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Cegos de Brasília têm oficina com Carlos Bracher
Cego é quem tem medo de ousar. Brasília nasceu de uma ação geopolítica ousada sob o comando do presidente JK. A seu modo, JK sacudiu o Brasil. Seu governo plantou hidroelétricas, estradas, bom humor e compromissos. Cumpriu todas as 31 metas prometidas durante sua campanha à Presidência. Plantou indústria automobilística e magnanimidade, perdoando revoltosos e inimigos políticos. JK plantou Brasília. O Brasil colheu um novo país. Brasília é a capital da ousadia. Não sou cineasta, mas vou fazer o roteiro de um filme ainda não rodado, mas já exibido em Brasília, e que terá novo capítulo dia 17 de maio.
Primeira cena: de junho de 2020 a agosto de 2021, o jurista Cláudio de Castro Panoeiro foi Secretário Nacional de Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Hoje, Panoeiro é o Secretário Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Com um detalhe: Cláudio Panoeiro é cego. Nasceu com uma doença autoimune e degenerativa da retina chamada retinose pigmentar. Sem medo do desconhecido, Panoeiro conseguiu se formar em primeiro lugar, com nota máxima, doutor em direito pela Universidade de Salamanca, na Espanha. Foi a primeira pessoa cega a fazer uma sustentação oral no STJ. Teve, é verdade, fortes decepções na vida, como a que aconteceu na última fase de um concurso para juiz federal, ao ouvir do examinador: “Não reconheço a possibilidade de ter um juiz cego”.
Cego foi o juiz que não viu onde um deficiente visual pode chegar. Em junho de 2020, na sua posse como Secretário Nacional de Justiça, com a presença do então ministro da Justiça André Mendonça (hoje, no Supremo) e da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, Cláudio Panoeiro explicou o segredo do sucesso de qualquer pessoa, deficiente ou não. “Todo sucesso depende de dois elementos. Vontade de chegar a algum lugar e ter a oportunidade de alcançar seus objetivos.”
Segunda cena: volto ao ano de 2007, início do governo Arruda. Justamente no 40º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro quando aprendi uma velha lição: só é cego quem não quer ver. Essa história, há 15 anos, mudou muitas vidas. Mudou, sobretudo, a relação dos patrocinadores e apoiadores da Sétima Arte no Brasil. O exemplo de Brasília despertou a importância da acessibilidade para cegos e surdos nos cinemas e nas produções cinematográficas.
Vale lembrar. Um mês antes da abertura do Festival de Cinema, fui provocado pela flautista e educadora Dolores Tomé de que os cegos queriam participar do Festival de Cinema. Tivemos que desenvolver uma tecnologia para que os cegos tivessem a audiodescrição da imagem da tela (quando não houvesse som) para o perfeito acompanhamento do filme. Foram quatro testes no Cine Brasília, com a ajuda efetiva de 17 cegos e do então presidente da Associação Brasiliense dos Deficientes Visuais, César Achkar, e com o apoio do Correio Braziliense.
Terceira cena: em 2008, o projeto avançou. Os próprios cegos criaram o Troféu Vagalume, que premiava o melhor filme na escolha deles. No ano seguinte, o cego João Júlio fez seu primeiro filme.
Quarta cena: o tempo passou. Agora, em 2022, dia 17 de maio, Brasília comete mais um ato de pura ousadia. Um desafio pessoal da secretária de Estado da Educação, Hélvia Paranaguá, em parceria com a diretora da Kingdom School, Alice Simão. Hélvia Paranaguá pediu à sua assessora Vera Barros para mobilizar a equipe e reunir no auditório da escola Kingdom School, na Q.I. 11 do Lago Sul, alunos cegos e surdos da rede oficial de ensino para receber a palestra Arte & Cores, do artista plástico Carlos Bracher. Mais de 80 alunos cegos e surdos participarão. Eles vão pintar dois quadros sob a luz e energia do Bracher. Pela manhã, os cegos e surdos vão pintar um quadro sobre os 200 Anos da Independência do Brasil. À tarde, pintarão outro quadro sobre Brasília, 62 Anos.
Quinta cena: dia 18 de maio, quarta-feira, os alunos da Kingdom School, que estudaram intensivamente a vida e a obra de Carlos Bracher, farão uma exposição sobre o artista. E, à noite, haverá uma homenagem ao escultor mineiro. No evento, ele vai revelar seu novo e grande desafio para Brasília: lançará o projeto da criação de uma escultura sobre o calculista e poeta Joaquim Cardozo, engenheiro que deu leveza e beleza a todos os palácios projetados por Oscar Niemeyer. A escultura será exposta na Esplanada dos Ministérios, em lugar a ser escolhido pelo GDF.
Sexta cena: já foi o tempo em que cegos não enxergavam. Que eram dependentes. Hoje, eles ultrapassam barreiras, aceitam desafios e provam que a pior cegueira é aquela que impede mesclar ações e conquistas da raça humana com solidariedade. Cego é quem tem medo de ousar para não errar. Cegueira é acreditar que a felicidade adentra nosso coração apenas para dar prazer. Puro engano: a felicidade só é real, verdadeira e duradoura se for compartilhada.

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Visitação Institucional ao Congresso cresce 20% e alcança melhor resultado desde 2012
Há 13 anos, as visitas eram feitas todos os dias da semana, sem limite de visitantes por grupo. No ano passado, já não havia visitas guiadas às terças e quartas-feiras, dias das sessões nos plenários da Câmara e do Senado, e os grupos foram de no máximo 50 pessoas
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
A Visitação Institucional ao Congresso Nacional recebeu 167.462 visitantes no ano passado, contra 139.173 em 2024. O resultado representa recorde diário e o maior público anual desde 2012, quando a visitação operava com dois dias a mais por semana (terça e quarta). Mesmo com essa diferença de dias de funcionamento, 2025 alcançou patamar próximo ao daquele ano, evidenciando o fortalecimento do programa e o crescente interesse do público em conhecer a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.
Engajamento e aproximação com a sociedade
O desempenho de 2025 reflete um conjunto de iniciativas voltadas a aprimorar a experiência do visitante e reforçar o papel institucional do turismo cívico como porta de entrada para o público conhecer, de forma qualificada e acolhedora, o Congresso Nacional, sua arquitetura, seus espaços simbólicos e o funcionamento da Câmara dos Deputados, contribuindo para uma relação mais próxima entre a instituição e a sociedade.
Ações especiais em 2025
Ao longo do ano, foram realizadas diversas atividades que ampliaram o alcance do programa e impulsionaram o engajamento do público visitante, entre as quais:
• Comemorações dos 65 anos do Congresso Nacional (abril): roteiro inédito, com passagem por áreas nunca antes visitadas e ampla cobertura jornalística externa. Apenas nos quatro dias de visitações especiais, foram 5.182 visitantes.
• Visitas às cúpulas (maio e outubro): programação especial com trabalhadores terceirizados, no mês de maio (mês do trabalhador), e com servidores, em outubro, em período próximo ao Dia do Servidor.
• Espaço Criança no Congresso (julho): ação voltada a famílias, com programação especial para o público infantil.
• Inauguração do Espaço Plenarinho (Salão Negro): ampliação da oferta de atividades para crianças durante a visita.
• “Orelhão” da Rádio Câmara (Salão Negro): iniciativa interativa para que visitantes pudessem pedir músicas, tornando a experiência mais participativa.
• Programação de Natal (dezembro): cantatas com participação especial de uma carreata de Natal ao final da apresentação.
• Visite EnCena: intervenções com esquetes teatrais integradas à visitação, aproximando o público de personagens e “vozes” ligadas à história do Brasil e do Parlamento.
• Visite 360: experiências imersivas com filmes em realidade virtual, utilizando óculos e fones de ouvido, para que o visitante vivencie narrativas marcantes do Parlamento.
• Implantação do Espaço do Visitante: com destaque para a réplica da tribuna do Plenário Ulysses Guimarães, que vem sendo amplamente utilizada pelos visitantes.
Ações em andamento (janeiro) e próximos passos
Os programas Visite EnCena e Visite 360 seguem em realização, ampliando as alternativas culturais e imersivas para o público. No Espaço do Visitante, a tribuna já está à disposição para fotos das 9h às 17h, todos os dias, e a Loja Institucional da Câmara será inaugurada em breve.
Mais informações sobre a Visitação Institucional ao Congresso estão disponíveis no portal.
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CLDF anuncia novo concurso de fotografia “Brasília Sob Lentes”
A iniciativa pretende estimular a educação para a cidadania por meio da arte e da cultura, além de incentivar um olhar crítico e sensível sobre a capital federal
Foto: Pedro França / Agência Senado
A Câmara Legislativa do Distrito Federal instituiu, por meio do ato da segunda vice-presidente, deputada Paula Belmonte (PSDB), publicado no Diário da Câmara Legislativa (DCL) no último dia 9, o concurso de fotografia “Brasília Sob Lentes”. A iniciativa pretende estimular a educação para a cidadania por meio da arte e da cultura, além de incentivar um olhar crítico e sensível sobre a capital federal.
Segundo o texto, o concurso será aberto à participação da comunidade em geral, com categorias, critérios e prazos definidos em edital específico a ser divulgado. As fotografias selecionadas também serão premiadas conforme as regras estabelecidas.
O ato determina, ainda, que a Escola do Legislativo do Distrito Federal (Elegis) será responsável por planejar, coordenar e executar o concurso, podendo firmar convênios e acordos de cooperação com instituições públicas e educacionais, tanto públicas quanto privadas.
Para a deputada Paula Belmonte, o projeto é uma oportunidade de fortalecer o vínculo entre a CLDF e a sociedade, incentivando o pertencimento, a identidade e a participação social. “A fotografia é uma poderosa ferramenta de expressão e cidadania. Com esse concurso, queremos aproximar a população da Câmara Legislativa e valorizar os múltiplos olhares sobre Brasília”, enfatiza a parlamentar.
*Com informações do gabinete da deputada Paula Belmonte (PSDB)
Agência CLDF
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Vestibular da USP vai cobrar obras indígenas e quadrinhos
Universidade divulgou livros de leitura obrigatória entre 2030 e 2033
Guilherme Jeronymo – Repórter da Agência Brasil
A Universidade de São Paulo (USP) divulgou as obras de literatura para leitura obrigatória que será cobrada dos vestibulandos nos exames de 2030 a 2033. A lista traz mudanças em relação aos autores do ciclo 2026-2029 e amplia gêneros literários e a origem dos autores.

A nova relação foi aprovada em reunião do Conselho de Graduação da universidade, por unanimidade, e traz o retorno de obras de teatro como referência, gênero que esteve de fora nos últimos exames, além de incluir os quadrinhos, por meio de uma graphic novel (romance gráfico).
Será a primeira vez que os autores indígenas serão cobrados na Fuvest, com a obra Originárias: uma Antologia Feminina de Literatura Indígena, uma coletânea de contos de Trudruá Dorrico e Maurício Negro, no biênio 2030-2031, e Fantasmas, de Daniel Munduruku, para 2032-2033.
“Temos a preocupação de trazer visões mais contemporâneas, abordando um espectro de problemas mais amplo e favorecendo a avaliação comparativa entre escolas literárias e as próprias obras”, explicou o diretor executivo da Fundação para o Vestibular (Fuvest) Gustavo Monaco.
A abordagem, que tem sido o tom tanto na Fuvest quanto em outros vestibulares e no próprio Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), vem de uma percepção que Monaco resume como a de que o conhecimento é fracionado apenas por razões didáticas. Ele destaca a importância de os estudantes que chegam à universidade serem capazes de estabelecer relações entre essas concepções e narrativas diferentes.
A ampliação também impacta a correção das questões. A banca de português é a maior da Fuvest, pois todos os candidatos da segunda fase fazem a prova, e são cerca de 30 mil pessoas. Metade das questões envolve literatura, e a correção delas cabe a professores da USP, doutorandos, ex-alunos de doutorados e alunos de pós-doutorado. Com a ampliação, cresce a complexidade das perguntas, e também das respostas.
“Tem sido mais comum, durante a correção, que surjam debates, pois algumas respostas trazem novas formas de pensar os temas, com abordagens que levam a pensar novas formas de comparação”, comenta Monaco.
A lista amplia a retomada de autores masculinos, já que as obras cobradas entre 2026 e 2028 tinham somente autoras, e manterá a paridade de gêneros.
Confira a lista de obras:
Lista de livros para 2030 e 2031
- Laços de Família, Clarice Lispector (contos)
- Originárias: uma Antologia Feminina de Literatura Indígena, Trudruá Dorrico e Maurício Negro (contos)
- A Moratória, Jorge Andrade (teatro)
- Uma Faca só Lâmina, João Cabral de Melo Neto (poesia)
- Beco do Rosário, Ana Luiza Koehler (graphic novel)
- Esaú e Jacó, Machado de Assis (romance)
- Memorial do Convento, José Saramago (romance)
- A Ilha Fantástica, Germano Almeida (romance)
- Quarto de Despejo, Carolina Maria de Jesus (romance)
Lista de livros para 2032 e 2033
- Laços de Família, Clarice Lispector (contos)
- Orfeu da Conceição, Vinicius de Moraes (teatro)
- Uma Faca só Lâmina, João Cabral de Melo Neto (poesia)
- Beco do Rosário, Ana Luiza Koehler (graphic novel)
- Úrsula, Maria Firmina dos Reis (romance)
- Esaú e Jacó, Machado de Assis (romance)
- O Plantador de Abóboras, Luís Cardoso (romance)
- Casa de Família, Paula Fábrio (romance)
- Fantasmas, Daniel Munduruku (romance)
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