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ZÉ APARECIDO, PORQUE E QUANDO ELE FINCOU UMA LANÇA NA LUA.

*17.fevereiro.1929 + 19.outubro.2007

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Há 93 anos, nascia em Conceição do Mato Dentro-MG o ex-governador, ex-ministro da Cultura e embaixador José Aparecido de Oliveira, que tinha profissão importante: FAZER AMIZADES.
Depois de sua cassação, em 1964, o 17 de fevereiro era comemorado como um feriado popular na sua Conceição. Gente de todos os credos, tribos de todos os quadrantes e amigos de todos os continentes.
Não era só festa, era um comício comemorativo e revolucionário.
O primeiro aniversário que participei foi em 1971. Fui de carro de Beagá com o José Eduardo Barbosa e o jornalista Carlos Castelo Branco. Estrada de terra.
Durante o jantar, foram nada menos de 87 discursos. Uns longos e outros curtos. Eu contei, pois fiquei muito impressionado. Entre o primeiro e o último discurso, servia-se coquetel, jantar, vinho, sobremesa e café.
Vou puxar pela memória dois discursos. Do Millôr e do Nery, pois ambos estavam na minha mesa.
Millôr Fernandes foi o 28º a falar. Foi curto e grosso:
“Zé Aparecido consegue romper todas as regras. Reúne em torno de si, babando na gravata, o que há humanamente de melhor. É aquilo que todos queremos ser: um profissional de profissionais. É capaz de transformar a pior obrigação num acontecimento lúdico. Sem falar que, para ele, qualquer acontecimento lúdico é uma obrigação”.
Sebastião Nery foi o 35º. Foi rápido e criativo:
“José Aparecido, profissão amizade. Nunca vi coisa igual. Quando os homens, os políticos estão no poder distribuindo favores e esperanças, a gente ainda entende. Mas para um político que está há sete anos cassado, riscado da vida pública e não manipula qualquer tipo de poder, é a consagração. Aparecido é uma honra da condição humana. Amarra pela amizade milhares de sujeitos, os mais diferentes… Como o prova esta surpreendente romaria a cada 17 de fevereiro a Conceição do Mato Dentro”.
GOVERNADOR ZÉ APARECIDO
Um lembrete: secretário particular de Jânio Quadros, deputado federal, ocupou várias secretarias em Minas e foi governador de Brasília (9.maio.1984 a 19.setembro.1988).
Como governador, José Aparecido fez um trabalho voltado para a Cultura, para a preservação e pelo resgate da obra de JK pelas mãos dos artistas construtores Oscar Niemeyer, Lucio Costa e Burle Marx que trouxe de volta.
Também criou o Jardim Botânico, fez a Ciclovia do Lago, implementou quilômetros de passeio pelas ruas do Lago Sul (para isso derrubou muitas cercas verdes) iniciou o processo de despoluição do Lago Paranoá, construiu Samambaia, começou os estudos do Metrô, combateu a ocupação irregular de terra, identificou os assassinos do jornalista Mário Eugênio, criou o Batalhão Rio Branco, fez vários monumentos (Casa do Cantador, Museu do Índio, Teatro Amador, Panteão com recursos do Bradesco), plantou e colheu sua maior obra: Brasília Patrimônio Cultura da Humanidade, em 7 de outubro de 1987.
Ganhou de Darcy Ribeiro uma frase: “Zé Aparecido, você fincou uma lança na lua!”
FOTOS:
  1. José Aparecido, Oscar Niemeyer e o secretaria do GDF visitam as obras da Casa do Cantador, na Ceilândia, projeto do Niemeyer.
  2. O governador JAO visita a Igreja Nossa Senhora das Dores, no Cruzeiro.
  3. Lucio Costa, JAO, Dom José Newton e Carlos Magalhaes da Silveira.
  4. Em Roma, quando da participação no Simpósio Roma-Brasília, em 1985. Na foto, Ângelo Oswaldo Araújo dos Santos, Silvestre Gorgulho (Secretário de Comunicação) Vera Pinheiro (Secretária de Cultura) e o governador Aparecido.
  5. No Palácio do Buriti, Aparecido recebe o radialista e senador Meira Filho que foi acompanhado pelo ex-prefeito Wadjô Gomide. Na foto, o secretário de Obras, Carlos Magalhães da Silveira.
  6. Em Lisboa: Emb. Sergio Costa_Silva, Helena Vaz, José Aparecido, o artista plástico Julio Pomar e Silvestre Gorgulho.
  7. Esta é a ultima imagem do dr. Aparecido. A foto foi tirada por sua filha Maria Cecília Aparecido, no seu apto da rua Caraça, em BH, na primeira semana de outubro. Comigo estão, dona Leonor e a ex-secretária de Cultura de Minas, Eleonora Santa Rosa, e sentado, José Aparecido de Oliveira. Na mesma semana, ele foi internado e veio a falecer no hospital em 19 de outubro de 2007.

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OURO PRETO E MARIANA

História e Cultura no coração de cada visitante

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Ouro Preto e Mariana – cidades históricas e das artes mineiras, ali uma do lado da outra – faz cada visitante, cada turista, brasileiro ou estrangeiro, perder o fôlego. Além de ser um lugar especial para quem procura beleza, charme e tranquilidade, Ouro Preto e Mariana (como também Congonhas do Campo e Tiradentes) se abraçam num circuito de onde jorra uma cascata de História do Brasil colonial e imperial. Em Ouro Preto, a mais importante cidade do Circuito do Ouro, nasceu Minas Gerais. A região é fascinante. Ali se misturam todos os tipos de turismo: histórico, cultural, de eventos, pedagógico, religioso, patrimonial e turismo de aventura. As artes, o folclore e o artesanato desaguam no coração e na alma de todos os moradores e visitantes. Por este caleidoscópio de propriedades, Ouro Preto é Cidade Monumento Nacional desde 1933. E, desde 1980, é Patrimônio Cultural da Humanidade, chancelado pela Unesco.

 

A origem de Ouro Preto está no arraial do Padre Faria, fundado pelo bandeirante Antônio Dias de Oliveira, pelo Padre João de Faria Fialho e pelo Coronel Tomás Lopes de Camargo, e um irmão deste, por volta de 1698. Para o jornalista e ex-ministro da Cultura, Ângelo Oswaldo Araújo dos Santos, atual prefeito de Ouro Preto, (eleito no seu quarto mandato) o Brasil pode ter sido iniciado no litoral. E começou em vários pontos do litoral como Porto Seguro, Salvador, Rio de Janeiro, Recife, São Luís do Maranhão, mas a concepção do Brasil como nação foi forjada em Vila Rica. Por vários motivos: pela produção do ouro e diamante que movimentou a engrenagem dos interesses econômicos e de riquezas dos tempos coloniais e pelos sonhos libertários dos inconfidentes. Nesse rol estão Felipe dos Santos, Pascoal Guimarães e os membros da Inconfidência Mineira capitaneados por Joaquim José Francisco da Silva Xavier. Todos eles plantaram a semente da Liberdade e da Independência. Por isso, o sábio conselho do historiador Marcelo JB Resende para quem percorre as ladeiras da velha Vila Rica: “Apure seus ouvidos ao andar pelas ruas de Ouro Preto. Sem muito esforço e alguma imaginação é possível ouvir os sussurros conspiratórios, os ideais subversivos e as intrigas palacianas”.

 

Ouro Preto tendo ao fundo o Pico do Itacolomi (foto: Mylena Lira)

 

 

BOA POUSADA E SUSTENTABILIDADE
As cidades históricas de Minas Gerais, como Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Tiradentes e São João d’el Rei têm bons serviços de hotelaria. A rede de hotéis e pousadas é grande e de ótima qualidade. Aliás, o Brasil tem se destacado no setor hoteleiro, ocupando lugar de destaque no mundo. O turismo – conhecido como a indústria da paz – exige uma constante modernização, pois o setor hoteleiro é a alavanca para o desenvolvimento econômico local e regional.
De acordo com a pesquisa Meios de hospedagem – Estrutura de Consumo e Impactos na Economia, além da geração de emprego e de colaborar para o aumento de negócios em outros setores que dependem do turismo, os hotéis também contribuem para outras áreas, como ao consumir bens industriais. A hotelaria consome milhares de televisores, aparelhos elétricos e eletrônicos, roupas de cama e banho, cosméticos e tantos outros itens, que movimentam as economias dos estados e municípios.

 

 

 

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O CÉU MAIS AZUL

Meu adeus ao jornalista e amigo Adriano Lafetá.

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ADRIANO veio de Minas. Lá de Montes Claros. Trouxe para Brasília o sentimento da mineiridade envolta na bandeira da Liberdade, da magnanimidade e da Nação AZUL. Cruzeirense como eu, ele estava feliz pela campanha fenomenal do time deste ano. Ainda viu o Cruzeiro ser campeão e quebrar todos os recordes.
Na UnB se capacitou em ser um dos jornalistas mais competentes e íntegros do Brasil. Texto primoroso. Editor que ajudou forjar a credibilidade e universalidade do CORREIO BRAZILIENSE. O jornalista Adriano Lafetá se despede da vida com um legado de exemplos pessoais e profissionais. Adeus amigo.
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MERCADO DE CARBONO FUNCIONAMENTO E COMPENSAÇÕES FINANCEIRAS

Créditos de carbono emitidos por países e empresas dispostos a compensarem emissões de gases de efeito estufa movimentam bilhões de dólares aliando interesses econômicos e sustentáveis

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Por GUILHERME JUSTINO – Jornalista especializado em Ciência e Sustentabilidade, membro da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental, da Associação Nacional de Jornalistas de Educação e da Alliance for Health Promotion.

A viabilização de um mercado de carbono tem sido um dos temas mais discutidos recentemente no cenário global. Aliando o interesse econômico à preocupação mundial com ações de sustentabilidade, o assunto tem se fortalecido como uma das principais propostas para combater a crise climática de maneira prática, justa e engajada, permitindo que países negociem créditos para reduzir significativamente as emissões dos gases que causam o efeito estufa. Mas o que é o mercado de carbono? Como se comporta? Quais suas vantagens?

MERCADO DE CARBONO VEM DA RIO-92

O mercado de carbono surgiu a partir da criação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFVV, em inglês), durante a ECO-92, no Rio de Janeiro. Posteriormente, em 1997, durante uma de suas mais importantes reuniões, em Quioto, no Japão, foi decidido que os países signatários deveriam assumir compromissos mais rígidos para a redução das emissões de gases que agravam o efeito estufa. Isso ficou conhecido como Protocolo de Quioto.

Para o protocolo entrar em vigor, era preciso reunir países que representassem 55% das emissões globais de gases de efeito estufa, o que só aconteceu de fato em 2005. Foi então que a redução das emissões passou a ter valor econômico, diante do objetivo central de que os países limitassem ou reduzissem suas emissões desses gases.

COMO FUNCIONA O MERCADO DE CARBONO

Em resumo, os créditos de carbono são uma “autorização” para que uma empresa ou um país emita gases de efeito estufa até determinado limite. Quem polui e emite mais tem que comprar créditos. Quem emite menos pode vender suas licenças extras. Cada crédito corresponde a uma tonelada de dióxido de carbono (CO2).

É como se cada país pudesse liberar na atmosfera uma determinada quantidade de gases. Alguns não atingem a meta, e podem comercializar sua “cota” excedente na forma créditos de carbono. Outros têm atividades econômicas tão poluidoras que superam o limite e, por isso, devem comprar créditos de quem emite menos ou possui áreas de floresta conservada. (Veja o quadro abaixo. Arte: Thiago de Jesus).

 

 

Essas negociações sustentáveis movimentam uma cadeia multibilionária: o volume de negócios de créditos de carbono chegou a 229 bilhões de euros em 2020 — cinco vezes mais do que em 2017, segundo a consultoria global Refinitiv. É mais de R$ 1 trilhão. Ou seja, um mercado pujante, mas que ainda precisa crescer muito para dar conta da demanda global.

“De acordo com a ambição estabelecida no Acordo de Paris, devemos, coletivamente, reduzir entre 1 e 2 bilhões de toneladas de CO2 ao ano das emissões mundiais, algo entre 10 e 20 vezes o mercado voluntário atual. Portanto, o mercado de créditos de carbono teria que aumentar, no mínimo, 14 vezes em relação ao tamanho atual e manter esse patamar de expansão todos os anos”, destaca Julio Carepa, gerente de projetos na WayCarbon, consultoria de soluções de tecnologia e inovação voltadas para a sustentabilidade.

TIPOS DE MERCADO DE CARBONO

Há dois tipos de mercados funcionando de forma paralela, em âmbito nacional e internacional: o voluntário e o regulado.

O mercado voluntário é formado por empresas comprometidas por conta própria a compensar emissões comprando créditos de quem é capaz de provar que está tirando carbono da atmosfera, com atividades florestais ou substituição de uma energia suja, como o carvão, por fontes limpas, como usinas solares. Nessa modalidade, empresas com metas de neutralização de carbono negociam seus certificados segundo a lei de oferta e demanda.

Já o mercado regulado é mantido por governos dispostos a ajustar de alguma forma o comércio de carbono. Nesse mercado, as empresas precisam concordar em tomar medidas para emitir menos. O mercado regulado mais importante é o europeu, chamado Emissions Trading System e mantido pela União Europeia, mas há órgãos relevantes na Califórnia e na China, que implantou um sistema assim em 2020. (Veja o quadro abaixo: Arte: Thiago de Jesus).

 

 

 

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Reportagens

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