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Temporada França-Brasil provoca com obras sobre IA, clima e trabalho

Trabalhos expostos no país europeu circulam no Brasil até dezembro

 

Mariana Tokarnia* – Repórter da Agência Brasil

 

Carro, moto, pessoa, helicóptero, casa. Associar imagens e mapas que aparecem diante da tela do computador a palavras é o trabalho de pessoas, principalmente de países do Sul global, que ficam horas confinados em ambientes de poucos metros quadrados, em troca de baixas remunerações. As identificações servem para treinar inteligências artificiais (IA) de grandes empresas de tecnologia. Os chamados microtrabalhos surgem como alternativa de renda, ao mesmo tempo que colocam trabalhadores em situações extenuantes física e psicologicamente.

A instalação artística de Lauritz Bohne (Alemanha), Lea Scherer (Austria) e Edward Zammit (Malta) denuncia essa precarização, que afeta milhões de pessoas no mundo. Em Meta Office: Atrás das telas da Amazon Mechanical Turks (2021-2025), eles reúnem dados, por cidade, da remuneração média dos microtrabalhos, do tamanho do espaço em que as pessoas realizam essas atividades, entre outros. Além disso, exibem fotografias desses locais de trabalho.

>> Confira os destaques da programação da Temporada da França no Brasil

A instalação é uma das obras que fazem parte da exposição O mundo segundo a IA, que está em cartaz em Paris até setembro e, em novembro, chega ao Brasil, ao Sesc Campinas, como parte da programação da Temporada França-Brasil. A exposição reúne obras de diversos artistas que questionam os impactos da inteligência artificial, sejam eles sociais, ambientais, cognitivos ou econômicos. A Agência Brasil visitou a exposição na França, a convite do Instituto Francês.

“Muitas vezes, falamos das tecnologias digitais como se fosse uma espécie de desmaterialização. Utilizamos metáforas como a nuvem, armazenamento na nuvem, a nuvem computacional, que, na verdade, não são nuvens, são centros de dados que consomem quantidades enormes de energia. O consumo de energia ligada à IA representa 3% do consumo de energia no mundo e é uma quantidade que vai aumentar de maneira fenomenal nos próximos anos”, diz o curador-chefe da exposição, Antonio Somaini.

Outra obra da exposição discute todo o trabalho necessário para que um simples sistema de IA, como a Alexa, da Amazon, chegue na casa das pessoas. O trabalho é de Kate Crawford (Austrália) e Vladan Joler (Sérvia) e se chama Anatomia de um sistema de IA: Um caso de estudo anatômico do Amazon Echo como um sistema de inteligência artificial feito de trabalho (2018).

Em um pedestal, está um aparelho Amazon Echo, em que os usuários interagem com a inteligência artificial Alexa. Atrás, um grande cartaz mostra do que é feito aparelho, desde as rochas e metais que precisaram ser extraídos da terra para que ele fosse construído até os trabalhadores necessárias para que isso fosse possível. A cartografia mostra ainda o que acontece após o uso, quando descartado, o que é feito com esse equipamento até que seja desintegrado completamente. Enquanto o aparelho ocupa apenas alguns centímetros quadrados, a cartografia se estende por toda uma parede de metros de altura e largura.

Vieses preconceituosos

Já Faces do ImageNet (2021), de Trevor Paglen (Estados Unidos), convida os visitantes a se posicionarem diante de uma tela. Rapidamente, adjetivos e características, como esquisito, fumante, professor, começam a ser associados, apenas baseados na imagem captada. O telão usa os dados do ImageNet, criado em 2009 para treinar os sistemas de reconhecimento facial e de objetos. Esse sistema, por sua vez, é treinado por trabalhadores que tinham que associar palavras aleatórias a rostos de pessoas.

“Esses trabalhadores recebiam 50 imagens por minuto, recebiam uma lista de palavras e deviam rapidamente associar uma palavra e uma imagem. E, como utilizaram todos os substantivos da língua inglesa, também havia palavras que eram insultos”, explica Somaini. “Trevor Paglen, o artista autor da tela com Kate Crawford, analisou a composição do banco de dados e evidenciou todos os vieses sexistas, raciais e de gênero presentes ali.”

Essas características que podem parecer inocentes ou até mesmo engraçadas para quem visita a exposição podem servir para discriminar pessoas no mundo real e até mesmo para colocá-las em risco caso a tecnologia seja usada em uma guerra, por exemplo.

A exposição propõe também uma reflexão sobre o futuro, que, para o artista Grégory Chatonsky (França), não é animador. Sua obra A quarta memória (2025) é uma instalação que simula um cenário distópico no qual a humanidade não mais existe e restam apenas as máquinas. Na parede, uma projeção que mostra, ao mesmo tempo, fotos e vídeos do próprio artista e imagens geradas por IA das vidas que poderiam ter sido vividas por ele, com base em um banco de imagens dos séculos 19 e 20.

“Ele fala que é uma obra póstuma. Depois que ele morrer, depois do final da humanidade, o que vai restar são essas imagens que vão reexplorar o nosso passado até o final da energia”, diz Somaini, que complementa: “Mas quem sabe se até lá terão inventado um sistema capaz de alimentar a energia e as máquinas não vão ter mais o problema do aquecimento?”.

As máquinas, então, se salvam e os seres humanos sobrevivem apenas nos bancos de dados.

Urgência Climática

Ao contrário de Chatonsky, há quem acredite que ainda é possível tomar medidas para que a Terra não se torne um planeta impossível de ser habitado humanos. A exposição O Novo Anormal, que chega ao Brasil também como parte da Temporada França-Brasil, busca refletir sobre futuros possíveis e também mostrar que as mudanças devem ser feitas coletivamente para que tenham impacto. A exposição ocorrerá no Rio de Janeiro, Brasília e Belém, como uma adaptação da exposição Urgência Climática, em cartaz em Paris.

“Não estamos sujeitos ao futuro, nós o construímos”, defende o gerente de projetos de museu da Cidade da Ciência e da Indústria, onde a exposição está em cartaz em Paris, Adrien Stalter.

O início da exposição é um aviso: “As atividades humanas geram CO2 (dióxido de carbono), e uma concentração importante de CO2 provoca um desajuste climático em escala planetária. Não se trata de uma opinião, há um consenso científico sobre o tema”, diz o texto introdutório da mostra, que segue com um convite para “elaborar um pensamento crítico, que nos tire do nosso estado de estupefação e nos impulsione a passar para a ação de forma coletiva, para poder seguir habitando a Terra”.

Brasília (DF), 30/06/2025 - Discussões sobre IA, crise climática e futuro do mundo fazem parte do ano da França no Brasil
Foto: Arnaud Robin/EPPDCSI/Divulgação
Discussões sobre IA, crise climática e futuro do mundo fazem parte do ano da França no Brasil Arnaud Robin/EPPDCSI/Divulgação

Uma das obras interativas convida os visitantes para uma refeição. Em uma tela, é possível escolher entrada, prato principal, sobremesa e até um cafezinho. No final, é gerada uma conta em pegadas de carbono, ou seja, o quanto do gás poluente apenas aquela refeição emitiu para atmosfera. Para cada alimento escolhido, há uma explicação de todas as etapas de produção, transporte e preparo até ele chegar ao prato.

Outra obra mostra em um globo suspenso o que significa o aumento de temperatura, que não ocorre de forma uniforme em todas as partes do planeta, e as consequências para as populações mais afetadas, como o calor extremo, o avanço no nível das águas do mar e o alagamento de cidades e comunidades litorâneas.

“A nossa missão não é dizer ao público você deve fazer isso, ou fazer aquilo. Nós mostramos a realidade dos números para que ele depois adapte seus hábitos de vida e de consumo. Não estamos aqui para impor aos visitantes outros comportamentos, mas mostramos que outros comportamentos são possíveis e talvez sejam melhores para o planeta”, diz Stalter.

Discutindo o futuro

Além das trocas culturais, a Temporada França-Brasil terá espaços de discussão. Um deles será o Fórum Nosso Futuro – França-Brasil, Diálogos com a África, que será aberto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo francês Emmanuel Macron. O fórum será em novembro, em Salvador.

No Fórum, jovens e figuras importantes da África, Europa e Brasil se encontrarão para discutir a cidade inclusiva e sustentável do futuro: justiça territorial, inclusão social, igualdade de gênero, culturas afrodescendentes, entre outros.

Já o Fórum Juventude e Democracia reunirá 80 jovens franceses e brasileiros em workshops e palestras no SesiLab, em agosto, em Brasília, para debater questões globais como a luta contra a desinformação, a economia solidária e sustentável, a democracia cultural e a igualdade de gênero.

Temporada França-Brasil

A Temporada 2025 foi acordada em 2023, pelos presidentes Lula e Macron. O objetivo é fortalecer a relação bilateral entre os dois países, principalmente por meio da cultura. No primeiro semestre deste ano, ocorreu a Temporada Brasil-França, ou seja, a programação brasileira em solo francês. Agora, no segundo semestre, é a vez da Temporada França-Brasil, elaborada pela França.

Os temas prioritários da Temporada são: a diversidade de sociedades e diálogo com África; democracia e Estado de direito; e clima e transição ecológica. A programação, que ocorre de agosto a dezembro, será distribuída entre 15 cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belém, Salvador, Recife, Fortaleza, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Campinas, São Luís, Teresina, João Pessoa e Macapá.

Entre os dias 17 e 24 de maio, a Agência Brasil esteve em Paris, a convite do Instituto Francês, vinculado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da França, responsável pela programação do segundo semestre, para conhecer um pouco da programação.

*A repórter viajou à Paris a convite do Instituto Francês.

 

 

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Com alerta laranja, umidade pode chegar a 12% no DF nesta sexta e sábado

Alerta do Inmet indica condição de perigo e prevê índices entre 20% e 12% 

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 Geovanna Gravia, da Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader

A umidade relativa do ar pode chegar a 12% no Distrito Federal nesta sexta-feira (14) e no sábado (15), principalmente durante as tardes. O DF está sob alerta laranja, de perigo, emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A previsão indica índices entre 20% e 12%, condição que aumenta o risco de incêndios florestais e pode causar impactos à saúde.

O período mais crítico ocorre durante a tarde, quando as temperaturas sobem e a umidade tende a cair. A previsão indica que índices iguais ou inferiores a 12% ainda podem ser registrados até pelo menos segunda-feira (17).

O período da tarde é o mais crítico, com umidade do ar ainda mais baixa | Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

A situação é provocada pela atuação de uma massa de ar quente e seco, associada à estabilidade atmosférica e à ausência prolongada de chuva. Essas condições dificultam a formação de nuvens e mantêm o tempo seco no Distrito Federal.

 

Baixa umidade

A região do Gama pode atingir 12% de umidade na tarde desta sexta-feira (14). O índice corresponde ao nível laranja de severidade utilizado pelo Inmet.

O menor índice registrado no DF desde o início de agosto foi de 13%. A marca foi registrada no dia 10 deste mês, na Estação Meteorológica do Gama (Ponte Alta). Se a umidade ficar abaixo de 12%, o nível de severidade passa a ser vermelho, considerado de grande perigo.

A partir de terça-feira (18), a umidade deve apresentar uma pequena elevação e ficar, em média, entre 30% e 35%. Mesmo assim, os índices ainda serão considerados baixos. Não há previsão de chuva para os próximos dias.

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Semana legislativa traz a primeira infância para o centro do debate na CLDF

Evento será em 25 e 26 de agosto e reúne atividades educativas, debates com especialistas e discussões sobre a garantia dos direitos das crianças

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Semana integra oficialmente o calendário anual da CLDF e terá como mote “escutar para construir: cultura democrática desde a infância”

A Câmara Legislativa do Distrito Federal realiza, entre 25 e 26 de agosto, a 4ª Semana Legislativa pela Primeira Infância. Promovida pela Escola do Legislativo (Elegis), o evento reúne atividades educativas, debates com especialistas e discussões sobre a garantia dos direitos das crianças. A participação é gratuita e terá direito a certificado. O número de vagas é limitado. A inscrição pode ser feita por este link.

O mote deste ano é “escutar para construir: cultura democrática desde a infância”. O objetivo é ser um espaço de diálogo, reflexão e formação sobre a importância da escuta das crianças como fundamento para a construção de uma cultura democrática desde a infância, reconhecendo-as como sujeitos históricos, culturais e de direitos e fortalecendo sua participação na vida social e na construção de políticas públicas.

A abertura da semana ocorre na terça-feira (25), às 8h, com o projeto Infância Cidadã, que recebe crianças da educação infantil da rede pública de ensino do DF. A iniciativa da Elegis promove educação para a cidadania com estudantes de quatro a seis anos de idade, a partir de atividades que incluem visitas guiadas aos espaços da CLDF, contação de histórias, oficina e espetáculo musical do grupo Camerata Caipira, além de piquenique.

No dia seguinte, a abertura oficial do evento está marcada para as 9h, no auditório da Casa, seguida da conferência magna com o tema “escutar para reconhecer: a criança como sujeito histórico, cultural e de direitos”. A palestrante será a professora doutora Zoia Prestes, que leciona na Universidade Federal Fluminense e é pesquisadora nas áreas de educação, psicologia e desenvolvimento infantil, com base na teoria histórico-cultural.

Após intervalo para almoço, a programação será retomada às 14h30, com uma mesa redonda sobre o tópico “escutar para transformar: o lugar da criança na construção da vida social. Além de Zoia Prestes, o debate contará com os professores Rodrigo Rodrigues e Simão de Miranda.

Prioridade de Estado

Instituída pela Resolução nº 357/2025, de autoria da deputada Paula Belmonte (PSDB), a Semana Legislativa pela Primeira Infância integra oficialmente o calendário anual da CLDF. “Ver a Semana Legislativa chegar à quarta edição mostra que essa agenda se consolidou e continua cumprindo o propósito para o qual foi criada: manter as crianças no centro das políticas públicas”, destaca Belmonte.

A distrital ressalta ainda que a primeira infância precisa ser prioridade do Estado. “É nesse período que construímos bases fundamentais para o desenvolvimento das nossas crianças e, consequentemente, para o futuro da nossa sociedade”, acrescenta.

Programação

25 de agosto (segunda-feira)
Local: Auditório da CLDF (com visita guiada aos espaços da CLDF)
•    8h às 11h | Projeto Infância Cidadã
•    14h às 17h | Projeto Infância Cidadã

26 de agosto (terça-feira)
Local: Auditório da CLDF
•    8h30 | Credenciamento e acolhimento
•    9h | Abertura Institucional. Tema: Escutar para Construir: cultura democrática desde a infância
•    9h30 | Conferência Magna. Tema: Escutar para Reconhecer: a criança como sujeito histórico, cultural e de direitos
–    Palestrante: Prof.ª Dra. Zoia Prestes
•    11h30 às 14h | Intervalo para almoço
•    14h | Recepção
•    14h30 | Mesa-redonda. Tema: Escutar para Transformar: o lugar da criança na construção da vida social
Participantes: Prof. Dr. Rodrigo Rodrigues, Prof. Dr. Simão de Miranda e Prof.ª Dra. Zoia Prestes
•    16h30 | Encerramento.

Inscreva-se por este link

Bruno Sodré – Agência CLDF

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Na era da IA, inclusão digital deve ser crítica, defende educadora

Consultora da Unesco aponta avanços e preocupações com o ensino

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Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil

 

O crescente uso de tecnologias como a internet, com destaque para a inteligência artificial (IA), deve ser acompanhado de pensamento crítico e não apenas entregá-las nas mãos de estudantes e professores.

A avaliação é da educadora Daniela Costa, consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para o Brasil.

“Até um determinado momento, a gente pensava em inclusão digital. Agora, a gente acrescentou duas palavrinhas: tem que ser uma educação, uma inclusão digital significativa e crítica”.

Daniela Costa é coordenadora da pesquisa TIC Educação, desenvolvida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), uma organização sem fins lucrativos.

“Não dá mais para pensar só em entregar as tecnologias nas escolas, a gente precisa pensar em objetivos, motivos, riscos, oportunidades, o que fazer com as tecnologias e como educar os alunos para um uso mais crítico”, defendeu.

Encontro de educadores

A especialista participou do 4º Encontro de Educadores do Século XXI – Inteligência Artificial e o Futuro da Educação, realizado nesta sexta-feira (14), no Rio de Janeiro. O evento é organizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Para abordar o tema, a consultora da Unesco apresentou dados que refletem avanços e preocupações sobre a relação entre estudantes com o ensino.

Pelo lado do avanço, ela mostrou que, na China, gravações de aulas de alta qualidade distribuídas a 100 milhões de estudantes rurais melhoraram os resultados deles em 32%. Além disso, diminuíram a desigualdade salarial entre populações urbanas e rurais em 38%.

Entre as preocupações, ela citou que a “simples proximidade” de um aparelho celular era capaz de distrair os estudantes e provocar um impacto negativo na aprendizagem em 14 países.

Para a professora, existe uma correlação negativa entre o excesso de uso de tecnologias digitais e a aprendizagem dos estudantes.

“Eu estou em aula, os meus alunos pegam o celular e pronto, acabou. Eles não têm mais atenção”.

Ela lembra que o Brasil tem Lei Federal 15.100, de janeiro de 2025, que proíbe uso de celular durante a aula, recreio ou intervalos.

Daniela apresentou dados do Cetic.br de que, no início de 2026, 51% das escolas afirmam que os estudantes não podem sequer levar o celular para a escola.

“Essas regras vão se tornando mais brandas de acordo com o nível de ensino”, complementa ela, apontando que no ensino médio, essa regra cai para 31% dos estabelecimentos.

“O celular tem que ficar em bolso, acessórios ou em locais da escola”, explica.

Pesquisa em vídeos

Daniela Costa chamou atenção também para o fato de que aplicativos de vídeo como YouTube e TikTok foram apontados por estudantes de ensino médio como o recurso digital mais utilizado para fazer pesquisas para trabalhos escolares.

O levantamento mostra que esses vídeos são utilizados por 89% dos alunos.

“A gente passa de uma pesquisa usando a linguagem verbal para uma pesquisa visual. É assistir um vídeo para se informar”, constata.

A segunda forma mais comum de pesquisa são sites de buscas, como o Google, utilizado por 88% dos estudantes.

Na sequência figuram sites como blogs e Wikipédia (72%) e plataformas de IA (70%). Livros digitais são a quinta forma mais comum (65%).

Ela assinala que apenas um terço dos estudantes brasileiros afirmam terem sido orientados sobre erros das IAs.

Sociedade e professores

A educadora acrescentou que dados revelam que os professores são referências para os alunos em como utilizar as tecnologias digitais.

De 2022 para 2024, o percentual de estudantes que declararam se informar sobre o uso com os professores passou de 44% para 56%.

No entanto, ela destacou a queda na proporção de professores que informaram terem passado por formação continuada sobre tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem.

Em 2021, 65% dos docentes declararam participação. Em 2024, eram 54%. “Esse número é baixo. Essa proporção representa metade dos professores”, lamenta.

“É como se, durante a pandemia, precisávamos falar sobre isso. Depois, não precisamos mais”, criticou.

Para a consultora da Unesco, é importante que a sociedade “se comprometa com esse ator que é o professor, o educador”.

“Não existe uma sociedade sem escolas, não existe uma sociedade sem professores, não existe educação e desenvolvimento integral dos estudantes sem esses elementos”, defende.

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