Reportagens
A Melhor Mãe do Mundo: filme aborda violência doméstica e resistência
Nova obra de Anna Muylaert será exibida no Festival de Bonito
Elaine Patrícia Cruz – Repórter da Agência Brasil*
Uma mulher preta, catadora de recicláveis e que foge de um relacionamento abusivo carregando seus pequenos filhos pelas ruas de São Paulo. O novo filme da diretora Anna Muylaert, A Melhor Mãe do Mundo, que será exibido neste mês de julho no Festival de Cinema Sul Americano de Bonito (Cinesur), conta a história de Gal, mas é também um retrato de muitas mães espalhadas pelo mundo.

Estrelado por Shirley Cruz e Seu Jorge, o filme fez sua estreia mundial no Festival de Berlim e, desde então, vem emocionando plateias e acumulando importantes prêmios de roteiro, filme, fotografia, edição e atuação.
“Ela é a mãe genuinamente brasileira, apesar de tanta identificação com o filme nos festivais mundo afora. É a mãe que está à flor da pele em todos os sentidos — positivos e negativos. Ela é a leoa, a onça, a que carrega os filhos e o mundo nas costas. A que ama incondicionalmente”, descreveu a atriz Shirley Cruz, em entrevista à Agência Brasil.
Em meio aos desafios da falta de moradia, essa mãe vai transformando a fuga em uma grande aventura para proteger os filhos da dura realidade de sua casa e das ruas. O filme trata da violência doméstica, mas transforma-se em uma jornada de coragem e resistência, impulsionada pelo instinto de proteger a infância e manter a esperança em seus filhos.
Diretora de Que Horas Ela Volta, esta não é a primeira vez que Anna Muylaert aborda os temas da maternidade e da desigualdade social em um filme.
“Esse é um filme sobre violência doméstica, da vergonha e do sofrimento que é para uma mulher amar um cara, ter saudade dele, ter tesão por ele, mas não poder ficar porque ele é violento. É também sobre maternidade e sobre o lixo, que é o avesso do capitalismo”, contou a diretora à reportagem. “Também acho, principalmente, que é uma visão política da mãe, dela como um personagem político porque ela está completamente abandonada”.
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Se em realidade essa mãe não vai encontrar oportunidades de transformação por meio dos governos ou de políticas públicas, no filme ela vai se deparar com uma rede de solidariedade que a ajudará a enfrentar as dificuldades.
“Quando ela entra na Ocupação 9 de Julho [um dos símbolos de moradia na capital paulista] e ela encontra uma rede de apoio, aí ela pode começar a viver dignamente. Eu acho que, politicamente pensando, a gente deveria fazer comunidades porque acho que o que a mãe mais precisa – e a criança também – é de uma rede de apoio. Se isso fosse institucionalizado, ajudaria demais”, diz Mulayert.
Reconhecimento
Premiada por sua atuação em festivais realizados em Guadalajara e em Recife, Shirley Cruz diz que esse é um papel que sempre sonhou representar. “É tudo o que eu sonhei e trabalhei muito para concretizar”, diz. “E, sob a perspectiva pessoal — como mulher, mulher preta e mãe —, é forte demais. Foi lindo e continua sendo, a cada exibição”.
O reconhecimento por essa atuação, diz, “é muito bem-vindo”, mas é resultado de um intenso trabalho. “Comecei no filme Cidade de Deus – e lá se vão 25 anos de trabalho. Recebo os prêmios com alegria e com naturalidade, como prosperidade e como colheita”, falou.
Ela ressalta que representar Gal é falar sobre as violências que as mulheres sempre sofreram. “As violências contra a mulher são inúmeras, infinitas, primitivas — e nascem ali, coladinhas com o surgimento da humanidade. Elas foram normalizadas na nossa sociedade e resultam em milhares de abusos, humilhações e mortes todos os dias, no mundo inteiro. Aliás, o Brasil faz feio nesse ranking. A forma, os requintes de crueldade e a posse sobre o corpo e a mente das mulheres são algo insano. Eu não posso afirmar que vai acabar, mas tenho certeza de que a gente não vai desistir de viver”, reforçou.
Para a atriz, a mudança na vida de Gal e de outras mães como ela só será possível quando houver “respeito, afeto e empatia da sociedade, além de políticas públicas para mulheres, mães e crianças”.
Sobrevivência
A mãe retratada no filme busca, principalmente, manter-se viva, ressalta a diretora. Mas em um processo de intensas e duras descobertas, ela também vai se conhecendo e se entendendo como mãe e mulher. “Eu acho que a grande decisão da personagem – e por isso o filme se chama A Melhor Mãe do Mundo – é proteger a prole. Há um entendimento de que, se ela continuar sofrendo abuso, a filha também vai sofrer abuso e se vai continuar uma maldição”.
Buscando poupar os filhos e acabar com esse ciclo de violência, Gal finge que dormir nas ruas de São Paulo é uma brincadeira de acampar. “A mãe sempre quis levar vocês para fazer uma coisa grandiosa, uma grande aventura. Chegou a hora”, diz a personagem, em uma das cenas do filme.
E assim como em um road movie, em que os personagens viajam e se transformam, A Melhor Mãe do Mundo é também como uma grande metáfora do fazer cinematográfico. “Será cada dia em um lugar, fazendo coisas diferentes. Aventura, mistério, ação. Coisa de cinema”, diz a personagem retratada por Shirley Cruz.
Expectativa
Depois de passar por diversos festivais pelo mundo todo, a diretora espera que agora, no Brasil, o filme continue emocionando as pessoas e gerando reflexões.
“Minha expectativa é de que o filme seja visto, seja discutido, emocione as pessoas e que gere compaixão por tudo o que a Gal representa: a catadora, a mulher solteira, a mulher que sofre violência e a mulher preta. E que o público dê um tratamento afetuoso e de vitória para ela”.
Expectativa que também é compartilhada pela atriz do filme. “Espero ver os cinemas lotados porque a magia só acontece quando as pessoas estão sentadas de frente para a tela — e, a partir daí, vem a transformação social. Este filme é uma contribuição efetiva não só para refletir sobre os muitos temas que ele trata, mas para nos convocar a agir. Porque, afinal, como sociedade, estamos ruindo”, diz Shirley.
A Melhor Mãe do Mundo será exibido no dia 31 de julho, no Centro de Convenções de Bonito, dentro da programação do Cinesur, que tem início na noite desta sexta-feira (25) com a exibição do filme paraguaio As Herdeiras, dirigido por Marcelo Martinesse.
Na edição deste ano, o festival reúne 63 filmes de nove países da América do Sul, consolidando o evento como espaço de encontro entre culturas e linguagens desse imenso território. “É preciso conhecer a riqueza da produção audiovisual da América do Sul e criar condições para que haja circulação das produções entre os países do continente. Há um grande mercado a ser explorado, são muitos países, muita gente e um grande potencial econômico”, afirmou Nilson Rodrigues, criador e diretor do festival,
Além das exibições de curtas e longas, o festival também promove oficinas de formação, seminários e debates. Todas as atividades promovidas pelo CineSur são gratuitas.
Mais informações sobre o festival, que será realizado de 25 de julho a 2 de agosto no Centro de Convenções de Bonito, podem ser obtidas no site do evento.
* A repórter viajou a convite do Festival de Cinema Sul Americano Bonito Cinesur 2025
Reportagens
Eleições 2026: eleitores de todo o país irão às urnas em horário unificado, seguindo fuso de Brasília
Medida permite a divulgação dos primeiros votos apurados para todos os cargos logo após as 17 horas
Em 2026, os eleitores de todo o Brasil irão às urnas em um horário unificado: entre 8 e 17 horas, no horário de Brasília. Assim que acabar o horário de votação, os primeiros votos apurados para qualquer cargo em disputa já poderão ser divulgados.
A divulgação de todos os resultados ao mesmo tempo não era possível antes de 2022 (quando a unificação passou a valer), por conta dos fusos horários diferentes.
Confira página especial da Câmara sobre as Eleições 2026
“Não podia divulgar os resultados para presidente da República, porque isso poderia, de alguma forma, influenciar o eleitor que ainda estava na fila. A gente divulgava o resultado de governadores e do Parlamento (deputados e senadores), mas não divulgava de presidente até dar 19 horas, pois eram 17 horas no Acre e no Amazonas”, explica o especialista em direito eleitoral Bruno Andrade.
Caminho do voto
Depois que todos os eleitores que estavam na fila terminam de votar, o presidente da mesa encerra a votação na urna eletrônica. A partir daí, a urna não recebe novos votos e são gerados os arquivos necessários para a apuração.
O caminho do voto: da seção eleitoral ao resultado
Para enviar os dados de totalização dos votos no sistema da Justiça Eleitoral, é usada a mídia de resultado. É como um pen drive protegido por travas eletrônicas de segurança que cada urna tem.
Próximas etapas
Depois da eleição, candidatos e partidos precisam apresentar à Justiça Eleitoral a prestação final das contas de campanha. Em 2026, o prazo termina em 3 de novembro para quem concorreu apenas no primeiro turno. Para os candidatos que disputarem o segundo turno, a prestação de contas referente aos dois turnos deverá ser apresentada até 14 de novembro.
Na diplomação, a pessoa eleita recebe o diploma, documento da Justiça Eleitoral que registra seu nome, o partido, federação ou coligação pela qual concorreu e o cargo para o qual foi eleita. No caso dos suplentes, o documento também informa a classificação.
Esse último dado é importante para os deputados porque os parlamentares não se elegem só pela maioria dos votos. São os partidos e as federações que ganham cadeiras na medida em que recebem mais votos dos eleitores em relação ao total de votos válidos.
Saiba como funciona a eleição para deputados
“Essas cadeiras vão para os melhores colocados dentro do partido ou federação. Se os concorrentes identificarem algum problema nesse cálculo, podem entrar com um recurso depois da diplomação”, acrescenta.
Segundo o especialista, o diploma tem duas funções. A primeira é simbólica: formaliza o reconhecimento de que a pessoa foi eleita. A segunda é jurídica: a diplomação também serve como marco para prazos de questionamento do resultado eleitoral.
Candidaturas indeferidas
Segundo Bruno Andrade, quando o registro de uma candidatura está sub judice, há outro fator complicador. O candidato pode continuar na disputa enquanto essa situação permanecer. Se o eleito estiver com o registro indeferido, mesmo que a decisão ainda esteja sob recurso, ele não poderá ser diplomado.
“Nesse caso, assume o presidente da Câmara, no caso do presidente da República, e ou o presidente da Assembleia Legislativa Estadual, no caso de governador. Ele fica interinamente enquanto não resolve o problema. Se foi confirmado o indeferimento do processo, tem que ter nova eleição”, explica.
Posse
Se a diplomação acontecer com sucesso, a pessoa eleita pode tomar posse. A cerimônia é um rito obrigatório, que marca o início da atividade no cargo, embora eventuais processos eleitorais ainda possam continuar em tramitação.
“A partir desse exercício de mandato é que a pessoa vai poder tomar medidas como parlamentar. Pode participar de votações, ser escolhido representante da Maioria, da Minoria, compor bancada”, afirma Bruno Andrade.
“Com a posse é que a gente começa a ter esses atos de parlamentar efetivamente. Antes disso, ele tem a proteção enquanto parlamentar, porque já está diplomado, mas ainda não exerce efetivamente as tarefas de um parlamentar”, conclui.
Fonte: Agência Câmara de Notícias
Reportagens
Câmara Legislativa promove sessão solene sobre conscientização do câncer infantojuvenil
Sessão marcada para segunda (28) faz alusão ao Setembro Dourado e à necessidade de diagnóstico precoce e tratamento adequado contra a doença
Foto: Helene Santos/Governo do Ceará
Câncer infantojuvenil representa a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de um a 19 anos no Brasil
A Câmara Legislativa realiza sessão solene na próxima segunda-feira (28) em alusão à campanha Setembro Dourado, dedicada às ações preventivas, educativas e de conscientização sobre o câncer infantojuvenil. De autoria do deputado Eduardo Pedrosa (União), o evento ocorrerá no Plenário, a partir das 19h, e contará com transmissão ao vivo pela TV Câmara Distrital.
De acordo com Eduardo Pedrosa, a solenidade “servirá como um fórum qualificado para debater gargalos no sistema de saúde do DF, dar visibilidade à causa, apoiar o trabalho das organizações da sociedade civil e impulsionar políticas públicas voltadas ao diagnóstico precoce, acolhimento e tratamento humanizado”.
Em seu requerimento, o parlamentar ressaltou que o câncer infantojuvenil representa a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de um a 19 anos no Brasil. Segundo o parlamentar, as chances de cura podem superar 80% com o diagnóstico precoce e tratamento adequado. “O grande desafio reside no fato de que muitos sintomas se assemelham a doenças comuns da infância, o que frequentemente retarda o diagnóstico definitivo”, ressaltou.
A campanha Setembro Dourado visa informar a população sobre os principais sinais e sintomas da doença, além de incentivar a solidariedade às crianças, adolescentes e famílias que enfrentam essa jornada. Com ações educativas e de mobilização social realizadas ao longo do mês, contribui para ampliar o conhecimento sobre o tema e fortalecer a rede de apoio aos pacientes.
Mario Espinheira – Agência CLDF
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Censo Escolar: resultado preliminar está disponível no site do Inep
Gestores têm 30 dias para corrigir informações pelo Sistema EducaCenso
Daniella Almeida – Repórter da Agência Brasil
Os resultados preliminares do Censo Escolar da Educação Básica de 2026 estão disponíveis para conferência no painel de resultados no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Os resultados referem-se às matrículas presenciais efetivas na educação básica das redes estaduais e municipais de educação e estão apresentados em ordem alfabética dos estados.

Os responsáveis pelo envio dos dados têm agora 30 dias para corrigir erros, por meio do Sistema EducaCenso do Inep.
Cronograma
O cronograma prevê que no dia 11 de dezembro deverá ocorrer o envio dos dados finais homologados ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
As informações são usadas no cálculo dos coeficientes de distribuição do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
A divulgação dos resultados finais da primeira etapa, das sinopses estatísticas e dos demais estatísticas da Educação Básica está programada para 1º de fevereiro de 2027.
Situação dos alunos
Em 1º de fevereiro de 2027 tem início a segunda etapa do Censo Escolar da Educação Básica 2026, que trata da situação do aluno.
Nesta fase, o diretor ou responsável pela escola deverá coletar as informações sobre rendimento e movimento escolar daqueles estudantes que foram declarados na primeira etapa, incluindo dados de aprovação, reprovação, abandono e transferência.
O período de coleta termina no dia 12 de março de 2027.
E a partir de 1º de abril de 2027, as taxas preliminares de rendimento escolar e os relatórios por escola estarão disponíveis para conferência.
Os indicadores finais de rendimento escolar serão divulgados pelo Inep em 14 de maio de 2027.
Censo Escolar
Os dados no Censo Escolar servem para formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas educacionais, além de servir de referência para programas de financiamento e distribuição de recursos da educação.
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