Reportagens

Temporada França-Brasil provoca com obras sobre IA, clima e trabalho

Trabalhos expostos no país europeu circulam no Brasil até dezembro

 

Mariana Tokarnia* – Repórter da Agência Brasil

 

Carro, moto, pessoa, helicóptero, casa. Associar imagens e mapas que aparecem diante da tela do computador a palavras é o trabalho de pessoas, principalmente de países do Sul global, que ficam horas confinados em ambientes de poucos metros quadrados, em troca de baixas remunerações. As identificações servem para treinar inteligências artificiais (IA) de grandes empresas de tecnologia. Os chamados microtrabalhos surgem como alternativa de renda, ao mesmo tempo que colocam trabalhadores em situações extenuantes física e psicologicamente.

A instalação artística de Lauritz Bohne (Alemanha), Lea Scherer (Austria) e Edward Zammit (Malta) denuncia essa precarização, que afeta milhões de pessoas no mundo. Em Meta Office: Atrás das telas da Amazon Mechanical Turks (2021-2025), eles reúnem dados, por cidade, da remuneração média dos microtrabalhos, do tamanho do espaço em que as pessoas realizam essas atividades, entre outros. Além disso, exibem fotografias desses locais de trabalho.

>> Confira os destaques da programação da Temporada da França no Brasil

A instalação é uma das obras que fazem parte da exposição O mundo segundo a IA, que está em cartaz em Paris até setembro e, em novembro, chega ao Brasil, ao Sesc Campinas, como parte da programação da Temporada França-Brasil. A exposição reúne obras de diversos artistas que questionam os impactos da inteligência artificial, sejam eles sociais, ambientais, cognitivos ou econômicos. A Agência Brasil visitou a exposição na França, a convite do Instituto Francês.

“Muitas vezes, falamos das tecnologias digitais como se fosse uma espécie de desmaterialização. Utilizamos metáforas como a nuvem, armazenamento na nuvem, a nuvem computacional, que, na verdade, não são nuvens, são centros de dados que consomem quantidades enormes de energia. O consumo de energia ligada à IA representa 3% do consumo de energia no mundo e é uma quantidade que vai aumentar de maneira fenomenal nos próximos anos”, diz o curador-chefe da exposição, Antonio Somaini.

Outra obra da exposição discute todo o trabalho necessário para que um simples sistema de IA, como a Alexa, da Amazon, chegue na casa das pessoas. O trabalho é de Kate Crawford (Austrália) e Vladan Joler (Sérvia) e se chama Anatomia de um sistema de IA: Um caso de estudo anatômico do Amazon Echo como um sistema de inteligência artificial feito de trabalho (2018).

Em um pedestal, está um aparelho Amazon Echo, em que os usuários interagem com a inteligência artificial Alexa. Atrás, um grande cartaz mostra do que é feito aparelho, desde as rochas e metais que precisaram ser extraídos da terra para que ele fosse construído até os trabalhadores necessárias para que isso fosse possível. A cartografia mostra ainda o que acontece após o uso, quando descartado, o que é feito com esse equipamento até que seja desintegrado completamente. Enquanto o aparelho ocupa apenas alguns centímetros quadrados, a cartografia se estende por toda uma parede de metros de altura e largura.

Vieses preconceituosos

Já Faces do ImageNet (2021), de Trevor Paglen (Estados Unidos), convida os visitantes a se posicionarem diante de uma tela. Rapidamente, adjetivos e características, como esquisito, fumante, professor, começam a ser associados, apenas baseados na imagem captada. O telão usa os dados do ImageNet, criado em 2009 para treinar os sistemas de reconhecimento facial e de objetos. Esse sistema, por sua vez, é treinado por trabalhadores que tinham que associar palavras aleatórias a rostos de pessoas.

“Esses trabalhadores recebiam 50 imagens por minuto, recebiam uma lista de palavras e deviam rapidamente associar uma palavra e uma imagem. E, como utilizaram todos os substantivos da língua inglesa, também havia palavras que eram insultos”, explica Somaini. “Trevor Paglen, o artista autor da tela com Kate Crawford, analisou a composição do banco de dados e evidenciou todos os vieses sexistas, raciais e de gênero presentes ali.”

Essas características que podem parecer inocentes ou até mesmo engraçadas para quem visita a exposição podem servir para discriminar pessoas no mundo real e até mesmo para colocá-las em risco caso a tecnologia seja usada em uma guerra, por exemplo.

A exposição propõe também uma reflexão sobre o futuro, que, para o artista Grégory Chatonsky (França), não é animador. Sua obra A quarta memória (2025) é uma instalação que simula um cenário distópico no qual a humanidade não mais existe e restam apenas as máquinas. Na parede, uma projeção que mostra, ao mesmo tempo, fotos e vídeos do próprio artista e imagens geradas por IA das vidas que poderiam ter sido vividas por ele, com base em um banco de imagens dos séculos 19 e 20.

“Ele fala que é uma obra póstuma. Depois que ele morrer, depois do final da humanidade, o que vai restar são essas imagens que vão reexplorar o nosso passado até o final da energia”, diz Somaini, que complementa: “Mas quem sabe se até lá terão inventado um sistema capaz de alimentar a energia e as máquinas não vão ter mais o problema do aquecimento?”.

As máquinas, então, se salvam e os seres humanos sobrevivem apenas nos bancos de dados.

Urgência Climática

Ao contrário de Chatonsky, há quem acredite que ainda é possível tomar medidas para que a Terra não se torne um planeta impossível de ser habitado humanos. A exposição O Novo Anormal, que chega ao Brasil também como parte da Temporada França-Brasil, busca refletir sobre futuros possíveis e também mostrar que as mudanças devem ser feitas coletivamente para que tenham impacto. A exposição ocorrerá no Rio de Janeiro, Brasília e Belém, como uma adaptação da exposição Urgência Climática, em cartaz em Paris.

“Não estamos sujeitos ao futuro, nós o construímos”, defende o gerente de projetos de museu da Cidade da Ciência e da Indústria, onde a exposição está em cartaz em Paris, Adrien Stalter.

O início da exposição é um aviso: “As atividades humanas geram CO2 (dióxido de carbono), e uma concentração importante de CO2 provoca um desajuste climático em escala planetária. Não se trata de uma opinião, há um consenso científico sobre o tema”, diz o texto introdutório da mostra, que segue com um convite para “elaborar um pensamento crítico, que nos tire do nosso estado de estupefação e nos impulsione a passar para a ação de forma coletiva, para poder seguir habitando a Terra”.

Brasília (DF), 30/06/2025 - Discussões sobre IA, crise climática e futuro do mundo fazem parte do ano da França no Brasil
Foto: Arnaud Robin/EPPDCSI/Divulgação
Discussões sobre IA, crise climática e futuro do mundo fazem parte do ano da França no Brasil Arnaud Robin/EPPDCSI/Divulgação

Uma das obras interativas convida os visitantes para uma refeição. Em uma tela, é possível escolher entrada, prato principal, sobremesa e até um cafezinho. No final, é gerada uma conta em pegadas de carbono, ou seja, o quanto do gás poluente apenas aquela refeição emitiu para atmosfera. Para cada alimento escolhido, há uma explicação de todas as etapas de produção, transporte e preparo até ele chegar ao prato.

Outra obra mostra em um globo suspenso o que significa o aumento de temperatura, que não ocorre de forma uniforme em todas as partes do planeta, e as consequências para as populações mais afetadas, como o calor extremo, o avanço no nível das águas do mar e o alagamento de cidades e comunidades litorâneas.

“A nossa missão não é dizer ao público você deve fazer isso, ou fazer aquilo. Nós mostramos a realidade dos números para que ele depois adapte seus hábitos de vida e de consumo. Não estamos aqui para impor aos visitantes outros comportamentos, mas mostramos que outros comportamentos são possíveis e talvez sejam melhores para o planeta”, diz Stalter.

Discutindo o futuro

Além das trocas culturais, a Temporada França-Brasil terá espaços de discussão. Um deles será o Fórum Nosso Futuro – França-Brasil, Diálogos com a África, que será aberto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo francês Emmanuel Macron. O fórum será em novembro, em Salvador.

No Fórum, jovens e figuras importantes da África, Europa e Brasil se encontrarão para discutir a cidade inclusiva e sustentável do futuro: justiça territorial, inclusão social, igualdade de gênero, culturas afrodescendentes, entre outros.

Já o Fórum Juventude e Democracia reunirá 80 jovens franceses e brasileiros em workshops e palestras no SesiLab, em agosto, em Brasília, para debater questões globais como a luta contra a desinformação, a economia solidária e sustentável, a democracia cultural e a igualdade de gênero.

Temporada França-Brasil

A Temporada 2025 foi acordada em 2023, pelos presidentes Lula e Macron. O objetivo é fortalecer a relação bilateral entre os dois países, principalmente por meio da cultura. No primeiro semestre deste ano, ocorreu a Temporada Brasil-França, ou seja, a programação brasileira em solo francês. Agora, no segundo semestre, é a vez da Temporada França-Brasil, elaborada pela França.

Os temas prioritários da Temporada são: a diversidade de sociedades e diálogo com África; democracia e Estado de direito; e clima e transição ecológica. A programação, que ocorre de agosto a dezembro, será distribuída entre 15 cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belém, Salvador, Recife, Fortaleza, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Campinas, São Luís, Teresina, João Pessoa e Macapá.

Entre os dias 17 e 24 de maio, a Agência Brasil esteve em Paris, a convite do Instituto Francês, vinculado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da França, responsável pela programação do segundo semestre, para conhecer um pouco da programação.

*A repórter viajou à Paris a convite do Instituto Francês.

 

 

Continue Lendo
Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Reportagens

Comissão de Saúde avalia resultados do Iges-DF no primeiro quadrimestre de 2026

Durante audiência pública, instituto apresentou balanço financeiro e administrativo e ouviu apontamentos do Ministério Público, CLDF e do Conselho de Saúde do DF

Publicado

em

Por

 

Foto: João Pedro Carvalho/Agência CLDF

Diretora-presidente do Iges-DF, Eliane Souza de Abreu apresentou dados referentes ao cumprimento de metas de gestão da entidade à Comissão de Saúde

Representantes do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) compareceram à Câmara Legislativa nesta segunda-feira (28) para apresentar a prestação de contas referente ao primeiro quadrimestre de 2026. A audiência pública ocorreu no âmbito da Comissão de Saúde (CSA), presidida pela deputada Dayse Amarilio (PSB), e teve a colaboração do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), do Conselho de Saúde e da sociedade civil.

No primeiro período da audiência, a diretora-presidente do Iges-DF, Eliane Souza de Abreu, apresentou dados referentes ao cumprimento de metas de gestão, à utilização das emendas parlamentares e ao gerenciamento e logística de recursos e insumos. A gestora iniciou a apresentação destacando que o instituto cumpriu, no período avaliado, 100% das metas de gestão pactuadas.

A deputada Dayse Amarilio, o promotor de Justiça do MPDFT Jairo Bisol e o presidente do Conselho de Saúde do DF, Domingos de Brito Filho, fizeram considerações sobre os dados apresentados. Amarilio avaliou que alguns indicadores apresentados pelo Iges-DF não correspondem ao que é percebido “na ponta” dos serviços de saúde prestados à população.

Segundo a parlamentar, chegam ao seu gabinete constantes relatos de dificuldades de acesso aos serviços de saúde, especialmente por parte da população em situação de vulnerabilidade. Ela também questionou o direcionamento de pacientes psiquiátricos para as UPAs, avaliando que essas unidades não são as mais adequadas para esse tipo de assistência.

A escassez de profissionais em quantidade suficiente para atender o quantitativo de pacientes, a falta de medicamentos básicos, como dipirona, e a violência praticada contra profissionais de saúde nas unidades também foram alvo de críticas da parlamentar. “Vai demorar a arrumar a saúde de Brasília porque ela não foi prioridade. Nós temos um problema que é orçamentário e que se reflete no colapso geral de todos os hospitais e sistemas”, afirmou.

O promotor de justiça Jairo Bisol criticou a ausência do secretário de Saúde na audiência. Para ele, parte dos problemas da saúde pública tem origem no modelo de “gestão dividida” entre o ente público (Secretaria de Saúde) e o ente privado (Iges-DF). “Não é o secretário de saúde que deveria estar aqui prestando contas? Me parece que o Iges deveria prestar contas ao secretário e ele prestar à população”, questionou.

Para Domingos Filho, os índices apresentados pelo relatório não correspondem às demandas levadas pela população ao Conselho de Saúde. “Os números apresentados no RVQA não correspondem ao que acontece no Iges. Os índices pactuados entre o Iges e a SES não estão sendo cumpridos”, avaliou.

Eliane de Abreu destacou que o Poder Executivo tem feito “esforço hercúleo” para viabilizar as entregas realizadas pelo Iges. Entre as conquistas obtidas no período, a gestora mencionou uma economia superior a R$ 200 mil por mês com a revisão da estrutura organizacional estabelecida no instituto.

Ela destacou ainda que tem trabalhado na recomposição da força de trabalho. Até o momento, 530 profissionais de saúde já foram realocados nas UPAs para suprir a demanda. Além disso, o instituto tem fortalecido o serviço de telessaúde, o que tem melhorado a gestão no atendimento de forma geral. “Essa também tem sido uma prioridade para nós”, pontuou.

 

Foto: João Pedro Carvalho/Agência CLDF

Dados de gestão

Desempenho institucional e metas de gestão: o instituto informou o cumprimento de 100% das metas pactuadas na área de ensino e pesquisa, incluindo a oferta de vagas para residência médica, residência multiprofissional e estágios curriculares. Os indicadores de rotatividade de pessoal também permaneceram dentro dos limites estabelecidos para os hospitais e unidades de pronto atendimento administrados pelo Iges-DF.

Por outro lado, o indicador de sustentabilidade financeira (Fator K) fechou o período em 1,92, abaixo da faixa contratual prevista entre 2,26 e 2,5. Segundo o relatório, o resultado evidencia a necessidade de recomposição financeira da instituição.

Reestruturação administrativa e governança: os gestores apresentaram também medidas adotadas para reorganização administrativa e fortalecimento da governança institucional. Entre as ações destacadas estão a revisão da estrutura organizacional, a redução de cargos administrativos e a realocação de servidores para áreas assistenciais, iniciativa que gerou economia superior a R$ 200 mil por mês. Também foram promovidas mudanças em setores estratégicos da administração do instituto.

O relatório apontou avanços na área de gestão de riscos e segurança do paciente, com a elaboração da Política de Gestão de Crises do Iges-DF, revisão de protocolos assistenciais e fortalecimento dos mecanismos de apuração institucional. Houve ainda ampliação do diálogo com órgãos de controle, entre eles a Comissão de Saúde da CLDF, o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) e o MPDFT.

Recursos para ampliação da capacidade assistencial

Outro destaque da prestação de contas foi a captação de recursos por meio de emendas parlamentares e convênios federais. Segundo os dados apresentados, foram garantidos R$ 17 milhões em 23 novos convênios firmados com o Ministério da Saúde, destinados à aquisição de equipamentos e ao fortalecimento da estrutura assistencial do Hospital de Base, do Hospital Regional de Santa Maria e das unidades de pronto atendimento.

O Instituto informou também a aquisição e formalização de centenas de equipamentos médico-hospitalares, incluindo aparelhos de anestesia, mesas cirúrgicas, equipamentos de imagem e monitores multiparamétricos, ampliando a capacidade de atendimento da rede sob sua gestão.

Administração e logística

Na área de administração e logística, o Iges-DF destacou avanços na gestão de compras, estoques e abastecimento das unidades de saúde. Entre as medidas adotadas está a migração gradual de contratos para atas de registro de preços, processo que já alcançou 64% de execução e busca reduzir custos, ampliar a previsibilidade das aquisições e preparar a rede para a incorporação de novas UPAs.

De acordo com o relatório, 1.075 itens foram adquiridos no período, permitindo atendimento de 84% das demandas de compras registradas. O instituto atribuiu o resultado à maior agilidade nos processos de negociação e reposição de estoques, reduzindo o risco de desabastecimento de insumos e medicamentos essenciais.

Também foram apresentados os resultados da verticalização do Centro de Distribuição, que proporcionou redução de R$ 7,78 milhões nos estoques em comparação com o ano anterior, além da ampliação da capacidade de armazenamento e do aprimoramento dos mecanismos de rastreabilidade de medicamentos e materiais utilizados nas unidades.

Entre os projetos em andamento, os gestores destacaram a implantação do dispensário eletrônico na UPA de Ceilândia, em fase piloto, com o objetivo de aumentar a segurança na dispensação de medicamentos, melhorar o controle dos estoques e ampliar a rastreabilidade dos insumos utilizados na assistência aos pacientes.

 

Foto: David Calaça / Agência CLDF

 

Balanço financeiro

De acordo com a apresentação do superintendente de Contabilidade, Finanças, Custos e Orçamentos do Iges-DF, Fabiano Batista, a receita total nos três primeiros meses de 2026 foi de R$ 784 milhões e a despesa executada somou R$ 788 milhões, dos quais R$ 26,7 milhões em investimentos. O Instituto iniciou o ano com R$ 46 milhões, remanescentes de 2025.

Embora a disponibilidade financeira tenha sido de R$ 43,7 milhões, esses recursos são vinculados. De acordo com o relatório, a dívida do Iges-DF caiu de R$ 171,7 milhões, no primeiro trimestre de 2022, para R$ 33,4 milhões em 2026. No entanto, técnicos do Iges apontaram defasagem financeira do Instituto.

A deputada Dayse Amarilio questionou sobre o risco de não pagamento dos terceirizados. A presidente do Iges, Eliane de Abreu, disse que protocolou pedido de reequilíbrio financeiro à Secretaria de Saúde e que, no momento, não há atraso no pagamento dos terceirizados. Ela também salientou que a gestão prioriza os contratos com provimento de mão de obra.

O presidente da Comissão de Acompanhamento e Avaliação do Contrato de Gestão do Iges-DF, Luiz Roberto Domingues, no entanto, defendeu a atualização dos repasses, pois o orçamento atual, segundo ele, é baseado nos cálculos de 2024. “O fluxo de recursos e obrigações assumidas do Iges está chegando ao ponto de o Iges correr o risco de não honrar as obrigações contratualizadas sem fazer repactuação, sem fazer reequilíbrio e sem ajustar os contratos com os fornecedores.”

Contratos

De acordo com a superintendente de Contratos do Iges-DF, Luana Fonseca, havia 1.450 instrumento contratuais vigentes em 30 de abril, sendo 1.316 de aquisições, 116 de serviços e 18 de locação. No primeiro trimestre, foram formalizados 793 novos instrumentos, dos quais 518 tinham como objetivo a seleção de fornecedores regulares.

Os contratos celebrados no período somaram R$ 830 milhões, referentes a serviços prestados de três a 24 meses. Desses contratos, 562 foram de aquisição de materiais, 12 de serviços. Houve ainda 84 rescisões e sete apostilamentos. Segundo Fonseca, houve uma redução de 66,6% do total de contratos regulares assinados.

Após a apresentação, Dayse Amarilio questionou a vigência por longos períodos de contratos pagos com verbas indenizatórias. Sobre um determinado contrato, ela criticou: “A gente demorou praticamente três anos para abrir a licitação”.

Os técnicos do Iges-DF se comprometeram a aprimorar a gestão de contratos. “Desde que essa diretoria assumiu o Iges, eu e meus pares temos trabalhado com muito afinco para tratar e entregar respostas. Há questões que não vamos conseguir resolver de pronto, mas isso não significa que não estão no nosso radar, já foram mapeadas”, afirmou a presidente.

O promotor Jairo Bisol parabenizou a condução da audiência pública: “Encantado por ver com que garra e com que competência hoje, na figura da deputada Dayse, vemos esse exercício do controle por parte do Legislativo que eu nunca vi”.

A avaliação das metas do Iges-DF será realizada em uma nova audiência da Comissão de Saúde da Câmara Legislativa.

 

Confira a cobertura fotográfica da audiência no Flickr da CLDF

Christopher Gama e Mario Espinheira – Agência CLDF

Continue Lendo

Reportagens

Após empate frustrante, Brasil reencontra Austrália em novo amistoso

Ancelotti deve fazer sete mudanças em relação à equipe de sexta (25)

Publicado

em

Por

 

Lincoln Chaves – Repórter da EBC

 

Quatro dias após empatarem por 1 a 1, Brasil e Austrália se reencontram nesta terça-feira (29) para novo amistoso no país da Oceania. Desta vez, no Suncorp Stadium, em Brisbane, a partir das 7h (horário de Brasília).

O técnico Carlo Ancelotti deve realizar pelo menos sete mudanças no time que foi a campo na última sexta-feira (25), no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville. Autor do gol brasileiro, já nos acréscimos, o atacante Rayan é um dos que devem iniciar o duelo como titular.

O sistema defensivo será totalmente diferente, com o goleiro Otávio, os laterais Vanderson (direita) e Mauro Júnior (esquerda) e os zagueiros Jair e Gabriel Magalhães. Os volantes Danilo e Bruno Guimarães terão a companhia do meia Gabriel Bontempo. Na frente, Rayan forma o trio de ataque com Raphinha e Vinícius Júnior.

Dos 26 convocados por Ancelotti, oito nunca haviam sido chamados à seleção principal. Deles, dois estrearão com a Amarelinha nesta terça: Otávio e Gabriel Bontempo.

O lateral Matheuzinho foi titular no jogo passado, enquanto Jair e Mauro Júnior entraram na etapa final no lugar de Vitor Reis e Douglas Santos, respectivamente. O goleiro Pedro Morisco, o zagueiro Arthur Dias e os volantes Breno Bidon aguardam uma oportunidade.

“O Breno [Bidon] é um jogador que tem muita qualidade, que está jogando muito bem no Campeonato Brasileiro [pelo Corinthians]. Gostei muito de Arthur Dias e dos goleiros, que eu não conhecia. A verdade é que são todas surpresas positivas. Gostei muito do Gabriel Bontempo, Jair… Quero ser objetivo: temos futuro, apesar das críticas”, disse Ancelotti, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (28).

“Eu acho que a geração que jogou a Copa do Mundo de 2018, 2022 e 2026 acabou. Temos que construir uma nova geração levando em consideração alguns jogadores da geração anterior com idade para a próxima Copa do Mundo. É um momento muito interessante para novos e jovens jogadores, de 17, 18, 19 anos. Esperamos ter a possibilidade e a oportunidade de ajudá-los a crescer mais rápido”, concluiu o treinador.

Do lado australiano, a meta é repetir o nível de atuação da partida anterior. Segundo o técnico Tony Popovic, que também atendeu à imprensa nesta segunda, a seleção do país não está acostumada a enfrentar adversários “de nível top” a cada quatro dias, ao contrário dos brasileiros, que atuam regularmente em grandes competições e na Liga dos Campeões da Europa, principal torneio de clubes do mundo.

“Será um grande teste para observarmos: podemos nos recompor fisicamente? Mentalmente? Podemos apresentar novamente a qualidade que mostramos com e sem a bola? É por isso que estamos encarando o Brasil e estamos satisfeitos de eles terem vindo aqui nos proporcionar esse grande teste”, analisou o treinador.

Se repetir a formação do último amistoso, Popovic deve escalar a Austrália com Patrick Beach; Alessandro Circati, Harry Souttare e Lucas Herrington; Jacob Italiano, Jackson Irvine, Paul Okon-Engstler e Connor Metcalfe; Aziz Behich, Kusini Yengi e Nestory Irankunda. Este último marcou, de falta, o gol que abriu o marcador em Townsville.

Após os jogos na Austrália, o Brasil viaja para a Índia. O amistoso contra a seleção da casa será no próximo sábado (3), às 11h, no Salt Lake Stadium, em Calcutá.

Continue Lendo

Reportagens

Eleições 2026: eleitores de todo o país irão às urnas em horário unificado, seguindo fuso de Brasília

Medida permite a divulgação dos primeiros votos apurados para todos os cargos logo após as 17 horas

Publicado

em

Por

 

O primeiro turno das eleições será realizado no dia 4 de outubro – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Em 2026, os eleitores de todo o Brasil irão às urnas em um horário unificado: entre 8 e 17 horas, no horário de Brasília. Assim que acabar o horário de votação, os primeiros votos apurados para qualquer cargo em disputa já poderão ser divulgados.

A divulgação de todos os resultados ao mesmo tempo não era possível antes de 2022 (quando a unificação passou a valer), por conta dos fusos horários diferentes.

Confira página especial da Câmara sobre as Eleições 2026

“Não podia divulgar os resultados para presidente da República, porque isso poderia, de alguma forma, influenciar o eleitor que ainda estava na fila. A gente divulgava o resultado de governadores e do Parlamento (deputados e senadores), mas não divulgava de presidente até dar 19 horas, pois eram 17 horas no Acre e no Amazonas”, explica o especialista em direito eleitoral Bruno Andrade.

Caminho do voto

Depois que todos os eleitores que estavam na fila terminam de votar, o presidente da mesa encerra a votação na urna eletrônica. A partir daí, a urna não recebe novos votos e são gerados os arquivos necessários para a apuração.

O caminho do voto: da seção eleitoral ao resultado

Para enviar os dados de totalização dos votos no sistema da Justiça Eleitoral, é usada a mídia de resultado. É como um pen drive protegido por travas eletrônicas de segurança que cada urna tem.

Próximas etapas

Depois da eleição, candidatos e partidos precisam apresentar à Justiça Eleitoral a prestação final das contas de campanha. Em 2026, o prazo termina em 3 de novembro para quem concorreu apenas no primeiro turno. Para os candidatos que disputarem o segundo turno, a prestação de contas referente aos dois turnos deverá ser apresentada até 14 de novembro.

Na diplomação, a pessoa eleita recebe o diploma, documento da Justiça Eleitoral que registra seu nome, o partido, federação ou coligação pela qual concorreu e o cargo para o qual foi eleita. No caso dos suplentes, o documento também informa a classificação.

Esse último dado é importante para os deputados porque os parlamentares não se elegem só pela maioria dos votos. São os partidos e as federações que ganham cadeiras na medida em que recebem mais votos dos eleitores em relação ao total de votos válidos.

Saiba como funciona a eleição para deputados

“Essas cadeiras vão para os melhores colocados dentro do partido ou federação. Se os concorrentes identificarem algum problema nesse cálculo, podem entrar com um recurso depois da diplomação”, acrescenta.

Segundo o especialista, o diploma tem duas funções. A primeira é simbólica: formaliza o reconhecimento de que a pessoa foi eleita. A segunda é jurídica: a diplomação também serve como marco para prazos de questionamento do resultado eleitoral.

Candidaturas indeferidas

Segundo Bruno Andrade, quando o registro de uma candidatura está sub judice, há outro fator complicador. O candidato pode continuar na disputa enquanto essa situação permanecer.  Se o eleito estiver com o registro indeferido, mesmo que a decisão ainda esteja sob recurso, ele não poderá ser diplomado.

“Nesse caso, assume o presidente da Câmara, no caso do presidente da República, e ou o presidente da Assembleia Legislativa Estadual, no caso de governador. Ele fica interinamente enquanto não resolve o problema. Se foi confirmado o indeferimento do processo, tem que ter nova eleição”, explica.

Posse

Se a diplomação acontecer com sucesso, a pessoa eleita pode tomar posse. A cerimônia é um rito obrigatório, que marca o início da atividade no cargo, embora eventuais processos eleitorais ainda possam continuar em tramitação.

“A partir desse exercício de mandato é que a pessoa vai poder tomar medidas como parlamentar. Pode participar de votações, ser escolhido representante da Maioria, da Minoria, compor bancada”, afirma Bruno Andrade.

“Com a posse é que a gente começa a ter esses atos de parlamentar efetivamente. Antes disso, ele tem a proteção enquanto parlamentar, porque já está diplomado, mas ainda não exerce efetivamente as tarefas de um parlamentar”, conclui.

Veja mais notícias sobre as eleições 2026

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura “Agência Câmara”.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Continue Lendo

Reportagens

SRTV Sul, Quadra 701, Bloco A, Sala 719
Edifício Centro Empresarial Brasília
Brasília/DF
rodrigogorgulho@hotmail.com
(61) 98442-1010