Entrevistas

Geni Alexandria

Belezas do ILUSTRANDO O CERRADO

Geni Alexandria – Entrevista


Como a veterinária Geni Alexandria prescreveu belíssimas e criativas receitas para a preservação do Cerrado


Silvestre Gorgulho


A vida profissional de Geni Alexandria começou literalmente no campo. Após concluir, em 1988, o curso de Medicina Veterinária na Universidade Federal de Goiás, Geni Alexandria embrenhou-se por terras goianas, desbravando o Cerrado para atender os produtores rurais. Assim, a jovem veterinária percorreu muitas regiões para levar sua assistência técnica: prestou orientação sobre uso de agrotóxicos, o destino de embalagens, o uso racional do solo e o valor dos recursos naturais, sobretudo das águas. Mapeou erosões e explicou como evitá-las. Também conheceu, analisou e recomendou áreas destinadas a reservas ambientais. Enfim, Geni Alexandria pesquisou o Cerrado, descobriu suas potencialidades e tomou consciência da realidade ambiental do bioma.


 Profissional dedicada, o trabalho de Geni Alexandria não parou aí. Depois das muitas incursões pelos campos e matas do Cerrado, ela passou a admirar e a respeitar ainda mais a natureza. Virou fotógrafa. Registrava em fotografia tudo de interessante que via. Tudo com uma finalidade: ilustrar a flora do Cer­rado. E veio a recompensa pelo trabalho. Um ano depois de iniciar nas ilustrações foi premiada em primeiro lugar pela Fundação Margaret Mee (1) no Concurso de Ilustração Botânica Philip Jenkins 2007 – Categoria Cores, realizado em parceria com a Sociedade Botânica do Brasil e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro. E, agora, Geni Alexandria acaba de lançar seu primeiro livro: Ilustrando o Cerrado. O livro revela as belezas científicas das pesquisas e do trabalho desta veterinária de 46 anos, que nasceu paulista, se criou em Goiânia, mas fez do Cerrado sua referência de sonhos e de vida.


 



Capa do livro
ILUSTRANDO O CERRADO,
da pesquisadora
Geni Alexandria


 


 


 


 


Entrevista


GENI ALEXANDRIA


Veterinária, colecionadora de plantas, fotógrafa e ilustradora, Alexandria deixa o recado:”É importante estudar e ilustrar plantas que estão em risco de extinção. Este é um trabalho que exige rigor e urgência, pois é um registro histórico e científico que vai ajudar estudos no futuro”.


FOLHA DO MEIO – Antes da fotografia, compreende-se que todo botânico precisava ser um bom ilustrador. Hoje, com a evolução da fotografia, ainda é importante a ilustração?
GENI ALEXANDRIA – A ilustração é importante para dar os mínimos detalhes de uma planta. A fotografia tem seu valor, pois dá o sentido conjunto, mostra o ambiente natural. Mas com a fotografia não é possível que se obtenha nitidez de detalhes em todos os pontos da planta. O desenho científico registra de forma muito especial e detalhada tudo que se quer. Informações que dizem respeito à espécie são melhor retratadas e é possível evidenciar características que são de grande importância para sua identificação.


FMA – Como o ilustrador trabalha com uma espécie a ser ilustrada?
GA – Primeiramente o mais importante é estar em contato com o exemplar a campo, ou seja, no seu habitat natural. A observação tem que ser minuciosa para que não se deixe de perceber nenhum detalhe. A ilustração científica registra, portanto, toda informação que caracteriza a espécie. Anotações também são feitas e a coleta de matéria: folhas, flores sementes ou um galho, sempre tomando o cuidado de não prejudicar a planta e jamais arrancar o exemplar.


FMA – Após a coleta do material, como é finalizado o trabalho?
GA – Olha, a ilustração botânica exige muita dedicação, muito estudo e, sobretudo, muita paciência. E tem outro detalhe: muitas vezes o ilustrador espera meses para voltar ao mesmo local de coleta, pois tem que aguardar que a espécie esteja em outro estágio vegetativo, florescendo ou frutificando, por exemplo, para que se possa dar continuidade ao trabalho.


FMA – Você tem uma técnica especial?
GA – Evidente que cada ilustrador tem sua técnica. Eu, de minha parte, procuro trabalhar minhas ilustrações com a máxima perfeição e fidelidade. Para finalizá-los busco interagir meus sentidos com os que a natureza me transmitiu quando com as mãos senti a textura e a consistência. Tudo tem que ser informado através do desenho.


“Não sou eu que
digo: terminei! É
a ilustração que diz,
como se já
pudesse sair
do papel: estou
pronta!”



FMA – Quando considera um trabalho finalizado?
GA – Todo profissional fica feliz com a finalização de seu trabalho. Mas que mais me satisfaz é quando eu trabalho os detalhes, quando a textura se define e dá aquela vontade de tocar. Não sou eu que digo: terminei! É a ilustração que diz, como se já pudesse sair do papel: estou pronta!


FMA – Você é uma técnica muito consciente de seu trabalho. Qual a razão de tal dedicação com a natureza?
GA – Acredito que com o conhecimento passa-se a admirar e consequentemente a preservar. O plantio de variadas espécies nativas e exóticas e a ilustração de espécies nativas do cerrado, no decorrer dos anos, é produto de muito carinho e dedicação, com o intuito de contribuir para a difusão e a preservação do Cerrado. Ainda é cedo para resultados concretos, mas ainda que modestos, eles certamente vão existir para reconhecer tal dedicação.


FMA – E quando surgiu a oportunidade de mostrar esse seu trabalho em um livro?
GA – Foi quando o IPHAN na pessoa de Carlos Fernando de Moura Delphim, arquiteto e paisagista, e de Salma Saddi, superintendente regional de Goiás do IPHAN, tomou conhecimento do trabalho que eu vinha realizando. Como conhecedores deram importância e valor à qualidade do meu trabalho e me convidaram a produzir este livro.
 
E nasce uma ilustradora…


FMA – Como e por que você decidiu ir além da fotografia para a ilustração?
GA – Em 2006, iniciei um curso de ilustração em aquarela, onde aprendi a técnica dessa pintura com o mestre Tai Hsuan-an (2). Assim, eu descobri que era capaz de ilustrar. Por incentivo deste professor participei do curso. E já em 2007, fui premiada por uma das minhas produções. Isso me incentivou a dar continuidade às ilustrações, que hoje é parte principal do meu trabalho com a preservação do Cerrado.


FMA – O livro dá prestígio e visibilidade. Após sua publicação, alguma coisa muda em relação a seu trabalho? 
GA – É verdade, o trabalho passou a exigir um maior compromisso, porque minha responsabilidade com quem conhece e valoriza o trabalho aumentou muito. E tenho que dar continuidade a esse projeto, por isto estou cada vez mais empenhada.


FMA – Como foi o processo de produção do livro?
GA – Minha intenção neste livro foi apresentar um pouco do trabalho que realizo com as espécies do Cerrado. Me entreguei muito ao livro justamente porque  procurei mostrar todas as etapas do universo que envolve cada prancha, desde a coleta do material até a finalização da ilustração.
 
FMA – Quais são seus próximos projetos com a ilustração?
GA – Quando a gente começa um trabalho destes, parece não ter fim. Uma coisa puxa a outra. Como a diversidade do Cerrado é muito grande, no início me dediquei mais às palmeiras, depois passei a trabalhar por regiões, atualmente estou dando ênfase a espécies características de cerrado de altitude, assim estou ilustrando plantas de diversas localidades. O interessante é que quanto mais me aprofundo nos estudos, tanto mais sinto necessidade de orientar meu trabalho. Gosto de representar nas pranchas espécies que caracterizam certas regiões. E tem um dado fundamental: é importante estudar e ilustrar plantas que estão em risco de extinção. Este é um trabalho que exige rigor e urgência, pois é um registro histórico e científico que vai ajudar estudos no futuro.


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Cacho de Allagoptera campestris
Local de coleta: Cachoeira de Goiás – GO
 
Allagoptera campestris, (Mart.) Kuntze
Nomes populares: buri; ariri
Importância: potencial paisagístico e seus frutos são avidamente procurados pela fauna regional. Ocorrência e hábitat: solos secos e pobres dos campos e Cerrados do Centro-Oeste e parte da Região Nordeste. Sua presença é relativamente abundante, mesmo em solos degradados.
 Esta ilustração obteve o primeiro lugar na categoria Cores, no XV Concurso Philip Jenkins de Ilustrações Botânicas, realizado em 2007 pela Fundação Margareth Mee em parceria com Sociedade Botânica do Brasil.


Entrevista – GENI ALEXANDRIA


“É importante ilustrar plantas em risco de extinção”.


FMA – Como e por que você decidiu ir além da fotografia para a ilustração?
GA – Em 2006, iniciei um curso de ilustração em aquarela, onde aprendi a técnica dessa pintura com o mestre Tai Hsuan-an (2). Assim, eu descobri que era capaz de ilustrar. Por incentivo deste professor participei do curso. E já em 2007, fui premiada por uma das minhas produções. Isso me incentivou a dar continuidade às ilustrações, que hoje é parte principal do meu trabalho com a preservação do Cerrado.


FMA – O livro dá prestígio e visibilidade. Após sua publicação, alguma coisa muda em relação a seu traba­lho? 
GA – É verdade, o trabalho passou a exigir um maior compromisso, porque minha responsabilidade com quem conhece e valo­riza o trabalho aumentou muito. E tenho que dar continuidade a esse projeto, por isto estou cada vez mais empenhada.


FMA – Como foi o processo de produção do livro?
GA – Minha intenção neste livro foi apresentar um pouco do trabalho que realizo com as espécies do Cerrado. Me entreguei muito ao livro justamente porque  procurei mostrar todas as etapas do universo que envolve cada prancha, desde a coleta do material até a finalização da ilustração.
 
FMA – Quais são seus próximos projetos com a ilustração?
GA – Quando a gente começa um trabalho destes, parece não ter fim. Uma coisa puxa a outra. Como a diversidade do Cerrado é muito grande, no início me dediquei mais às palmeiras, depois passei a trabalhar por regiões, atualmente estou dando ênfase a espécies características de cerrado de altitude, assim estou ilustrando plantas de diversas localidades.
O interessante é que quanto mais me aprofundo nos estudos, tanto mais sinto necessidade de orientar meu trabalho. Gosto de representar nas pranchas espécies que caracterizam certas regiões.
E tem um dado fundamental: é importante estudar e ilustrar plantas que estão em risco de extinção. Este é um trabalho que exige rigor e urgência, pois é um registro histórico e científico que vai ajudar estudos no futuro.


 


Castiçal – Wunderlichia mirabilis
Local de coleta: Serra Dourada – Cidade
de Goiás – GO

Wunderlichia mirabilis, Riedel
& Baker
Nomes populares: castiçal; flor-do-pau
Importância: ornamental e preservação.
Ocorrência e hábitat: campos de altitude, em terrenos pedregosos (Serra Dourada e Pirenópolis).
Planta endêmica.


Esta ilustração faz parte de uma exposição em comemoração
ao centenário de Margaret Mee no Centro Cultural dos Correios – Rio de Janeiro no período de 11 de novembro a 20 de dezembro de 2009.


 


SUMMARY


ILLUSTRATING THE CERRADO


Veterinarian, Geni Alexandria prescribes a beautiful and creative cure for preserving the Cerrado


 The professional life of Geni Alexandria literally began in the field.  After graduating from the Universidade Federal de Goiás school of veterinary medicine in 1988, Geni Alexandria headed toward the lands in the state of Goiás and took on the Cerrado to work with farmers there.  In the course of her mission, the young veterinarian, traveled through a number of regions to offer her technical assistance: she provided guidance on the use of pesticides, final use/disposal of packaging, correct use of the soil and the importance of natural resources, especially water. She mapped out erosion and explained how to avoid it. She also visited, analyzed and recommended areas to be devoted to environmental preservation reserves. Geni Alexandria truly researched the Cerrado, discovered its potential and gained awareness of the biome environmental reality.


As a dedicated professional, the work of Geni Alexandria did not stop there.  After a number of incursions into the fields and woods of the Cerrado, she gained even greater admiration and respect for nature.  She became a photographer and recorded every interesting thing she saw, all for one purpose – to illustrate the plant life of the Cerrado. She has been rewarded for her work.  One year after she began the illustrations, she was awarded first place by the Fundação Margaret Mee. Geni Alexandria has also just released her first book:  “Ilustrando o Cerrado” (Illustrating the Cerrado). The book reveals the scientific beauty involved in the research and work this 46-year old veterinarian has performed.  Born in the state of São Paulo, she grew up in the city of Goiania, Goiás State, but made the Cerrado her dream and her life.


 


GENI ALEXANDRIA – Interview


 The importance of Illustration


Illustration is important to enable the smallest details to be seen of the plant.  Photography is invaluable because it gives a full picture and shows the natural environment.  However, photography cannot provide clarity of all the fine details of the points on a plant.  


 The work


Observation has to be minute so that no detail goes undetected.  Scientific illustration records therefore, all information that defines a species.  Notations are also made and the material is collected: leaves, flowers, seeds and branches, at all times taking care not to injure the plants and the specimens are never pulled out by their roots.  


 Dedication


Botanicalillustration requires a great deal of dedication and study and above all much patience.  Often the illustrator waits months to return to the same collection locale, because you have to wait until the species is in another stage of growth, flowering or bearing fruit.


 Awareness from illustration


Native species illustrations of the cerrado, over the years, are the product of much caring and dedication, for the purpose of contributing toward the discovery and preservation of it.


 An illustrator is born…


In 2006, I took up illustration in watercolors, where I learned this painting technique with the master, Tai Hsuan-an. That was when I learned I had a knack for illustration.  I took part in the course and by 2007 I had already won an award for one of my productions.  This encouraged me to continue with illustration.


 Book production


My intention for this book was to present a little of the work that I do with the Cerrado plant species. I gave myself over to the book because I was seeking to present all the stages of the universe that involves my work, ranging from the collection of material until the final illustration


When we take on an effort such as this, there seems to be no end in sight.  One thing leads to another. Since the diversity of the Cerrado is so immense, in the beginning I devoted my work more toward palm trees, afterword I began working by region and currently I have stressed species that are characteristic of the high altitude cerrado, thereby illustrating plants from a range of locations.


 


 



 

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CUBATÃO: Entrevista com Celma do Carmo de Souza Pinto

Em entrevista à Folha do Meio, Celma do Carmo de Souza Pinto fala sobre a paisagem de Cubatão e a história de uma cidade estigmatizada pela poluição.

Publicado

em

 

 

Historiadora, pesquisadora, Doutora em Teoria, História e Crítica, pela Universidade de Brasília, Celma de Souza Pinto é profunda conhecedora da realidade do patrimônio industrial e da paisagem cultural brasileira. Celma do Souza é autora de três livros sobre a memória da industrialização na Baixada Santista: “Anilinas” – “Meu lugar no mundo: Cubatão” – “Cubatão, história de uma cidade industrial” e uma dissertação de mestrado “A construção da paisagem industrial de Cubatão – o caso da Companhia Fabril e da Usina Henry Borden”. É ex-servidora da Prefeitura Municipal de Cubatão e trabalhou por mais de 10 anos no IPHAN Sede, em Brasília. Atualmente dirige o Instituto Base no desenvolvimento de projetos culturais.  Para Celma de Souza, mais do que resgatar a impactante história do desenvolvimento industrial de Cubatão é abrir possibilidades para novos olhares sobre a paisagem do município.

CELMA DO CARMO DE SOUZA PINTO – ENTREVISTA

“Somos humanos e a vida humana é inseparável da história, da natureza, do patrimônio. O reconhecimento da paisagem de Cubatão como bem cultural abre novas possibilidades de conhecimento, de projetos educacionais, de lazer e da percepção da memória social. Vivemos dentro ou junto às paisagens”.

 

FOLHA DO MEIO – Cubatão era símbolo de poluição. Cidade estigmatizado pela poluição e com um dos maiores parques industriais do Brasil. Qual a relação com as paisagens culturais?

CELMA – Cubatão está inserido em um território com as marcas de eventos históricos desde o início da ocupação portuguesa pela sua localização entre o litoral e o Planalto Paulista. A partir de princípios de fins do século XIX, o município testemunha a evolução técnica e tecnológica do País, em suas obras de infraestrutura viária fabris e industriais. Isso somado, é claro, ao ambiente natural no qual se destacam a Serra do Mar, a Mata Atlântica e os manguezais típicos da região costeira. Por isso, Cubatão, além de ter um dos maiores parques industriais do Brasil abriga monumentos históricos como a Calçada do Lorena, o Caminho do Mar, antigos testemunhos fabris, de infraestrutura e várias reservas ambientais como o Parque Estadual da Serra do Mar. Todos esses elementos compõem e influenciam, direta ou indiretamente, a vida dos moradores do município, configurando uma paisagem cultural.

 

FMA – Sim, a paisagem é emblemática, o esforço de despoluição foi grande, mas Cubatão já tem esse reconhecimento?

CELMA – Verdade, a paisagem de Cubatão é uma das mais emblemáticas do Brasil pela imbricação de todos esses elementos somados aos problemas ambientais que manteve a atenção. Mas ainda não tem o reconhecimento que merece no âmbito cultural. Minha pesquisa “O (In)visível patrimônio da industrialização – reconhecimento de paisagens em Cubatão”, procura rever essa paisagem, considerando seus paradoxos, defendendo a urgência de iniciativas para sua valorização e reconhecimento também pelos seus relevantes aspectos históricos, culturais, paisagísticos e até afetivos.

Celma de Souza Pinto: Paisagem industrial em Cubatão-SP: o caso da companhia fabril e da usina Henry Borden.

 

FMA – Mas, você poderia explicar melhor o que é uma paisagem cultural?

CELMA – O termo advém da geografia a partir da evolução dos estudos e da compreensão da noção de paisagem, que remonta ao século XIV no Ocidente. A Unesco, em 1994, inseriu a categoria de paisagem cultural em sua relação de bens culturais passíveis de serem declarados como Patrimônio Mundial. Paisagens culturais são as que foram afetadas, construídas ou resultantes do desenvolvimento humano e da sua ação e relação com a natureza. Como atualmente todo o planeta, e até o espaço sideral, é marcado pela ação humana, as paisagens culturais têm uma variedade muito grande. Tanto podem abarcar grandes territórios, quanto pequenas parcelas territoriais, como áreas industriais, locais de notável beleza, fazendas, jardins e outros. Isso abriu possibilidade para o reconhecimento e valorização também das paisagens industriais, como a de Cubatão, no campo do patrimônio cultural.

FMA – Quais os critérios para reconhecimento de uma paisagem cultural?

CELMA – Os critérios de reconhecimento de uma paisagem cultural variam conforme são estabelecidos pelos documentos de cada país, ou como definidos pela Unesco. No Brasil, por exemplo, a Chancela da Paisagem Cultural Brasileira, estabelecida pela Portaria IPHAN nº 127/2009, define a paisagem como “uma porção peculiar do território nacional, representativa do processo de interação do homem com o meio natural, à qual a vida e a ciência humana imprimiram marcas ou atribuíram valores”. Busca abranger a diversidade de lugares, costumes e paisagens brasileiras. O reconhecimento de uma paisagem cultural perpassa primeiro o Espaço, as pessoas que nele vivem ou interage.

FMA – Paisagem cultural é aquela constituída a partir da interferência humana na natureza…

CELMA – Sim, é o lugar onde se vive, o meio que reflete a interação entre as pessoas e a natureza. É o legado das culturas com o mundo natural, com o tempo: com os eventos do passado, a fruição do presente e as expectativas para o futuro, entre outros. As paisagens culturais são uma narrativa de expressões culturais e de identidade regional para grupos sociais, para comunidades e para a coletividade.

 

FMA – Então, qual a importância da paisagem de Cubatão?

CELMA – Aí que vamos chegar. A paisagem de Cubatão se distingue pelo forte caráter histórico, pela associação com o movimento de ocupação portuguesa desde o século XVII e pela vinculação ao processo industrial e de desenvolvimento técnico paulista e do Brasil, expresso nas vias de transporte já existentes antes da chegada do europeu e das construídas ao longo do tempo. Mas também ostenta um capítulo importante da história ambiental e do operariado brasileiro cuja memória está se perdendo e é parte fundamental da construção da paisagem que não se dá somente no município de Cubatão, mas em outros municípios da Baixada Santista, como Santos.  Enfim, é uma região que ostenta uma paisagem plena de história e, ao mesmo tempo, dotada de uma beleza natural, cênica, ecológica, educacional, contemplativa, de lazer… em suma, um incomparável patrimônio cultural a ser conhecido, divulgado e desfrutado.

 

FMA – Com toda essa importância, por que pouco se fala da paisagem cultural de Cubatão?

CELMA – Não é bem assim. Na verdade, desde a década de 1980, muito se tem falado de Cubatão e da sua paisagem. Sobretudo quando houve uma massiva divulgação na mídia sobre os altos índices de poluição industrial. A partir de 1950, após a construção da Refinaria Presidente Bernardes, até a década de 1970, Cubatão recebeu mais de vinte indústrias de base na área da petroquímica e siderurgia, tornando-se um dos mais importantes complexos industriais do País. Como o Brasil ainda não dispunha de uma legislação ambiental, as indústrias foram instaladas sem o devido cuidado com emissão de poluentes no ar, na água e no solo. Tais consequências nefastas ao meio ambiente e à saúde humana, valeram à cidade a alcunha de Vale da Morte. Mesmo com o trabalho bem-sucedido da Cetesb no controle da poluição ambiental, a imagem negativa de Cubatão ficou no imaginário. Não queremos que essa história seja esquecida, apenas mostrar outros aspectos.

 

FMA – Como é a atual relação dos moradores de Cubatão com a chamada paisagem cultural?

CELMA – Boa questão. Em entrevistas que fiz com moradores de Cubatão, ficou evidente que consideram a paisagem como seu patrimônio cultural. Demonstraram também inquietação com a preservação dos testemunhos da industrialização e da infraestrutura. Eles se preocupam com a natureza, a Serra do Mar, que constitui o envoltório cênico que emoldura a cidade e é o elemento visual mais relevante da região. Mas eles se afligem com o descaso pelos remanescentes de antigas fábricas, pelos antigos caminhos e pela ferrovia. Também evidenciaram que, apesar da carência de políticas de preservação, educacionais, de lazer, entre outros, existe uma relação de identidade com a paisagem local e uma consciência sobre a necessidade de preservação dos testemunhos materiais remanescentes.

 

FMA – Por que é importante o reconhecimento dessa paisagem?

CELMA – Primeiro, porque somos humanos e a vida humana é inseparável da história, da natureza, do patrimônio. O reconhecimento da paisagem como bem cultural abre novas possibilidades de conhecimento, projetos educacionais, lazer e percepção da memória social. Vivemos dentro ou junto às paisagens. Nesse sentido, pode contribuir para que a cidade se torne mais humanizada com melhoria na qualidade de vida, proporcionando um sentido de lugar e de identidade às gerações futuras, assim como propiciar à comunidade uma melhor compreensão sobre o lugar onde vivem e a como buscar uma maior fruição dos testemunhos arquitetônicos e bens tombados da região. Além de possibilitar a novas atividades econômicas ligadas ao potencial histórico e paisagístico que insira a população local.  

A pesquisa de Celma do Carmo, “O (In)visível patrimônio da industrialização – reconhecimento de paisagens em Cubatão”, procura rever essa paisagem, considerando seus paradoxos, defendendo a urgência de iniciativas para sua valorização e reconhecimento também pelos seus relevantes aspectos históricos, culturais, paisagísticos e até afetivos.

 

FMA – Como preservar os elementos arquitetônicos e outros que tornam essa paisagem tão importante?

CELMA – Para isso é imprescindível a atuação séria e isenta dos órgãos de preservação locais e estadual. A preservação do patrimônio cultural exige uma ação conjunta da população com o governo municipal não só no âmbito do patrimônio, mas também para desenvolvimento de projetos de valorização, reabilitação, revitalização ou mesmo requalificação urbana de sítios de valor histórico reconhecidos pela população, como por exemplo, a orla do rio Cubatão, que atravessa a cidade. Ou com a recuperação de locais degradados que remontam à história ferroviária na região. A paisagem pode ser também um meio para criação de mecanismos de reparação que pode incluir também a preservação da memória do trabalhador e fortalecimento da identidade local como museus, centros culturais, projetos educativos, enfim…

 

FMA – Fico imaginando o tamanho desse desafio: Cubatão está entre o maior complexo industrial do Brasil e o maior porto do Brasil?

CELMA – E põe desafio nisso. De fato, como Cubatão situa-se entre um complexo industrial e o Porto de Santos gera um desafio que é conciliar as necessidades de modernização desses setores com as aspirações da população, que almeja o indispensável respeito ao patrimônio cultural e à história. As paisagens estão em constante transformação. Quando relacionadas à indústria isso fica ainda mais evidente, pois a principal característica da indústria é o dinamismo por processos de mudança no modo de produção, de estruturação econômica, entre outros. Por isso é urgente a revisão do atual modelo de desenvolvimento excludente e pautado em projetos que atendem somente às necessidades industriais e portuárias, sem considerar os interesses dos moradores. Não é possível manter o conceito de desenvolvimento da década de 1950 no qual somente a ampliação industrial irá trazer benefícios para a cidade.

 

FMA – Mas o IDH de Cubatão é bem alto…

CELMA – É verdade. O IDH de Cubatão é bem alto, se comparado aos outros municípios da Baixada Santista. No entanto, os moradores não estão imunes aos mesmos problemas de seus vizinhos, cujo IDH e arrecadação tributária é perceptivelmente inferior. Donde se vê que o desenvolvimento e o progresso alardeados pela industrialização não se concretizaram. Então, fica claro que ali os efeitos negativos da industrialização se fazem sentir de modo muito mais adverso do que os benefícios.

A superação desses desafios exige, dentre outros, mecanismos de reconhecimento da paisagem, de forma conjunta com as propostas de gestão compartilhada, com apoio de todos os setores envolvidos e do poder público. Sem isso, é possível que em poucos anos a cidade de Cubatão desapareça como local de vida e convivência humana, vindo a se tornar um mero depósito de contêineres ou um grande pátio de estacionamento de caminhões. Não podemos esquecer que ali vivem pessoas.

 

 

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John Elkington: A Vanguarda da Sustentabilidade Empresarial e Global

Explorando a Vida e o Legado do Arquiteto da Tripla Linha de Base e Defensor Incansável da Responsabilidade Corporativa

Publicado

em

Na arena global da sustentabilidade, poucos nomes ressoam com a mesma reverência que o de John Elkington. Conhecido como o arquiteto da “Tripla Linha de Base”, Elkington emergiu como um pioneiro na integração de preocupações ambientais, sociais e financeiras no mundo dos negócios. Sua jornada como defensor incansável de práticas sustentáveis e responsáveis ​​é um testemunho vivo de sua influência e impacto duradouro.

As Raízes da Visão de Elkington

Nascido com uma consciência intrínseca do poder transformador da sustentabilidade, John Elkington começou sua jornada na Universidade de Londres, onde se formou em Economia e Estudos de Engenharia. Desde o início, seu interesse abrangente pelas interseções entre o mundo dos negócios e as questões ambientais e sociais o levou a explorar novos paradigmas de desenvolvimento econômico que priorizassem não apenas o lucro, mas também o bem-estar coletivo.

A Tripla Linha de Base e Seu Legado Duradouro

É inegável que o maior legado de John Elkington é a popularização do conceito de “Tripla Linha de Base”. Sua inovadora abordagem de avaliação de desempenho empresarial não apenas com base em lucros financeiros, mas também em impactos ambientais e sociais, foi revolucionária. Essa estrutura conceitual permitiu que as empresas repensassem suas práticas e redefinissem o sucesso empresarial, levando em consideração não apenas os resultados financeiros, mas também o impacto em comunidades e ecossistemas.

O Compromisso Contínuo com a Mudança Sistêmica

Além de suas contribuições teóricas, Elkington é conhecido por seu compromisso contínuo com a mudança sistêmica. Ele trabalhou incansavelmente para influenciar políticas e práticas corporativas, promovendo a sustentabilidade como um imperativo central para o crescimento econômico e o bem-estar social. Sua atuação como autor prolífico e palestrante renomado ampliou ainda mais o alcance de suas ideias e inspirou uma geração de líderes a repensar o papel das empresas na sociedade.

O Legado Duradouro e o Caminho à Frente

À medida que o mundo enfrenta desafios cada vez mais complexos, o legado de Elkington permanece como um farol de esperança e um lembrete constante de que a sustentabilidade não é apenas uma opção, mas uma necessidade urgente. Sua visão e dedicação incansável continuam a orientar não apenas empresas, mas também formuladores de políticas e defensores da sustentabilidade em direção a um futuro mais equitativo e próspero.

John Elkington personifica a noção de que a sustentabilidade não é apenas um conceito acadêmico, mas uma filosofia de vida e uma abordagem essencial para moldar um mundo mais resiliente e sustentável. Sua jornada continua a inspirar e a moldar a narrativa global da responsabilidade empresarial e do ativismo sustentável.

 

Entrevista

John Elkington: Bem, ao longo das últimas décadas, testemunhamos um crescente reconhecimento da importância da sustentabilidade, tanto a nível empresarial quanto global. As empresas estão percebendo que devem abordar não apenas suas operações, mas também sua cadeia de suprimentos e impacto social. Vemos um movimento contínuo em direção a práticas mais responsáveis e transparentes, mas ainda há muito trabalho a ser feito.

Com certeza. Quais são os principais desafios que você identifica atualmente em termos de implementação de práticas sustentáveis em larga escala?

John Elkington: Um dos principais desafios é a integração da sustentabilidade no cerne dos modelos de negócios. Muitas empresas ainda veem a sustentabilidade como uma iniciativa isolada, em vez de uma parte fundamental de sua estratégia. Além disso, a falta de regulamentações e políticas sólidas em muitas partes do mundo dificulta a adoção generalizada de práticas sustentáveis. Também é fundamental envolver os consumidores e criar uma demanda por produtos e serviços mais sustentáveis.

Concordo plenamente. Considerando o cenário atual, como você visualiza a importância da inovação e da tecnologia na promoção da sustentabilidade?

John Elkington: A inovação e a tecnologia desempenham um papel crucial na transição para práticas mais sustentáveis. Novas tecnologias podem aumentar a eficiência, reduzir desperdícios e permitir o uso mais inteligente dos recursos. Da energia renovável aos avanços na agricultura sustentável e na gestão de resíduos, a tecnologia tem o potencial de impulsionar mudanças positivas significativas. No entanto, é importante garantir que essas inovações sejam acessíveis e amplamente adotadas, especialmente em comunidades com recursos limitados.

Definitivamente. Quais conselhos você daria para os líderes empresariais e os formuladores de políticas que desejam impulsionar práticas mais sustentáveis?

John Elkington: Para os líderes empresariais, eu enfatizaria a importância de incorporar a sustentabilidade em toda a cadeia de valor, desde a concepção do produto até o descarte responsável. Isso não apenas beneficia o planeta, mas também pode gerar eficiências operacionais e melhorar a reputação da marca. Para os formuladores de políticas, é fundamental criar um ambiente regulatório favorável e incentivar a inovação e o investimento em práticas sustentáveis. Além disso, é crucial promover a conscientização e a educação sobre a importância da sustentabilidade em todas as esferas da sociedade.

 

 

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Kátia Queiroz Fenyves fala a respeito de sustentabilidade e meio ambiente

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Kátia Fenyves é Mestre em Políticas Públicas e Governança pela Sciences Po Paris e formada em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo. Ao longo de sua trajetória profissional, acumulou experiências em cooperação internacional para o desenvolvimento sustentável no terceiro setor e na filantropia. Atualmente é Gerente do Programa de Finanças Verdes da Missão Diplomática do Reino Unido no Brasil.

 

1. Você estudou e tem trabalhado com a questão de sustentabilidade e o meio ambiente. Pode nos falar um pouco a respeito desses temas?
Meio ambiente é um tema basilar. Toda a vida do planeta depende de seu equilíbrio. A economia, da mesma forma, só se sustenta a partir dos recursos naturais e de como são utilizados. Sustentabilidade, portanto, foi o conceito que integrou as considerações aos aspectos ambientais, sociais e econômicos, revelando de forma mais sistêmica esta inter-relação e, sobretudo, colocando o meio ambiente como eixo estratégico do desenvolvimento, para além de seu valor intrínseco.

2. Quando se fala em sustentabilidade, pensa-se no tripé social, ambiental e econômico. Como você definiria esses princípios? Qual deles merece maior atenção, ou todos são interligados e afetam nossa qualidade de vida integralmente?
Exatamente, sustentabilidade é o conceito que revela as interligações entre os três pilares – social, ambiental e econômico e, portanto, são princípios interdependentes e insuficientes se tomados individualmente. Talvez, o ambiental seja realmente o único que escapa a isso. A natureza não depende da economia ou da sociedade para subsistir, mas, por outro lado, é impactada por ambos. Por isso, sustentabilidade é um conceito antrópico, ou seja, é uma noção que tem como referencial a presença humana no planeta.

3. Questões relacionadas à sustentabilidade, preservação do meio ambiente e consumo consciente são discutidas nas escolas e universidades?
Há entre as Diretrizes Curriculares Nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação, que são normas obrigatórias, as específicas para Educação Ambiental que devem ser observadas pelos sistemas de ensino e suas instituições de Educação Básica e de Educação Superior a partir da Política Nacional de Educação Ambiental. Estas contemplam todos os temas citados na pergunta. Não sou especialista na área então é mais difícil avaliar a implementação, mas em termos de marco institucional o Brasil está bem posicionado.

4. Quando se fala em preservação do meio ambiente, pensa-se também nos modelos de descarte que causam tantos danos ao meio ambiente. Existe alguma política de incentivo ao descarte consciente?
Mais uma vez, o Brasil tem um marco legal bastante consistente para o incentivo ao descarte consciente que é a Política Nacional de Resíduos Sólidos de 2010, que é inclusive uma referência internacionalmente. Na verdade, mais que um incentivo ela é um desincentivo ao descarte inconsciente por meio do estabelecimento da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e a logística reversa. Isso significa que a PNRS obriga as empresas a aceitarem o retorno de seus produtos descartados, além de as responsabilizar pelo destino ambientalmente adequado destes. A inovação fica sobretudo na inclusão de catadoras e catadores de materiais recicláveis e reutilizáveis tanto na logística reversa como na coleta seletiva, algo essencial para um país com nosso contexto social.

5. Você acha que os modelos de descarte atuais serão substituídos por novos modelos no pós-pandemia? O que fazer, por exemplo, para incentivar as pessoas a descartar de forma consciente as máscaras antivírus?
Sempre é preciso se repensar e certamente a pandemia deu destaque a certas fragilidades da implementação da PNRS. Grande parte dos hospitais brasileiros ainda não praticam efetivamente a separação e adequada destinação de seus resíduos e, na pandemia, este problema é agravado tanto pela maior quantidade de resíduos de serviços de saúde gerados como por uma maior quantidade de geradores, uma vez que a população também começa a produzir este tipo de resíduo em escala. Falta ainda muita circulação da informação, então talvez este seja o primeiro passo: uma campanha de conscientização séria que jogue luz nesta questão.

6. Na sua opinião, o mundo está mais consciente das necessidades de preservação do meio ambiente e dos recursos naturais para que gerações futuras possam deles usufruir?
Acredito que tenhamos passado do ponto em que estas necessidades de preservação eram uma questão de consciência e chegamos a um patamar de sobrevivência. Também não se trata apenas das gerações futuras, já estamos sofrendo as consequências do desequilíbrio ambiental provocado pela ação humana e do esgotamento dos recursos naturais desde já. A própria pandemia é resultado de relações danosas entre o ser humano e o meio ambiente e os conflitos por fontes de água, por exemplo, são uma realidade.

7. Quais as ações que mais comprometem e degradam o meio ambiente?
Nosso modelo produtivo e de consumo como um todo é baseado em uma relação predatória com o meio ambiente: retiramos mais do que necessitamos, sem respeitar os ciclos naturais de reposição e, além disso, quando descartamos os resíduos e rejeitos não cumprimos com os padrões adequados estabelecidos. Já temos conhecimento suficiente para evitar grande parte dos problemas, mas ainda não conseguimos integrá-lo nas nossas práticas efetiva e definitivamente.

8. O que na sua opinião precisa ser feito para que as sociedades conheçam mais a respeito de sustentabilidade, preservação do meio ambiente e consumo consciente?
Acredito que para avançarmos como sociedade precisamos tratar a questão das desigualdades socioeconômicas que estão intrinsicamente relacionadas a desigualdades ambientais, inclusive no que diz respeito às informações, ao conhecimento. A educação é, portanto, um componente estratégico para este avanço, mas é preciso ter um entendimento amplo que traga também os saberes tradicionais para esta equação. Além disso é preciso cada dia mais abordar o tema da perspectiva das oportunidades, pois a transição para modos de vida mais sustentáveis, que preservam o meio ambiente e que se baseiem em consumo conscientes alavancam inúmeras delas; por exemplo, um maior potencial de geração de empregos de qualidade e menos gastos com saúde.

9. A questão climática está relacionada com a sustentabilidade? Como?
A mudança do clima intensificada pela ação antrópica tem relação com nossos padrões de produção e consumo em desequilíbrio com o meio ambiente: por um lado, vimos emitindo uma quantidade de gases de efeito estufa muito significativa e, por outro, vimos degradando ecossistemas que absorvem estes gases, diminuindo a capacidade natural do planeta de equilibrar as emissões. Assim, a questão climática está relacionada com um modo de vida insustentável. A notícia boa é que práticas sustentáveis geram diretamente um impacto positivo no equilíbrio climático do planeta. Por exemplo, o Brasil tem potencial para gerar mais de 25 mil gigawatts em energia solar, aproveitando sua excelente localização geográfica com abundância de luz solar, uma medida sustentável que, ao mesmo tempo, é considerada uma das melhores alternativas para a diminuição das emissões de CO2 na atmosfera, que é um dos principais gases intensificadores do efeito estufa.

 

 

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