Reportagens
Do alto da Torre de TV, uma Brasília monumental
Conheça a história de 56 anos de um dos pontos emblemáticos da capital federal, inspirado no mais famoso cartão-postal de Paris
Thaís Miranda, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto

Com localização estratégica, o visual é privilegiado: de um lado, as asas Sul e Norte milimetricamente projetadas pelos arquitetos Lucio Costa e Oscar Niemeyer; do outro, os monumentos que compõem o Eixo Monumental emoldurados pelo Lago Paranoá. A vista de 360º de Brasília é possível por meio do mirante da Torre de TV, a 75 metros de altura, o equivalente a um prédio de 25 andares.

Atualmente com as estruturas novas e reformadas graças a um investimento de cerca de R$ 40 milhões do Governo do Distrito Federal (GDF), a Torre de TV já soma 56 anos de história desde a sua criação, que teve como inspiração a Torre Eiffel, de Paris, na França.
Inaugurada em 1967, a Torre de TV é uma das estruturas mais altas do Brasil, com 230 metros de altura, e carrega uma série de histórias e lembranças que marcaram os já movimentados anos de uma ainda jovem capital. Criada com objetivo de receber antenas de emissoras de rádio e televisão, a torre foi se tornando ponto de encontro. É uma das únicas estruturas originais emblemáticas da capital que não vieram do traço de Oscar Niemeyer.
Espaço afetivo
“As pessoas iam para a Torre de TV para comer o sarapatel, o vatapá, o tacacá. Até as autoridades políticas iam degustar a gastronomia diversificada para matar a vontade da culinária do estado de origem”Maria José Carvalho, professora e guia turística
“A ideia de Lucio Costa era criar um espaço com uma importância mais afetiva e atrativa visual para a população”, explica a professora Maria José Carvalho, guia turística no DF há 23 anos. “O pitoresco em toda a sua criação foi a feirinha. Embaixo da torre havia uma feira, que não era permanente, mas era dividida em áreas onde existiam pratos típicos das regiões do Brasil. O local era uma espécie de saudade que aquela pessoa que veio morar em Brasília depois da construção da cidade sentia de seu local de origem.”

O espaço, com o passar do tempo, aprimorou essa vocação de reunir gente que, vinda de todos os cantos do país, chegou em busca de melhores condições de vida. “As pessoas iam para a Torre de TV para comer o sarapatel, o vatapá, o tacacá”, lembra a guia. “Ali, naquele local, todos se encontravam e confraternizaram. Eu mesma trazia meus filhos para experimentarem as comidas do meu estado, o Pará. Até as autoridades políticas iam degustar a gastronomia diversificada para matar a vontade da culinária do estado de origem”.
600Total de boxes de artesanato disponíveis na feira permanente da Torre de TV
Em abril de 2011, a feirinha recebeu o seu devido reconhecimento e tornou-se permanente. Hoje, o espaço reúne 600 boxes, com artesãos locais que expõem uma variedade de produtos do Cerrado, incluindo esculturas, almofadas, flores, artesanato em geral, quadros, souvenirs e estofados.
“Hoje ainda há uma praça de alimentação com diversas comidas típicas, mas não tão fortes como aquela época”, aponta Maria José. “Atualmente, existem muitas atividades culturais no espaço da Feira da Torre. A nossa maior referência em outros estados são os nossos artesãos que fazem as flores secas típicas do Cerrado. Temos também quem faça mandalas, por exemplo. Como estamos na capital federal, é ótimo termos produtos que representem todas as regiões do Brasil.”
Além da Feira da Torre, a fonte luminosa e o Jardim Burle Marx — que recentemente recebeu investimentos de R$ 13 milhões para reforma — completam o complexo turístico de quem passa pela Torre de TV. A expectativa é receber cerca de 12 mil visitantes por ano.
Brasília, o destino

A capital do país tem se tornado cada vez mais escolhida pelos turistas nacionais e internacionais. O produtor audiovisual Denis Willian, 31, veio de Maringá (PR) a trabalho e aproveitou um dia de folga para conhecer os principais pontos turísticos de Brasília.
“É uma cidade bem diferente”, pontua. “Eu gosto muito de arquitetura e fiquei encantado com todo o desenho da cidade. A vista da Torre de TV é muito setorizada, lembra bastante o Palácio de Versailles [na França], com o jardim todo separado. Brasília é o paraíso da arquitetura!”
O pequeno Benício Pama, 7, é brasiliense, mas, ainda bebê, mudou-se para outro estado após o pai ter sido transferido de trabalho. De volta a Brasília, o menino comemora: “Eu via umas imagens no Google e queria muito vir para cá e ver se eu me lembrava de alguma coisa. É muito legal. Tem vários pontos turísticos. Estou muito empolgado para ir também ao parque de diversões [referindo-se ao Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek]”.
Movimento turístico
De acordo com dados divulgados pelo Ministério do Turismo, de janeiro a setembro deste ano, chegaram a Brasília 35.418 turistas de fora do país, sendo 12.771 da América do Norte (36,06%) e 10.449 da Europa (29,5%). Este número é 89,76% maior que o registrado no mesmo período do ano passado, quando houve um total de 18.665 turistas internacionais.
Para atender esse público que não para de crescer, o GDF investe cada vez mais no turismo e nas unidades do Centro de Atendimento ao Turista (CAT), que é a porta de entrada para receber e dar informações sobre os pontos turísticos da cidade.
Somente na região central da capital federal existem cinco pontos de apoio, dos quais quatro são fixos – Aeroporto JK, Esplanada dos Ministérios, Rodoviária Interestadual e Superquadra 308 da Asa Sul – e um móvel, na Torre de TV. O da torre funciona de sexta a domingo, bem como em feriados.

Nos CATs, os visitantes encontram todo o apoio de que precisam e têm acesso a informações sobre os produtos e serviços turísticos no DF e Entorno, como mapas, guias turísticos e materiais promocionais, distribuídos individualmente. Todos os pontos contam com atendentes bilíngues, e o material divulgado para o turista também é traduzido para o inglês.
Fiscalização
A secretaria DF Legal intensificou nas últimas semanas a fiscalização contra o comércio ambulante irregular na Torre de TV. O trabalho, neste primeiro momento, é de orientação para manter a acessibilidade das calçadas e a entrada central do elevador da torre, na Praça das Fontes e na feira. Tendas e reboques não são permitidos. No caso de insistência da irregularidade, as equipes da pasta fazem a apreensão dos materiais.
Reportagens
Fim da escala 6×1 passa pela 3ª sessão de discussão no Plenário
Paulo Paim (de costas e no telão) defendeu a proposta e disse que ela deve ter primeira votação na semana que vem
Ton Molina/Agência Senado
A proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais e acaba com a escala 6×1 (seis dias trabalhados e um de descanso) passou pela terceira sessão de discussão no Plenário nesta quinta-feira (8). A PEC 221/2019 ainda precisará de duas sessões de discussão para completar o total de cinco sessões antes da votação em primeiro turno.
O senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu a proposta e disse que ela será votada na próxima semana.
— A votação será na semana que vem. O Brasil todo está nessa expectativa. Três sessões terminam hoje, mais duas na terça e na quarta, e na própria quarta à noite ou na quinta-feira nós votaremos essa proposta, que será uma grande conquista para o povo trabalhador — disse Paim em Plenário.
Caso a PEC seja aprovada em primeiro turno, seguirá para o segundo turno, com outras três sessões de discussão em Plenário antes da votação final. Uma PEC precisa ter ao menos três quintos dos votos favoráveis nas duas votações, o que representa o apoio de pelo menos 49 senadores.
A proposição, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em setembro. O relator foi o senador Omar Aziz (PSD-AM).
‘Hora da mudança’
Único senador inscrito para discutir a proposta nesta quinta-feira, Paim lembrou que na Câmara dos Deputados a PEC foi aprovada com apenas 19 votos contrários (e 461 favoráveis). Na sua visão, o Senado deveria aprovar o texto por unanimidade, assim não haveria perdedores e vencedores. Para ele, nenhum parlamentar deveria querer ter no currículo um voto contra a redução da jornada:
— A sociedade que construirmos hoje é a sociedade em que nós mesmos vamos viver e envelhecer. Não podemos aceitar que alguém passe a vida inteira trabalhando seis dias e descansando um dia. Não aceitamos! É chegada a hora da mudança. Não podemos aceitar jornadas que afastem pais, mães, filhos, netos e bisnetos. Não podemos aceitar que o trabalhador chegue à aposentadoria doente, cansado, sem forças para aproveitar a vida.
Na quarta-feira (7), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que uma votação mais rápida da PEC depende dos senadores, que podem apresentar requerimentos para dispensar prazos e sessões de discussão. Se algum requerimento for apresentado, será colocado em votação, afirmou Davi.


Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Reportagens
MEC irá pedir investigação de ameaças a universidades em redes sociais
Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos será acionada
Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil
O Ministério da Educação (MEC) irá acionar a Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal após ameaças denunciadas por universidades federais. Em entrevista à Agência Brasil, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, disse que a pasta tem “uma preocupação grande de que essa violência escale”.

O ministro conversou com a Agência Brasil após visitar a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que sofreu um incêndio de grandes proporções, com prejuízo estimado em R$ 100 milhões.
A PF foi acionada para investigar as causas do incêndio. No entanto, como há também denúncias de ameaças feitas nas redes sociais, o ministro pedirá uma investigação específica.
“Nós acionamos a Polícia Federal, que já instaurou inquérito sobre o incêndio em Pernambuco. Mas, após as ameaças verificadas nas redes sociais, nós vamos acionar agora a Diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, que atua em conjunto com o Ministério da Educação para vários eventos de ameaças na rede escolar e também ameaça de universidades”, ressaltou.
Além das ameaças na UFPE, nesta quinta-feira (8), a Universidade Federal Fluminense (UFF) também informou em nota que recebeu denúncias de ameaças à instituição.
A universidade informou que se trata de conteúdos compartilhados em aplicativos de mensagens e redes sociais. As mensagens falam, por exemplo, em incendiar a universidade e agredir estudantes em atos políticos. A PF também foi acionada para este caso.
“Toda vez que a gente tem uma situação de risco, a gente aciona a Diretoria de Crimes Cibernéticos da PF e, dessa vez também, tendo em vista o que a gente encontrou no monitoramento das redes sociais e naquilo que a gente tem recebido de estudantes, reitores e professores”, disse, Barchini.
“A universidade é um ambiente plural, um ambiente de manifestação política também”, acrescentou.
Reportagens
Projeto Marias da Penha estreia ciclo de contação de histórias e música contra a violência de gênero na CLDF
Ação com estudantes do CEF 03 de Sobradinho abre série de 10 apresentações culturais e educativas promovidas em instituições do DF
Foto: Divulgação
A programação terá contação de histórias com o Grupo Paepalanthus, que traduz temas urgentes em narrativas lúdicas e poéticas
Unindo arte, debate e cidadania, o Projeto Marias da Penha: Cultura e Conscientização contra a Violência de Gênero dá início nesta quinta-feira (8) a uma nova etapa de suas atividades, apostando na contação de histórias e em intervenções artísticas como ferramentas de transformação social. A abertura acontece, a partir das 14h, na Sala de Reunião das Comissões Pedro de Sousa, localizada no Térreo Superior (TS) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), com a participação de turmas do Centro de Ensino Fundamental 03 (CEF 03) de Sobradinho.
A atividade de hoje é a primeira de uma série de 10 apresentações que irão circular pela CLDF e por diversas outras instituições do Distrito Federal. A proposta leva reflexões sobre a prevenção da violência doméstica e familiar de maneira acessível e sensível aos jovens, dialogando diretamente com a realidade da comunidade escolar.
A programação traz a contação de histórias do Grupo Paepalanthus, que traduz temas urgentes em narrativas lúdicas e poéticas, além da discotecagem temática comandada pelo DJ Zapatta, trazendo repertório focado na valorização, força e no empoderamento feminino.
Durante o encontro na CLDF, os estudantes visitam a Exposição Marias, conhecem o histórico do projeto e recebem a cartilha educativa “Não é Mimimi, é Violência” — material didático desenvolvido para auxiliar na identificação de condutas abusivas e na divulgação dos canais de apoio e denúncia.
Com entrada franca, a iniciativa é uma realização conjunta da Artise e do Projeto Marias da Penha, contando com o fomento do Ministério da Cultura e o apoio institucional da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e do Conselho Curador de Cultura.
Serviço
Abertura do ciclo de contações – Projeto Marias da Penha.
Data: Hoje, 8 de outubro de 2026.
Horário: 14h
Local: Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) – Sala de Reunião das Comissões Pedro de Sousa (Térreo Superior – TS).
Atrações: Contação de histórias com o Grupo Paepalanthus e discotecagem com DJ Zapatta
Entrada: Gratuita.
Agência CLDF
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