as terras
públicas e instalaram projetos agrícolas.

Em 2004, uma vistoria realizada
por técnico do Ibama/PI na área,
detectou a existência de 22 grandes
propriedades no platô da serra e um
desmatamento de mais 30 mil hectares.

Ameaçado por ações
de produtores agrícolas que ocupam
terras nas fronteiras dos estados do Piauí,
Maranhão, Bahia e Tocantins, o Parque
Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba,
de 730 mil hectares, pode ser extinto. Basta
o Tribunal Superior de Justiça acatar
a decisão do juiz da 3a Vara Federal
– Sessão Judiciária do Distrito
Federal, Osmani dos Santos, que suspendeu
o decreto da criação do Parque,
assinado pelo então presidente da República,
FHC, em 2002.

O juiz atende ação
movida por mais de dez proprietários
de grandes projetos de soja em áreas
do parque, que alegam não ter havido
audiências públicas, quando de
sua instalação. Mas vimos que
15 audiências públicas foram
realizadas durante a expedição
que precedeu a criação do parque.
(SG)

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Governo e oposição repercutem rejeição de Messias para o STF

Reação do Plenário no momento em que foi divulgado o resultado da votação
Carlos Moura/Agência Senado

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Após a rejeição da indicação de Jorge Rodrigo Araújo Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (29), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que a relação do Executivo com o Congresso não mudará.

— A relação continua a mesma. Nós já tivemos vitórias e derrotas no Senado, no Congresso e na Câmara dos Deputados e a relação não mudou. (…)  Não mudou e nem mudará, será a mesma relação institucional.

Para o líder, o resultado não dependeu das respostas do indicado na sabatina. Messias, de acordo com Randolfe, cumpria todos os requisitos necessários para o cargo e a indicação foi rejeitada por circunstâncias políticas.

A indicação de Messias é a terceira feita pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no atual governo e não estava prevista: foi necessária após o anúncio da aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso em outubro de 2025. Para Randolfe, a votação foi pressionada pela proximidade do período eleitoral. A rejeição se deu por 42 votos a 34.

— Eu não diria que foi uma surpresa, porque nós já esperávamos que ia ser uma votação apertada, e uma votação, quando a gente julga apertada,  pode se ter uma quantidade reduzida de votos favoráveis — disse o líder, que lamentou a votação, mas afirmou que é preciso respeitar o resultado.

O relator da indicação de Jorge Messias, senador Weverton (PDT-MA), reconheceu que o resultado da votação foi “uma derrota do governo”. O parlamentar disse, no entanto, que o presidente Lula não deve indicar outro nome para o Supremo Tribunal Federal (STF) de imediato.

— Lá atrás, ele (Lula) já tinha me dito que não iria mandar outro nome caso isso acontecesse. Então, não vamos discutir nomes. O que está se discutindo é que impuseram uma derrota a uma pessoa que nada tinha a ver com o processo eleitoral. Cometeram uma injustiça enorme com o ministro Messias — disse Weverton.

Derrota

Para o líder da Oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), a rejeição ao nome de Jorge Messias representa uma derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

— Nós trabalhamos para derrotar o ministro Jorge Messias. Nada de pessoal contra ele. Mas contra o que ele representa neste momento. Hoje acaba o Lula 3. Perde credibilidade e capacidade de articulação. Perde inclusive a legitimidade para conduzir um processo de negociação na Casa. Sem dúvida nenhuma, o governo sofre hoje uma derrota acachapante — afirmou.

Para o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), o direito do voto de um senador é o mesmo de um eleitor. Ele disse que votou a favor de Messias, que teria todas as condições de ser um ministro do STF. O senador ainda contou que deu um abraço de solidariedade em Messias, que considera  “um brilhante funcionário público”.

— Cada um vota como acha. A democracia é assim. Lamento muito, mas é página virada — declarou Otto.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

 

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Rádio MEC transmite especial para celebrar Dia Internacional do Jazz

Programa destaca gênero como instrumento de liberdade

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EBC

A Rádio MEC apresenta, nesta quinta-feira (30), às 21h, uma edição especial do Jazz Livre dedicada ao Dia Internacional do Jazz. A data, celebrada pela Unesco desde 2012, destaca o gênero como um instrumento de liberdade, criatividade e diálogo entre culturas.

A atração da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) traz uma curadoria de músicos, com depoimentos e repertórios afetivos sobre o estilo musical.

Jazz Livre convidou artistas que já se apresentaram na atração a comentar os discos e músicas importantes para a história do gênero. Ao longo do programa, os ouvintes terão acesso a recortes dessas sugestões.

O pianista Renan Francioni, o baterista Antônio Neves Esteves e o compositor Gilson Peranzetta são alguns dos nomes que indicaram obras relevantes do estilo. A proposta é evidenciar o jazz como um gênero que marca a inovação, o apuro estético, o improviso e a fusão entre linguagens e culturas.

Dia Internacional do Jazz

Com origem nas comunidades afro-americanas no sul dos Estados Unidos, por volta do final do século XIX e início do XX, o jazz é uma expressão artística que combina elementos de várias tradições musicais, como o blues.

De acordo com especialistas, um dos traços mais distintivos do jazz é a improvisação. Os músicos criam solos espontâneos durante as performances, o que torna cada apresentação única.

Sobre o Jazz Livre

No ar de segunda a sexta-feira na faixa das 21h, o Jazz Livre tem uma hora de duração com o melhor repertório do gênero e da música instrumental. A produção oferece ao público a oportunidade para interagir através do WhatsApp (21) 99710-0537. Os ouvintes podem participar das edições e mandar mensagens para a equipe da emissora pública.

Apresentado por Sidney Ferreira, o Jazz Livre tem produção de Anderson Domingos e Carlos Soca. A coordenação de produção fica com Rodrigo Soprana. Thiago Regotto é o gerente executivo de rádio.

Sobre a Rádio MEC

Conhecida de norte a sul do país como “A Rádio de Música Clássica do Brasil”, a Rádio MEC é consagrada pelo público por sua vocação direcionada à música de concerto. Mas também há espaço garantido para faixas de jazz e música popular brasileira, combinação que garante a conquista de novos públicos e agrada a audiência cativa.

A emissora pode ser sintonizada pela frequência FM 99,3 MHz e AM 800 kHz no Rio de Janeiro. O dial da Rádio MEC em Brasília está em FM 87,1 MHz e AM 800 kHz. O público também acompanha a programação em Belo Horizonte na frequência FM 87,1 MHz. O conteúdo ainda é veiculado no aplicativo Rádios EBC.

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Eventos alteram o trânsito no feriado prolongado em vários pontos do DF

Detran-DF fará o controle do tráfego em vias do Eixo Monumental, Esplanada dos Ministérios, Parque da Cidade e Paranoá

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Agência Brasília* | Edição: Vinicius Nader

Devido a eventos previstos para o período entre sexta-feira (1°/5) e domingo (3), o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) interditará vias do Eixo Monumental, Esplanada dos Ministérios, Parque da Cidade e Paranoá.

Parque da Cidade

De sexta-feira a domingo, será realizado o evento Brasília Auto Indoor no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade. As ações de trânsito terão início nesta quinta-feira (30), às 12h, com o patrulhamento das vias e a implantação da sinalização viária. As equipes vão sinalizar a faixa de desaceleração para a entrada e a saída de veículos dos estacionamentos 1 e 2  e as faixas de pedestres nas proximidades do Pavilhão de Exposições.

Arte: Divulgação/Detran-DF

No sábado (2), a partir das 10h, está prevista a realização de um rali, com largada no Pavilhão de Exposições e percurso em direção à Colônia Agrícola Aguilhada e Núcleo Rural Nova Betânia, na BR-251. As equipes do Detran-DF farão as intervenções viárias necessárias durante a saída dos veículos e a transição para a Via S1.

Os participantes farão uma parada na região do Café sem Troco e retornarão, pela DF-130, passando pela Torre de TV Digital, até o Parque da Cidade. A previsão é que a chegada ocorra até as 16h.

Durante os dias do evento, os agentes do Detran-DF atuarão no controle de tráfego nas imediações do Pavilhão de Exposições, em pontos fixos e realizando o patrulhamento na região a fim de melhorar a fluidez, auxiliar a travessia de pedestres e coibir infrações de trânsito.

Arena Mané Garrincha

Nesta sexta-feira e no sábado, o Detran-DF fará intervenções viárias nas imediações da Arena Mané Garrincha, onde será realizado o Festival Micarê.

Na Via N1, na altura do Planetário, e na via de contorno do Estádio Nacional de Brasília, o Detran-DF implantará sinalização viária para a travessia de pedestres e para coibir o estacionamento irregular. Na entrada principal de automação da arena, será sinalizada uma área destinada aos táxis.

Também serão instalados painéis eletrônicos de mensagens em locais estratégicos para orientar condutores e pedestres. A partir das 15h30, as equipes vão atuar em pontos fixos e em patrulhamento na região para garantir a fluidez do tráfego e coibir infrações.

Esplanada dos Ministérios e via Palácio Presidencial

Na sexta-feira, será realizada a corrida 100% Você, com percursos de 5 km e 10 km pelas vias S1, Palácio Presidencial e N1. A largada dos participantes ocorrerá na Esplanada dos Ministérios, próximo ao Museu da República, e a chegada será na altura do Ministério da Economia.

A partir das 6h30, a Via S1 será bloqueada na altura do Museu da República, com desvio do fluxo de veículos para a L2 Sul. No momento da largada, a via será totalmente interditada e o fluxo será retido. Após a passagem dos corredores, o acesso à L2 será liberado. Os motoristas que seguirem pela L2 Sul, no sentido Esplanada, serão direcionados para o Buraco do Tatuí.

Na Esplanada, a faixa mais à direita será destinada à saída de veículos dos ministérios. O fluxo seguirá até a altura do Itamaraty, onde será desviado para a Via S2. A partir desse ponto, a S1 estará totalmente bloqueada para o tráfego de veículos. O acesso ao estacionamento da Catedral de Brasília será permitido apenas pelo túnel da Cúria, na S2.

 

Na Via N1, o bloqueio ocorrerá desde o quartel do Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF) até a via de ligação N1/S1, na altura do Museu da República. Os acessos à N1, pela via Palácio Presidencial e pela L4 Norte estarão fechados. Ainda na N1, a faixa mais à direita, será destinada à saída de veículos de emergência do CBMDF, enquanto as demais faixas serão utilizadas pelos participantes do evento.

As equipes do Detran-DF também farão a interdição do acesso à via Palácio Presidencial, sentido Palácio do Jaburu, com o desvio do fluxo de veículos para a Estrada Parque das Nações (Via L4).

Durante o evento, as equipes de fiscalização do Detran-DF atuarão no controle do tráfego para garantir a segurança viária. A previsão é que as vias sejam liberadas a partir do meio-dia.

Paranoá

Na sexta-feira, será realizado o 7º Encontro de Carrinhos de Rolimã, no Parque Vivencial do Paranoá. As ações de trânsito terão início nesta quinta, às 23h59, com a implantação da sinalização viária na entrada do parque, na altura da Quadra 4, até a rotatória, próxima à unidade do Detran-DF. No local do evento, serão sinalizadas áreas de estacionamento para o público geral, autoridades, veículos de emergência e um heliponto.

A entrada do Parque Vivencial, pela rodovia DF-005, será destinada à saída de veículos de emergência, sendo permitido o acesso de pedestres. O estacionamento de veículos no gramado, na área externa do parque, será permitido.

Durante o evento, os agentes do Detran-DF farão o controle da entrada e da saída de veículos do Parque Vivencial, além de realizar o patrulhamento da região para garantir a segurança e a fluidez do trânsito. As equipes de fiscalização utilizarão viaturas e motocicletas e contarão com o apoio do helicóptero Sentinela, que fará o monitoramento das condições do tráfego.

Eixo Monumental

Neste domingo, o Detran-DF realizará interdições em trechos das vias S1 e N1 do Eixo Monumental para o Circuito da Saúde 2026 — Etapa Ana Néri. A corrida terá percurso de 5 km, com largada e chegada no Memorial dos Povos Indígenas.

A partir das 6h30, nas vias S1 e N1, no trecho entre o Ulysses Centro de Convenções e a via de ligação N1/S1, entre a Catedral Rainha da Paz e a Praça do Cruzeiro, as três faixas mais próximas ao canteiro central serão interditadas. O tráfego de veículos permanecerá liberado nas demais faixas. A previsão é que as interdições ocorram até as 11h.

*Com informações do Detran-DF

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