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A MORTE NO ESPELHO DOS PRÉDIOS

Reflexo assassino: só em Nova York são 100 mil aves por ano morrendo em choque com prédios de vidros.

 

O grande problema são os vidros reflexivos. “As aves não veem que é o reflexo de uma árvore. Para elas, é uma árvore. Elas voam na direção dessas ‘árvores’ ou do próprio céu.

 

Brasília não é diferente de Dubai, de Nova York, Pequim ou Paris. Há apenas uma diferença: em Brasília há mais mortes por ter uma diversidade maior de pássaros. Ambientalistas tentam convencer governos e proprietários de edifícios a implementar mudanças que evitem colisões de aves contra vidros. Arquitetos e engenheiros dizem que as soluções podem ser surpreendentemente simples.

 

 

Em Nova York, ainda sem a plena luz ao dia, a voluntária Divya Anantharaman aponta sua lanterna sob os bancos de madeira próximos de um edifício em Wall Street. Neste momento, as ruas de Nova York ainda são domínio exclusivo dos madrugadores. Mas Divya inicia sua missão semanal em busca e resgate das vítimas dos notórios assassinos de pássaros: os arranha-céus de vidro. Quando a luz do dia aparece, os porteiros varrem as calçadas. E, assim, as provas são perdidas.

 

 

GRUPO QUE MONITORA

‘NYC Audubon’, um grupo de conservação urbana que monitora a morte de aves devido a colisões em janelas. Inspeciona cada canto escuro da rota, em vasos de plantas e flores, cuidadosamente para não perder vítimas que possam ser resgatadas’.

É uma ave chamada de “galinhola americana” (American woodcock), ela acredita, um pássaro migratório relativamente comum, de bico longo. Toda primavera, as galinholas voam para Nova York depois de passar os meses frios no Alabama e em outros estados da costa do Golfo do México, no sul dos Estados Unidos. Esta ave está rígida, o que significa que morreu recentemente, diz Anantharaman. “Os olhos ainda estão tão claros. Isso pode ter acontecido há alguns minutos”. Ela bate fotos, reserva um momento solene para fechar as pálpebras do pássaro com o polegar e coloca o cadáver em sua mochila cor-de-rosa.

 

‘Somente nos EUA, número de pássaros vítimas de colisões em janelas passa de 1 bilhão por ano’.

 

NA ROTA DA MIGRAÇÃO DAS AVES

 

 

Todos os anos, entre 90.000 e 230.000 aves caem perto de prédios de Nova York, segundo estimativas da NYC Audubon. A concentração de edifícios iluminados da cidade é um obstáculo perigoso para os viajantes alados, especialmente durante a primavera e o outono, estações de migração.

Nova York está situada em uma rota de migração para a América do Sul, onde muitas aves passam o inverno. Como os pássaros navegam observando as estrelas, a luz artificial da noite os atrai e os desorienta. Acreditando que estão voando em direção à luz das estrelas, as aves desviam a rota e pousam no meio de uma metrópole desconhecida.

O REFLEXO ASSASSINO

“O maior problema é o vidro reflexivo”, diz a bióloga Kaitlyn Parkins, da NYC Audubon. “As aves não veem o reflexo de uma árvore. Para elas, é uma árvore. Elas voam na direção dessas ‘árvores’, podem acelerar muito rapidamente e, muitas vezes, morrem imediatamente”.

Nos Estados Unidos, país onde a maior parte das pesquisas sobre colisões de aves têm sido executadas, os edifícios são responsáveis pela morte de até 1 bilhão de aves por ano, conforme cálculos feitos nos anos 1990 pelo ornitólogo pioneiro no assunto, Daniel Klem. As janelas de vidro, porém, são armadilhas para pássaros em todo o mundo.

“As aves são vulneráveis ao vidro onde quer que haja aves e vidros juntos. Elas não veem essas coisas”, diz Klem, que acrescenta que não são os arranha-céus, mas sim os edifícios baixos e médios que representam as maiores ameaças.

 

 

Klem, que atualmente é professor na Universidade Muhlenberg, na Pensilvânia, considera as colisões em janelas como fundamentais para a conservação das aves: “Como ameaça, eu colocaria a colisão logo após a destruição do habitat. O que é bastante traiçoeiro é que as janelas matam indiscriminadamente. Elas também são as mais adequadas para a população. Não podemos nos dar ao luxo de perder nenhum espécime, muito menos bons reprodutores”.

 

PROBLEMA MUNDIAL

Nos últimos anos, grupos de conservação e cientistas assumiram a causa. Binbin Li lidera um dos dois grupos de monitoramento de colisões em janelas na China. Ela é professora assistente de ciências ambientais na Universidade Duke Kunshan e obteve o doutorado na Duke, nos Estados Unidos, onde conheceu a pesquisadora líder do projeto de colisão de aves.

“Primeiro, pensei que isso era apenas um problema na Duke, ou nos Estados Unidos. Eu não podia imaginar ver aqui na China”, diz. Mas, após seu retorno, ela recebeu relatos de três pássaros mortos no campus em um mês.

Com um grupo de estudantes, ela agora conta aves mortas no campus em Suzhou. Muitas das vítimas, ela observa, são encontradas sob corredores de vidro, a exemplo da galinhola que Anantharaman encontrou em Nova York.

 

 

COLISÃO AINDA POUCO DEBATIDA

Li iniciou uma pesquisa nacional para obter uma ideia mais clara do problema. Três grandes caminhos de migração cortam a China, mas os dados sobre as fatalidades ao longo dessas rotas ainda são limitados. “Percebemos que a colisão de aves não é bem conhecida na China, nem mesmo no meio acadêmico”, diz Li.

 

‘Estudos indicam que colisões podem diminuir se películas forem instaladas, e as luzes, apagadas‘.

 

“BASTA TROCAR O VIDRO E APAGAR AS LUZES”

 

Na Costa Rica, Rose Marie Menacho teve de convencer seus professores a deixá-la investigar colisões de aves como estudante de doutorado, há oito anos. “Eles não sabiam muito sobre esse assunto, não sabiam que era um problema real. Até mesmo eu ficava um pouco tímida quando dizia que estava estudando isso. Ficava um pouco envergonhada porque achava que não era algo tão grande assim”, recorda.

Para entender o tamanho do problema nos trópicos, ela agora trabalha com cerca de 500 voluntários. Alguns armazenam cadáveres de pássaros em seus freezers, outros enviam relatórios e fotos. “Não são apenas espécies migratórias que colidem”, diz Menacho. Seus voluntários recuperaram quetzal-resplandecentes e tucanos de cores vibrantes com bicos extensos e extravagantes. Ambas são espécies locais.

“A colisão mata muitas aves que já têm que lidar com a perda de habitat, mudanças climáticas, pesticidas etc. E é tão fácil de resolver, basta trocar o vidro e apagar as luzes”, diz a bióloga Kaitlyn Parkins, da NYC Audubon.

 

SOLUÇÕES ENCONTRADAS

Com os dados coletados, Parkins e sua equipe estão tentando convencer os proprietários de edifícios a agir. Normalmente, eles não precisam substituir nenhum vidro. Películas especiais podem torná-lo menos reflexivo – e assim economizar energia para aquecimento e resfriamento. As marcas nas janelas podem ajudar as aves a perceber a estrutura. Um exemplo: após uma renovação do Javits Convention Center, os voluntários encontraram cerca de 90% menos aves mortas ao redor do edifício.

Em janeiro, a cidade de Nova York adotou uma legislação para exigir que edifícios públicos desliguem as luzes à noite durante os períodos de migração. Desde o ano passado, os arquitetos também devem usar projetos favoráveis às aves para todos os edifícios novos, como o revestimento ultravioleta sobre vidro, que é visível para as aves, não para humanos.

 

NOVOS REGULAMENTOS

SÃO UM BOM COMEÇO

Na calçada em frente ao Brookfield Place, um enorme escritório e centro comercial na região sul de Manhattan, Rob Coover inspeciona um pequeno pássaro. A luz do dia ainda é escassa, mas ele já procura por aves mortas há meia hora.

Coover olha cuidadosamente atrás das pilhas de cadeiras que os trabalhadores de um café logo distribuirão no terraço. Em duas oportunidades, ele já se contorceu para tirar fotos de um cadáver minúsculo e ainda rígido. Agora, ele novamente tira luvas de borracha e sacos plásticos de sua mochila para recolher e preservar uma vítima.

Certa vez, Coover encontrou 27 aves em apenas uma manhã. Uma parceira voluntária foi manchete internacional quando flagrou 226 aves sem vida ao redor do One World Trade Center em apenas uma hora, em setembro passado.

“É bastante deprimente, todos esses cadáveres”, diz Coover. Às vezes, ele encontra algum sobrevivente e leva o animal ferido para um refúgio de pássaros. Os cadáveres geralmente ficam em seu freezer até que ele tenha tempo de levá-los à sede do grupo de conservação, onde são agrupados e, alguns deles, distribuídos a museus. “Antes da pandemia, eu costumava ir trabalhar após minhas rondas e colocava as aves no freezer do escritório”, afirma. Ninguém nunca as notou, acrescenta.

 

Nos Estados Unidos e no Canadá, os voluntários são ativos em várias comunidades, e a lista de governos locais que sancionam leis para proteger as aves dos edifícios está crescendo. De acordo com a organização sem fins lucrativos American Bird Conservancy (Conservação Americana de Pássaros), a lei nova-iorquina é uma das mais eficazes. Após estudar as colisões de aves durante quase meio século, Daniel Klem mostra-se satisfeito. Ele finalmente vê a crescente conscientização que esperava.

“As mudanças climáticas também são uma questão muito séria, e ninguém está interessado em se desligar disso. Mas é muito complexo, e vai levar um tempo para descobrir as coisas e convencer as pessoas a fazer as coisas de maneira responsável. Colisões de aves é algo que poderíamos resolver amanhã. Não é complexo, só temos que ter vontade” conclui.

 

 

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A promessa que originou a Igreja Nossa Senhora de Fátima

A Igrejinha, como é conhecida, é patrimônio tombado e um ponto de encontro entre turismo, fé e beleza na capital

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Jak Spies, da Agência Brasília | Edição: Igor Silveira

 

Completando 66 anos em 2024, a Igreja Nossa Senhora de Fátima foi o primeiro templo religioso construído em Brasília. A paróquia surgiu a partir de uma promessa da família Kubitschek, tendo sido erguida em apenas 100 dias para atender a um importante casamento na cidade.

A Igrejinha foi inaugurada em 28 de junho de 1958 | Fotos: Divulgação/Arquivo Público de Brasília

Conhecida popularmente como Igrejinha da 308 Sul – ou só Igrejinha -, a capela foi projetada por Oscar Niemeyer, e a arquitetura, composta por três pilares que sustentam uma laje, faz referência aos antigos chapéus usados por freiras.

Agência Brasília transporta você a um dos espaços mais emblemáticos da capital, relembrando a história da Igreja Nossa Senhora de Fátima em mais uma matéria da série especial #TBTdoDF, que utiliza a sigla em inglês de Throwback Thursday (em tradução livre, “quinta-feira de retrocesso”), para relembrar fatos marcantes da nossa cidade.

Construção de uma promessa

Os registros históricos nos livros da paróquia revelam que o projeto foi feito a pedido da primeira-dama Sarah Kubitschek, como agradecimento pela cura da filha, Márcia, que sofria de um problema na coluna.

O projeto de Oscar Niemeyer é inspirado nos chapéus usados por freiras

A sugestão da promessa foi dada pelo presidente de Portugal, Craveiro Lopes, que estava no Brasil na época e, ao saber da situação, relembrou à esposa de Juscelino Kubitschek a história das aparições de Nossa Senhora de Fátima.

O primeiro casamento

Inicialmente, a construção seria um grande santuário onde atualmente se encontram as superquadras 307/308 Sul. Mas os planos mudaram após a necessidade de uma igreja para a cerimônia de casamento da filha do presidente da Novacap, Israel Pinheiro, que era o engenheiro responsável pela administração das obras na construção da nova capital.

Logo, o plano original da família Kubitschek foi substituído com urgência pelo projeto de uma capela mais simples, que é a atual Igreja Nossa Senhora de Fátima. Em 100 dias, a paróquia foi inaugurada, antes mesmo de Brasília, em 28 de junho de 1958. O casal Maria Regina Uchoa Pinheiro e Hindemburgo Pereira Diniz selou lá a união matrimonial e teve como padrinho o jornalista e embaixador Assis Chateaubriand.

O primeiro casamento no local foi o da filha do então presidente da Novacap, Israel Pinheiro

Passados 58 anos do primeiro casamento realizado em suas dependências, a pequena capela continua com as celebrações de matrimônio, marcando a vida de centenas de casais – como os brasilienses Larissa Sudbrack e Paulo Cavalcante, que se casaram na Igrejinha da 308 Sul em 2016.

A arquiteta de 36 anos conta que começou a frequentar o espaço há dez anos, após uma promessa, tornando natural a escolha do local para a cerimônia com o marido. Católica e moradora da 108 Sul, ela conta que, além da proximidade da igreja com seu apartamento e a promessa de ir à missa todos os domingos durante seis meses, o nome de sua mãe de Larissa é Fátima – o que deixou, ao seu ver, tudo apontado para a escolha da capela. Mais um sinal viria a seguir: quando o casal ia fazer dez anos de namoro, Larissa comprou um quadro com azulejos de Athos Bulcão e, no mesmo ano, Paulo a pediu em casamento.

“Para mim, a Igrejinha é o desenho por metro quadrado mais especial da cidade, cheio de significado. Tem uma ligação com a natureza e é bem aberta, uma experiência muito rica do espaço”, comenta Larissa. Ela recorda que também escolheu o local para o batizado dos dois filhos pequenos. “É um local de apoio religioso perto de casa; a gente pode fazer uma rápida oração, e me sinto bem quando estou ali, acolhida e protegida”, acrescenta a arquiteta.

Os azulejos de Athos Bulcão são marca registrada da Igrejinha

Patrimônio histórico

O templo católico comporta até 40 pessoas e foi tombado pela Unesco como patrimônio cultural e histórico nacional, entrando no Conjunto Urbanístico de Brasília inscrito no Livro do Tombo Histórico em 14 de março de 1990. O local também é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 2007, como parte do conjunto das obras de Oscar Niemeyer, em homenagem ao centenário do arquiteto.

A parte externa da parede é revestida por azulejos de Athos Bulcão que simbolizam a descida do Espírito Santo e a Estrela da Natividade. Já no seu interior, o monumento apresenta pinturas de Francisco Galeno, aluno de Alfredo Volpi, artista italiano responsável pela primeira obra artística da igreja.

O templo católico comporta até 40 pessoas e foi tombado pela Unesco como patrimônio cultural e histórico nacional, entrando no Conjunto Urbanístico de Brasília inscrito no Livro do Tombo Histórico em 14 de março de 1990 | Fotos: Geovana Albuquerque/ Agência Brasília

Segundo informações da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, a primeira pintura feita por Volpi no interior da igreja apresentava afrescos com bandeirolas e anjos que remetiam a uma quermesse e às festas juninas.

As pinturas modernistas causaram estranhamento em alguns paroquianos, que se queixaram da personalização artística e apontaram “falta de religiosidade” na obra. Dessa forma, a arte chegou a ser coberta de tinta azul quatro anos após a inauguração, mas foi restaurada por Francisco Galeno entre janeiro e junho de 2009. A inspiração festiva em Volpi foi mantida, mas de uma forma mais discreta.

Além de prefeito da 308 Sul, Matheus Seco é arquiteto e evidencia as características arquitetônicas da quadra modelo e da Igrejinha, ressaltando que é o local mais fiel ao projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer.

O interior do monumento também conta com obras de arte

“As quadras fazem parte de um conceito de rede, não são quadras isoladas, elas se complementam e apresentam o ápice do projeto arquitetônico brasileiro de Niemeyer. A obra é formalmente simples, mas muito forte, com influências do barroco mineiro, detalhes sutis de sombras, encontro das colunas e uma sofisticação de desenho muito bonitos”, observa.

Entre os pontos destacados pelo arquiteto, ele aponta a maneira com que a construção aproveita a ventilação e a iluminação natural e como a recomposição das pinturas foi feita preservando o patrimônio moderno.

Um local de fé

À frente da paróquia há quatro anos, o frei Reinaldo do Santos Pereira destaca que, apesar do movimento maior ser religioso, a Igrejinha atrai pessoas com interesse além da fé, voltadas para a história do patrimônio e a arquitetura.

“É importante mostrar e valorizar aquilo que é nosso. A Igrejinha é pequena, mas acolhe todo mundo. As pessoas que vêm aqui passam pela praça e se sentem acolhidas pelo tamanho e pela singeleza do espaço”, observa o pároco. Segundo ele, os candangos já faziam da igreja, ainda em construção, um lugar de prece e pedidos de milagres.

“O espaço faz parte do nosso turismo religioso, além de ser um cartão-postal da cidade. A Igrejinha enaltece a memória de quem ajudou a construir a nossa capital e contribuiu para a história de fé de muitos moradores”, reforça o administrador do Plano Piloto, Valdemar Medeiros.

A empregada doméstica Edileusa Bezerra da Silva, 57, trabalha ao lado da Igrejinha e vai ao templo todos os dias para rezar. Ela conta que é devota de Nossa Senhora de Fátima e que encontrar um espaço tão pertinho de onde passa a maior parte do tempo foi um conforto. “É muito importante para mim, traz ânimo no dia a dia e me dá muita força”, observa.

As missas da Igreja Nossa Senhora de Fátima são celebradas toda segunda-feira às 18h30, e, de terça a sábado, às 6h30 e às 18h30. Aos domingos, as celebrações são as 7h, 9h, 11h, 18h e 19h30. Em 1º de maio começa a conhecida quermesse da igrejinha da 308 Sul, que engloba três dias de festa, com barracas de comida e outras atividades.

 

 

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Projeto trabalha a autoestima de mulheres em Planaltina

Com foco no público feminino na faixa dos 60 anos, iniciativa oferece neste fim de semana oficinas de maquiagem, fotografia, palestras

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Jak Spies, da Agência Brasília | Edição: Débora Cronemberger

 

Buscando trabalhar a autoestima e a autoconfiança de mulheres da região de Planaltina, este sábado (17) marcou o início de uma das etapas do projeto Mulher Nota 10, com oficinas de maquiagem, fotografia, palestras e apresentações culturais. O evento gratuito é realizado pelo Instituto LumiArt em parceria com Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec).

A programação ocorre no Estacionamento de Múltiplas Funções de Planaltina e se estende até este domingo (18), ocorrendo entre 13h e 18h. A programação inclui conversas sobre a saúde mental das mulheres e uma homenagem a dez moradoras idosas de Planaltina.

Ação em Planaltina inclui exposição de artesanato e oficinas de maquiagem e fotografia, por exemplo | Fotos: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

De acordo com o secretário de Cultura e Economia Criativa, Cláudio Abrantes, o projeto é focado nas mulheres com mais de 60 anos e apoia artistas e artesãs locais. Ele ressalta que há a possibilidade do programa avançar para outras cidades. “É um projeto muito interessante, porque em tempos de violência contra a mulher, que a gente tem que combater com muita força, é extremamente importante fazer com que a mulher se sinta empoderada e digna, trabalhando a força e a criatividade”, pontua.

“Planaltina é um celeiro de cultura, é a cidade mais antiga do Distrito Federal. Aqui temos mulheres extremamente importantes na construção da cidade que abrigou a ideia da nova capital. Então o começo por Planaltina é porque Brasília também começou por aqui”, acrescentou o secretário.

Um espaço para elas

A coordenadora do projeto, Cleuza Brandão, falou das etapas que fazem parte do projeto, como a seleção das mulheres e o ensaio fotográfico. Para tirar as fotos, as participantes passaram por um dia de beleza. As imagens são expostas junto a homenagens. Cleuza frisa a importância desse processo para a redescoberta da beleza feminina, independente da idade.

“Acho que o legal do projeto é que ele coloca a mulher madura em foco, então foi gostoso e desafiante, porque mexe com a timidez e a insegurança, mas ao final é muito bom”, diz Muna Ahmab Yousef, uma das participantes do ensaio fotográfico

“A gente trabalhou essas maquiagens sem um espelho na frente. Quando elas se olharam, a maioria chorou na frente do espelho, foi uma emoção muito grande. Algumas disseram que não sabiam que eram tão bonitas, saíram dali se sentindo valorizadas”, recorda.

A professora Muna Ahmab Yousef, 59, foi uma das fotografadas no projeto. Ela destaca a importância de repensar a idade em uma sociedade imersa na era da estética e da imagem. “Foi superpositivo, porque estou em um momento da minha vida que percebo o tanto que a sociedade é etarista, o tanto que é exigido de nós mulheres desde sempre. Participar do Mulher Nota Dez foi bem bacana, porque ninguém é novo eternamente, todo mundo vai ficar velho se tiver sorte. Acho que o legal do projeto é que ele coloca a mulher madura em foco, então foi gostoso e desafiante, porque mexe com a timidez e a insegurança, mas ao final é muito bom”, ressalta.

Quem reforça os desafios de enfrentar o etarismo na sociedade é a DJ Nilma Maria Silva Costa, 52, conhecida como DJ Nilma Naiz. No ramo da música há cerca de seis anos, Nilma sempre gostou de estar nesse meio, frequentando bailes desde os anos 1980. Mas, por viver em um relacionamento que a limitava a ficar em casa, nunca conseguiu explorar esse lado. Ela conta que tem conseguido conquistar cada vez mais espaço.

“A discotecagem é uma coisa muito masculinizada, então tem pouco tempo que a mulher veio e está entrando aos pouquinhos, conquistando respeito. Esses eventos voltados para a mulher são de uma ajuda gigante, pois mostram que somos capazes. É muito importante ter esses espaços para podermos mostrar o trabalho da gente e sermos reconhecidas”, observa.

 

 

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CONCEITO E HISTÓRIA

Origem, exigências e prática: quem se importa, vence!

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As siglas são constantes na vida moderna. Elas são formadas pelas letras iniciais de outras palavras e não precisam ser lidas letra a letra. Se viram uma palavra, podem ser chamadas de acrônimo. Está no vocabulário da modernidade. Exemplo de acrônimo: Unesco, ONU, ESG, Pnuma e USP. Já CBF, FGTS e CLT são apenas siglas. A sigla ESG, no Brasil tem dois significados. Pode ser ESG – Escola Superior de Guerra e, agora, é muito mais usada para identificar políticas de meio-ambiente, responsabilidade social e governança. ESG, como muitas outras siglas, vem do inglês: Environmental, Social and Governance. Cada vez mais conhecido dentro dos círculos especializados, o conceito de ESG reúne as políticas de meio ambiente, responsabilidade social e governança, que será cada vez mais cobrado das empresas.

 

A sigla ESG surgiu em 2004, em uma publicação do Pacto Global em parceria com o Banco Mundial, chamada WHO CARES WINS, que pode ser traduzido em “QUEM SE IMPORTA VENCE”.

Os critérios ESG estão totalmente relacionados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, estabelecidos pelo Pacto Global, iniciativa mundial que envolve a ONU e várias entidades internacionais.

Para os técnicos, ESG significa uma tomada de decisão. Uma atitude para transformar o negócio mais inclusivo, ético e ambientalmente sustentável, que garanta a qualidade de vida para todos. E o sucesso dessa jornada de transformação vai depender da habilidade das empresas em desenvolver e implementar práticas de negócios que alinhem lucro, propósito e transparência.

 

HISTÓRIA DO ENVIRONMENTAL,

SOCIAL AND GOVERNANCE

Há muito tempo, pesquisadores, filósofos e gestores públicos pensam e estudam sobre danos ambientais ou os males que certas ações e produtos causam a sociedade e ao Planeta.  A criação da rede interdisciplinar do Clube de Roma, em 1968, e seu relatório inaugural (The Limits to Growth, 1972) foi um passo fundamental para mudar o paradigma das atividades econômicas que sempre interagem com o mundo natural por três formas: 1) na produção com o uso de recursos naturais. 2) na transformação ou industrialização pelo uso de energia e descartes de rejeitos. 3) No consumo e uso dos produtos pela população.

Outro divisor de águas foi 1972. Entre os dias 5 a 16 de junho, ocorreu a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e Meio Ambiente Humano em Estocolmo, quando se reuniram 113 países que firmaram um compromisso: “O homem tem a responsabilidade especial de preservar e administrar judiciosamente o patrimônio representado pela flora e pela fauna silvestres, bem assim o seu habitat, que se encontram atualmente em grave perigo por combinação de fatores adversos”.

Na década de 1990, veio o marco contábil. As empresas deveriam levar em conta seu desempenho social e ambiental, além de seus resultados financeiros. Ou seja, investidores deveriam levar em consideração também os custos ambientais e sociais. Surgiu então o primeiro índice de ações “socialmente responsável”, o índice Domini 400 Social, e o “triple bottom” (também conhecida como TBL e 3BL) ou “pessoas, planeta e lucros”.

 

LEGITIMAÇÃO DA ESG

A oficialização do ESG começou em 2004. Tudo começou com 63 signatários, supervisionando US$ 6,5 trilhões em ativos. Até 2020, este volume cresceu para mais de 3 mil signatários, com mais de 100 trilhões de dólares em ativos. A meta da ONU é alcançar os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e criar oportunidades no valor estimado de US$ 12 trilhões até 2030.

 

LETRAS MÁGICAS PARA O FUTURO

Environmental, Social and Governance é traduzido em português como Meio Ambiente, Social e Governança. E pode ser melhor explicado assim:

 

E – A letra E, da sigla, representa o impacto que uma empresa causa no ambiente natural. Isso inclui questões como poluição (emissões de carbono, produtos químicos e metais tóxicos, embalagens e outros resíduos), o uso de recursos naturais (água, terra, árvores) e as consequências para a biodiversidade (a variedade de vida na Terra), bem como tenta minimizar a nossa pegada ambiental (eficiência energética, agricultura sustentável, edifícios verdes).

 

S – A letra S, de responsabilidade social, da sigla, indica os fatores que afetam as pessoas – sejam funcionários, clientes ou a sociedade em geral. Isso envolve segurança de produtos para consumidores ou privacidade e segurança de dados para seus usuários.

 

G – A letra G de Governança tem relação com o fato de a empresa ser bem administrada, levando em conta o negócio de maneira responsável. Deve ser levado em consideração os requisitos éticos de ser um bom cidadão corporativo, como políticas anticorrupção e transparência tributária, além das preocupações tradicionais de governança corporativa, caso do gerenciamento de conflitos de interesse, diversidade e independência do conselho, qualidade das divulgações financeiras e avaliação sobre se os acionistas minoritários são tratados de forma justa pelos acionistas controladores.

 

 

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