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Os grandes vencedores do 54º Festival do Cinema Brasileiro

Entre os filmes selecionados nas mostras Competitiva e Brasília, foram distribuídos 46 troféus Candango

 

AGÊNCIA BRASÍLIA* | EDIÇÃO: CHICO NETO

A 54ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB) teve sua cerimônia de encerramento transmitida em formato virtual na noite desta terça (14), na plataforma play.innsaei.tv. Apresentada por Murilo Rosa e Maria Paula Fidalgo, a cerimônia distribuiu 46 troféus Candango, dois troféus especiais de parceiros e prêmios técnicos às equipes dos 28 filmes selecionados nas mostras Competitiva e Brasília.

 

Alice dos Anjos, que transporta a fantasia de Alice no País das Maravilhas para o sertão nordestino, ganhou seis prêmios | Fotos: Divulgação

 

 

Saudade do Futuro, filme de estreia na direção de longas de Anna Azevedo, foi o grande vencedor do prêmio de Melhor Longa, conferido pelo júri oficial. A obra explora a ligação entre Portugal, Brasil e Cabo Verde pelo mar e a cultura da saudade.

A 54ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi realizada pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) em parceria com a Associação Amigos do Futuro e apoio do Canal Brasil, InnSaei.TV, Naymovie e CiaRio.

Alice dos Anjos, de Daniel Leite Almeida, teve resultado arrebatador na premiação do festival, conquistando seis troféus Candango: Filme (pelo júri popular), Direção, Maquiagem (para Claudia Riston), Figurino (para Lívia Liu), Direção de Arte (para Luciana Buarque) e o prêmio Abraccine de Melhor Longa. Filmada em Vitória da Conquista (BA), a obra infantojuvenil transporta a fantasia de Alice, de Lewis Carroll, ao contexto do sertão nordestino, tendo a menina Alice dos Anjos como personagem de uma saga conduzida por personagens improváveis.

Ela e Eu, longa de Gustavo Rosa de Moura – que traz Andréa Beltrão na personagem Bia em plena recuperação após acordar de coma de 20 anos – levou três prêmios Candango: Atriz (Andréa Beltrão), Ator (Eduardo Moscovis) e Roteiro, assinado pelo diretor, a protagonista e Leonardo Levis.

De Onde Viemos, Para Onde Vamos, filme de Rochane Torres que deflagra resistência e conflitos de identidade do povo Iny, habitante da Ilha do Bananal, ganhou prêmios nas categorias Som (Paulo Gonçalves) e Filme com temática afirmativa, além de menção honrosa do júri da Abraccine.

Acaso, de Luís Jungmann Girafa, venceu como Melhor Montagem, por Juana Salama. Já Lavra, de Lucas Bambozzi, ganhou prêmio de Fotografia (Bruno Risas), além de menção honrosa do júri, composto pelo produtor Marcus Ligocki, a diretora Emília Silveira e a diretora-presidente da SPCine, Viviane Ferreira.

A festa dos curtas

Entre os curtas-metragens vencedores na Mostra Competitiva Nacional, Chão de Fábrica, de Nina Kopko – sobre a convivência de operárias em São Bernardo do Campo (SP) nos anos 1979 – conquistou cinco Candangos, entre esses o de Curta, concedido pelo júri oficial; Direção, Atriz (Joana Castro), Montagem (Lis Paim) e Figurino (Gabriella Marra).

O prêmio de Melhor Ator foi para Sebastião Pereira de Lima, mestre Martelo do cavalo-marinho pernambucano, documentado em Da Boca da Noite à Barra do Dia, de Tiago Delácio. O filme levou também o prêmio de Melhor Curta-metragem pelo júri popular, acompanhado pelo prêmio técnico da Naymovie e CiaRio, de R$ 15 mil.

Adão, Eva e o Fruto Proibido, de R.B Lima, ganhou os prêmios de Roteiro pelo júri oficial e Curta-metragem pelo júri da Abraccine. Como Respirar Fora d’Água, de Júlia Fávero e Victoria Negreiros, conquistou o Candango de Som e o Troféu Canal Brasil, entregue ao melhor curta pelo júri técnico do canal. Dani Drumond levou o prêmio de Fotografia por Cantareira, Rodrigo Lélis ganhou Direção de Arte por Filhos da Periferia e Vinne Negrão venceu Maquiagem por Sayonara.

Era uma Vez… Uma Princesa, de Lisiane Cohen, levou o prêmio da categoria Curta com temática afirmativa; e Ocupagem, de Joel Pizzini, recebeu o Prêmio Marco Antônio Guimarães, concedido pelo CPCB ao filme que melhor utiliza material de memória, pesquisa e arquivos do cinema brasileiro.

Terra Nova recebeu o Prêmio Cosme Alves Netto, entregue pela Anistia Internacional ao filme que mais se aprofunda nas agendas dos direitos humanos. Durante a premiação, as atrizes Karol Medeiros e Isabela Catão receberam menção honrosa do júri, composto pelo jornalista e crítico Marcelo Janot, a montadora e roteirista Karen Black e a produtora audiovisual Anamaria Mühlenberg.

Vencedores da Mostra Brasília

O longa Acaso, de Luís Jungmann Girafa, e o curta Benevolentes, de Thiago Nunes, venceram os prêmios de Filme pelo júri oficial da Mostra Brasília, levando também os prêmios técnicos da Naymovie e CiaRio, nos valores de R$ 25 mil e R$ 10 mil, respectivamente.

Advento de Maria, de Vinícius Machado, impressionou ao retratar a história de uma menina transgênero de 11 anos buscando sua identidade. O filme ganhou cinco prêmios: Longa (pelo júri popular), Roteiro, Atriz (Maria Eduarda Maia), Maquiagem (Alzira Bosaipo) e Figurino (Tiago Nery). A Casa do Caminho, de Renan Montenegro, venceu as categorias Curta (júri popular) e Filme com Temática Afirmativa da mostra.

Noctiluzes, de Jimi Figueiredo e Sérgio Sartório, levou os prêmios de Direção e Ator – esse, divididos neste ano entre os três protagonistas, interpretados por André Deca, Chico Sant’Anna e Vinícius Ferreira. O curta Cavalo Marinho, de Gustavo Serrate, venceu Fotografia, enquanto Rodrigo Lelis ganhou o prêmio de Direção de Arte por Filhos da Periferia, de Arthur Gonzaga e Hudson Vasconcelos ganhou Som por Ele tem Saudade, de João Campos.

O Mestre da Cena, de João Inácio, sobre o ator e diretor Gê Martú, venceu prêmio de Montagem, e Gê foi laureado com o Troféu Saruê, concedido pela equipe do caderno de cultura do jornal Correio Braziliense.

O filme Vírus, de Larissa Mauro e Joy Ballard, recebeu menção honrosa do júri, composto pela curadora Fabiana de Assis, a diretora e montadora Adriana de Andrade e o diplomata, crítico e professor de audiovisual João Lanari Bo.

 

Exibição extra

Chão de Fábrica, que ganhou cinco troféus Candango, pode ser visto até quinta-feira (16) na plataforma play.innsaei.tv

A boa notícia para quem não conseguiu acompanhar o Festival de Brasília é que os filmes vencedores pelo júri popular e o júri oficial ficam em cartaz gratuitamente na plataforma play.innsaei.tv até as 23h59 desta quinta-feira (16). Podem ser assistidos Saudade do FuturoAlice dos AnjosChão de FábricaDa Boca da Noite à Barra do DiaAdvento de MariaAcasoBenevolentes e A Casa do Caminho.

Os premiados

Mostra Competitiva – Longas

  • Melhor Filme (júri oficial)
    Saudade do Futuro, de Anna Azevedo
  • Melhor Filme (júri popular)
    Alice dos Anjos, de Daniel Leite Almeida
  • Melhor Direção
    Daniel Leite Almeida, por Alice dos Anjos
  • Melhor Atriz
    Andréa Beltrão, por Ela e Eu
  • Melhor Ator
    Eduardo Moscovis, por Ela e Eu
  • Melhor Fotografia
    Bruno Risas, por Lavra
  • Melhor Roteiro
  • Gustavo Rosa de Moura, Leonardo Levis e Andréa Beltrão, por Ela e Eu
  • Melhor Direção de Arte
    Luciana Buarque, por Alice dos Anjos
  • Melhor Montagem
    Juana Salama, por Acaso
  • Melhor Som
    Paulo Gonçalves, por De Onde Viemos, Para Onde Vamos
  • Menção Honrosa do júri
    Lavra, de Lucas Bambozzi
  • Melhor Caracterização – Maquiagem
    Claudia Riston, por Alice dos Anjos
  • Melhor Caracterização – Figurino
    Lívia Liu, por Alice dos Anjos
  • Melhor Filme com Temática Afirmativa
    De Onde Viemos, Para Onde Vamos, de Rochane Torres

Mostra Competitiva – Curtas

  • Melhor Filme (júri oficial)
    Chão de Fábrica, de Nina Kopko
  • Melhor Filme (júri popular)
    Da Boca da Noite à Barra do Dia, de Tiago Delácio
    + Prêmio Edina Fujii – CiaRio: R$ 15 mil em aluguel de equipamentos de luz, acessórios e maquinários concedidos pela Naymovie, em parceria com a CiaRio
  • Melhor Direção
    Nina Kopko, por Chão de Fábrica
  • Melhor Atriz
    Joana Castro, por Chão de Fábrica
  • Melhor Ator
    Sebastião Pereira de Lima, por Da Boca da Noite à Barra do Dia
  • Menção Honrosa do júri
    Karol Medeiros e Isabela Catão, de Terra Nova
  • Melhor Fotografia
    Dani Drumond, por Cantareira
  • Melhor Roteiro
    R.B Lima, por Adão, Eva e o Fruto Proibido
  • Melhor Direção de Arte
    Rodrigo Lelis, por Filhos da Periferia
  • Melhor Montagem
    Lis Paim, por Chão de Fábrica
  • Melhor Som
    Bia Hong, por Como Respirar Fora d’Água
  • Melhor Caracterização – Maquiagem
    Vinne Negrão, por Sayonara
  • Melhor Caracterização – Figurino
    Gabriella Marra, por Chão de Fábrica
  • Melhor Filme com Temática Afirmativa
    Era uma Vez… Uma Princesa, de Lisiane Cohen

Mostra Brasília – Curtas e Longas

  • Melhor Longa (júri oficial)
    Acaso, de Luís Jungmann Girafa
    + Prêmio Edina Fujii – CiaRio: R$ 25 mil em aluguel de equipamentos de luz, acessórios e maquinários concedidos pela Naymovie, em parceria com a CiaRio.
  • Melhor Curta (júri oficial)
    Benevolentes, de Thiago Nunes
    + Prêmio Edina Fujii – CiaRio: R$ 10 mil em aluguel de equipamentos de luz, acessórios e maquinários concedidos pela Naymovie, em parceria com a CiaRio.
  • Melhor Longa (júri popular)
    Advento de Maria, de Vinícius Machado
  • Melhor Curta (júri popular)
    A Casa do Caminho, de Renan Montenegro
  • Melhor Direção
    Jimi Figueiredo e Sérgio Sartório, por Noctiluzes
  • Menção Honrosa do júri
    Vírus, de Larissa Mauro e Joy Ballard
  • Melhor Atriz
    Maria Eduarda Maia, por Advento de Maria
  • Melhor Ator
    Chico Sant’Anna, André Deca e Vinícius Ferreira, por Noctiluzes
  • Melhor Fotografia
    Gustavo Serrate, por Cavalo Marinho
  • Melhor Roteiro
    Vinícius Machado, por Advento de Maria
  • Melhor Direção de Arte
    Rodrigo Lelis, por Filhos da Periferia
  • Melhor Montagem
    João Inácio, por O Mestre da Cena
  • Melhor Som
    Hudson Vasconcelos, por Ele tem Saudade
    Melhor Caracterização – Maquiagem
    Alzira Bosaipo, por Advento de Maria
  • Melhor Caracterização – Figurino
    Tiago Nery, por Advento de Maria
  • Melhor Filme com Temática Afirmativa
    A Casa do Caminho, de Renan Montenegro

Outros prêmios

  • Candango Conjunto da Obra 2021
    Léa Garcia: vida de cinema
  • Prêmio Marco Antônio Guimarães (CPCB)
    Ocupagem, de Joel Pizzini
    * O prêmio é entregue ao filme que utiliza da melhor maneira o material de memória, pesquisa e arquivos do cinema brasileiro.
  • Prêmio Cosme Alves Netto (Anistia Internacional Brasil)
    Terra Nova, de Diego Bauer
    * Prêmio para o filme que mais se aprofunda nas agendas dos direitos humanos.
  • Melhor Longa-Metragem/Abraccine
    Alice dos Anjos, de Daniel Leite Almeida
    * Prêmio do júri da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine)
  • Melhor Curta-Metragem/Abraccine
    Adão, Eva e o Fruto Proibido, de R.B Lima
  • Menção Honrosa do júri da Abraccine
    De Onde Viemos, Para Onde Vamos, de Rochane Torres
  • Troféu Canal Brasil/curta
    Como Respirar Fora d’Água, de Júlia Fávero e Victoria Negreiros
  • Troféu Saruê
    Gê Martú
    * Prêmio concedido pelo jornal Correio Braziliense

*Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa

 

 

 

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O papel do brincar na regulação emocional das crianças

Como as brincadeiras ajudam a desenvolver autocontrole, empatia e equilíbrio emocional desde a infância

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Por Alcie Simão  

Brincar é muito mais do que passar o tempo ou gastar energia. Para a criança, a brincadeira é uma linguagem essencial — uma forma de compreender o mundo, expressar sentimentos e aprender a lidar com frustrações, medos, alegrias e desafios. Em um cotidiano cada vez mais acelerado, reconhecer o valor do brincar livre e guiado é fundamental para o desenvolvimento emocional saudável.

Brincar é sentir, experimentar e elaborar

Durante as brincadeiras, as crianças simulam situações da vida real: cuidam de bonecos, encenam conflitos, inventam aventuras, criam regras e negociam papéis. Tudo isso funciona como um “laboratório emocional”, onde elas podem experimentar sentimentos em um ambiente seguro.

Quando uma criança finge ser médica, super-heroína ou professora, por exemplo, está também elaborando experiências vividas, tentando compreender o que sentiu e ensaiando novas respostas para o futuro. Esse processo ajuda a organizar emoções internas que, muitas vezes, ainda não conseguem ser expressas em palavras.

Regulação emocional começa no corpo

Correr, pular, dançar, construir, desmontar, desenhar e modelar massinha são atividades que envolvem o corpo e os sentidos. Esse movimento é essencial para liberar tensões, reduzir ansiedade e ajudar a criança a se acalmar depois de momentos intensos.

Brincadeiras físicas contribuem para:

  • descarregar estresse acumulado;
  • aumentar a consciência corporal;
  • favorecer o autocontrole;
  • melhorar a capacidade de foco após a atividade.

Já as brincadeiras mais tranquilas, como quebra-cabeças, jogos de encaixe ou leitura compartilhada, ajudam a desacelerar e encontrar estados de calma e concentração.

Aprender a lidar com frustrações e conflitos

Nem toda brincadeira é fácil — e isso é ótimo. Perder um jogo, esperar a vez, seguir regras ou negociar com amigos são experiências que desafiam emocionalmente a criança. Com apoio adulto, esses momentos se tornam oportunidades valiosas de aprendizado.

Ao vivenciar pequenas frustrações no brincar, a criança desenvolve:

  • tolerância ao erro;
  • persistência;
  • flexibilidade;
  • capacidade de resolver problemas;
  • empatia.

Essas competências formam a base da autorregulação emocional, habilidade que será usada por toda a vida.

O papel dos adultos: presença sem controle excessivo

Pais, cuidadores e educadores têm um papel importante nesse processo. Não é necessário dirigir cada brincadeira — muitas vezes, observar e estar disponível já é suficiente. Quando a criança convida o adulto para participar, entrar no jogo com curiosidade e respeito fortalece o vínculo e amplia a segurança emocional.

Algumas atitudes que ajudam:

  • validar sentimentos (“parece que você ficou frustrado, quer tentar de novo?”);
  • evitar resolver tudo imediatamente;
  • estimular a nomeação das emoções;
  • oferecer tempo e espaço para brincar livremente;
  • reduzir distrações como telas durante esses momentos.

Brincar também é construir vínculo

Quando adultos brincam com crianças, criam-se conexões afetivas profundas. Esse tempo compartilhado transmite a mensagem: “você é importante”, “eu estou aqui”, “seus sentimentos importam”. A segurança emocional gerada nessas interações fortalece a autoestima e facilita que a criança procure ajuda quando estiver sobrecarregada.

Um direito e uma necessidade

Mais do que lazer, o brincar é uma necessidade básica da infância. Ele sustenta o desenvolvimento emocional, social e cognitivo, ajudando a criança a crescer mais confiante, resiliente e preparada para lidar com as próprias emoções.

Em meio a agendas cheias e estímulos digitais constantes, reservar tempo diário para brincar — dentro ou fora de casa, com ou sem brinquedos estruturados — é investir diretamente na saúde emocional das crianças.

Porque, no fundo, toda grande aprendizagem emocional começa em algo simples: uma brincadeira.

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O BRASIL DE JK

HÁ 70 ANOS JUSCELINO TOMAVA POSSE NA PRESIDÊNCIA

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“Lutei dia e noite para dar nova dimensão ao nosso País.

Quis que, da minha administração, não se pudesse dizer,

sem pecar contra a verdade, que o Brasil crescia nas horas noturnas,

enquanto o Governo dormia. Não!

O Governo não dormiu, em minhas mãos.”

Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira

 

Em 526 anos de Brasil, há datas a celebrar e há datas para esquecer. Felizmente, as datas para celebrar são maioria. Duas delas, por exemplo, moldaram este País por serem mais significativas e funcionarem como um divisor de águas do Brasil como Nação. Ambas as datas, separadas por 148 anos, aconteceram no mês de janeiro. A chegada da família real ao Brasil, em 22 de janeiro de 1808 e a posse do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, em 31 de janeiro de 1956.

A vinda da corte para o Brasil foi uma manobra do príncipe regente, D. João, para garantir que Portugal continuasse independente, quando foi ameaçado de invasão por Napoleão Bonaparte. A principal consequência foi a declaração do Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarves. O Brasil deixou de ser colônia, o que provocou uma série de transformações geopolíticas.

A permanência da família real foi decisiva para manter a unificação e grandiosidade do território nacional, a possibilidade de o país inteiro falar a Língua Portuguesa, além de outros ganhos concretos como a abertura dos portos para as nações amigas e a criação de entidades essenciais: Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Real Fábrica de Pólvora, Imprensa Oficial e Banco do Brasil.

Em 31 de janeiro de 1956, 134 anos depois da Independência, vem a segunda data que transformou o Brasil em todas as dimensões: cultural, industrial, econômica e politica: a posse do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.

Não foi fácil a chegada de JK ao Palácio do Catete. Ainda governador de Minas, Juscelino deixou claro sua intenção de disputar a Presidência da República pelo PSD.

Houve muitas tratativas de lideranças nacionais e até de militares para demover JK de sua intenção. O próprio presidente da República, Café Filho (vice de Getúlio Vargas) e o governador de Pernambuco, Etelvino Lins, se articularam para evitar a candidatura de JK.

Pior: até seu padrinho político, o ex-governador de Minas, Benedito Valadares, temeroso de que o crescimento de JK lhe roubasse influência no Estado, não mediu esforços, nos bastidores, contra a candidatura.

Em dezembro de 1954, militares de alta patente levaram ao então presidente Café Filho um documento em defesa da candidatura única à Presidência. Sem JK, evidentemente.

O presidente Café Filho – que tomou a iniciativa de ler o texto no programa ‘A Voz do Brasil’, ainda procurou demover JK, com o argumento de que as Forças Armadas não aprovavam a sua pretensão.

JK começou a ganhar a eleição ali. Não se deixando intimidar, confirmou sua candidatura e mandou um recado curto e grosso para o presidente Café Filho. Sua frase virou seu lema de vida: “DEUS POUPOU-ME O SENTIMENTO DO MEDO”.

E foi com este sentimento que JK plantou sua candidatura em 10 de fevereiro de 1955, para colher nas urnas, em 3 de outubro, 3.077.411 votos, ou 36% do total.

Não foi fácil. No dia primeiro de novembro, o coronel Jurandir de Bizarria Mamede, discursando no enterro do general Canrobert Pereira da Costa, sugere golpe militar para impedir a posse de JK e do vice João Goulart.

Em 11 de novembro de 1955, para garantir a posse de JK, antes de deixar o Ministério da Guerra, o Marechal Lott põe os tanques nas ruas e dá o “Golpe da Legalidade”. Carlos Luz, então presidente da República – com o afastamento de Café Filho – é deposto e nove dias depois, em 20 de novembro, o Congresso Nacional aprova o impedimento de Café Filho e elege Nereu Ramos presidente. O senador catarinense assume o governo até a posse de JK.

Há 70 anos, em 31 de janeiro de 1956, JK toma posse e pede ao Congresso a abolição do estado de sítio. No dia seguinte, põe fim à censura à imprensa.

JK, a seu modo, sacudiu a vida administrativa, política e cultural do Brasil. Seu governo plantou hidroelétricas, plantou estradas, plantou bom humor e plantou compromissos: cumpriu todas as 31 metas prometidas durante sua campanha à Presidência. JK plantou indústria automobilística e plantou magnanimidade, perdoando revoltosos e inimigos políticos. JK plantou Brasília.

Ao interiorizar o desenvolvimento com a construção da nova Capital, o Centro-Oeste foi ocupado de todas as formas. Onde não se produzia um grão de soja em 1960, ficou responsável por 49,3% da produção nacional. A soja avançou sobre novas fronteiras e levou junto a cultura do milho. A produção de milho na região – antes de Brasília – era inferior a 9%. Atualmente representa 54,36% da safra nacional. Essas duas culturas levaram uma promissora cultura empreendedora em outros setores: pecuária, frutas, café, arroz, feijão, trigo. Centenas de pequenos povoados nasceram no vazio do Cerrado e transformaram-se, nestes últimos 70 anos, em cidades de pequeno, médio e grande porte com excelentes índices de IDH.

Na Era JK, o Brasil colheu efervescência cultural. O Brasil colheu a primeira Copa do Mundo, colheu Bossa Nova, Cinema Novo. Colheu alegria! O povo brasileiro colheu o sentimento de que é capaz de construir o que parece impossível.

JK plantou Democracia. E o Brasil colheu Paz!

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Casa Perini convida público a viver a colheita da uva

Experiência de enoturismo inclui pisa tradicional, degustações e programação especial em fevereiro

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A vinícola Casa Perini realiza, aos finais de semana de fevereiro, a Saga da Uva — uma experiência de enoturismo que convida o público a participar dos rituais tradicionais da colheita. Com duração aproximada de três horas, das 10h às 13h, a atividade acontece em grupos de até 35 pessoas por edição.

A proposta leva os visitantes ao coração dos parreirais para vivenciar cada etapa do processo: da colheita manual das uvas à clássica pisa com os pés, passando por degustações de rótulos especiais e um momento gastronômico inspirado nas tradições da imigração italiana. O cenário entre as videiras completa a imersão sensorial e aproxima o público da rotina da safra.

Aberta a todas as idades, a atividade recebe famílias com crianças e também visitantes acompanhados de animais de estimação. Pessoas com mobilidade reduzida podem participar, observando apenas a presença de trechos em estrada de chão no percurso.

Os ingressos custam R$ 550 para adultos, R$ 220 para crianças e jovens de cinco a 17 anos, enquanto menores de cinco anos têm entrada gratuita. Cada participante recebe chapéu e avental personalizados como lembrança da vivência. Em caso de chuva, a programação poderá ser transferida para o dia seguinte ou para outro final de semana, conforme as condições climáticas.

Para grupos, empresas ou turmas fechadas, a vinícola oferece a possibilidade de reservas exclusivas mediante agendamento prévio e pagamento antecipado.

De acordo com Franco Onzi Perini, presidente do Conselho de Administração da Casa Perini, o diferencial da iniciativa está na experiência completa e na conexão emocional criada com os participantes. “Na Saga da Uva, promovemos uma imersão no tradicional ritual da colheita praticado por nossos antepassados. As pessoas vivenciam a colheita e a pisa das uvas em meio aos parreirais, harmonizando o momento com vinhos, espumantes e gastronomia típica dos tempos da imigração italiana”, afirma.

As próximas datas da Saga da Uva estão marcadas para 7, 15, 21, 22 e 28 de fevereiro, conforme disponibilidade de ingressos. Informações e reservas podem ser obtidas pelo WhatsApp (54) 99176-8172 ou pelo site Wine Locals.

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Reportagens

SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A, Sala 719
Edifício Centro Empresarial Brasília
Brasília/DF
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(61) 98442-1010