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Desastre em Maceió motiva cineastas a produzir novos filmes

Bairros evacuados foram usados como locação para contar histórias

 

A cena parecia saída de um pesadelo. Chão afundando, imóveis com rachaduras e desespero espalhado por moradores de cinco bairros de Maceió. Não era ficção, tratava-se de um mistério real. Mas não havia tempo a perder naquele 3 de março de 2018, quando Octávio Lemos resolveu tirar às pressas a família de uma casa do Pinheiro, a primeira comunidade afetada. Ele precisou convencer a avó de 92 anos de que era preciso sair rápido de casa. Resolvido o problema familiar imediato, o jovem cineasta alagoano estava certo de que era urgente começar a filmar. O desastre só estava começando.

Como ele, produtores do audiovisual em Alagoas entenderam que, diante do desastre nesses últimos cinco anos, as câmeras ligadas poderiam ser aliadas para denunciar o que ocorria.

Segundo pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil, a extração mineral de sal-gema, realizada pela petroquímica Braskem, seria responsável pelos danos à região. Cientes da tragédia anunciada, os cineastas tentam, desde 2018, evitar o apagamento da memória e sensibilizar o país para histórias de milhares de pessoas.

Longa

Octávio Lemos é um dos realizadores do documentário “Histórias do Subsolo”, que está em fase final na produção. A ideia é que o longa seja exibido em TV e também disponibilizado em plataforma de streaming no ano que vem.

“Desde 2018, estamos acompanhando alguns personagens. É uma tragédia anunciada há muitos anos e essa é a história que o nosso filme conta”. O diretor explica que o filme aborda a implementação de exploração da petroquímica Salgema na década de 1970, durante a ditadura militar.

Afundamento do solo em Maceió virou filme, produzido por cineastas vítimas do desastre da Braskem. Foto: Luiza Leal / Divulgação
Documentários e obras de ficção trazem histórias inspiradas pelo desastre provocado por minas de extração de sal-gema da Braskem. Foto: Luiza Leal / Divulgação

Acervo

Até agora, o diretor da obra calcula haver mais de 100 horas de imagens. “Estamos certos de que houve uma tentativa de apagar e silenciar as denúncias”.

O que mais impactou o cineasta foi justamente as histórias dos moradores. “Sobretudo as pessoas mais pobres que moravam lá nessa região, como na encosta do bairro do Mutange. O que eu tenho conhecimento é que foram registrados 15 casos de suicídio diretamente ligados a esse caso”. Além do filme programado para o ano que vem, o projeto conta com um site que detalha o crime ambiental. Confira dados da pesquisa no site Histórias do Subsolo (https://historiasdosubsolo.org/).

A dor na casa

Em vez de um documentário, a cineasta Luíza Leal da Cunha optou por uma ficção inspirada nos fatos acontecidos na vizinhança do bairro dela, o Pinheiro.

O filme Rachadura conta a história de uma mulher que vive a perda de uma companheira com quem era casada e moradora do Pinheiro. “Essa mulher tem uma ligação muito forte com essa casa. E, em uma noite, ela tem um pesadelo com tremores”. No dia seguinte, ela vê uma cratera gigantesca na frente de casa. O filme deve estar pronto no ano que vem.

Desde os primeiros tremores, Luíza realiza pesquisas no Pinheiro. “Percebi que o caso vem afetando a vida pessoal e a saúde mental dessas pessoas. E isso me inspirou a pensar uma história de ficção que pudesse tocar outras pessoas”.

Fuga

O cineasta Henrique Cavalcanti, de 33 anos, nascido e criado no bairro do Pinheiro, resolveu também se inspirar no desastre para conceber uma ficção, o curta “Rota de Fuga”. As locações foram na região ameaçada.

“Quando a gente acabou de gravar algumas cenas, aconteceu esse novo tremor que desencadeou uma nova onda de consequências, que foi o abalo da Mina 18 (em 10 de dezembro). O filme foi 100% rodado nos bairros afetados pelo crime ambiental da Braskem”.

A principal locação ficava no Pinheiro, bairro símbolo da tragédia. O curta conta a história da relação de um filho com um pai, que sofre do Mal de Alzheimer, e que vê a vida impactada por um desastre ambiental.

“O filme mostra uma remoção forçada de casa e os problemas emocionais causados pela realidade. A gente acabou de gravar e o curta terá 22 minutos”. A previsão de lançamento é até meados de 2024. O filme tem mistura de ficção com realidade, mas muito baseado em histórias que a gente teve contato.

Desastre em Maceió inspira cineastas a produzir documentário e ficção. Foto: Andréa Guido / Divulgação
A fotógrafa Andréa Guido ainda não precisou sair de casa, mas registrou a indignação das famílias removidas. Foto: Andréa Guido / Divulgação

Entre as pessoas consultadas, a fotógrafa Andréa Guido atuou como consultora do filme. “Tem rua que eu não consigo mais reconhecer. O bairro está completamente desconfigurado. Eu não consigo reconhecer a rua que morei. A Andréa nos ajudou muito porque conhece o lugar em detalhes”.

Detalhes doloridos

Inclusive, foi inicialmente o tremor de 2018 que Andréa, radicada em Maceió, a se aventurar com a máquina em punho. Mesmo passados cinco anos, ela se emociona com as casas destruídas ou mesmo com os tapumes que desconfiguraram o que antes era vida normal.

Ela e a família são moradoras do bairro do Pinheiro e ainda não tiveram que sair do apartamento em que vivem. Do outro lado da sua, os vizinhos tiveram que sair. “Como moradora, eu me senti na obrigação de fotografar e registrar a indignação das pessoas. O que me motiva até hoje é fazer com que essa história tenha um registro”.

Às vezes, a fotógrafa tem dificuldades de disparar a máquina. Cada esquina fala direto ao coração dela. “A minha filha tem 28 anos. Ela nasceu e cresceu aqui no Pinheiro. Todos os prédios foram demolidos. Inclusive a igreja em que foi batizada, o mercadinho, o lugar que vendia o churrasco ou que vendia a tapioca, para onde a gente ia depois da escola. Todos esses locais que fazem parte da nossa memória afetiva”.

As fotos transformaram-se em exposições, mas há tanto material que deve render mais conteúdo inédito. Ela ainda pretende publicar um livro.

Foto de família

Outro trabalho sensível de investigação fotográfica começou em 2020 e foi um projeto do artista visual Paulo Accioly. Ele criou o “A gente foi feliz por aqui”, que buscava registrar famílias que ainda moravam no bairro, mas estavam prestes a sair.

“Eu fotografava e colava a foto da família nos muros das casas que seriam derrubadas. O projeto era deixar as famílias ali presentes, na casa deles, até o último momento possível”.

Braskem

A Braskem, por intermédio de sua página na internet, alega que implementou “medidas amplas e adequadas para mitigar, compensar ou reparar impactos do afundamento do solo” nos cinco bairros atingidos. “Ao longo dos últimos 4 anos, os moradores das áreas de desocupação mapeadas pela Defesa Civil foram realocados de forma preventiva e indenizados. Os últimos 23 imóveis ocupados foram desocupados pela Defesa Civil, por determinação judicial”.

A empresa acrescenta que tem acordos com autoridades para a realocação preventiva e compensação financeira das famílias; apoio psicológico; ações urbanísticas e ambientais. “Até o momento, R$ 14,4 bilhões foram provisionados e R$ 9,2 bilhões já foram desembolsados com as ações adotadas em Alagoas, incluindo indenizações e medidas socioambientais e econômicas”.

Edição: Marcelo Brandão

 

 

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Educação midiática: mapa revela projetos de conscientização pelo país

Segunda fase da iniciativa está com inscrições abertas

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Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil

Na hora do intervalo ou em trabalhos durante as aulas da escola municipal Josué de Castro, na área rural de Theobroma (RO), a comunicação ganhou novo sentido. Isso porque um estúdio improvisado de rádio, com dois microfones e outros equipamentos, tem feito com que crianças e adolescentes olhem a Amazônia, onde moram, de outra forma. 

O projeto de educação midiática, que existe há pouco mais de dois anos, faz com que das quatro caixas de som do pátio da escola, os estudantes possam se informar e reconhecer, em alto e bom som, temas como sustentabilidade, educação e saúde.

Inscrições de novos projetos

Projetos como o “Rádio na Escola”, da escola do interior de Rondônia, estão no Mapa Brasileiro da Educação Midiática que reúne até agora 226 iniciativas. O mapa é uma iniciativa da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), com apoio do governo do Reino Unido no Brasil, parceria técnica do Porvir (portal de inovação educacional) e cooperação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco Brasil).

Até 16 de março, estão abertas as inscrições para a inclusão de novas experiências e recursos que promovam o uso crítico, responsável e criativo das mídias em diferentes contextos educativos.

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Mobilização

No caso da escola de Theobroma (RO), de acordo com o diretor da unidade, Elias Bastos, o rádio é aplicado da pré-escola até o nono ano do ensino fundamental.

10/03/2026 - Educação midiática: mapa revela projetos de conscientização no País. No caso da escola de Theobroma (RO), de acordo com o diretor da unidade de ensino, Elias Bastos, de 32 anos, o rádio é aplicado da pré-escola até o nono ano do ensino fundamental. Foto: Elias Bastos/Arquivo Pessoal
Aluna de unidade de ensino de Theobroma (RO) participa do programa Rádio na Escola – Foto Elias Bastos/Arquivo Pessoal

Ele explica que as gravações feitas pelos próprios alunos, sob orientação dos professores, têm conseguido retornos até das famílias dos estudantes, em assuntos como a poluição da nascente do Rio São João.

“Eles já entenderam que é importante conservar a natureza que nos cerca”.  O projeto tem finalidade também de combater desinformação e boatos.

A escola, de 183 alunos, fica no interior de um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, batizado de “Antônio Conselheiro” (liderança popular na guerra de Canudos).

“Pelo rádio, temos falado também de como evitar a proliferação da dengue e os riscos da evasão escolar”, diz o professor, que mora na área urbana, a cerca de 47 quilômetros de distância (ou mais de uma hora de viagem em estrada sem asfaltamento”.

Os resultados da iniciativa escolar têm animado os docentes a seguir viagem.

10/03/2026 - Educação midiática: mapa revela projetos de conscientização no País. No caso da escola de Theobroma (RO), de acordo com o diretor da unidade de ensino, Elias Bastos, de 32 anos, o rádio é aplicado da pré-escola até o nono ano do ensino fundamental. Foto: Elias Bastos/Arquivo Pessoal
Em escola de Theobroma (RO), rádio é aplicado da pré-escola até o nono ano do ensino fundamental – Foto Elias Bastos/Arquivo Pessoal

Contra fake news

As inscrições para integrar o mapa de educação midiática são feitas por um formulário online e analisadas pela equipe técnica do projeto. A nova edição do mapa está prevista para junho. Para participar dessa consolidação nacional de informações, o projeto deve, por exemplo, promover uma análise crítica da mídia, fazer checagem de fatos e produção de conteúdos em prol da cidadania.

“A segunda chamada é um convite para que mais educadores, pesquisadores e organizações compartilhem suas experiências.

“Queremos ampliar o mapeamento de ações de educação midiática no país, fortalecendo uma rede cada vez mais diversa, criativa e representativa”, destacou a coordenadora de Educação Midiática da Secom. Thaís Brito,

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Mais de mil estudantes participam de workshop de educação financeira no DF

Terceira edição do Futuro em Conta, Workshop de Educação Financeira orientou jovens sobre planejamento financeiro e consumo consciente, entre outros temas

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Agência Brasília* | Edição: Vinicius Nader

Mais de mil estudantes da rede pública de ensino do Distrito Federal participaram, nesta segunda-feira (9), da 3ª edição do Futuro em Conta, Workshop de Educação Financeira. O evento é idealizado pela Secretaria da Juventude (Sejuve-DF) e foi promovido em parceria com a Voga Investimentos. A iniciativa orienta jovens sobre planejamento financeiro, consumo consciente e organização das finanças pessoais.

Durante o workshop, os estudantes tiveram contato com conceitos práticos de educação financeira, como organização do orçamento pessoal, planejamento de gastos e a importância de começar a investir com responsabilidade. Também foram apresentados exemplos de aplicações acessíveis para iniciantes, como Tesouro Selic, CDBs, LCI/LCA e poupança, além da explicação de como funcionam os investimentos, em que o investidor empresta dinheiro ao governo ou a bancos por um período determinado e recebe o valor de volta com juros.

André Kubitschek: “Quando o jovem aprende a cuidar do próprio dinheiro, ele passa a ter mais autonomia para tomar decisões, planejar sua vida e construir um futuro com mais segurança” | Foto: Divulgação/Sejuve-DF

Para o secretário da Juventude do DF, André Kubitschek, a educação financeira é um instrumento importante para ampliar as oportunidades da juventude. “A educação financeira é uma ferramenta de liberdade. Quando o jovem aprende a cuidar do próprio dinheiro, ele passa a ter mais autonomia para tomar decisões, planejar sua vida e construir um futuro com mais segurança”, destacou.

 

A estudante Ana Clara Silva, 16 anos, ressaltou que a experiência proporcionou novos aprendizados a ela. “A gente quase não aprende isso na escola. Hoje eu entendi que saber cuidar do dinheiro é importante para conseguir realizar nossos planos no futuro”, afirmou.

Com a nova edição, mais de 2.000 jovens de escolas públicas do DF já participaram das atividades do projeto, que busca incentivar hábitos financeiros saudáveis e preparar os estudantes para decisões financeiras mais conscientes ao longo da vida.

*Com informações da Sejuve-DF

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CLDF debate PL que combate a revitimização e a espetacularização do feminicídio

Especialistas defendem combate ao sensacionalismo, educação de gênero e rede de proteção humanizada para garantir a dignidade e preservar a memória das vítimas

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Foto: Henrique Jesus / Divulgação

Em uma audiência pública marcada por relatos e dados, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) debateu, na noite desta quinta-feira (05) o Projeto de Lei nº 1819/2025. A proposta, de autoria do deputado Max Maciel (PSOL), busca garantir a proteção do nome, da imagem e da honra de mulheres vítimas de violência doméstica, combatendo a revitimização no ambiente digital e na mídia.

Segundo cenário apresentado pelo parlamentar, no Distrito Federal, aproximadamente uma mulher é morta por feminicídio a cada 12 dias. Entre 2015 e 2025, a violência de gênero deixou 469 órfãos na capital. “A violência doméstica não termina necessariamente com a morte da vítima”, alertou o deputado Max Maciel. Segundo ele, o ciclo de violência “continua no espaço público por meio da exposição da imagem da vítima, da circulação de narrativas que culpam a mulher, da tentativa de justificar a agressão ou até mesmo de transformar a morte em um espetáculo”.

Conforme explicou o distrital, a proposta busca estimular uma mudança de foco na abordagem da violência contra a mulher. “Em vez de focar exclusivamente nas condutas, o projeto busca organizar a atuação do Estado diante das formas de violência. Buscamos romper a lógica de tratar esse fenômeno apenas como uma disputa entre autor e vítima, focando também na dimensão pública do problema. Queremos fortalecer a atuação preventiva do Estado”, frisou.

O poder da linguagem e a revitimização

 

Foto: Henrique Jesus / Divulgação

A jornalista e pesquisadora Ana Maduro, cujos estudos na Universidade de Brasília (UnB) fundamentaram o projeto, destacou como a escolha das palavras “pode atenuar crimes bárbaros”. “O que que o feminicídio tem a ver com a linguagem? Tudo. No momento que a gente olha para uma manchete ‘mulher é morta após trair o marido’, eu estou tornando o feminicídio um crime justificável, estou culpabilizando a vítima”, afirmou.

A pesquisadora também alertou para a sexualização das vítimas na mídia, citando o uso de fotos com biquínis ou batom vermelho para ilustrar notícias de assassinatos, o que fere a dignidade e a memória da mulher. “Imagine que você é vítima de violência… e veiculam sua foto no Google. Sua foto vai ficar ali para sempre. É a sua memória”, afirmou, ressaltando que o texto jornalístico deve ser um aliado da denúncia e não um gerador de medo para outras mulheres.

Para Karine Fonseca, presidenta da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn-DF), a questão também deve ser tratada como um problema de saúde pública, especialmente pelo impacto nas famílias. “As famílias vítimas de feminicídio enfrentam o luto prolongado, uma dor que se retroalimenta pela história que foi contada… a memória foi corrompida e a pessoa amada foi colocada como culpada”, pontuou.

Em sua fala, ela resgatou a memória de movimentos feministas históricos para reforçar que “a sociedade não pode mais aceitar a culpabilização das vítimas”, afirmando categoricamente que “a culpa não foi da mulher de querer sair daquele relacionamento” e que a misoginia “é a verdadeira raiz dessa violência”.

Recorte racial e invisibilidade

Aline Pereira, representante do Movimento Negro Unificado (MNU), trouxe a necessidade de se considerar o aspecto racial no debate, citando casos emblemáticos como os de Cláudia Ferreira – mulher que foi morta pela PM e arrastada por uma viatura no RJ em 2014 – e o da vereadora Marielle Franco. “A cada vez que aquela imagem circulava [de Cláudia sendo arrastada por um camburão], Cláudia era assassinada novamente”, desabafou Aline.

Ela citou o exemplo de Marielle Franco para reivindicar o direito das mulheres negras ao espaço público e à memória respeitosa, defendendo que, quando houver exposição pela violência, que ocorra de “maneira humana” e não desumanizada.

Segurança Pública e Prevenção

A Tenente-Coronel Renata Braz das Neves Cardoso, da Polícia Militar do DF, apresentou avanços institucionais, como a inclusão, em 2018, da disciplina Intervenção Policial Militar em Ocorrências de Violência Doméstica em todos os cursos de formação e aperfeiçoamento da corporação.

Segundo a oficial, é vital que os policiais entendam que “um chamado ao 190 é um pedido de socorro e, independentemente da quantidade de vezes que essa mulher acessa o serviço, a PM tem que estar disponível” para prestar o melhor atendimento possível, sem revitimização.

Além do treinamento, Renata Braz detalhou programas práticos que apresentam resultados expressivos, como o grupo reflexivo para servidores da segurança que são autores de violência. Ela relatou que, por meio desse acompanhamento compulsório, o índice de violência doméstica praticada por militares caiu drasticamente. “Conseguimos reduzir em praticamente 100% feminicídios cometidos por servidores da segurança pública”, pontuou.

Marina Cordeiro, coordenadora da Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, trouxe dados sobre a realidade nacional e local. Apenas em janeiro de 2026, o Brasil registrou 330 vítimas fatais de violência de gênero, o que representa uma média de “11 mulheres com as suas vidas ceifadas nesse país por dia”.

Ela enfatizou a necessidade de uma perspectiva interseccional para proteger todas as mulheres em sua diversidade e criticou duramente a falha institucional no Distrito Federal, que apresenta altos índices de rejeição de auxílio judicial. Segundo informou, a Capital Federal  está no topo do ranking de denegação de medidas protetivas, com 15,7% das medidas tendo sido negadas no ano de 2025, o que totaliza 3.320 mulheres que tiveram esses pedidos rejeitados. “Nós não sabemos o que aconteceu depois com essas mulheres”, afirmou.

O projeto de lei

O texto do PL, que já tramitou nas comissões e aguarda votação em Plenário, estabelece que a divulgação ou exposição indevida do nome ou da imagem das vítimas, realizada por agressores ou seus familiares em mídias, propagandas ou entrevistas, constitui explicitamente uma forma de violência psicológica, conforme já previsto na Lei Maria da Penha.

A justificativa da proposta aponta que essa exposição é frequentemente utilizada como uma “tática de intimidação e desmoralização” para isolar a mulher e minar sua credibilidade.

Para enfrentar o problema, o PL impõe diretrizes ao Poder Executivo, como: adoção de providências administrativas para coibir a exposição indevida; promoção de campanhas educativas sobre os impactos da exposição pública das vítimas; e atendimento prioritário em serviços de apoio psicológico, jurídico e social para as vítimas e seus familiares quando houver agravamento do sofrimento pela exposição.

A íntegra da audiência pública pode ser conferida no YouTube da CLDF. Confira:

 

 

 

Christopher Gama – Agência CLDF de Notícias

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