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A HISTÓRIA DO MARCO DA PEDRA FUNDAMENTAL

RELATÓRIO DA VIAGEM PARA CONSTRUÇÃO DO MARCO DA INDEPENDÊNCIA ou PEDRA FUNDAMENTAL DE BRASÍLIA

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O QUE ESTÁ ESCRITO NO “COFRE” DE PROTEÇÃO.

 

Após o Relatório Luiz Cruls (1892) que demarcou o a área de 14.400 km² para a futura capital no Planalto Central e a publicação do relatório em 1893 não houve grandes iniciativas no que diz respeito à construção e mudança da capital. O assunto voltou em 18 de janeiro de 1922, quando o presidente Epitácio Pessoa determinou o lançamento da Pedra Fundamental da Capital Federal no dia 7 de setembro do mesmo ano, em virtude ao Centenário da Independência.

 

Em 1922, sem estradas e ferrovias e com uma comunicação tão precária que os responsáveis pela construção do Marco da Pedra Fundamental de Brasília levaram oito meses para receber a ordem de construção. O decreto do presidente Epitácio Pessôa foi assinado em 18 de janeiro, mas a ordem presidencial só chegou aos responsáveis, em Araguari-MG em 27 de agosto.

 

O RELATÓRIO DE BALDUÍNO DE ALMEIDA

 

1 – Após o Relatório Luiz Cruls (1892) que demarcou o a área de 14.400 km² para a futura capital no Planalto Central e a publicação do relatório em 1893 não houve grandes iniciativas no que diz respeito à construção e mudança da capital.

 

2 – O assunto voltou em 18 de janeiro de 1922, quando o presidente Epitácio Pessoa determinou o lançamento da Pedra Fundamental da Capital Federal no dia 7 de setembro do mesmo ano, em virtude ao Centenário da Independência.

 

3 – O Brasil era um imenso vazio no Centro-Oeste. Prova disso, é que o decreto do presidente da República só chegou ao conhecimento do responsável pelo seu cumprimento, Engenheiro Balduíno Ernesto de Almeida, diretor da Estrada de Ferro de Goyaz, em 27 de agosto de 1922.

 

4 – Balduíno de Almeida tinha poucos dias cumprir as ordens. Ele ficava em Araguari-MG e só seis meses depois de assinado o decreto, recebeu uma comunicação do Inspetor Geral das Estradas de Ferro, Palhano de Jesus, transmitindo-lhe ordem do Ministro da Viação e Obras, José Pires do Rio.

 

5 – A ordem veio em forma de telegrama, dando-lhe a incumbência de implantar o marco da nova capital no quadrilátero demarcado pela Comissão Cruls: “Alli proximamente no lugar mais preconizado pela antiga commissão de demarcação Planalto fareis lançar pedra fundamental e fixar marco dia 7 Setembro ao meio dia”.

 

6 – O Brasil acabara de passar por eleições presidenciais, mas ainda governava Epitácio Pessoa (1919 – 1922), que seria sucedido, em novembro, por Arthur da Silva Bernardes (1922 – 1926).

 

7 – A construção do Marco foi feita por uma comitiva de trabalhadores da Rede Ferroviária liderada pelo Engenheiro Balduíno de Almeida, responsável também pelo projeto do monumento.

 

8 – A jornada do engenheiro Ernesto Balduíno começou em Araguari (MG), no dia 01 de setembro de 1922. Foi organizada uma caravana composta por 22 membros, que se dirigiram para Mestre d’Armas em nove automóveis (Ford Bigode) e seis caminhões, que transportaram 40 pessoas e todo o material necessário para erguer o obelisco no local. Seguiram pela ferrovia Mogiana, num trem especial, até o final da linha férrea localizada em Ipameri. No dia 02 de setembro a caravana deixou Ipameri e seguiu com destino a Mestre d’Armas. A viagem teve início às 5h da madrugada trilhando a primeira estrada de rodagem que adentrou o quadrilátero demarcado por Luiz Cruls, aberta um ano antes (1921) pela empresa Bevinhati, Salgado e Cia.

 

9 –  Relatório da missão: “Nas primeiras 7 horas foram percorridos apenas 20 km, com os caminhões estancando a cada momento, nas grandes rampas que tinham de vencer. No total, no primeiro dia de viagem, das 5h às 21h, foram vencidos apenas 76 km. No segundo dia, três de setembro, a caravana avançou mais 84 km até o cair do sol, quando chegou ao povoado de Cristalina”. Balduíno, que vinha à retaguarda, decidiu acossado pelo tempo, seguir à frente com os “Ford Bigode”, deixando os caminhões seguirem atrás da caravana. Tarde da noite, chegou ao arraial de Mestre d’Armas, fixado como referência e base dos trabalhos. Os caminhões chegaram à manhã do dia 5, e nessa mesma manhã o engenheiro Balduíno escolheu um local bem mais próximo: um promontório sobre o vale do rio São Bartolomeu, a apenas 8 km de Mestre d’Armas. Às 17 horas do dia 5, todo o material dos caminhões já estava descarregado no morro do Centenário. No dia 7, às 10 horas, estava pronto o monumento.

 

10 – A importância do lançamento da Pedra Fundamental de Brasília em 7 de setembro de 1922 – Centenário da Independência – vai além do simbolismo de um ideal “mudancista”.  Marcou também a reabertura da discussão sobre o sítio onde seria construída Brasília, cuja construção começou com JK 34 anos depois.

 

 

EM 7 DE SETEMBRO DE 2022 UMA NOVA COMEMORAÇÃO SERÁ REALIZADA PELOS 200 ANOS DA INDEPENDÊNCIA.

 

 

MARCO GEODÉSICO E SELO DE PROTEÇÃO LEGAL

Ao lado do Marco da Independência e da Pedra Fundamental de Brasília está fincado no chão um “cofre” de proteção, como sendo uma medalha em metal, onde se pode ler:

 

DF 146

PROTEGIDO POR LEI

 

Fundação IBGE – IBG

 

Departamento de Geodesia e Topografia

 

A placa de bronze foi encomendada ao Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e enviada de trem até Araguari. A placa precisa ser restaurada.

 

 

 

A Pedra Fundamental está localizada a 9 km do centro de Planaltina no Morro do Centenário. O obelisco fica no Morro do Centenário a 1.033 metros de altitude e 47º39′ de longitude. Foi erguido para comemorar o Centenário da Independência em 7 de setembro de 1922. A escolha do local está relacionada à Missão Cruls e ao sonho de Dom Bosco, que previu o surgimento de uma civilização entre os paralelos 15° e 20°.

O obelisco tem forma piramidal de base quadrada com 3,75 m de altura, a contar das fundações. As suas faces estão orientadas pelos pontos cardeais. A Placa comemorativa está situada na face oeste, onde se lê:

 

“Sendo Presidente da República o Exmo. Sr. Dr. Epitácio da Silva Pessôa, em cumprimento ao disposto no decreto n.º 4.494 de 18 de janeiro de 1922, foi aqui collocada em 07 de setembro de 1922, ao meio-dia, a Pedra Fundamental da Futura Capital dos Estados Unidos do Brasil”

 

REVISITANDO O MONUMENTO

O local está limpo, apesar de ter um pouco de lixo espalhado nos arredores, mas a placa de identificação precisa ser restaurada por terem arrancado algum tipo de informação à sua esquerda. A pintura do monumento em si está descuidada, pois deixaram tinta branca sobre a placa de bronze que relata o evento de 7 de setembro de 1922.

 

O descuido também se pode ver no isolamento do Monumento, pois faltam apenas 2 quilômetros de asfalto para se encontrar o Marco. O fato é que, ao se preparar os 200 Anos da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 2022, caberia um programa de revitalização e encantamento de toda área onde está inserida a Pedra Fundamental de Brasília e, quem sabe, preparar algum evento cultural para ser levado ao ponto geodésico do Brasil. Afinal, serão 100 anos da instalação da Pedra Fundamental de Brasília e 200 anos da Celebração da Independência do Brasil.

Cuidar da História e estudar o passado é essencial para plantar um futuro mais digno e vibrante para nosso país.

 

FOTOS DO MARCO DOS 100 ANOS DA INDEPENDÊNCIA

IMPORTANTE: Vale estudar imediatamente a criação do PARQUE DO CENTENÁRIO para preservar toda a área e evitar o retalhamento das terras por invasões, loteamentos, condomínios e abertura de pequenos sítios – o que já está acontecendo.

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QUANDO RENÉ BURRI CHOROU POR UMA FOTO

A HISTÓRIA DE UMA FOTO EMOCIONANTE

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Antes da inauguração de Brasília, com o Palácio do Planalto prontinho, lindo de morrer, um pedreiro que trabalhou no Palácio, aproveitou para levar sua família para ver sua obra prima. Ele sabia que não poderia estar com sua família (e nem ele próprio) na inauguração.
Era um domingo. René Burri passando ali na Praça dos 3 Poderes, viu aquela família simples (com roupa de ir à Missa) apreciando demoradamente o Palácio do Planalto. Não teve dúvidas. Burri desceu do Jeep e fez essas duas fotos abaixo.
Gostaria que os 22,1 membros deste MEMÓRIA lessem o que René Burri deixou registrado em seu livro BRASÍLIA (Editora Scheidegger & Spiess):
“Para mim Brasília era uma utopia que se transformou em realidade. Era uma cidade que saiu do nada em poucos anos. Existe uma foto no meu livro…ela mostra uma família que chega ao final. Eu tive de chorar quando vi essa imagem. Eram os chamados “candangos”, não? Ele chegou com um machado e chapéu de palha e, no final, quando o trabalho estava pronto, levou a mulher e os filhos com suas melhores roupas para ver o seu trabalho. E depois era a inauguração e esse pessoal teve de partir.”
O grande fotógrafo René Burri pertenceu à geração de fotógrafos que deu sua contribuição para a afirmação da fotografia jornalística e documental como meio de expressão independente e de caráter autoral.
Viajou o mundo. Retratou inúmeras personalidades importantes da História do século 20. Mas não se esqueceu de caminhar pelas ruas, essa fonte inesgotável de surpresas da vida cotidiana.
Ele começou a fotografar aos 13 anos, quando o primeiro ministro do Reino Unido Winston Churchill desfilava pela cidade. Formou-se em fotografia na faculdade de arte de Zurique.
FOTOS:
1 e 2) As duas FOTOS que René Burri tirou da família.
2) Foto do interior do Palácio do Planalto em construção.
3) A inauguração de Brasília, JK acena para o povo na Praça dos 3 Poderes.

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300 quilos de lixo são retirados de rio da Amazônia em mutirão

Lançado em setembro de 2021, o programa já mobilizou mais de 600 voluntários e retirou 15,5 toneladas de resíduos dos rios brasileiros

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QUALIDADE AMBIENTAL URBANA

 

Foto: Zack/MMA

 

O dia chuvoso não desanimou os mais de 80 voluntários que participaram do mutirão para recolher resíduos do rio Tapajós, em Santarém (PA). Na sexta ação do programa Rios+ Limpos, do Ministério do Meio Ambiente, foram recolhidos quase 300 quilos de lixo na região de Alter do Chão. O local é famoso pelas praias paradisíacas formadas ao redor do rio e recebe grande quantidade de turistas.

Grupos de voluntários se dividiram a pé e de barco, percorrendo 5 quilômetros de área, e encontraram muito material deixado por quem visita o local. “Garrafas, plásticos, papel, tampas de metal, enfim, uma série de produtos, que não tinham que estar na praia do rio. Então, a mensagem que a gente deixa para todos os turistas e banhistas é: quando vier ao rio, leve seu lixo com você e descarte de forma adequada, contribuindo assim para que a gente tenha rios mais limpos”, destacou o secretário de Qualidade Ambiental do MMA, André França, que também participou do mutirão.

Todo o material recolhido passou por uma triagem e os recicláveis foram destinados às cooperativas de catadores da região. A ação, realizada no mês de dezembro, contou com a parceria da prefeitura de Santarém, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará, além de Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Cooperativa de Reciclagem de Santarém (Coopresan), Grupo de Defesa da Amazônia (GDA) e a Universidade da Amazônia (Unama).

O programa “Rios +Limpos” foi lançado pelo Ministério do Meio Ambiente em setembro de 2021. Em apenas quatro meses, seis mutirões foram realizados com a mobilização de mais de 650 voluntários. Foram retiradas 15,5 toneladas de lixo de importantes rios brasileiros, com destaque para ação no Pantanal, que retirou de uma só vez 10 toneladas de resíduos de rios da região. O programa faz parte da Agenda Ambiental Urbana e tem o objetivo de incentivar ações de despoluição dos rios, limpeza e coleta de lixo, além da implementação de sistemas de tratamento adequado.

 

 

 

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Calor acumulado em oceanos bate novos recordes em 2021, alerta estudo

Foi o sexto ano consecutivo de recordes

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O calor acumulado nos oceanos bateu novos recordes pelo sexto ano consecutivo, mostra pesquisa com dados até 2021, publicada hoje (11) na revista científica Advances in Atmospheric Sciences.

Os 23 autores do trabalho, de 14 institutos de vários países, alertam que as temperaturas no mar bateram recordes pelo sexto ano consecutivo. Lembram que são resultados do fim do primeiro ano da Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030).

O relatório resume dois conjuntos de dados internacionais, do Instituto de Física Atmosférica (IAP, na sigla original), da Academia Chinesa de Ciências, e dos centros nacionais de Informação Ambiental, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla original), dos Estados Unidos (EUA), que analisam observações sobre o calor nos oceanos e seu impacto desde a década de 50.

O aquecimento dos oceanos “está aumentando incessantemente, em nível global, e este é um indicador primário da mudança climática induzida pela humanidade”, disse um dos autores do documento, Kevin Trenberth, do Centro Nacional de Investigação Atmosférica do Colorado.

No último ano, os estimaram que os primeiros 2 mil metros de profundidade em todos os oceanos absorveram mais 14 zettajoules de energia sob a forma de calor do que em 2020, o equivalente a 145 vezes a produção mundial de eletricidade em 2020.

Toda a energia que os seres humanos utilizam no mundo em um ano é cerca de metade de um zettajoule (um zettajoule é um joule, unidade para medir energia, seguido de 21 zeros).

Além de calor, os oceanos absorvem atualmente entre 20% e 30% das emissões de dióxido de carbono produzidas pela humanidade, levando à acidificação das águas, disse Lijing Cheng (IAP), acrescentando que “o aquecimento dos reduz a eficiência da absorção de carbono e deixa mais dióxido de carbono no ar”.

Os cientistas também avaliaram o papel de diferentes variações naturais, como as fases de aquecimento e arrefecimento conhecidas como El Niño e La Niña, que afetam grandemente as mudanças de temperatura regionais.

Segundo Lijing Cheng, as análises regionais mostram que o forte e significativo aquecimento dos oceanos, desde o fim dos anos 50, ocorre em todos os lugares e que as ondas de calor marinhas regionais têm enormes impactos na vida marinha.

De acordo com Lijing Cheng, o estudo mostra também que o padrão de aquecimento dos oceanos é resultado de mudanças na composição atmosférica relacionadas com a atividade humana.

“À medida que os oceanos aquecem, a água expande-se e o nível do mar sobe. Os oceanos mais quentes também sobrecarregam os sistemas climáticos, criando tempestades e furacões mais poderosos, bem como aumentando a precipitação e o risco de inundações”, alertou.

 

 

 

 

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