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PAZ SOCIAL, A VITÓRIA DA FISCALIZAÇÃO

A Secretaria DF Legal trocou o espetáculo midiático por métodos mais humanizados para coibir invasões de áreas públicas. Deu certo. Agora, a fiscalização ganhará reforço tecnológico para combater as irregularidades, segundo Cristiano Mangueira, secretário da DF Legal

 

Agência Brasília* | Edição: Chico Neto

 

Criada em 2019, em substituição à antiga Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis), a Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística do Distrito Federal (DF Legal) mudou completamente sua atuação e o relacionamento com a população. No Governo Ibaneis Rocha, o órgão encontrou maneiras mais eficazes de combater problemas como a invasão de terras e o crescimento do comércio irregular. As ações também deixaram de ser repressivas para se tornarem preventivas. A DF Legal também teve papel importante durante o pico da pandemia do coronavírus, ajudando a preservar e salvar vidas. Tudo isso foi comandado pelo secretário da DF Legal, Cristiano Mangueira, que assumiu o cargo em 2020. Aqui, ele faz um balanço das conquistas obtidas e revela a prioridade da pasta para o próximo ciclo do Governo Ibaneis: fortalecer a integração com outros órgãos fiscalizadores para impedir que voltem a prosperar as invasões de áreas públicas e se manter a conquistada paz social no DF.

 

AGÊNCIA BRASÍLIA – O que mudou na política de ação da Secretaria DF Legal no Governo Ibaneis Rocha?

CRISTIANO MANGUEIRA – Ainda no início do primeiro ciclo do Governo Ibaneis, adotou-se como uma das principais diretrizes da DF Legal humanizar o tratamento dispensado à população, contribuintes e servidores, dando vazão ao lema “cuidar das cidades é cuidar das pessoas”. O perfil de todo o governo é orientativo antes das sanções, priorizando, a depender do caso, a regularização. Hoje, não se tem mais o hábito de publicizar ou fazer pirotecnia de ações de derrubadas ou de aplicação de multas, salvo quando se enxerga algum caráter pedagógico para a população e infratores.

O perfil de todo o governo é orientativo antes das sanções, priorizando, a depender do caso, a regularização

AB – Na prática, o que foi mudado?

CM – Foram feitas várias mudanças estruturais e conjunturais. Primeiramente, humanizou-se o tratamento dos servidores. Ensinamos os servidores a melhorar o tratamento dispensado à população e ao contribuinte em geral. Hoje temos regras claras de como se dão as ações fiscais. Criamos toda uma estrutura de atendimento, garantindo o contraditório e dando orientações sobre como regularizar ou sanear pendências administrativas e fiscais.

AB – Como o GDF vem resolvendo o problema de invasão de áreas públicas por estabelecimentos comerciais?

CM – Por sugestão da DF Legal, o governador Ibaneis Rocha baixou o Decreto nº 41.668/20, que prevê o pagamento do chamado preço público, ou seja, o decreto prevê a possibilidade de autorizar as ocupações de áreas públicas comerciais com até 150 m². Ainda não é o ideal. Entretanto, estudo realizado pela Unidade de Geoprocessamento da DF Legal constatou a necessidade de aumentar essa metragem, talvez por segmento, tendo em vista a existência de ocupações de áreas públicas consolidadas há mais de duas décadas, bem superiores a esse limite sugerido pela Seduh.

Salvamos inúmeras vidas com a fiscalização efetiva das medidas de controle de propagação da covid-19, alcançando números bastante expressivos, ao ponto de atingirmos 2,6 milhões de diligências para fazer vistorias

AB – Qual foi o papel da secretaria durante o pico da pandemia do coronavírus?

CM – O governador Ibaneis Rocha acertou ao criar, por meio de decreto, uma força-tarefa com a participação de 13 órgãos de fiscalização e forças de segurança para atuar durante todas as fases da pandemia. O controle situacional ficou ao encargo da DF Legal. Certamente, salvamos inúmeras vidas com a fiscalização efetiva das medidas de controle de propagação da covid-19, alcançando números bastante expressivos, ao ponto de atingirmos 2,6 milhões de diligências para fazer vistorias. A sociedade e o setor produtivo colaboram muito para vencermos essas duras fases da pandemia, de modo que, em média, apenas 3% de todo o segmento descumpria as normas de prevenção da propagação da doença.

Queremos ainda fortalecer a integração dos 20 órgãos do GDF distritais que têm transversalidade com a fiscalização e com o combate a desordens sociais, econômicas e urbanísticas

AB – Como a secretaria conseguiu coibir invasões e grilagem de terras diante da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de proibir despejos durante a pandemia?

CM – A decisão do STF veio por meio da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) nº 828, vetando durante todo o período de pandemia o despejo ou remoções forçosas de invasões de áreas públicas ou privadas. A decisão deu ensejo à falsa sensação de que estavam permitidas invasões de áreas públicas. Contudo, ao contrário do esperado, a DF Legal, respeitando a decisão judicial do STF, coibiu e removeu inúmeras ocupações irregulares que ocorreram após o decreto que reconheceu o lastro da pandemia da covid-19 (março de 2020). A integração das secretarias, órgãos de fiscalização e forças de segurança na implementação conjunta do programa operação Pronto-Emprego permitiu combater e mitigar as ocupações irregulares e desordens sociais e urbanas em um tempo de resposta de até 72 horas. Isso tem permitido devolver à população do 8.955.326 m² de área pública do DF, o que que corresponde a mais de 829 campos de futebol.

AB – Quais são as prioridades da DF Legal para os próximos quatro anos?

CM – Aperfeiçoar o monitoramento de todo o território do Distrito Federal por meio de tecnologia, satélites, drones, novos equipamentos e máquinas. Pretendemos também aumentar do quadro de agentes de campo e auditores fiscais, que serão contratos por meio de concurso público que iremos promover. Queremos ainda fortalecer a integração dos 20 órgãos do GDF distritais que têm transversalidade com a fiscalização e com o combate a desordens sociais, econômicas e urbanísticas, o que dará novos rumos à fiscalização e à paz social desenhada pelo Governo Ibaneis.

 *Colaboração: Assessoria de Comunicação da Secretaria DF Legal

 

 

 

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CLDF realiza sessão solene em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Por iniciativa do deputado Pastor Daniel de Castro (PP), evento reconhece a contribuição das mulheres para o desenvolvimento social, econômico, político e cultural do Distrito Federal

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Foto: Andressa Anholete/Agência CLDF

Por iniciativa do deputado Pastor Daniel de Castro (PP), a Câmara Legislativa realizará nesta sexta-feira (17), às 19h, sessão solene em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. O evento em plenário reconhece a contribuição das mulheres para o desenvolvimento social, econômico, político e cultural do Distrito Federal.

A solenidade, explica o distrital, reafirma “o compromisso do Poder Legislativo com a promoção da igualdade de gênero, o respeito aos direitos das mulheres e o fortalecimento de políticas públicas inclusivas”.

O Dia Internacional da Mulher representa a luta histórica das mulheres por direitos, equidade e reconhecimento. Mais do que uma data comemorativa, o momento convida à reflexão sobre os avanços conquistados ao longo dos anos e os desafios que ainda persistem na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Durante a sessão solene, serão homenageadas mulheres que se destacam por suas histórias de superação, liderança e compromisso com a coletividade, servindo de inspiração para as gerações presentes e futuras.

“No Distrito Federal, as mulheres exercem papel fundamental em múltiplos espaços, atuando com protagonismo no serviço público, no empreendedorismo, nas comunidades, na política, na cultura e na formação familiar. Sua dedicação, resiliência e capacidade de transformação impactam diretamente a qualidade de vida da população e o progresso da capital”, destaca Pastor Daniel de Castro que é integrante da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara Legislativa.

Confira o evento no canal da TV Câmara Distrital no Youtube.

Bruno Sodré – Agência CLDF

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Com investimento de R$ 2,5 milhões para obras, Centro Olímpico do Paranoá atenderá 5 mil alunos

Complexo esportivo contará com pista de atletismo, quadra poliesportiva, espaço multiuso e piscinas

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Carlos Eduardo Bafutto e Ana Isabel Mansur, da Agência Brasília | Edição: Ígor Silveira

 

O Paranoá está prestes a ganhar um novo espaço dedicado ao esporte e à inclusão social com a construção do 13º Centro Olímpico e Paralímpico (COP) do Distrito Federal. A governadora Celina Leão visitou as obras da unidade nesta quinta-feira (16).

“São duas etapas [da obra]. A primeira devemos entregar nos próximos dias. E vamos correr com a segunda”, destacou Celina Leão. A primeira fase permitiu a geração de 40 empregos.

O Centro Olímpico do Paranoá terá pista de atletismo, quadras de tênis, poliesportiva e de areia, espaço multiuso e piscinas semiolímpicas e infantis, além de vestiários.

 

A primeira fase da obra foi conduzida pela Secretaria de Esporte e Lazer do DF (SEL-DF) e contemplou a construção de guarita, estacionamento, administração e campo sintético, com alambrado de 49 metros por 29 metros.

O setor administrativo do espaço vai contar com salas de apoio, sala de aula, copa, sala de reuniões, sala de coordenação, sala de professores e áreas de convivência.

Além disso, a infraestrutura será completada com drenagem, caixa d’água de 30 mil litros, pórtico de entrada com bicicletário, instalações elétricas e hidráulicas e estruturas de acessibilidade, como rampas, calçadas e estacionamento.

O DF possui 12 unidades de centros olímpicos e paralímpicos, onde são atendidos 16.557 alunos, distribuídos em 32 modalidades. O COP do Paranoá tem sido erguido em um ponto estratégico, onde há crianças, adolescentes e adultos em situação de vulnerabilidade.

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Ex-presidente do BRB acertou propina de R$ 146 mi, diz Polícia Federal

Acordo teria sido feito com dono do Master, Daniel Vorcaro

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Felipe Pontes – Agência Brasil *

 

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa teria combinado com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o recebimento de propina estimada em R$ 146,5 milhões. A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão de Costa realizada hoje (16) pela Polícia Federal, na quarta fase da Operação Compliance.

O valor seria recebido por meio de quatro imóveis de alto padrão em São Paulo e dois em Brasília. A Polícia Federal disse ter rastreado, até o momento, o pagamento de ao menos R$ 74 milhões.

O restante da propina só não teria sido pago em razão de Vorcaro ter descoberto a abertura de procedimento investigatório na PF justamente sobre os pagamentos feitos a Costa. Segundo os investigadores, o banqueiro travou os repasses após ser informado sobre tal procedimento sigiloso.

Ainda segundo a PF, Vorcaro recebeu de seu funcionário Felipe Mourão, em 24 de junho de 2025, uma cópia da investigação, por meio do aplicativo WhatsApp.

A data é posterior à interrupção dos pagamentos, feita em maio, mas Mendonça deu crédito à versão da PF, afirmando que “o conjunto de elementos informativos colhidos até o momento aponta a alta probabilidade de que ele tenha tido ciência da instauração do procedimento antes do recebimento das respectivas cópias”.

Além de Costa, foi preso também o advogado Daniel Monteiro, apontado como seu testa de ferro e que teria recebido, pessoalmente, R$ 86,1 milhões em proveito ilegal. 

A prisão preventiva dos dois foi feita com base na “permanência dos atos de ocultação patrimonial, o risco de interferência na instrução, a possibilidade de rearticulação da engrenagem financeira e jurídica do esquema, além da necessidade de assegurar a ordem pública, a ordem econômica e a efetividade da persecução penal”, escreveu Mendonça.

A contrapartida para a propina seria que Paulo Henrique Costa usasse os recursos do BRB, banco controlado pelo governo do Distrito Federal, para comprar carteiras de crédito falsas do Banco Master.

Até o momento, sabe-se que ao menos R$ 12,2 bilhões em carteiras ruins foram comprados, mas o número exato ainda não foi apresentado pelo BRB e pode ser maior.

Desde que foi deflagrada, a Compliance Zero investiga a existência de uma engrenagem ilícita concebida para viabilizar a fabricação, venda e cessão de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB. 

Saiba mais detalhes no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Defesa

Em frente à casa em que Costa foi preso, o advogado Cleber Lopes disse que a defesa “não considera essa hipótese como válida”, referindo-se ao pagamento de propina.

“A defesa considera que o Paulo Henrique não representa nenhum perigo para a instrução ou para aplicação da lei penal. Não há notícia de que ele tenha praticado qualquer ato que pudesse atentar contra a instrução criminal”, afirmou o defensor.

* Matéria alterada às 11h47 para acrescentar declaração da defesa de Paulo Henrique Costa

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