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Empresas desenvolvem ações de ESG para se enquadrar na agenda da ONU até 2030

 

São Paulo, dezembro de 2022 – No último ano vimos empresas correrem para desenvolver ações de ESG (Environmental, Social and Governance)  e se enquadrar na agenda da ONU de que até 2030 que  propõe as ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A novidade tem como estratégia envolver todos os stakeholders como protagonistas na atuação dos 10 princípios universais estabelecidos nas áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção.

As organizações que praticam uma gestão sustentável percebem o impacto no engajamento de seus públicos de interesse e até em seu valor de mercado. Segundo relatório do Bank of America, para cada US$3 investidos em fundos em todo o mundo em 2021, US$1 foi destinado ao fundo de ações baseado em sustentabilidade e governança. O documento revela ainda que os depósitos em fundos de ESG subiram 73% em média em 2021, em comparação com 2020.

Diante desse cenário, a Matera, empresa de tecnologia líder em soluções e produtos financeiros, está apostando no desenvolvimento de ações nos pilares do ESG para se enquadrar na agenda da ONU até 2030. Embora a sigla tenha repercutido bastante no último ano, o ESG – que significa ambiental, social e governança – está presente na empresa há mais de 10 anos e considera que, a sua participação por meio de ações e projetos reverbere positivamente nos valores da companhia.

A empresa tornou-se signatária do Pacto Global da ONU, em 2020, assumindo o compromisso com a agenda de 2030. O investimento social da organização já ultrapassa R$ 200 mil, beneficiando mais de mil famílias, resultados que vêm da atuação dos comitês voltados para a diversidade, educação, meio ambiente e voluntariado. Além disso, os projetos: Adoção Afetiva, BootCamp Matera, Matera Inclusiva, Mentorar para Transformar, Educa+ e o aporte do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, têm um alcance significativo de participantes. “Já desenvolvemos um trabalho que abrange muitos pilares do ESG. Hoje, estamos dando mais um importante passo tornando público o nosso compromisso com o mundo”, afirma Ricardo Chisman, Presidente da Matera no Brasil.

Com o objetivo de contribuir com a diminuição do desperdício, a foodtech brasileira, b4waste, conecta empresas com perdas de alimento e outros produtos por validade a interessados em adquirir itens de supermercado por um preço mais acessível (acima de 50% de desconto). Em 16 meses de operação, mais de 600 toneladas de alimentos já foram salvas e deixaram de virar lixo.

 

O Brasil é o quarto maior produtor mundial de alimentos e tem sido, infelizmente, um expoente do desperdício. Mais de nove milhões de toneladas de frutas, legumes e outros alimentos em bom estado são jogados fora todos os anos. “Temos uma conexão direta com quatro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e sabemos o potencial que temos para contribuir em escala na redução do desperdício e nos danos ambientais. Reduzir desperdício de alimentos é menos complexo e custoso que reduzir circulação de carros e aviões. Temos como objetivo converter desperdício de alimentos em oportunidade, beneficiando todos os envolvidos na cadeia e gerando valor”, acrescenta Luciano Kleiman, CEO da b4waste.

 

No contexto do mercado alimentício, a Mombora, indústria de alimentos com ingredientes 100% naturais e nativos do bioma brasileiro, se destaca pelo amplo investimento em ações ESG, com foco na preservação do meio ambiente e incentivo à sustentabilidade. A foodtech conta com uma estrutura que visa fortalecer sua missão de apoiar a agricultura familiar e colaborar com a preservação das florestas. A marca utiliza como ingredientes principais para os seus produtos, frutas típicas do ecossistema local, como o cambuci, o açaí, a juçara e outras, com o objetivo de promover os sabores nacionais e valorizar a diversidade do país.

 

Juntos Somos Mais é a criadora do maior ecossistema do varejo da construção civil no Brasil. A startup tem como destaque o programa de capacitação Papo de Balcão, uma ação educativa direcionada a profissionais que atuam em pequenas e médias lojas de materiais de construção. Desde 2021, o programa incluiu em seu conteúdo audiovisual informações sobre boas práticas em diversidade e inclusão.

 

No Papo de Balcão são debatidos temas ligados ao setor da construção civil como informações sobre a melhor aplicação de produtos, ou dicas de vendas, porém temas como equidade racial e de gênero, inclusão LGBTI+ e de pessoas com deficiência também foram abordados visando trazer luz e entendimento ao tema. A iniciativa é acessada, em média, por mais de 30 mil pessoas mensalmente. Os conteúdos são produzidos por parceiros da Juntos Somos Mais como a Votorantim Cimentos, Gerdau, Tigre, entre outros, e veiculados na plataforma da Juntos Somos Mais.

 

Já a Partage Shopping Centers, grupo paulista com 14 shoppings em todas as regiões do país, anuncia investimentos em organizações da sociedade civil (OSCs) voltadas à educação. Para auxiliar na operacionalização desses aportes, a empresa escolheu a BrazilFoundation, entidade que promove filantropia estratégica no Brasil, como apoiadora técnica na melhor aplicação das verbas. A iniciativa contempla todos os 12 shoppings em operação do grupo, a grande maioria em regiões fora das capitais do país.

 

“Todos os nossos empreendimentos sempre tiveram uma grande vocação para transformar e desenvolver as regiões onde a Partage atua. Geramos empregos, levamos cultura e lazer a cidades que, muitas vezes, são carentes de outras formas de desenvolvimento. E ao escolhermos o tema educação sabemos que podemos contribuir com o futuro de crianças e jovens não somente nos municípios onde estão os shoppings, mas em toda região ao redor. Já iniciamos em 2022 em três shoppings e no próximo ano evoluímos para os outros. Será uma iniciativa nacional, em todas as regiões do Brasil, por isso escolhemos a BrazilFoundation, que tem enorme expertise e credibilidade nesse tipo de projeto”, afirma Pupo Neto, Diretor de Marketing do Grupo.

 

Com relação ao mercado de Gestão de Pessoas, a Intelligenza IT, maior consultoria nacional de tecnologia SAP no Brasil, investe amplamente em ações ESG para o fortalecimento de sua cultura interna e desempenho no mercado. Hoje, a HRTech conta com um forte programa interno de capacitação de trainees e também de líderes, além de diversas iniciativas voltadas para a aquisição e retenção de talentos. Já com foco no social, a consultoria desenvolveu o Programa Cores, projeto de responsabilidade social que rendeu uma premiação SAP por ser a única parceira no Brasil comprometida com a Diversidade e Inclusão. Para os próximos anos, a Intelligenza IT pretende ampliar seu programa de capacitação interna, com a criação de novas iniciativas voltadas para o desenvolvimento de novos talentos, além de fortalecer os investimentos direcionados ao Programa Cores.

 

Sobre a Matera

A Matera é uma empresa de tecnologia com foco em soluções e produtos financeiros. Além dos bancos tradicionais e digitais e fintechs, possui clientes em diversos segmentos tais como, distribuição, varejo, consumo, educação, telecom, transportes  entre outros. Com um time de mais de 850 profissionais e 35 anos de atuação no mercado, está presente no Brasil, Canadá e avançando em sua expansão internacional com foco nos Estados Unidos. Para saber mais, acesse o site aqui.

 

Sobre a B4Waste

Fundada em 2020 por Luciano Kleiman e Daniel Neuman, a b4waste tem o propósito de impactar as pessoas e o planeta, contribuindo para a redução do desperdício. Com o objetivo de reduzir a perda de mais de nove milhões de toneladas de alimentos no Brasil – o que representa mais de R$ 50 bilhões perdidos anualmente -, a foodtech une em sua plataforma qualquer empresa que tenha perdas por validade com quem queira produtos para consumo rápido com pelo menos 50% de desconto. Dessa forma, além de reduzir pela metade o desperdício dos varejistas, a b4waste ajuda os consumidores a economizarem e a se tornarem protagonistas também na redução de impactos ambientais. Desde seu lançamento, a plataforma já salvou mais de 400 toneladas de alimentos do desperdício, prevenindo a emissão de mais de 18 toneladas de Metano no meio ambiente.

 

Saiba mais | Juntos Somos Mais

O programa Juntos Somos + foi criado em 2014 pela Votorantim Cimentos como um programa de relacionamento. Desde o início, a proposta era desenvolver varejistas e profissionais, contribuindo, assim, para a sustentabilidade da cadeia por meio da geração de novos negócios. Contando com as sócias Gerdau e Tigre, o programa Juntos Somos + se transformou em uma empresa independente, denominada Juntos Somos Mais, um ecossistema que tem como propósito fortalecer o varejo da construção civil, desenvolvendo e qualificando varejistas e os profissionais de obra. Atualmente, há mais de 40 empresas líderes em seus segmentos participantes, juntamente com mais de 95 mil lojas e mais de 1,2 milhões de membros entre lojistas, vendedores e profissionais de obra. Em 2020, a empresa anunciou a aquisição da startup gaúcha Triider, marketplace de serviços gerais, e em 2021 investiu na Conecta Reforma, que conecta clientes com prestadores de serviço para execução de grandes reformas. Recentemente adquiriu a operação do habitissimo, plataforma de serviços gerais, tornando-se a maior plataforma da área de construção, reformas e pequenas manutenções do país. Saiba mais por meio do site oficial.

 

Sobre o Grupo Partage 

O Grupo Partage atua desde 1997 no desenvolvimento e administração de empreendimentos imobiliários Triple A. Com 14 prédios em São Paulo e 12 shoppings em operação em todas as regiões do Brasil, além de 2 em construção, a empresa tem a missão de transformar a realidade socioeconômica das cidades onde está presente, já que é responsável por todo planejamento, comercialização e administração dos empreendimentos, acompanhando e participando ativamente de todo o processo de desenvolvimento.

 

Os empreendimentos somam mais de 450 mil m² em ABL e geram mais de 10 mil empregos por todo o país. Com a construção de novos shoppings em São Paulo e Brasília, o Grupo quer trazer ainda mais conveniência, lazer e entretenimento para o público.

 

Sobre a Intelligenza IT

A Intelligenza IT é a maior consultoria de tecnologia SAP para RH do Brasil e uma das únicas a alcançar nível 5 em implementação WorkForce Software da América Latina, com atendimento personalizado e foco real no gerenciamento da parte mais importante de uma organização: as pessoas. Além das plataformas e produtos oferecidos, preza pela qualidade e agilidade de todos os seus processos, com um diferencial competitivo que une experiência vivencial e técnica durante o atendimento de seus consultores. O estilo de atuação da Intelligenza IT a posicionou como a principal consultoria de tecnologias para RH  do Brasil, que acumula casos de sucesso desde a sua fundação, em 2008. Atualmente, conta com mais de 1.000 projetos implantados em mais de 20 países, e um time interno com mais de 250 colaboradores. Mais informações pelo site oficial

 

Sobre a Mombora

Mombora, marca de alimentos com ingredientes 100% naturais e nativos do bioma brasileiro, foi fundada com o intuito de inovar e conectar a experiência com consciência. Para isso, a empresa oferece alimentos livres de conservantes e qualquer ingrediente artificial. Se destacando no mercado, a Mombora dispõe de produtos com ingredientes nativos do bioma brasileiro para proporcionar experiências reais sem deixar o sabor de lado.

Provocando a disrupção do até então normal, a empresa compreende a necessidade daqueles que desejam mais qualidade de vida com responsabilidade social e ambiental. Para isso, a Mombora descobriu que produzir alimentos naturais no Brasil é mais do que inovar. Em um mercado promissor, a Mombora continuará a expandir seus produtos para, cada vez mais, levar o seu propósito àqueles que buscam momentos saborosos com produtos naturais.

 

 

 

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Com alerta laranja, umidade pode chegar a 12% no DF nesta sexta e sábado

Alerta do Inmet indica condição de perigo e prevê índices entre 20% e 12% 

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 Geovanna Gravia, da Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader

A umidade relativa do ar pode chegar a 12% no Distrito Federal nesta sexta-feira (14) e no sábado (15), principalmente durante as tardes. O DF está sob alerta laranja, de perigo, emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A previsão indica índices entre 20% e 12%, condição que aumenta o risco de incêndios florestais e pode causar impactos à saúde.

O período mais crítico ocorre durante a tarde, quando as temperaturas sobem e a umidade tende a cair. A previsão indica que índices iguais ou inferiores a 12% ainda podem ser registrados até pelo menos segunda-feira (17).

O período da tarde é o mais crítico, com umidade do ar ainda mais baixa | Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

A situação é provocada pela atuação de uma massa de ar quente e seco, associada à estabilidade atmosférica e à ausência prolongada de chuva. Essas condições dificultam a formação de nuvens e mantêm o tempo seco no Distrito Federal.

 

Baixa umidade

A região do Gama pode atingir 12% de umidade na tarde desta sexta-feira (14). O índice corresponde ao nível laranja de severidade utilizado pelo Inmet.

O menor índice registrado no DF desde o início de agosto foi de 13%. A marca foi registrada no dia 10 deste mês, na Estação Meteorológica do Gama (Ponte Alta). Se a umidade ficar abaixo de 12%, o nível de severidade passa a ser vermelho, considerado de grande perigo.

A partir de terça-feira (18), a umidade deve apresentar uma pequena elevação e ficar, em média, entre 30% e 35%. Mesmo assim, os índices ainda serão considerados baixos. Não há previsão de chuva para os próximos dias.

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Semana legislativa traz a primeira infância para o centro do debate na CLDF

Evento será em 25 e 26 de agosto e reúne atividades educativas, debates com especialistas e discussões sobre a garantia dos direitos das crianças

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Semana integra oficialmente o calendário anual da CLDF e terá como mote “escutar para construir: cultura democrática desde a infância”

A Câmara Legislativa do Distrito Federal realiza, entre 25 e 26 de agosto, a 4ª Semana Legislativa pela Primeira Infância. Promovida pela Escola do Legislativo (Elegis), o evento reúne atividades educativas, debates com especialistas e discussões sobre a garantia dos direitos das crianças. A participação é gratuita e terá direito a certificado. O número de vagas é limitado. A inscrição pode ser feita por este link.

O mote deste ano é “escutar para construir: cultura democrática desde a infância”. O objetivo é ser um espaço de diálogo, reflexão e formação sobre a importância da escuta das crianças como fundamento para a construção de uma cultura democrática desde a infância, reconhecendo-as como sujeitos históricos, culturais e de direitos e fortalecendo sua participação na vida social e na construção de políticas públicas.

A abertura da semana ocorre na terça-feira (25), às 8h, com o projeto Infância Cidadã, que recebe crianças da educação infantil da rede pública de ensino do DF. A iniciativa da Elegis promove educação para a cidadania com estudantes de quatro a seis anos de idade, a partir de atividades que incluem visitas guiadas aos espaços da CLDF, contação de histórias, oficina e espetáculo musical do grupo Camerata Caipira, além de piquenique.

No dia seguinte, a abertura oficial do evento está marcada para as 9h, no auditório da Casa, seguida da conferência magna com o tema “escutar para reconhecer: a criança como sujeito histórico, cultural e de direitos”. A palestrante será a professora doutora Zoia Prestes, que leciona na Universidade Federal Fluminense e é pesquisadora nas áreas de educação, psicologia e desenvolvimento infantil, com base na teoria histórico-cultural.

Após intervalo para almoço, a programação será retomada às 14h30, com uma mesa redonda sobre o tópico “escutar para transformar: o lugar da criança na construção da vida social. Além de Zoia Prestes, o debate contará com os professores Rodrigo Rodrigues e Simão de Miranda.

Prioridade de Estado

Instituída pela Resolução nº 357/2025, de autoria da deputada Paula Belmonte (PSDB), a Semana Legislativa pela Primeira Infância integra oficialmente o calendário anual da CLDF. “Ver a Semana Legislativa chegar à quarta edição mostra que essa agenda se consolidou e continua cumprindo o propósito para o qual foi criada: manter as crianças no centro das políticas públicas”, destaca Belmonte.

A distrital ressalta ainda que a primeira infância precisa ser prioridade do Estado. “É nesse período que construímos bases fundamentais para o desenvolvimento das nossas crianças e, consequentemente, para o futuro da nossa sociedade”, acrescenta.

Programação

25 de agosto (segunda-feira)
Local: Auditório da CLDF (com visita guiada aos espaços da CLDF)
•    8h às 11h | Projeto Infância Cidadã
•    14h às 17h | Projeto Infância Cidadã

26 de agosto (terça-feira)
Local: Auditório da CLDF
•    8h30 | Credenciamento e acolhimento
•    9h | Abertura Institucional. Tema: Escutar para Construir: cultura democrática desde a infância
•    9h30 | Conferência Magna. Tema: Escutar para Reconhecer: a criança como sujeito histórico, cultural e de direitos
–    Palestrante: Prof.ª Dra. Zoia Prestes
•    11h30 às 14h | Intervalo para almoço
•    14h | Recepção
•    14h30 | Mesa-redonda. Tema: Escutar para Transformar: o lugar da criança na construção da vida social
Participantes: Prof. Dr. Rodrigo Rodrigues, Prof. Dr. Simão de Miranda e Prof.ª Dra. Zoia Prestes
•    16h30 | Encerramento.

Inscreva-se por este link

Bruno Sodré – Agência CLDF

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Na era da IA, inclusão digital deve ser crítica, defende educadora

Consultora da Unesco aponta avanços e preocupações com o ensino

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Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil

 

O crescente uso de tecnologias como a internet, com destaque para a inteligência artificial (IA), deve ser acompanhado de pensamento crítico e não apenas entregá-las nas mãos de estudantes e professores.

A avaliação é da educadora Daniela Costa, consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para o Brasil.

“Até um determinado momento, a gente pensava em inclusão digital. Agora, a gente acrescentou duas palavrinhas: tem que ser uma educação, uma inclusão digital significativa e crítica”.

Daniela Costa é coordenadora da pesquisa TIC Educação, desenvolvida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), uma organização sem fins lucrativos.

“Não dá mais para pensar só em entregar as tecnologias nas escolas, a gente precisa pensar em objetivos, motivos, riscos, oportunidades, o que fazer com as tecnologias e como educar os alunos para um uso mais crítico”, defendeu.

Encontro de educadores

A especialista participou do 4º Encontro de Educadores do Século XXI – Inteligência Artificial e o Futuro da Educação, realizado nesta sexta-feira (14), no Rio de Janeiro. O evento é organizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Para abordar o tema, a consultora da Unesco apresentou dados que refletem avanços e preocupações sobre a relação entre estudantes com o ensino.

Pelo lado do avanço, ela mostrou que, na China, gravações de aulas de alta qualidade distribuídas a 100 milhões de estudantes rurais melhoraram os resultados deles em 32%. Além disso, diminuíram a desigualdade salarial entre populações urbanas e rurais em 38%.

Entre as preocupações, ela citou que a “simples proximidade” de um aparelho celular era capaz de distrair os estudantes e provocar um impacto negativo na aprendizagem em 14 países.

Para a professora, existe uma correlação negativa entre o excesso de uso de tecnologias digitais e a aprendizagem dos estudantes.

“Eu estou em aula, os meus alunos pegam o celular e pronto, acabou. Eles não têm mais atenção”.

Ela lembra que o Brasil tem Lei Federal 15.100, de janeiro de 2025, que proíbe uso de celular durante a aula, recreio ou intervalos.

Daniela apresentou dados do Cetic.br de que, no início de 2026, 51% das escolas afirmam que os estudantes não podem sequer levar o celular para a escola.

“Essas regras vão se tornando mais brandas de acordo com o nível de ensino”, complementa ela, apontando que no ensino médio, essa regra cai para 31% dos estabelecimentos.

“O celular tem que ficar em bolso, acessórios ou em locais da escola”, explica.

Pesquisa em vídeos

Daniela Costa chamou atenção também para o fato de que aplicativos de vídeo como YouTube e TikTok foram apontados por estudantes de ensino médio como o recurso digital mais utilizado para fazer pesquisas para trabalhos escolares.

O levantamento mostra que esses vídeos são utilizados por 89% dos alunos.

“A gente passa de uma pesquisa usando a linguagem verbal para uma pesquisa visual. É assistir um vídeo para se informar”, constata.

A segunda forma mais comum de pesquisa são sites de buscas, como o Google, utilizado por 88% dos estudantes.

Na sequência figuram sites como blogs e Wikipédia (72%) e plataformas de IA (70%). Livros digitais são a quinta forma mais comum (65%).

Ela assinala que apenas um terço dos estudantes brasileiros afirmam terem sido orientados sobre erros das IAs.

Sociedade e professores

A educadora acrescentou que dados revelam que os professores são referências para os alunos em como utilizar as tecnologias digitais.

De 2022 para 2024, o percentual de estudantes que declararam se informar sobre o uso com os professores passou de 44% para 56%.

No entanto, ela destacou a queda na proporção de professores que informaram terem passado por formação continuada sobre tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem.

Em 2021, 65% dos docentes declararam participação. Em 2024, eram 54%. “Esse número é baixo. Essa proporção representa metade dos professores”, lamenta.

“É como se, durante a pandemia, precisávamos falar sobre isso. Depois, não precisamos mais”, criticou.

Para a consultora da Unesco, é importante que a sociedade “se comprometa com esse ator que é o professor, o educador”.

“Não existe uma sociedade sem escolas, não existe uma sociedade sem professores, não existe educação e desenvolvimento integral dos estudantes sem esses elementos”, defende.

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