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Universidade Brasileira é uma das dez universidades mais sustentáveis do mundo

O ranking é elaborado anualmente pela GreenMetric, uma rede de universidades voltada à sustentabilidade

 

Do Portal do Governo

 

Na 10ª posição, a USP é a universidade mais sustentável da América Latina, segundo o UI GreenMetric World University Ranking 2021. A avaliação foi divulgada no último dia 14 de dezembro, pela GreenMetric, uma rede global que reúne universidades de todo o mundo para discutir projetos voltados à sustentabilidade ambiental.

“Estar entre as 10 universidades mais sustentáveis do planeta é fruto de muito trabalho de toda a nossa comunidade, ao longo dos últimos anos, e uma clara demonstração da nossa maturidade em termos de consciência ambiental. Sem dúvida, este prêmio nos motiva a continuar nessa trajetória, contribuindo para que a sociedade também busque ações mais sustentáveis em suas atividades”, ressaltou o superintendente de Gestão Ambiental, Tércio Ambrizzi.

Nas primeiras posições estão a Universidade de Wageningen (Holanda), a Universidade de Nottingham (Reino Unido) e a Universidade de Groningen (Holanda). Entre as latino-americanas, depois da USP aparecem a Universidade Autônoma de Nuevo León (México), na 18ª posição, e a Universidade Autônoma de Occidente (Colômbia), na 35ª.

Na edição deste ano, a USP também foi considerada a líder na coordenação de ações e projetos voltados para a sustentabilidade entre as universidades brasileiras. Para Ambrizzi, “esse prêmio demonstra que acreditamos que estas ações devem ser feitas de forma integrada com outras universidades de nosso País, de forma a contribuirmos para que nossos jovens possam adquirir esta mesma consciência ambiental e transmiti-la para as futuras gerações. Somente em uma ação conjunta vamos conseguir mitigar as emissões dos gases de efeito estufa, controlando o aumento do aquecimento global e diminuindo seu impacto na sociedade”.

Elaborado anualmente, o ranking classifica as instituições que desenvolvem as melhores práticas e programas sustentáveis em seus campi, considerando seis indicadores: áreas verdes, consumo de energia, gestão de resíduos, tratamento de água, mobilidade e educação ambiental. Na edição de 2020, a USP ocupou a 13ª colocação geral e o primeiro lugar no Brasil.

Clique aqui para ver mais detalhes.

GreenMetric

UI GreenMetric World University Ranking foi criado pela Universidade da Indonésia (UI), em 2010, para medir os esforços das universidades em tornar seus campi mais sustentáveis. No primeiro ano, 95 universidades de 35 países participaram da avaliação. Na edição de 2021, 956 instituições foram avaliadas, sendo 40 universidades brasileiras.

Além do ranking, a GreenMetric organiza eventos regionais e internacionais para discutir projetos voltados à sustentabilidade ambiental, como o International Workshop on UI GreenMetric.

Em setembro de 2021, a USP sediou o National Workshop on UI GreenMetric for Universities in Brazil, o quinto encontro da rede GreenMetric na América Latina. A reunião foi uma oportunidade para compartilhar as melhores práticas na criação de condições sustentáveis nos campi universitários e para discutir a criação de um índice voltado às universidades da região.

 

 

 

 

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Os viveiros da Novacap que fazem de Brasília um jardim a céu aberto

Espaços foram fundados com a missão de espalhar árvores, flores e arbustos pelo Distrito Federal; o resultado está nas ruas da capital, que tem quatro vezes mais áreas verdes do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde

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Catarina Loiola, da Agência Brasília | Edição: Carolina Lobo

 

Cidade-parque, Brasília é um jardim a céu aberto. É o que mostram os números: existem 5,5 milhões de árvores em todo o Distrito Federal, 186 milhões de metros quadrados de grama e 650 jardins em áreas públicas e oficiais ornamentadas com flores e arbustos. As plantas distribuídas pelas regiões administrativas (RAs) são desenvolvidas nos dois viveiros da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), coordenados pelo Departamento de Parques e Jardins (DPJ).

‌A história dos espaços é contada pela Agência Brasília, em mais uma matéria da série especial #TBTdoDF, que aproveita a sigla em inglês de throwback thursday (em tradução livre, “quinta-feira de retrocesso”) para reviver o passado brasiliense.

O primeiro viveiro foi fundado na década de 1960, com o objetivo de desenvolver as árvores que iriam colorir as entrequadras e praças da cidade. Localizado onde hoje fica o Park Way, o espaço mantém a produção de flores, arbustos, palmeiras e plantas de sombra. São 26 hectares ocupados por 30 estufas, galpões de armazenamento e área administrativa.

O reduto de plantas passou por reforma estrutural e foi entregue, de cara nova, em setembro de 2023. O investimento foi superior a R$ 3,4 milhões, verba originária do orçamento do Governo do Distrito Federal (GDF). Foram 12,6 mil metros quadrados de obra, incluindo pavimentação de áreas de acesso e a construção de calçadas até a reestruturação de espaços comuns e destinados ao cultivo de plantas.

O Viveiro I, no Park Way, passou por reforma estrutural, incluindo pavimentação de áreas de acesso, construção de calçadas e reestruturação de espaços comuns e destinados ao cultivo de plantas | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

Agora, os serviços de recuperação se concentram no segundo viveiro, construído em 1972. Serão reformados os espaços de produção e manejo das plantas, bem como áreas administrativas e de circulação de veículos e pedestres. Com 78 hectares, o Viveiro II fica no Setor de Oficinas Norte e é dedicado ao desenvolvimento e manejo de árvores. Centenas de ipês, flamboyants, paineiras, quaresmeiras, cambuís e magnólias, entre muitas outras espécies, ocupam galpões e estufas, antes de serem deslocadas para as RAs.

“Anualmente, os dois viveiros da Novacap desenvolvem mais de 80 espécies de flores, mais de 300 espécies de arbustos, de plantas de sombra e palmeiras, além de mais de 200 tipos de árvores. Então, é o principal agente arborizador no DF”Fernando Leite, presidente da Novacap

Tudo que é produzido nos espaços da Novacap alimenta ações pontuais nas RAs e, principalmente, o Programa Anual de Arborização. O plano deste ano foi lançado no sábado (24) pelo governador Ibaneis Rocha, em evento no Guará. A previsão é de que cerca de 100 mil mudas sejam integradas a praças, canteiros, bosques e outros espaços por todo o Distrito Federal.

“Anualmente, os dois viveiros da Novacap desenvolvem mais de 80 espécies de flores, mais de 300 espécies de arbustos, de plantas de sombra e palmeiras, além de mais de 200 tipos de árvores. Então, é o principal agente arborizador no DF”, destaca o presidente da Novacap, Fernando Leite. “Fazemos o plantio de 100 mil mudas de árvores por ano, seguindo esse programa; e, para este ano, planejamos uma ação gigantesca, o que vai deixar nossa cidade ainda mais verde e florida.”

‌Os primeiros jardins

O chefe do DPJ da Novacap, Raimundo Silva, explica que a construção da nova capital exigiu a remoção da vegetação nativa. Concluídas as obras, o desafio passou a ser a arborização da região. “O Cerrado original teve que ser retirado para que os palácios e edifícios pudessem surgir”, relata. “Partimos praticamente do zero e, hoje, temos 5,5 milhões de árvores plantadas no DF, das quais a grande maioria foi produzida nos nossos viveiros. Os espaços, essenciais para o DF, são abertos ao público. Basta entrar em contato conosco e agendar a data e o horário da visita”.

As primeiras mudas plantadas em solo brasiliense vieram de diversos cantos do país, conforme revela a chefe da Divisão de Agronomia do DPJ, Janaina Gonzáles. “No entanto, na década de 1970, muitas das árvores foram perdidas, porque não se adaptaram ao clima do Cerrado. Com isso, deu-se início a uma pesquisa profunda sobre quais espécies seriam as melhores para a cidade”, conta.

Atualmente, mais de 60% das espécies de árvores que enfeitam o DF são nativas do Cerrado. É o caso do ingá-mirim e do ingá-colar, que despontam logo em janeiro, bem como dos ipês, do jatobá-da-mata e do jatobá-do-cerrado, que florescem em junho. Já entre as mudas de outras vegetações adaptadas ao Quadradinho, há o pau-brasil e o oiti, espécies da mata atlântica. As árvores do pau-brasil caracterizam-se por flores amarelas que abrem em meados de setembro. Também em tons amarelados, sendo algumas brancas, as flores do oiti dão o ar da graça em novembro.

O agrônomo Ozanan Coelho, que plantou os primeiros jardins da capital, disse: “A paisagem de Brasília é absolutamente singular” | Foto: Divulgação/Novacap

Conhecido como o homem que plantou os primeiros jardins da capital, o agrônomo Ozanan Coelho disse, em entrevista realizada em 2009, que “a arborização de Brasília foi uma epopeia, como a própria construção da cidade.” Nordestino, ele chegou à capital em 1969 para trabalhar no controle de doenças e pragas do Viveiro I. Um mês depois, envolveu-se na construção da Praça do Buriti e na ornamentação de outras áreas da cidade. Ozanan faleceu em 2016, aos 72 anos.

“Sou muito suspeito para falar, mas eu acho que a paisagem de Brasília é absolutamente singular. Em Brasília você vai ver ipê-branco, amarelo, roxo, quaresmeira, copaíba, jequitibá-do-cerrado, landim, pombeiro… você vai ver coisas que não existem nas outras cidades, uma coisa absolutamente só de Brasília”, defendeu, em outra entrevista de 2009.

‌Um trabalho a muitas mãos

A Novacap é responsável por todas as etapas de manejo das árvores, flores e arbustos do DF. As sementes das árvores são coletadas em matrizes catalogadas no DF e preparadas para a semeadura no Viveiro I. Depois, são reservadas em câmaras frias e expedidas para o destino final quando prontas para o plantio. O processo dura de dois a quatro anos, dependendo da espécie da árvore. Já as flores podem ser coletadas por sementes ou por poda vegetativa, dependendo da espécie. Em seguida, vêm o beneficiamento, o transplantio, a manutenção e a expedição – caminho que ocupa de 30 a 60 dias.

Jardineira dos viveiros da Novacap Liza da Silva: “Quando passamos por outro lugar a gente percebe que Brasília realmente é um jardim. Nenhum outro lugar é tão bonito quanto aqui” | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

Cada etapa faz parte do currículo da jardineira Liza da Silva, 59 anos – dos quais 23 são dedicados aos viveiros. Atualmente, ela trabalha com os cuidados diários com as plantas de sombra. “Eu amo isso aqui; depois da minha casa, é o melhor lugar do mundo”, declara. “E a reforma transformou esse lugar. Quando cheguei, sempre escutava: ‘Lisa, não passa para aquele lado, porque as telhas têm risco de queda’. Foi uma luta para conseguir as melhorias, mas não desistimos, e muita coisa melhorou”.

‌Assim como outros funcionários da companhia, ela se sente orgulhosa de fazer parte do que traz embelezamento ao DF. “Quando passamos por outro lugar, a gente percebe que Brasília realmente é um jardim. Nenhum outro lugar é tão bonito quanto aqui”, enfatiza Liza, que nasceu em Goiânia (GO) e é mãe de dois filhos.

Ao todo, a produção das árvores, flores e arbustos reúne esforços de 56 empregados públicos e cerca de 100 reeducandas da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap), órgão vinculado à Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus). Ainda há espaço para mais trabalhadoras, já que o contrato com a instituição prisional permite a contratação total de 200 reeducandas. Podem se candidatar ao cargo sentenciadas do regime aberto ou semiaberto e aquelas submetidas a medidas de segurança.

“A atuação delas aqui é importantíssima para nós. Estão presentes em todas as etapas de produção de mudas – desde a coleta de sementes, beneficiamento, semeadura, desbaste, repicagem, tratos culturais, até a confecção dos vasos. Para elas, a experiência nos viveiros é ainda mais impactante, porque auxilia diretamente na ressocialização. Aqui, estão em contato com a natureza e têm, a cada três dias trabalhados, direito a um dia de remissão da pena”, esclarece a chefe da Divisão da Agronomia.

‌Cirsa Miranda, 62, é uma das reeducandas que trabalham no Viveiro I da Novacap. Ela faz parte do primeiro grupo contratado, iniciado em 7 de março de 2017 com apenas 30 mulheres. “Quando cheguei, não gostava de planta de jeito nenhum. Não sabia mexer e nem sentia vontade. O tempo passou e essas plantinhas são meus xodós”, conta a mãe de quatro filhos. “Tem flor aqui que ninguém consegue colocar no vaso do jeito certo, só eu. Faço uns 50 vasinhos por dia, com todo carinho do mundo, porque vão enfeitar a vida das pessoas”.

A produção das árvores, flores e arbustos reúne esforços de cerca de 100 reeducandas da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap), órgão vinculado à Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus); Cirsa Miranda é uma das que trabalham no Viveiro I da Novacap | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

‌Quem também tem enraizado em si um amor pelos viveiros e pela arborização de Brasília é a própria chefe da Divisão de Agronomia, Janaina González, que há mais de 26 anos trabalha na Novacap. A gestora participou de todas as fases da produção ao longo da carreira, incluindo a introdução de uma nova espécie de árvore no DF. A planta é o angico-farinha-seca, que, apesar de ser nativa do Cerrado, não existia na capital federal. Hoje, está presente em diversos lugares, principalmente ao longo do Eixo Sul.

Chefe da Divisão de Agronomia, Janaina González: “Os viveiros são exemplo para o país inteiro” | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

“Sou muito apaixonada pelo trabalho que eu faço. Sou técnica agrícola de formação e trabalhei uns 15 anos na equipe de coleta de sementes”, relembra. “Os viveiros são exemplo para o país inteiro. Hoje conseguimos ver mudas que saíram pequenas do viveiro, foram plantadas pelo DF, passaram por vários climas e intempéries e estão aí, ornamentando a nossa cidade e servindo de matriz para outros exemplares. Isso é muito gratificante, e tenho muito orgulho de trabalhar nos viveiros desde o primeiro dia que entrei na Novacap, em 4 de fevereiro de 1998. Me sinto realizada fazendo essa produção.”

Atenção

O plantio de árvores pela população deve ser orientado por equipes técnicas da Novacap, para evitar prejuízos estruturais e até acidentes. O serviço pode ser solicitado pela Ouvidoria-Geral do Distrito Federal, por meio do telefone 162 ou pelo site.

 

 

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Começa a temporada de concertos didáticos de 2024 no DF

Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro vai se apresentar para estudantes dos ensinos fundamental e médio das escolas públicas do DF

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Agência Brasília* | Edição: Chico Neto

 

A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro (OSTNCS) dá início, nesta semana, à temporada do projeto Concertos Didáticos 2024. O foco principal são os estudantes das escolas públicas dos ensinos fundamental e médio do Distrito Federal.

Orquestra terá como convidados alunos de escolas públicas nos concertos desta semana | Foto: Divulgação/Secec

O projeto tem por objetivo trazer um conhecimento mais detalhado do funcionamento de uma orquestra sinfônica e seus instrumentos musicais aos alunos das escolas públicas do DF. No ano passado, 400 estudantes participaram da ação.

As apresentações terão como palco o Teatro Plínio Marcos, localizado no Eixo Cultural Ibero-Americano. Esta é a terceira edição do projeto,  após o período de pandemia da covid-19.

Confira a programação e a lista das escolas que serão as convidadas a assistir aos concertos desta semana.

Terça (27), às 8h30 

→ CEM 03 – Taguatinga
→ CEM 03 – Gama
→ CEMTN – Taguatinga Norte
→ CEM 01 – Guará
→ CED Incra 08 – Brazlândia
→ Centro de Ensino Médio Integrado à Educação Profissional de Taguatinga (Cemeit)

Quarta (28), às 15h30

→ Escola Classe 02 – Guará
→ CEM 111 – Recanto das Emas
→ CED 06 – Ceilândia
→ CEF 102 – Plano Piloto – Asa Norte.

*Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec)

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A promessa que originou a Igreja Nossa Senhora de Fátima

A Igrejinha, como é conhecida, é patrimônio tombado e um ponto de encontro entre turismo, fé e beleza na capital

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Jak Spies, da Agência Brasília | Edição: Igor Silveira

 

Completando 66 anos em 2024, a Igreja Nossa Senhora de Fátima foi o primeiro templo religioso construído em Brasília. A paróquia surgiu a partir de uma promessa da família Kubitschek, tendo sido erguida em apenas 100 dias para atender a um importante casamento na cidade.

A Igrejinha foi inaugurada em 28 de junho de 1958 | Fotos: Divulgação/Arquivo Público de Brasília

Conhecida popularmente como Igrejinha da 308 Sul – ou só Igrejinha -, a capela foi projetada por Oscar Niemeyer, e a arquitetura, composta por três pilares que sustentam uma laje, faz referência aos antigos chapéus usados por freiras.

Agência Brasília transporta você a um dos espaços mais emblemáticos da capital, relembrando a história da Igreja Nossa Senhora de Fátima em mais uma matéria da série especial #TBTdoDF, que utiliza a sigla em inglês de Throwback Thursday (em tradução livre, “quinta-feira de retrocesso”), para relembrar fatos marcantes da nossa cidade.

Construção de uma promessa

Os registros históricos nos livros da paróquia revelam que o projeto foi feito a pedido da primeira-dama Sarah Kubitschek, como agradecimento pela cura da filha, Márcia, que sofria de um problema na coluna.

O projeto de Oscar Niemeyer é inspirado nos chapéus usados por freiras

A sugestão da promessa foi dada pelo presidente de Portugal, Craveiro Lopes, que estava no Brasil na época e, ao saber da situação, relembrou à esposa de Juscelino Kubitschek a história das aparições de Nossa Senhora de Fátima.

O primeiro casamento

Inicialmente, a construção seria um grande santuário onde atualmente se encontram as superquadras 307/308 Sul. Mas os planos mudaram após a necessidade de uma igreja para a cerimônia de casamento da filha do presidente da Novacap, Israel Pinheiro, que era o engenheiro responsável pela administração das obras na construção da nova capital.

Logo, o plano original da família Kubitschek foi substituído com urgência pelo projeto de uma capela mais simples, que é a atual Igreja Nossa Senhora de Fátima. Em 100 dias, a paróquia foi inaugurada, antes mesmo de Brasília, em 28 de junho de 1958. O casal Maria Regina Uchoa Pinheiro e Hindemburgo Pereira Diniz selou lá a união matrimonial e teve como padrinho o jornalista e embaixador Assis Chateaubriand.

O primeiro casamento no local foi o da filha do então presidente da Novacap, Israel Pinheiro

Passados 58 anos do primeiro casamento realizado em suas dependências, a pequena capela continua com as celebrações de matrimônio, marcando a vida de centenas de casais – como os brasilienses Larissa Sudbrack e Paulo Cavalcante, que se casaram na Igrejinha da 308 Sul em 2016.

A arquiteta de 36 anos conta que começou a frequentar o espaço há dez anos, após uma promessa, tornando natural a escolha do local para a cerimônia com o marido. Católica e moradora da 108 Sul, ela conta que, além da proximidade da igreja com seu apartamento e a promessa de ir à missa todos os domingos durante seis meses, o nome de sua mãe de Larissa é Fátima – o que deixou, ao seu ver, tudo apontado para a escolha da capela. Mais um sinal viria a seguir: quando o casal ia fazer dez anos de namoro, Larissa comprou um quadro com azulejos de Athos Bulcão e, no mesmo ano, Paulo a pediu em casamento.

“Para mim, a Igrejinha é o desenho por metro quadrado mais especial da cidade, cheio de significado. Tem uma ligação com a natureza e é bem aberta, uma experiência muito rica do espaço”, comenta Larissa. Ela recorda que também escolheu o local para o batizado dos dois filhos pequenos. “É um local de apoio religioso perto de casa; a gente pode fazer uma rápida oração, e me sinto bem quando estou ali, acolhida e protegida”, acrescenta a arquiteta.

Os azulejos de Athos Bulcão são marca registrada da Igrejinha

Patrimônio histórico

O templo católico comporta até 40 pessoas e foi tombado pela Unesco como patrimônio cultural e histórico nacional, entrando no Conjunto Urbanístico de Brasília inscrito no Livro do Tombo Histórico em 14 de março de 1990. O local também é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 2007, como parte do conjunto das obras de Oscar Niemeyer, em homenagem ao centenário do arquiteto.

A parte externa da parede é revestida por azulejos de Athos Bulcão que simbolizam a descida do Espírito Santo e a Estrela da Natividade. Já no seu interior, o monumento apresenta pinturas de Francisco Galeno, aluno de Alfredo Volpi, artista italiano responsável pela primeira obra artística da igreja.

O templo católico comporta até 40 pessoas e foi tombado pela Unesco como patrimônio cultural e histórico nacional, entrando no Conjunto Urbanístico de Brasília inscrito no Livro do Tombo Histórico em 14 de março de 1990 | Fotos: Geovana Albuquerque/ Agência Brasília

Segundo informações da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, a primeira pintura feita por Volpi no interior da igreja apresentava afrescos com bandeirolas e anjos que remetiam a uma quermesse e às festas juninas.

As pinturas modernistas causaram estranhamento em alguns paroquianos, que se queixaram da personalização artística e apontaram “falta de religiosidade” na obra. Dessa forma, a arte chegou a ser coberta de tinta azul quatro anos após a inauguração, mas foi restaurada por Francisco Galeno entre janeiro e junho de 2009. A inspiração festiva em Volpi foi mantida, mas de uma forma mais discreta.

Além de prefeito da 308 Sul, Matheus Seco é arquiteto e evidencia as características arquitetônicas da quadra modelo e da Igrejinha, ressaltando que é o local mais fiel ao projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer.

O interior do monumento também conta com obras de arte

“As quadras fazem parte de um conceito de rede, não são quadras isoladas, elas se complementam e apresentam o ápice do projeto arquitetônico brasileiro de Niemeyer. A obra é formalmente simples, mas muito forte, com influências do barroco mineiro, detalhes sutis de sombras, encontro das colunas e uma sofisticação de desenho muito bonitos”, observa.

Entre os pontos destacados pelo arquiteto, ele aponta a maneira com que a construção aproveita a ventilação e a iluminação natural e como a recomposição das pinturas foi feita preservando o patrimônio moderno.

Um local de fé

À frente da paróquia há quatro anos, o frei Reinaldo do Santos Pereira destaca que, apesar do movimento maior ser religioso, a Igrejinha atrai pessoas com interesse além da fé, voltadas para a história do patrimônio e a arquitetura.

“É importante mostrar e valorizar aquilo que é nosso. A Igrejinha é pequena, mas acolhe todo mundo. As pessoas que vêm aqui passam pela praça e se sentem acolhidas pelo tamanho e pela singeleza do espaço”, observa o pároco. Segundo ele, os candangos já faziam da igreja, ainda em construção, um lugar de prece e pedidos de milagres.

“O espaço faz parte do nosso turismo religioso, além de ser um cartão-postal da cidade. A Igrejinha enaltece a memória de quem ajudou a construir a nossa capital e contribuiu para a história de fé de muitos moradores”, reforça o administrador do Plano Piloto, Valdemar Medeiros.

A empregada doméstica Edileusa Bezerra da Silva, 57, trabalha ao lado da Igrejinha e vai ao templo todos os dias para rezar. Ela conta que é devota de Nossa Senhora de Fátima e que encontrar um espaço tão pertinho de onde passa a maior parte do tempo foi um conforto. “É muito importante para mim, traz ânimo no dia a dia e me dá muita força”, observa.

As missas da Igreja Nossa Senhora de Fátima são celebradas toda segunda-feira às 18h30, e, de terça a sábado, às 6h30 e às 18h30. Aos domingos, as celebrações são as 7h, 9h, 11h, 18h e 19h30. Em 1º de maio começa a conhecida quermesse da igrejinha da 308 Sul, que engloba três dias de festa, com barracas de comida e outras atividades.

 

 

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