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A primeira paisagem cultural do Ceará

Integrar a lista estadual é um passo para fortalecer a candidatura da Chapada do Araripe como Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade. Proposta será enviada ainda este ano.

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A Chapada do Araripe é um acidente geográfico e sítio paleontológico localizado na divisa dos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. A chapada abriga uma floresta nacional, uma área de proteção ambiental e um geoparque.

 

A Chapada do Araripe deve ser o primeiro lugar reconhecido como Paisagem Cultural do Ceará, pelo Estado. Um projeto será enviado à Assembleia Legislativa pelo governador Camilo Santana, onde será apreciado pelos deputados, que cria esse reconhecimento. A iniciativa pioneira é uma estratégia para encorpar sua candidatura como Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade junto à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A iniciativa começou em agosto de 2019 com o Seminário Chapada do Araripe Patrimônio da Humanidade, realizada em Nova Olinda. Dali, foi lançado o comitê intersetorial, que deu início aos trabalhos técnicos, formado por representantes da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), da Universidade Regional do Cariri (Urca), do sistema Fecomércio, da Fundação Casa Grande, do Geopark Araripe, entre outros.

 

A Chapada do Araripe: levantamentos iniciais mapearam bens em 29 municípios, naturais e culturais

 

INCLUSÃO NA LISTA NACIONAL

Em fevereiro do ano passado, este grupo enviou um ofício junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) solicitando que seja apreciada a inclusão na lista nacional.

Entre os locais que já foram alçados como Patrimônio Cultural e Natural do Brasil e que também foram reconhecidas pela Unesco estão a cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, o Centro Histórico de Olinda, Pernambuco, o Centro Histórico de Salvador, Bahia, o Plano Piloto de Brasília, no Distrito Federal, o Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, a cidade do Rio de Janeiro, Paraty e Ilha Grande, que inclui parcelas do território dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Com apoio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), um projeto na ordem de R$ 700 mil para elaboração do dossiê exigido pela Unesco, foi iniciado em agosto do ano passado. O trabalho é realizado por 12 pesquisadores.

29 MUNICÍPIOS, NATURAIS E CULTURAIS

“Os levantamentos iniciais mapearam bens em 29 municípios, naturais e culturais. Portanto, temos alguns dados bastante relevantes”, ressalta o professor Patrício Melo, que lidera a pesquisa com apoio técnico da pesquisadora Conceição Lopes, da Universidade de Coimbra, em Portugal.

 

 

Os grupos de reisado catalogados em Juazeiro do Norte entram como importante elemento cultural presente na Chapada do Araripe.

Entre os dados coletados estão, por exemplo, os 22 grupos de reisado catalogados em Juazeiro do Norte. Do ponto de vista do patrimônio natural, também foi feito um levantamento tal como dos sítios arqueológicos. “Tem uma grande quantidade em municípios com proteção tímida, com Abaiara e Brejo Santo. Um patrimônio também representativo em cidades como Farias Brito e Caririaçu”, completa o pesquisador. A primeira versão deverá ficar pronta ainda neste mês e será apresentada como base para receber a chancela a nível estadual, até agosto deste ano.

O secretário de Cultura do Estado, Fabiano Piúba, acredita que este reconhecimento a nível local é um degrau importante para a inclusão na lista do Iphan. Já a candidatura junto à Unesco, depende de uma indicação do Brasil, através do próprio órgão. Inclusive, uma visita de técnicos do Instituto ao Cariri estava prevista para março e abril do ano passado, mas por causa da pandemia da covid-19, teve que ser adiada.

Em fevereiro deste ano, um novo pedido foi enviado à Brasília, mas sem retorno, até agora. Nele, a Secult pede novas visitas técnicas e encontros virtuais. “Ainda estamos aguardando a resposta”, explica Piúba.

NOVO SEMINÁRIO NO SEGUNDO SEMESTRE

O Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (Coepa) convocou audiência pública para apresentar a primeira versão do dossiê. No segundo semestre deste ano, está previsto para acontecer um novo seminário, onde serão comunicados às instituições e à população os avanços da candidatura até agora. “Até para que possam se apropriar da discussão”, reforça Patrício.

A ideia é que neste segundo ano de trabalho, os pesquisadores se dediquem a corrigir eventuais apontamentos da primeira versão do dossiê e discutam o planejamento da gestão da Chapada do Araripe como Patrimônio da Humanidade. A apresentação formal junto à Unesco está prevista para 2023.

 

As famosas fontes naturais em Barbalha

 

 

PAISAGEM CULTURAL DO CEARÁ

“A escolha por 2023 é por várias questões. A primeira, que para ser viável, precisa estar na lista nacional. Acreditamos que, até lá, seja tempo suficiente para ser apreciado junto ao Iphan, que no primeiro momento ficou entusiasmado com a documentação que apresentamos. Isso deixou a equipe otimista”, lembra o professor da URCA.

Caso a candidatura da Chapada do Araripe não seja aprovada, Patrício acredita que o reconhecimento estadual, pela consequente a criação do projeto de Paisagem Cultural do Ceará, de forma pioneira, já traz benefícios. “A cultura e a Chapada já são reconhecidas pela comunidade local e científica. Mas a construção do dossiê criou uma agenda de proteção deste patrimônio”.

DEFINIÇÃO de PATRIMÔNIO CULTURAL

A Unesco define o Patrimônio Cultural e Natural em três classificações: Paisagem Associativa, Paisagem Evolutiva Relíquia Fóssil e a Paisagem Evolutiva Viva. No caso da Chapada do Araripe, ela se enquadrará nesta última, que aponta a “co-relação entre homem e natureza”.

“A perspectiva é conectar a existência da cultura com os povos que por aqui viveram pelo patrimônio natural, rios, florestas. Evolutiva viva porque essa passagem humana criou um sistema de cultura que tem manifestações no território através da arqueologia, interpretação mística dos fósseis”, explica Patrício.

Na interpretação dos pesquisadores, os resquícios da cultura ancestral estão preservados, mesmo no século XXI. Um exemplo está na manifestação da banda cabaçal dos irmãos Aniceto. “A dança representa um caboclo tentando domar um enxame de abelha. Isso faz com que a paisagem vá evoluindo”.

Um dos idealizadores da candidatura, Alemberg Quindins, que ao lado da arqueóloga Rosiane Limaverde criou a Fundação Casa Grande, de forma filosófica, acredita que a Chapada do Araripe reúne o território do “Kariri com K”, reforça de forma enfática, em referência à nação indígena que viveu na região. “A federalização do Brasil transformou a Chapada do Araripe de uma mesa para um muro, que separou a cultura que vive no entorno. Mas sempre existiu um povo envolto desse oásis que aqui proporcionava”, compreende.

LUIZ GONZAGA E LAMPIÃO X PADRE CÍCERO E PATATIVA DO ASSARÉ.

Como um lugar que compreende o Ceará, Pernambuco e Piauí e tem no seu entorno a Paraíba, Alemberg acredita que “o que foi politicamente dividido, culturalmente nunca foi”, enxerga. De um lado, Luiz Gonzaga e Lampião, do outro, o Padre Cícero e Patativa do Assaré.

“A Chapada é o epicentro deste território. Dela, nasce a Bacia do Araripe, em que estão sítios arqueológicos e paleontológico. Em sua borda, tem todos os valores, como a Pedra do Reino. Isso é muito interessante. Quantos nordestinos vem ao Juazeiro? Em todo lugar você vê uma estátua do Padre Cícero. Com os romeiros, se carregam as lendas da Batateira, da Mãe D’água. A Chapada é um resumo do Nordeste”, define.

O QUE ESSE RECONHECIMENTO REPRESENTA?

“O reconhecimento do Cariri como patrimônio cultural aqui, nós já temos. O que estamos ofertando é o reconhecimento para o mundo, para a humanidade”, acredita o titular da Secult. Fabiano Piúba ilustra que a inserção do território junto à Unesco traz quatro principais fomentos: político, ambiental, turístico e educativo. “Cria uma agenda de desenvolvimento, porque temos que apresentar um plano de gestão”, completa.

A política da cultura seria beneficiada pelo fomento das artes e tradições populares. “Cultura é economia. Gera riqueza. Essa manifestação cultural ajuda o desenvolvimento das pessoas”, reforça. Do ponto de vista ambiental, o plano de gestão estimularia a preservação das riquezas naturais, como as fontes naturais e a Floresta Nacional do Araripe.

“A Chapada é um livro deitado que conta a história do mundo a partir da paleontologia, da arqueologia”

 

Araripe na língua tupi significa “lugar das araras”. Sua riqueza natural é tamanha que a chapada abraça os biomas Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado. O Sistema Fecomércio Ceará, pelo SESC, incentiva e apoia o projeto da Chapada do Araripe como Patrimônio da Humanidade.

 

OPÇÃO DE TURISMO SUSTENTÁVEL

Outra e importante alternativa é o turismo. “Mas não um turismo convencional. Um turismo sustentável e cultural. Turismo que vão oferecer experiências. Conhecer e se reconhecer. Valorar a experiência de pertencimento ou de descoberta”, adverte o secretário.

Neste trabalho, entra um circuito que vai desde os bens culturais como o Centro Cultural do Cariri, que está sendo construído no Crato, ao Mirante do Cruzeiro em Barbalha, onde foi instalado o teleférico. Por último, vem a educação patrimonial. “A gente só se preserva quando a gente educa. É um projeto que as pessoas, os municípios, estarão dentro do plano de gestão. Nele, ações que estimulem a preservação, a reeducação”, completa.

A candidatura também vai discutir o desenvolvimento de regiões do entorno, em especial o Pernambuco, mas também pensando em cidades do Piauí e Paraíba. “Para nós, o patrimônio tem que ofertar inclusão e distribuição de renda. Do que adianta criar um patrimônio que só quem tem condições de visitar são os ricos.

As populações têm que ser inclusas, capacitadas. Os valores do lugar sejam sublinhados, apoiados, para quando se tonar patrimônio da humanidade, elas serem as primeiras beneficiadas”, acredita Alemberg Quindins.

 

 

 

 

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O DIA DO PANTANAL

Quando o ambientalista Francisco Anselmo Barros [Francelmo] deu sua vida pela vida do Pantanal

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FRANCELMO: “Já que não temos voto para salvar o Pantanal, vamos dar a vida para salvá-lo.”

 

Dia 12 de novembro é o Dia do Pantanal. Tem explicação. Em 2005, o Pantanal perdia seu maior protetor: o ambientalista Francisco Anselmo de Barros, conhecido como Francelmo. Em ato de coragem, o ambientalista ateou fogo ao próprio corpo como forma de protesto durante um movimento contra a implantação de usinas de álcool e açúcar no planalto da Bacia do Alto Paraguai. Em 2008 foi aprovada a moção que cria o dia 12 de novembro como o Dia do Pantanal pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) em homenagem a Francelmo.

 

SÃO FRANCELMO! ROGAI POR NÓS!

Presidente da Fundação para Conservação da Natureza de Mato Grosso do Sul (Fuconams) e coordenador do Fórum em Defesa do Pantanal, Francelmo participava da manifestação contra a instalação de usinas de álcool na BAP, organizada pela Ecoa – Ecologia e Ação, com apoio de artistas e músicos. Quase no fim das apresentações, ele dirigiu-se a uma Kombi, onde pegou dois colchões e os colocou em formato de cruz. Em seguida, despejou dois galões pequenos de gasolina nos colchões, sentou-se e ateou fogo no próprio corpo. Segundo testemunhas que participavam do ato, ninguém fez nada para impedir porque todos achavam que ele estava preparando uma encenação como parte do protesto.

 

UMA LUTA PELA VALORIZAÇÃO DAS ÁRVORES ACUADAS PELO OUTDOOR

 

No Dia da Árvore, de 2003, Francelmo usou de muita ironia contra o então prefeito de Campo Grande e saiu em defesa das árvores “pois incrivelmente as administrações públicas cortam as árvores para favorecer as placas de propaganda”.

 

Francisco Anselmo Barros fundou uma das primeiras ONGs brasileiras. Jornalista e editor, Anselmo ocupou cargos no Conselho Municipal de Controle Ambiental, foi membro da Associação Brasileira dos Jornalistas de Turismo, da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, diretor executivo da Editora Saber Ltda, diretor executivo da Associação de Fomento e Apoio às Artes e a Cultura em Geral. Era, ainda, filiado ao Fórum Brasileiro de ONGs, à Associação Brasileira de ONGs e participante de inúmeras entidades nacionais e internacionais.

 

A CARTA DE FRANCELMO 

O ambientalista deixou uma carta justificando seu ato. Nela, faz um desabafo sobre a questão ambiental, especialmente sobre a construção de um canal de navegação no rio Paraguai e a construção das usinas. Concluiu sua carta dizendo: “Já que não temos voto para salvar o Pantanal, vamos dar a vida para salvá-lo.”

CARTA DE FRANCELMO FALA DO PANTANAL

E DA TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO

Francelmo deixou várias cartas. A mais importante, foi para seus companheiros ambientalistas. Ele fala dos maus políticos, marca sua posição contra a transposição do rio São Francisco antes da revitalização, denuncia o contrabando de sementes transgênicas e diz da impassividade do governo sobre as queimadas na Amazônia.

 

Campo Grande-MS, novembro de 2005

 

MEUS QUERIDOS PARES:

“Nós fomos os pioneiros no Brasil, na questão do meio ambiente. Hoje somos passados para trás pelos interesses de maus políticos, maus empresários e os PhD’s de aluguel.

Em termos de Brasil, estamos vendo o barco afundar e ninguém diz nada.

São transgênicos entrando de contrabando pelo sul e o governo apoiando, são as queimadas na Amazônia e o governo impassível. É gente com terra do tamanho de um estado e é gente sem-terra. É transposição do Rio São Francisco no lugar de revitalização.

No Pantanal querem fazer do rio Paraguai um canal de navegação com portos para grandes embarcações e grandes comboios. É pólo siderúrgico e pólo gás-químico. Agora querem fazer usinas de álcool no rio Paraguai.

Um terço dos deputados a favor, um terço contra e um terço sem saber o que é. Já que não temos voto para salvar o Pantanal vamos dar a vida para salvá-lo”.

Francisco Anselmo Gomes de Barros

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PANTANAL: MUITA CHUVA E MUITA SECA

A flutuação no nível da água é fundamental para o funcionamento desse bioma.

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Pantanal: onde tuiuiús, várias espécies de garças e muitas aves convivem nas lagoas e rios.

 

 

O Pantanal é caracterizado pela alternância entre períodos de muita chuva, que acontecem de outubro a março, e períodos de seca nos meses de abril a setembro. Possui região plana, levemente ondulada, com alguns raros morros isolados e com muitas depressões rasas. As altitudes não ultrapassam 200 metros acima do nível do mar e a declividade é quase nula.

 

 

A flutuação no nível da água é fundamental para o funcionamento desse bioma. Durante a seca, o material que se decompõe no solo contribui para o enriquecimento da água de inundação durante a cheia. Quando as águas recuam, elas deixam uma rica camada de nutrientes no solo, que servirão de base para o surgimento de uma extensa vegetação.

 

Manejo de gado no campo experimental Fazenda Nhumirim da Embrapa Pantanal: Foto: Nicoli Dichoff

 

 

INFLUÊNCIAS E ESPÉCIES

A beleza e a ocupação econômica do Pantanal vêm provocando um grande impacto sobre toda a região. De acordo com o Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros por Satélite, o bioma Pantanal mantêm 83,07% de sua cobertura vegetal nativa.

 

Três importantes biomas brasileiros têm forte influência na região pantaneira: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Além disso sofre influência do bioma Chaco (nome dado ao Pantanal localizado no norte do Paraguai e leste da Bolívia). Uma característica interessante desse bioma é que muitas espécies ameaçadas em outras regiões do Brasil persistem em populações avantajadas na região, como é o caso do tuiuiú – ave símbolo do Pantanal. Estudos indicam que o bioma abriga os seguintes números de espécies catalogadas: 263 espécies de peixes, 41 espécies de anfíbios, 113 espécies de répteis, 463 espécies de aves e 132 espécies de mamíferos sendo 2 endêmicas. Segundo a Embrapa Pantanal, quase duas mil espécies de plantas já foram identificadas no bioma e classificadas de acordo com seu potencial, e algumas apresentam vigoroso potencial medicinal.

 

Assim como a fauna e flora da região são admiráveis, há de se destacar a rica presença das comunidades tradicionais como as indígenas, quilombolas, os coletores de iscas ao longo do rio Paraguai, comunidade Amolar e Paraguai Mirim, dentre outras. No decorrer dos anos essas comunidades influenciaram diretamente na formação cultural da população pantaneira.

Apenas 4,6% do Pantanal encontram-se protegidos por unidades de conservação, dos quais 2,9% correspondem a UCs de proteção integral e 1,7% a UCs de uso sustentável.

A beleza do Pantanal e a imponência da Serra do Amolar, onde o rio Paraguai estreita, provocando as inundações em época de chuvas. (foto: Fábio Olmos)

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PANTANAL

UM PATRIMÔNIO A PRESERVAR

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A maior planície alagável de água doce do Planeta está na América do Sul. Grande parte em Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul. O Complexo do Pantanal brasileiro é o menor bioma nacional, tem rara beleza, rica avifauna e possui 250 mil km² de extensão. O Pantanal é considerado pela UNESCO “Patrimônio Natural Mundial” e uma “Reserva da Biosfera”. Todo o Complexo do Pantanal  possui uma área de 624.320 km², aproximadamente 62% localizada no Brasil. Os outros 38% se estendem pela Bolívia (20%) e Paraguai (18%).

 

 

O Pantanal total possui uma área de 624.320 km², aproximadamente 62% localizada no Brasil, nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e estende-se pela Bolívia (20%), e Paraguai (18%). As cheias anuais atingem cerca de 80% do Pantanal e o ciclo das águas traz o equilíbrio ambiental, proporcionando a renovação da fauna e da flora. Pela importância ambiental, foi decretado Patrimônio Nacional pela Constituição de 1998, e Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera, pelas Nações Unidas, em 2000. Dados apontam que Pantanal brasileiro gera cerca de US$ 112 bilhões por ano em serviços ambientais, mantendo-se conservado. O valor representa 5% do PIB nacional. Se convertido em áreas agropecuárias, estimam-se US$ 414 milhões anuais cujos benefícios serão mais individuais do que coletivos.

 

O Pantanal é caracterizado pela alternância entre períodos de muita chuva, que acontecem de outubro a março, e períodos de seca nos meses de abril a setembro. Possui região plana, levemente ondulada, com alguns raros morros isolados e com muitas depressões rasas. As altitudes não ultrapassam 200 metros acima do nível do mar e a declividade é quase nula.

 

PARQUE NACIONAL DO PANTANAL MATOGROSSENSE

O Parque Nacional (Parna) do Pantanal Matogrossense foi criado pelo Decreto nº 86.392, de 24 de setembro de 1981, com área de 135.000 ha. Seu portão de entrada está localizado no município de Poconé, a 120 km da capital do estado do Mato Grosso, Cuiabá. A sede fica em um platô – a salvo de inundações – e conta com instalações administrativas, como escritórios e residências funcionais, assim como embarcações para transporte de servidores e para as atividades de proteção ambiental, mas não tem Centro de Visitantes.

 

O portal na rodovia Transpantaneira, em Poconé, onde está a entrada do Pantanal em Mato Grosso. Foto: Silvestre Gorgulho

 

 

A região pantaneira, que possui uma grande biodiversidade, está ameaçada por vários fatores. E alguns animais como a onça-pintada, onça-parda, cervo-do-pantanal, arara azul, dentre outros estão em processo de extinção. Segundo o IBGE, o Pantanal tem uma área aproximada de 150.355 km², ocupando assim 1,76% da área total do território brasileiro. Em seu espaço territorial o bioma, que é uma planície aluvial, é influenciado por rios que drenam a bacia do Alto Paraguai.

 

Após o Portal do Pantanal, em Poconé, uma homenagem a São Francisco de Assis, o Protetor da Natureza. (foto: Silvestre Gorgulho)

 

 

 

 

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Reportagens

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