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Câmara aprova projeto que limita juros do cartão de crédito e cria o programa Desenrola

Proposta segue para o Senado

 

Alencar Santana, relator do projeto

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (5) projeto de lei que remete ao Conselho Monetário Nacional (CMN) a fixação de limites para os juros do cartão de crédito e cria o programa Desenrola Brasil de refinanciamento de dívidas pessoais. A proposta será enviada ao Senado.

De autoria do deputado Elmar Nascimento (União-BA), o Projeto de Lei 2685/22, foi aprovado na forma de um substitutivo do relator, deputado Alencar Santana (PT-SP). O relator incorporou ao texto a Medida Provisória 1176/23, que cria o Programa Desenrola Brasil a fim de incentivar a renegociação de dívidas, ofertando garantia para aquelas de pequeno valor (até R$ 5 mil).

De acordo com o texto aprovado, os emissores de cartão de crédito e de outros instrumentos de pagamento pós-pagos utilizados em arranjos abertos (cartão de bandeira) ou fechados (cartões de redes varejistas) deverão apresentar ao CMN proposta de autorregulação das taxas de juros e encargos financeiros cobrados no crédito rotativo e no parcelamento de saldo devedor das faturas de cartões de crédito. Os limites deverão ser anuais e apresentados com fundamento.

Caso esses limites não sejam aprovados pelo conselho no prazo de 90 dias, contados da publicação da futura lei, o total cobrado de juros e encargos não poderá ser superior, em cada caso, ao valor original da dívida.

“Para que não seja acusado o Parlamento de intervir na economia, nós estamos dando um prazo de 90 dias ao setor que emite cartão de crédito, aos bancos e às demais instituições financeiras para que apresentem uma proposta ao Conselho Monetário Nacional”, disse Alencar Santana.

“A média anual de juros rotativos do cartão é de 440%. Isso é um absurdo, a pessoa acaba se enrolando, sem pagar seu compromisso, resultando em um lucro abusivo, sem qualquer parâmetro no mundo”, afirmou.

Ele lembrou que o limite dos juros a 100% da dívida já ocorre na Inglaterra.  “Estamos baixando os juros anuais de 440%, na média, para 100%, uma redução de 340%, uma redução significativa e muito importante”, disse o relator.

Já o autor do projeto, Elmar Nascimento, ressaltou que o texto aprovado foi amplamente negociado e foi objeto de acordo com bancos, Banco Central e o Ministério da Fazenda. “Foi tudo negociado. É um projeto que vai permitir a retirada de mais de 70 milhões de brasileiros da situação de inadimplência e vai impor uma autorregulamentação aos bancos, para que exista uma queda gradual da taxa de juros do rotativo do cartão de crédito”, disse.

O deputado Gilson Marques (Novo-SC) criticou a medida. “Somos contrários ao projeto, porque somos contra o governo trabalhar tabelando juro, regulando o dinheiro alheio”, afirmou.

Portabilidade
Uma novidade em relação ao projeto original é a portabilidade da dívida do cartão de crédito e de outros débitos relacionados a ele, mesmo os já parcelados pelo próprio cartão ou de contas vinculadas ao cartão para seu pagamento (instrumento de pagamento pós-pago). Assim, o consumidor poderá buscar ofertas de juros menores para equacionar sua dívida junto a outra instituição financeira.

A instituição credora original não poderá cobrar custos relacionados à troca de informações e à efetivação dessa portabilidade.

A regulamentação caberá também ao CMN dentro de 90 dias da futura lei. A ideia é estimular a competição entre as emissoras de cartão.

Todas as instituições financeiras, oficiais ou privadas, inclusive as que ofereçam crédito mas não atuem como bancos, deverão adotar medidas para prevenir a inadimplência e o superendividamento de pessoas físicas, com ações específicas para a educação financeira dos seus consumidores.

Facilitar o crédito
O texto de Alencar Santana propõe ainda outras medidas para facilitar o acesso ao crédito, como o aumento dos casos em que será dispensada a apresentação de certidões de quitação de tributos federais se o interessado não estiver inscrito em cadastro de inadimplente (Cadin).

Além das micro e pequenas empresas, dos agricultores familiares e mini e pequenos produtores rurais, já contemplados atualmente, poderão contar com a dispensa os empreendedores familiares rurais, demais beneficiários da Política Nacional da Agricultura Familiar, empreendimentos familiares rurais e suas cooperativas e associações da agricultura familiar.

Também não precisarão apresentar os documentos as pessoas naturais que exerçam atividade econômica com receita ou renda bruta igual ou inferior ao limite de enquadramento como pequena empresa no Simples Nacional.

Essa dispensa, no entanto, passa a valer por 180 dias, contados da data da consulta de inexistência de registro no Cadin.

Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Discussão e votação de propostas. Dep. Elmar Nascimento(UNIÃO - BA)
Elmar Nascimento, autor da proposta

Se o projeto virar lei, não haverá mais necessidade de provar quitação eleitoral para todas as pessoas que realizarem operações de crédito com bancos e outras instituições oficiais.

Já as empresas serão dispensadas de apresentar a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) para realizar empréstimos bancários, pois os dados já estão de posse do governo quando de seu envio.

Contrato de comissão
No Código Civil, o texto aprovado acrescenta dispositivo para permitir o uso do contrato de comissão para a realização de mútuo ou outro negócio jurídico de crédito. A nova regra entrará em vigor 180 dias após a publicação da futura lei.

Atualmente, o Código Civil permite o uso do contrato de comissão apenas para a compra ou venda de bens por parte do comissário em seu próprio nome e responsabilidade, mas por ordem e por conta de um terceiro (comitente), em troca de certa remuneração.

Já a cláusula del credere, que poderá constar desse contrato, prevê a responsabilidade solidária do comissário em relação às pessoas com quem houver tratado em nome do comitente. Nesse aspecto, o relator incluiu trecho para permitir que essa responsabilidade seja parcial.

Todas essas medidas para facilitar o crédito constam do PL 2820/23, do Poder Executivo.

Desenrola
O texto aprovado pelos deputados incorpora o conteúdo da Medida Provisória 1176/23, que cria o Programa Desenrola Brasil a fim de incentivar a renegociação, com garantia do governo federal, de dívidas somadas até o valor de R$ 5 mil por pessoa inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) ou por quem tenha renda mensal igual ou inferior a dois salários mínimos (R$ 2.640,00).

Poderão entrar nessa negociação dívidas com bancos, mas também com fornecedores (como água, luz e telefone) ou com o varejo e até mesmo de crédito pessoal consignado.

Entretanto, nessa modalidade, chamada de Faixa 1, o devedor somente ficará sabendo se sua dívida poderá ser negociada com garantia do governo federal após uma competição entre os credores participantes para definir quais deles ofertarão os maiores descontos. Assim, não são todos os devedores que poderão obter essa garantia, somente aqueles com dívidas perante os credores vencedores de um leilão.

Por outro lado, se o devedor não tiver acesso à garantia para refinanciar porque seu credor não foi contemplado nessa competição, ele poderá ainda assim usar o desconto ofertado pelo credor e escolher quais dívidas desejará quitar à vista com recursos próprios.

As regras proíbem o credor interessado em participar da modalidade Faixa 1 de escolher contratos específicos para renegociação.

Da parte do devedor, além da renda ou inscrição no CadÚnico, outra condição é ter sido incluído em cadastros de inadimplentes até 31 de dezembro de 2022, com registro que deverá estar ativo em 28 de junho de 2023.

O tema foi regulamentado por uma portaria do Ministério da Fazenda (Portaria Normativa 634/23), que determina o uso da renda média entre os meses de janeiro a maio de 2023 para apurar se o potencial beneficiário está dentro do limite de renda exigido.

Exceções
Segundo o texto, não poderão entrar na Faixa 1 do programa as dívidas com garantia real, as dívidas de crédito rural, financiamento imobiliário, oriundas de funding ou com risco de terceiros.

Nessa última situação, o texto fixa exceções. Assim, poderão fazer parte da seleção aquelas dívidas cedidas a companhias securitizadoras, a fundos titulares de créditos de pessoas físicas, a fundos de investimentos em direitos creditórios ou a quaisquer outros cessionários de créditos.

Quando a dívida for considerada apta a ser renegociada, todos os procedimentos serão feitos pelo devedor por meio da plataforma Gov.br, mas o usuário deve ter os níveis de acesso prata ou ouro. A assinatura do contrato também será digital por meio dos requisitos de segurança desses níveis de acesso.

A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil deverão, de forma gratuita em todas as suas agências, prestar instruções de forma presencial aos devedores que tiverem dificuldade em acessar a plataforma digital do programa.

Dados da Serasa, no começo do ano, mostravam um total de cerca de 69 milhões de brasileiros inadimplentes, com dívidas em atraso no valor total de R$ 301,5 bilhões. Em média, a dívida de cada pessoa inadimplente era R$ 4.400.

Fundo garantidor
Para garantir o pagamento do valor renegociado por meio do programa, o Executivo usará recursos do Fundo Garantidor de Operações (FGO-Pronampe), honrando valores não pagos pelo devedor depois da renegociação até o montante de R$ 5 mil por pessoa, atualizado pela taxa Selic.

A novidade introduzida pelo relator neste ponto é que será permitido ao governo reduzir esse valor máximo de garantia para atender o maior número possível de devedores na Faixa 1.

Em fevereiro deste ano, o FGO-Pronampe tinha R$ 9,6 bilhões disponíveis para garantir novas contratações, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). No entanto, os recursos já comprometidos com as operações em andamento ficam de fora do Desenrola Brasil.

Dois dias depois (29/06/23) da edição da portaria, o FGO recebeu aporte de mais R$ 906,8 milhões do governo federal. Esse montante adicional servirá apenas para o Pronampe, que ficará com um total disponível de R$ 1,38 bilhão para garantir novos empréstimos desse programa, segundo o Banco do Brasil, agente operador do fundo.

Taxa e prazo
De acordo com o texto aprovado pela Câmara, se o devedor não quitar a dívida com recursos próprios depois dos descontos, o refinanciamento na Faixa 1 terá:

  • taxa de juros máxima de 1,99% ao mês;
  • carência de 30 a 59 dias para começar a pagar, dependendo das datas da contratação e de vencimento da primeira parcela;
  • assinatura do contrato até 31 de dezembro de 2023;
  • prazo de pagamento de 2 a 60 meses em parcelas decrescentes; e
  • parcela mínima de R$ 50.

Agentes e credores
O PL 2685/22 define dois tipos de empresas participantes envolvidas na negociação com o devedor: o credor, que inscreveu a pessoa devedora no cadastro de inadimplentes; e os agentes financeiros, instituições financeiras autorizadas a realizar operações de crédito, inclusive cooperativas de crédito e bancos cooperativos segundo seus limites legais de atuação regional.

Se os bancos (públicos ou privados) e outras instituições não bancárias de crédito forem as credoras, o texto estabelece outras condições para elas participarem como credoras no leilão de descontos caso tenham volume de captações superior a R$ 30 bilhões: baixar permanentemente de cadastros de inadimplentes as dívidas de valor igual ou inferior a R$ 100,00 e habilitar-se para atuar, ao mesmo tempo, como credor e agente financeiro.

Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Discussão e votação de propostas.
Deputados aprovaram o projeto em sessão do Plenário

Uma entidade operadora poderá ser contratada pelo FGO para operar o Desenrola Brasil, sendo responsável pelas etapas de intercâmbio de informações por meio de sistemas digitais, consolidação das dívidas apresentadas pelos credores segundo perfis semelhantes, atribuição dos recursos do FGO para cada lote de dívidas, condução do leilão de descontos e liberação para consulta dos devedores das dívidas eleitas pelo leilão.

Vencerão esse leilão os credores que ofertarem o maior desconto sobre a dívida consolidada, segundo as regras de seu edital.

Adesão
O devedor cujas dívidas ficarem aptas poderá aderir ao Desenrola Brasil por meio do Gov.br e poderá escolher:

  • as dívidas que serão renegociadas, conforme o desconto obtido no leilão;
  • o agente financeiro com o qual contratar novo empréstimo para refinanciar a dívida; e
  • a forma de parcelamento, respeitando o valor mínimo de parcela e o tempo máximo de pagamento.

Para fins de contratação da nova dívida, o texto considera que a renda mensal para prover o mínimo existencial da pessoa física, definida pelo Decreto 11.150/22 em R$ 600,00, não será impedimento para a contratação da operação de crédito. Assim, a pessoa poderá comprometer valores de sua renda a ponto de lhe sobrar menos que esse montante.

Já a entidade operadora deverá ofertar ao devedor um curso de educação financeira.

Cobrança
Se o devedor participante se tornar novamente inadimplente da dívida tomada no âmbito do programa, a instituição financeira deverá realizar os mesmos procedimentos de cobrança que aplica usualmente, mas a portaria do Ministério da Fazenda permite o uso de procedimentos totalmente digitais para isso.

Segundo essa portaria, depois de 60 dias de atraso, o agente financeiro poderá pedir ao FGO que honre o pagamento, conforme o regulamento do fundo.

A garantia será limitada a R$ 5 mil por cliente, referentes ao principal da dívida reajustado pela Selic.

Mesmo depois de o fundo honrar o pagamento, os bancos poderão continuar renegociando a dívida, até mesmo propondo novos descontos.

Em até 12 meses depois de o fundo honrar o pagamento não realizado pelo devedor, o agente financeiro deverá colocar em leilão o título representativo da dívida não recuperada, seguindo regras do estatuto do FGO.

Se em um primeiro leilão não houver interessados, um segundo leilão deverá ser feito, admitindo-se o maior lance (sem lance mínimo, portanto) e independentemente do valor de avaliação do título (pode ser abaixo).

Caso ainda assim não haja interessados, a parcela não recuperada da dívida honrada pelo FGO será considerada extinta de pleno direito.

Já os recursos porventura recuperados deverão ser devolvidos ao fundo para a garantia das operações de crédito do Pronampe até 2025. A partir dessa data, deverão abater a dívida pública.

Faixa 2
Para quem tem dívidas e renda mensal de até R$ 20 mil, o projeto prevê outra forma de renegociação, diretamente com os agentes financeiros e sem garantia da União. Em troca de descontos concedidos nessa renegociação, os bancos contarão com créditos presumidos que poderão inclusive aumentar seus limites prudenciais de empréstimo.

Essas renegociações, que começaram em 17 de julho, poderão ser realizadas nos canais indicados pelo banco ou na própria plataforma digital do Desenrola Brasil.

À semelhança da Faixa 1, a dívida deve já estar inscrita em cadastros de inadimplentes em 31 de dezembro de 2022, com registro ativo em 28 de junho de 2023, e a assinatura do contrato terá de ocorrer até 31 de dezembro de 2023. A renda será apurada pelos agentes financeiros, e o prazo mínimo de parcelamento será de 12 meses.

Se o devedor comprovadamente solicitar, o parcelamento poderá ser em prazo menor que 12 meses.

Nessa modalidade, não poderão ser renegociadas dívidas:

  • relativas a crédito rural;
  • com garantia da União ou de entidade pública;
  • com risco de crédito não assumido integralmente pelos agentes financeiros;
  • com qualquer tipo de previsão de aporte de recursos públicos; ou
  • com qualquer equalização de taxa de juros por parte da União.

Dispensa
Para participar da renegociação, tanto na Faixa 1 quanto na Faixa 2, os devedores não precisarão apresentar certidão negativa de inscrição em dívida ativa da União, certificado de regularidade do FGTS ou regularidade no cadastro de inadimplência federal (Cadin).

Diferenças temporárias
Como incentivo para o empréstimo, as instituições participantes do programa na Faixa 2 poderão gerar crédito presumido, nos anos-calendário de 2024 a 2028, em montante equivalente ao menor de dois valores: o saldo contábil bruto dos empréstimos feitos na Faixa 2 ou o saldo de créditos por diferenças temporárias apurados.

As diferenças temporárias são geradas em razão de as empresas reconhecerem contabilmente perdas ou despesas antes de poderem descontá-las segundo as regras fiscais, procedimento que diminui a base de cálculo dos tributos a pagar (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL).

Assim, ao antecipar o desconto para efeitos de tributação, que somente poderia ocorrer no futuro, o governo pretende incentivar os bancos a usarem seus recursos para negociar com os devedores, abrindo mão de impostos agora e não mais para a frente.

Os créditos presumidos calculados devem se limitar ao total emprestado e poderão ainda ser objeto de ressarcimento após encontro de contas com o Fisco.

Entretanto, ficam de fora do cálculo as provisões para créditos de liquidação duvidosa e para ações fiscais e previdenciárias.

Destaques rejeitados
O Plenário da Câmara rejeitou todos os destaques apresentados pelos partidos que tentavam alterar o texto do relator. Confira:

  • destaque do Psol pretendia retirar do texto dispositivo que dispensa a preservação do mínimo existencial de renda do endividado para fins de contratação da nova dívida no âmbito do programa;
  • emenda do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pretendia direcionar 50% dos recursos do Fundo Nacional de Cultura para financiar o Desenrola Brasil;
  • emenda do deputado Gilberto Abramo (Republicanos-MG) pretendia dar redação alternativa à exigência de as instituições financeiras adotarem medidas de prevenção ao superendividamento;
  • emenda do deputado Gilberto Abramo pretendia permitir ao apresentante ou interessado em registrar títulos em cartórios escolher em qual deles pretende fazer esse registro; e
  • emenda do deputado Domingos Sávio (PL-MG) pretendia permitir a comunicação ao consumidor, por meio eletrônico, de abertura de cadastro, ficha, registro e dados pessoais e de consumo quando não solicitado por ele.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

 

Reportagem – Eduardo Piovesan e Carol Siqueira
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Agência Câmara de Notícias

 

 

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Motta defende ação coordenada no combate ao crime organizado

Presidente da Câmara destacou a aprovação de cerca de 50 propostas de segurança pública e defendeu que o tema seja tratado como pauta de Estado

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Marina Ramos / Câmara dos Deputados

Motta discursa no lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o Programa Brasil contra o Crime Organizado demonstra que o governo federal trata a segurança pública como prioridade. Ao participar do lançamento da iniciativa no Palácio do Planalto, Motta destacou a necessidade de atuação coordenada entre os Poderes e os entes federativos no enfrentamento à criminalidade.

Em discurso no evento, Motta reiterou a importância da ação coordenada entre os Poderes e os entes federados. Segundo ele, o tema não deve ser tratado de forma partidária e precisa ser conduzido como uma pauta de interesse da sociedade.

“A segurança pública é uma das preocupações mais concretas da vida nacional. Ela não se resolve com frases fáceis, nem com disputa estéril. Exige ação coordenada, inteligência, firmeza, respeito à lei e compromisso permanente com a proteção da vida. Segurança não pertence ao governo nem à oposição, pertence à cidadania brasileira”, afirmou Motta.

Hugo Motta lembrou que a Câmara dos Deputados aprovou cerca de 50 propostas relacionadas à segurança pública na sua gestão. Entre elas, a PEC da Segurança Pública, encaminhada pelo Poder Executivo, que busca ampliar a cooperação entre União, estados e municípios no combate ao crime organizado. O texto está no Senado.

O presidente da Câmara também mencionou a aprovação do Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, que, segundo ele, fortalece instrumentos de atuação das forças de segurança, do Ministério Público e do Judiciário contra facções criminosas e milícias. O texto prevê aumento de penas e medidas de combate ao financiamento de organizações criminosas.

“Também aprovamos o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado. O texto, também encaminhado pelo Poder Executivo, foi debatido intensamente e aprimorado pela Câmara. Seu objetivo central foi dar às forças de segurança, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário instrumentos mais firmes para enfrentar facções, milícias e organizações que desafiam a autoridade pública, exploram comunidades e contaminam a economia formal”, declarou o presidente da Câmara.

Durante o pronunciamento, Motta destacou ainda a aprovação de projetos voltados ao endurecimento penal para crimes praticados contra agentes de segurança pública e privada, além de propostas relacionadas à proteção de pessoas vulneráveis.

Violência contra a mulher
Ao abordar o combate à violência contra a mulher, o parlamentar afirmou que o feminicídio deve permanecer como prioridade das instituições públicas. Ele citou a participação da Câmara no pacto nacional contra o feminicídio e informou que a Casa criou um grupo de trabalho para discutir o projeto de lei que criminaliza a misoginia, com previsão de apresentação de parecer até o início de junho.

O presidente da Câmara também mencionou a aprovação de medidas como o uso de tornozeleira eletrônica para agressores de mulheres e o aumento de penas para crimes de violência doméstica.

“Não podemos, no Brasil, tratar da segurança pública sem citar o combate ao feminicídio como um foco inescapável. Não há civilização em que se mate por tão pouco e com tanta covardia, como é o caso dos homens que agridem, estupram e matam as mulheres. Na Câmara, estamos totalmente engajados nesse movimento que é de toda a sociedade brasileira. Somos, inclusive, um dos signatários do pacto contra o feminicídio”, afirmou Hugo Motta.

Ao encerrar o discurso, Hugo Motta declarou que a Câmara continuará debatendo propostas relacionadas à segurança pública e afirmou que o enfrentamento ao crime organizado depende da integração entre instituições e do respeito à Constituição e ao pacto federativo.

 

Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – Wilson Silveira

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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Transporte e iluminação são temas de pronunciamentos na sessão desta quarta

Sessão reuniu debates diversos, que incluíram também educação e defesa do consumidor, entre outros assuntos

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Foto: Andressa Anholete/Agência CLDF

Deputados reunidos durante sessão ordinária nesta quarta-feira (6)

Pronunciamentos sobre transporte e iluminação pública foram temas de destaque na sessão ordinária da Câmara Legislativa do Distrito Federal desta quarta-feira (6). Os deputados distritais também falaram sobre educação e defesa do consumidor, entre outros assuntos.

O deputado Max Maciel (PSOL) manifestou preocupação com a situação do sistema do Metrô do DF, que, segundo ele, amanheceu hoje funcionando “com apenas 12 trens no pico e com espera de mais de 15 minutos”. O distrital comparou o metrô local com o de Medelin, na Colômbia, onde esteve recentemente para conhecer o sistema de transporte público.

Max destacou as diferenças na modelagem do transporte das duas cidades. Para ele, Medelin fez a opção correta no modal metroviário, enquanto Brasília aposta no modelo que privilegia o rodoviário. O distrital criticou a “falta de recursos para o sistema metroviário e a falta de priorização do metrô”. Ele relatou ainda denúncias de que vários trens estão parados, “alguns deles sem especificação da falha que motivou a paralisação”. “Estamos vivendo uma situação de colapso. Vou oficiar ao Ministério Público e exigir que o governo invista no Metrô”, completou.

O deputado Chico Vigilante (PT) apresentou na sessão dados de um laudo pericial referente a uma ação civil pública sobre o transporte público do DF, ajuizada pelo Ministério Público contra o GDF e as cinco empresas que operam as bacias do transporte público. Segundo ele, o perito chegou à conclusão de que tem empresa que tem que devolver dinheiro ao governo e outras que têm dinheiro a receber. “O total do saldo a favor do GDF é de R$ 309,4 milhões. Mas aí vem um outro problema, pois o GDF também está devendo cerca de R$ 1 bilhão, além destes valores”, analisou. Para ele, o GDF precisa resolver logo esta situação, “pois o sistema de transporte está entrando em colapso”. “Sei de empresa que, se o GDF não pagar, ela vai parar porque não tem dinheiro nem para comprar o diesel”, finalizou.

Já o deputado Ricardo Vale (PT), vice-presidente da Casa, destacou que a governadora Celina Leão anunciou esta semana que fará um estudo sobre a implantação da tarifa zero no DF. O parlamentar lembrou que apresentou projeto de tarifa zero em 2015 e enfrentou muitas dificuldades para aprovar a matéria. Para ele, a medida é uma necessidade para muitos trabalhadores, famílias e jovens, que não conseguem se locomover por causa dos altos custos das passagens.

O distrital entende que a tarifa zero estudantil é uma “medida precursora da tarifa zero para todos”. “Vamos continuar trabalhando para que o Tarifa Zero saia do papel no DF e em todo o País. É um projeto de distribuição de renda e este dinheiro que iria para as passagens vai parar no pequeno comércio. Já gastamos uma fortuna com subsídios para as empresas de ônibus. Transporte é um direito do cidadão”, assinalou.

Iluminação pública

Na mesma sessão, o deputado Rogério Morro da Cruz (PSD) elogiou a nova diretoria da CEB Iluminação Pública e cobrou que o DF fique 100% iluminado. O distrital cobrou instalação de iluminação pública, principalmente na região de São Sebastião e Jardim Botânico, que, de acordo com ele, “tem muitas áreas sem luz”. Morro da Cruz pediu um cuidado especial para alguns bairros da região e ressaltou que tem “destinado recursos para regularizar, escriturar e para iluminar toda São Sebastião”.

Doação de sangue e defesa do consumidor

O deputado Pastor Daniel de Castro (PP) destacou a aprovação de projeto de lei, de sua autoria, que estabelece que servidores doadores de sangue terão direito até a dois dias de descanso, alternadamente, “medida muito importante para aumentar o estoque no banco de sangue do DF”.

O parlamentar também falou sobre a necessidade de nomeação urgente de servidores para o Procon, visando o fortalecimento da luta pela defesa do consumidor. Segundo ele, o Procon conta atualmente somente com 84 servidores efetivos para fazer todo o trabalho do órgão, e tem 116 cargos vagos. “Como cobrar fiscalização se o órgão está com mais da metade do seu quadro de pessoal defasado? O DF precisa de um Procon forte e eficiente”, disse, pedindo à governadora que autorize as contratações para o órgão.

Diálogo com professores

O deputado Gabriel Magno (PT) agradeceu e parabenizou a governadora Celina Leão por ter se reunido com os professores para tratar das demandas da categoria. “Vamos continuar cobrando os desdobramentos, especialmente em relação aos pagamentos atrasados e aos problemas do sistema EducaDF. Mas é importante a abertura de diálogo, após oito anos de desmandos do governo Ibaneis”, sinalizou ele.

Violência contra técnica de enfermagem

O deputado Fábio Felix (PSOL) manifestou indignação com o caso de suposta violência contra uma técnica de enfermagem, no hospital DF Star, que “teria tomado um tapa do senador Magno Malta (PL-ES), e que agora está sendo vítima nas redes sociais e precisou se afastar do trabalho”. “O senador já mudou de versão várias vezes. Desacreditar a palavra da vítima é um absurdo. Qual é o recado que este caso passa para a população?”, disse, se solidarizando com a vítima e cobrando a investigação do episódio.

O deputado Pastor Daniel de Castro (PP) pediu cautela e defendeu o direito a ampla defesa. Para ele, é necessário que o caso seja investigado e não se pode apenas levar em conta a palavra da técnica. “Se o fato for verdade, tem que haver punição, mas após a investigação do caso”, ponderou.

Luís Cláudio Alves – Agência CLDF

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Festival Dulcina terá prêmio inédito de até R$ 10 mil para artistas do DF e Entorno

Mostra competitiva reúne oito espetáculos gratuitos no Teatro Sesc Paulo Autran, em Taguatinga, com recursos de acessibilidade para o público

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Geovanna Gravia, da Agência Brasília | Edição: Paulo Soares

 

O Festival Dulcina chega à quarta edição com uma novidade: pela primeira vez, o evento vai premiar artistas do Distrito Federal e do Entorno com valores de até R$ 10 mil. Aberto ao público, o festival ocorre entre os dias 15 e 23 deste mês, no Teatro Sesc Paulo Autran, em Taguatinga, com entrada gratuita.

Para o secretário de Cultura e Economia Criativa, Fernando Modesto, o festival fortalece a produção cultural do DF, valoriza os artistas locais e amplia o acesso da população às artes cênicas. “Esta edição, ao reconhecer exclusivamente produções do DF e do Entorno, evidencia a potência criativa da nossa cena teatral e o compromisso da pasta em apoiar iniciativas que preservam a memória cultural, incentivam a formação artística e promovem diversidade, inclusão e acessibilidade”, destaca.

Realizado com apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), o festival reúne oito produções locais de teatro, dança e performance selecionadas entre grupos do DF e do Entorno. Nesta edição, os espetáculos concorrem em dez categorias, incluindo melhor atriz, ator, direção, dramaturgia, iluminação, sonoplastia, cenário, figurino, produção e espetáculo.

O Prêmio Dulcina vai conceder R$ 10 mil ao melhor espetáculo. As demais categorias terão premiação de R$ 4 mil cada. Todos os grupos selecionados também receberão cachê de participação no valor de R$ 4 mil. A seleção foi realizada por uma comissão julgadora formada por nomes atuantes na cena e na pesquisa teatral.

 

Entre os espetáculos selecionados para a mostra competitiva estão Pedra (p)ÁridaAtrás das ParedesDesdesempreSe Eu Fosse Eu – ClaricesUm Lapso de Ouro e VinhoBaraúna Boi ValenteOs sonhos de Gaubi Beijodo: a dor e a delícia de ser quem é e Galhada, em tempos de fissura.

Todas as apresentações contarão com tradução em Libras e audiodescrição. Os ingressos serão distribuídos duas horas antes de cada sessão, no Teatro Sesc Paulo Autran, em Taguatinga.

Serviço

Festival Dulcina

Período: 14 a 23 de maio

Local: Teatro Sesc Paulo Autran – St. B Norte CNB 12 Área Especial 02/03 – Taguatinga

Informações: @‌festivaldulcina

Programação

15/5 (sexta), 20h – Pedra (P)Arida

16/5 (sábado), 20h – Atrás das Paredes

17/5 (domingo), 20h – Desdesempre

18/5 (segunda), 20h – Se Eu Fosse Eu – Clarices

19/5 (terça), 20h – Um Lapso de Ouro e Vinho

20/5 (quarta), 20h – Baraúna Boi Valente

21/5 (quinta), 20h – Os sonhos de Gaubi Beijado: a dor e a delícia de ser quem é

22/5 (sexta), 20h – Galhada – Em tempos de fissura

23/5 (sábado), 19h – Premiação e encerramento

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