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7 maneiras de fazer com que sua viagem melhore o mundo

Conhecer culturas de povos tradicionais e proteger os recursos naturais durante a sua viagem são algumas das formas de gerar impacto positivo através de viagens

 

Turismo Sustentável

 

Viajar de forma consciente, além de ser uma ótima opção de lazer, faz bem para o turista, para os moradores da área visitada e também para o meio ambiente. O turismo sustentável é indicado para quem tem consciência que sua viagem gera uma série de impactos socioambientais e deseja que estes sejam positivos, contribuindo com a biodiversidade e a população da região visitada.

A consultora Alexandra Viana Von Keszycki é adepta ao turismo sustentável. Recentemente, ela fez uma expedição no Rio Tapajós, no Pará, com a agência de turismo sustentável Vivalá e afirma que escolheu o roteiro pois queria ter um impacto social positivo, mesmo nas férias. “Eu estava viajando sozinha e queria ter o impacto social nas minhas férias. Eu passo o ano inteiro falando que quero gerar impacto social positivo, mas isso é difícil no dia a dia, e a Vivalá me deu a oportunidade de ter contato com uma comunidade ribeirinha. Isso eu não conseguiria sozinha e muito menos fechando com agência tradicional”, comenta a norte-americana que reside no Brasil há cinco anos.

 

 

Os roteiros de turismo sustentável geram impactos socioambientais positivos, proporcionando novos conhecimentos e contato com pessoas e culturas que, no turismo tradicional, é mais difícil de acontecer. “Acho que eu não conseguiria viajar de fato de forma sustentável sem a Vivalá. Eu amo viajar, mas não dedico muito tempo pesquisando lugares para ficar ou passeios para fazer. Para mim a maior diferença é saber que meu estilo de viagem reflete meus valores, que eu pratico o que eu falo mesmo em momento de lazer”, completa Alexandra, que também ressalta que já tem uma nova expedição marcada com a Vivalá para 2022.

 

Turismo sustentável x tradicional 

O setor de turismo é uma das áreas que mais movimenta a economia todos os anos no Brasil e no mundo, gerando milhões de empregos, integração entre culturas, troca de experiências e muitos outros benefícios. Por outro lado, também significa aumento das emissões de gases de efeito estufa, esgotamento de recursos naturais e excesso de lixo.

Com o turismo sustentável é possível fomentar a economia, gerar empregos e renda, compartilhar culturas e tradições com o compromisso do impacto ambiental ser o mais positivo possível. A Vivalá, por exemplo, oferece o turismo sustentável, no qual cria experiências únicas e autênticas, incentiva a imersão em áreas naturais e a mensagem de proteção ambiental, mas fortalece as economias e famílias locais com emprego e renda dignas, além de ajudar no desenvolvimento social em seus programas de voluntariado.

As expedições são feitas em unidades de conservação, com turismo de base comunitária em conjunto com comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombolas e sertanejas, e em programas com ou sem voluntariado em suas viagens. Até 2023, a Vivalá tem planos de expandir seus roteiros para unidades de conservação de todos os estados do país, injetando mais de R$ 1,618 milhões nessas comunidades.

“Hoje o Brasil recebe menos turistas internacionais que o Museu do Louvre, em Paris. Isso demonstra uma oportunidade de crescimento gigantesca, mas esse crescimento precisa ser focado naquilo que a Vivalá acredita ser a vocação do Brasil: tornar-se o maior destino de turismo sustentável do planeta. Somos o país com a maior biodiversidade do mundo e queremos, com o turismo sustentável, provar que a floresta em pé também é muito mais rentável do que destruí-la. A gente constrói isso por meio de experiências de viagem com muita conexão com a natureza e protagonismo das comunidades tradicionais brasileiras, que são as grandes guardiãs desse patrimônio natural e cultural”, explica Daniel Cabrera, cofundador e diretor executivo da Vivalá.

Pensando em turismo sustentável, a Vivalá listou sete maneiras de fazer com que sua viagem melhore o mundo:

1 – Valorize culturas e saberes tradicionais

As comunidades tradicionais brasileiras, a partir da sua comunhão com o bioma, são as reais guardiãs da flora, da fauna e das águas. Quando o turismo preserva e valoriza os saberes ancestrais de indígenas, ribeirinhos, quilombolas, sertanejos e outros povos – por meio de oficinas e apresentações culturais ou da culinária regional, por exemplo – permite que essas comunidades mantenham seus modos de vida sustentáveis.

2 – Utilize o máximo de produtos e serviços da rede de fornecedores locais

É fundamental que a maior parte da renda seja direcionada para as comunidades locais e que seu consumo de fato melhore a vida daquelas pessoas. Você pode fazer isso se hospedando em uma pequena pousada, almoçando em um restaurante local, ou até mesmo consumindo produtos e serviços gerados pelos canoeiros, artesãos, guias, confeiteiros, dançarinos, entre tantos outros, que buscam solidificar cada vez mais suas iniciativas.

3 – Coloque a comunidade local como protagonista

Todo projeto ou atração turística deve ser criado em parceria com os comunitários e colocando estes como protagonistas. São eles que vivem a realidade local diariamente, conhecem os problemas e devem apontar as soluções. Organizações que atuam ali devem atuar como colaboradoras, mas sempre ouvindo as populações regionais e jamais impondo suas ideias ou visões de mundo.

4 – Conheça e proteja áreas de preservação

A gente preserva mais o que a gente conhece melhor. As Unidades de Conservação (UCs) são geralmente reservas biológicas, parques, monumentos naturais ou estações ecológicas que devem garantir a proteção e conservação do que vive lá dentro. Um dos destinos da Vivalá, por exemplo, é o Geoparque Seridó, localizado no semiárido nordestino. Nessa expedição, o turista tem a chance de conhecer geossítios e uma rica biodiversidade presente na região, tudo isso dentro de uma área que possui proposta de grande impacto social e ambiental positivo, pois trabalha com a preservação da natureza e de pinturas de 10.000 anos.

5 – Pratique o desenvolvimento pessoal (autoconhecimento, propósito, habilidades, expansão mental)

Cada local desbravado faz com que o viajante desenvolva aptidões que antes não sabia que tinha, além de se desenvolver internamente ao conhecer novos lugares, pessoas e culturas. Ninguém volta igual de uma viagem, principalmente quando se tem uma experiência única. As viagens são divertidas, mas também servem para provocar reflexões e mudanças de atitude, além de ampliar nossa consciência crítica.

6 – Combata os preconceitos

A ignorância é a mãe do preconceito. Ao fazer uma imersão em comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombolas ou sertanejas, liberte-se dos estereótipos e esteja de mente e coração abertos para o novo e o diferente – que, às vezes, não é tão diferente assim. O turismo sustentável aproxima pessoas e mostra que diferenças culturais não nos separam, ao contrário, são motivo de celebração e tornam a experiência muito mais enriquecedora.

7 – Apoie organizações sustentáveis

Você não precisa fazer tudo sozinho. Uma das lições do turismo sustentável é a valorização da coletividade, da cooperação e do trabalho em conjunto, cada um fazendo sua parte. Por isso, apoie organizações que atuam em uma ou mais frentes do turismo sustentável, que têm responsabilidade socioambiental e transparência no impacto das suas ações

Reserve agora o seu roteiro

Atualmente, a Vivalá atua em sete unidades de conservação, nas regiões do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste brasileiro, ou nos biomas da Amazônia, Caatinga e Cerrado. Suas vivências são na Amazônia Rio Negro (AM), Amazônia Rio Tapajós (PA), Amazônia Aldeia Shanenawá (AC), Geoparque Seridó (RN), Grande Sertão Veredas (MG), Chapada da Diamantina (BA) e Chapada dos Veadeiros (GO). Até o final de 2023 pretende expandir seu modelo de negócio sustentável e atuar em todos os estados do Brasil.

Os preços das expedições variam entre R$ 2.050 e R$ 4.800, a depender da data, duração e do destino escolhido. O valor inclui hospedagens, refeições, transportes a partir do ponto de encontro até o retorno à cidade com aeroporto mais próxima, todas as atrações da vivência, facilitador Vivalá sempre presente, orientação pré-viagem, seguro-viagem e kit viajante. Não estão inclusos no roteiro passagens aéreas até o destino de ponto de encontro. Para conhecer mais sobre os roteiros, datas e se inscrever,  acesse o site da Vivalá, em www.vivala.com.br.

Sobre a Vivalá

A Vivalá Turismo Sustentável no Brasil surgiu em 2015 como um negócio social com a missão de ressignificar as relações das pessoas com o Brasil através do turismo sustentável, empoderando comunidades e transformando percepções. A organização é especializada em expedições em unidades de conservação com profunda interação com a natureza e imersão nas comunidades locais através do turismo de base comunitária e voluntariado. A Vivalá recebeu 8 prêmios e reconhecimentos importantes em sua trajetória, sendo convidada para compor a rede Young Leaders of Américas do departamento de estado americano em 2018, a agência mais sustentável do Brasil em 2019 pela ONU, Organização Mundial do Turismo e Braztoa, além de ter sido escolhida em 2021, pela Fundação Grupo Boticário, Aceleradora 100+ da Ambev e PPA, e da iniciativa global da Yunus & Youth para fazer parte de seus programas de aceleração. Mais informações pelo e-mail contato@vivala.com.br ou telefone (11) 95658-5778.

 

 

 

 

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O Dia da ave e a ave Nacional

Dalgas lutou para criar o Dia da Ave e para fazer do Sabiá a Ave Nacional

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O SENHOR DOS PÁSSAROS 6

O Dia da ave e a ave Nacional

1 de julho de 2024

Dalgas lutou para criar o Dia da Ave e para fazer do Sabiá a Ave Nacional

Silvestre Gorgulho

 

 

O Dia da Ave é comemorado no Brasil desde 1968. Em 2002, a o Dia da Ave se revestiu de mais significado, pois todas as aves brasileiras passaram a ter, simbolicamente, uma única ave para representá-las: o sabiá laranjeira (Turdus rufiventris) que se transformou na Ave Nacional.

Dalgas lutou para criar o DIA DA AVE, em 5 de outubro. No diploma para as escolas tinha a assinatura do ministro da Educação, Jarbas Passarinho, e de outras autoridades. As duas últimas assinatura: Edson Arantes do Nascimento, o Rei PELÉ e do próprio Dalgas.

O ato burocrático que garantiu o sabiá laranjeira como Ave Nacional foi justamente por sua importância no folclore popular e na literatura do País. A iniciativa para fazer do Sabiá a Ave Nacional partiu o engenheiro e ornitólogo Johan Dalgas Frisch.

Segundo Dalgas Frisch, a APVS deu início a uma campanha em defesa do sabiá-laranjeira (Turdus Rufiventris). “Tivemos o apoio até do escritor Jorge Amado. E em agosto de 2002, a “Folha do Meio Ambiente”, jornal pioneiro na cobertura da temática ambiental, promoveu junto a seus mais de 150 mil leitores e 200 mil internautas, durante um mês, uma enquete para a escolha da ave nacional. Havia duas propostas: o sabiá e a ararajuba. Ganhou o sabiá (Turdus rufiventris) com uma grande vantagem: 91,7% na preferência popular”.

Dalgas Frisch conta que, diante da inequívoca preferência nacional, os então ministros do Meio Ambiente, José Carlos de Carvalho, Paulo Renato de Souza, da Educação, e o chefe da secretaria da Presidência da República, Euclides Scalco, assinaram em conjunto uma exposição de motivos que foi aceita e sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Foi feito um novo decreto, retificando os anteriores e determinando o sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) como ave-símbolo da ornitologia e ave nacional do Brasil.

 

O Decreto

DECRETO DE 3 DE OUTUBRO DE 2002

Dispõe sobre o “Dia da Ave” e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso II, da Constituição, DECRETA:

Art. 1 – O “Dia da Ave”, instituído pelo Decreto no 63.234, de 12 de setembro de 1968, será comemorado no dia 5 de outubro de cada ano.

Art. 2 – O centro de interesse para as festividades do “Dia da Ave” será o Sabiá (Turdus Rufiventris), como símbolo representativo da fauna ornitológica brasileira e considerada popularmente Ave Nacional do Brasil.

Art. 3 – As comemorações do “Dia da Ave” terão cunho eminentemente educativo e serão realizadas com a participação das escolas e da comunidade.

Art. 4 – Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 5 – Revoga-se o Decreto no 63.234, de 12 de setembro de 1968.

Brasília, 3 de outubro de 2002; 181o da Independência e 114º da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

 

Em outubro de 2002, José Carlos Carvalho, então  ministro do Meio Ambiente, recebeu de Johan Dalgas Frisch todos os estudos para que o Brasil pudesse definir o SABIÁ como Ave Nacional.

 

O jornal FOLHA DO MEIO AMBIENTE trouxe a reportagem completa na edição 129 de outubro de 2002.

 

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Só discursos e barrativas não apagam fogo

No Pantanal foram detectados 3.262 focos de queimadas com aumento de 22 vezes em relação ao ano passado

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Os biomas brasileiros registraram recordes de queimadas nos primeiros seis meses de 2024. Levantamento feito pela WWF-Brasil mostra salienta que o Pantanal e o Cerrado totalizaram a maior quantidade de focos de incêndio para o período, desde o início das medições em 1988 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

 

Em relatório, a WWF-Brasil acende luz de alerta vermelha:

  • No Pantanal, de 1º de janeiro a 23 de junho, foram detectados 3.262 focos de queimadas, um aumento de mais de 22 vezes em relação ao mesmo período no ano anterior. Este é o maior número da série histórica do INPE.
  • Entre janeiro e junho de 2024, quase todos os biomas brasileiros tiveram um aumento no número de queimadas em comparação ao mesmo período de 2023, exceto o Pampa, afetado por chuvas responsáveis pelas enchentes no Rio Grande do Sul.
  • Na Amazônia, foram detectados 12.696 focos de queimadas entre 1º de janeiro e 23 de junho, um aumento de 76% em comparação ao mesmo período no ano passado, o maior valor desde 2004.

 

SESC PANTANAL FAZ QUEIMA CONTROLADA PARA EVITAR GRANDES INCÊNDIOS

 

O Sesc Pantanal é um exemplo no manejo de sustentabilidade. Com mais de 110 mil hectares de área total, que corresponde a 1% do Pantanal Matogrossense, a área do Sesc virou importante polo de ação econômica e ambiental nos municípios de Barão de Melgaço e Poconé, a pouco mais de 100 km de Cuiabá. Nesses 27 anos de funcionamento, a RPPN do Sesc promoveu vários tipos de atividades desde a produção de livros, documentários sobre a região, educação ambiental, pesquisas científicas, combate a incêndios florestais, ensino a distância, formação de mão de obra, qualificação de trabalhadores e formação de professores. Agora, diante dos terríveis incêndios florestais no Pantanal, o Sesc antecipou algumas técnicas para conter as queimadas. Uma delas é o uso do próprio fogo para evitar sua propagação.

 

 

Reserva do Sesc Pantanal é a primeira a realizar queima prescrita em unidades 

de conservação no Pantanal de MT (Fotos: Jeferson Prado)

Antes de julho, já em junho, começou nesta semana no Pantanal de Mato Grosso o período proibitivo de uso do fogo em 2024. Anteriormente era para 1º de julho. A antecipação ocorre em razão da estiagem severa prevista para os próximos meses, conforme monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), somente será autorizado o uso do fogo para fins preventivos, como a queima prescrita realizada pela Reserva Particular do Patrimônio Natural, RPPN Sesc Pantanal, a primeira em unidades de conservação no Pantanal Norte a efetuar o procedimento.

“Somente serão autorizados fogos preventivos, com o objetivo de diminuir a propagação de grandes incêndios na região, com autorização e orientação do Corpo de Bombeiros e Secretaria de Meio Ambiente”, informou a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti. Este é o caso da queima prescrita que faz parte do Plano de Manejo Integrado do Fogo (PMIF) da RPPN Sesc Pantanal, a maior do Brasil, localizada em Barão de Melgaço (MT). Referência em prevenção a incêndios no Pantanal, a Reserva começou no dia 14 de junho a executar a técnica comprovadamente eficaz em outros biomas brasileiros e em outros países. A queima já havia sido realizada na área em 2021, em caráter de pesquisa.

 

FOGO EM ÁREAS CONTROLADAS

O processo consiste em aplicar chamas de baixa intensidade em áreas controladas, com vegetação mais adaptada ao fogo. Essa queima auxilia na redução de materiais secos com potencial para propagar o fogo, evitando incêndios de grandes proporções. A queima é feita em mosaico, com o objetivo de proteger os 108 mil hectares da RPPN.

 

 

De acordo com a gerente-geral do Sesc Pantanal, Cristina Cuiabália, o PMIF (que pode ser acessado no site www.sescpantanal.com.br), representa um importante avanço pela prevenção do Pantanal. “O objetivo é que ele seja aprimorado e apropriado por outras instituições que planejam adotar a abordagem de MIF. Assim, avançamos como um todo para o manejo mais adequado do bioma, considerando a ampla diversidade de uso e ocupação dos territórios pantaneiros”, diz Cuiabália, destacando o pioneirismo do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, iniciativa nacional do Sistema CNC-Sesc-Senac

 

OPERAÇÃO PANTANAL 2024

O Governo de Mato Grosso lançou a Operação Pantanal 2024 de combate a incêndios no Pantanal no dia 17 de junho, sob coordenação da Sema-MT e Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP-MT). A abertura foi realizada no Parque Sesc Baía das Pedras, unidade do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, localizada em Poconé (MT). Em 2020, o lugar foi utilizado como Posto de Comando da Operação Pantanal II. Naquele ano, 4 milhões de hectares do Pantanal foram afetados por incêndios florestais no bioma.

E Mato Grosso fez um pacto interfederativo com o Governo Federal, Mato Grosso do Sul e Estados do Amazônia Legal para o combate aos incêndios florestais no Pantanal e na Amazônia. O objetivo é promover uma atuação coordenada e integrada para efetivar a prevenção, o controle e o manejo do fogo, de modo a proteger essas regiões de significativa importância ecológica, econômica e social.

 

 

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JEAN DE LÉRY – PARTE 5

A HISTÓRIA DO AVATI OU CAUIM

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Jean de Léry (1536-1613) aquele que entrou de gaiato no navio, para nossa sorte, continua suas histórias sobre o Brasil de 1550. Léry – só para relembrar – acreditou na balela do poderoso Nicolas Durand de Villegaignon e embarcou em um dos navios franceses que vieram colonizar a porção Antártica da França. O relato que o artesão e futuro pastor calvinista deixou aos brasileiros é precioso. Nesta Parte 5, Jean de Léry explica como nos primeiros anos do século XVI, os Tupinambás faziam e apreciavam o avati ou cauim. As cauinagens estavam presentes como um dos mais tradicionais festejos dos Tupinambás. Era uma espécie de “combustível” para comemorações sobre vitórias frente aos inimigos. Esses inimigos, quando derrotados, eram capturados e tidos como principal ingrediente da antropofagia indígena.

Jean de Léry conta em seus escritos como os índios fazem o avati, a bebida do milho. “São as mulheres, como já disse, que tudo fazem nessa preparação, tendo os homens a firme opinião de que se eles mastigarem as raízes ou o milho a bebida não sairá boa. (…) Os selvagens chamam essa bebida cauim; é turva e espessa como borra e tem como o gosto de leite azedo. Há cauim branco e tinto tal qual o vinho. (…) Quando querem divertir-se e principalmente quando matam com solenidade um prisioneiro de guerra para comer, é seu costume beber o cauim amornado e a primeira coisa que fazem as mulheres é um pequeno fogo em torno dos potes de barro para aquecer a bebida”.

(…) O curioso é que os Tupinambás nada comem durante as bebedeiras do mesmo modo porque não bebem às refeições muito estranhando ver-nos entremear uma e outra coisa à nossa moda”.

 

SÓBRIOS NO COMER E EXCESSIVOS NO BEBER

“Cumpre notar que embora não observem horas de jantar, merendar ou cear, como o fazemos, nem trepidem em comer à meia-noite ou ao meio-dia, só o fazem quando têm fome e pode-se dizer que são tão sóbrios no comer quanto excessivos no beber. Alguns têm o bom hábito de lavar as mãos e a boca antes e depois da comida; quanto à boca, creio que o fazem porque do contrário a teriam sempre viscosa em razão das farinhas de raízes e de milho que consomem em lugar de pão. Quando comem observam admirável silêncio e se têm alguma coisa para dizer, esperam até acabar a comida. E quando nos ouviam tagarelar alegremente às refeições, como entre franceses é costume, punham-se a motejar”.

“Mas é principalmente quando emplumados e enfeitados que matam e comem um prisioneiro de guerra em bacanais à moda pagã, de que são sacerdotes ébrios, que se faz interessante vê-los rolar os olhos nas órbitas. Mas também acontece sentarem-se em redes de algodão e uns em frente dos outros beberem modestamente; mas como o seu costume é de se reunirem todos, de uma aldeia ou de muitas, para beber (o eu nunca fazem para comer), esses beberetes especiais são muito raros.

 

UMA HISTÓRIA TRAGICÔMICA

Bebam pouco ou muito porém, como não sofrem de melancolia, congregam-se todos os dias para dançar e folgar em sua aldeia. (…) vou contar uma história tragicômica que em sua aldeia me contou um ‘mussacá’, isto é, um bom e hospitaleiro pai de família: ‘Surpreendemos uma vez’, disse ele na sua rude linguagem, ‘uma caravela de pêros (isto é, portugueses, que são inimigos mortais dos nossos tupinambás) ma qual, de mortos e comidos todos os homens e recolhida a mercadoria existente, encontramos grandes ‘caramemos’ (tonéis e outras vasilhas de madeira) cheias de bebida que logo tratamos de provar. Não sei que qualidade de cauim era, nem se o tendes no vosso país; só sei dizer que depois de bebermos ficamos por três dias de tal forma prostrados e adormecidos que não podíamos despertar’. É verossímil que fossem tonéis de bom vinho da Espanha, com os quais os selvagens, sem o saber, festejaram a Baco”.

 

A MASTIGAÇÃO DO MILHO

“No que me diz respeito, ao chegarmos a esse país procuramos evitar a mastigação no preparo do cauim e fazê-lo de modo mais limpo. Por isso pilamos raízes de aipim e mandioca com milho, mas, para dizer a verdade, a experiência não provou bem. (…) às pessoas que, em vista do que disse acima acerca da mastigação das raízes e do milho no preparo da bebida, enjoem e engulhem, lembro o modo pelo qual entre nós se fabrica o vinho. Pois se tivermos em vista que nos lugares onde crescem os bons vinhedos os vinhateiros, no tempo da vindima, metem-se de sapatões, machucam as uvas e ainda as enxovalham na lagariça, veremos que nesse mister se passam muitas coisas talvez menos aprazíveis do que a mastigação das mulheres americanas”.

 

A HISTÓRIA DO PAPAGAIO DA ÍNDIA

Descreve os animais e as aves que encontra: “Maior maravilha ainda me pareceu, porém, um papagaio dessa espécie pertencente a certa índia de uma aldeia distante duas léguas de nossa ilha. Dir-se-ia que essa ave entendia o que lhe falava a sua dona. Quando por ali passávamos esta nos interpelava: ‘dai-me um pende ou um espelho e eu farei com que o meu papagaio cante e dance em vossa presença’. Se dávamos o que pedia, bastava-lhe uma palavra para que a ave começasse a saltar na vara em que pousava, a conversar, assobiar e arremedar os selvagens de partida para a guerra, de um modo incrível. E quando a dona dizia para cantar, ele cantava; e também dançava quando ela lho ordenava. Se, porém, não lhe dávamos nada, ela se limitava a dizer asperamente ao papagaio: ‘auge’, isto é ‘pára’ e ele se aquietava sem proferir palavra e por mais que lhe disséssemos não movia nem o pé nem a língua. (…) A índia chamava-o ‘cherimbabo’ o que quer dizer ‘coisa muito amada’. E o apreciava tanto, em verdade, que se lhe perguntávamos quanto queria por ele, para vender, respondia: ‘mocauaçu’, isto é ‘canhão grande’, de modo que nunca o pudemos obter”.

 

 

‘GUANAMBI’ OU BEIJA-FLOR

“Como não me seria possível especificar minuciosamente todas as aves existentes no Brasil, tão diversas das nossas nas cores que lhes são peculiares, isto é, encarnado, branco, roxo, cinzento, púrpura, etc., finalizarei pela descrição de uma, entre as demais, que os selvagens têm em grande estima. Muito se penalizariam se alguém lhe fizesse mal e ai de quem a matasse! É cinzenta e maior do que o pombo e tem a voz mais aguda e plangente ainda do que a coruja.

 

‘Guanambi’, que os portugueses batizariam de ‘beija-flor’.

 

Os nossos tupinambás imaginam, entretanto ao ouvirem-na cantar à noite, principalmente, serem seus parentes e amigos mortos que a enviam em sinal de boa fortuna, para animá-los na guerra”.

Assim Léry descreve o ‘guanambi’, que os portugueses batizariam de ‘beija-flor’.

 

 

PRÓXIMA EDIÇÃO 365 – Agosto 2024 – JEAN DE LÉRY – Parte 6 

Jean de Léry conta que “as abelhas da América não se parecem com as nossas (europeias); antes se assemelham às pequenas moscas pretas que temos no estio e, principalmente, no tempo das uvas. Fazem seu mel e sua cera, produtos que os selvagens sabem aproveitar, em paus das florestas. Às colmeias, chamam os selvagens ‘ira-ictic’, de ‘ira’, mel e ‘ietic’, cera. (…) Acrescentarei ainda que sob as pedras encontram-se no Brasil escorpiões, os quais menores que o da Provença, são venenosos e mesmo mortais, como verifiquei.

 

 

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