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PAISAGENS BRASILEIRAS

DEPOIMENTO DO ARQUITETO-DA-PAISAGEM CARLOS FERNANDO DE MOURA DELPHIM SOBRE O LIVRO “TUTELA JURÍDICA DA PAISAGEM”.

 

Considero o arquiteto Carlos Fernando de Moura Delphim um dos maiores paisagistas da atualidade. Ele conviveu com o mestre Burle Marx, com quem trocava informações sobre a natureza brasileira. Mas quando o tema é estudos da paisagem natural e cultural, teorias sobre patrimônio, planejamento para manejo de preservação de sítios de valor histórico, recursos naturais e análises sobre geoparques, Carlos Fernando vai muito além do mestre. É mais completo e mais holístico, por ter um viés didático, lato senso, científico e de excelência que extrapola o termo paisagista. Formado pela UFMG, Carlos Fernando criou, no IPHAN, a área de Patrimônio Natural, assim como a categoria de Paisagem Cultural. É membro da Comissão de Patrimônio Mundial da Unesco e trabalha com projetos e planejamento para manejo e preservação de sítios de valor paisagístico, histórico, natural, paleontológico e arqueológico. É autor de várias publicações e três livros de referência: “Jardins do Brasil” – “Jardins do Rio” e “Jardins Inspirados”, da Atlântica Editora.

 

A TUTELA JURÍDICA DA PAISAGEM

Carlos Fernando de Moura Delphim fala sobre o livro do promotor Luciano Furtado Loubet e os caminhos para equilibrar proteção ambiental e desenvolvimento

 

“Luciano Furtado Loubet aborda um tema importante no cenário jurídico brasileiro tão necessário ao enfrentamento da crise global do clima. Já passou a hora de defender a paisagem como um direito humano”.

 

OS CONFLITOS ENTRE A PROTEÇÃO DA PAISAGEM E O DESENVOLVIMENTO.

 

Arquiteto formado pela UFMG, ex-diretor do IPHAN e membro da Comissão de Patrimônio Mundial da Unesco, Carlos Fernando de Moura Delphim tem um viés didático e científico de excelência que extrapola o termo paisagista.

 

Por Carlos Fernando de Moura Delphim

“O livro “Tutela Jurídica da Paisagem”, de Luciano Furtado Loubet é o mais novo lançamento que aborda os conflitos entre a proteção da paisagem e o avanço de atividades econômicas, tais como desvio de cachoeiras para energia, plantio de soja no Pantanal, instalação de tirolesas em pontos turísticos e construções de prédios próximos a bens culturais.

Com uma análise prática e aprofundada, Luciano Furtado Loubet apresenta caminhos para equilibrar proteção ambiental e desenvolvimento.

Qualquer contribuição à exígua literatura brasileira sobre paisagem é extremamente bem-vinda. Sobretudo quando não se trata de elocubrações teóricas, mas fundamentadas no exercício de um Promotor de Justiça no Núcleo Ambiental do Ministério Público do Mato Grosso do Sul e Vice-Presidente da Associação Brasileira dos membros de Ministério Público.

Suponho que exercer tais cargos em um estado tão rico em paisagens naturais, com uma vocação agropecuária como é Mato Grosso do Sul, seja uma tarefa muito árdua.

Para tanto exige-se muita isenção e idoneidade. Um livro sobre a tutela jurídica da paisagem é mais do que bem-vindo, sobretudo quando órgãos federais se recusam a cuidar da paisagem cultural, uma categoria por mim apresentada e aprovada pelo Iphan”.

 

PRESERVAÇÃO E EQUILÍBRIO.

OS LIVROS DE CARLOS FERNANDO

 

Os livros “Jardins do Brasil” – “Jardins do Rio” e “Jardins Inspirados” mostram imagens de sítios históricos como o Parque São Clemente, considerado um dos mais importantes jardins históricos do Brasil, cujo desenho original é do mestre francês Auguste François Marie Glaziou, trazido pelo Imperador Dom Pedro II para cuidar das mais belas paisagens da realeza e da aristocracia brasileira. Esse jardim, localizado em Nova Friburgo, é muito pouco conhecido dos brasileiros. Outros exemplos são os jardins botânicos do Rio de Janeiro e de Brasília; os jardins do Observatório Nacional, do Passeio Público e da Quinta da Boa Vista, no Rio; o parque do Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora, que é o museu com maior acervo de bens do Império no país, além de uma rara o mais recente de todos os retratados no livro, compõe um roteiro completo de visitação pelas áreas verdes da cidade e do estado do Rio. Carlos Fernando não esqueceu os jardins modernos de seu grande amigo Roberto Burle Marx em seu Sítio em Barra de Guaratiba e na capital do País, Brasília.

Considerado um dos mais belos livros já editados, a obra mostra uma visão do autor comprometida com a preservação da natureza e com as formas equilibradas de convivência entre o homem e o mundo natural. Para Carlos Fernando, os jardins sempre foram um indicador do nível de civilização de um povo. “Quanto mais civilizada uma cultura, mais perfeita a arte de seus jardins”, costuma dizer. Para Carlos Fernando, em todas as culturas o jardim significa o paraíso, o paraíso perdido desde o Éden.

 

PARAÍSO E INFERNO

Partindo desse enfoque, o autor de “Jardins do Brasil” propõe duas possibilidades para enfrentar o futuro no Planeta: Paraíso e Inferno, conceitos antagônicos que são as duas opções da humanidade. O Paraíso representa a relação equilibrada entre homem e cultura. O Inferno, a desordem resultante das ações equivocadas do homem sobre o meio ambiente, ações que podem resultar no desaparecimento da humanidade e da própria vida sobre a face da Terra.

Carlos Fernando de Moura Delphim argumenta que o ser humano se encontra em uma encruzilhada, em um momento crucial no qual ainda pode optar pela deflagração de um caos ou pela reestruturação do Cosmos. Nesse contexto, os jardins e a preservação das paisagens naturais e culturais são o mais perfeito símbolo. ‘Dentre os momentos mais maravilhosos do Universo pode-se citar o surgimento da energia, da matéria, da vida, do homem. Resta aguardar um milagre. Que a Humanidade assuma o compromisso de um novo caminho movido por esta energia primeira e criadora, o Amor’, conclui o paisagista.

 

GLAZIOU, O PAISAGISTA DO IMPERADOR

 

Auguste François Marie Glaziou nasceu na França, em 1833. Formado em engenharia civil, estudou botânica no Museu de História Natural de Paris, aprofundando seus conhecimentos em agricultura e horticultura. Participou da reforma do Jardim Público da cidade de Bordeaux, na França.

Em 1858, Glaziou veio para o Rio de Janeiro, onde durante longo período acumulou os cargos de Diretor dos Parques e Jardins da Casa Imperial e Inspetor dos Jardins Municipais, além de integrar a Associação Brasileira de Aclimação.

 

GLAZIOU: o paisagista francês deixou um dos mais importantes legados para a Brasília: projeto do Lago Paranoá.

 

Em 1858, Glaziou veio para o Rio de Janeiro, onde durante longo período acumulou os cargos de Diretor dos Parques e Jardins da Casa Imperial e Inspetor dos Jardins Municipais, além de integrar a Associação Brasileira de Aclimação.

Sua ligação com o imperador, lhe permitiram estar ligado à maior parte de projetos paisagísticos acontecidos na Corte durante o Segundo Império, como as reformas do Passeio Público, da Quinta da Boa Vista e do Campo de Santana.

Além de transformar a paisagem brasileira na segunda metade do século XIX, Glaziou deixou um legado importante para Brasília. Ele participou da segunda Missão Louis Cruls, em 1894, quando percebeu a viabilidade da construção de um lago. No segundo relatório Cruls, Auguste Glaziou apontou a solução técnica para a construção do Lago Paranoá:

Entre os dois grandes chapadões conhecidos na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe uma imensa planície sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa: outrora era um lago devido à junção de diferentes cursos de água formando o Paranoá; o excedente desse lago, atravessando uma depressão do chapadão, acabou com o carrear dos saibros e mesmo das pedras grossas, por abrir nesse ponto uma brecha funda, de paredes quase verticais pela qual se precipitam hoje todas as águas dessas alturas. É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte (barragem) forçosamente a água tomará ao seu lugar primitivo e formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de 20 a 25 quilômetros sobre uma largura de 16 a 18.”

 

 

LAGO PARANOÁ – O idealizador do Lago Paranoá foi o paisagista francês Auguste Glaziou, membro integrante da 2ª Comissão Cruls. A construção da barragem se inicia em 1957, sob responsabilidade da empresa norte-americana Raymond Concrete Pile of Americas. O constante atraso nas obras fez com que JK mandasse rescindir o contrato com a Raymond e transferisse o comando da construção da barragem para as construtoras Camargo Corrêa, Rabelo, Rodobras, Geotec e Engenharia Civil e Portuária.

 

Obedecendo as diretrizes de Auguste Glaziou, 63 anos depois, em 1957, a Novacap definiu a prioridade da construção do Lago Paranoá no edital do projeto do Plano Piloto. Construído em três anos, a barragem foi inaugurada em 12 de setembro de 1959 (aniversário de JK) dando início à formação do Lago Paranoá.

 

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Museu do Catetinho estreia experiência em realidade virtual com inspiração em Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Temporada do filme ‘Água de Beber’ começa neste sábado (25) e segue até setembro, com acesso gratuito aos visitantes

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Agência Brasília* | Edição: Chico Neto

O Museu do Catetinho, espaço gerido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), inaugura neste sábado (25) a exibição do curta-metragem Água de Beber em realidade virtual. A experiência estará disponível ao público até setembro, com seis óculos instalados em pontos fixos do museu para uso dos visitantes.

Com oito minutos de duração, o filme recria a inspiração da canção homônima de Tom Jobim e Vinicius de Moraes a partir da fonte localizada no próprio Catetinho. Dirigido por Filipe Gontijo e Henrique Siqueira, o curta propõe uma imersão sensorial que conecta memória, música e patrimônio histórico em um dos espaços simbólicos da capital federal.

A iniciativa conta com o Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), instrumento público de fomento que viabiliza projetos culturais em diferentes linguagens e territórios. No caso da produção audiovisual, o recurso permite ampliar o acesso da população a novas formas de fruição cultural, incorporando tecnologias como a realidade virtual ao circuito de visitação.

 

Para o secretário interino de Cultura e Economia Criativa do DF, Fernando Modesto, a ação evidencia o papel das políticas públicas no fortalecimento da cultura e na valorização dos espaços históricos. “Ao ocupar o Museu do Catetinho com uma experiência que dialoga com a história da música brasileira e com a identidade do espaço, ampliamos as possibilidades de fruição cultural e reforçamos o compromisso do poder público com a democratização da cultura”, afirma.

*Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa

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Feita de sonhos, sotaques e muita coragem

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Foto: Diogo Lima / Agência CLDF

 

Mais do que um cartão-postal reconhecido mundialmente por sua arquitetura e urbanismo, Brasília é uma cidade pulsante, construída diariamente por pessoas que transformam sonhos em realidade. Capital do país e símbolo de modernidade, a cidade reúne história, diversidade cultural e desenvolvimento, mantendo vivo o espírito inovador que marcou sua criação.

Ao longo de seus 66 anos, Brasília consolidou-se como centro político e administrativo do Brasil, mas também como espaço de oportunidades, acolhimento e cidadania. Em cada região administrativa, a população ajuda a escrever uma trajetória marcada por crescimento, trabalho e esperança no futuro.

Nesse caminho, a Câmara Legislativa do Distrito Federal desempenha papel essencial ao representar a voz da população, criar leis e fiscalizar ações que impactam diretamente a vida dos cidadãos. O trabalho parlamentar contribui para fortalecer políticas públicas e garantir direitos em áreas fundamentais como saúde, educação, mobilidade e segurança.

Celebrar o aniversário de Brasília é reconhecer a grandeza de uma cidade planejada para o futuro e construída por todos os brasilienses. Mais do que monumentos e paisagens icônicas, Brasília é feita de pessoas, histórias e conquistas que seguem moldando o presente e inspirando as próximas gerações.

 

Agência CLDF

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Mariangela Hungria está na lista Time das 100 personalidades mais influentes do mundo

A pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria está na lista TIME100 2026, na categoria Pioneiros (Pioneers), que reconhece as 100 pessoas mais influentes do mundo

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A pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria está na lista TIME100 2026, na categoria Pioneiros (Pioneers), que reconhece as 100 pessoas mais influentes do mundo. A lista disponibilizada hoje no site da Time reconhece o impacto, a inovação e as conquistas de personalidades mundiais. Mariangela destacou a emoção com o reconhecimento e disse que a conquista ainda parece difícil de acreditar. “Estamos falando de um reconhecimento das pessoas mais influentes do mundo”, afirmou. A pesquisadora também ressaltou o orgulho de representar a ciência brasileira no cenário internacional. Para ela, essa valorização não é resultado apenas sua trajetória, mas do trabalho desenvolvido na Embrapa, especialmente na área de insumos biológicos na agricultura. “É um grande orgulho para a pesquisa brasileira, principalmente por um tema tão relevante: o uso de biológicos substituindo produtos químicos”, explicou.

Mariangela destacou ainda que esse reconhecimento reflete uma mudança global de percepção, com maior valorização de práticas sustentáveis e da produção de alimentos mais saudáveis. “Isso mostra que o mundo considera importante produzir alimentos que promovam a saúde do solo e das pessoas, com menos resíduos químicos, dentro do conceito de saúde única”, disse. Ela acredita que a visibilidade pode fortalecer ainda mais o protagonismo do Brasil no setor. “Além da alegria pelo reconhecimento, isso ajuda a divulgar essa bandeira dos biológicos, na qual o Brasil já é líder mundial — e pode se tornar ainda mais”, concluiu.

Quem é Mariangela Hungria

Nascida em 06 de fevereiro de 1958, em São Paulo, e criada em Itapetinga (SP), Mariangela Hungria é engenheira agrônoma, pesquisadora e professora universitária, reconhecida mundialmente por sua contribuição ao desenvolvimento de insumos biológicos para a agricultura brasileira. Desde a infância, teve curiosidade por conhecer o que envolve os aspectos relacionados à terra, à água e ao ar. Quando tinha oito anos, ganhou da avó materna o livro “Caçadores de Micróbios”, de Paul de Kruif, sobre a vida de microbiologistas. Depois dessa leitura, decidiu que queria ser microbiologista, mas não na área médica — tinha que ser sobre solo e plantas. Sua busca por conhecimento e seu espírito científico, a levaram a cursar Engenharia Agronômica e se especializar em microbiologia do solo, tornando-se uma das mais renomadas microbiologistas do mundo.

Desde 1982, Mariangela desenvolve inovações que resultaramno lançamento de mais de 30 tecnologias. A cientista possui mais de 500 publicações científicas, documentos técnicos, livros e capítulos de livros. Também já orientou mais de 200 alunos de graduação e pós-graduação.

Para a pesquisadora, há uma crescente demanda global por aumento da produção e da qualidade dos alimentos, mas com sustentabilidade, o que significa reduzir a poluição do solo e da água e diminuir as emissões de gases de efeito estufa. De acordo com Mariangela, o desenvolvimento sustentável na agricultura deve se alinhar com novos conceitos, enfatizando a “Saúde Única” (One Health), a “Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG)” e a nova visão de agricultura regenerativa. Essa abordagem busca produzir mais com menos — menos insumos, menos água, menos terra, menos esforço humano e menor impacto ambiental.

Contribuições à produção agrícola

O foco das pesquisas de Mariangela Hungria tem sido no aumento da produção e na qualidade de alimentos por meio da substituição, total ou parcial, de fertilizantes químicos por microrganismos portadores de propriedades como a fixação biológica de nitrogênio (FBN), a síntese de fitormônios e a solubilização de fosfatos e rochas potássicas. Ela obteve resultados inovadores ao provar que, ao contrário de relatos dos EUA, Austrália e Europa, a inoculação anual da soja com Bradyrhizobium aumenta, em média, 8% a produção de grãos de soja. Ainda mais relevante, altos rendimentos são conseguidos sem nenhuma aplicação de fertilizante nitrogenado e a confirmação desses benefícios pelo agricultor está na adoção dessa prática, 85% de toda a área cultivada com soja.

Outra tecnologia lançada pela pesquisadora, em 2014, foi a coinoculação da soja, que une as bactérias fixadoras de nitrogênio (Bradyrhizobium) e as bactérias promotoras de crescimento de plantas (Azospirillum brasilense). Em pouco mais de dez anos, a coinoculação passou a ser adotada em aproximadamente 35% da área total cultivada de soja.

Reunindo os benefícios da inoculação e da coinoculação da soja, somente em 2025, a economia estimada, ao dispensar o uso de fertilizantes nitrogenados, foi estimada em 25 bilhões de dólares. Além do benefício econômico, o uso dessas bactérias ajudou a mitigar, em 2024, a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalentes para a atmosfera.

Associado aos trabalhos com soja, a pesquisadora também coordena pesquisas que culminaram com o lançamento de outras tecnologias: autorização/recomendação de bactérias (rizóbios) e coinoculação para a cultura do feijoeiro, Azospirillum brasiliense para as culturas do milho e do trigo e de pastagens com braquiárias. Ainda em relação às gramíneas, em 2021, a equipe da pesquisadora lançou uma tecnologia que permite a redução de 25% na fertilização nitrogenada de cobertura em milho por meio da inoculação com A. brasilense, gerando benefícios econômicos significativos para os agricultores e impactos ambientais positivos para o país.

Trajetória  profissional

Mariangela Hungria é Engenharia Agronômica (Esalq/USP),com mestrado em Solos e Nutrição de Plantas (Esalq/USP), doutorado em Ciência do Solo (UFRRJ). Na sequência,cursou o doutorado na UFRRJ. A tese foi realizada na Embrapa, a convite da pesquisadora Johanna Döbereiner, cientista que revolucionou a agricultura tropical ao descobrir e aplicar a fixação biológica de nitrogênio (FBN) em culturas agrícolas. Mariangela considera Johanna Döbereiner a mentora mais influente da sua carreira, por ter colaborado decisivamente com sua formação como cientista.

Em 1982, tornou-se pesquisadora da Embrapa: inicialmente na Embrapa Agrobiologia (Seropédica, RJ) e, desde 1991, na Embrapa Soja (Londrina, PR). Mariangela acumula ainda três pós-doutorado em universidades nos Estados Unidos e Espanha (Cornell University, University of California-Davis e Universidade de Sevilla).

RECONHECIMENTOS

Mariangela Hungria, laureada da edição de 2025 do Prêmio Mundial de Alimentação – World Food Prize (WFP) – reconhecido como o “Nobel da Agricultura”, recebeu a homenagem em 23 de outubro, em Des Moines, nos Estados Unidos. O Prêmio, concedido pela Fundação World FoodPrize, celebra o impacto positivo das pesquisas da cientista brasileira e sua contribuição ao desenvolvimento de insumos biológicos para a agricultura brasileira.

Mariangela é também comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico e membro titular da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Brasileira de Ciência Agronômica e da Academia Mundial de Ciências. É professora e orientadora da pós-graduação em Microbiologia e em Biotecnologia na Universidade Estadual de Londrina. Atua também na Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e na Sociedade Brasileira de Microbiologia.

Desde 2020 Mariangela está classificada entre os 100 mil cientistas mais influentes no mundo, de acordo com o estudo da Universidade de Stanford (EUA). Em 2022, a pesquisadora ocupou a primeira posição brasileira, confirmada em 2025, em Fitotecnia e Agronomia (Plant Science and Agronomy) e em Microbiologia, em lista publicada pelo Research.com, um site que oferece dados sobre contribuições científicas em nível mundial.

Já recebeu várias premiações pela sustentabilidade em agricultura, como o Frederico Menezes, Lenovo-Academia Mundial de Ciências, da Frente Parlamentar Agropecuária eda Fundação Bunge. Em 2025, recebeu o Prêmio Mulheres e Ciência, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com o Ministério das Mulheres, o British Council e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe. Em 2026, entrou na lista Forbes que destaca 10 personalidades mundiais que personificam a liderança no agronegócio.

Lebna Landgraf (MTb 2903 -PR)
Embrapa Soja

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