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LANGSDORFF, A PRIMEIRA VINDA DE LANGSDORFF AO BRASIL.

A PAIXÃO PELA TERRA E A PROMESSA DE VOLTAR

 

Fortaleza de Santa Cruz, na Ilha de Santa Catarina.  Estrategicamente localizada na Ilha de Anhatomirim, Santa Cruz configurava no século XVIII o principal vértice do sistema triangular de defesa da Baía Norte, que protegia a Ilha de Santa Catarina. Abaixo, a Fortaleza Santa Cruz hoje.

 

 

Em 1803, por meio de um amigo, toma conhecimento que o Czar Alexandre I, da poderosa dinastia dos Romanov, deseja investir em uma expedição de circum-navegação a ser realizada pelos navios Nadezhda (Esperança) e Nieva. Ele próprio solicita à Academia de Ciências, como seu membro correspondente, a indicação para ser o ‘Naturalista da Expedição’. Informado de que o naturalista nomeado, o Dr. Tilesius, deveria reunir-se à expedição na Dinamarca, intercepta os navios em Warnermünde e convence o comandante Kruzenstern a aceitá-lo como ictiólogo e mineralogista. Langsdorff é incorporado e embarca no Nadezhda.

A verdadeira missão da expedição russa da qual Langsdorff tomou parte, como médico e ictiólogo, era comercial. A primeira visita e permanência no litoral brasileiro por alguns meses foi circunstancial. Os navios precisavam de reparo e reabastecimento. O mentor da expedição era Nikolay Petrovich Rezanov (1764-1807), misto de diplomata, nobre e aventureiro russo que planejava promover a colonização do Alasca e da Califórnia.

Depois de quase um mês ao mar, em doze de dezembro, a expedição de circum-navegação chega a Cabo Frio, litoral do Rio de Janeiro. Todos a bordo tinham uma só conversa: Brasil, uma abundância em ouro e diamantes, com sua natureza esplêndida e rica em recursos naturais. A tripulação desejava ardentemente visitar a cidade de Rio de Janeiro. O capitão Krusestern, no entanto, avaliou as dificuldades e determinou alterar o curso para Santa Catarina, muito recomendada como lugar de reabastecimento e descanso.

E assim, Georg Heinrich von Langsdorff, com seu bom português aprendido em Lisboa, teve seu primeiro contato com terras brasileiras. Foi paixão à primeira vista. De volta à Rússia, Langsdorff escreveu o livro ‘Voyages and Travels in various parts of the World during the years 1803, 1804, 1805, 1806, and 1807’, nunca traduzido para o português.

 

DEPOIS DE CONHECER SANTA CATARINA,

VOLTAR AO BRASIL ERA QUESTÃO DE HONRA

 

O veleiro russo Nadezhda (Esperança) na viagem de circum-navegação.

 

Voltar ao Brasil era questão de honra. E Langsdorff correu atrás de seu sonho. Se aproximou do Czar Alexandre I, assumiu a nacionalidade russa como Ivanovitch Langsdorff e voltou já com duas estrelas a mais na sua história: recebeu o patrocínio do amigo Czar Alexandre I e o título de Cônsul no Rio de Janeiro.

Começa então a preparar uma viagem tropical de “circum-navegação” pelos rios brasileiros. Contratou documentaristas de primeira grandeza para eternizar em imagens terras, flora, fauna, florestas e habitantes por onde passava. São eles os desenhistas Rugendas, Adrien Taunay e Hercule Florence. Langsdorff. Percorreram mais de 5 mil quilômetros e atravessou o Brasil por suas entranhas. Produziu um riquíssimo acervo em relatórios e desenhos com 368 peças. A Expedição Langsdorff esteve esquecida por quase 150 anos. Resgatada em 1987, revela uma proeza digna de epopeia universal com componentes de alto teor científico, estudos biológicos avançados, pesquisas, análises geográficas, identificação do saber e costumes indígenas, mas também com ingredientes de aventura, intrigas mistérios, traições e romances.

 

O bicentenário da Independência do Brasil e o início das relações bilaterais entre Brasil e Rússia, em 1828 – o Brasil foi o primeiro país da América do Sul a formalizar relações diplomáticas com a Rússia – estão entre os objetivos deste livro. Sim, os mesmos elementos que geraram dúvidas, desafios, mistérios e indagações que levaram Langsdorff a conhecer o Brasil continuam presentes nos dias atuais, 200 anos depois.

 

 

 

 

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ADEUS A PEDRO NEHRING O PAISAGISTA DE INHOTIM

Referência do paisagismo tropical, Nehring deixa um legado na beleza das paisagens.

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Tudo que o paisagista Pedro Nehring tocava virava flor. Se era terra, virava jardim. Se era gente, virava amizade. Aos 67 anos, em 13 de janeiro, faleceu o paisagista Pedro Nehring, um dos idealizadores do paisagismo do Inhotim, em Brumadinho-MG, e um dos mais respeitados paisagistas tropicais, com referência internacional. Seu último trabalho em Inhotim foi o “Jardim Sombra e Água Fresca”. Pedro Nehring (1955-2023) é conhecido nacional e internacionalmente como referência em paisagismo tropical contemporâneo. Ele foi figura central na construção da coleção botânica do Inhotim, uma das mais importantes do mundo, e de muitos outros jardins espalhados por várias partes do Brasil.

 

Autodidata, Pedro Henrique Nehring Cesar nasceu em Teresópolis, RJ, em 25 de maio de 1955, em uma família de paisagistas: seu irmão e seu pai também praticavam a arte da jardinagem. Em constante expansão, o Jardim Botânico do Inhotim tem muitas obras de Nehring, mas seu último trabalho é o jardim ‘Sombra e Água Fresca’, resultado de um processo criativo de quase dez anos. Construído em uma antiga área de pastagem de 32 mil m², o maior jardim temático do Inhotim é carregado de elementos que simbolizam o trabalho de Nehring: paisagens repletas de história permeadas por momentos de descanso e de fruição, árvores frutíferas, além de uma potente vocação para a educação ambiental.

 

 

Jardins de Pedro Nehring, um artista do paisagismo tropical.  

 

JARDIM VEREDAS

Complexo e diverso, outro jardim assinado por Pedro Nehring é o Jardim Veredas – reflexo do desenvolvimento prático de Nehring, que afirmava que é preciso entrar na mata para entender o paisagismo. Equilibrando o rigor da forma e a impermanência da natureza, Pedro buscava compreender e, principalmente, refletir os ciclos do ano na materialização dos seus projetos. O Jardim Veredas, e todos os seus projetos no Inhotim, são frutos de observações periódicas, conhecimento ímpar sobre os ciclos das plantas e de percepção do tempo da natureza.

 

 

Na véspera de seu falecimento, o paisagista Pedro Nehring esteve no ‘Viveiro Educador’, coração do Jardim Botânico de Inhotim, em reunião sobre os próximos trabalhos em áreas que serão abertas ao público no futuro. Estava descontraído, despediu-se das equipes com alegria.

 

 

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Para o paisagista Pedro Nehring é preciso entrar na mata para entender o paisagismo e, assim, equilibrar o rigor da forma e a impermanência da natureza: “Há que se compreender e refletir os ciclos das plantas e a percepção do tempo”.

 

 

O INSTITUTO INHOTIM

Encontro entre natureza e arte

 

 

Vista aérea de Inhotim

 

 

Sede de um dos mais importantes acervos de arte contemporânea do Brasil e considerado o maior museu a céu aberto do mundo, Inhotim é um parque de escultura, jardim botânico e museu situado no município de Brumadinho-MG, a 60 km de Belo Horizonte. Hoje é uma RPPN – Reserva Particular de Patrimônio Natural, tem 145,37 hectares com domínio de Mata Atlântica com enclaves de Cerrado. A instituição surgiu em 2004 para abrigar a coleção de arte modernista do empresário Bernardo Paz, então casado com a artista plástica carioca Adriana Varejão. Todo acervo está hoje em Inhotim, que recebeu ao longo do tempo muitas outras obras de arte, jardins, galerias, exposições e shows musicais.

 

SAIBA MAIS:

Endereço: Rua B, 20 – Fazenda Inhotim, Brumadinho – MG, 35460-000

Telefone: (031) 3571-9700

https://www.inhotim.org.br/

 

 

 

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Lá se foram 135 anos.

m 31 de janeiro de 1888, aos 73 anos, falecia em Turim, na Itália, São João Bosco. Vale uma homenagem em poesia ao Sonhador de Brasília.

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Sonhar é bom. E um dia eu sonhei com o maravilhoso Santuário do Bosco, um dos mais lindos templos do Brasil. Ao acordar fiz esta poesia.
O projeto do Santuário é do arquiteto mineiro Carlos Alberto Naves.
SONHO DE DOM BOSCO
Brasília tem força e magia
No bojo de sua história.
Antes de ser concebida
Já era cantada em glória
Por leis e também por sonhos
Antes mesmo da vitória!
A Capital era a meta
De um povo sonhador
E de um grande profeta
Que lá de longe, em Turim,
Qual um toque de clarim
Ecoou à terra inteira
Que no Planalto Central
Seria uma cidade erguida
Para ser a Capital
Desta nação brasileira.
E o santo construtor
Ganhou dois grandes presentes
Além de uma bela Ermida
Um Santuário de luz
A espargir energia
Pelos vitrais furta-cor
Mística que irradia
Mistérios que nos conduz.
Brasília é como uma flor
Que germinou no Cerrado
Bem em forma de cruz.
Meta síntese da campanha
De JK Presidente
Brasília é como um farol
De brilho iridescente
Redescobriu o Brasil
E num país continente
Ocupou o interior
E a alma de sua gente.
Minha prosa é oração
Uma mensagem sentida
Guarde-a no coração
E faça dela guarida
Pois um sonho realizado
É graça que vem do céu
Para abençoar a vida
Nesta Terra Prometida
Que vê jorrar leite e mel.
Silvestre Gorgulho
PS: a foto é de um grande fotógrafo paulista, um amigo que eu admiro muito pela competência e sensibilidade de seu trabalho: FÁBIO COLOMBINI. Seus livros são verdadeiras obras de arte. Tem vários livros publicados. Fabio Colombini é um artista da fotografia, especializado em natureza.
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OS YANOMAMIS PEDEM SOCORRO

Aumento do garimpo ilegal nas terras indígenas levou à tragédia sanitária

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O povo Yanomami, outrora longe dos ‘homens brancos’ eram felizes na Floresta Amazônica. Atualmente, enfrentam a ameaça da destruição pela intensa presença de garimpeiros ilegais. A verdade é que uma combinação de crise na gestão da saúde no território Yanomami e o aumento do garimpo ilegal nas terras indígenas levou à tragédia sanitária.

 

A terra Yanomami tem 9,6 milhões de hectares entre os estados de Amazonas e Roraima. É uma das populações mais isoladas do país, e a região é rica em minérios sobretudo o ouro. Segundo pesquisa da Fiocruz, em 4 % da população analisada havia concentrações acima de 6 microgramas de mercúrio por grama de cabelo, considerado o limite de tolerância biológica do corpo humano a essa substância.

 

HISTÓRICO – Os Yanomamis são de recente contato e não têm a memória coletiva imunológica como a da maior parte da população das cidades. A circulação maior de pessoas de fora acabou provocando uma profusão de viroses. Os riscos com a saúde da população indígena só aumentaram.

Com tantas questões de saúde, não há força de trabalho nas aldeias para manter as atividades de pesca, caça e cultivo das roças, enquanto, os jovens indígenas são aliciados por garimpeiros com armas, bebidas e até drogas.

A chegada do COVID também contribuiu, como explica pesquisador Estêvão Benfica Senra: “Ainda que o pai da família estivesse trabalhando, se a criança tem malária, duas, três vezes ao ano, mais COVID, fica muito complicado. A quantidade de crianças que morrem por doenças evitáveis é uma coisa absurda, impossível de se ver em outros lugares do mundo”.

 

 

ETNIA YANOMAMI

A etnia Yanomami é a sétima maior etnia indígena brasileira, com 15 mil pessoas distribuídas em 255 aldeias relacionadas entre si em maior ou menor grau. A noroeste de Roraima, estão situadas 197 aldeias que somam 9 506 pessoas e, a norte do Amazonas, estão situadas 58 aldeias que somam 6 510 pessoas.

Agora, no início de 2023, o governo federal divulgou que cerca de 570 crianças Yanomamis (entre um a quatro anos) morreram em razão do avanço do garimpo ilegal. Entre as causas das mortes estão a desnutrição, a pneumonia e a diarreia. Em 20 de janeiro último, o Ministério da Saúde declarou emergência de saúde pública para combater à desassistência sanitária das populações Yanomamis. O governo federal também estabeleceu um Comitê de Coordenação Nacional com o objetivo de discutir e adotar medidas para articulação entre os poderes para prestar atendimento aos indígenas.

 

 

 

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