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DIA DA ÁRVORE E O INÍCIO DA PRIMAVERA

Água, árvores, florestas e a primavera são símbolos vivos da natureza exuberante e compõem a beleza da vida

 

Em Brasília, os moradores param para desfrutar e fotografar os ipês rosas, amarelos e brancos – cada uma florindo numa época do ano. As flores dão um colorido especial à vida da Capital. Segundo o Departamento de Parques Jardins de Brasília, existem mais de 260 mil pés de ipês colorindo o chão e o majestoso céu do Distrito Federal. No Planalto Central há o reinado dos ipês, que florescem cada um a seu tempo: o ipê branco, o ipê rosa e o ipê amarelo.

 

Setembro é o mês das flores, das árvores e da Primavera. Em plena secura, renasce a vida. Os ipês rosas, amarelos e brancos dão o tom de como a natureza é magnânima e deslumbrante. Na chegada de setembro e calendário vai nos preparando para o final do ano. Se 2020 foi difícil devido a pandemia, o recolhimento, isolamento e precauções terríveis com a saúde, o ano de 2021 também não foi nada fácil. Mas chegou a vacina para dar ânimo novo a todos. Pena que a politização da Pandemia, da origem do coronavírus e da vacina trouxe um mal-estar à população. Quando todos deveriam se unir para combater a doença, houve uma divisão cruel: uns torcendo contra o Brasil, outros usurpando de poderes que não tinham, enquanto as ideologias políticas plantaram mais ódios e mais divisões do que soluções. Com setembro, o inverno sefoi e chega a Primavera. Com a Primavera chega o Dia da Árvore, quando os homens param para comemorar e fazer uma reflexão sobre o papel das árvores na vida do Planeta Terra. A fauna e a flora são símbolos vivos de natureza exuberante, de alegria, beleza e harmonia ecológica. Sem árvores, a natureza empobrece. Sem floresta, não há água, não há fauna e a vida entra em colapso. Em diversos países e nas mais variadas culturas há um respeito e até adoração por espécies de árvores. A árvore oferece ao ser humano um caleidoscópio de serventias: é alimento, é matéria-prima para moradia, é sombra e é até ataúde para sua despedida final. Viva a árvore! Viva a Primavera!

 

Brasília: Esplanada dos Ministérios, em plena seca, tem majestade dos ipês amarelos que florescem entre agosto e setembro. 

 

Os ipês roxos adornam os monumentos mais importantes da Capital do Brasil.

 

DIA DA ÁRVORE: AS COMEMORAÇÕES

Sobre as comemorações do DIA DA ÁRVORE, as datas podem variar, mas o sentido da preservação e da valorização da flora tem a mesma realidade em todas as regiões, em todas as culturas e em todos ecossistemas. Sempre na busca de conscientizar as gerações para proteger um elemento essencial na manutenção da vida.

A árvore oferece ao ser humano um caleidoscópio de serventias: ela é alimento, é matéria-prima para construção de sua morada, dela se retira substâncias químicas, óleos e medicamentos para um viver saudável, ela melhora o clima, protege os mananciais, evita erosões e oferece sua sombra. Sem árvore, não há água, não há animais e não há equilíbrio ecológico. Não há vida. Como num ritual, são as folhas das árvores que alimentam a terra e suas raízes que sustentam e preservam o solo.

 

HISTÓRICO NO BRASIL SOBRE DIA DA ÁRVORE

Até 1965, o Brasil sempre fez a festa anual da árvore no dia 21 de setembro, que marca o início da Primavera. Era comemoração nacional. A partir de fevereiro de 1965, o então presidente Castelo Branco, primeiro governo do ciclo militar, sancionou o decreto-lei 55.795, que separou as comemorações.

No centro-sul, continuava o 21 de setembro e no norte e nordeste, a festa da árvore passou a ser na última semana de março. Motivo: é justamente o período de início das chuvas e, portanto, propício ao plantio de sementes.

E o que acontece hoje, cinco décadas depois? Prefeitos, professores e alunos do Norte e Nordeste ainda insistem em comemorar o Dia da Árvore em 21 de setembro, contrariando o dispositivo legal.

Por quê? Porque a mídia e os livros didáticos, ao referendar pura e simplesmente o 21 de setembro como o Dia da Árvore, contribuem muito para aumentar essa desinformação.

 

Araucária, a árvore chamada comumente de pinheiro-brasileiro oi pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia) é uma espécie que ocorre em áreas de floresta ombrófila mista principalmente, na região sul do Brasil e também nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, em especial, na Serra da Mantiqueira. 

 

O pinhão, fruto da araucária, é apreciadíssimo. É uma rica reserva energética, constituída principalmente por amido, proteínas e lipídios. Ela é muito usada na alimentação, tanto de homens quanto de alguns animais silvestres e domésticos.

 

 

A RAÍNHA DAS ÁRVORES DA FLORESTA

 

A samaúma, tem beleza, tem porte, tem uma madeira cobiçada e pode chegar a uma altura de 70 metros. É a maior árvore da Amazônia e uma das maiores do mundo. Seu tronco é muito volumoso e suas raízes conseguem tirar água das profundezas do solo para si e para todas as árvores a sua volta.

 

 

 

 

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MARIANNE NORTH

(Parte 2)

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A bióloga-pintora que correu o mundo para pintar plantas e paisagens e é personalidade retratada na entrada da cidade de Tenerife, nas Ilhas Canárias.

Visitei Tenerife duas vezes. A primeira, em 2019, quando fiz a travessia de navio “MSC Seaview” de Civitavecchia (Itália) para o Brasil. A segunda vez, em abril de 2024, também de navio, desta vez no “Norweguian Star”, do Rio de Janeiro para Lisboa. Em ambas as oportunidades deixei o navio para passar o dia em Tenerife.

 

A cidade me chamou a atenção por vários motivos. Primeiro, porque logo na saída do porto, a gente se depara com um monumento cultural e turístico: os totens ou pedestais que traz os nomes das maiores personalidades mundiais que já visitaram Tenerife. Deve ter uns 80 totens com fotos e pequena descrição de cada um. Lá estão Charles Darwin, Churchill, escritores, reis e rainhas. Vale andar pausadamente para ver este desfile de visitantes ilustres.

Deve ter uns 80 totens com fotos e pequena descrição de cada um. Lá estão Charles Darwin, Churchill, escritores, reis e rainhas.

Várias dessas personalidades já foram motivo de reportagens aqui na Folha do Meio Ambiente como Charles Darwin, Alexander Von Humboldt e Marianne North, que abriu uma grande série que fizemos no jornal chamada “NATURALISTAS VIAJANTES”. Estamos repetindo agora.

Von Humbolt, fundador da moderna geografia física e autor do conceito de meio ambiente geográfico, fez uma das mais belas metáforas que já li quando visitou o Brasil e viu uma vereda coberta de vagalumes:

“OS VAGALUMES FAZEM CRER QUE, DURANTE UMA NOITE NOS TRÓPICOS, A ABÓBODA CELESTE ABATEU-SE SOBRE OS PRADOS”.

 

SANTA CRUZ DE TENERIFE:

QUANTA BELEZA, ARTE E CIVILIDADE

As figuras expostas no Passeio de Visitantes Ilustres, proporcionam aos visitantes da cidade de Tenerife um percurso emblemático. Além de prestar homenagem a figuras universais que deixaram uma marca indelével na História, tendo atracado o porto de Tenerife em diferentes momentos, eles consolidaram os seus laços com este ponto de passagem histórico. O turista têm um aprendizado do legado deixado por essas personalidades.

É um reconhecimento da comunidade aos visitantes e estamos ao mesmo tempo que acrescenta um valor importante à cidade sobre o ponto turístico e cultural.

 

A pequena biografia e imagens dos mais ilustres visitantes de Tenerife em totens ou pedestais reafirmam a importância da ilha como um espaço de memória coletiva. O monumento convida os visitantes a conhecer melhor esses personagens fundamentais na História Universal. (Foto: Silvestre Gorgulho)

 

 

Marianne North esteve em Tenerife de 13 de janeiro a 29 de abril de 1875. (Foto: Silvestre Gorgulho)

 

PINTURAS DE MARIANNE NORT

EM TENERIFE

Nos quatro meses que a bióloga e pintora inglesa Marianne North passou em Tenerife, ela fez várias pinturas de plantas e paisagens das Ilhas Canárias.

 

 

Pintura de Marianne North no Jardim Botânico de Tenerife em 1875.

 

A Árvore do Dragão no jardim de Tenerife por Marianne North.

A cidade de Tenerife vista do alto por Marianne North.

 

 

Naturalistas Viajantes – Edição 382 – janeiro 2026

MARIANNE NORTH (Parte Final)

Nenhum dos artistas viajantes do Século 19 foi capaz de retratar a paisagem e a flora brasileiras com a intensidade e o colorido dos óleos da pintora inglesa Marianne North. O apoiador mais famoso de Marianne North foi Charles Darwin, o naturalista inglês cujas observações meticulosas se tornaram a base da biologia evolutiva.

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A INVENÇÃO NOTA 10 E O VEXAME DA COP30

O Brasil, sede da COP30, perdeu a chance de celebrar sua maior inovação sustentável. Por quê?

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Reginaldo Marinho inventor com módulo e maquete em exposição na Feira da Indústria da Construção, Feicon-São Paulo.

 

 

O Brasil, sede da COP30 em 2025, deveria estar exportando tecnologias de inovação de ruptura para o mundo. Contudo, nossa maior contribuição para a Economia Ecológica e habitação sustentável jaz abandonada há 14 anos. A Construcell – a estrutura construtiva solar e modular, premiada internacionalmente, que transforma o passivo ambiental de garrafas PET em moradias de alta resiliência – é a prova do diagnóstico amargo: a “Opção pela Mediocridade” brasileira. O inventor Reginaldo Marinho, cuja jornada foi reconhecida pelo Prime/Finep com Nota Máxima (10,00) em Grau de Inovação e, em seguida, ignorada por 14 anos pelo Estado, fala sobre a sabotagem institucional, a urgência geopolítica da COP30 e o vexame de perdermos nossos gênios para quem realmente valoriza o futuro.

 

 REGINALDO MARINHO – ENTREVISTA

Ele é um visionário. Reginaldo Marinho, paraibano de João Pessoa, estudou três anos de engenharia e dois anos de arquitetura na Universidade de Brasília para receber com todo orgulho o diploma de inventor. No Brasil, já fez de tudo para emplacar seu invento. Percorreu ministérios, agências de desenvolvimento, estatais e até redações de jornais para convencer autoridades e influenciadores de que não era nem maluco e que sua invenção era muito séria e importante para a sustentabilidade. Pouco conseguiu. Mas o que seu país, lhe negou este brasileiro arretado conseguiu no exterior: reconhecimento, prêmios e medalhas. Sim, a Medalha de Ouro do Salão Internacional de Invenções da Europa, em Genebra, concorrendo com mais de 600 inventores de 44 países.

 

 

Silvestre Gorgulho – Reginaldo, lá se foram mais de duas décadas e sua invenção se tornou um “triste símbolo” no Brasil. Explica por que a COP30 gosta mais de ideologia do que de tecnologia e o que significa essa “Invenção Sustentável” totalmente ignorada pela COP30, em Belém?

Reginaldo Marinho – Olha, quem prometeu uma COP30 da verdade, entregou uma COP da hipocrisia. Sim, hipocrisia da preservação ambiental, hipocrisia da agenda climática. A verdade é que a COP, todas elas, viraram um movimento mais ideológico do que de sustentabilidade. Tanto que a COP30, em Belém, ficou esvaziada. Apenas 17 chefes de Estado e ninguém dos BRICs e das grandes lideranças mundiais. Estados Unidos fora e a maioria da própria América Latina. Não se pode falar em sustentabilidade sem tecnologia e sem educação.

 

Silvestre – Você mencionou a hipocrisia da agenda. Essa falha de visão do Estado brasileiro é recente, ou a Construcell já havia sido rejeitada em outras grandes vitrines internacionais que o Brasil promoveu?

Reginaldo Marinho – Está aí um grande paradoxo. Há 25 anos, a Construcell não era apenas engenharia. Era um paradigma em Economia Ecológica: um sistema construtivo solar e modular que transforma o passivo ambiental mais problemático do planeta – as garrafas PET – em moradias de baixo custo e alta resiliência. O Brasil, sede da COP30, deveria celebrar essa tecnologia e outras tecnologias como sua maior contribuição para a sustentabilidade global. No entanto, o Construcell se tornou um símbolo da ‘Opção pela Mediocridade’ que paralisa nosso desenvolvimento tecnológico.

 

Silvestre Gorgulho – Nesse sentido, você já havia experimentado alguma rejeição à sua invenção?

Reginaldo Marinho – Sim. Depois da Exposição Universal de Hannover, EXPO 2000; do Ano do Brasil na França, 2005; da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, RIO+20; da Copa da FIFA, 2014; na COP 30, o Brasil perde a quinta oportunidade de mostrar para o mundo uma tecnologia ambiental disruptiva que continua inédita na engenharia civil. Foram oportunidades de ouro que o Brasil perdeu. Não foram apenas perdas econômicas. Nós perdemos oportunidades de manifestar o orgulho nacional.

 

Silvestre Gorgulho – Por que o Brasil rejeitou uma tecnologia com esse potencial?

Reginaldo Marinho – A raiz está na aversão cultural à inovação de ruptura. Enquanto o mundo busca soluções urgentes para a crise plástica e climática, o Brasil rejeitou ativamente a única tecnologia capaz de absorver todo o PET do planeta de forma construtiva. Essa falha de visão já foi ecoada pela presidente da Academia Nacional de Ciências dos EUA (NAS), Marcia McNutt, que, em entrevista publicada no Estadão, diagnosticou: “a ciência brasileira precisa ser mais ousada”. O nosso caso prova que a inação do Estado é o maior obstáculo.

Maquete impressa em 3D na paisagem arquitetônica de Brasília.

 

Silvestre Gorgulho – Mas isso é generalizado?

Reginaldo MarinhoSim. No final do século passado, eu visitei o dono do maior centro de ensino superior privado do Centro-Oeste para apresentar Construcell, quando chegaram a esposa de dois filhos adolescentes. Enquanto eles assistiram ao vídeo demonstrativo, a esposa exclamou: – Meu amor, que coisa linda! Derruba aquela lanchonete horrorosa que tem no pátio e constrói outra com essa tecnologia. Os filhos endossaram em coro: – É mesmo, pai, faz isso. O reitor contestou gravemente: – Não. Só depois que alguém fizer a primeira. Aversão ao pioneirismo é um hábito está na matriz do pensamento nacional. Marcia McNutt tem razão.

 

Silvestre Gorgulho – A rejeição à Construcell foi técnica? Como o Estado validou, e ao mesmo tempo sabotou, a invenção?

Reginaldo Marinho – O Construcell não falhou por deficiência técnica. O projeto foi ativamente rejeitado por uma política implícita de Estado. Sua excelência foi, paradoxalmente, validada pelo próprio sistema que o abandonou: no Edital PRIME da FINEP/MCTI, a Construcell foi classificada em primeiro lugar, obtendo a Nota Máxima (10,00) em Grau de Inovação após análise de cerca de 80 especialistas. O projeto não só foi classificado com mérito, como sua Prestação de Contas Final foi formalmente aprovada em dezembro de 2011. O Edital Prime prova esse descompasso, pois os recursos foram direcionados para consultorias. A promessa para o investimento na própria tecnologia é aguardada há 14 anos.

 

Silvestre Gorgulho – E qual foi o resultado prático após essa aprovação incontestável?

Reginaldo Marinho – Apesar dessa chancela incontestável, a promessa de liberação de recursos para a execução do produto – esperada no ano seguinte – jamais se concretizou em 14 anos. O abandono e a recusa posterior do INPI em conceder a patente sela o veredito: a Construcell foi punida por ser uma inovação de ruptura que confronta a mediocridade vigente.

 

Maquete digitalizada totalmente transparente simulando estande de exposições.

 

Silvestre Gorgulho – Onde o Estado brasileiro está falhando? E qual é o risco da COP30?

Reginaldo Marinho: O Estado falha em sua obrigação constitucional. A Constituição Federal (Artigos 218 e 219) é clara sobre a obrigação do Estado de promover o desenvolvimento científico e tecnológico. É um ato de negligência observar o Estado investindo energia em prioridades desalinhadas, enquanto o dever constitucional de fortalecer a C&T é cronicamente ignorado. O Brasil, para falar a verdade, depois da COP30, continua a sofrer o constrangimento final, pois perdeu sua maior inovação sustentável justamente para aqueles que valorizam o pioneirismo e o futuro.

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MISSÃO EDUCAÇÃO

Medalha Anísio Teixeira – Honra ao Mérito Educação

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A vida ensina sempre. E, em 1665, em São Luís do Maranhão, o Padre Antônio Vieira ensinou que a “educação e a humildade são moedas de ouro. Valem muito em qualquer lugar e em qualquer tempo”. A essas duas virtudes, quando se fala do professor Anísio Spínola Teixeira (*12/julho/1900, em Caetité-BA +11 de março de 1971, no Rio de Janeiro) temos que acrescentar pelo menos mais uma virtude: visionário.

 

Anísio Teixeira defendeu uma educação universal e a implantou em Brasília. Seu objetivo era fazer da Educação não só um produto da revolução social, mas ele queria gerar uma revolução social. Não defendia uma meia revolução, mas uma revolução total. Tinha um propósito certeiro: “Educação não é privilégio. É valor universal. Tem que ser gratuita, interativa e acessível a todos”.

 

NOVA EDUCAÇÃO: MANIFESTO

Vinte e oito anos antes da inauguração de Brasília, sempre visionário, o Patrono da Educação Pública do Brasil assinou o “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”, projetando-se como um dos maiores educadores nacionais. Para elaborar, e desenvolver este documento, Anísio Teixeira trouxe as ideias do professor, filósofo e pedagogo norte-americano John Dewey, o “pai” da Escola Nova. Dewey formulou os princípios básicos do movimento para uma educação baseada na participação ativa do aluno. Criticava o modelo tradicional focado na memorização.

Mais do que aderir ao pensamento de Dewey, Anísio Teixeira realizou traduções das obras do autor. Sempre idealista, ante uma realidade em que a maioria da população permanecia sem qualquer acesso à formação básica, enquanto uma elite frequentava escolas de formação clássica, Anísio se lançou na missão da educação. Lutou muito para mudar o cenário da educação pública no Brasil.

O “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova” (detalhe: usou o mesmo termo Nova do professor Dewey) propunha que o conhecimento tinha de ser construído pela prática e pela interação com o mundo real, visando formar cidadãos criativos e capazes de gerenciar sua própria liberdade em uma sociedade democrática. Era uma reforma radical no sistema educacional brasileiro.  O manifesto foi redigido por 26 intelectuais. Além de Anísio Teixeira, assinaram Cecília Meireles, Fernando Azevedo, Delgado de Carvalho, Roquette Pinto e Hermes de Lima.

 

PATRONO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL

Quando, na construção de Brasília, Anísio Teixeira concebeu e implantou o Plano de Construções Escolares da nova capital, com as icônicas “Escolas Parques”, que até hoje empunham a bandeira de uma escola única, pública, laica, obrigatória e gratuita. Ela é alma do Manifesto de 1932.

Em boa hora, a Secretária de Estado do DF, Hélvia Paranaguá, com sensibilidade de Mestra em Educação, teve a perspicácia e sensatez de resgatar e trazer aos holofotes da política e da comunidade pedagógica os ensinamentos e a obra de Anísio Teixeira. Hélvia levou ao governador a ideia de homenagear o legado do “Patrono da Educação Pública no Brasil” pelos muitos de seus seguidores que souberam plantar seus métodos e aos que contribuíram para o fortalecimento e a valorização da Educação Pública. Ibaneis Rocha encampou a proposta e, em 13 de junho de 2023, assinou o Decreto nº 44.620 criando a “Medalha Anísio Teixeira”, que foi entregue dia 14 de novembro.

 

MEDALHA ANÍSIO TEIXEIRA

Sou muito grato e extremamente honrado por ter sido agraciado com a ‘Medalha Anísio Teixeira’ na sua primeira edição. Recebi da Secretária de Estado de Educação do Distrito Federal, Hélvia Paranaguá, a seguinte mensagem: “Jornalista SILVESTRE GORGULHO, a SEE-DF tem a honra de informar que V.Sa. foi agraciado com a Medalha Anísio Teixeira – Honra ao Mérito Educação, em reconhecimento à sua destacada contribuição para o fortalecimento e a valorização da Educação Pública do Distrito Federal”.

 

O professor Anísio Teixeira elaborou e implantou o Plano de Construções Escolares de Brasília.

 

IDEÁRIO ANÍSIO TEIXEIRA: TOMBAMENTO

Voltando no tempo. Ao tomar por base os ensinamentos de Anísio Teixeira no desenvolvimento de ações para formação cidadã e, assim, qualificar o cidadão para o mercado de trabalho buscando a superação das desigualdades que, em 2007, como Secretário de Estado da Cultura, sempre muito bem orientado pelas historiadoras Martita Icó e Luciana Ricardo e pelo professor José Carlos Coutinho, fizemos o estudo para o tombamento da obra e do legado de Anísio Teixeira, a pedido do então governador José Roberto Arruda.

No dia 4 de julho de 2007, entre vários ‘considerando’ enaltecendo a obra e legado de Anísio Teixeira, o governador Arruda assinou o decreto nº 28.093, tombando e registrando o “Ideário Pedagógico de Anísio Teixeira” por ter elaborado e implantado o Plano de Construções Escolares de Brasília.

Vale lembrar que além desse registro de tombamento, ainda fizemos outros dez: o do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, do Cine Brasília, o Clube do Choro, a Via Sacra do Morro da Capelinha, o Teatro Dulcina e Acervos, Escola EIT de Taguatinga, Revista Brasília, Unidade de Vizinhança 107/108, ARUC e o Clube de Golfe.

Tombamento é uma palavra de origem portuguesa que significa registrar um bem material ou imaterial no livro da Torre do TOMBO, em Portugal. A Torre do Tombo, situada na torre do Castelo São Jorge, hoje tem um nome pomposo: Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo. E o Brasil segue essa tradição.

De minha parte, ainda continuo com outro sonho: tombar o Céu de Brasília. Afinal, para Lucio Costa “o céu é o mar de Brasília” e o céu é parte de seu genial Plano Piloto. Um dia chegaremos lá.

 

BRASÍLIA é cidade única no mundo que se pode ver o céu olhando para cima ou para baixo. O tombamento do céu de Brasília é a agregação de um valor simbólico, sentimental. Se não cuidarmos, corre-se o risco de não ter mais a integridade da paisagem, de não se poder ver e sentir o infinito desta paisagem, de qualquer lugar do Plano Piloto, do nascer ao pôr do sol.

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